All language subtitles for El.Marginal.S05E01.1080p.NF.WEBRip.DDP2.0.X264-BETTY

af Afrikaans
ak Akan
sq Albanian
am Amharic
ar Arabic
hy Armenian
az Azerbaijani
eu Basque
be Belarusian
bem Bemba
bn Bengali
bh Bihari
bs Bosnian
br Breton
bg Bulgarian
km Cambodian
ca Catalan
ceb Cebuano
chr Cherokee
ny Chichewa
zh-CN Chinese (Simplified)
zh-TW Chinese (Traditional)
co Corsican
hr Croatian
cs Czech
da Danish
en English
eo Esperanto
et Estonian
ee Ewe
fo Faroese
tl Filipino
fi Finnish
fr French Download
fy Frisian
gaa Ga
gl Galician
ka Georgian
de German
el Greek
gn Guarani
gu Gujarati
ht Haitian Creole
ha Hausa
haw Hawaiian
iw Hebrew
hi Hindi
hmn Hmong
hu Hungarian
is Icelandic
ig Igbo
id Indonesian
ia Interlingua
ga Irish
it Italian
ja Japanese
jw Javanese
kn Kannada
kk Kazakh
rw Kinyarwanda
rn Kirundi
kg Kongo
ko Korean
kri Krio (Sierra Leone)
ku Kurdish
ckb Kurdish (Soranî)
ky Kyrgyz
lo Laothian
la Latin
lv Latvian
ln Lingala
lt Lithuanian
loz Lozi
lg Luganda
ach Luo
lb Luxembourgish
mk Macedonian
mg Malagasy
ms Malay
ml Malayalam
mt Maltese
mi Maori
mr Marathi
mfe Mauritian Creole
mo Moldavian
mn Mongolian
my Myanmar (Burmese)
sr-ME Montenegrin
ne Nepali
pcm Nigerian Pidgin
nso Northern Sotho
no Norwegian
nn Norwegian (Nynorsk)
oc Occitan
or Oriya
om Oromo
ps Pashto
fa Persian Download
pl Polish
pt-BR Portuguese (Brazil)
pt Portuguese (Portugal)
pa Punjabi
qu Quechua
ro Romanian
rm Romansh
nyn Runyakitara
ru Russian
sm Samoan
gd Scots Gaelic
sr Serbian
sh Serbo-Croatian
st Sesotho
tn Setswana
crs Seychellois Creole
sn Shona
sd Sindhi
si Sinhalese
sk Slovak
sl Slovenian
so Somali
es Spanish
es-419 Spanish (Latin American)
su Sundanese
sw Swahili
sv Swedish
tg Tajik
ta Tamil
tt Tatar
te Telugu
th Thai
ti Tigrinya
to Tonga
lua Tshiluba
tum Tumbuka
tr Turkish
tk Turkmen
tw Twi
ug Uighur
uk Ukrainian
ur Urdu
uz Uzbek
vi Vietnamese
cy Welsh
wo Wolof
xh Xhosa
yi Yiddish
yo Yoruba
zu Zulu

Original subtitles

UMA SÉRIE NETFLIX

A tensão continua nos arredores da prisão de Puente Viejo,

onde o dia de ontem resultou em vários atos de violência

e uma tentativa de fuga espetacular parcialmente impedida pela polícia.

Então, cada um segue o seu caminho, como disseste.

Calma, estou desarmado! Não tenho nada!

Emma!

No interior da prisão,

está a decorrer uma investigação para descobrir os responsáveis

pela morte de um grupo de reclusos e funcionários.

Será retirado do seu cargo.

Lá fora, as autoridades iniciaram uma operação de busca

para descobrir o paradeiro de Juan Pablo Borges.

Sou o teu pai.

Arruinaste a minha vida, filho da puta! Vou matar-te!

Um criminoso perigoso que cumpria a pena em Puente Viejo

com o seu irmão e outros membros do gangue conhecido por "Os Borges".

Puta que te pariu!

Filho da puta!

NÚMERO DESCONHECIDO

Estou?

És tu?

Diosito, és tu?

Onde estás? Vou buscar-te.

Estou?

Já sei a verdade, Gladys.

O Mario contou-me.

É hora de seguir a minha vida sem vocês para descobrir quem sou.

