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Original subtitles

Em '78, vim pela primeira vez para a Europa para competir fora do Brasil

no Campeonato do Mundo.

Era pura condu��o. Corrida pura.

N�o havia pol�tica.

Tamb�m n�o havia dinheiro envolvido, por isso eram corridas aut�nticas.

N�o pens�mos que a aventura do karting

acabasse por se tornar uma carreira.

Milton da Silva Pai de Ayrton

Mas est� a ganhar uma nova dimens�o

e n�s estamos um pouco preocupados

por ele provavelmente ir correr na F�rmula 1.

Que Deus o proteja sempre

Neyde Senna M�e de Ayrton

de todos os perigos que possa enfrentar, esse � o meu maior receio.

Quero agradecer-lhe por ser o filho que �,

pelo trabalho honesto e bem feito dele este ano.

Para mim, isso � mais importante do que qualquer t�tulo.

Poucas pessoas me conhecem de verdade.

N�o compreendem de todo os sacrif�cios que um piloto de corridas tem de fazer.

De algu�m que teve de se afastar

muitos milhares de quil�metros, da fam�lia e dos amigos

para viver na Europa.

E que tem de estar sempre a lutar, apesar de ser t�o novo.

Nunca se consegue nada sem esfor�o.

Chegou o grande momento.

Ayrton est� preparado para conduzir um carro de F�rmula 1 pela primeira vez.

Acho que Deus me deu esta oportunidade,

pela qual espero h� tanto tempo.

E agora est� a ajudar-me a manter-me calmo, relaxado, tranquilo.

Bem, Ayrton, esta � uma bela cidade,

com bonitas ruas estreitas para andar a p�, mas n�o para conduzir, n�o � verdade?

Sim, � verdade. Cheguei em cima da hora

e estou impressionado, porque � a minha primeira vez no M�naco.

Treinei um pouco

e, felizmente, adaptei-me � pista.

N�o h� margem para erros, j� que um erro pode provocar um acidente.

Mas, at� agora, sinto-me bastante contente.

Eu j� viajava muito, a fazer reportagens sobre F�rmula 1,

quando o Ayrton come�ou a destacar-se. Era piloto da Toleman.

Voz de Reginaldo Leme Comentador da Globo

A Toleman n�o era uma equipa vencedora.

N�o era um carro vencedor.

Nunca iria ganhar uma corrida.

Por isso � que o que o Ayrton fez no M�naco revelou um toque de g�nio.

Alain Prost, ap�s um come�o soberbo, ganhou a lideran�a.

Grande Pr�mio de Monte Carlo

3 de Junho de 1984 6� Corrida de Senna na F1

Nigel Mansell em segundo e os dois Ferrari em terceiro e quarto.

Niki Lauda est� na quinta posi��o.

Em sexto vem Rosberg.

O s�timo � Manfred Winkelhock. E em oitavo est� Ayrton Senna.

Mas Senna tem vindo a recuperar.

Come�ou no 13� lugar e � agora o s�timo classificado.

E Nigel Mansell fica fora de prova.

Ayrton Senna ultrapassa Keke Rosberg e fica em terceiro lugar.

Voz de Galv�o Bueno Comentador da Globo

Ayrton Senna ultrapassa Niki Lauda!

E assume a segunda posi��o

na parte mais perigosa do circuito!

Voz de James Hunt Campe�o do Mundo em 1976

Julgo que estamos a assistir � chegada de Ayrton Senna,

um talento verdadeiramente espantoso.

VOLTA MAIS R�PIDA A. SENNA (BRA)

1 min 54,334 segs Km/h 103,97 = Mph 64,60

Aproxima-se de Alain Prost a cerca de tr�s segundos por volta,

7 A. PROST - 19 A. SENNA DIFEREN�A: 15,369

o que � um desempenho surpreendente.

Prost acena aos comiss�rios. Quer parar a corrida.

E quem pode censur�-lo?

De facto, de um ponto de vista purista e desapaixonado,

n�o h� qualquer motivo para parar a corrida.

Tenho � minha frente um comiss�rio com uma bandeira vermelha.

V�o parar a corrida.

1 A. PROST - 2 A. SENNA DIFEREN�A: 5,31 2

E a bandeira axadrezada � erguida.

� inacredit�vel!

Prost est� a parar e Senna cruza a linha antes de ele l� chegar.

Ayrton ergue o bra�o em j�bilo!

Celebra como se tivesse ganho a corrida!

Se durasse mais umas voltas,

podem ter a certeza de que Ayrton teria assumido a lideran�a.

Tive uma excelente oportunidade de ganhar.

Mas, a n�o ser que cruzemos a meta em primeiro lugar,

� imposs�vel saber.

A F�rmula 1 � pol�tica, � dinheiro,

e quando ainda somos pequenos, temos de passar por isto.

Um resultado tr�gico para Senna. Contudo,

embora n�o seja Campe�o do Mundo este ano,

vai sem d�vida ser Campe�o do Mundo no futuro, se a sua carreira continuar.

Ayrton Senna, a nova estrela da F�rmula 1!

No p�dio da F�rmula 1 pela primeira vez,

ap�s um fant�stico desempenho.

E para o ano?

Vai continuar na Toleman?

-Quais s�o agora os seus planos para... -N�o sei.

De momento n�o sei. Ainda �... N�o tomei qualquer decis�o, n�o h� certezas.

Teremos de esperar mais tempo para ver o que acontece.

Mas n�o vai ficar satisfeito enquanto n�o vencer, pois n�o?

Acredito que quando competimos, quando praticamos automobilismo,

ou o fazemos bem ou mais vale esquecer.

Mudar para a Lotus era o ideal para Ayrton.

Voz de John Bisignano Comentador da ESPN

A equipa tinha ganho campeonatos e tinha ganho muitos Grandes Pr�mios,

e eles esfor�aram-se muit�ssimo com Ayrton para dar ao seu talento

todas as facilidades de que precisava para ganhar.

Quando cheguei � F�rmula 1, em '84,

eu estava a come�ar,

portanto tinha tanto para aprender e para alcan�ar que nada...

Qualquer bom resultado era um progresso,

era uma motiva��o.

Ent�o mudei para uma equipa maior, para a Lotus,

e tive cada vez mais sucesso.

E continuo a ter.

Por isso, quando tenho algum problema, olho sempre para a pr�xima corrida.

Porque posso n�o ter sorte numa corrida e ter �xito na seguinte ou nas 5 seguintes,

face a uma m� corrida.

Por isso, temos de tentar sempre ficar cada vez melhor classificados.

J� quando era novo, Ayrton sabia o que queria

Neyde Senna e Milton da Silva Pais de Ayrton

e fazia com que isso acontecesse.

Voz de Neyde Senna M�e de Ayrton

Por exemplo, ele estava muito atento na escola

para n�o ter de estudar em casa

e ter mais tempo para brincar com o seu kart.

N�o h� d�vida que Senna teve uma inf�ncia privilegiada.

Voz de Richard Williams Editor de Desporto, The Guardian

A fam�lia dele vivia muito bem.

Assim que perceberam que a ambi��o de Ayrton era ser piloto de competi��o,

n�o tiveram problemas em apoiar as primeiras tentativas dele no karting.

Mas seria um grande erro pensar que Ayrton poderia comprar o seu lugar na F�rmula 1.

O pr�prio Senna percebeu

que para ter um impacto s�rio e duradouro na F�rmula 1,

tinha de lutar servindo-se do seu talento.

Grande Pr�mio de Portugal - 21 de Abril, 1985 Segunda Corrida de Senna pela Lotus

Ayrton era um g�nio quando chovia.

Voz de Reginaldo Leme Comentador da Globo

Sempre que as condi��es eram m�s, e o piso ficava mais escorregadio,

ele tinha mais qualquer coisa.

A corrida no Estoril foi inacredit�vel.

Terminou com uma volta de avan�o sobre todos os advers�rios menos um.

� maravilhoso! � uma sensa��o extraordin�ria.

Estou muito feliz, porque no meu segundo ano na F�rmula 1,

alcancei o meu primeiro sonho, que era ganhar um Grande Pr�mio.

� algo �nico.

� como uma droga.

