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Voc� as ouve antes de v�-las.
Zunindo ao redor do jardim.
Pairando sobre as flores.
Abelhas.
Uau! Vejam quanto mel!
E se eu dissesse que as abelhas podem ser os animais mais importantes do planeta?
Voc� � linda.
Sou o cinegrafista
e explorador da National Geographic, Bertie Gregory.
Oi, pessoal!
Por tr�s anos, nossas equipes usaram c�meras especiais
para revelar o mundo oculto por tr�s do zumbido.
Um mundo com arquiteturas imposs�veis�
de intelig�ncia extraordin�ria�
- For�a, for�a, for�a. Meu Deus, isso! - Meu Deus!
�e dan�as secretas.
� um requebrado. O que ser� que est�o dizendo?
As abelhas s�o muito mais do que produtoras de mel.
Mais do que apenas ferr�es.
Mais do que imaginamos.
Pobrezinhas, v�o ficar encharcadas.
Elas est�o se juntando, desesperadas para se aquecer.
H� mais de 20 mil esp�cies de abelhas.
Juntas, elas polinizam um ter�o dos nossos alimentos.
Ent�o, aproxime-se.
As abelhas v�o revelar seus segredos.
SEGREDOS DAS ABELHAS
A COLMEIA
No auge do inverno,
esta colmeia parece estar vazia.
Mas, em seu interior�
h� um mundo secreto que poucos j� viram.
Uma fam�lia de abelhas unidas para se aquecer.
Durante meses, viveram do mel
colhido do n�ctar das flores do ver�o passado.
Produzi-lo custou o sacrif�cio de milhares.
E, em poucas semanas�
elas ter�o que fazer tudo de novo.
Quando a temperatura do lado de fora chega aos 10�C�
a colmeia ganha vida.
E a primeira abelha do ano est� pronta para sair do casulo.
Vamos cham�-la de Abelha Oper�ria Um.
Assim como outras oper�rias, ela � f�mea.
Os machos nascem mais tarde na esta��o.
O que a torna uma abelha,
e a diferencia de milh�es de outros insetos voadores,
s�o os milhares de pelos min�sculos plumosos que cobrem o seu corpo.
H� pelos inclusive nos olhos.
� atrav�s desses pelos que ela ir� coletar o p�len.
Mas s� daqui a algumas semanas.
No momento, ela est� faminta e um tanto perdida.
Com um dia de vida, a Abelha Oper�ria Um � totalmente dependente
de suas irm�s mais velhas.
O que ela est� ingerindo n�o � apenas comida.
� um l�quido rico em prote�nas e infundido com ferom�nios.
Uma instru��o qu�mica para faz�-la pensar e agir como suas irm�s.
Agora, ela sabe como ser uma abelha�
e qual ser� seu papel neste extraordin�rio superorganismo.
Dediquei grande parte da vida�
BERTIE GREGORY CINEGRAFISTA & EXPLORADOR
�viajando o mundo para filmar animais enormes.
Sendo honesto, eu sempre ignorei as abelhas.
Mas foi um erro, porque, apesar do tamanho,
elas podem ser os animais mais importantes do planeta.
Um ter�o de tudo o que comemos depende da poliniza��o das abelhas.
A vida em uma colmeia � t�o dram�tica
quanto em qualquer savana africana.
Ol�, minhas zumbidoras.
Est� tudo bem.
Vamos ver como voc�s est�o.
Voc�s parecem bem tranquilas, ent�o eu vou tirar o meu capuz.
Ah, bem melhor.
Vejam essa aqui.
Uma abelhinha rec�m-nascida.
Vai, voc� consegue. Isso! Bom trabalho! Vejam isso.
Os primeiros passos como uma abelha adulta.
Voc� � linda.
Ol�.
E n�o estou com medo, pois no primeiro dia de vida�
elas n�o podem usar o ferr�o.
Voc� ser� uma abelha boazinha, n�?
� �timo ver uma abelhinha nova,
significa que a col�nia est� crescendo, e precisam de refor�os.
H� muito a se fazer,
desde criar 60 mil novas abelhas
at� coletar n�ctar de milh�es de flores.
Tudo isso para garantir os 18kg de mel necess�rios para sobreviver ao inverno.
At� mais, pessoal. Boa sorte!
