All language subtitles for The.Good.Lord.Bird.S01E05.The.Good.Lord.Bird.Hiving.the.Bees.1080p.AMZN.WEB-DL.DDP5.1.H.264-NTb

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Original subtitles

TUDO ISTO � VERDADE A MAIOR PARTE ACONTECEU

� um cl�ssico.

Olhe para aqui. Endireite-se.

Quero ser o americano mais fotografado deste s�culo.

Querem saber porqu�?

Fotografias de indiv�duos ser�o os grandes equalizadores de cultura.

No Norte, v�o expor a dignidade dos mais pobres.

Olhe para aqui.

Olhe para ali.

No Sul, h� pessoas, lugares e institui��es

que preferem ficar por descobrir, por revelar, por concretizar.

Isto ir� ilustrar a humanidade dos negros

e a desumanidade da escravatura.

Nunca sorrio nas minhas fotos.

Recuso-me a dar cr�dito � figura idealizada do negro sulista feliz.

Eu n�o estou feliz.

Visto-me bem, para posar para as minhas fotografias

e retratar a minha raiva majestosa, como alguns j� lhe chamaram.

Honestamente, estou apaixonado pelo dispositivo.

E o dispositivo apaixonou-se por mim.

HARPERS FERRY VIRGINIA

- Ena. - O Velho recebera um bom donativo

para a causa da negra mais rica da Am�rica.

Elizabeth A. Gloucester e mandou-me a mim e ao Cook para Harpers Ferry

para reunir as abelhas.

Alto!

Mas que linda vis�o esta.

- O que fazes? - Executo a nossa miss�o, senhorita.

O Cook era um patife de boas fei��es, mas um fala-barato.

- Bom dia. - O Owen temia que revelasse o plano.

- Que fazes? - O Velho achava

que n�o podia interferir no plano divino. Disse: "Ningu�m

acredita num fanfarr�o como ele."

Eu c� n�o tinha tanta certeza disso.

A outra metade da cria��o divina parecia escut�-lo

como � Verdade do Evangelho.

Desce, Onion, para aqui a bela da Mary poder montar.

Conhece um lugar ao fundo da estrada para arrendar.

Des�o? Ela n�o pode ir a p�?

Deixas que a escrava te fale assim? Devia levar.

Por vezes, esquece-se do lugar dela por eu ser t�o bom amo.

- Pois �. - Pois.

A Mary ofereceu-se para negociar com a vi�va Kennedy, a dona da quinta.

Ela � uma m�o de vaca, mas talvez te consiga uma boa renda.

Muito perto da estrada n�o. O Velho disse...

O pre�o que conseguires negociar est� �timo.

Levanta esse cu preto da�. Ou arranco-te o bra�o e dou-te com ele.

- Com a tua permiss�o, claro. - Claro.

- O Velho n�o vai gostar disto. - O Velho n�o te deu um trabalho?

Vai chamar os negros � luta.

Mary, aqui a minha escrava,

procura negros com quem passar tempo.

H� negros por tudo quanto � s�tio. Basta atirar uma pedra e acerta num.

Como disse, estou numa miss�o muito importante.

E aqui a Onion precisa de pessoas de reunir algumas pessoas de cor.

N�o � assim, Onion?

Bom... H� alguns negros livres cheios de mania, a vaguear pela cidade,

mas n�o valem um chavo

e h� a planta��o do Coronel Lewis Washington, para aquelas bandas.

Est�s � espera de qu�? Upa!

O COCHEIRO

- Bom dia. - Bom dia.

O que faz aqui um rapaz escanzelado vestido de rapariga?

Ando � procura de amigos.

E que queres? Volta para de onde vieste.

S� queria perceber os meandros do s�tio.

� aquilo que v�s.

Por acaso n�o conhece quem queira aprender as letras?

- Negros n�o precisam de saber ler. - Alguns sim.

N�o sei nada sobre isso.

O que fazes? Perguntei o que fazes aqui?

Diz ao que vens. Ainda te metes em sarilhos

por estares na propriedade sem permiss�o.

- Eu... perdi-me. - Certo.

Qual � a palavra?

- A palavra? - Que cantas?

S� conhe�o m�sicas Dixie como...

Velho Calloway Volta para casa...

Qual � o teu problema?

- Fugiste ou n�o? - N�o, n�o propriamente.

Isso s�o duas respostas. Qual delas �?

- Bem... - Vieste no comboio do Senhor?

Vim para c� de carro�a.

N�o � esse comboio, crian�a. A rota clandestina.

Viemos c� para reunir as abelhas.