Porque, agora, não faço a mínima ideia.

Conheceste a minha mãe?

Porque me mentiram?

O que vos fiz?

Diz-me onde estás, querido.

Eu vou buscar-te e ajudo-te. Depois falamos. Diz-me onde estás.

Não.

Não, acabou-se.

Agora estou por minha conta.

Não desligues!

Não desligues!

Não desligues, foda-se!

MECÂNICO

Não te mexas!

Para, meu! Triste!

Sou eu!

Sou eu, o Diosito.

Calma.

Sou eu.

Assustaste-me.

Sim, eu sei.

Se tivesses boa pontaria, filho da puta…

- Foste tu que fizeste o panado? - Claro.

- A sério? - Sim.

Boa, Triste.

- Aprendi. - Estou a ver que sim.

Vou comer mais.

Não há mais.

Não?

Acabaste por fazer a coisa certa, Triste. Foste o único que se salvou.

Os outros lamberam as botas ao Marito e estão presos.

E tu?

O que vais fazer?

Podes ficar aqui alguns dias, mas…

Sim, eu sei. Não te preocupes.

Não vou viver aqui.

Mas podia. Não, não te preocupes.

Vou-me embora.

Vou para norte. Para a fronteira, não sei, logo vejo.

Vou fazer uma entrega daqui a uns dias.

- Vais? - A uma vila.

Há lá pessoas que te podem ajudar.

Isso seria bom.

Sim, boa ideia.

Podes antecipá-la?

Tenho de fazer uma chamada.

Então, faz.

Vou fazer.

Fá-la.

Vou fazer.

Fá-la!

Fá-la agora.

Espera, Triste.

Não contes isto a ninguém.

Não.

Não te preocupes.

TRÊS ANOS DEPOIS…

Na prisão, o corpo é desvalorizado.

É castigado todos os dias.

Os que mandam sabem bem que o verdadeiro castigo não é no corpo.

É na alma.

A liberdade verdadeira está na cabeça.

Não está no corpo.

Podemos continuar livres aqui.

Podemos viajar.

Podemos estar com quem amamos.

É por isso que nos controlam.

E nos enlouquecem.

E nos envenenam.

Há muitos heróis aqui.

Eles levantam-se de manhã e lutam.

Todos os dias.

Apesar dos maus-tratos,

da humilhação

e da tortura,

eles lutam.

Eles dão tudo entre estas quatro paredes.

E eles

só são ouvidos no dia do juízo final.

No julgamento.

Só aí têm voz.

E a única coisa que esperam deles

é que se mostrem arrependidos.

Que peçam perdão.

Aqui, vemos como aquilo a que chamamos "justiça" se perde.

Somos o reflexo de uma sociedade feroz e desigual.

O exemplo cresce aqui.

Entre.

O exemplo do terror.

- Seguinte. - Sim.

Do medo. Da cobardia.

- Tem identificação? - Sim.

Somos animais designados para o sacrifício.

Estamos marcados.

Só nos resta resistir.

IMPRENSA INTERNACIONAL

Preparados para a violência.

- Pode entrar, mas a mala fica. - Não.

Para a violência que vem daqueles que a sofrem.

Preciso de tirar notas e gravar com o telemóvel.

No final,

os pobres guardas da prisão também são subjugados.

Está bem, mas a mala fica.

É uma cadeia. Os fracos oprimem os que são ainda mais fracos.

Posso levar o livro?

É assim que o confinamento inicia o processo de escravizar os corpos.

De os torturar.

Assine aqui.

De os colonizar.

E é assim que avança a missão mais importante da prisão.

Seguinte!

Amontoar-nos dentro destes muros

para nos tornarmos monstros irrecuperáveis.

Primeiro, muito obrigado pela entrevista.

Porque recusaste durante tanto tempo?

Não importa.

Vou citar o que diz no teu livro:

"Mantenho tudo o que escrevi e esta é a minha história,

mas representa um grupo de anónimos silenciados pelo sistema."

É mesmo assim?

Sim.

Fala com quem quiseres. Todos têm uma história.

Vais encontrar um denominador comum:

marginalidade, pobreza e a injustiça no seu auge.

Porque decidiste escrever o livro?

Começou como uma necessidade de me expressar.

