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Por favor, sente-se.
Então, para começar, poderia me dizer o que o motivou a se candidatar?
Eu vi a vaga por acaso e resolvi pesquisar um pouco.
Você é o Kujo, certo?
Sim.
Parecia que você era um cara bem impressionante, então...
Imagina. Ainda tenho muito a aprender.
Ah... é mesmo?
Você mencionou que já trabalhou em outra oficina de cadeiras.
Que tipo de trabalho fazia lá?
Eu só trabalhava como ajudante. Transportava os materiais e coisas assim.
Ah, mas, falando a verdade...
eles não pagavam direito, então acabei saindo.
Entendo.
Quantos dias por semana você teria disponibilidade para trabalhar?
Ah...
Isso eu ainda não sei dizer.
Posso deixar para decidir depois?
Posso lhe fazer uma pergunta?
Suponha que houvesse aqui uma cadeira de 10 mil e outra de 1 milhão de ienes.
Em qual das duas você se sentaria?
Hã? Existe cadeira de 1 milhão de ienes?
Supondo que existisse.
Hmm... Acho que na de 1 milhão.
Entendo. Por quê?
Porque numa cadeira de 10 mil ienes eu posso me sentar quando quiser, não é?
Realmente. Faz sentido.
Normalmente a gente nunca tem a chance de sentar numa cadeira de 1 milhão.
Entendido.
Então, com isso, damos por encerrada a entrevista.
Ah... Antes de ir, há alguma coisa que gostaria de acrescentar?
Não.
Entendo.
Então...
CADEIRAS INCOMPLETAS
Traduzido por: Rafa (dreamingbleu)
Quantas vezes você vai cometer o mesmo erro, seu idiota?!
Desculpe...
Não me venha com "desculpa", seu lixo!
Que porra é essa? Essa cadeira está uma merda!
Quantas vezes eu tenho que repetir, seu idiota?
Desculpe.
Desculpe.
Quantas vezes você vai ficar pedindo desculpas?!
- Me perdoe... - Tá me ouvindo?
Ei, ei, ei.
Você não tem talento nenhum, seu desgraçado!
Desculpe. Sinto muito.
Você não serve pra isso!
Que merda de cadeira é essa?
Então, para começar, poderia me dizer o que o motivou a se candidatar?
Acho que foi porque me apaixonei à primeira vista pelo seu trabalho.
Também me candidatei porque gostaria muito de vê-lo trabalhando pessoalmente.
Ah... entendo.
Desculpe.
Hm? Por que está se desculpando?
Não... Não é que tenha acontecido alguma coisa, mas...
Entendo.
Não precisa ficar me bajulando.
Não, não foi isso que eu quis...
A propósito, quantos dias por semana você pode trabalhar?
Posso trabalhar três dias por semana, com certeza.
Três dias por semana. Entendido.
Não, quatro! Dependendo da semana, até mais!
Vi que tem experiência em outra oficina. Que tipo de trabalho fazia lá?
Bem...
Como trabalhei lá por bastante tempo,
tive a oportunidade de fazer praticamente de tudo.
Inclusive fabricar as cadeiras?
Sim.
Quando fico absorto no trabalho, acabo esquecendo todo o resto.
Gosto de me concentrar totalmente para produzir algo de qualidade, então...
quando alguma coisa desnecessária me interrompe, às vezes acabo me irritando.
Se irritando?
É meio constrangedor admitir isso...
Não, não tem problema.
Acho admirável essa disposição de dedicar a própria vida à sua obra.
Afinal, sacrifícios são inevitáveis.
Muito obrigado!
Posso fazer uma pergunta?
Claro. Pode fazer quantas quiser.
Suponha que houvesse aqui uma cadeira de 10 mil e outra de 1 milhão de ienes.
Em qual das duas você se sentaria?
Gostaria de experimentar as duas.
Estamos falando de obras feitas por você, não é mesmo?
Nesse caso, gostaria de experimentar ambas.
Entendido.
Onde ficam as suas obras?
Isso não é algo que você precise saber.
O quê?
Cheguei!
Bem-vinda.