� algo muito forte e muito intenso.

E, quando se vive algo assim, continua-se sempre � procura disso.

Sou Mili Okada, do canal japon�s

Fuji TV, e sou apenas uma personalidade da TV, n�o uma jornalista, por isso...

Estou a ver. Vamos tirar uma fotografia juntos.

Julgo que h� muitas raparigas japonesas

que s�o f�s do Sr. Ayrton Senna.

Estou t�o perto do Sr. Senna e estou t�o nervosa.

Venha visitar o Jap�o. Vemo-nos no Jap�o.

-Obrigado. Um beijinho. -Obrigada.

Adeus! Mais um beijo.

S� h� uma palavra para descrever o estilo de Ayrton,

que � "r�pido".

Ele conseguia que o carro suplantasse as capacidades para que fora concebido.

Travava mesmo em cima, entrava a voar nas curvas, com o carro a ro�ar as margens

e, de algum modo, conseguia executar uma dan�a com o carro

e fazer com que permanecesse na pista.

Ao assistir aos primeiros anos da carreira de Ayrton,

Voz de Ron Dennis Chefe de Equipa da McLaren

o seu progresso e a sua dedica��o eram muito evidentes.

Mas, acima de tudo, o que procuramos � um intelecto,

e eu pensei: "Este tipo tem o que � preciso."

Em meados dos anos 80, a McLaren era a equipa a derrotar.

Ron Dennis era o melhor gestor e Alain Prost o melhor piloto.

Alain Prost Campe�o do Mundo 1985, 86

Todos cham�vamos a Prost "O Professor" porque ele fazia

metodicamente, tudo o que fosse preciso para estar � frente na pontua��o.

Se isso significasse ficar em quinto,

ele mantinha a quinta posi��o e ficava com esses pontos

em vez de lutar por terminar em segundo, terceiro ou primeiro lugar.

E compreendia bastante bem a pol�tica da modalidade

e jogava o jogo de forma mais inteligente do que qualquer um.

� conhecido como o Professor do Automobilismo,

Selina Scott Wogan, Talk Show da BBC

porque planeia tudo e sabe para onde vai.

Isso � mesmo verdade?

Sou muito realista, por isso penso que, quando sou competitivo,

sei que estou a competir. Quando n�o estou, n�o estou.

Porque n�o h� mulheres automobilistas?

N�o sei ao certo porque � que as mulheres n�o s�o muito competitivas

no automobilismo, sobretudo na F�rmula 1.

Mas, como � muito bonita e eu conhe�o uma pessoa na McLaren

que gosta muito de si, posso tratar disso.

Sabe, Alain, se algu�m me ensinasse a conduzir um carro,

um carro de competi��o, eu poderia largar este emprego e...

N�o h� nada de importante que eu n�o lhe conseguisse ensinar.

A sua mulher d�-lhe boleia at� casa?

An�ncio dos Pilotos da McLaren

Estamos muito confiantes de ter os dois melhores pilotos do mundo.

Ron Dennis Chefe de Equipa da McLaren

E tamb�m os dois pilotos mais profissionais.

Se n�o formos frequentemente os vencedores, para o ano,

de certeza que n�o vamos poder culpar os pilotos.

Para mim, � uma grande oportunidade a n�vel profissional.

E, de um ponto de vista pessoal, estou muito feliz por trabalhar com o Alain.

O primeiro ano na McLaren foi muito decisivo na vida de Ayrton.

Voz de Viviane Senna Irm� de Ayrton

Ele estava muito tenso,

era como se carregasse o peso do mundo aos ombros,

porque agora tinha a responsabilidade

de provar que era realmente um dos melhores pilotos do mundo.

N� 1 (Grande Pr�mio de F1)

O Ayrton tem, pela primeira vez na carreira, o carro para poder ser Campe�o do Mundo,

e n�o quer desperdi�ar a sua oportunidade.

-� normal, e isso vai dar-nos um empurr�o. -E tu?

-E tu? -� um pouco diferente.

Vais desperdi�ar a tua oportunidade?

Estou um pouco mais pressionado do que Tu aumentas a press�o a que estou sujeito.

Pod�amos ver sorrisos,

Voz de Ron Dennis Chefe de Equipa da McLaren

mas, ao mesmo tempo, uma linguagem corporal algo estranha,

ao aperceberem-se da posi��o de cada um e do que estava prestes a desenrolar-se.

Alain, que sentia obviamente que estava bem aninhado na McLaren,

e o jovem pretendente rec�m-chegado, a amea�ar claramente aquela posi��o.

Eram ambos muito inteligentes e excelentes pilotos.

Vencerem-se um ao outro tornou-se muito mais desafiante

do que vencer o resto dos concorrentes.

GRANDE PR�MIO DE MONTE CARLO 14 DE MAIO DE 1988

1. A. SENNA - 2. A. PROST DIFEREN�A: 55,114 segs

Naquele dia, apercebi-me de repente que j� n�o estava a pilotar conscientemente.

E, para mim, era como se estivesse noutra dimens�o.

Para mim, o circuito era um t�nel, no qual eu seguia, seguia e seguia.

E apercebi-me de que estava muito para l� do meu entendimento consciente.

Ayrton estava v�rios segundos na dianteira, tinha a corrida na m�o,

Volta 67 de 78

apenas a uma m�o cheia de voltas do fim, e recebeu uma mensagem de r�dio a dizer:

"Est�s muito adiantado na frente, abranda."

Ayrton Senna bateu na protec��o.

Senna no separador! Est� fora do carro...

Ayrton Senna est� fora do seu carro e est� fora da corrida.

Ayrton Senna abandona a lideran�a do Grande Pr�mio de Monte Carlo.

Absolutamente inacredit�vel!

A. PROST - VENCEDOR GRANDE PR�MIO DO M�NACO '88

Ele n�o me queria vencer-me. Queria humilhar-me.

Voz de Alain Prost

Ele queria mostrar �s pessoas que era mais forte.

Muito melhor. E essa era a sua fraqueza.

As suas emo��es ap�s o acidente eram de raiva pura por si pr�prio,

e ele n�o conseguia de todo lidar com aquilo.

Ele regressou ao seu apartamento

e s� saiu tr�s horas depois.

Aproximei-me tanto da perfei��o naquele fim-de-semana que fui negligente.

Deixei espa�o para erros e aprendi isso naquele momento.

E, desde ent�o,

o meu regresso foi progressivo, porque naquele momento perdi confian�a.

E, aos poucos, fui lutando,

e fiquei muito mais forte ap�s aquele incidente.

Aproximei-me de Deus, o que foi importante para mim como homem.

O M�naco foi o ponto de viragem na temporada de '88.

Ayrton entrou numa incr�vel s�rie vitoriosa,

ganhando seis das oito corridas seguintes.

O que o colocou mesmo � frente de Prost no Campeonato.

E agora, o que vai acontecer?

Um bom divertimento. A partir de agora vamos divertir-nos muito.

Vamos lutar. Talvez lutemos fora do carro.

Acho que o Campeonato vai ficar cada vez mais excitante.

� poss�vel ficarmos empatados no Campeonato?

-N�o. -Ora bolas.

S� pode haver um vencedor.

GRANDE PR�MIO DO JAP�O 30 DE OUTUBRO DE 1988

A d�cima quinta corrida da temporada.

De manh� cedo, o Brasil espera

que Ayrton Senna ven�a o seu primeiro t�tulo em F�rmula 1.

O seu sonho de crian�a.

Ayrton estava sob press�o.

Voz de Pierre Van Vliet Comentador da TF1

Estava em primeiro na grelha de partida, ia ser Campe�o do Mundo

se ganhasse aquela corrida, por isso, a press�o era enorme.

V�o come�ar, vamos l�, luz verde.

Senna atrasa-se!

Senna � esquerda na grelha de partida.

Prost toma a dianteira, Ayrton Senna segue muito atr�s.

Aqui est� Ayrton Senna, no d�cimo quarto lugar.

Pensei: "O Campeonato acabou.

Voz de Reginaldo Leme Comentador da Globo

"Est� tudo acabado."

Senna j� alcan�ou o oitavo lugar. Est� a ter uma recupera��o fant�stica.