E o rel�gio come�a a correr agora.
228 DIAS PARA O INVERNO
O sucesso de toda a opera��o depende de uma �nica abelha.
A maior, mais longeva e a mais reverenciada de toda a fam�lia.
A rainha.
A m�e de todos da colmeia.
Seu trabalho � botar ovos.
Ela cola um no fundo de cada c�lula.
E logo passa para a pr�xima.
Ovo, cola, pr�xima,
repete.
Duas mil vezes por dia.
Ela pode viver cinco anos sem fazer nada al�m de botar ovos.
Sem tempo para descansar.
Sem tempo para criar seus beb�s.
A Abelha Um e suas irm�s se encarregam disso.
Elas alimentam as larvas com uma mistura de p�len rica em prote�nas,
coletada das flores.
Em apenas uma semana, as larvas aumentam mil vezes de tamanho�
e s�o aconchegadas em suas c�lulas,
para a transforma��o radical em abelhas adultas.
Algo extraordin�rio que raramente conseguimos ver.
Quando essa nova gera��o nascer, elas cuidar�o do ber��rio�
enquanto a Abelha Oper�ria Um e suas irm�s
partem para novos trabalhos na colmeia.
DORSET REINO UNIDO
A coopera��o � a alma da colmeia.
Mas a maioria das abelhas precisa se virar sozinha.
Solit�ria, como esta abelha-pedreira-de-cauda-vermelha�
uma abelhinha com talentos �nicos.
Ela est� em uma jornada para encontrar um lugar onde botar seu primeiro ovo.
Mas ela s� aceita um tipo de ninho.
Uma concha de caracol vazia.
Esta � muito pequena.
N�o.
De jeito nenhum!
Ser� que essa vai?
� perfeita!
Depois, ela coleta o p�len, que servir� de alimento para a larva.
O p�len tamb�m vira uma cama para o seu ovo.
Mas ele tamb�m atrai uma gangue de formigas vermelhas.
O futuro do seu beb� est� em jogo.
Mas, desta vez, mand�bulas grandes�
levam a melhor.
Ber��rio protegido, por enquanto.
Mas a concha est� no �ngulo errado!
A chuva poderia inundar a entrada.
Ela n�o pode deixar isso acontecer.
Escavando a terra em volta da concha�
ela abre o espa�o necess�rio para vir�-la.
At� deix�-la bem firme na terra.
Mas ainda resta um �ltimo problema para resolver:
como esconder a concha.
E a maneira como ela faz isso�
lhe rendeu o apelido�
de abelha "vassourinha"!
Como um mini Harry Potter, ela carrega v�rios gravetos
de volta para a concha.
Essa a� � um pouco ambiciosa!
Com a ast�cia de usar o que o ambiente oferece,
ela ergue uma barreira intranspon�vel com centenas de gravetos
para camuflar perfeitamente seu ninho e proteger seu precioso ovo.
Uma vez conclu�do, ela vai embora rapidinho.
Mas antes da esta��o acabar, ela ter� feito no m�nimo mais 20 ninhos.
� um trabalho e tanto para uma abelhinha.
190 DIAS PARA O INVERNO
Com a chegada do ver�o,
o n�mero de abelhas quase duplicou.
Elas precisam de mais espa�o.
A jovem Abelha Oper�ria Um � designada para a equipe de constru��o dos favos.
Com as bases das paredes terminadas, ela come�a a levantar a estrutura.
Usando suas irm�s como um andaime vivo,
ela consegue escalar qualquer lugar da colmeia.
E ela vem preparada com pequenos discos de cera,
produzidos por gl�ndulas especiais em seu corpo.
As abelhas s�o os �nicos animais que usam cera como material de constru��o,
moldando-a em uma das maravilhas da arquitetura animal:
o alv�olo hexagonal.
� uma maravilha da engenharia.
Incrivelmente forte e, ainda assim, ultraleve.
O formato ideal para otimizar o espa�o, exigindo o m�nimo de cera.
A colmeia precisa de 200 mil novos alv�olos
para funcionarem como ber��rios para as novas abelhas�
e dep�sitos para o seu precioso mel.
O futuro da col�nia depende disso.
S� que tanto mel guardado atrair� problemas.