Hoje a oficina está um pouco suja por causa do trabalho.
Hm.
Tá bom.
Bom trabalho.
"Shinsuke Kujo Artista de cadeiras"
"Sr. Kujo, muito prazer. Peço desculpas pelo contato repentino por mensagem direta."
"Meu nome é Natsuko Kato, da "Selecao Co., Ltd."
"Vi seu site e fiquei muito encantada com as diversas cadeiras que você projetou."
Sr. Kujo, há quantos anos você começou a fabricar cadeiras?
Desde que comecei a trabalhar por conta própria, uns seis anos.
Antes disso, passei por diversas oficinas.
Sendo sincero,
essa era a maneira mais eficiente de aprender mais técnicas.
Em quais oficinas você trabalhou?
Em várias.
Entendi.
Peço desculpas depois de ter sido eu quem o convidou, mas...
Há algo nas suas obras que me parece familiar. Como um déjà vu.
Pelo que disse antes,
parece que mistura o melhor dos outros em vez da sua própria individualidade.
Nossa política...
é mostrar obras que expressem a essência de seu criador, ainda que imperfeitas.
Portanto, quanto à proposta desta vez...
Como esperado de você, Sra. Kato.
Não é à toa que dizem que você é uma excelente compradora.
Ah, não, não... Imagina!
Desde o começo, imaginei que você diria isso.
Com licença.
Minha verdadeira obra autoral ainda está em produção.
Entendi.
Se for possível, poderia esperar até que ela esteja pronta?
Sim, claro.
Nossa prioridade são os artistas com quem trabalhamos.
Muito obrigado.
A propósito, que tipo de obra é?
É minha obra-prima.
É a única maneira que consigo descrevê-la.
Então estou ansiosa para vê-la.
Bem, então...
Sr. Kujo.
Está livre esta noite?
Boa noite.
Ora! Natsuko! Quanto tempo!
Ultimamente estava ocupada, mas agora as coisas começaram a se acalmar.
Este é o Sr. Kujo, designer de cadeiras.
Por acaso... você conhece o dono daqui?
O dono?
Um homem chamado Masaki Uchida.
Ah, conheço o nome. Mas nunca o conheci pessoalmente.
Oh, sério?
Se quiser, posso apresentá-lo a ele numa próxima oportunidade.
Nos damos muito bem.
Próximos até demais, né?
Ei, não é nada disso! Eu o conheci por causa do trabalho.
É o que você diz.
O que vocês dois vão beber?
Para mim, um highball. E o senhor, Kujo?
Água com gás está ótimo.
Não consigo beber coisas preparadas por outras pessoas.
Ah, claro.
Mas pagarei o preço correspondente, não se preocupe.
Então...
Por que quis ser designer de cadeiras?
Por exemplo... esse highball que a Sra. Kato pediu. Quanto custa?
1.200 ienes a dose.
Provavelmente bebe o mesmo por 500 ienes em um izakaya popular, não é?
Suponho que sim.
Não estou dizendo isso para criticar o preço por ser alto.
Ao subir o preço, cria-se uma imagem de marca fora do alcance às pessoas comuns.
Com isso, a burguesia passa a consumir como forma de construir a própria identidade.
Como uma bolsa de luxo?
Exatamente. É esse o ponto.
A função de uma bolsa de luxo e uma comprada online é a mesma.
Colocar coisas dentro e carregá-las.
Nada além disso.
É isso que pensa sobre as cadeiras, não é?
Sim.
O que chamamos de "conforto ao sentar" é uma mentira inventada posteriormente.
Se busca conforto, deveria mandar fazer uma cadeira sob medida para o próprio corpo.
Para mim, uma cadeira é simplesmente algo em que se senta.
No entanto, o valor atribuído a elas pode criar uma marca indiscriminada.
Como o nome de quem a criou?
Exatamente.
Quero continuar fazendo cadeiras acessíveis para todos.
Cadeiras apenas para a burguesia não são uma ideia ridícula?
Nossa... impressionante.
Provavelmente parece apenas uma convicção presunçosa da minha parte.
Claro que não.
No meu caso, escolhi este trabalho mais por eliminação.