Mas ent�o, aconteceu a sua coisa preferida,

come�ou a chover.

Senna j� est� no quarto lugar.

Senna est� a chegar, ele est� a chegar!

Senna est� a aproximar-se. Vai disputar a lideran�a.

Ayrton Senna lan�a-se e ultrapassa Prost.

Ayrton Senna assume a lideran�a.

Comecei a agradecer quando estava a dar a �ltima volta

Agradeci a Deus.

Nem queria acreditar que ia mesmo ganhar o Campeonato,

com toda a ansiedade e tens�o.

Senti a presen�a Dele.

Visualizei, vi Deus.

Foi um momento especial da minha vida.

Uma sensa��o enorme.

Registei isso na minha mem�ria

e isso permanece uma parte de mim.

Ayrton Senna do Brasil!

Campe�o do Mundo de 1988!

Uma corrida fant�stica!

Uma vit�ria brilhante porque ele estava em d�cimo sexto lugar.

AYRTON SENNA CAMPE�O DO MUNDO DE 1988

Ayrton, agora j� se sente como um Campe�o do Mundo?

Apenas senti paz.

Sinto que me tiraram toneladas

da cabe�a e dos ombros.

E � dif�cil compreender o que � ser um Campe�o do Mundo.

S�o Paulo 15 de Novembro de 1988

Ele � uma pessoa incr�vel.

� t�o humilde,

e eleva a imagem do Brasil no estrangeiro.

Ele partilha as suas vit�rias connosco.

Admiro-o muito.

� um homem muito corajoso.

� tudo o que sei dele.

� o nosso orgulho.

Uma das poucas coisas das quais ainda nos podemos orgulhar.

Perguntei uma vez ao Ayrton quando ia parar com as corridas.

M�e, eu paro quando me tornar Campe�o do Mundo.

Eu sei bem no fundo que n�o � verdade.

Todos sabemos isso.

V�deo familiar da fam�lia Senna

A fam�lia Senna e a fam�lia Yamin Angra

Voz de Viviane Senna Irm� de Ayrton

Quando o Campeonato de 1988 terminou e ele venceu,

era evidente que se tinha tornado uma pessoa diferente,

porque, na verdade, tinha-se encontrado.

Descobriu aquilo que era,

era um processo que terminou com aquela vit�ria.

No Natal, as coisas acontecem.

Fazemos novos amigos,

como aquele que vou agora apresentar.

Xuxa Meneghel Estrela de TV Brasileira

Ele fez parte do meu 1988,

Ayrton Senna.

N�o � giro?

Tenho uma pergunta.

Est� toda a gente entusiasmada, mas ningu�m tanto quanto eu,

porque � dif�cil falar, agora que ele � meu amigo,

Ayrton, que deseja para o Natal?

Um presente de Natal?

Aquilo que desejo realmente n�o o posso revelar aqui.

Porque n�o?

Censurado, mas eu apenas quero felicidade.

Diz-me aqui.

Feliz Ano Novo.

Feliz 1990.

Feliz '91.

Feliz '92.

Feliz '93.

Voz de Ron Dennis Chefe de Equipa da McLaren

A temporada de 1989 foi algo menos harmoniosa do que a do ano anterior.

Os dois pilotos assumiram diferentes n�veis de agressividade,

sobretudo quando competiam entre eles.

� quando estala o verniz no seio de uma equipa.

Voz de John Bisignano Comentador da ESPN

� ent�o que os engenheiros deixam de partilhar informa��es.

� a� que os pilotos come�am a olhar-se por cima do ombro, para ver

quem consegue o qu� de quem.

E Ayrton, com o seu amor pela verdade,

n�o estava t�o apto como Alain Prost

a acrescentar outra dimens�o, a pol�tica da modalidade.

Senna v Prost, Prost v Senna,

a ordem da grelha � sempre uma ou a outra.

Guerreiam-se entre si,

porque o piloto franc�s, Alain Prost,

pensa que o seu colega de equipa lhe tem sido desleal.

E parece que esta briga pode ter consequ�ncias

para o resto da temporada.

Corrida a corrida, distanciavam-se cada vez mais.

Voz de Reginaldo Leme Comentador da Globo

Ele disse: "Este franc�s... Este franc�s � duro.

"Quer guerra."

Pouco tempo depois

afastaram-se completamente e deixaram de falar um com o outro.

JEAN-MARIE BALESTRE Presidente da FIA

Claro que penso que o ent�o presidente da FIA, o franc�s Jean-Marie Balestre,

Voz de Pierre Van Vliet Comentador da TF1

foi uma ajuda para Alain, porque eram muito chegados.

Gostava que dessem as boas-vindas ao Presidente da FISA, o Sr. Balestre.

Meus senhores, por favor.

GP do Jap�o Reuni�o de Pilotos

Todos os condutores do mundo est�o a ver-vos na TV,

porque julgam, estupidamente, que voc�s s�o um exemplo.

� um grande erro, mas � isso que eles julgam.

Repito.

N�o quero situa��es de perigo na �ltima prova do Campeonato do Mundo.

� t�o simples como isto.

Agora depende de v�s.

O Campeonato est� taco a taco.

Voz de John Bisignano Comentador da ESPN

Senna tem de vencer o Grande Pr�mio do Jap�o

para manter a luta pelos pontos at� � �ltima corrida.

Prost sabe que, se Senna n�o terminar, ser� campe�o do mundo de F�rmula 1.

GRANDE PR�MIO DO JAP�O 22 DE OUTUBRO DE 1989

C�mara a bordo Ayrton Senna

Prost est� em primeiro, Senna em segundo.

Prost salta para a lideran�a.

Prost come�a melhor a corrida.

Volta 45 de 53 Chicana Casio

Volta 46 de 53 Chicana Casio

A oportunidade pela qual Senna espera, e vai passar.

Meu Deus, isto � fant�stico.

Chocaram, uma situa��o que favorece Prost.

� o fim, Prost vence o t�tulo.

Uma vez mais, apenas a vit�ria serve a Ayrton Senna.

Nannini passa.

Nannini passa para assumir a primeira posi��o.

Senna ainda est� parado na boxe.

Senna retoma a corrida muito atr�s de Nannini.

Vai ser praticamente imposs�vel.

� o tudo ou nada, a cinco voltas do fim.

Uma corrida suicida para Ayrton Senna, para tentar alguma coisa.

Prost viu Ayrton retomar a corrida

Voz de Reginaldo Leme Comentador da Globo

e foi logo para a sala dos Comiss�rios Desportivos.

Nannini � o primeiro, Senna o segundo.

Senna for�a, bloqueia Nannini.

Senna ultrapassa!

Volta 51 de 53 Chicana Casio

As bandeiras do Brasil ondulam.

Est�o todos de p�.

Ayrton Senna.

A bandeira axadrezada!

Senna celebra dentro do habit�culo.

AYRTON SENNA VENCEDOR G.P. JAP�O

Bate no capacete.

Ayrton Senna do Brasil!

Visivelmente emocionado,

abriu a viseira, talvez para limpar as l�grimas.

Foi uma vit�ria fant�stica,

como poucas vezes vi.

Pode demorar 20 minutos.

Caramba.

Quer uma ch�vena de ch�?

Aquilo de a cerim�nia dos pr�mios atrasar era uma coisa nunca vista.

Voz de Reginaldo Leme Comentador da Globo

Nigel, Nigel, ele falhou a chicana.

Ele seguiu pela estrada de acesso.

Sala dos Comiss�rios Desportivos

Quanto mais esper�vamos, mais tem�amos que tomassem uma decis�o pol�tica.

A decis�o tomada pelos Comiss�rios,

Gabinete de Imprensa da FIA

pelos Comiss�rios no Grande Pr�mio do Jap�o.

Exclus�o do carro n�mero um e do seu piloto, Ayrton Senna,

do resultado final desta corrida.

Logo ap�s a corrida,

o ecr� gigante

mostrou repetidamente o acidente

e Senna a retomar a corrida.

Ap�s reverem estas imagens, os comiss�rios conclu�ram

que, por Senna n�o ter percorrido a chicana de forma normal

para se juntar � pista

infligiu o Artigo 56 dos regulamentos da FIA.