Escrever o que me tinha acontecido aliviava o meu sofrimento.

Depois de tentar fugir daqui, puseram-me numa prisão de segurança máxima

e isolaram-me completamente.

Era um morto-vivo.

Emma!

No primeiro ano, só vi o tipo que me levava a comida.

Ele não me falava.

Emma!

Podia dar uma volta no pátio uma hora por semana.

Passava o resto do tempo metido lá dentro.

Emma!

Emma!

Preciso que me tragas um lápis e uma…

Tinha muitas vozes na cabeça e tinha de as pôr em algum lugar.

Depois, deram-me um caderno.

E foi aí que tudo começou.

O MARGINAL DE MIGUEL PALACIOS

O livro foi um sucesso. És a inveja de todos os escritores.

Foi falado nos meios de comunicação.

Depois, temos a opinião das pessoas que se levantam todos os dias

para trabalhar e ganhar a vida.

Elas pensam que vocês fazem dinheiro fácil.

A quem te referes com "vocês"?

Como assim?

Aos criminosos que estão presos. Estão aqui por algum motivo.

Sabes, eu não entendo a empatia

que tu dizes que devemos sentir pelos que roubam, violam, matam

e cometem crimes contra a propriedade, entre outras coisas.

- Estás a misturar assuntos distintos. - Estou?

Sim. Por um lado, temos o funcionamento do sistema judicial.

O pobre é culpado até provar o contrário.

Depois, temos o que se passa aqui.

Quem manda aqui faz o que quer com os nossos corpos.

Todo o tipo de tortura, castigos e disciplina.

E um governo que promove a violência entre os reclusos.

E se não se souber lá fora, a justiça não faz nada.

A justiça trabalha com os recursos que tem.

Tem poucos recursos. Faz o que pode.

Vai aos tribunais e verás que o desprezo que os reclusos e as famílias sofrem

não é por falta de recursos.

Trata-se de preconceitos de classe,

alimentados pela manipulação da maioria dos média.

Mesmo assim. Tenho dificuldade em ver os criminosos como vítimas,

como os descreves.

Sabes quantos tipos daqui vêm de famílias

com problemas de vício, de violência e de álcool?

Estás a dizer que estão presos por ser pobres e não criminosos?

Mas eu conheço pessoas pobres que trabalham

e têm vidas exemplares.

Sim, tens razão.

Mas quando um pobre erra, vai para a prisão.

Nas outras classes sociais é diferente, as pessoas são perdoadas, ensinadas

e dão-lhes outras oportunidades.

O que é que os teus companheiros, os reclusos, acham do livro?

Depende. Também há muitos filhos da puta aqui.

Tipos abusadores que dominam os outros reclusos e vivem deles.

Mas, no geral, diria que me estão agradecidos.

Homens e mulheres de outras prisões escrevem-me e contam-me as suas histórias.

Eu dou-lhes voz na rádio para deixarem de ser anónimos.

E para deixarem de se sentir monstros.

Isso mudou a tua vida aqui?

Tenho de ter mais cuidado do que antes.

Muito bem. Última pergunta.

Dedicaste o livro à tua antiga companheira e ao teu filho.

Falas com ele?

Deve ter sido muito traumático para ele.

Emma! Ela está a morrer! Façam algo!

Emma!

Emma!

Sim, o meu filho é a minha única razão de viver.

O único com quem me preocupo.

Muito bem. Muito obrigado.

O prazer foi meu.

Jeitoso! Que bonito.

- Olá, bonitões. - Olá, linda.

Como estás, Lu?

Estou bem. E tu?

Muito bem. Aqui está.

Deixem-me ver-vos, meus rapazes.

Se comerem tudo rapidinho,

a mami corta-vos o cabelo de graça.

- O que tens para mim, Luli? - Sabes o que tenho para ti?

- O quê, linda? - Uma coisa assim grande.

Adoro!

A ver se nos alimentam mais logo. Estamos esfomeadas.

Tarada.

Jeitoso!

- Adoro pessoas com deficiência. - Para!

Foi um caos, meu. Um desastre.

Dissemos: "É agora." Demos a volta e metemo-nos à frente dele.

O Gordo saiu do carro e o outro gajo sacou uma arma.

Não dava para fugir.