Ent�o, para manter os ladr�es longe�
a Abelha Oper�ria Um vira a nova seguran�a da colmeia.
Todas as abelhas da colmeia t�m o mesmo cheiro.
O cheiro � uma senha de acesso livre.
Quem n�o � de casa cheira diferente.
J� as vespas s�o bem fedidas.
Essas impostoras far�o de tudo para entrar de fininho e roubar o mel.
Mas n�o no turno dela.
EHIME JAP�O
Nas florestas montanhosas do Jap�o,
a abelha-asi�tica encara um advers�rio bem mais tem�vel.
Vespas gigantes�
vespas com esteroides!
Conhecidas por alguns como vespas assassinas.
Porque � exatamente o que elas fazem.
Uma colmeia est� na mira.
A primeira t�tica de defesa das abelhas�
� o equivalente ao "ola" de um est�dio,
planejada como demonstra��o de for�a.
S� que a vespa n�o se deixa intimidar.
As abelhas recuam�
e se reagrupam.
Felizmente, a passagem � muito apertada para a gigante passar.
L� dentro, elas est�o a salvo.
Mas esta � apenas uma batedora, coletando informa��es.
A vespa marca a colmeia com um odor qu�mico�
que guiar� ela e seu cl� de volta ao local.
As abelhas precisam se livrar do cheiro, e r�pido.
E o que elas fazem a seguir � surpreendente.
Oper�rias se apressam em recolher folhas arom�ticas para mascarar o odor da vespa.
Esse comportamento extraordin�rio � um exemplo raro do uso de ferramentas.
As abelhas trabalham depressa.
S� que n�o o bastante.
A vespa voltou!
Com suas irm�s.
Vespas se alimentam de abelhas adultas.
Mas o verdadeiro alvo s�o as milhares de larvas no interior da colmeia.
Juntas, elas abrem caminho � for�a.
A �nica esperan�a de sobreviv�ncia das abelhas�
� reagirem como um s� organismo.
Esperem.
Atacar!
As abelhas vibram suas asas em conjunto para gerar um calor extremo.
A temperatura no centro atinge 46�C.
O suficiente para fritar uma vespa.
A pr�xima invasora
ter� o mesmo destino.
Sua a��o coletiva alcan�ou o quase imposs�vel
e salvou a col�nia.
Mas as habilidades de uma abelha podem ser igualmente impressionantes.
Dr. Sammy Ramsey � um dos maiores especialistas em abelhas do mundo.
As abelhas est�o entre os insetos mais inteligentes do planeta.
Embora o c�rebro delas seja do tamanho de um alfinete,
� repleto de neur�nios
estruturados especificamente para o aprendizado.
LONDRES REINO UNIDO
Sammy veio � Queen Mary University of London
para ver de perto uma descoberta extraordin�ria
que permite olhar dentro da mente de uma abelha.
O laborat�rio de mamangavas � refer�ncia mundial
no estudo da intelig�ncia das abelhas.
Sabemos que abelhas mamangavas�
A Dra. Alice Bridges est� mostrando a Sammy um experimento�
que surpreendeu a comunidade cient�fica.
Anda, vai!
- � isso a�, ela entrou! - E l� vamos n�s.
Soltas na c�mara, estas mamangavas t�m uma escolha:
voar direto para a comida ou parar e brincar com bolas de madeira.
N�o h� nenhuma recompensa deste lado.
N�o h� fonte de comida. Existe apenas a op��o de brincar.
Abelhas s�o animais motivados por recompensas,
elas sempre querem mais comida.
No entanto, vemos aqui que elas preferem brincar.
Na hora das brincadeiras,
pensamos em ursos, le�ezinhos e cachorrinhos.
Voc� n�o esperaria algo assim vindo de insetos.
Este estudo � extraordin�rio porque � a primeira vez
que o ato de brincar foi registrado em insetos.
A brincadeira � entendida como uma forma de exercitar
habilidades fundamentais que ser�o usadas ao longo da vida.
Exatamente! As abelhas, especialmente as mamangavas,
enfrentar�o uma infinidade de tipos de flores diferentes.
Talvez seja uma forma de aperfei�oarem essas habilidades
antes de sa�rem da colmeia.
Contudo, h� um outro experimento que revela ainda mais
sobre a intelig�ncia das mamangavas.
