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Original subtitles

UMA OUTRA MULHER

Sim, pai. N�o, voc� sabe que n�o gosto muito de sair.

-Sim, j� me conhece. -Sim, conhe�o.

-N�o estou aborrencendo voc�, pai? -N�o mais do que o costume.

Consegue ser t�o engra�ado.

-Por que est� me ligando, Carolin? -Ligo para voc� todos os domingos.

-Por que me liga todos os domingos? -Porque somos pai e filha.

Estou ouvindo voc�, mas se concentre, o meu concerto est� prestes a come�ar.

Sim...

Queria falar da Carlotta.

Sabe, a Carlotta?

Entre. A� vem o meu ch�, mas em outra hora terei todo o gosto

em saber da Carlotta. Sua amiga parece ser interessante.

-Sim, pai. -Entre.

-O seu ch�, Sr. Winter. -Ponha-o ali.

Pai? Pai?

Sim?

Por favor.

...o concerto ter� in�cio com a Toccata e Fuga em r� menor de J. S. Bach.

Sr. Fabry. Boa noite. Prazer em voltar a receb�-lo.

-Desejo-lhe uma �tima estadia. -Obrigado.

Cavalheiros, t�m fogo?

-Posso lhe pedir para sair? -Deixe-me em paz, querido.

Tem fogo, querido?

-D�-me licen�a um segundo. -Pe�o desculpa, mas n�o � nossa h�spede.

E voc� � h�spede, seu estupor? Isto n�o � maneira de tratar uma mulher.

-Senhora. -N�o me toque.

-Tem fogo? Erwin? -J� chega.

Alice!

Que prazer v�-la novamente.

-H� algum problema? -N�o, pe�o desculpa.

Como sabia o meu nome?

Chama-se mesmo Alice?

Boa noite.

Obrigado.

Quer comprar-me, certo?

N�o faz ideia do que fazer agora.

N�o sabe quanto custo nem se me deve dar o dinheiro antes ou depois.

N�o �?

Muito bem. Vou despir-me e depois pode fazer o que quiser comigo.

D�-me o dinheiro depois.

Quer-me nua... ou vestida?

Nua.

Nua � mais caro.

Alice?

Prazer em v�-lo.

Como vai a engenharia? As pessoas v�o conseguir caminhar sobre a �gua?

Assim, j� n�o poderia construir pontes e quero fazer isso.

� bom que voc�s, t�cnicos, sejam sempre pr�ticos. Como est� a Britta?

-Acho que quer casar. -� uma mulher muito esperta.

D�-lhe os meus cumprimentos. Apoio as suas inten��es.

-Como vai o meu contrato? -� uma verdadeira obra do Diabo.

N�o quereria ser seu advers�rio. Venha, vamos dar uma espreitadela.

-Podia envi�-lo por e-mail para mim. -Mas quero apresentar-lhe a Dra. Winter.

Eu n�o queria contratar mais ningu�m, mas n�o consegui resistir a voc�.

Ela � t�o manhosa quanto uma raposa velha.

-Dra. Winter? -Sim?

Trago-lhe o homem que quer o seu contrato.

Prometi-lhe que n�o ficaria desiludido. Sr. Fabry?

Boa tarde, Sr. Fabry. Prazer em conhec�-lo. Por favor, sente-se.

Recebi o seu relat�rio,

mas, na minha opini�o, um modelo de joint-venture n�o seria adequado.

Sugiro escolher um parceiro local como subcontratado.

Isso lhe daria mais op��es,

potencialmente, lucros e benef�cios fiscais mais elevados.

Isto � um esbo�o do seu contrato. Listei vantagens e desvantagens

de uma joint-venture relativamente a uma empresa subcontratada.

No entanto, baseei o contrato na �ltima op��o. Por favor, d� uma olhada.

Desculpe dizer-lhe isto, mas as suas notas foram dif�ceis de decifrar.

Estava curiosa por saber qual o aspecto de um homem com uma letra destas.

E? Qual � o aspecto dele?