Eu não tinha interesse nenhum por cadeiras no começo.
Por isso admiro quem tem seus próprios princípios firmes.
Princípios? Sou apenas um cara teimoso.
Saúde.
Aliás, quem administra a rede social pela qual você entrou em contato comigo?
Eu mesma.
O que acha das redes sociais?
Bem... só as uso para promover a empresa, então não tenho uma opinião em particular.
Antes eu tinha uma conta pessoal, mas...
ficar olhando aquilo acaba cansando a gente, não acha?
Entendo.
Por quê?
Eu também uso as redes para promover meu trabalho.
Acho que sua utilidade como meio de informação já acabou.
Notícias desagradáveis, brigas, discriminação...
É praticamente só isso, né?
É verdade.
As ferramentas para se informar também mostram outras coisas.
Exato. Foi por isso que parei de olhar.
Ultimamente, há muitas pessoas fazendo o mesmo.
Porém... o mundo sempre foi sujo.
As redes sociais apenas tornaram essa sujeira pública.
Entendo.
As pessoas têm o hábito de jogar a sujeira para debaixo do tapete.
As redes ensinaram as pessoas a bloquear informações por conta própria.
Fizeram com que se cansassem do próprio ato de buscar informação.
Afinal... desviar os olhos da verdade é muito mais fácil.
Sim, é verdade...
Desculpe. Acabei me estendendo.
Oh, não, não.
Obrigado por hoje.
Eu que agradeço. Desculpe por ter insistido tanto para você vir.
Que isso. Foi divertido.
Estou ansiosa para ver a cadeira pronta.
Obrigado.
Quando estiver pronta, entro em contato novamente.
Ah... se não for incômodo...
quando sua obra estiver pronta, posso visitar sua oficina?
Conversando com você hoje, sinto que te conheço melhor.
Ver a cadeira real seria mais útil do que uma foto em um catálogo.
Sim, claro.
Obrigada.
Estou ansiosa por isso.
Preciso de uma estrutura.
Que caixa pesada.
Tenho uma entrega para você.
Com licença. Pode assinar aqui, por favor?
Você poderia levar isso lá para dentro?
Não. A gente não oferece esse tipo de serviço.
É só levar até ali.
Não, não. A regra é entregar do lado de fora.
É só levar até ali.
Não dá na mesma?
Muito bem.
Aqui está bom?
Sim.
Pode assinar, por favor?
Perfeito.
Obrigado.
Da próxima vez, pede pra deixar na porta.
Me desculpe.
Me ajuda. Farei qualquer coisa.
Está doendo muito. Por favor, me ajude.
Desculpa. Por favor, me desculpa.
O que será que eu faço?
O quê?
Qual opção você acha que seria melhor?
Matar você, esquartejá-lo e depois retirar os ossos...
Não! Por favor, não! Eu não quero morrer.
Bem, você vai morrer de qualquer jeito.
Estou perguntando sobre o que vem depois.
Se seria melhor matá-lo, esquartejá-lo e então retirar os ossos...
Qual será que é melhor?
Não dá para simplesmente... não me matar?
Eu não fiz nada!
Dizer que não fez nada é mentira, não é?
Você carregou a cadeira até aqui.
Foi você que mandou eu trazer, porra!
Sim, fui eu.
É porque eu disse pra você pedir entrega na porta?
É porque eu falei pra pedir entrega na porta, não é?!
Bem... voltando ao assunto.
Seria melhor matá-lo e esquartejá-lo antes de retirar os ossos...
ou retirar os ossos enquanto ainda estou esquartejando você,
e deixar você morrer no processo?
Qual dos dois você acha mais eficiente?
Me mate primeiro.
Por favor.
Por favor, me mate.
Não!
Quero experimentar uma coisa primeiro.
Vou tentar retirar os ossos antes.
Por favor, não!
Por favor, não! Pare!
Por favor, pare!
Assim facilita bastante para mim.
Confesse seus pecados.
Mas o quê? O que merda eu tenho que confessar?
Isso é algo que você mesmo deveria descobrir.
Como é que eu vou saber? Eu não fiz nada.
