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[vozes distantes e indistintas]
[câmera zunindo]
[disparos]
MÊS MAIS VIOLENTO
[mulher 1] O governo do México mobilizou o Exército e a Marinha
nas fronteiras de todo o país
com o objetivo de controlar a crescente onda de violência.
[homem 1] São alguns dos crimes atribuídos a Iván Gastélum, conhecido como El Cholo.
[homem 2] Eles querem fazer um ataque ao cartel
após a captura de um dos membros mais emblemáticos, El Chapo.
[homem 3] Aconteceu a homenagem aos homens e mulheres da polícia
que perderam a vida cumprindo seus deveres.
[mulher 2] O triunfo…
[homem 4] Foi registrado mais uma vez um forte confronto
entre a Polícia Federal e o Cartel de Sinaloa.
[vozes continuam indistintas]
[música animada]
[música sombria]
BASEADO EM UM ARTIGO DE HÉCTOR DE MAULEÓN
[inaudível]
[ofegando]
Mãos no balcão! Não quero nenhuma graça!
[ecoando] Nenhuma graça…
[inaudível]
[gritos]
[disparos]
- [arfa] - [música sombria termina]
[ofegando]
BASEADO EM UMA HISTÓRIA REAL
6 DE JANEIRO DE 2016, 7H LOS MOCHIS, SINALOA
[suspira]
[grunhe]
[suspira]
- [arma clica] - [menina] Para!
- [arma clica] - [pai] Elízabeth!
Elízabeth!
Olha, eu não vou falar duas vezes. Para com isso aí. Tá?
- Pega aqui, amor. Seu cafezinho. - Obrigado, amor. Ótimo.
Por que não compra brinquedos mais apropriados?
Sei lá, Barneys, Barbies…
Eu não compro merda nenhuma.
[Liz] É do Carlitos, pai.
Carlitos, Carlos, que maravilha. Aí!
Chega! Para com essa porcaria e senta.
- [esposa] Calma, gente! - Come os ovinhos e o feijão.
- Tá uma delícia. - Quando vai comprar um computador?
Com o computador, a gente vai ficar de boa, como diz a mãe.
[pai] Meu pai…
- E agora? Falo eu ou você? - [suspira]
Você é muito esperta, né, Joana? O que eu falei?
Que, quando puder, o papai vai comprar esse computador.
Quero fazer uma pergunta. Vocês acham que merecem um computador?
Você, perturbando sua irmã, e você, fazendo a lição agora?
- [esposa] Não. - [Liz] Sim!
- [pai] Como "sim"? - Tá bom, não.
- Hum! - [ambos riem]
Mas, papai, mesmo assim, eu sempre tiro nota boa!
- Tira notas melhores, depois a gente vê. - Bom dia! Posso entrar?
Entra, querida! Quer um cafezinho?
Que cafezinho! A gente tá atrasada!
- Vamos pro carro. - Então vão lá, meninas.
- Bagunçaram demais e nem comeram direito. - [Liz] Ah, mãe!
- [mulher] Bom dia. - Vem cá!
- Deixa eu ver! - [pai] Se comportem.
- [esposa] Vão com Deus. - [mulher] Você também. Tchau.
- Tchau! - [esposa] Tchau, meu amor. Brigada.
- Beijo. Tchau! - [mulher] Tchau.
[grunhe]
[suspira]
Amor, a Elízabeth tá terrível, hein?
Temos que tomar cuidado com ela, tá muito agitada.
É, eu sei.
[suspira] Senta aí, amor. Vamos comer.
Eu não tô com fome.
Por quê? O que foi?
Eu não tenho me sentido muito bem ultimamente.
Mas o que você tem? Tá…
Tá doente? Com dor de cabeça, de barriga? Que foi?
[esposa suspira]
[esposa] Eu tô grávida.
Eu tô grávida, Arturo.
- [suspira] - [efeito sonoro dramático]
- Você tá brincando? - Você acha que eu ia brincar com isso?
É outra menina?
Ou um menino? Hum?
[Arturo] Meu Deus do Céu…
Não tava tomando pílula?
Sim, eu tava tomando.
Mas acabei me perdendo nos dias. Eu me enganei.
Eu fiz algumas contas e podemos pagar com o meu salário.
- [música tensa] - Estamos pagando a casa.
Estamos pagando o carro, estamos pagando tudo das meninas.
São muitas dívidas, amor!
Bom…
se for o caso, nós não temos o bebê.
[suspira] Essa não é a questão.
Temos que entrar num acordo, porque vamos ter o filho.
Vou falar com o Valladares e pedir o turno da noite…
O turno da noite não!
- É muito perigoso, Arturo. - Então que merda eu vou fazer?
O turno da noite vai ser um inferno e vou ter que me acostumar,
mas o que não dá pra fazer é ficar sem comer.
[música tensa continua]
Mas prefiro ser pobre do que viúva. Hum?
[suspira] Meu amor…
[batidas à porta]
[música tensa termina]
Delegado, podemos conversar?
Entra, Carmona.
Que foi?
Eu queria ver a possibilidade de me trocar pro turno da noite.
Não, de jeito nenhum. Preciso de você no turno do dia.
[hesita] É que…
Bom, à noite, tem mais bônus, o salário é maior.
É que vou ser pai de novo,
e com todos os gastos que vamos ter, você me entende.
Outro filho?
É…
[mulher] Tudo bem, amiga?
Já fui buscar as roupinhas na casa da Vicky.
Tudo bem?
Sim, tudo bem. Tá tudo bem.
Se quiser, eu guardo até você falar com o Arturo.
Não, amiga. Eu já falei.
E o que ele disse?
[suspira] Ele disse que vai ficar tudo bem.
Mas ele quer passar pro turno da noite.
Do jeito que as coisas estão perigosas.
[Valladares] Carmona.
[Arturo] Sim, delegado.
Acabaram de transferir um agente que veio de Arteaga.
- De Nuevo León? - Michoacán.
- As coisas andam tensas por lá, né? - Exatamente.
O sobrenome dele é Rosales.
Coloquei ele no turno da noite
e não sabia em que maldita viatura botar ele. [ri]
- Então, olha só que coincidência! - Hum…
Tô achando que esse bebê vai trazer sorte.
Bom, tomara. [ri]
Você vai cuidar dele.
Quero que fique bem atento, não sabemos o que ele pode aprontar.
- Claro, vou ficar de olho. - Perfeito.
Bom, então ao trabalho, que hoje é turno duplo.
- Obrigado! - [Valladares] Por nada.
[homem] Prefere pelado ou bem peladão?
[mulher] Bem peladão.
- [homem ri] Bem peladão? - [mulher] É.
- Tá aqui. - [homem] Obrigado.
[mulher] Até mais.
- [homem] Sandra! - [mulher] Andrea.
[homem] Andrea! [ri]
[bolero mexicano tocando no rádio]
Olha, eu tenho que desligar. Tchau.