Pode avan�ar as duas primeiras p�ginas, s�o coment�rios preliminares.

Veja o par�grafo 3.2.

N�o est� me ouvindo, Sr. Fabry.

Posso convid�-la para jantar? Agora n�o, hoje � noite.

Teria a bondade de vir jantar comigo hoje � noite? Alice.

-Refere-se a mim? -Sim, voc�. Assim como est�.

Assim como estou.

N�o me chamo Alice.

Muito elegante. Tem bom gosto, Sr. Fabry.

Escolheu este restaurante por morar aqui?

Como sabe que moro aqui?

Ouvi-o pedir � minha secret�ria para prolongar a estadia por mais uma noite.

Espero que n�o por minha causa.

Bem, o que � uma noite? Quando podemos prolong�-la, quero dizer.

� para isso que s�o as noites. Porque s�o diferentes dos dias.

-Percebe o que quero dizer? -N�o.

Reparei que o seu pensamento estrat�gico � invulgarmente progressista.

Tem um gato?

N�o mais.

Talvez tenha reparado que os gatos n�o mostram quando andam � ca�a.

Sen�o a v�tima saberia que era uma v�tima e fugiria.

Sr. Fabry, os advogados n�o consideram v�timas os seus clientes ou advers�rios.

E que tal presas?

O contrato � excelente. N�o precisa ter medo de mim.

Tenho medo de mim.

Bom apetite.

Gostaria de ir para casa.

Voc� me quer! Eu a quero. Sou mais forte, � melhor desistir.

Pe�o desculpa, lamento.

Sr. Fabry, o que est� fazendo? Por favor, pare. Quero que pare.

Deixe-me!

N�o! Meu Deus!

Carolin Winter, atendedor de chamadas. Tem um minuto para deixar mensagem.

-Tenho de... -N�o lhe disse para se sentar.

-Pe�o desculpas, queria... -Tamb�m n�o lhe pedi explica��es.

Voc� precisa de uma explica��o. A Dra. Winter sente-se muito doente.

Ligaram-me dizendo que vai tirar alguns dias de f�rias.

No que diz respeito ao seu contrato, n�o pode tratar disso neste momento.

Vou pedir a um colega para entrar em contato com voc�.

-Entendeu tudo at� aqui? -Sim, mas eu...

Se queria pedir-me o endere�o da Dra. Winter,

quero dizer-lhe desde j�

que tenho um acordo com ela relativamente ao trabalho,

mas n�o no que diz respeito � sua vida privada.

S� sei que � uma pessoa muito sens�vel, vulner�vel

e, �s vezes, indefesa.

-Tamb�m entendeu isso? -Sim.

Se me permite que lhe d� um conselho pessoal,

disse-me hoje cedo que a Britta o pediu em casamento.

O meu conselho � que aceite imediatamente.

Boa noite, Sr. Fabry.

Gostaria de ter vivido s� para voc�.

Queria t�-la levado para uma ilha deserta.

Quanto tempo demora...

Como � que vai ser?

Vamos trabalhar juntos.

Vamos para a cama juntos, levantamos juntos. Assim.

N�o conosco, com ela.

Ela n�o � para mim.

-Robert? O Bergmann para voc�. -N�o, n�o estou c�.

Eu lhe falei do problema com o suporte trapezoidal na primeira se��o.

O que fazemos em rela��o a isso?

Assim, n�o funciona.

Est� bom.

� aqui que ela est� agora.

V� busc�-la... ou desista dela.

Mas fa�a alguma coisa.

-Como � que voc�... -N�o foi dif�cil.

Pode-se contratar quem descubra por voc�.

N�o consigo v�-lo definhar.

Aqui est� voc�.

Aqui estou eu, sim.

Cresci aqui. L� embaixo fica a casa dos meus pais.

V� a janela aberta? Ainda � o meu quarto.

Ali � Rochusberg.

E aqui � Rupertsberg.

Deram-lhes nomes de santos. � uma zona aben�oada.

Sabia que o xisto d� um sabor especial ao vinho?

O meu pai explica melhor isso.