Não tenho nada a confessar a um maluco, então me solte.
Entendo.
Espera, espera, espera!
Me explica do que você está falando!
Se você me explicar, eu falo.
Por favor...
Explique pra mim o que eu fiz.
Tudo bem.
Está entendendo o que estou dizendo?
Na cadeira que você mesmo fez...
dizia que ela era feita de couro bovino 100%, não é?
Ah, qual é... Você é um desses caras?
"Desses" quem?
Esses caras dos direitos dos animais ou sei lá o quê.
Vegano e essas merdas.
Se é isso, vai reclamar com os outros!
Vendem carne de boi no supermercado, não vendem?
Tem gente com carteira de couro por toda parte!
Why me?
Há dois anos, houve uma grande mobilização pelos direitos dos animais na França, lembra?
Eu me lembro... mais ou menos.
Pois houve.
Um grupo de extremistas invadiu um restaurante e realizou uma manifestação.
Depois que o restaurante foi exposto na internet, acabou fechando...
e o proprietário se enforcou.
Não vai me dizer que você...
cortou a cabeça do dono do restaurante...?
É justamente o contrário.
Este aqui era um dos extremistas.
Ele vivia dizendo para as pessoas não comerem carne...
então fui eu que acabei comendo ele.
Você é totalmente louco!
Pelo que ouvi, na produção de couro bovino...
existem fornecedores que retiram a pele do animal enquanto ele ainda está vivo.
Dizem que é porque, depois que o rigor mortis endurece o corpo...
fica mais difícil retirar a pele.
Era isso que eu queria que você me ensinasse.
Como retirar a pele enquanto ainda está vivo.
Mas...
acho que vou ter que aprender sozinho.
O seu pecado é fabricar cadeiras.
Só isso.
Esse cara... Você não acha que ele é meio estranho?
Até você vai dizer uma coisa dessas, Uchida.
Artesãos costumam ser mais ou menos assim, não?
Eles têm seu próprio orgulho e seus próprios princípios...
e, depois que escolhem um caminho, não se desviam mais dele.
Essa doeu um pouco de ouvir...
Vistos de fora, acho que esse tipo de pessoa acaba parecendo bastante excêntrica.
Mas... eu gosto mais de pessoas assim.
Elas são sinceras com aquilo que criam, não acha?
Bom... Colocando dessa forma, talvez você tenha razão.
Tenho a sensação de que, algum dia...
o Sr. Kujo vai criar algo extraordinário.
Como estão as coisas?
Está conseguindo fazer a cadeira?
Sim.
Em breve, poderei lhe mostrar uma obra extraordinária.
Nunca imaginei que teria a honra de receber a visita do professor Minato.
Se me contratarem, vou a qualquer lugar.
Mas, ainda assim...
Algum problema?
É que... sinceramente, é difícil acreditar que isto aqui seja uma oficina.
Isso varia de pessoa para pessoa.
É em casa que consigo me concentrar melhor no trabalho.
Por favor, sente-se.
Eu vou receber o pagamento combinado pelas aulas, certo?
Afinal... isto também é trabalho para mim.
Naturalmente.
Bem, como esta é nossa primeira aula...
vamos começar pelos fundamentos.
Ah...
Eu poderia observar você trabalhando na fabricação de uma cadeira?
Não, ainda é cedo para isso.
Primeiro, gostaria de falar sobre o que é um móvel...
e, dentre os móveis, sobre o que é uma cadeira.
Acima de tudo, no ambiente doméstico,
a cadeira existe para proporcionar relaxamento às pessoas.
Sentamos para ler um livro...
assistir à televisão... meditar...
Imagine uma família reunida e passando um tempo junta.
Consegue imaginar?
Todos estão sentados em cadeiras, não estão?
Em outras palavras, a cadeira é indispensável
à imagem que temos de conforto e tranquilidade.
Entendo.
Você conhece Hans J. Wegner?
Claro.
Ao longo da vida, ele projetou mais de 500 modelos de cadeiras excepcionais.
Todas elas apresentavam designs inovadores e repletos de originalidade...
sem deixar de lado o conforto ao sentar...