Quando o Gordo vinha para o carro, levou três tiros nas costas.

Muito bem, cambada de idiotas. Bazem.

- Não me toques, foda-se! - Fora!

- Calma. - Balofo!

- Tu também, Capece. - Bazem.

Qual é o teu problema?

- Tens o cu colado ao banco? - Isto não pode continuar.

Tem de parar.

São ordens de cima, seu merdas. Obedece. Vamos lá.

Vais meter-te em sarilhos.

Estes tipos cheiram a merda!

Estes filhos da puta não dão banho. Capece, sabem o que têm de fazer?

Levem estes imbecis para o pátio, ponham-nos em fila

e lavem-nos com a mangueira durante umas duas horas.

Não comeces, Borges. O chefe não quer confusão. Entendido?

O Mario não pode comer isto. Ele come abóbora, vegetais e frango.

A minha comida?

Desculpa.

Eles vão comer aquilo e eu tenho de comer esta merda?

Comida de hospital?

Este tipo veio agradecer-te pelo outro dia.

Pelo quê?

Vem cá, cabrão que rouba horas de visitas.

Vem cá, filho da puta.

Dá cá isso, deformado de merda.

Filho da puta!

Não tens vergonha por cobrar as visitas?

Chacal, Patón.

- Vai para Medellín. - Leva-o.

Vamos!

Os filhos da puta pensavam que eram inteligentes!

Ficou claro que os Borges controlam todos os negócios aqui?

Claro como água.

Passaram um dia no spa.

Bom trabalho.

- Borges. - Diz.

É da minha mulher.

Foi a primeira vez que nos vimos, incluindo os miúdos,

sem ter de pagar nada.

É um presente.

Muito obrigado! Não era preciso terem esse trabalho.

Apenas prestamos um serviço à comunidade prisional.

Da próxima vez,

diz à tua mulher que prefiro de limão.

Obrigado.

Trazes-me bolinhos de batata?

Os bolinhos são feitos com marmelos. Não lhe tragas nada. Obrigado.

Vai comer.

Quem quer mais?

Mais? Esta merda é horrível. É nojento.

Se não gostas, vai comer a outro lado.

- Chupa-me, cabrão! - Qual é o teu problema?

O que é isso aí?

- Uma ratazana! - Não!

As ratazanas estão a revoltar-se.

O que caralho se passa?

Não.

Filho da puta!

Levem-nos a todos.

Acelera.

Deficiente de merda.

Pare!

Pare, amigo! Ajude-nos!

Por favor, não sei o que fazer. Meteram-se à minha frente.

Vinham a assapar. Não consegui fazer nada.

- Não sei se estão a respirar. - Ligaste para o 112?

Não, mas devia ligar.

Pode ser perigoso. Podem estar mortos, não sei.

Acabou-se.

Perdeste.

Filho da puta!

Sim, o que quiseres. Vamos lá. Yuli!

Tira-lhe o telemóvel.

Vá lá.

Para.

Acreditaste!

Vá! Corre!

Vá lá!

Corre, filho da puta!

Cumprimenta as vacas pela última vez.

Eu mandei-te correr!

Vamos lá, depressa!

Vamos ver o que há lá atrás.

São só ovelhas.

Mas também servem.

Cordeiro serve perfeitamente.

Como assim? Cordeiro e ovelha é a mesma coisa?

A tecnologia é incrível.

Com os cabos novos, temos 518 câmaras ativas em Puente Viejo.

Vamos poder ver os pelos do cu dos reclusos.

E vamos poupar, porque precisaremos de menos guardas.

Vamos aumentar a capacidade da prisão em 23,5 %.

Sabem o que é isto? Produtividade ao máximo.

E quem é o responsável? Moi. Sergio Antín.

Parece-me bem, mas os blocos de celas não se controlam sozinhos.

Não.

O que aconteceu? Estás sujo. Comeste a sopa sem babete?

Rufias de merda. Tive de intervir e vê como fiquei.

Não damos para tudo, Antín.

Se queres continuar a receber o teu bónus no fim do mês,

tens de te desenrascar com o que há.

Ponto final.

Mas nem isso chega. Olha o que me fizeram.

Se quiseres, despromovo-te, dou-te um uniforme novo

e podes limpar o chão da prisão de joelhos.

