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Original subtitles

ESTE EPISÓDIO TEM CENAS DE AUTOLESÃO.

ASSISTA COM CAUTELA.

O segredo da Ana...

era o Julián Albertín.

Marcela.

Lembra de mim?

CATEDRAIS

Eu estava no escritório, fazendo contas, quando o vi entrando na loja.

Vi que ele estava confuso.

Ele veio falar comigo e desmaiou do nada.

E chamei a ambulância.

- Mas como... - O que aconteceu?

Lía.

Conseguiram reanimá-lo, mas ainda está em estado grave.

Quero falar com o médico.

Estão tentando estabilizá-lo. Não podemos entrar.

Por que ele foi até você? Não entendo.

Não sei.

Ele estava confuso.

Ele se perdeu na rua esses dias.

Ele não devia ter parado a quimioterapia.

Família Sardá?

Filho.

Está na hora.

Está na hora de começar a cerimônia.

Não. Não era assim que ele ia querer.

Lía, por favor.

Não. Vamos fazer do jeito dele. Tá bom?

Obrigada, pai.

Você partiu do seu jeito.

A única certeza que temos

é que meu pai queria estar com a Ana.

Nos últimos dias dele...

ele começou a fazer perguntas...

porque achava que nenhuma crença tinha todas as respostas.

"A verdade que nos negam...

dói até o último dia."

Foi isso que meu pai me disse.

O último desejo dele era encontrar os culpados pela morte da Ana.

Pai...

vou fazer de tudo pra você descansar em paz.

Calma.

FECHADO POR MOTIVO DE LUTO

Foi você.

Você foi o amor secreto da Ana.

O ADOLFO MORREU

Tenho uma coisa.

Tá, se acalma. Entra.

Senta.

É uma carta.

Você está bem?

É uma carta do Adolfo.

Fomos ao cemitério hoje.

Enterramos meu pai. Lembra?

"Para Lía, de pai."

"Querida Lía...

estou morrendo

e estou destruído porque enfim descobri a verdade,

que é muito cruel

e muito dolorosa.

Ela não pode ser enterrada comigo

se esta morte traiçoeira ganhar a batalha.

O destino,

o universo,

a sorte, Deus, como quiser chamar,

pôs a Marcela no meu caminho."

A Ana ficou grávida do Julián Albertín no retiro da igreja.

Ele confessou para mim.

Ele negou ter concordado com o aborto.

Segundo ele, foi decisão da Ana.

O Julián disse que não sabe o que houve com ela depois.

Mesmo assim,

é responsável pela morte dela.

Ele disse que guardou segredo para defender a honra da Ana

e proteger a Carmen

e, com o tempo, o Mateo.

PARA LÍA DE PAI

Preciso admitir que também sou culpado,

porque, como pai, eu devia ter conquistado a confiança dela

para que me contasse o que estava vivendo e eu pudesse ajudá-la.

O JULIÁN ALBERTÍN ERA O AMOR SECRETO DA ANA

Mas isso não é verdade.

A Marcela está mentindo.

Por que a gente acreditaria na Marcela?

- Mãe, você suspeitava de algo. - Mas, filho...

Cadê aquele filho da puta?

Deve estar chegando...

Filho da puta!

Como pôde ficar calado por 30 anos?

Foi você!

Você engravidou a Ana!

Papai...

é verdade?

Diz algo, por favor.

O que fez com minha irmãzinha?

Não tive nada a ver com a morte da Ana.

Ela ficou grávida...

de mim.

Ela abortou...

por minha causa.

Mas não sei o que aconteceu depois.

Quando minha irmã apareceu morta e esquartejada...

não achou que devia contar isso?

Isso foi...

omissão.

Sai daqui.

Eu não sabia aonde ir, José.

Fez bem em me ligar.

É sempre bem-vindo aqui.

Com oração e fé, a luz sempre volta.

Sempre.

"E, por se multiplicar a iniquidade,

o amor de muitos esfriará.

Mas aquele que perseverar até ao fim, esse...

será salvo."