Em muitos de nossos experimentos,
projetamos tarefas como se fossem flores artificiais.
N�s colocamos �gua com a��car neste alvo amarelo aqui,
elas ficam maluquinhas.
S� que a tampa bloqueia o caminho.
Elas devem executar duas etapas distintas, sendo a primeira deslocar a porta azul.
- Uau! - Elas empurram a pe�a e, depois�
E depois a vermelha.
Acho que muitos n�o esperaram que uma abelha
fosse capaz de resolver isso.
Para o experimento funcionar, uma abelha tem que ser treinada.
Alguma delas sabe o que est� fazendo?
Sim, j� temos uma abelha treinada.
A n�mero 75. Consegue v�-la?
Setenta e cinco, l� vai ela.
L� vai ela. Est� motivada. Est� indo direto para o�
Esperamos que ela mostre o que ensinamos.
Ok, o primeiro passo � mover a porta azul, e depois a vermelha.
Ela est� indo na vermelha.
Elas sempre tentam, s� para garantir.
S� para garantir.
Ok, parece que ela entendeu como funciona.
- Vamos, ela sabe o que fazer. - Vamos.
For�a, for�a, for�a. Isso!
- Vai, 75, voc� consegue. - Vamos l�, 75.
Estamos torcendo por voc�.
- Isso! Continue empurrando. - Vamos!
Mover apenas um elemento exige um racioc�nio simples,
mas o pensamento de segunda ordem �: "Tenho que mover isso
para poder mover aquilo."
Elas s�o capazes de prever resultados que v�o al�m
do futuro imediato.
� realmente impressionante.
O mais legal desse experimento � que,
se ela ficar aqui na caixa por tempo suficiente
com as outras abelhas,
elas v�o aprender a abrir a caixa sem treino nenhum,
s� de observ�-la.
Mas ser� que as abelhas n�o treinadas prestaram aten��o?
Temos outra abelha aqui que parece
estar come�ando a entender,
- ela est� seguindo logo atr�s. - S�rio? Que r�pido!
�.
Consegue empurrar?
Vamos l�.
- Minha nossa! - Meu Deus!
Abelhinha boazinha!
Ok, h� mais um passo no processo.
- For�a, for�a, for�a, for�a. - Vamos l�! Vamos!
- Ei! - Sucesso!
A forma como esses insetos articularam solu��es para os problemas
nos for�a a pensar de forma diferente,
porque s�o muito mais inteligentes e conscientes do que reconhecemos.
As habilidades de resolu��o de problemas das abelhas s�o vitais em seu cotidiano,
especialmente na coleta de alimentos, como o p�len.
E poucas fazem isso t�o bem quanto a mamangava-de-cauda-bege.
Esta flor armazena seu p�len em p�talas tubulares, dificultando acesso.
Ent�o, ela atua como uma britadeira�
zumbindo a at� 400 vibra��es por segundo�
para soltar o p�len escondido,
e captur�-lo em sua barriga peluda.
Mas para destravar esse tesouro � preciso treino,
como a novata est� prestes a descobrir.
Opa!
Pelo menos a parte de soltar o p�len ela j� dominou.
Como qualquer nova habilidade, o sucesso vem ap�s tentativas e erros.
� isso a�!
A abelha usa as patas para escovar os gr�os de p�len pelo corpo.
O que ela faz em seguida � incr�vel e nunca antes filmado.
Para evitar que o p�len se espalhe ao voar,
ela adiciona uma gota de n�ctar�
passada para as patas traseiras,
para colar os gr�os em um pacote s�lido para a viagem.
166 DIAS PARA O INVERNO
De volta � colmeia, o ver�o est� a todo vapor.
L� dentro, a Abelha Oper�ria Um foi promovida
ao topo da hierarquia.
Sua nova miss�o,
coletar p�len e o ingrediente b�sico do mel:
o n�ctar.
Mas onde encontr�-lo?
Como de costume, ela recorre a uma irm� mais velha.
Apresentando: a dan�a do requebrado.
� como as abelhas conversam entre si.
Esses movimentos dizem �s outras
n�o apenas onde encontrar o melhor n�ctar�
mas tamb�m o �ngulo a seguir ao sair da colmeia,
a dist�ncia exata�
e at� mesmo os desvios pelo caminho.