O meu pai � um excelente vinhateiro.

Para onde desapareceu no outro dia?

Deixou-me sozinha na pista de dan�a. Senti-me um pouco perdida.

Nem parecia seu.

Queria pedir desculpa por isso.

O meu pai vem a�.

Pai? Este � o Sr. Fabry, um dos meus clientes.

Quis visitar-me. O meu pai.

Muito prazer.

Esperava-o h� muito tempo.

O seu trabalho envolve tentar mudar o mundo?

-O Sr. Fabry � engenheiro. Ele... -Acho que ele sabe falar.

�s vezes, nossas piadas s�o grosseiras. Ter� de se habituar.

N�o, n�o ter�. Eles t�m de rir das minhas piadas. Voc� � meu convidado.

-S� se ri quando quiser. -Obrigado.

Qual era a sua pergunta?

Ouviram isto? O nosso convidado tem fibra.

Melhorar o mundo. Desde a inven��o da roda,

que deve ter marcado o nascimento da engenharia,

o mundo tornou-se um lugar melhor?

N�o sou um moralista. Construo pontes.

Sabia que ia tentar dar a volta ao assunto com conversa.

Mas a sua opini�o n�o me interessa nada.

-O pai � um homem obstinado. -Mas � um homem interessante.

Acho que o mundo est� desmoronando a uma velocidade vertiginosa.

A sua ordem se desintegrando. O mundo vai ficar em ru�nas.

Ningu�m sabe o que dizer e ningu�m ouve.

As pessoas j� n�o confiam umas nas outras. Sabe...

Quando as pessoas deixam de confiar umas nas outras, param de obedecer.

Sabia disso? Que as pessoas s� obedecem a quem confiam?

Confio nas leis da Natureza. E obede�o-lhes.

Natureza, o que � a natureza?

A natureza existe para ser domada e n�o para que lhe obede�am.

A que gera��o covarde pertence. Sch�fer!

A menina Sch�fer � professora,

mas tem medo da cidade, por isso ficou conosco.

Disparate. Tem crises depressivas, � esse o motivo.

A m�e n�o � extraordin�ria por ainda contradizer o pai?

Ele n�o pensa assim, mas n�o se atreve a diz�-lo em voz alta.

Suponho que respeita a vontade dos outros, tal como a leis da natureza.

Sim, respeito.

Prefiro quebr�-la. A vontade dos outros pode ser influenciada ou contornada.

-Prefiro quebr�-la. -O pai quer que todos lhe obede�amos.

A m�e, o Bruno, a Menina Sch�fer e eu temos de lhe obedecer.

-Afinal de contas, sou sua filha. -Sim.

Somos uma fam�lia muito dif�cil, sabe?

Mas tamb�m deve ter tido uma e deve saber o que quero dizer.

Quando quiser come�ar a sua fam�lia, avise-nos.

Estou certa de que teremos algo para voc�.

A minha mulher acabou de lhe oferecer a minha filha. Ela sabe que n�o ajuda.

-Bruno, quero ir para a cama. -Deixa estar, Bruno.

Ande, minha filha, vamos.

O meu marido � um homem interessante e invulgar.

Mas n�o o somos todos?

O que acha da minha filha, Sr. Fabry?

-N�o � daqui, n�o? -Nota-se?

-� noite, s� vem para c� quem � de longe. -Ent�o, tamb�m sou de longe.

Estamos aqui, e a auto-estrada � ali. E estamos rodeados de vinhas.

Normalmente, s� c� vem quem sabe os nossos pre�os. Somos os mais baratos.

-Sente-se bem? -Estou bem, obrigado.

Se est� cansado, devia deitar-se um pouco. Os quartos s�o limpos.

-Boa noite. -Boa noite.

-Tem alguma vaga? -Claro. 40 euros, sem caf�-da-manh�.

-Pago j�, posso ter de sair cedo. -N�o h� problema. Estamos abertos 24h.

-Pode comer salada de batata �s 4h. -�timo.

�, n�o �? Ao fundo do corredor, est� bem?