Eu já sei disso.
Mais importante que isso, quero aprender a fazer uma boa cadeira.
Como eu estava dizendo...
mesmo quando falamos em uma "boa cadeira", existem diversos tipos...
Que saco...
Como?
Estou dizendo que quero aprender a fazer uma cadeira!
Vai ficar tagarelando, pegar meu dinheiro e cair fora?
Qual é a sua?!
Qual é?
E então? O que aconteceu?
Percebi que aquilo que imaginamos e que conseguimos realizar são coisas diferentes.
Na busca pela perfeição...
descobri como é tão difícil dar forma, no mundo real, ao ideal que tenho em mente.
E, frustrado com isso... acabei entrando em contato com você.
Pode contar comigo sempre que precisar.
Se não se importar de conversar comigo, estou aqui para ouvir.
Não quero ficar sentimental demais...
Desculpe.
Existem muitos artesãos que lutam para conciliar o ideal com a realidade.
Muitos dos que vêm trabalhar conosco acabam passando por períodos de bloqueio criativo.
Hans J. Wegner criou mais de 500 cadeiras aclamadas no mundo.
Quem dera eu tivesse o talento para transformar em realidade
as minhas ideias com uma sensibilidade tão original quanto as dele...
Você gosta de Wegner?
Sim.
Eu também adoro!
As curvas da Chinese Chair...
aquela beleza que só existe por ser artificial, que não existe na natureza...
Embora simples, sua forma foi calculada até o último detalhe. É como se...
Você se refere aos "yips".
Os "yips"?
Eu jogava beisebol antes.
Nossa, não esperava.
Às vezes acontece de, de repente, você simplesmente não conseguir mais arremessar.
Chamamos isso de "yips".
É como se você esquecesse como se arremessa uma bola.
De repente, você já não consegue lembrar como fazia aquilo até então.
Parece ser um problema psicológico.
Como pisar no freio sem pensar.
Sério?
Sr. Kujo, será que você não está se pressionando demais?
Talvez criar uma peça só para espairecer, como hobby, possa ajudar.
Ah...
Uma peça só para espairecer...
Sim.
Faça o que quiser, do jeito que quiser.
Parece uma boa ideia.
Você não costuma fazer esse tipo de coisa?
Hmm... na verdade, não.
Com licença...
Se não for incômodo... gostaria de ir até a minha casa?
Pensei que poderíamos conversar mais um pouco.
Bem...
Desculpe. Seria um incômodo, não é?
Esqueça o que eu disse.
Se eu não for atrapalhar... posso ir?
Também gostaria de conversar mais sobre Wegner.
Com licença.
Fique à vontade.
Está bem.
Obrigada.
- Vamos brindar novamente. - Sim.
- Saúde. - Saúde.
Sra. Kato... Você já viu este vídeo?
Ele comprova o assédio vindo de um veterano artesão de cadeiras contra seu aprendiz.
Já chegou a vê-lo?
Eu tinha ouvido falar sobre isso... mas nunca tinha visto o vídeo.
Entendo.
Você não costuma olhar muito as redes sociais, não é?
Este vídeo viralizou nas redes sociais no ano passado e chamou bastante atenção.
Mas você sabe do caso em si, não sabe?
Como trabalhamos no mesmo ramo... ouvi alguma coisa a respeito.
"Alguma coisa"...
Desculpe.
E sabe o que aconteceu com esse aprendiz?
Bem...
Logo depois de publicar este vídeo...
ele desapareceu.
Acredito que tenha sido uma denúncia muito corajosa.
No entanto... ela não passou dos limites das redes sociais.
Suas acusações não tiveram efeito no mundo real.
E o veterano artesão de cadeiras continua trabalhando até hoje.
Mesmo depois de tudo o que aconteceu.
Eu nunca trabalhei com esse homem... nem sequer o conheci pessoalmente.
Então não sei muito sobre ele.
Eu não consigo perdoar isso.
Pessoas como ele...
e obras criadas por pessoas como ele... são deixadas impunes.
A indústria... os fãs...
você não acha que deveriam condenar isso?
Toda uma sociedade que permite que pessoas assim continuem impunes...