E podes enfiar a escova pelo cu acima. Sem lubrificante.

- Desculpa, Sergio. - Bate antes de entrar.

Estás a gozar comigo? Diz.

- O Borges está à tua espera. - Deixa-o entrar.

- Os técnicos já acabaram? - Sim, já.

Podem vir.

São um casal, não são?

Vá lá, gordo! Estou à tua espera.

O Capece diz que não estás a cumprir o que acordámos.

Escuta, Antín.

Se queres a prisão em paz,

livra-te do bando de idiotas dos Sub-21.

E põe uma peruca neste, porque ninguém o leva a sério.

Vejam só, o roto a rir-se do nu.

Vai trocar de roupa.

Senta-te.

Senta-te.

Vá lá.

Diz-me. Como estão os números?

Os números estão bem. Vão bem.

Bem como? Diz-me os números.

Segundo os números, eu, tu, a tua mulher e a minha mulher

podemos reformar-nos já e aquele estúpido também.

Não, discordo. Ninguém se vai reformar. Tens um negócio comigo e tens de o manter.

Estou cansado, Antín.

Já te disse que estou cansado.

Que chato do caraças.

Vais continuar a receber.

Não te preocupes.

Podes confiar no colombiano e o Bardo não me lixou até agora.

Não confio no colombiano nem no Bardo nem no travesti.

E eu sou a favor dos travestis. Defendo a causa deles.

- Sou a Eva Perón dos travestis. - Transexual. Não sejas antiquado.

- Só dizes merda. - Podes crer.

Com o frango que me servem todos os dias,

só me sai merda do corpo.

Comia-se tão bem em San Onofre!

A vida era boa lá.

- Lembras-te, amigo? Queres um uísque? - Claro.

Filho da puta!

- Serve-me um uísque. - Imbecil!

É a única alegria que vou ter aqui.

- Quero ver-te a bebê-lo. - Sim, senhor.

À saúde da tua mulher.

Saúde. À tua.

Estamos quase a chegar.

Como correu, amor?

- Correu bem, mãe. - Correu bem, Martita.

Olha só.

O verdadeiro cordeiro de Deus.

Olha para esta branquinha. Vou fazer um cachecol com ela.

Está tudo bem, filho?

Toca a sair, meninas. Chegámos.

Leva-os para o curral.

- Para o curral? Está bem. - Sim.

Tu é que mandas.

Trabalhem, assistentes.

Toca a trabalhar, formiguinhas!

- O que disseste? - Formiguinhas.

- Formiguinhas? - Gostas?

- Dá-me uns beijos. - Para. Larga-me!

Dá-me uns beijos!

Para.

Para!

Anda.

Deixas-me louco, Martita.

Olha para estas mamas!

- Vem cá! - Não, vem cá tu.

Olha para estas mamas, amor.

Tu gostas assim.

Vou enfiá-lo.

Assim!

Isso!

- Idiota de merda! - Sim.

Prepara esse cu porque eu vou rebentá-lo todo.

Fala menos e joga mais, meu.

Um pintor pintou a Lua, pintou a Lua e o Sol.

Pintou a tua irmã toda nua e em cada teta uma flor.

Mas que porra?

Subo a aposta.

- Eu também. - Eu subo mais.

Ai sim? Está bem, amigo. Toma.

Derrotaste-me!

Agora, derroto-te eu. Derrota esta, se quiseres ganhar.

Filho da puta!

Ele adormeceu sentado. Parece o meu avô debaixo do salgueiro.

O Borges está a ficar velho.

Pensa nisso. Um ano aqui equivale a dez anos lá fora.

Sim, explica-o como quiseres,

mas eu acho que já não tem muito para andar.

O que foi?

É verdade. Quem mantém o negócio?

Quem controla o gangue?

Eu e tu.

Certo?

Quem cala, consente.

O gangue é do Borges. Não te esqueças disso.

O gangue é do Borges? O Diosito bazou e este Borges está todo fodido.

Diz o que quiseres.

A traição não se perdoa, imbecil.

Não me interpretes mal. Não estou a falar em trair ninguém.

Estou a pensar mais além. Entendes? No futuro.

No teu futuro e no meu. Pensa bem, colombiano.

Chega de tagarelar.