Cavalheiros, suas cervejas. Espero que estejam boas.

Schnapps.

Aqui est� o meu amigo. Tem fogo?

O que traz uma mulher bonita a um lugar destes?

Um homem como voc�, que inventa coisas indecentes para fazer com uma mulher.

Se tivesse uma.

-N�o sou um sortudo? -Bem o pode dizer.

Parece desesperado.

Carlotta!

Carolin.

N�o beijo.

Est� bem.

Ent�o...

Quanto recebe agora?

300? 500?

Chega?

Parece que est� ca�do por mim.

Pare.

N�o me toque at� eu dizer.

Ent�o, nua ou vestida?

Nua � mais caro, certo?

Ande, meu amigo.

Carlotta.

O que se passa?

-Qual � o problema? Carolin? -N�o! N�o!

V� embora!

-Obrigado. Fique com o troco. -Tenha um bom dia. At� segunda-feira.

-Desculpe, a conta, por favor. -Sim.

J� pagou o quarto, o caf�-da-manh�, aqui est� o nosso n�mero, volte sempre.

Sim, pode ser que volte.

-Ela cobrou dinheiro? -Como?

Ela vem aqui de seis em seis meses, escolhe um e leva-o l� para cima.

Veste-se como se cobrasse, mas n�o cobra.

S� escolhe os tipos de que gosta. Uma solteira pode fazer isso, acho.

-Se ela levar dinheiro, expulso-a. -N�o, n�o levou dinheiro.

N�o est� apaixonado por ela, est�?

Menina Sch�fer?

Onde est� a Carolin?

-Sr. Fabry. -Sim, onde � que ela foi?

-Venha comigo. Explique-me uma coisa. -Sr. Fabry, por favor.

Eu tinha fugido de casa. Queria estar longe, muito longe.

Como se quer, quando se tem 15 anos.

Em Brindisi, prometi fazer um broche a um marinheiro se me desse carona.

Fez-me subir a parada para tr�s, mas... consegui chegar at� Casablanca.

Em Casablanca, o Sr. Winter engatou-me.

Num bar no porto.

Durante o dia, ele olhava para o deserto, � noite, olhava para mim.

Trouxe-me para casa dele como um ca�ador traz a sua presa.

"Trouxe uma ama", disse ele � mulher.

Era uma das piadas dele, porque ainda era uma crian�a, mas tamb�m uma mo�a...

com tudo no lugar.

A mulher dele n�o percebeu,

tinha o seu pr�prio caso com o Bruno, o administrador.

Nessa �poca, ele era um homem bonito.

Nessa �poca, �ramos todos bonitos... de alguma forma.

Preciso de um cigarro.

-Foi isso que aconteceu. -E a Carolin?

-Por que est� me contando isto tudo? -Para que n�o fa�a ju�zos negativos.

Para saber que tamb�m � amor.

-Tamb�m? -Como disse, aquilo que lhe contei.

-Isso foi uma hist�ria de amor? -O que mais poderia ser?

-Eu sabia que n�o iria entender. -Voc� disse que ele a engatou.

Isso soa-me a explora��o.

O que � o amor, sen�o isso?

-Talvez ela seja louca. -Talvez eu tamb�m seja.

Quando eu o conhecia, desejava que fosse mais louco. Mas agora n�o.

O que quer dizer com isso?

J� n�o o conhe�o.

Talvez seja isso que o interessa nela.

-O que me interessa em quem? -N�o pode me for�ar a dizer seu nome.

Como se ela fosse uma conhecida de ambos.

-� uma mulher inteligente. -Isso � bom?

Referia-me � loucura dela. Algo nela est� partido e voc� quer consert�-lo.

E por que n�o?

Todos os homens acham que as mulheres precisam de conserto.

N�o me importo que olhe para o rel�gio.

� louv�vel da sua parte querer poupar-me, mas sei o que � o desejo.

S� estava pesando no tr�nsito.

Esquerda ou direita?

Na esquerda tem petits fours e na direita, bolo de mirtilo?