Só dá pra aguentar esse turno com um balde de café.
[suspira]
Então é bom que esteja gostoso, hein? E levanta-morto.
Você não é de Michoacán?
Relaxa, amigão Tô tentando falar igual vocês.
[conversa indistinta no rádio]
[Rosales funga]
Acha que isso tá "levanta-morto"?
[suspira]
A gente só tá começando o turno.
Bem-vindo a Mochis.
[música sombria]
- Bora! - [motor liga]
[sirene tocando]
[música sombria continua]
[sirene toca]
[música sombria termina]
[Rosales] Você viu isso?
[Arturo] Se fizerem graça, tão ferrados.
Não, acho que já controlaram os caras.
[freio de mão clica]
- [porta abre] - Não, peraí… [hesita]
[suspira] Mas que inferno!
[sirene toca]
- Boa noite. - [policial 1] Boa noite.
- Tudo em ordem? - [policial 1] Tudo, agente.
Levanta eles.
Leva eles, anda! Leva, leva.
Boa noite, agente. Precisa de reforço?
Não, não precisamos de nada. Tá tudo sob controle.
- [agente 1] Vamos. - Licença.
[agente 2] Rápido.
[música tensa]
[agente 2] Vai logo.
Vai, levanta.
[Rosales] Como se não soubesse.
A gente acabou de chegar de Tijuana e não conhece nada.
Ah, agora não conhece nada, seu otário.
[Arturo sussurra] Puta merda…
- [conversa indistinta] - [música tensa se intensifica]
- [agente 1] Me ajuda a te ajudar. - [agente 2] Bora, vou ficar de olho.
[conversa indistinta ao fundo]
Suponho que estejam registrando tudo que foi apreendido.
Não se preocupa.
Não mexe!
Não mexe no quê?
Não levanta a voz, não, hein?
Aí tem muita coca.
Se quiser, vai ser um prazer ajudar escoltando vocês até a Procuradoria.
[música tensa continua]
Vou até avisar meus superiores sobre a apreensão. O que acha?
Tá bom, agente.
Vamos pra Ahome.
Vamos lá!
Ei!
[Arturo] Boa noite.
Tudo bem?
[música tensa continua]
Já vamos.
Circulando.
[motor ronca]
[música tensa continua]
Vamos segui-los.
Vamos sair fora daqui. Vamos, porra!
[Arturo suspira]
[Rosales suspira]
[Arturo ofegando]
[bipe]
- Central. - [bipe]
- [estática] - Carmona.
Você acabou de foder com o negócio do agente.
[bolero mexicano ambiente]
Valeu. Obrigado, Erick.
[mulher] Que tal hoje à noite?
A gente se vê no Motel del Puerto.
E, olha, não tira o uniforme.
[bipe]
Toma o seu.
[Rosales] Hum?
- Esse é o seu café bom? - [expira]
É o melhor de Mochis.
- Escuta, Rosales. - [Rosales] Hum?
O que rolou com aqueles marginais?
[música tensa]
Do que tá falando?
O que você tanto mostrava no seu celular?
Meio estranhos os seus métodos, hein?
Ah, pronto.
Agora tenho que te explicar como faço o meu trabalho?
Qual é o seu problema?
Eu não tenho nenhum problema.
[música tensa continua]
[cospe]
Imbecil de merda.
[música tensa termina]
- [esposa] Arturo? - [Arturo] Eu.
- Bom dia, querido! Oi, meu amor. - [Arturo] Bom dia.
Tudo bem, meu amor? Quer tomar café?
Mais que fome, eu tô morrendo de sono.
- O que quiser, pode trazer. - Tem machaca.
É claro que você tá cansado depois de pegar dois turnos, né?
[Arturo suspira]
Olha, que bonito! Quem fez esse aqui?
- A Joana. É uma artista, você sabe. - [Arturo] Ficou bonito.
Toma, meu amor. Um suquinho.
[suspira] Obrigado. [funga]
[esposa] Mas, e aí? Me conta.
Como foi com o seu novo parceiro? Se deram bem?
Eu ainda não consegui decifrar ele.
Por quê? O que rolou?
- Acho que é porque foi o primeiro dia. - [esposa] Hum…
E você, como tá?
[talheres tilintam]
Bem.
É…
Bom, eu andei pensando muito no que você me falou.
- Eu fiquei pensando, quem sabe eu… - Olha…
Me desculpa.
A verdade é que você me pegou de surpresa e…
[música tensa]
Onde comem quatro, comem cinco. A gente vai ficar bem.
Certeza?
Certeza absoluta.
[música sombria]
[gritos]
[ofegando]
- [disparo] - [gritos]
[disparos]
[gritos]
[disparos]
- [disparo] - [se sobressalta]
[música sombria termina]
[geme]
[grunhe]
[grunhe]
[suspira]
[suspira]
[suspira]
[esposa] Meu amor, tá tudo bem?
Que horas são?
Já são quase sete e meia.
O seu parceiro já tá te esperando lá fora, o Rosales.
O Rosales?
[porta abre]
[passos se aproximando]
[esposa] Meninas.
- Meninas, já fizeram a lição? - [ambas] Sim, papai.
Ah, muito bem.
Então vão pro quarto colocar os pijamas.
- Rápido, hora de dormir. - Boa noite. Prazer, viu?
- O prazer é meu. - Já vou lá.
[esposa] Vamos escovar os dentes, tá muito tarde!
O que faz aqui?
Eu trouxe café pra gente ficar de boa.
Tá bom, então. Eu já saio.
[Rosales] Você tem uma família linda.
[música sombria]
Quando o Valladares me botou com você,
eu reconheci seu nome.
Mas eu não conseguia me lembrar de onde.
Até que caiu minha ficha.
[grunhe] É claro!
Agente Carmona.
O seu caso ficou bem famoso.
E você saiu numa boa, né?
Sabe o que me atormenta toda maldita noite?
As crianças mortas.
Depois daquilo, eu nunca mais voltei a ser o mesmo.
Não consigo dormir direito, minhas reações ficaram diferentes agora.
Uma merda.
Aquele bandido matou as crianças.
Foi um milagre não ter te matado.
Foi.
Manda a real, por que você usa um relógio tão caro?
O que você sabe de relógios?
Ah, sei o bastante.
- Porque, de café, não sabe porra nenhuma. - [Arturo] Hum…
[música sombria continua]
[música sombria termina]
[homem] Chefe.
[música de suspense]
[rádio apita]
- Prossiga, Bravo. - [estática]
- [Bravo] Prossiga, Alfa. - [rádio apita]
Confirma pra mim quantos civis tem no prédio.
[Bravo] A câmera mostrou três civis desde ontem,
e ninguém saiu e nem entrou.
- Repito, só três civis reportados. - [estática]
[chefe] Puta merda.
Parecem tacos demais pra três caras, né?
É. É bastante coisa.