Vão trabalhar!

Porque não se calam?

Estava a sonhar que estava a dançar com a Isabel Sarli!

Acordo e vejo estes dois idiotas…

- Porra! - Foi culpa minha. Desculpa.

Aonde vais, meu?

Achas que não consigo tratar de ti?

Trata disto.

- Achas que não consigo tratar de ti? - Acho.

Diz-mo na cara, idiota.

Muito bem.

Olha quem ele é!

Vem cá.

Obrigado por vires.

- Obrigado. - Tudo bem?

Sê bem-educado e traz-lhe uma bebida.

- Meu! - Então?

- Estás bem? - Sim.

Estou muito feliz.

Parabéns, meu.

Sim.

Ainda não acredito que vou sair deste buraco imundo.

- Aqui está. - Saúde!

Saúde!

- Devo-te tudo a ti. - Não sejas modesto.

- A sério. - Conseguiste sozinho. É importante.

Para os rapazes.

Já não me lembro como era lá fora.

Estou ansioso por ir ver um jogo!

Calma. O que importa é que não voltes para cá.

- Isso é que importa. - Sim.

Tens aí a morada da pensão do tipo que contactou a rádio.

Ele acolhe-te.

Mas não fiques lá muito tempo.

Pena nisso como algo temporário até te adaptares.

Liga-me e manda-me mensagens.

- És o melhor, meu. - Vou ter saudades tuas.

Eu também, cabrão.

Vá lá! É uma festa de despedida!

Então? Quem me apalpou o rabo? Foste tu?

O que se passa? Andas desaparecido.

Dedico-me às minhas coisas.

O que achas do puto se ir embora?

Fico feliz por ele.

Ele merece.

E é tudo graças a nós, certo?

Ninguém sai sozinho daqui.

Parece que tu és o único que consegue sobreviver sozinho aqui.

Agora que és escritor,

recebes cartas…

Por falar nisso, como vão as coisas com a miúda?

O que estou a dizer não te interessa. Não vês o que se passa?

Não vês que vai dar merda? Com o Borges e o Antín.

Achas que o teu livro não os irrita?

- E depois? - Tens de ter cuidado.

Porque quando esta história do escritor e assim acabar…

… virás ter connosco.

Pelo teu pé.

Quando chegar o momento, veremos.

Agora, estou bem.

- Toro! - Como estão?

- Tudo bem? - Dá cá.

Só queres tripas.

- Toma. - Deixa cá ver.

- Está aqui tudo? - Tudo o que pediste.

- Da outra vez, enganaram-me. - Nunca. Quando?

Toma lá.

E então?

O que se passa? Falta dinheiro.

- O quê? - Falta muito.

E já me devias da semana passada.

Na semana passada, só trouxeste osso e tripas.

Como assim? Comi foi a tripa da tua irmã! Vá, Toro. Paga-me.

Não te faças de estúpido.

Está bem, Toro. Está tudo bem.

Sabes que nos esforçamos e só temos produto de qualidade,

animais alimentados com ilusões e ervas frescas, sabes como é.

- Toma. - Aqui está. Quando queres, consegues.

- Bazem. - Fica bem.

Não te armes em parvo.

- Queres comida chinesa? - Pode ser.

Vamos, meu.

Espera.

O MARGINAL

Vamos.

O que se passou, Mabel?

A família de acolhimento ligou. Já não querem o Lucas.

Como assim? O que se passou?

Não sei. Um acidente qualquer. Parece que foi a última gota.

Já notificaram um tribunal. Acabou-se.

Vão mandá-lo para um instituto.

Porque não me avisaram? Sou o pai.

Desculpa, mas o que podes fazer na prisão?

Para a justiça, o Lucas não tem ninguém.

Ajuda-me. Quero falar com o Lucas.

Ele não quer falar contigo nem com ninguém.

A morte da Emma,

o suicídio da mãe

seria demais para qualquer um.

Eu posso falar com o juiz de família

e falar-lhe de ti, o Lucas não está sozinho.

Não, eu não, Miguel.

Eu não posso nem quero responsabilizar-me por ele.

Eu já fiz muito.

Apesar de achar tudo uma loucura, calei-me e ajudei sempre.

Mas fi-lo pela Emma, não por ti.