Com licença...
Posso usar o banheiro?
Claro. Fica no fim do corredor.
Sr. Kujo... aquela foto no corredor...
Hã?
Quem são as pessoas naquela foto no corredor?
Foto no corredor? Tinha uma foto lá?
Apareciam um senhor e uma senhora.
Ah, são meus avós. Foram praticamente eles que me criaram.
Ah, entendi.
Ah! Desculpe!
Vou pegar alguma coisa para limpar...
Ter isto comigo me deixa mais tranquilo.
Deve ser da natureza de um artesão.
Desculpe.
Acabei de me lembrar de uma coisa urgente.
Vou embora.
Sim?
Ah, meu nome é Nagase. Entrei em contato com você ontem por mensagem direta.
Está aberto. Pode entrar.
Ah, certo.
Com licença.
Pode entrar de sapatos mesmo.
Com licença.
Desculpe por fazê-lo vir até aqui com o lugar todo bagunçado.
Não, não! Imagina.
Pois é. Venha, por favor.
Com licença.
É realmente muita gentileza sua me ceder uma cadeira gratuitamente.
É uma honra imensa ter uma cadeira minha para sua nova loja.
Quando vi suas obras, elas me impressionaram na mesma hora.
Fiquei pensando em como seria maravilhoso ter uma cadeira dessas na minha loja.
Suas outras lojas também têm boas cadeiras, não é?
Ah, sim.
Para mim, seria uma grande honra ter uma cadeira minha ao lado delas.
Não, não. Eu sou apenas um entusiasta, nada além disso.
Como você escolhe as cadeiras?
É tudo uma questão de intuição.
Uma questão de gosto pessoal, eu diria.
É mesmo?
Parece haver alguns critérios bem específicos na sua seleção.
Claro. Existem alguns criadores de quem gosto particularmente.
Mas não me consideraria um especialista.
É até constrangedor admitir.
Você costuma pesquisar sobre os artesãos?
Costumo pesquisar sobre os trabalhos anteriores deles.
Pessoalmente, gosto bastante de obras mais ousadas...
de criadores com uma identidade artística bem marcante.
Isso não me importa muito.
Bem, sim.
Tem razão... Desculpe.
No fim das contas, você só está falando das obras, não está?
Nunca procura saber que tipo de pessoa é o criador?
Não chego a tanto...
Quer dizer... não teria como saber, não é?
Sou apenas um amador que gosta de cadeiras.
Entendi perfeitamente.
Peço desculpas.
Então...
essa é a cadeira que você vai me dar?
Não, não é.
Hã?
Porque é você quem vai se tornar a cadeira.
O que está acontecendo?
O que é isso?
O quê?
Por favor, não se mova.
Não, não, não!
Sra. Kato, o Sr. Uchida chegou.
Certo.
- Como vai o trabalho? - Vai bem.
Parece ocupada.
Pois é. E olha que, para mim, isto ainda é estar com pouco trabalho.
Natsuko...
Esse cara é mesmo um vigarista.
O quê?
Esta obra aqui foi criada por um designer italiano cinco anos atrás.
E esta outra foi projetada por um designer norueguês para um restaurante do bairro.
Agora é bastante conhecida por lá.
É uma obra-prima que chegou a abalar o mundo do design moderno escandinavo.
Me surpreende que não soubesse disso.
O que quer dizer?
Ele manipulou as fotos e colocou aqui.
Não são obras simplesmente parecidas.
Ele apenas editou e publicou as fotos de outros criadores.
Esse cara está enganando você...
e tentando arrancar seu dinheiro.
Desculpe pela demora.
Aconteceu alguma coisa boa?
Outro dia, a Sra. Kato me deu um conselho, lembra?
Ela sugeriu que eu tentasse criar alguma coisa por hobby.
Sim.
Então resolvi fazer uma obra que não pretendo mostrar a ninguém...
Embora tenha dado um certo trabalho, é claro.
E isso acabou dando resultado?
Sim. Foi uma boa forma de espairecer.
Eu estava tão obcecado que havia perdido de vista uma coisa.