� o Campe�o do Mundo, Alain?

Parece que sim.

N�o tinha 100% de certeza, conhe�o o regulamento,

mas nunca sabemos como vai ser interpretado.

Mas, para ser completamente franco, estou contente por sair,

porque julgo que est� a tornar-se imposs�vel trabalhar com o Ayrton,

e isto � um bom final de campeonato.

O que eu gostava de fazer agora

era mostrar-vos uma filmagem que julgo ser bastante pertinente.

Porque nos disseram que n�o se podem usar estradas de acesso para reentrar na corrida.

Repeti��o GP da �ustria 1981

As sa�das n�o s�o para sair, s�o para fazer uma visita,

para contornar e depois reentrar na pista.

� muito importante reter isto, n�o h� excep��es

nem penaliza��es nem desqualifica��es.

E foi por isso que ele foi exclu�do do Grande Pr�mio do Jap�o?

Onde est� a consist�ncia? A decis�o n�o pode estar certa.

O Alain disse que seguiu numa linha de corrida normal.

Eu digo-lhe que, a partir das fotografias a�reas,

parece que virou bastante cedo.

N�o foi de todo uma linha normal.

Ganhei 39 corridas e, com este, tr�s campeonatos,

julga que eu faria uma coisa destas propositadamente?

Est� a ver, eu j� tinha virado para fazer a curva,

talvez demasiado cedo, admito, mas era a minha curva.

Sede da FIA Paris

O Tribunal Arbitral determina

a suspens�o da licen�a de Senna por seis meses,

a qual � um aviso n�o s� para Ayrton Senna

mas para todos os pilotos,

al�m de uma multa de 100.000 d�lares.

Mesmo que seja um dos melhores pilotos do mundo,

n�o tem o direito de provocar um acidente est�pido.

A forma como o assunto foi tratado

d� a entender que eu sou o �nico respons�vel pelo que l� se passou.

Fui culpado por tudo e fui penalizado por tudo.

Fui tratado como um criminoso.

E isto � completamente inaceit�vel.

Foi um rude golpe para o Ayrton,

Voz de Viviane Senna Irm� de Ayrton

porque a atitude de Balestre ainda foi pior do que a de Prost.

Ele quase desistiu de correr na F�rmula 1.

Deixei-o em paz durante algum tempo.

Voz de Ron Dennis Chefe de Equipa da McLaren

Persuadi-o com todo o cuidado de que, se formos fi�is aos nossos valores,

se acreditamos que os nossos valores est�o correctos,

ent�o, fugir das for�as sombrias

com as quais nos deparamos deixa de ser uma op��o vi�vel.

Na temporada de 1990 ele voltou mais s�bio, a equipa � harmoniosa,

Prost saiu da McLaren para a Ferrari,

e Senna est� na posi��o perfeita para competir pelo t�tulo.

Todos os pilotos andam no limite.

O meu limite � diferente do de Prost, esta � a realidade.

E, em vez de tentar melhorar as suas pr�prias capacidades,

achou que era mais f�cil atacar-me.

O Ayrton tem um pequeno problema. Pensa que n�o consegue matar-se

porque acredita em Deus e nessas coisas.

E eu acho que isso � muito perigoso para os outros pilotos.

O facto de acreditar em Deus e de ter f� em Deus

n�o significa que eu seja imortal.

N�o significa que eu seja imune,

como tem sido divulgado.

Tenho tanto medo de ficar ferido como qualquer outra pessoa,

sobretudo a conduzir carros de corrida.

� um perigo constante.

Grande Pr�mio de Espanha 30 de Setembro de 1990

� ele?

Quem �?

Martin Donnelly.

Eu estive nas boxes. Os treinos foram interrompidos.

Soube por v�rias pessoas que houve um acidente, foi o Donnelly.

Foi mau, foi muito mau, um desastre.

E decidi ir at� ao local para ver por mim.

Passou-me um milh�o de coisas pela cabe�a. Acabei por...

Apercebi-me de que n�o ia desistir da minha paix�o,

apesar de ter acabado de ver o que vi.

E tive de me recompor,

de me afastar e de ir at� ao carro e de voltar a faz�-lo.

E voltar a faz�-lo, e faz�-lo ainda melhor do que antes,

porque essa foi a forma de minimizar o impacto que aquilo teve em mim.

N�o estava preparado para desistir. Por mais medo que tivesse de continuar

n�o estava preparado para desistir das minhas aspira��es, do meu objectivo,

da minha paix�o, do meu sonho, da minha vida. Esta � a minha vida.

Ayrton Senna 1.19.844 PRIMEIRO LUGAR DA GRELHA DE PARTIDA

Tanto quanto soube, ele est� fora de perigo, de perigo de vida,

o que � muito bom, tendo em conta o acidente.

E, assim como lhe aconteceu a ele, pode acontecer a qualquer um de n�s.

H� certas coisas que conseguimos prever,

mas h� outras que s�o inesperadas,

e essas coisas inesperadas s�o as mais perigosas,

como o que lhe aconteceu hoje.

Espero que n�o assistamos a coisas destas no futuro.

GRANDE PR�MIO DO JAP�O 21 DE OUTUBRO DE 1990

Por incr�vel que pare�a, pela terceira vez consecutiva,

o Campeonato ficou dependente da corrida no Jap�o.

Mas desta vez, se Prost n�o terminar, Ayrton ser� campe�o.

Bom dia meus senhores.

O n�mero de voltas desde a luz verde at� � bandeira axadrezada ser� 53.

Reuni�o de Pilotos Antes da Corrida

Comportamento perigoso e/ou manobras perigosas

ser�o imediatamente investigados

e podem levar � suspens�o da licen�a

por um ou mais eventos do Campeonato do Mundo de F�rmula 1.

T�m perguntas?

Houve uma grande confus�o o ano passado com o Ayrton.

Nelson Piquet Campe�o do Mundo 1981, 83, 87

Porque temos de repetir a mesma coisa?

O mais seguro a fazer �...

Se falharmos a chicana, os comiss�rios mandam-nos parar.

Quando n�o houver tr�fego, deixam-nos seguir.

Se tivermos de recuar e formos de marcha-atr�s

contra outro carro, isso � perigoso.

Certo.

Todos concordam com isto?

-Sim. -Sim.

-Obrigado. -Muito obrigado.

N�o suporto isto. N�o suporto. � uma anedota.

Depois do que aconteceu no ano passado, esta situa��o � uma anedota.

Acabaram de provar aqui... Eu nada disse e viram que algu�m salientou a quest�o,

e todos concordaram. E no ano passado foi muito mau para mim.

Desculpem-me mas tenho de sair daqui.

Aqui nas boxes e na grelha reina a tens�o.

O Campeonato Mundial pode ser ganho hoje, e todos est�o extremamente tensos.

Ayrton Senna abandonou hoje a reuni�o de pilotos.

Diz que o primeiro lugar na grelha de partida

devia ser do lado esquerdo da grelha e n�o do lado direito.

Normalmente, se o lado de dentro estiver limpo, claro que � melhor.

Porque se estiver sujo, o exterior � melhor. Como na Hungria, ou como...

A linha de corrida � a linha em que os carros normalmente seguem.

Voz de John Bisignano Comentador da ESPN

� a linha mais r�pida da pista.

� realmente importante ter o primeiro lugar na grelha de partida na linha de corrida.

Se estivermos do lado oposto, ficamos numa parte da pista raramente utilizada

e que tem metade da ader�ncia.

Se tivermos a pista desimpedida, safamo-nos melhor

no lado exterior do que no interior.

Porque no lado interior n�o temos trac��o.

Vamos dar uma vista de olhos.

Agrade�o.

Mas ser� que o Comiss�rio-chefe, a FIA e Balestre concordam?

Amanh�, Senna partir� no primeiro lugar da grelha de partida no GP do Jap�o.

Prost foi o segundo mais r�pido.

Voz de Ron Dennis Chefe de Equipa da McLaren

O primeiro lugar da grelha de partida era dele

e, depois, de repente, o primeiro lugar da grelha foi misteriosamente

mudado para o lado sujo do circuito, o que Senna considerou injusto.

Voz de Ayrton Senna

A decis�o foi influenciada por Balestre.