[música de suspense continua]
[motos se distanciam]
[música sombria]
Puta que pariu!
Eles tão armados.
[chefe] São esses que vão comer os tacos, Foco.
- Tá vendo o Cholo? - [Foco] Não tenho certeza.
[chefe] Seguinte, Foco, se o Cholo Iván estiver lá dentro,
a parada não vai ser nada fácil.
[suspira]
Mas a gente não vai morrer hoje.
[gatilho clica]
[música sombria termina]
[música tensa]
[conversa indistinta no rádio]
[música tensa se intensifica]
[estrondo]
- Rápido, rápido, rápido! - [gritos]
[chefe] Em frente! Vamos lá, cobre ele!
Vamos, fuzileiros!
- Aríete! Derrubem a porta! - [oficial 1] Entra! Atira!
- [estrondo] - [estilhaços]
- [tiroteio intenso] - [zunido]
Vamos lá, fuzileiros! Entrem! Ajudem o cabo!
- Ajuda ele! - [oficial 2] Não consigo!
- [oficial 1] Mais dois! - [chefe] Vai ficar bem.
[zunidos metálicos]
- [chefe] Vai ficar tudo bem! - [oficial 3] Relaxa. Vira.
- Granada! - [oficial 1] Granada!
- [oficial 2] Granada! - [explosão intensa]
[chefe] Agora! Vamos lá, hein?
Comigo, comigo! Vamos!
Avancem, fuzileiros!
Avançando!
Cubram a área! Colunga!
[música tensa continua]
- [oficial 1] Cuidado. - [chefe] Avança, Foco!
Cobre a escada!
- Avancem! - [oficial 1] Preciso de mais um!
[chefe] Avancem, fuzileiros! Vamos lá, em frente!
[tiroteio intenso]
Fuzileiro, entra!
- [Foco] Se rendam, seus merdas! - Entrando, fuzileiro!
[chefe] Revistem aquele cômodo!
[Foco] Parados, porra! Pro chão!
- [chefe] Estamos dentro! - [Foco] Mãos pro alto!
Mãos pro alto! Mostra aí, você não era o foda?
- [oficial 1] Deitado! Não se mexe! - [oficial 2] Todo mundo parado!
- Cerquem o quarto do Cholo! - [chefe] No chão! Fica no chão!
Cerquem o quarto!
- Chefe! - Entrando, Foco!
Mãos pra cima! Mãos pra cima, cuzão! Pro chão!
[oficial 1] Verifiquem tudo. Verifiquem com cuidado.
Aonde é que você vai, hein, cuzão? Desce daí! Pro chão!
Vai pro chão, desgraçado!
Encosta na parede!
Por onde ele saiu?
- Quem? - [chefe] Por onde Cholo saiu?
- Não sei! Juro! - Não se faz de desentendida!
[mulher] Eu vim com ele!
- [chefe] Fuzileiro! - [oficial 3] Sim!
[chefe] Entra! Confere a escada.
[oficial 3] Sim, senhor!
Parado! Não se mexa!
Mostrem a cara!
- [oficial 4] Chequem tudo! - [chefe] Não se mexam, seus merdas!
Olhem em tudo, senhores.
Olhem os armários, virem as camas!
O Cholo Iván tem que estar aqui!
[ambos ofegando]
[água respingando]
[música tensa continua]
[homem] Que cheiro de merda, Cholo!
[Cholo] Aguenta, patrão!
Já passamos por pior.
[oficial 1] Vice-almirante, por favor.
[oficial 4] O que temos aqui?
[chefe] Encontraram o que, tenente?
[oficial 1] Encontramos esse dispositivo.
[cliques]
Silêncio, fuzileiros.
[água remexendo]
[homem] Tô cansado de andar feito um rato, fugindo por esses túneis de merda!
[pancadas ocas]
[serra elétrica zunindo]
[chefe] Corta aí. Corta, fuzileiro.
[música tensa]
Entrando!
[oficial 3] Tem um túnel!
Confiram o túnel! Vejam até onde vai.
Que merda.
Esses putos e esses túneis. Vamos lá!
[música tensa continua]
[água remexendo]
- Puta que pariu. Cabo! - [cabo] Às suas ordens.
Diz pro almirante que talvez precisemos de mais apoio aéreo.
- [cabo] Sim, chefe. - Rápido!
[cabo] Sim, senhor!
Novidades?
Comandante, a unidade do túnel voltou.
Não deu pra avançar por causa do nível da água.
- E o túnel desemboca no esgoto da cidade. - Merda. [suspira]
Se o Cholo não se afogou, vai ter que sair por algum bueiro.
- Foco! - Chefe.
Prepara a equipe. Vamos sair. Deixa um grupo aqui vigiando o prédio.
Sim, senhor.
Quero que a unidade aérea nos informe de qualquer movimento suspeito.
- Vamos indo! - [oficial 1] Claro, senhor!
[oficial 2] Vamos!
[música tensa continua]
[música tensa termina]
[helicóptero se aproximando]
- O que será, hein? Exército ou Marinha? - [suspira] Não sei.
Só quero que esse turno acabe logo, porque o jantar promete.
- O almoço é que promete. - [sirene toca]
- [Arturo] Bom dia. - [Valladares] Tudo bem?
Vocês viram os helicópteros?
Acabamos de escutar, mas o que eles andam tanto fazendo?
A Marinha teve um confronto, mas ainda não disseram com quem.
[Arturo] Hum…
O que eles pediram foi pra nenhuma das nossas unidades se moverem.
- Sim, senhor. - Então fiquem aqui cuidando da ponte.
- Obrigado. - Vamos ficar de olho.
- [porta bate] - [motor liga]
Tchau!
A coisa já tá esquentando por aqui.
[ri]
Tô achando que o seu jantar já era.
Fica quieto, Carmona!
Se eu fosse você, já ia me desculpando com a felizarda.
Ou felizardo, sei lá.
[bufa] Bem que você queria, né, cuzão?
Quando quiser, eu te levo pra curtir. Puta que pariu.
[música regional mexicana no rádio]
[cantando em espanhol]
Você é básico pra caralho até pra escolher música, Carmona!
"El Federal de Caminos", sério?
- Que música você escuta? - Ué, música de verdade, imbecil!
- Los Ángeles Negros, por exemplo. - [ri]
[homem] Se me tirar dessa, deixo você casar com minha mulher.
[Cholo ri] Com qual delas?
[homem] Para, não me faz dar risada.
[estalo metálico]
["El Federal de Caminos" continua]
- Escuta, Carmona. - Quê?
Tá muito perigoso esse trampo?
Ah, como todos. Às vezes fica tenso, às vezes tá normal.
Agora, tá tranquilo.
E…
eles pagam propina?
Pra mim, não.
- [atrito metálico] - [música sombria]
[baque metálico]
[carro buzina]
[continua buzinando]
- [Cholo] Desce logo! - [homem] Desce agora!
Desce logo!