Percebi que, a princípio, eu não tinha interesse algum por cadeiras.
Quando veio aqui pela primeira vez... você disse algo parecido.
Sim. Fazer cadeiras é apenas um meio para um fim.
Há um jogador estrangeiro no beisebol profissional chamado Kanaloa.
Ele disse algo muito parecido.
"Não tenho interesse em beisebol, mas tenho talento para isso."
"Não há nada de errado em usar esse talento como um meio para alcançar um objetivo."
É exatamente isso.
E pensar que ele chegou a ser o líder de home runs desta temporada. Acho isso cruel.
Há quem deseje chegar a esse nível, mas não consegue.
É o mundo profissional. Não há o que fazer.
Ouvi dizer que metade do orçamento de uma equipe vai para os salários.
Não faz sentido pagar um salário alto sem desempenho, não acha?
Sr. Kujo, você entende bastante de beisebol, não é?
Por acaso... você já jogou?
Claro que não.
Ficar correndo de um lado para o outro na lama... é coisa de porco.
Permita-me fazer uma pergunta.
Se houvesse uma cadeira de 10 mil e outra de 1 milhão de ienes.
Em qual das duas você se sentaria?
Vou chamar a polícia.
Não dá para levar mais uma peça para casa...
Uchida, você já foi naquele restaurante de ramen que abriu ali?
Ainda não.
O ramen é uma delícia, mas o que mais chama a atenção é como o lugar é estiloso.
Ah, é? O design é ousado?
Bastante. O interior tem aquele estilo amadeirado...
Boa noite.
Tá doendo!
Dói muito!
"Obrigado por me contatar. Estou totalmente disponível."
"Moro em Ebisu. Aguardo seu contato. Kujo."
Ele respondeu.
Tem certeza de que vai ficar tudo bem?
Sim.
Só vou descobrir o paradeiro dele e conseguir alguma prova.
Se eu sentir que estou em perigo, fujo na mesma hora.
Eu acho que o Sr. Kujo...
está matando pessoas.
É...
Pelo estado em que encontramos o bar...
talvez ele esteja envolvido em algo ainda pior do que imaginamos.
No entanto...
se deixarmos esse cara à solta...
será um golpe enorme para toda a indústria de cadeiras.
Posso ir com você?
Não.
Não posso colocar você em perigo, Natsuko.
Mas...
uma pequena parte de mim...
ainda acredita nele.
Tenho certeza de que ele também...
deve ter orgulho do seu trabalho como artesão.
Então esteja preparada.
Se ficar perigoso, você tem que fugir.
Sinto muito.
Sinto muito.
Sabe de uma coisa? Era melhor você morrer.
Você não vale nada!
Seu idiota.
Você deveria virar uma cadeira.
Oh, isso seria bom.
Pare de se desculpar.
O que foi, hein?
Não me venha com essa de que não sabe!
Fala direito!
Sinto muito.
"Obrigado. Amanhã estarei aí."
É aqui.
Espere aqui por perto. Te avisarei se houver algum problema.
Quando isso acontecer, chame a polícia.
Entendido.
Uchida...
Tome cuidado, por favor.
Sr. Satonaka, certo?
Sim.
Por favor, entre.
Com licença.
Sinto muito. Parece que um rato morreu aqui dentro.
Ah. Eu é que peço desculpas.
Por favor, sente-se.
Perdoe a bagunça.
É que trabalho com um tipo especial de tinta.
Por favor.
Com licença.
Sr. Satonaka, pelo que me disse, você gostou das minhas obras.
Sim.
Desculpe a pergunta tão repentina, mas...
você gosta de cadeiras?
Sim.
Eu procurava algo do meu agrado e me deparei com sua obra.
Fiquei tão interessado que não consegui me conter...
e acabei entrando em contato com você.
Posso lhe fazer uma pergunta?
Quantas quiser.
Suponha que houvesse aqui uma cadeira de 10 mil e outra de 1 milhão de ienes.
Em qual das duas você gostaria de se sentar?
Eu decidiria depois de vê-las com meus próprios olhos.
Interessante...
Para mim, o preço não faz diferença alguma.