Eu sei disso, n�s sabemos.

Fui tramado pelo sistema muitas vezes.

Disse para mim: "Hoje, nem pensar."

Hoje tem de ser � minha maneira.

N�o me interessa o que possa acontecer, tem de ser � minha maneira.

SEM�FORO VERDE

E Senna acelera,

mas Alain Prost assume a lideran�a! Aconteceu!

Senna tenta passar por dentro...

E chocam.

Que batida!

Senna foi atingido.

Alain Prost e Ayrton Senna chocam novamente

e est�o os dois fora da pista! Isto � inacredit�vel!

E, se a corrida continuar, � o fim do Campeonato.

Ainda n�o sabemos se vamos ver a bandeira vermelha.

Ainda n�o a vimos,

portanto, parece que a corrida vai continuar.

O Campeonato acabou.

E Ayrton Senna � o Campe�o de 1990.

� uma forma muito triste de terminar o Campeonato do Mundo deste ano.

Pode dizer-nos o que aconteceu na primeira volta, Ayrton?

Infelizmente, toc�mo-nos na primeira curva,

quando est�vamos a disputar a lideran�a e sa�mos os dois da pista.

Isso aconteceu porque o primeiro lugar da grelha

fica do lado errado da pista, aqui? O Ayrton queria mudar isso.

Absolutamente. Lutamos at� n�o poder mais para ficar no primeiro lugar da grelha

e depois colocam-nos no lado errado do circuito.

Como se sente por ser Campe�o do Mundo?

A sensa��o n�o � m� de todo, pois n�o?

Parab�ns.

Voz de Ron Dennis Chefe de Equipa da McLaren

Quando regressou, o Ayrton revelava

pela sua linguagem corporal e maneirismos, que estava num enorme conflito.

N�o estava nada orgulhoso de si pr�prio.

Claro que n�o lhe agradava o facto

de aquilo ter determinado o resultado do Campeonato do Mundo.

Campeonato Mundial de Condutores de F�rmula 1, Ayrton Senna.

PR�MIOS FIA PARIS 1990

Chamo o Campe�o do Mundo, Ayrton Senna.

Ele sabia que eu estava colado a ele.

Deslocou-se para a linha interior, quando se dirigia para a primeira curva.

Ent�o, limitei-me a persegui-lo, e ele aumentou o espa�o entre n�s.

E, conhecendo-me como ele me conhece,

deve ter percebido que, se havia um espa�o, eu ia tentar ultrapass�-lo.

Certo, deixa-me fazer-te outra pergunta dif�cil.

Se eu juntasse todos os campe�es do mundo,

Jackie Stewart Campe�o do Mundo de F1 - 1969, 71, 73

e contasse as vezes que eles entraram em contacto com outros pilotos,

tu, nos �ltimos 36 ou 48 meses,

estiveste em contacto com mais carros e pilotos

do que eles devem ter estado no total.

Acho incr�vel que digas isso, Stewart,

porque �s muito experiente e sabes muito acerca das corridas,

e devias saber que, por sermos pilotos de corridas,

estamos constantemente a correr riscos.

E, ser piloto de corridas significa competir com outras pessoas.

E, se n�o tentamos aproveitar um espa�o,

deixamos de ser pilotos de corridas.

Como estamos a competir, estamos a competir para vencer.

E a principal motiva��o de todos n�s � competir por uma vit�ria.

N�o � chegar em terceiro, quarto, quinto ou sexto, pois n�o?

Mas a ideia n�o foi sempre essa?

Mas acho que � tudo irrelevante. Tudo o que est�s a dizer, Jack,

� realmente irrelevante.

Porque ganhei mais corridas do que todos os outros nos �ltimos 3 anos.

Sou um piloto que partiu do primeiro lugar da grelha mais vezes na hist�ria.

E sou um piloto que ganhou dois t�tulos nos �ltimos tr�s anos.

E eu n�o acho que... N�o compreendo porque

tentas virar as coisas do avesso

para dizer que estive envolvido em mais acidentes que todos os outros,

porque isso tamb�m n�o � verdade.

Dois dos maiores campe�es da hist�ria da F�rmula 1

acabaram na areia e estragaram um Campeonato.

Acusam-se mutuamente, mas Prost foi o mais prejudicado.

Vamos ouvir a sua reac��o exaltada.

Queria dar-lhe um murro na cara...

mas estava de tal forma desapontado

que n�o consegui faz�-lo.

Ele revolta-me.

Senna contra Prost, uma luta que durou umas temporadas, bem...

Foi ouro sobre azul para aumentar a atrac��o da F�rmula 1.

Agora, as not�cias de desporto. � o fim de uma hist�ria de amor.

As audi�ncias aumentaram na televis�o, e tudo melhorou.

As pessoas falavam sobre aquilo.

Era controverso, chocante, fascinante.

O sucesso da modalidade tamb�m aumentou.

Comercialmente e... Bernie Ecclestone foi muito esperto

na forma como distribu�am as imagens para a televis�o.

Mas, para manter as audi�ncias, s�o necess�rias pessoas famosas

e, claro, a hist�ria Prost-Senna foi um enorme sucesso.

E Ayrton ficou muito famoso fora da modalidade,

gra�as ao impacto da F�rmula 1 na TV.

Tenho muita pena das pessoas, porque...

E n�s afastamo-las.

S�o pessoas simp�ticas e n�o � agrad�vel v�-las a ser afastadas.

Tenho mesmo pena delas.

No Brasil, as coisas eram bem diferentes.

As pessoas andavam infelizes sob o regime que as governava.

A pobreza era tremenda.

E, nesses tempos dif�ceis, Ayrton exercia uma atrac��o extraordin�ria no Brasil.

A situa��o no Brasil era muito negativa e deprimente.

Voz de Viviane Senna Irm� de Ayrton

O que aconteceu foi que, das muitas vezes que o Ayrton ganhou,

em vez de esconder que era brasileiro, como acontecia com outros,

fazia o oposto, brandia a bandeira brasileira.

O Ayrton fazia aquilo todos os domingos.

E as pessoas ficaram inspiradas, por isso � que o adoravam.

Ayrton nunca tinha vencido o Grande Pr�mio do Brasil.

Voz de Reginaldo Leme Comentador da Globo

Desde que estava na F�rmula 1 que era seu sonho vencer em casa.

GRANDE PR�MIO DO BRASIL 21 DE MAR�O DE 1991

O Grande Pr�mio do Brasil est� prestes a come�ar.

Sem�foro vermelho, sem�foro verde.

Ele come�a bem.

For�a, Senna!

E Senna ganha a lideran�a.

Volta 54 de 67

Ayrton conseguiu a lideran�a.

E viu-se confrontado com uma vit�ria muito f�cil.

Voz de Ron Dennis Chefe de Equipa da McLaren

A� est� Senna... Est� a chover.

Est� a chover.

E ent�o, a caixa de velocidades encravou,

e ele ficou a v�rias voltas do fim

apenas com a sexta velocidade.

7 Voltas para o final

Parece imposs�vel pilotar um carro de F�rmula 1 encravado na sexta velocidade.

Voz de Reginaldo Leme Comentador da Globo

Ele at� queria parar. N�o conseguia continuar.

Mas tinha tentado tantas vezes vencer o Grande Pr�mio do Brasil

que encontrou uma for�a interior especial.

Depois desta curva, Senna est� quase na meta.

Vai vencer.

Ayrton, Ayrton... Ayrton Senna do Brasil!

Liderando do princ�pio ao fim, Senna vence em Interlagos!

Uma grande vit�ria para Senna.

A. SENNA - Vencedor GP BRASIL 91

Voz de Ayrton Senna

N�o acredito.

Caramba,

ganhei.

Prost, meu malandro.

Ele ganhou e depois desmaiou.

Voz de Reginaldo Leme Comentador da Globo

Foi o seu momento mais her�ico.

Por causa do tremendo esfor�o f�sico,

tive espasmos musculares nos ombros e no pesco�o.

E a dor era absurda.

Foi um fim-de-semana inteiro com stress, a press�o era enorme.

E o resultado s� podia ser este.

Acabar a corrida sem sobrar nada.

Qual � o problema?