- [mulher] Sai! - [homem] Quietinha!
- [Cholo] A gente tá com pressa! Desce! - [mulher] Tamo saindo, calma!
[criança chora]
[homem] Vai embora!
- [pneus cantam] - [carro se afasta]
- Mãe! - [mulher] Fica calma. Eles já foram.
- Tá tudo bem. - [criança chora]
- Pronto, já passou. Tá tudo bem. - Alô?
- [música sombria] - [gritos indistintos]
- [disparos] - [gritaria]
[ruído viscoso]
[suspira]
[zunido]
Uma ambulância!
[buzina]
[conversa indistinta no rádio]
Você tá bem?
[mulher pelo rádio] Atenção, temos um 56-21 na rua Guillermo Prieto,
um Ford Focus vermelho, modelo 2005,
placa Victor, Kilo, Whisky, dois, zero, seis.
Repetindo: placa Victor, Kilo, Whisky, dois, zero, seis.
Mas que merda! A gente tá há doze horas direto.
[homem no rádio] Noventa e seis, comando.
Não reclama.
A gente vai receber hora extra.
Eu não quero hora extra, eu quero é transar.
[expira]
[conversa indistinta pelo rádio continua]
[música tensa]
Ali. É o carro roubado?
Parece.
- [bipe] - Na escuta, 18?
- [sirene tocando] - [pneus cantam]
Tenho um 55 com 56, possível 21.
[Arturo] Pare o veículo imediatamente e encoste à direita!
[pneus cantam]
[ambos] Desce!
[homem] Calma, Cholo. Eles vão nos ajudar.
[música tensa continua]
Que é, seus vermes de merda? Quem é o chefe de vocês?
- Tô com o Patrão, seus bostas! - Armas no chão!
[ri]
Pode ser seu dia de sorte, maluco. Chega de brincadeira, temos que sair.
Cala a boca!
Põe as armas no chão!
Dois passos pra trás!
Dois passos pra trás!
[suspira]
As mãos pra fora!
Bota isso.
Pronto, cuzão.
[Rosales] Anda.
[música tensa continua]
Sabe quem eu sou?
[efeito sonoro de tensão]
[hesita]
Sim, eu sei.
[suspira]
Vou pedir pro senhor descer do veículo.
[música tensa continua]
Calma, amigo. Vamos resolver isso.
- A gente quer ir pra Che Ríos. - Fica em silêncio.
Vira!
Andando.
Vai pra viatura.
Anda.
Entra.
Anda logo, porra! Entra!
Aí.
Entra.
Entra!
Carmona.
[conversa indistinta no rádio]
[câmera clica]
- [Cholo] Tá tirando foto de mim pra quê? - Cala a boca!
[Cholo] Policial de merda!
- Pra te levar, vou ter que te algemar. - [homem] Palhaçada…
[música tensa continua]
[algemas clicam]
[ofegando]
Caralho…
[linha chamando]
[funga e ofega]
[bipe intermitente]
Puta que pariu!
O que você tá fazendo?
[suspira] O que você vai fazer com a foto?
Se fizer alguma besteira, a gente tá fodido, cara.
- De que lado você tá, porra? - Da minha vida, porra!
Me deixa pensar. Me deixa pensar!
Da última vez que seguiu o protocolo à risca,
teve vítimas inocentes.
Não usa essa carta, cuzão!
Essa bosta de foto pode salvar o nosso pescoço!
É o Chapo Guzmán, imbecil!
O que a gente tem que fazer é soltar eles e dar o fora daqui!
Carmona…
[ofegando]
Eu não quero morrer hoje.
E acho que você também não.
Não fode, cara.
[suspira]
Esses malditos já viram a gente.
Sabem qual é a nossa viatura.
Se escaparem, vão matar a gente.
E se levarmos eles pra onde querem…
Também vão acabar com a gente.
Não podemos ficar aqui.
Se a gente ficar num ponto fixo, vão matar a gente.
- Carmona. - Hã?
Já estamos mortos, irmão.
Nem Deus
pode nos ajudar.
A gente tá junto nessa, irmão.
[ambos ofegando]
[suspira]
[alarme apita]
[música tensa termina]
[helicópteros se aproximam]
[música sombria]
[buzinas ao longe]
[homem 1] Seus merdas! Bora!
Vocês são uns inúteis do caralho, né?
Presta bem atenção. Apaga essa merda de cigarro!
Eles tentaram pegar o patrão, mas ele fugiu, tá?
O que tão esperando? Temos que encontrar eles antes da Marinha.
[todos] Sim, senhor!
- Anda! Vamos lá! - [homem 2] Bora!
[música tensa]
- [homem 1] Vai, caralho! - [gritos indistintos]
[pneus cantam]
[música tensa termina]
[teclas clicando]
[bipe]
ARTURO, CADÊ VOCÊ? ME LIGA, POR FAVOR
[celular vibra]
Aí, comandante,
a gente já perdeu muito tempo, chega dessa palhaçada.
Acelera essa porra, que eu te falo onde é pra entrar.
[gritando] Coopera, cuzão!
Ei, Cholo!
Se acalma, porra!
Filho da puta.
[conversa indistinta no rádio]
[carro se aproximando]
[rádio apita]
Na escuta? Tem uma viatura passando.
P, F, 14, 82.
[homem] De olho neles!
São dois.
[música tensa]
Merda…
- Merda… - Aí, comandantes.
O falcão já viu o patrão.
- Puta que pariu… - [Cholo] É agora ou nunca.
Me ajuda a levar ele bem pra Che Ríos.
E agora?
Se a gente entregar ele a salvo, porra, a vida de vocês muda!
Qual é, caralho?
[música tensa continua]
Eles tão com o patrão.
O patrão pode dar uma boa grana pra vocês.
Não tem que pensar, chega dessa palhaçada!
Bora, porra!
Dez milhões!
Pra cada um, hein?
Dez milhões se me levarem até Che Ríos.
Não, pode parar! Nem pensa nisso!
[bufa]
[música tensa continua]
Não.
[disparos]
[disparos]
[disparos]
- [pneus cantam] - [grunhe]
[ofegando]
- Ele ficou? Ele ficou. - Ele ficou, ele ficou.
[suspira]
Puta que pariu!
- Essa é a última vez que eu falo. - Vai, larga a mão de ser burro!
Tão mexendo com a minha gente.
[música tensa termina]
[Chapo] E aí? O que vai ser?
É a última oferta que eu vou fazer.
Dou 15 milhões pra cada um.
Pensem bem, hein?
Porque uma porrada de gente vai morrer nessa.
Os que não me avisaram que a Marinha tava vindo,
os que não chegaram pra acabar com tudo
e os que pensam que podem me entregar fácil assim.
[música tensa]
Vocês que sabem.
[suspira]
[murmura]
Você vai se meter nas pedreiras?
[música tensa termina]
- Na escuta, Magas? - [bipe]
[homem] Que é agora, hein?