Arrumei este quarto.

Pode ficar aqui o tempo que precisar.

Muito obrigado.

- Imagina. - Obrigado.

O caminho da fé

é uma batalha constante contra a tentação.

Se a carne não fosse tão tentadora, eu nem estaria aqui.

Não foram as mulheres que despertaram isso em mim.

Senhor, limpe meu coração e renove meu espírito com honra.

Não me abandone.

Por favor.

Por que a Ana morreu sozinha, inocente,

e aquele monstro viveu feliz por 30 anos?

Não é justo!

A confissão do Julián é um avanço,

mas não sabemos o que houve depois.

Não foi confissão.

Foi meu pai que o desmascarou!

Isso não serve como prova de culpa.

E daí?

A Justiça não é justa,

senão esses merdas estariam presos, mas o filho da puta está solto.

Será que o Padre Manuel o acobertou?

Não sei, mas alguém o ajudou.

É difícil crer que o Julián fez tudo sozinho.

Não faz sentido.

Lía.

Lía.

Lía. Vem cá.

- Tudo bem. - Não acredito.

Não aguento mais.

Tudo bem, Lía. Se acalma.

Se acalma.

Não se preocupa. Vou continuar procurando.

Descansa um pouco.

Podiam ter espalhado os pedaços dela pela cidade,

mas deixaram o quebra-cabeça inteiro para a identificarmos.

Reconhece?

Senhor.

- Sim? - O relatório.

Vamos.

Padre.

Posso ajudar em algo?

Elmer García Bellomo.

Nos vimos no enterro do Adolfo Sardá.

Nos conhecemos há muitos anos.

Eu investiguei o caso da Ana.

- Posso fazer uma pergunta? - Claro.

O senhor era o confessor do Julián Albertín na época, né?

Isso.

Ele falou da relação dele com a Ana?

O sigilo da confissão não me permite responder sua pergunta.

A Igreja não gosta de perguntas...

e não é conhecida por ser colaborativa.

E se a comunidade de San Gabriel

descobrisse que um seminarista engravidou uma menor

que depois abortou?

Com licença.

Atrapalho?

Imagina. Eu já estava de saída.

- Obrigado, padre. - Vai com Deus.

- Com licença. - Claro.

- Por favor, Dolores. - Obrigada, padre.

Padre, eu queria contar os avanços que tivemos

localizando as clínicas de aborto.

Isso é muito importante.

Não estou sozinha, padre.

Todas as mulheres desta paróquia estão comprometidas com esta missão.

Eu sei.

Eu sei.

Mas, como sempre digo,

por favor, não se arrisquem demais.

Essa gente pode ser perigosa.

É verdade.

Mas seria pior, padre, deixar esses criminosos saírem impunes.

Oi, Agustín.

Elmer? Pode falar.

Preciso da sua ajuda.

MISTÉRIO E DOR PELA MORTE DA ANA

Pelo que descobri, é o José Galeno.

É o padre responsável pela Igreja de San Cristóbal.

Ele e Julián Albertín fizeram seminário juntos,

e ele também fez trabalho pastoral na comunidade de San Gabriel.

Sim, eu lembro.

Na época, ele vivia com o Padre Manuel.

Até participou dos retiros da igreja em que a Ana ia.

Talvez fosse cúmplice, ou ajudou o amigo,

como está fazendo agora, dando alojamento.

E tem mais.

Depois de acharem o corpo da Ana, ele foi pra outra diocese

do outro lado do país.

Voltou faz cinco anos.

Deixa eu ver.

Não acredito.

Filho da puta.

Sr. Sardá,

lamento informar

que o Ministério Público arquivará o caso provisoriamente.

Apesar de todo o esforço, não encontramos nenhuma prova nova

que permitisse continuar a investigação.

Sei que é muito difícil.

Sinto muito.

A verdade que me devem...

fere minha família.

Fere todo dia.

Vocês estão aqui pra fazer justiça.

Novidades no caso Sardá?

Cuida da sua vida, García Bellomo.

Vão arquivar o caso?