Desta vez, � bolo de ma��, mas tem raz�o.

Sua amante vai ter de treinar muito.

Vou casar com ela.

Posso convid�-lo para o caf�-da-manh�?

-Pe�o desculpas. -N�o, n�o se d� ao trabalho.

N�o gosto que me toquem.

Ningu�m gosta de tocar num aleijado.

At� a minha mulher evita tocar-me.

Tanto quanto pode, claro.

A Menina Sch�fer evita tocar em mim.

Apesar de, h� tempos, ter sido minha amante. Antigamente.

Leite frio e quente, ovos mexidos, bacon, ovos cozidos 3 e 5 minutos.

Aqui t�m caf� e �gua quente, se preferirem ch�.

Devia prestar aten��o � quantidade de vezes que digo "antigamente"...

em oposi��o a "no futuro".

-Tamb�m vai chegar a esse ponto. -Posso ir, Sr. Winter?

Sim, por favor, v�.

Sim, �s vezes, penso que a enoja tocar-me.

Tenho de lhe pagar bem para mant�-la aqui.

A �nica pessoa que gosta de me tocar...

� a minha filha.

O sol est� nascendo e eu queria esclarecer um assunto com voc�, primeiro.

Por favor, diga-me quais s�o as suas inten��es para com a Carolin?

-Vou pedi-la em casamento. -Por que quer fazer isso?

Porque a amo.

-Voc� a ama? -Sim.

Voc�... a ama.

Eu sabia que seria tarde para o que queria lhe dizer.

Ela pode tornar-se sua esposa, mas nunca conseguir� am�-lo,

porque j� est� apaixonada por outra pessoa. Feche os olhos.

O sol... N�o deve olhar para ele, s�...

S� deve senti-lo.

-E quem � que ela ama? -Ela me ama.

Abra essa caixa. Como engenheiro deve interessar-se por isso.

Se arrancar dois fios espec�ficos, os trav�es deixam de funcionar.

Isso significa cair em queda livre at� a parede l� em baixo.

Muito pr�tico. Para que serve?

Pensa que lhe desejo mal.

Mas desejo-lhe sorte, s� que n�o a ter�.

Voc� quer controlar-me, Sr. Fabry.

Quer um contrato em como lhe perten�o, certo?

Sim, para todo o sempre.

Isso � um contrato muito longo, n�o acha?

Tendo em conta que est� comprando o cavalo sem lhe ver os dentes.

J� lhe vi os dentes.

Tem uma boca bonita.

J� devia t�-lo beijado h� muito tempo.

-J� me beijou. -S�rio?

N�o h� muito tempo.

Veio ter comigo em meu quarto de hotel.

"Nua � mais caro." N�o se lembra?

-Estava vestida de prostituta. -S�rio?

-Tem imagina��o. E depois? -Voc� esteve l�.

-E depois? -Pare com esse jogo.

-N�o se lembra? Voc� fugiu. -Nenhuma mulher fugiria de voc�.

-Carolin! -Sim, pai!

O que se passa? N�o quer ou n�o pode falar comigo?

Claro, pai! Vou j�.

Ele j� a pediu em casamento?

-E? O que lhe disse? -Nada. N�o disse nada.

-Sim? -Seria o primeiro a saber.

-Sabe disso. -�s vezes, s� diz disparates.

Vou dizer o que lhe disse. Que nunca seria feliz com voc�.

O pouco de felicidade que consegue ter... partilha comigo.

N�o sobra nada para mais ningu�m. Foi isso que lhe disse.

-Sim, pai. -� um monstro.

Sim... Sim, � isso que sou.

N�o quer descer e perguntar-me por que estou nesta cadeira de rodas?

Ela foi-se embora.

Foi-se embora.

Desapareceu.

Voc� sabe mais do que diz. Por que n�o me conta o que sabe?

Sente-se a�! A�! E fique a�.

At� ela voltar. Ela volta amanh� de manh�.

-H� 100 mil raz�es para... -Diga-me que raz�es!

Pele com borbulhas, para come�ar.