Os meus ombros, os meus ombros.

S�o s� os meus ombros.

Venha c�, pai, venha c�.

Venha c�.

Mexam com muito cuidado.

N�o me toquem.

Acalme-se, Ayrton.

N�o me toquem.

Precisa de ajuda?

Tragam-me a bandeira.

Hoje lutei tanto.

Tenho que conseguir, tenho de terminar em primeiro,

porque Ele � maior do que todos

e ele vai dar-me esta corrida.

E foi o que aconteceu.

Deus deu-me esta corrida e eu estou muito feliz.

A emo��o foi muito grande.

Todo o Brasil celebra a sua vit�ria, Senna. Est� de parab�ns.

Obrigado, Brasil, obrigado f�s.

O calor humano foi tanto este fim-de-semana

que t�nhamos de ganhar desta vez.

N�o podia ser de outra forma.

Conseguimos.

Casa da fam�lia Senna S�o Paulo

A vida no Brasil �s vezes � muito dif�cil. Temos...

O Brasil tem todos os extremos. Temos uma natureza fant�stica.

Podemos ter todos os bens materiais que o dinheiro pode comprar.

Mas, ao mesmo tempo, temos uma s�rie de problemas.

Problemas sociais e pobreza. E, consequentemente, alguma viol�ncia.

Eu tento ajudar

um pouco. Sobretudo as crian�as.

Como o Ayrton tinha uma projec��o muito grande no Brasil,

Voz de Viviane Senna Irm� de Ayrton

muitas pessoas pediam-lhe ajuda,

pedidos pessoais, �s vezes um hospital,

v�rias institui��es pediam ajuda.

O Ayrton doava, e as doa��es eram sempre muito pontuais.

Mas ele queria fazer doa��es de forma mais organizada.

Queria desenvolver algo bem organizado

para ajudar o Brasil, sobretudo as crian�as.

Em '91, Ayrton estava em grande forma.

Voz de John Bisignano Comentador da ESPN

Julgo que foi o ano mais forte dele.

Ganhou sete corridas, sempre em primeiro na grelha de partida.

A intensidade era sempre muito alta.

Mas parecia haver sempre mais sabedoria,

mais crescimento.

Grande Pr�mio do M�xico 14 de Junho de 1991

Mas, ent�o, o carro pregou-lhe um grande susto.

Ayrton pensou pela primeira vez que podia ferir-se num carro de F�rmula 1.

Um exame neurol�gico

Prof. Sid Watkins M�dico da F�rmula 1

para verificar o t�rax e a press�o arterial, o abd�men

e os membros.

-Como o achou? -Ele est� bem. Est� bom.

-N�o h� preocupa��es? -N�o, de todo. N�o.

Voz do Prof. Sid Watkins M�dico da F�rmula 1

� a rela��o pessoal mais profunda que alguma vez tive com um piloto.

Sempre que chegava ao circuito e encontrava o Senna,

ele estava sempre a ser entrevistado ou rodeado de pessoas.

E, quando me via, o rosto dele iluminava-se com um belo sorriso.

Porque ele era maravilhosamente humilde,

o que n�o � vulgar entre os pilotos de competi��o.

-Muito bem. -Muito prazer.

Tem cuidado.

Ainda tens muito que fazer.

Sim, mais umas quantas.

Perguntas? Sim.

Grande Pr�mio da Alemanha 28 de Julho de 1991

Fal�mos acerca das chicanas e das barreiras

que l� havia, com os pneus.

Se batemos nesses pneus,

� muito prov�vel que os pneus nos atirem ao ar

e que acabemos por capotar.

Foi o que me aconteceu no M�xico,

e isso pode acontecer aqui a outras pessoas.

Concordo que, de momento

a situa��o n�o � a ideal.

Roland Bruynseraede Director de Corrida

O Presidente falou ontem com o Sr. Moll.

N�o, n�o, esque�a o Sr. Moll.

E ele...

Esque�a.

Certo, o Presidente da FISA...

N�o, esque�a o Presidente.

Agora responda � pergunta do Sr. Senna.

Acerca do que fizemos hoje pela corrida.

Pela corrida podemos fazer tudo.

Acho que � melhor n�o ter l� aqueles pneus.

Ontem perdi o ponto de travagem na primeira chicana.

Deixe-me s� acabar, deixe-me terminar.

Quando eu segui em frente estava bloqueada, a pista.

Eu n�o podia voltar para tr�s.

Se retirarmos os pneus temos de colocar os cones.

Sim, assim est� bem. E assim, a �rea de sa�da...

Sim.

N�o, deve recome�ar do mesmo s�tio.

Porque devemos respeitar a dist�ncia da corrida.

N�o se consegue voltar.

Lamento, � o que diz o regulamento. � o regulamento.

Est� escrito no regulamento, recebemos ontem a carta.

P�gina tr�s.

Aqui est�, nos �ltimos dois par�grafos dessa p�gina.

Uma grande penaliza��o para v�s.

Jean-Marie, � a mesma coisa.

N�o h� problema, Ayrton, n�o h� problema.

Seja qual for a decis�o, � a decis�o correcta, Jean-Marie.

Tem de compreender.

A melhor decis�o � a minha decis�o.

Tenho um pressentimento quanto a isso.

N�o, porque n�o sabe qual � a minha decis�o.

A minha decis�o � sempre a melhor.

A minha decis�o �...

Vota��o democr�tica, apenas para os pilotos.

Votam erguendo as m�os.

Quem � a favor de substituirmos os pneus pelos cones?

As vossas m�os.

Parem.

Contra?

Absten��es? Todos concordam, certo?

Ao trabalho, imediatamente. V�o substituir os pneus pelos cones, certo?

3 horas mais tarde

Alain, o que aconteceu, porque foi contra aquela chicana?

Tentei ultrapassar o Senna. Foi...

Ele bloqueou-me durante toda a corrida, n�o foi muito correcto.

Acho que j� todos conhecem o Prost.

Ele est� sempre a queixar-se, acerca do carro, ou acerca dos pneus,

ou da equipa, ou dos mec�nicos, ou da gasolina, ou dos outros pilotos.

A culpa � sempre dos outros. Ele nunca tem culpa de nada.

Sim, n�o h� problema,

mas eu n�o tenho nada a perder. N�o posso ganhar o Campeonato,

mas se ele me fizer o mesmo, se ele for incorrecto, eu atiro-o para fora.

Prost foi despedido da Ferrari por ter criticado o carro.

Voz de Richard Williams Editor de Desporto, The Guardian

A �nica coisa que ele podia fazer era tirar um ano de folga,

e dizer a todos que estava de licen�a sab�tica.

GRANDE PR�MIO DO JAP�O 19 DE OUTUBRO DE 1991

Se eu terminar em segundo lugar, o Campeonato acaba.

Se o Mansell n�o ganhar,

ent�o, o mais certo � que o Campeonato acabe � mesma.

Volta 9 de 53

Mansell tenta ultrapassar, mas segue sempre em frente!

Mansell segue a direito!

O Campeonato do Mundo est� terminado, porque ele n�o consegue voltar � pista.

AYRTON SENNA TRICAMPE�O DO MUNDO

Ayrton Senna do Brasil, Tricampe�o do Mundo!

Uma vida inteira dedicada a este momento

por um g�nio do desporto internacional.

Tricampe�o do Mundo, e com muitos t�tulos pela frente.

E ainda s� tem 31 anos.

Trinta e tr�s vit�rias, tr�s Campeonatos do Mundo.

A bater recorde atr�s de recorde. A celebrar como s� Senna sabe.

O terceiro t�tulo de Ayrton Senna coloca-o entre os melhores de sempre.

Este � um presente muito especial para mim.

E agrade�o-o do fundo do cora��o.

S�o Paulo, Brasil 5 de Novembro de 1991

Beijei a m�o esquerda do Senna, Tricampe�o!

Quero o Senna. Quero abra��-lo e beij�-lo.

Tenho uma caixa cheia de recortes e fotografias.

Tudo o que se possa imaginar.

Ele � a �nica coisa boa no Brasil.

Depois do terceiro Campeonato do Mundo vi um outro Senna.

Estava muito satisfeito, muito confiante. Conhecia a modalidade como nunca.