Ai, é a porra do Magas.
Que foi?
O Piolho me chamou, patrão.
Acabaram de abater o Sky e o Formiga. O que vamos fazer?
São os que tavam na estrada, na 32?
[Magas] Sim, senhor.
Ai, caralho…
Vamos lá ver.
[música tensa]
[conversa indistinta no rádio]
E esses cuzões, que que eles querem?
E tem mais um montão chegando.
[música tensa continua]
[pneus cantam]
Ah!
Já chegou a nossa galera!
[música tensa termina]
Agora, vocês tão fodidos. É pra valer.
Vocês tão no fogo cruzado.
Então, se matarem a gente, vocês também vão morrer.
Melhor não se mexerem.
[música ambiente mexicana suave]
Você viu?
E agora, o que a gente faz?
Eles não podem ver quem tá aqui dentro.
Senão, a gente tá fodido.
- Vou ao banheiro. - Não, peraí.
Como assim, você vai ao banheiro? Não fode, caralho!
[suspira]
Dividir pra conquistar.
Não deixa se aproximarem.
Porra…
[música tensa]
Bom dia, comandante.
- O que fazem por aqui? - A gente só veio abastecer.
Esses vermes do caralho. Esses aí são dois covardes.
- Hum! É. - Eles vão se foder!
[música tensa continua]
Que merda…
Vou pedir pra guardarem as armas e me mostrarem a autorização de porte.
Esse infeliz…
[ofegando]
Querem alguma coisa?
- [homem grunhe] - [gatilhos clicam]
Parado, papai.
Olha.
Isso.
Relaxa.
[Arturo] Relaxa aí.
Ou todo mundo aqui vai pro espaço.
Que que foi?
Pra que tanta violência?
A gente só veio abastecer e já vai dar o fora.
[música tensa continua]
Então façam isso. Sumam daqui.
Isso.
Não aconteceu nada, hein?
- Quanto eu te devo, chefe? - Não, nada, patrão. Tá tudo certo.
Tudo bem.
[música tensa continua]
[motor liga]
E aí? Vamos acabar logo com eles.
[música tensa termina]
Não vai rolar ficar andando em círculos com esses idiotas.
Senão vão nos matar.
[linha chamando]
O que tá fazendo?
- [bipe intermitente] - Porra, o Valladares não atende.
[suspira]
Eu vou mandar a foto.
Tem certeza?
[suspira]
[bipes]
[suspira]
[música tensa]
[suspira]
A gente se esconde no Motel del Puerto.
É aqui perto.
Tá?
Tá pronto? Demorou.
[música tensa se intensifica]
[portas abrem]
[motor liga]
- [ofegando] Tá gostando? - [mulher] Tô adorando!
[ambos ofegando]
[mulher] Você gozou?
[música tensa termina]
Nunca pensei que seu motel ia ajudar a gente nessa confusão.
Deus protege os safados, Carmona.
Deve ter um monte deles atrás da gente.
- Bora ficar atento. - [Rosales] Escuta.
Pede lá o quarto.
Vou levar a viatura lá pra trás pra não ficar à vista.
Você leva o Chapo e eu levo o Cholo.
Dividir pra conquistar?
Beleza.
Carmona.
Aquela história do celular com o marginal…
Ele pediu o endereço do lugar pra onde iam levar o amigo dele.
Como eu não sabia,
procurei e dei pra ele.
E o relógio…
[suspira]
…é um presente que ganhei do meu pai.
Antes dele morrer.
Rosales…
eu já sei quem você é.
[música ambiente animada]
- Bom dia. - Bom dia.
- Pode falar. - [Arturo] Quantos quartos tem?
Quantos vai querer?
Sessenta.
Eu só quero um.
[porta bate]
Ai, camarada.
Vamos aproveitar, agora que o seu parceiro tá lá dentro.
Leva a gente pra Che Ríos.
Você tem que fazer só isso pra ficar garantido pelo resto da vida.
E pode esquecer de todos os seus problemas financeiros.
E o melhor de tudo, sabe qual é?
Que toda a sua família…
e você…
vão estar protegidos.
Pra sempre. Eu vou garantir isso.
Leva a gente, vai.
[Cholo] Sério, comandante,
é a melhor decisão que você pode tomar na vida, ouviu?
Eu sei, chefe.
- [Chapo] Que bom! Então vamos. - Eu sei.
O negócio tá feito, pisa fundo, que a gente tem pressa pra vazar daqui.
Quantos estão ocupados?
Só três.
[música ambiente animada]
Aquele dali, lá no canto.
O 51.
- Tá livre? - [mulher] Tá.
[chave tilinta]
Trezentos e cinquenta por três horas.
Sabem há quantos anos eu tô na polícia?
Vinte e nove anos.
E, em 29 anos, eu vi um monte de merda.
Merda que vagabundos como vocês fazem.
[bufa]
Daqui um ano, eu me aposento.
E tem presente de aposentadoria melhor
do que ver dois canalhas de merda como vocês
apodrecendo na cadeia?
- Eu vou te matar! - [música tensa]
[ofegando]
[Chapo] Já chega. Chega, Cholo.
Você tá morto, seu cuzão.
[Rosales] Vai se foder, seu bosta.
Já chega.
Foi ele que pediu.
[ofegando]
[batidas suaves]
[motor liga]
[música tensa continua]
[ofegando]
O que esses caras tão fazendo aqui?
[homem] Porra, como vou saber?
Puta merda… [grunhe]
- [mulher] Olha o que você vai perder. - Xiu!
[música tensa continua]
Espera.
Vamos chegar num preço, irmão? Qual é!
- Se abaixem. - [Cholo] Que porra é essa?
Ei! Aonde vai levar o patrão, caralho?
[homem] Puta que pariu!
Não brinca, não pode ser.
- [Arturo] Anda. - [câmera clica]
[câmera clica]
Puta que pariu!
[ofegando]
[homem] Não pode ser!
Esse cara parece…
Com quem?
Anda.
[Cholo] Larga sua arma, cuzão. Vamos sair na mão mesmo.
Aonde vocês vão levar ele, porra?
[música tensa continua]
- [chaves tilintam] - [fechadura clica]
- [música tensa termina] - [porta range]
[Arturo] Entra.
Senta aí.
[celular tocando]
Porra…
- Tá bom, rapaziada. Ao trabalho. - [celular vibra]
[policial] Vamos.
[telefone tocando ao fundo]
[celular tocando]
[Arturo] Pelo amor de Deus!
Espera, espera.
Alô?
Não brinca, Carmona. De onde veio essa foto? Quem te mandou?
Ninguém, delegado.
Eu que tirei.
Tá brincando? Onde?
Como o senhor não respondeu, a gente trouxe ele
e o capanga dele aqui pro Motel del Puerto.
Como?
[gagueja] Como que pegaram ele?
Puta que pariu!
Vou mandar essa foto agora.