Algumas mulheres escondem-se durante dias por causa disso.

Tome, beba isto.

-Tamb�m est� assustado. -Sim.

� uma coisa est�pida com as filhas. Preocupamo-nos com elas.

Filhas? Diga-me...

Fique onde est�.

Ela foi praticamente minha filha durante 10 anos.

Quando crian�a, foi para um col�gio interno.

Quando saiu, era uma mulher. A m�e dela estava doente.

O pai n�o a queria em casa. Nessa �poca, eu era a fam�lia dela.

D�-me licen�a um minuto...

-Aonde vai? -Vou procurar uma coisa para voc�.

O meu amigo Karl, quando as pernas ainda estavam bem.

A mulher dele tinha um caso feliz com o Bruno, que era o administrador da quinta.

Arrancou a l�ngua � dentada. A Menina Sch�fer, a ama, Carolin e Carolin.

Como pode ver, ela detesta a ama.

Tanto �dio e tantos afetos numa �nica fotografia.

Nessa �poca, as pessoas tinham sentimentos. Hoje, ningu�m os tem.

Esta � a fotografia n�o-oficial.

Tiraram esta fotografia mesmo na �poca em que Sch�fer se tornou amante de Karl.

Antes disso, era amante de estivadores marroquinos.

-Ele arrancou a l�ngua � dentada? -� a melhor forma de guardar um segredo.

-Por que fez isso? -Para ningu�m poder lhe fazer perguntas.

-Onde est� o senhor? -Aqui, era o fot�grafo.

-Estou na fotografia, tenho sentimentos. -Eu sei. Parece um tolo.

-Pe�o desculpa, eu... -Deixe isso.

-Ela foi para Casablanca. -Por qu�? O que sabe dela?

�s vezes, ela vai para Casablanca, mas n�o fala sobre isso.

-Pode perguntar a este homem. -Obrigado.

Ela n�o lhe faz bem, Sr. Fabry. O amor deve fazer-nos bem.

N�o, n�o � poss�vel. Espere.

� mesmo este endere�o?

Sim, � aqui. Espere.

Desculpe.

Tenho saudades dela.

Posso fazer-lhe uma pergunta pessoal?

Tem uma rela��o pr�xima com ela?

Desculpe, n�o sabia que falava alem�o.

Tive forma��o numa academia de Pol�cia alem�.

Para responder � sua pergunta, sim. Provavelmente, nota-se.

Suponho que seja um parente. Isso torna mais f�cil procur�-la.

Acho que posso ajud�-lo. Volte esta noite.

Pode aproveitar o tempo para comprar as roupas certas para este clima.

Obrigado.

Devo dizer que, realmente, tem tudo sob controle.

-Obrigado. -Porque, no momento eu...

Tenho informa��o de que ela est� bem.

Que simp�tico ter vindo de t�o longe.

Pai?

Pai?

Sim...

Perdoe-me.

Quero uma viagem ao deserto.

Espere.

Ela est� viva, est� bem.

Espere.

Fiz uma viagem ao deserto com a menina Winter, s� me lembro disso.

A ideia foi sua ou da Dra. Winter?

A ideia foi minha.

-Tamb�m alugou o carro? -Isto � um interrogat�rio?

Uma conversa. Estou falando com a sua mem�ria.

Talvez a sua mem�ria n�o queira recordar.

A pol�cia depara-se com isso muitas vezes.

"O que o cora��o n�o quer, a cabe�a n�o faz."

� o que dizem em nosso pa�s.

-Quem diz? A academia de pol�cia? -Um fil�sofo alem�o, Schopenhauer.

Fui eu que aluguei o carro.

Vejo que foi debitado no cart�o de cr�dito da Dra. Winter.

Chega. J� descobriu por que o carro explodiu?

Estamos trabalhando nisso. Talvez, um tubo de combust�vel com defeito.

A gasolina pingou para o tubo de escape quente.

Havemos de descobrir. Inshallah.

-Talvez n�o descubramos. -Santo Deus.

De quem foi a ideia de caminhar para t�o longe do carro?