E olha como acabou.

Felizmente, a Micaela está com o pai.

Sabes como são os institutos.

Espancam os miúdos.

É isso que queres para o Lucas? Ajuda-me. Não sejas injusta.

Injusta? Estás a chamar-me injusta?

Sempre me certifiquei de que tinha tudo, como se fosse meu sobrinho.

Não te posso ajudar mais.

Mabel.

Não, és um desenvergonhado.

És um desenvergonhado.

A minha irmã morreu por tua culpa, Miguel.

Não te perdoo.

És um filho da puta.

- Mabel. - Não te vou ajudar.

- Mabel, ouve-me. - Nem pensar.

Não pediste a opinião ao Lucas?

Tento contactá-lo desde que estou aqui, mas o tribunal de família não me deixa.

Nem o curador.

Ouve.

Ajuda-me a escrever uma carta à juíza a pedir uma recomendação para o tribunal,

para recuperar os meus direitos parentais, a custódia legal.

Está bem.

É a única forma de impedir que ele vá para um instituto.

Sabes que podes contar comigo

para cuidar dele, seja o que for, uma vez que vou sair daqui.

Se puder ajudar, conta comigo.

Agora, ajuda-me a escrever isto, para ser formal e para me darem ouvidos.

Vamos a isso.

"Senhora juíza…"

- Qual é o apelido dela? - Piñeiro.

Lavadinha…

Como estão as minhas meninas? A lavar roupa?

O dinheiro, meninas.

Bom trabalho.

Está todo aí?

Têm os rabinhos limpos? É bom que o dinheiro esteja todo aqui.

Não.

Falta dinheiro. Onde está o resto?

Estes tipos são inacreditáveis. Querem receber sem trabalhar.

Qual é o teu problema?

Nenhum. Tens um problema comigo?

Também não tenho nenhum. Se não pagares, ato-te os tomates ao cano.

Putinha, se gostas de tomates, toca aqui.

Putinha? Vai-te foder.

Queres que a tire?

O que vais tirar?

O que é isso? Cuidado, não te magoes.

As meninas estão muito corajosas.

Sabes que mais? O Borges vai ficar muito chateado.

Depois, vamos apanhar-te quando estiveres sozinho.

Que medo!

Que medo!

Diz ao Borges para vir falar connosco. Não queremos falar com os empregados.

Está bem.

- Continua a lavar roupa. - Vá lá.

Não te magoes, amor.

- Adeus. - Adeus, querida.

- Fora. - Baza, paneleiro.

- Com licença. - Bate à porta!

- Ou queres que tire a porta daí? - Quero que atendas este recluso.

Se não abro é porque estou a cagar, por exemplo.

Quem é?

É o Palacios.

Deixa o Palacios entrar.

Chata do caraças.

Entra.

Senta-te.

Aqui diz que pediste autorização para ir a uma audiência judicial.

É pelo teu filho?

Preciso de uma recomendação do tribunal para recuperar a custódia legal.

A custódia legal. A tutela.

Certo. A Molinari já não está entre nós.

A mãe do rapaz também não. Não tens quem cuide dele.

Exato.

Vê como seguiste o protocolo.

Vieste até aqui e queres cooperar.

Desde que cheguei, não me meti em sarilhos.

Fiquei sempre à margem. Agora peço-lhe ajuda com isto do tribunal.

É o meu filho que me mantém são.

Que me impede de enlouquecer. Não me ignore.

Não te queremos ignorar!

Não queremos que enlouqueças. És um artista!

Um escritor.

Não queremos que no próximo congresso latino-americano de literatura prisional

me repreendam e digam:

"Antín, o repressor."

Preciso da audiência.

"Preciso da audiência."

Delator.

Queixinhas.

Grande queixinhas.

Bufo.

No meu tempo, era assim que chamavam aos que falavam demais.

Tens coragem…

… Pastor.

És atrevido.

És como um pau enfiado até ao fundo do cu, sem lubrificante.

Mas pronto.

Não mencionaste nomes.

Mas muitas pessoas estão descontentes contigo.

Porque viraste a atenção para esta prisão.

Para esta prisão… Para o sistema prisional todo.

No entanto, ninguém te faz nada, és intocável.

Porque és intocável?