Espera, espera, espera. Pra quem é que o senhor vai mandar?
[Valladares] Tem razão. Eu não confio em ninguém.
Já sei.
Vou mandar pra todo mundo.
[gagueja] Pros superiores, pra Marinha, pro Exército.
Pra todo mundo.
E vocês, aguentem aí!
Ouviu, rapaz? Não se mexam.
Não falem com ninguém,
que agora as estradas devem estar cheias de marginais atrás desse infeliz.
Tá bom, tá bom.
Mas só não demora demais,
porque ficar aqui com esse cara é tipo ficar cuidando do próprio Diabo.
[Valladares suspira] Posso imaginar, filho.
Vocês esperem, por favor. Fique aí. Não fale com ele.
[música tensa continua]
[Chapo] E agora, hein?
[música tensa termina]
- [algemas tilintam] - [suspira]
Pra que me deixar o dia inteiro aqui algemado?
Tira isso de mim.
[suspira]
Comandante?
Posso te fazer uma pergunta?
Você e eu não temos nada pra conversar, então…
eu vou te pedir pra ficar em silêncio, entendeu?
[celular tocando]
Por que não me atendeu, caralho?
Já viu a porra da foto?
[música tensa]
Sim, caralho! É o Chapo!
Gata, gata, gata, me escuta, meu amor.
Se chegarem mais policiais ou levarem ele me avisa.
- Ok. - [homem] Beleza.
Acelera. Vamos pro Motel del Puerto. O patrão tá lá!
Na escuta? A gente tá indo pro Motel del Puerto. Rápido!
[música tensa continua]
Vou te mandar uma foto. Fala o nome desse bosta.
VOU TE LIGAR
[bipe]
[homem 2] Arturo Carmona. Internacional, 217, em La Toledo.
Ele mora com a esposa e as duas filhas.
Valeu. A gente se ajeita depois, irmão.
[bipe de chamada]
Aí, é o seguinte.
Vai pro endereço que eu vou te mandar.
É a casa de um polícia de merda.
Ele mora com a esposa e duas meninas.
Me avisa quando chegar lá, tá?
[música tensa termina]
Bom dia, Rosinha.
Escuta, aqui é a Isaura.
Eu tô muito preocupada com o turno da noite,
porque já era pro Arturo ter saído faz tempo,
mas nada dele ainda.
[suspira e funga]
- [telefone tocando] - [grunhe]
Oi, que foi?
Transfere.
Isaura, aqui é o delegado Valladares.
Tudo bem?
Bom dia, delegado. Eu tô procurando o Arturo.
Tá tudo bem?
O Arturo tá em uma operação especial e vai chegar mais tarde.
Busque as suas filhas na escola e leve pra sua casa.
Mas o Arturo tá bem? Que tipo de operação, delegado?
[Valladares] Isaura, por favor, fiquem em casa até o Arturo chegar.
Qualquer coisa, me liga.
Ai, caralho…
[suspira]
- Tudo bem. - [porta abre]
Não sai daqui.
Vou descobrir o que tá rolando.
[celular tocando]
[celular continua tocando]
[suspira]
Deve ser sua esposa. Deve tá preocupada.
Vamos deixar nossa vida mais fácil e fazer silêncio, por favor.
O que faz você pensar
que, se me entregar, vai sair ileso?
Hã?
Eu já te falei.
Tenho todos os seus amiguinhos comendo na palma da minha mão, homem!
Não se faz de idiota, agente!
[música tensa]
Dá pra ver que é um homem de família, Carmona.
E que, pela família, faz qualquer coisa.
Tudo que eu faço, faço pelos meus filhos.
Agora, é a sua vez
de fazer o que tiver que fazer por eles.
Se não aceitar o que eu tô te oferecendo, meu amigo,
outro vai aceitar no seu lugar.
[música tensa continua]
E aí, o que vai rolar? O que a gente faz?
Aceita logo, agente.
[hesita]
Agente, me dá um pouquinho de água, vai.
Eu tô morrendo de sede.
Um copo d'água não se nega a ninguém.
[música tensa]
Não faz nenhuma besteira.
Me ouviu?
Não, eu só queria tomar uma água, amigo.
É pra você me ajudar.
Por favor.
[música tensa termina]
[música tensa]
[música tensa termina]
- [fechadura clica] - [Arturo sussurra] Ei!
Fica quieto!
[Arturo ofegando]
[fechadura clicando]
[música tensa]
- [fechadura continua clicando] - [sussurra] Quieto!
[ofegando]
[música tensa continua]
[Chapo] Você tá se cagando de medo.
Nunca deve ter tido um problema desse tamanho, né?
Puta merda…
[Foco] Temos todas as unidades nesses três setores.
Nós estamos aqui.
Pela informação que nos deram, temos todas as galerias pluviais cobertas.
[oficial 1] Sim, senhor.
- [suspira] - [conversa indistinta no rádio]
Puta merda! Esse cuzão tá dando trabalho.
Já era pra ele ter saído por algum bueiro, né?
- [conversa indistinta no rádio] - [bipe]
[música tensa]
[celular toca]
Pode falar, almirante.
[música tensa para]
Entendido.
[música tensa recomeça]
- Foco! - Senhor.
A Polícia Federal tá com o Cholo.
E olha quem mais eles têm.
É o Chapo, chefe.
Venado!
Procura o endereço do Motel del Puerto.
Nós vamos pra lá.
- [Venado] Sim, senhor. - Vamos lá!
- Todo mundo se mexendo! Vamos lá! - [vozerio]
[música tensa continua]
[motores ligam]
[motor desliga]
[música sombria]
[vozerio de crianças]
- [Isa] Filhas. - [professora] Deus abençoe vocês.
Obrigada.
Vamos.
Por aqui. Entrem, entrem.
[motor liga]
[pneus cantam]
[música tensa]
[homem 1] Chefe, os milicos tão vindo!
[homem 2] Puta merda!
- Chefe! - Fala.
Acho que os desgraçados sabem onde tá o idiota.
Você tem razão, Foco.
Ô irmão, vocês cuidam dos milicos. A gente vai seguir direto pro motel.
[música tensa continua]
Capitão, controla a situação com esses veículos,
que nós vamos atrás dos veículos em fuga.
[pneus cantam]
Pisa fundo, vai! Não perde eles!
Se segura!
Se prepara aí, Foco!
Não deixa ele fugir. Pisa fundo.
Pisa, cola nesse desgraçado!
[pneus cantam]
Vamos lá, homens! Vamos, pra fora! Pra fora do carro!
- [homem] Pegamos vocês, filhos da puta! - [Magas] Andem!
[gatilhos clicando]
- [Venado] Soltem as armas! - Nem fodendo, seu bosta!
[Venado] Soltem as armas!
Aguentem, rapazes!
[Venado] Tenham honra!
Eu não vou falar outra vez!
[voz ecoando] Todos soltem as armas!
Vocês não têm pra onde fugir!