A ideia foi minha.

A ideia foi minha, com certeza.

Isso salvou-lhe a vida.

Terem caminhado para t�o longe do carro.

A prop�sito, a pele da Dra. Winter sofreu queimaduras piores que as suas.

Deve ter-se atirado por cima de voc� para proteg�-lo.

Foi assim que o encontramos.

Trouxe-lhe uma coisa.

"Aprendi a amar voc�..."

Ol�.

Ol�.

J� n�o o via h� algum tempo.

-Ainda gosta de mim? -Gosto muito de voc�.

Acha que queria mat�-lo, no deserto?

N�o.

Sim.

O meu pai aconselhou-me a tir�-lo da minha vida. N�o o obedeci.

Ainda me quer como sua mulher?

Sim.

Ent�o, quero tornar-me sua mulher.

A minha pergunta pode ser pessoal.

-Mas ser� a �ltima que fa�o. -Diga.

Ao procurar pistas de seu desaparecimento,

o hotel nos deu uma carta que estava no correio para seguir.

Era dirigida a um Sr. Karl Winter na Alemanha.

� o pai da Dra. Winter, como viemos a saber.

-E? -Conhece o Sr. Winter?

-Vagamente, sim. -O remetente da carta � uma Carlotta.

-Conhece alguma Carlotta? -N�o. O que � que ela escreve?

Descreve-se como sendo a ex-amante do Sr. Winter.

A carta diz que ela quer terminar o caso,

porque outro homem entrou na vida dela, segundo o que escreve.

Por que est� me contando isto? Devia cont�-lo � Dra. Winter, certo?

Claro que fizemos isso.

Mas ela n�o sabe de nenhuma amante do pai.

E tamb�m n�o reconheceu a letra.

O que vai fazer com a carta? Arquiv�-la?

Iremos envi�-la, claro. Este � um pa�s ordenado, Sr. Fabry.

D� os meus cumprimentos ao seu bloco de notas.

Alice.

Carlotta.

Carolin.

Eu a amo.

Quero que tudo seja como desejou.

Sim, j� vou.

-M�e! -Finalmente.

O pai est� � espera l� em baixo, no carro,

mas quis ver sua casa uma vez, antes que voc� se mude.

Tem um belo espa�o aqui.

Pode me dar um pouco de xerez?

Antes de irmos escolher seu vestido de noiva.

Muito bonito. E t�o luminoso!

Foi aqui que fizeram amor pela primeira vez? Como ele �?

Entre n�s, de mulher para mulher.

Bonitas portas!

N�o imaginava que tivesse roupa �ntima t�o atrevida.

Bem, o que sabem as m�es sobre as filhas?

-Isto foi ideia dele? � do agrado dele? -N�o, � de uma amiga.

Empresto-lhe o apartamento, �s vezes, quando ela...

-Tem planos? -Sim.

Marota. Estou quase ficando com saudades. Isto lhe servia.

-Pare com isso. -S� estou dizendo.

O que se passa?

-Est� linda, se me permite diz�-lo. -Obrigada.

Se o apertarmos um pouco...

E aqui... outro cent�metro.

Seu futuro marido vai ach�-la deslumbrante.

Isto � mais para o meu pai.

N�o � para o noivo?

At� o casamento, uma mulher pertence ao seu pai, s� depois ao noivo.

-Pouca gente pensa assim. -Mas � verdade. Veja qualquer casamento.

A mulher entra na igreja com o pai.

Sai da igreja com o marido.

� como uma troca.

Bruno, vamos.

Vamos!

Como ela se chama mesmo?

Depende.

Fez uma boa troca. Leva v�rias numa s�.

Pode comer v�rias mulheres.

-Nunca tinha dito "comer". -Desculpe, senti vontade.

Descobri que tem cura. Chama-se dupla personalidade

e � causada por problemas na inf�ncia, mas tem cura.

Ela tem de curar a si pr�pria.

Ent�o para que precisa de voc�?

-Para lhe por uma compressa na testa? -Sim, por exemplo.