Decisão do Ministério Público.

Já faz tempo, e todas as pistas não deram em nada.

Se me permite, acho que vocês nem consideraram outras opções.

Ficaram com a primeira hipótese.

Não entendo por que chamaram isso de estupro seguido de homicídio.

Ferimentos na vagina e no útero.

Imprecisos. O tronco estava todo queimado.

Olha, a menina Sardá era bonita.

Tem muito doente vagando pelas ruas.

Mesmo assim, tem um culpado.

E ele está solto.

Vamos, estão nos esperando.

Vamos, José.

Sabe onde está o Padre José?

Na sacristia. Ali.

- José. - Sim?

Quem é você?

Investiguei o caso da Ana Sardá.

Por favor, calma.

Juro que vou descobrir a verdade e condenar você e o Julián!

Do que está me acusando?

Você se confundiu.

Foi transferido após a morte dela. Que conveniente, né?

Quantos favores você deve ao Julián? Quantos?

Se não sair, vou chamar a polícia.

É a casa de Deus!

Quero levar isto pra Espanha.

- Posso? - Sim, claro.

É sua família.

Quer ajuda?

Sim. Vai dobrando e colocando ali.

Nunca me contou da vida na Espanha.

Do trabalho, da livraria.

O que mais você tem lá?

A minha vida.

Digo um parceiro, alguém pra te fazer companhia.

Meus amigos têm sido minha família na Espanha.

E tive vários parceiros.

Uns deram certo, outros não.

Mas estou bem.

Você sempre foi bem diferente.

Sim.

O que não entendo é como você...

acabou casando com o Julián.

A Ana morreu, você foi embora.

A mamãe caiu numa depressão, e o papai...

Ele fez o que pôde.

E o Julián...

tinha saído do seminário.

Começamos a nos ver e a conversar.

Me apaixonei por ele.

Como consegue?

Como se mantém tão firme assim?

Mantenho a fé.

Eu queria muito acreditar em algo.

Acho que a vida seria bem mais fácil.

Essa é a diferença.

Pra mim, não foi escolha.

Era o único caminho.

Escute.

Muito obrigada...

por ficar e me ajudar com a casa.

Ia ser muito pesado fazer isso sozinha.

JULIETA KIRKWOOD ENSAIOS FEMINISTAS

As coisas não mudaram muito, né?

O que houve com a Ana ainda acontece.

E vai continuar, porque, pras mulheres,

ou as coisas nunca mudam, ou mudam bem devagar,

e quando mudam, podem voltar a ser como eram.

Pra você ver, aborto ainda é ilegal aqui.

Não acredito no que meu pai fez.

Mas...

se supõe que a Ana estava apaixonada por ele, então...

Independentemente, Mateo...

Que amor é esse? Sua tia era menor, e seu pai, não.

E ele estava numa posição de poder sobre ela.

De qualquer ponto de vista, seu pai...

fez merda.

Faltam as coisas do ateliê.

E os desenhos e maquetes?

O Mateo vem mais tarde cuidar disso.

E o forno?

Você vai levar?

Não. Faz anos que não uso.

Vamos doar.

Devem ser os carregadores. Vou com eles pro ateliê, tá bom?

Oi.

Aconteceu algo?

Escondi algo de você e espero que entenda.

Quando eu estava no retiro, eu te desejava tanto...

que perdi o controle e cometi um erro.

O que houve?

Dormi com a Ana.

Com a Ana?

Por que a Ana?

Eu não sei.

Não sei.

Estava sozinho.

Estava confuso, não sei.

Ela veio até mim. Eu juro, não sei.

Tem mais.

A Ana foi me ver hoje no seminário.

Ela está grávida.

Ela não vai destruir nosso plano.

Foi escolha dela viver em pecado.

Minha família não vai sofrer isso.

Ela vai arcar com as consequências.

Pega as caixas.

Senhora.

O que é isso?

Não faço ideia. Estava no forno.

Legendas: Gabriel Ponomarenko

Supervisão Criativa Rosana Cocink

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