[homem] Acabem com eles!
[tiroteio]
[homem 3] Não atira!
[música de suspense]
[Venado] Avancem!
Soltem!
- Solta! Pro chão! - [vozerio]
- [oficial 1] Pro chão! - [oficial 2] Vai!
[Venado] Pro chão, filho da puta! Bota a mão na cabeça!
[ofega]
[hesita] Como estão, meninas?
Por que tirou a gente da escola, mamãe?
[ofega]
[música sombria]
Vem.
Vem logo.
Corre, vai.
Pra dentro. Vai, vai.
Vão pra dentro! Vão entrando em casa!
[maçaneta clica]
[música sombria termina]
[suspira]
[ambas ofegando]
[suspira]
[chaves tilintam]
[expira]
[suspira]
Não consegui comer o almoço, mamãe.
- Eu tô com fome! - Meu amor!
Olha, eu preciso que vocês subam pro quarto.
E você pode almoçar lá, tá?
E depois, vocês podem brincar um pouco.
E eu já vou lá brincar com vocês, tá legal?
Hum! [ri]
Eu já vou.
Hum? Amo vocês.
[Chapo] Não seja irresponsável!
Pensa no futuro dos seus filhos.
[suspira]
Sabe quantos filhos eu tenho?
Dezoito, irmão!
E, pra cada um deles, eu dou tudo que eles precisam.
Sabe por quê?
Porque eu tenho grana!
Porque eu posso!
Sem falar que eu ajudo um monte de moleque
que nasceu segurando uma arma em vez de uma mamadeira pra tomar.
Isso, aqui, tem de sobra.
Olha, eu não duvido que você seja um bom provedor pros seus filhos.
Mas essa gente de quem você fala…
é toda submissa a você.
- Porque, comigo, eles comem. - É, comem.
E matam.
E depois, são mortos.
Ah, caralho!
E os policiais também não matam?
A única diferença entre a sua gente e a minha
é que vocês mal conseguem o suficiente pra comer.
Enquanto a gente tem de sobra.
É…
Tá bom, então.
[Chapo] E você, Carmona?
Quantos você já matou, hein?
[helicópteros se aproximando]
[música tensa]
Já chega, cuzão! Vamos dar o fora daqui!
Vamos logo!
Eu te dou o que você quiser! Me solta, caralho!
- Pede o que quiser! Gambé de merda! - [Arturo] Senta.
- Senta agora! - [Chapo] Filho da puta!
[helicópteros se aproximando]
[música tensa continua]
[Cholo] Aí, comandante.
Eu tô fodido, irmão.
Meu patrão também.
Mas você também tá bem fodido, cuzão.
A gente vai matar tua família inteira. Um por um. Na tua frente, seu bosta!
Você acha que alguém vai ajudar você?
Você tá sozinho nessa. Você tá sozinho!
Você vai se foder!
Pode até meter a gente em cana, mas vou mandar te matar de lá de dentro!
[gatilho clica]
E como sabe se vai chegar na cadeia, cuzão?
Hum?
Ninguém te viu.
E você não sabe a vontade que eu tô de estourar essa sua cara feia.
Se continuar me enchendo, eu vou… [hesita]
Até que enfim chegaram, caralho! Vocês tavam demorando!
[homem] Essa é a viatura do agente Carmona, né?
[ofegando]
Responde, seu merda!
O outro tá com o patrão, viu? El Chapo!
Rosales?
Não fode. O que tá fazendo aqui?
- Barraza? - [Barraza] Claro, idiota!
[suspira aliviado]
Puta merda, Barraza!
Que susto que você me deu, cacete! [ofega]
E você? Tá há quantos dias em Mochis?
Hum…
- Três, irmão. - [Barraza ri]
- Caralho… - E você?
Porra! Tá parecendo um pedinte!
Tô na polícia investigativa, meu caro.
Que porra de reuniãozinha é essa? Chega de brincadeira!
[ofegando]
Agora eu que tô assustado, cara.
Se o cartel chegar antes dos nossos,
a gente tá fodido, cara.
Tô sabendo.
[helicópteros se aproximando]
Porra!
[música tensa]
Isso, fuzileiro. Não deixa fugir.
Cola nele.
Filhos da puta!
A gente não pode chegar no motel com eles na nossa cola. Merda!
[homem 1] Acelera aí! Eles tão colados na gente!
[pneus cantam]
[música tensa continua]
Se prepara, Foco!
O confronto vai ser inevitável.
[homem 2] Pode parar o carro.
Vamos bater de frente com esses milicos de merda.
Colado, cara! Colado!
Tem certeza, chefe?
Eu mandei parar, porra!
Tá bom.
Vou cortar a cabeça de vocês, desgraçados!
Desceu, gente. Desceu!
Agora vocês tão fodidos, seus filhos da puta!
[Foco] Se protejam!
Milicos de merda! Vou arrancar a cabeça de vocês!
Vem cá!
Esperem a recarga, fuzileiros!
A gente vai acabar com vocês, seus filhos da puta!
Foco, Vaquero!
- Flanco esquerdo! - Sim, senhor!
Abaixa!
Puma e Charro Negro, comigo!
- [homem 1] Verme filho da puta! - Cacete…
- Contra-atacar! - [gatilhos clicam]
[tiroteio intenso]
Morre, seus vermes!
[chefe] Granada!
[música tensa termina]
Ninguém vai te dar nada por me entregar, Carmona.
Você vai continuar fodido.
Tem mais, esses cuzões do governo ou da narcóticos
vão fazer você e a sua família inteira desaparecerem.
Assim, podem botar a culpa em mim e me dar uma sentença maior.
Sabe que é verdade.
Que eu tenho razão.
Olha…
eu te dou a minha palavra.
Se levar a gente pra Che Ríos, te dou os dez milhões.
Quinze.
- Tinha falado quinze. - Não, não, mas…
Olha, a gente chegando lá, hoje mesmo, eu te dou os dez milhões em dinheiro.
Na mesma hora.
Acha que pode me comprar?
Eu, não.
Nem todo mundo come na palma da sua mão.
Acha que é uma boa pessoa? Que é um santo?
Eu tive que matar um moleque que tava vendendo a sua droga.
E ainda morreram dois inocentes.
[suspira]
Porque estamos em guerra.
E a nossa sociedade tá na merda, no meio do fogo cruzado.
Por gente como vocês, que matam, que envenenam.
Sempre me perguntei como é que conseguem dormir tranquilos.
De verdade.
Acham que é só construir umas capelinhas que vão ser perdoados? Não fode!
Vocês são uma merda
que somos obrigados a engolir todos os dias.
Mas se você não for pra cadeia…
[suspira] …você sai morto daqui.
[efeito sonoro de tensão]
[conversa indistinta na TV]
- [pancada ao longe] - [veículo se aproximando]
[motor desliga]
[música tensa]
Meninas…
[homem] Rápido, rápido!
- [Joana] É o papai? - Xiu!