� o GPS das abelhas.
A fila da abelha: A rota mais curta e direta at� o n�ctar.
Mensagem recebida.
Mas sair da colmeia � um neg�cio arriscado,
especialmente quando � a sua primeira vez.
H� um bom motivo para ela estar hesitante.
Praticamente metade das oper�rias que saem jamais retorna para casa.
Um dos maiores perigos � se perder.
Ao levantar voo, a Abelha Oper�ria Um encara a colmeia�
e faz uma nota mental dos pontos de refer�ncia ao redor dela.
Opa!
Assim que grava a imagem, ela parte.
A viagem pode lev�-la a mais de tr�s quil�metros de casa�
com paradas em milhares de flores.
Durante sua vida inteira, ela coletar� menos de uma colher de ch� de n�ctar.
Mas cada gota � vital para a fam�lia.
Mas nem tudo que a flor esconde � doce.
Uma aranha-caranguejo.
Para a Abelha Oper�ria Um,
� dif�cil distinguir o que � p�tala e o que � predador.
Mas, por outro lado, ela nunca viu uma aranha antes.
Por sorte, a aranha-caranguejo n�o est� com fome.
Mas algumas de suas irm�s�
n�o t�m a mesma sorte.
Pr�xima parada, p�len.
Os gr�os finos que as plantas usam para se reproduzir
e s�o uma fonte vital de alimento para as abelhas.
Os gr�ozinhos de p�len ficam presos em seus pelos.
Alguns deles cair�o em flores diferentes�
polinizando-as pelo caminho.
Essa � a maneira como as abelhas polinizam tr�s quartos das plantas que florescem,
uma parceria que existe desde a era dos dinossauros.
Abastecida, ela segue direto para casa.
Mas quando a sua carga de n�ctar e p�len dobra o seu peso,
os pousos podem ser� Bem, complicados.
L� dentro, a Abelha Oper�ria Um descarrega suas cestinhas de p�len.
Ele ser� usado mais tarde para alimentar as larvas.
Depois, ela passa o n�ctar para uma de suas irm�s.
Mas n�o se trata de dividir o alimento�
� a receita para fazer o mel.
Com cada troca, as oper�rias acrescentam enzimas�
que processam o n�ctar at� que possa ser consumido.
As oper�rias ent�o armazenam essa solu��o a�ucarada nos favos.
Mas ainda resta um passo final.
Ao baterem as asas em incr�veis 170 vezes por segundo,
as irm�s abanam a solu��o para que a �gua evapore.
E ap�s tr�s dias fant�sticos, a transforma��o est� completa.
O n�ctar tornou-se ouro l�quido:
mel.
S�o necess�rias 2 milh�es de flores para produzir apenas meio quilo de mel.
As irm�s precisar�o de 40 vezes mais para sobreviverem ao inverno.
E est�o apenas na metade.
Para algumas abelhas, s� encontrar o n�ctar j� � o mais dif�cil.
YASUN� EQUADOR
Na Floresta Amaz�nica, as flores s�o menos comuns do que imagina.
Por isso, as tata�ras t�m um plano B:
os soldadinhos sugadores de seiva!
Mas as abelhas n�o devoram esses bichinhos.
Elas os criam.
Esses insetos liberam um l�quido doce conhecido como mela�o,
muito semelhante ao n�ctar.
E est�o dispostos a troc�-lo�
por prote��o contra seus inimigos, como percevejos-assassinos.
Agora, � hora de buscar a recompensa.
Mas n�o h� pagamento sem um pouco de c�cegas.
Quem precisa de flores
quando conseguir comida � t�o f�cil quanto abrir uma torneira?
Mas tem uma pegadinha.
O mela�o � pesado demais para voar�
por isso, as tata�ras precisam aliviar a carga.
Diferente de outras abelhas, elas usam o sol para evaporar a �gua,
criando um xarope concentrado
leve o bastante para levar de volta � colmeia.
As tata�ras n�o s�o as �nicas que tiveram que se adaptar
� escassez de n�ctar.
H� uma abelha nesta selva
que levou sua dieta em uma dire��o completamente nova.
Abelhas-abutres, a abelha mais bizarra do mundo.
Como o pr�prio nome diz, elas t�m apetite pelos mortos.