Encarava-a realisticamente, para o bem e para o mal,

e ainda gostava dela como qualquer piloto ainda sem qualquer vit�ria.

Acho que � uma festa incr�vel,

onde vale tudo. O que importa � a felicidade.

Hoje falou de F�rmula 1?

A F�rmula 1 � uma seca, hoje � Carnaval.

Alguma das suas namoradas lhe disse: "Acelera, Ayrton"?

Sim.

Para o Ayrton, ser Tricampe�o do Mundo

era apenas estar a cumprir um gui�o que tra�ou para si pr�prio

desde que entrou na F�rmula 1,

porque ele sabia que era capaz disso e de muito mais.

Ele j� era o grande �dolo do desporto brasileiro,

e agora tornou-se o grande �dolo do desporto mundial.

Sinto um grande desejo de melhorar.

Melhorar. Isso faz-me feliz.

E sempre que sinto que estou a atrasar o meu processo de aprendizagem,

que estou a aprender pouco, ou algo assim,

isso n�o me deixa nada feliz.

N�o apenas como profissional, como piloto de corridas, mas como homem.

Claro que

terei muito mais a aprender como homem do que como piloto de corridas,

porque a minha carreira n�o pode durar muitos mais anos.

Mas espero que a minha vida ainda dure muito tempo.

Talvez neste momento esteja a meio da minha vida,

por isso, ainda h� muita coisa pela frente, muito para aprender e para fazer na vida.

E a felicidade chegar� quando eu me sentir completamente preenchido,

e n�o me sinto de todo assim actualmente.

Mas tenho bastante tempo para alcan�ar esse estado.

Durante a temporada seguinte, o n�vel competitivo foi distorcido

pelo que se passava a n�vel t�cnico com o carro da Williams.

O carro equilibrava-se a si pr�prio. As curvas eram controladas por computador.

O piloto apenas tinha de p�r o p� no acelerador e ir o mais depressa poss�vel,

portanto, um carro sem aquilo estava em grande desvantagem.

A McLaren ainda est� muito longe dos progressos da Williams-Renault,

como tal, o Tricampe�o do Mundo, Ayrton Senna,

tem poucas hip�teses de revalidar o t�tulo.

Quando se entra nesta esp�cie

de guerra tecnol�gica,

podemos dar por n�s completamente encravados.

As inova��es electr�nicas levam a que,

independentemente de quem se ponha no carro,

NIGEL MANSELL CAMPE�O DO MUNDO 1992

a tecnologia � que faz o trabalho, n�o o piloto.

E eu n�o acho que seja isso o que se quer

quando se deseja um aut�ntico Campeonato Mundial

de Condutores.

As negocia��es arrastam-se,

e ainda n�o sabemos quem ser� o colega de equipa de Alain Prost.

O Tricampe�o do Mundo

assinou um contrato de dois anos com a Williams.

E come�ar� a testar o carro esta semana.

A �nica coisa que pedi neste contrato

foi que n�o queria ser colega de equipa do Ayrton.

Voz de Alain Prost

Teve de ficar claro.

E eles aceitaram isso muito rapidamente.

E disseram: "N�o, n�o � essa a nossa inten��o."

Foi a �nica coisa que pedi no contrato.

Porque queria ser Campe�o do Mundo.

N�o queria perder a oportunidade.

N�o � segredo que eu me tenho

esfor�ado muito para chegar a um...

Um acordo qualquer com a Williams.

A situa��o � muito complexa.

N�o �...

N�o � agrad�vel. E tamb�m n�o est� clara.

Tenha a certeza de uma coisa.

No caso de uma eventual paragem minha durante um ano, mais de um ano,

quem mais tem a perder sou eu.

Porque eu estou no pico da minha carreira,

e a carreira de um piloto de F�rmula 1 � limitada.

Por isso, ningu�m tem mais a perder do que eu se eu parar,

em termos desportivos e pessoais.

Em 1993, a condu��o de Ayrton era simplesmente genial.

Para mim, foi a melhor temporada.

Grande Pr�mio do Brasil

Grande Pr�mio da Europa

Ele fez algumas das suas melhores exibi��es ao volante.

Grande Pr�mio do M�naco

Apesar de ter passado o tempo quase todo a olhar para a traseira de um Williams,

que era muito mais r�pido que o seu.

O piloto franc�s Alain Prost

venceu o Campeonato Mundial de Condutores de F�rmula 1 pela 4� vez...

Prost ganhou o Campeonato e retirou-se convenientemente,

saindo assim do caminho.

Parece um pouco o seu adeus � McLaren.

Foi a sua �ltima temporada pela McLaren?

Julgo que sim. Julgo que ser� a minha �ltima temporada.

GRANDE PR�MIO DA AUSTR�LIA �LTIMA CORRIDA DA TEMPORADA DE '93

Vamos tentar fazer isto da melhor forma para ambos.

Claro.

Certo, vamos esquecer o que aconteceu.

Com certeza.

�ptimo.

Mesmo que n�o dissesses nada, era essa a minha ideia.

Sim, est� bem.

Mesmo que n�o falasse contigo, se n�o diss�ssemos nada,

eu n�o mudaria... Faria apenas exactamente o que sempre tentei fazer.

Voz de Mark Fogarty Jornalista de F1

Ayrton, que lhe disse Ron Dennis logo que saiu do carro?

Nunca � demasiado tarde para mudarmos de ideias.

Mas, seja como for, ele disse que estava feliz por mim, e...

� engra�ado, mas tamb�m foi isso que ele me disse.

O Ron � assim.

Eu disse que dev�amos conservar os bons tempos, os bons momentos,

e terminar assim, terminar com boas recorda��es.

Foi a �ltima corrida de Senna pela McLaren,

a �ltima corrida de Prost pela Williams.

E, embora ningu�m soubesse na altura,

era a �ltima vez que ambos estariam no p�dio.

AYRTON SENNA VENCEDOR G. P. AUSTR�LIA

Senhoras e senhores, o piloto brasileiro Ayrton Senna.

An�ncio dos Pilotos da Williams

Ayrton � provavelmente o melhor piloto dispon�vel, o melhor da actualidade.

A equipa est� orientada para o sucesso,

todos os nossos associados, investidores e patrocinadores esperam isso de n�s,

e, como tal, esse � o melhor equipamento, chamemos-lhe assim,

que podemos colocar na m�quina para ir ao encontro das nossas expectativas.

A Federa��o Internacional de Automobilismo

baniu alguns dos controversos dispositivos computorizados

que ajudam os pilotos nas corridas de F�rmula 1.

A proibi��o destina-se a travar o dom�nio das equipas mais ricas,

como a Williams-Renault, a Campe� do Mundo.

Ayrton Senna est� numa corrida contra o tempo.

Precisa de se integrar na equipa e de se adaptar ao carro.

Diz que n�o se sente � vontade em pouco espa�o.

Este carro n�o tem

os componentes electr�nicos utilizados no ano passado.

N�o tem controlo de trac��o,

trav�es especiais nem suspens�o electr�nica.

Como eu j� disse antes, estes carros s�o um pouco mais inst�veis

sem a suspens�o electr�nica.

Consequentemente, s�o mais dif�ceis de pilotar,

e vamos ter mais carros a derrapar e a sair da pista.

Mais carros a derrapar significa mais emo��o para o p�blico.

Para n�s, tudo bem, desde que n�o aconte�a nada ao piloto,

se acontecer alguma coisa n�o � muito agrad�vel.

Senna em segundo lugar.

Grande Pr�mio do Brasil 27 de Mar�o de 1994

Quase 8 segundos separam os dois.

Volta 56 de 71

Claro que n�o estamos contentes com a forma

Patrick Head Engenheiro-chefe da Williams

como o carro est� neste momento.

N�o � muito f�cil de manusear.

Grande Pr�mio do Pac�fico 17 de Abril de 1994

Os carros n�o deveriam possuir nenhuma das ajudas electr�nicas

com que estavam equipados no ano passado.