[Liz] Quem é que tá lá fora?
- Fica com a mamãe. - [Joana] Por que tá assustada?
- O papai já vem. Fica tranquila. - Cadê o papai? Quem tá lá fora?
Xiu! Fala baixinho, por favor! O papai já vem.
- O que aconteceu? - Xiu!
- [Liz] O que foi? - [Isa] Quietinhas.
Responde, responde. Ai, meu Deus!
[toque de mensagem]
CHEGARAM DUAS CAMINHONETES, NÓS TRÊS ESTAMOS AQUI.
[música tensa]
Puta merda…
[bipe de chamada]
- [ofegando] Arturo! - Isa!
- Tem duas caminhonetes lá fora… - [gatilho clica]
[todas gritam]
Ei!
Não, por favor! Não machuca…
Saiam agora da minha casa, desgraçados!
- Por favor! - Quem é, mamãe?
Saiam agora!
A minha gente já chegou na sua casa.
[gritaria pelo telefone]
[Isa] Por favor!
Fala pra soltarem elas.
Fala pra soltarem elas!
[Isa] Por favor! Por favor!
Fala pra soltarem elas, caralho!
[música tensa continua]
[veículo se aproxima]
[Isa gritando ao telefone]
Como você achou que isso ia acabar?
[Isa gritando ao telefone]
[Chapo] Eu avisei. É nisso que dá querer bancar o herói.
Minhas filhas, seu merda! São só crianças!
- [Isa] Não faz nada, por favor! - Eles vão meter bala.
- [Isa] Por favor! - Não tem mais o que fazer.
[música tensa continua]
Isa!
- [Isa] Por favor! - Saiam daí.
- [Isa] Vai embora daqui! - [meninas chorando]
Vai embora, não faz isso!
Saiam daí!
Não machuca elas! São só crianças, por favor!
- Sai… - [disparo]
[zunido]
[ofegando]
Agora você tá morto, filho da puta!
Abaixa a arma, agente!
Você tá fodido, maldito!
- Não faz nenhuma besteira! - Você tá fodido, porra!
Sou o vice-almirante Ortega, da Marinha!
Você tá morto, filho da puta maldito!
[oficial] Abaixa a arma!
- [ofega e grita] - [celular tocando]
[ofegando]
[celular continua tocando]
[expira]
[ofegando]
[Isa ofegando] Arturo! A gente tá bem!
[música emotiva]
[disparo]
[cápsula tilinta]
[todas gritam]
[todas chorando]
[Joana] O que aconteceu?
O Exército tá aqui. A gente tá bem.
[ofegando]
Acabaram os seus seis meses de férias, El Chapo.
É.
Acabaram.
[grunhe]
[ofegando]
- Você tá fodido! - [pancada]
[Ortega] Se acalma.
Se acalma.
Vai, leva ele.
Me solta. Me solta.
Fuzileiros!
[Chapo grunhe]
A partir de agora, você tá sob custódia da Marinha Armada do México.
Lá no carro, eu tenho outro criminoso.
Vejam se ele ainda tá vivo.
[oficial] Entendido.
[Ortega] Traz ele pra cá.
- [sirene toca] - [soldado] É o Exército mexicano!
Rendam-se! Rápido, rápido! Todo mundo pro chão!
Mãos na cabeça e entreguem as armas!
Vamos, rápido! Continuem!
[música tensa continua]
[sirene toca]
Nós entregamos o Cholo Iván.
Seu bosta.
[conversa indistinta no rádio]
- [Valladares] Você tá bem? - Estamos bem, senhor.
[Valladares] Muito bem, Carmona.
E não se preocupa.
A sua família está protegida pelo Exército.
- Hum? - Obrigado, delegado.
[Ortega] Bom dia.
Sou o vice-almirante Ortega.
Agentes, obrigado pela cooperação.
Delegado.
Eu peço que se retirem imediatamente, pela sua própria segurança.
A partir de agora, a Marinha é responsável pelos cidadãos detidos.
[conversa indistinta no rádio]
- [algema clica] - O que tá fazendo?
- [oficiais] Parado! - [gatilhos clicam]
[oficiais] Parado!
[gritos indistintos]
[gritos param]
Foram os membros da Polícia Federal que capturaram o Guzmán.
Então vamos juntos pro hangar presidencial pra fazer o relatório, entendeu?
Fuzileiros!
[todos] Sim, senhor!
- Abaixem as armas! - [todos] Entendido!
Federais! Abaixem as armas!
[música emotiva]
- Fuzileiros! - [todos] Sim, senhor!
- Vamos escoltá-los! - [todos] Entendido!
[Valladares] Muito bem, rapazes.
8 DE JANEIRO DE 2016, 10H32 LOS MOCHIS, SINALOA
[música se torna suave]
Tudo bem?
Tudo bem, sim.
Acredita que esses cuzões queriam levar todo o crédito?
Tô pouco me fodendo pra quem leva o crédito.
Só de não deixarem a gente morrer sozinho, tá bom.
Vira essa boca pra lá, Carmona. Não fala isso.
Falta só um ano pra eu me aposentar.
- [desdenha] - Puta merda…
O que tá fazendo aqui, amigo?
Eu que te pergunto, Carmona. Que porra você tá fazendo aqui, irmão?
- Olha a confusão que vocês dois armaram! - [Rosales ri]
Vocês pegaram El Chapo!
Puta merda.
Meu amigo Barraza aqui se arriscou, hein? E não deu pra trás.
Obrigado.
[Barraza] Imagina.
A gente se vê depois, tenho um compromisso.
[ambos riem]
Boa sorte, garanhão!
- Caramba! - [ri]
[música animada]
- Muito obrigado, irmão. - Valeu.
Obrigado, hein?
Nós somos dois idiotas, né?
- Muito idiotas! - [ambos riem]
JOAQUÍN GUZMÁN LOERA FOI CONDENADO À PRISÃO PERPÉTUA
E MAIS 30 ANOS EM JULHO DE 2019.
"EL CHOLO" IVÁN GASTÉLUM FOI EXTRADITADO PARA OS EUA,
ACUSADO POR TRÁFICO DE DROGAS E CRIMES RELACIONADOS A ARMAS DE FOGO.
ARTURO CARMONA FOI PROMOVIDO E CONDECORADO.
ELE FOI MANDADO PARA O EXTERIOR
E VOLTOU PARA O MÉXICO COM SUA FAMÍLIA.
SEU LOCAL E IDENTIDADE PERMANECEM SOB SIGILO.
HÉCTOR ROSALES TAMBÉM FOI CONDECORADO E FOI PARA O EXTERIOR COM CARMONA.
ELE ADIOU SUA APOSENTADORIA.
SEU PARADEIRO E IDENTIDADE PERMANECEM SOB SIGILO.
[música de suspense]
[música de suspense continua]
[música de suspense continua]
[música de suspense continua]
[música de suspense termina]
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