No fim das contas... tudo se resume a bom gosto.
Mesmo que fosse uma cadeira de 10 mil ienes...
tenha sido feita por um gênio desconhecido, a escolha é óbvia.
Para mim, aquela cadeira teria um valor superior a 1 milhão de ienes.
Maravilhoso.
Uma resposta magnífica.
Poderia esperar aqui por um momento?
Fuja daí agora mesmo!
Chame a polícia!
Aconteceu alguma coisa?
Não... E com você?
Onde você aprendeu a fabricar cadeiras?
Na Academia Yokosaka.
Depois disso, passei alguns anos como aprendiz de um artesão chamado Issei Saeki.
Issei Saeki nunca teve um aprendiz chamado Kujo.
É que nós acabamos nos separando depois de uma briga.
Provavelmente apagou meu nome dos registros.
Não. Você nunca esteve lá.
Quem é você?
Eu sou... o único aprendiz de Issei Saeki.
Durante os vinte anos desde que me tornei seu discípulo...
ele nunca aceitou nenhum outro aprendiz.
Você é mesmo um artesão de cadeiras?
Aliás...
você é mesmo o Sr. Kujo?
Eu nunca fabriquei uma cadeira na vida.
É claro que não.
Então, por quê?
Sr. Satonaka...
embora eu nem saiba se você realmente se chama Satonaka.
Bem, por conveniência, vou continuar chamando você assim.
Eu... sou um homem escolhido por Deus.
Conhece aquele vídeo em que um veterano artesão de cadeiras assedia seu aprendiz?
Eu conheço.
Quando vi aquele vídeo... recebi uma revelação.
"Ah... então este é o próximo lugar."
Uma indústria de cadeiras infestada de idiotas...
e os imbecis que veneram cegamente gente como eles.
Como alguém poderia permitir uma coisa dessas?
Agora me lembrei.
O aprendiz que denunciou aquele vídeo tinha o sobrenome Kujo.
Você é parente dele, não é?
Está tentando destruir toda a indústria de cadeiras para se vingar.
Uma coisa dessas jamais poderia ser perdoada!
Não é isso.
Não?
Este mundo está imundo.
Minha missão é purificá-lo, um passo de cada vez.
É a provação que Deus me deu.
Por que ninguém consegue aceitar isso?
Você...
só está ferindo pessoas que nem conhece...
com base em informações que você nem sabe se são verdadeiras!
E chama isso de purificação?
Não me venha com essa!
"Não me venha com essa"?
Você faz ideia do quanto tem sido difícil para mim...
aceitar esta missão solitária?
Eu já estou cansado.
Queria que outra pessoa assumisse isso no meu lugar.
Mas ninguém faz nada!
Então só me resta fazer eu mesmo!
Até que eu mate...
todos os que amam ou usam cadeiras!
Você é louco.
Não, loucos são vocês.
Uchida!
Sr. Kujo...
Natsuko, fuja!
Natsuko! Reaja! Fuja logo!
Idiota!
Idiota! Idiota! Idiota!
IDIOTA!
Por favor... me perdoe.
Quem precisa pedir desculpas sou eu.
A cadeira ainda não está pronta.
Eu gostaria de ter mostrado a você quando estivesse pronta.
Permita-me fazer uma pergunta.
Direita ou esquerda?
Qual você prefere?
Cinco... quatro... três... dois...
Esquerda! Esquerda!
Eu respondi, então, por favor, me deixe ir!
Eu... eu não fiz nada!
Se quer tanto matar alguém... se não consegue perdoar aquelas pessoas...
então vá atrás delas diretamente!
Eu não sei como entrar em contato com eles.
É por isso que estou matando vocês.
Por quê...?
Porque vocês gostam de cadeiras.
Vocês são todos iguais a eles.
Esta cadeira vai custar 1 milhão de ienes.
Então você terminou.
Dá para notar?
Sim, mas você não parece muito feliz.
Mas não acaba aqui, não é?
Ainda existem muitos idiotas neste mundo.
Esta cadeira já cumpriu seu propósito...
então, se você quiser...
Traduzido por: Rafa (dreamingbleu)
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