Seu olfato � t�o agu�ado
que conseguem farejar o alimento a quase um quil�metro de dist�ncia.
Um peixe apodrecido.
Esta � a �nica abelha que depende de carne em decomposi��o.
Ela pode at� ter encontrado o peixe primeiro,
mas sempre haver� uma mosca querendo invadir o banquete alheio.
Aqui, a regra do "achado n�o � roubado" n�o se aplica.
Mas esta � uma abelha decidida�
disposta a medir for�as�
com qualquer um que tente roubar sua comida.
Felizmente, as irm�s aparecem e ajudam a afugentar a concorr�ncia.
Tal qual os abutres, estas abelhas s�o o esquadr�o de limpeza.
O mais incr�vel � que elas transformam at� essa carne
em mel.
Para a irmandade, o ver�o est� sendo um sucesso.
143 DIAS PARA O INVERNO
Elas j� preencheram mais da metade de seus alv�olos de mel.
No entanto, custou caro.
A nossa Abelha Oper�ria Um, a primeira do ano, deu tudo de si.
Como toda oper�ria, sua vida foi doce, mas breve.
Para impedir a propaga��o de doen�as,
as irm�s ca�das devem ser levadas para longe.
Mas, para algumas, n�o � f�cil dizer adeus.
A Abelha Oper�ria Um n�o � a �nica baixa.
Centenas de irm�s morrem todos os dias.
Apesar das perdas, a col�nia disparou para mais de 60 mil�
um boom populacional que dispara o evento mais dram�tico
de sua hist�ria.
Este � o sinal para que a rainha abandone a colmeia
e comece uma nova col�nia.
Muitas de suas filhas devem segui-la.
Mas, antes de partirem, elas se banqueteiam com os estoques.
Pode levar dias at� a pr�xima refei��o.
Ainda n�o entendemos o que faz uma abelha partir
e outra ficar.
Mas logo, centenas e depois milhares seguir�o a rainha.
Metade da col�nia.
� desta forma que as abelhas colonizam novos lugares.
Agora, 30 mil delas levantam voo em um enxame.
A miss�o inicial � criar uma base de apoio tempor�ria.
Deste ponto, as batedoras partir�o em busca de um lar definitivo.
E isso faz deste o momento perfeito para eu dar uma conferida.
Ol�, pessoal!
Voc�s s�o t�o lindas.
Quantas abelhas!
� uma imensa estrutura viva.
Escondida bem no centro da estrutura est� a rainha,
enquanto as oper�rias se re�nem para proteg�-la.
� algo impressionante de se observar.
Parece bem intimidador,
h� uma concentra��o enorme de ferr�es, mas�
Veio bem no meu l�bio. Por favor, n�o entre na minha boca.
Na verdade, existe uma ideia errada de que um enxame de abelhas
� sempre furioso e agressivo.
Mas elas n�o t�m mel nem crias para defender,
ent�o elas est�o um pouco preocupadas agora.
Eu sou s� parte da paisagem.
� a oportunidade ideal para film�-las de perto.
Aquelas que est�o no topo, presas ao galho,
fazem o trabalho pesado.
Mas cada abelha no enxame desempenha o seu papel, segurando-se em suas irm�s.
Uau.
E hoje � noite,
tudo indica que elas precisar�o se agarrar com todas as for�as.
Acho que vai chover.
� a �ltima coisa de que essa fam�lia vulner�vel precisa.
Est� caindo um temporal!
Pobrezinhas, v�o ficar encharcadas.
Sem nada para proteg�-las,
a col�nia inteira pode morrer de frio.
Elas est�o se juntando, desesperadas para se aquecer.
Mas, mesmo agora, as abelhas trabalham juntas.
Elas se revezam para que todas fiquem do lado de fora.
Mas, se continuar chovendo assim, elas n�o sobreviver�o � noite.
N�o h� nada a fazer,
a n�o ser torcer para que sobrevivam at� amanh�.
De volta � colmeia, o cen�rio tamb�m � de total des�nimo.
Elas perderam sua rainha e metade de suas oper�rias.
As reservas de mel est�o escassas�
e faltam apenas quatro meses para o inverno.
CONTINUA
EM MEM�RIA DE ALASTAIR MacEWEN
Legenda: Jacqueline Gomes
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