Porque o papá é o teu anjo da guarda.

Sou o teu anjo da guarda,

apesar das críticas, das queixas e dos protestos que fazes na rádio.

Vejo isso como parte do folclore. Porque eu ajudei-te a criar aquele espaço.

A tua liberdade de expressão

é uma clara manifestação

da generosidade do meu espírito democrático.

Entendes?

Tenho autorização ou não?

Tens autorização se me prometeres…

… que no teu próximo livro, que vai ser um êxito de vendas

vais escrever numa página, em letras grandes:

"Eu conheci o grande Sergio Antín.

Um verdadeiro espírito democrático."

O Toro deu-nos esta carne, no outro dia.

- O cabrão fez-se de parvo. - Porque nos deve dinheiro.

Por isso, pagou-nos com carne, mas não faz mal.

No outro dia, dei-lhe carne podre e ele não reparou. Estamos quites.

O que foi?

Vou para a cama.

- Eu levanto a mesa. - Pronto.

Dorme bem, Martita.

Está bem.

Acordo-te às cinco.

Não sejas chato, meu. Não pode ser mais tarde, às 06h30, 06h45?

Às cinco, paneleiro.

Se foderes com uma ovelha, deixa a branca. Vou fazer um cachecol.

Filho da puta.

Parvalhão.

Vai deixar a lã pegajosa.

Que surpresa.

O que se passa aqui? Larga-a, filho da puta!

- Calma! - Filho da puta!

- Sai daqui, rapariga! - Espera!

És um filho da puta!

- Sai daqui, porra! - A culpa é minha!

Sai daqui, caralho!

- Não, mãe! - Filho da puta!

Miguel Palacios.

O senhor pediu esta audiência

devido à situação atual do menor Lucas Palacios, o seu filho.

Sim, senhora.

Entende que ele não está sob a minha jurisdição?

Sim, eu quero que me faça uma recomendação.

Sim, eu sei. Uma recomendação para o juiz do tribunal de família

para recuperar a custódia.

No entanto, até há três anos,

o menor não constava do registo civil.

Qual foi a razão?

Estiva preso. A mãe não podia cuidar dele e ele ficou com a minha namorada.

Ela pô-lo na escola e cuidou dele.

Entre outras coisas. Também o pôs num carro,

com o qual o senhor tentou fugir da prisão.

É verdade. A culpa foi minha.

Estava a passar um mau bocado. Fiquei confuso e fi-la fazer essa loucura.

Agora estou bem. Estou a fazer tudo bem e quero cuidar do meu filho.

Isso é muito bom, mas ele ficará melhor num instituto.

O que pode fazer por ele?

Com todo o respeito, esses lugares são difíceis. Eu tenho rendimentos.

Quero pagar a educação dele e procurar outro lugar.

Escute, o seu historial…

… é complicado.

Não lhe estou a dizer…

Vamos ver se nos entendemos. O senhor pediu a audiência.

Eu concedi-a. Agora, deixe-me falar.

Muito bem. Resumidamente, está a pedir-me um privilégio.

Só peço que encontremos uma casa de acolhimento para o meu filho.

E para eu ser o seu guardião. Ele não tem mais ninguém.

O sistema vai destruí-lo.

O sistema, que tanto crítica,

vai tratar do que os pais dele não trataram.

Não encontro fundamentos que aleguem a seu favor.

Não vou aceitar o seu pedido.

As crianças não aprendem nesses lugares. São castigadas.

Quer que o meu filho seja castigado pelas minhas merdas? Que culpa tem?

Não, Palacios. Com essa linguagem, ficamos por aqui.

Que linguagem?

Só se importa com isso? Estamos a falar da vida do meu filho.

Um bom rapaz. Quer arruiná-lo porque não gosta de mim?

Peço que o levem.

Um dia, perderá o poder que tem sobre as pessoas.

- Ainda não acabei! - Calma!

Eu arrependi-me. Cometi um erro.

Estou a cumprir a pena como devo. Que mais quer?

Já decidi.

- A audiência acabou. - Sei bem como são.

Estive dos dois lados. Protegi-vos e limpei as vossas confusões.

Fabriquei casos quando tinham de prender pessoas!

Você é mais desonesta do que nós!

Legendas: Ruben Oliveira

Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.