Mas Senna ficou convencido

de que o Benetton pilotado por Michael Schumacher,

Michael SCHUMACHER 6 BENETTON FORD - VENCEDOR

que tinha ganho as duas primeiras corridas da temporada, mantinha algumas,

Flavio Briatore Chefe de Equipa da Benetton

sobretudo o controlo de trac��o, o mecanismo que elimina a derrapagem.

N�o se conformava por estar a ser suplantado pela Benetton.

Queria que protest�ssemos,

Voz de Frank Williams Chefe de Equipa, Williams

mas n�s n�o o fizemos.

GP DE S�O MARINO, IMOLA ABRIL DE 1994

Estamos a come�ar do zero, portanto, o nosso campeonato come�a aqui.

N�o estamos numa posi��o confort�vel, mas � a realidade.

J� ganhou aqui tr�s vezes. Precisa mesmo de ganhar a quarta.

Adoraria.

SEXTA-FEIRA 29 de Abril de 1994

Nunca senti o Senna t�o tenso como naquele fim-de-semana.

Voz de Reginaldo Leme Comentador da Globo

Nunca o vi sorrir.

Estava sempre muito compenetrado, aborrecido,

at� entristecido.

� a estabilidade.

Mudar a estabilidade.

O carro � pior.

No geral, uma adere mais do que a outra

ou est� a mudar demasiado?

Houve um pouco de sub-viragem.

Um pouco de sub-viragem na primeira volta,

e depois, na segunda volta, a estabilidade alterna mesmo.

Sobre-viragem e sub-viragem?

Sim.

A meio de uma curva,

separa-se � entrada,

quando devia separar-se, separa-se ainda mais.

J� conhece o Ayrton ou quer que o apresente?

4 anos antes

N�o, j� o conhe�o.

Conhece-o de nome ou j� se tinham encontrado?

Conhe�o-o porque sigo a F�rmula 1,

por isso, j� me tinha encontrado com ele.

Porque est� t�o nervoso?

Porque, quando estamos perto de algu�m como ele,

ficamos sempre nervosos.

Bem, boa sorte para o campe�o e para o futuro campe�o.

RUBENS BARRICHELLO QUALIFICA��O

Bolas.

REPETI��O

Viu o Rubens?

Ele est� bem. Est� em estado de choque, claro, mas est� bem.

Falou com ele?

Sim, sim.

Tenha cuidado consigo, Rubens.

S�BADO 30 DE ABRIL DE 1994

Ayrton ainda estava pouco � vontade com a nova rela��o,

Voz de John Bisignano Comentador da ESPN

e ainda estava pouco � vontade com o carro.

Mas lutou e colocou-o no primeiro lugar da grelha de partida.

Bolas.

S� preciso de controlar-me.

Roland Ratzenberger Piloto da Simtek

Estou a fazer coisas com o carro que ningu�m...

Andaste a exibir-te um pouco?

Trezentos e vinte?

Senhoras e senhores, o organizador do Grande Pr�mio de S�o Marino

Centro de Imprensa de Imola

recebeu um relat�rio do Hospital Maggiore em Bolonha

que diz que o piloto do carro n�mero 32, Roland Ratzenberger, da MTV Simtek Ford,

sucumbiu a ferimentos provocados pelo acidente

que ocorreu no circuito de Imola

durante os treinos de qualifica��o de s�bado, 30 de Abril.

Foi a primeira vez que nos confront�mos com a morte de um piloto na nossa gera��o.

Voz de Pierre Van Vliet Comentador da TF1

O ambiente estava muito pesado naquela tarde.

Todos estavam a pensar: "Que estamos n�s aqui a fazer?"

Ou: "Para que serve isto?"

Voz do Prof. Sid Watkins M�dico da F1

O Ayrton ficou muit�ssimo perturbado e chorou um pouco.

E foi nesse momento que eu lhe disse:

"Sabes, Ayrton, foste Campe�o do Mundo por tr�s vezes.

"�s o homem mais r�pido do mundo."

E ele gostava de pescar, por isso, eu disse: "Porque n�o desistes

"e eu tamb�m desisto e vamos simplesmente � pesca?"

E ele respondeu: "Sid, eu n�o posso desistir."

EXPRESSAMENTE PROIBIDA A ENTRADA

Voz de Reginaldo Leme Comentador da Globo

No s�bado, ao jantar, Frank Williams tinha d�vidas

se Senna ia estar na grelha de partida.

Eu tinha a certeza de que ele n�o queria participar na corrida.

DOMINGO 1 DE MAIO DE 1994

Nessa manh�, quando ele acordou,

Voz de Viviane Senna Irm� de Ayrton

pediu a Deus para falar com ele.

Abriu a B�blia

e leu uma passagem que dizia

que Deus ia dar-lhe a maior de todas as d�divas.

Que era o pr�prio Deus.

Um choque.

Todos passam, por um lado e pelo outro.

REPETI��O

Lamy aparece a toda a velocidade.

E ali est� Lehto.

Um choque terr�vel. Lamy e Lehto t�m muita sorte.

O carro de seguran�a vai para a pista.

CARRO DE SEGURAN�A

As luzes do carro de seguran�a est�o desligadas,

o que significa que o carro de seguran�a vai para as boxes.

Senna vai � frente.

Schumacher � o segundo.

E Michael Schumacher tenta pressionar Senna na sexta volta.

C�mara a bordo Ayrton Senna

Volta 6 de 58

Senna embate violentamente

na curva Tamburello.

Um embate muito forte.

Tir�mo-lo do habit�culo,

tir�mos-lhe o capacete e ventil�mo-lo.

Voz do Prof. Sid Watkins M�dico da F1

E eu vi, pelos sinais neurol�gicos dele,

que o ferimento na cabe�a seria fatal.

Ent�o, ele suspirou, e o corpo relaxou.

E foi nesse momento... E eu n�o sou religioso...

Que pensei que o esp�rito dele tinha partido.

Mesmo � velocidade de competi��o, a curva Tamburello n�o � uma curva

onde se cometa um erro.

De certeza que o carro teve algum problema.

Talvez a direc��o assistida tenha falhado.

Talvez tenham sido as temperaturas dos pneus

a fazer com que o carro deslizasse para fora da estrada.

Vai ser sempre um mist�rio.

Houve uma causa? Houve.

Na minha opini�o, houve uma falha na coluna de direc��o

e o carro ficou fora de controlo.

Mas, acima de tudo, foi uma fatalidade,

porque o carro bateu no �ngulo exacto para fazer com que um eixo da suspens�o

atingisse o capacete.

A sorte do Ayrton acabou.

N�o tinha um �nico osso partido. N�o tinha quaisquer escoria��es.

Se aquela pe�a do carro

tivesse saltado 15 cent�metros mais para cima ou mais para baixo

ele teria conseguido ir para as boxes pelo seu p�.

Bolonha, It�lia

S�o Paulo, Brasil 4 de Maio de 1994

Ele era um �dolo para mim. Representava o melhor do Brasil.

Um beijo, Senna.

Nunca mais te esquecerei.

O povo brasileiro precisa de comida, educa��o, sa�de

e de um pouco de alegria.

E a alegria desapareceu.

Nada me pode separar do amor de Deus.

Quem � ou foi

o piloto que gosta mais de defrontar...

No passado ou no presente?

Teria de recuar

at� '78 e '79

e 1980, quando pilotava karts.

Vim para a Europa pela primeira vez para competir fora do Brasil

como colega de equipa de Fullerton.

Chamava-se Fullerton. Era muito experiente.

Gostava muito de pilotar com ele

porque ele era r�pido, era consistente.

Para mim, ele era um piloto muito completo.

Era pura condu��o. Corrida pura.

N�o havia pol�tica envolvida, percebem?

E tamb�m n�o havia dinheiro envolvido.

Por isso, eram corridas aut�nticas.

Recordo com prazer esses tempos.

Ayrton Senna morreu aos 34 anos.

Depois da sua morte,

a FIA encarregou o amigo de Ayrton, o Prof. Sid Watkins,

de melhorar a seguran�a na F�rmula 1.

N�o voltou a haver qualquer acidente mortal na F�rmula 1 desde ent�o.

O Instituto Ayrton Senna, criado pela sua irm� Viviane em 1995,

ajudou a educar mais de 12 milh�es de crian�as brasileiras pobres.

Alain Prost � um dos administradores.

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