-Quer � ser Deus para ela. -E da�? Todos querem.

Britta, o que posso fazer? N�o posso trocar um sentimento.

Eu, o abaixo assinado Robert Fabry, conhecido pelo advogado executante...

-N�o vai mudar de ideia? -N�o.

Pensei bem, a fundo e calmamente.

N�o tenho tanta certeza... Data de nascimento, endere�o...

Pode preencher isso mais tarde. Onde tenciona viver?

Eu preencho. Continue.

Engenheiro qualificado e �nico dono da empresa Fabry Engineering...

transfiro a propriedade da mesma para a engenheira qualificada Menina Britta...

-Posso p�r "antiga parceira"? -N�o, n�o pode.

N�o tem lugar aqui. Estamos tratando de direito privado, Sr. Fabry,

n�o da sua confusa vida privada.

A minha vida nunca foi t�o clara.

-Todos os tolos dizem isso. Aonde �amos? -Engenheira qualificada Britta.

-O que a Britta pensa disso? -Ainda n�o falei com ela.

Quero tudo tratado primeiro, para n�o poder voltar atr�s.

Sua nova vida n�o � boa para a sua sanidade.

Ainda agora est� come�ando.

Ele fazia amor comigo ali em baixo todos os dias por volta da hora do almo�o.

N�o sabia o que era o amor, mas tinha aprendido a faz�-lo.

Ent�o, ela nos viu.

-A Carolin? -Estava loucamente apaixonada por ele.

Ela queria faz�-lo feliz. Achava que era a �nica para ele.

Mal sabia ela que ele era feliz comigo.

Ela vestia-se como achava que as mulheres se vestiam para ir ter com seu homem.

Depois vinha �s escondidas para c�...

e via o que o pai estava fazendo com outra mulher.

E depois... ela perdeu a raz�o.

Por que est� me contando isto?

Ela destruiu a minha vida.

Gostou do que a Sch�fer lhe contou? Ela lhe contou, n�o contou?

Quero dizer, entendeu? Percebe que fui o primeiro?

E que ser� sempre o segundo melhor para ela?

-Est� se superestimando. -Acha?

O primeiro homem na vida de uma mulher � sempre o pai. � a natureza.

Mas a maior parte das pessoas tem vergonha disso e, por isso, esquece-se.

Se correr bem, aparece outro homem e o pai � esquecido.

Se n�o correr bem...

azar para o homem novo.

-Eu tenho sorte. -Case com ela, quero saber.

Mas s� ter� uma falsifica��o. A mulher verdadeira ficar� comigo.

Ficar� com o corpo dela, e eu com o amor.

Sem mim, ela ficar� sem vida.

Sem mim, ela n�o ser� nada.

Ficar�...

Tamb�m serei um nada sem vida, um...

Ficaria contente em me ver morrer?

N�o.

Pelo bem da sua filha, n�o ficaria contente.

O que sabe da minha vida?

V� embora, acabe com isso de uma vez. N�o olhe para mim!

N�o olhe para mim na minha mis�ria. V� embora.

Ela s� tinha 8 anos. O que se sabe de rela��es, com essa idade?

Tentei dizer-lhe tudo, educ�-la sobre sexo,

sobre o que acontece entre amantes.

Deus sabe que n�o � f�cil explicar isso a uma crian�a e por qu�.

N�s pr�prios n�o entendemos a maior parte. Ela queria saber como faz�-lo.

Como se faz exatamente, entre um homem e uma mulher.

Podemos descrever o que se passa em termos gen�ricos, mas em pormenor...

Como m�e, simplesmente, n�o se sabe o que fazer.

S�o sempre as m�es que t�m de educar as filhas sobre o sexo.

Espere. Obrigada. Sa�de.

-Champanhe? -Sim, obrigado.

V�m a�.

� bonita a sua mulher.

N�o!

Todos somos v�rias pessoas e n�o apenas uma.

Mas desejamos sempre ser s� uma pessoa.

Ela pode estar morta, eu tenho de continuar a viver.

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