- Reunir o qu�? - As abelhas.

Vim avisar-vos. Vai acontecer algo no ferry.

Porque te vestes como um maricas? �s muito estranho, crian�a.

Se dissesse que vem a� algo grande, estaria disposto a unir o enxame?

A reunir as pessoas de cor.

A falar assim, n�o vais longe.

Se fosse teu pai, levavas uma co�a.

Em vez disso, est�s aqui.

- �s da causa ou n�o? - Estou com o John Brown.

O John Brown morreu no Kansas.

Leram a not�cia na igreja.

- Levou um tiro no rio. - N�o est� morto.

O John Brown est� vivo e veio libertar os escravos todos.

- �s um mentiroso. - N�o estou a mentir. Posso prov�-lo.

Como disse �quela senhora, eu conhe�o as letras.

Posso ler uma carta do John Brown.

Aquela a quem te gabaste de saber ler?

� minha mulher e n�o faz parte disto.

Falas com as pessoas erradas. A dizer que o John Brown vem a�, mentiroso.

- Juro por Deus que vem. - Qual � o teu problema?

Olha que Deus est� a ouvir.

Vais meter os negros todos em apuros a falar assim.

Cuidado com o que dizes. Sai da propriedade do Coronel Washington.

Fora daqui!

Desculpe.

Quando chega um tolo novo � pris�o, a not�cia sabe-se depressa.

Desculpe, senhor.

E o que se dizia sobre mim n�o era nada de bom.

Vai-te embora daqui, malandro. N�o tenho nada a ver convosco.

V�o matar-nos a todos.

L� isto.

"Caro Rufus,

d� ao meu cocheiro Jim quatro conchas e duas colheres da tua loja.

V� se ele n�o come mais bolachas das tuas.

J� est� gordo que chegue. Assinado: Lewis Washington."

Raios...

Aquele sacana com cara de elefante.

Nunca trabalhou na vida e d�-me restos para comer.

O que esperava ele?

N�o mentias sobre isto.

Se aquilo que dizes do Brown � verdade,

porque mandou ele um maricas?

Pergunta-lhe tu.

Vais ouvir das boas do John Brown por me acusares de mentir.

Ou mentias ou n�o.

� dif�cil saber.

Como � que ele trar� armas e soldados

para lutar pela liberdade?

� corajoso e de burro n�o tem nada.

Seria meter a cabe�a na boca do le�o.

Diz que para matar um le�o, � preciso cortar-lhe a cabe�a, n�o a cauda.

SRA. HUFFMASTER

Vim ver o teu amo. N�o me convidas a entrar?

O amo est� a dormir. N�o gosta de ser incomodado.

Ando � procura de uma pessoa. A Sra. Mary. Viste-a por a�?

N�o conhe�o ningu�m com esse nome.

Mentes com os dentes todos da boca.

Ouvi dizer que passou a semana nesta casa com o teu amo.

Por isso vou repetir: conheces a mulher do meu irm�o, Mary Huffmaster?

N�o, senhora. Mas direi ao Sr. Cook que passou c�.

Ouve!

Vivo do outro lado da estrada, e vejo o teu alpendre do meu

e sei que �s mentirosa.

Cook! Estamos em apuros com vizinhos. Tens de fazer a tua parte!

Eu ouvi-te, Onion. J� n�o demoro muito.

Mary!

Primeira regra: se n�o tens dinheiro, n�o apostes. Por sorte, n�s podemos.

Outra regra: se jogares com um estranho, atento ao baralhar.

V� como o faz.

� onde a batota come�a.

Tira o dinheiro da caixa, jogo divertido.

Puxa sete.

Vira.

Um negro na esta��o perguntou por ti, hoje.

- Por mim? - Sim.

- Porqu�? - Disse que era comigo,

mas � a ti que ele quer.

- Podes traz�-lo aqui? - N�o.

O Maquinista n�o vem aqui. � perigoso.

As pessoas de cor daqui s�o claramente... desconfiadas.

Vens comigo?

N�o, ele disse para ires sozinho.

O MAQUINISTA

Demora uma hora a fazer vapor, talvez duas. � o tempo que tenho.

- � o Maquinista? - N�o importa quem sou, mas quem �s.

Sou um mensageiro.

Jesus tamb�m era, mas n�o andava por a� de saia e cuecas de folhos.

S� tem de saber que fui enviado por John Brown para reunir abelhas.

Vieste � cidade errada.

S� h� 1200 pessoas de cor aqui, muitos s�o mulheres e crian�as.

O resto? � merda.

Porque n�o foi o Velho John Brown para este de Baltimore? Washington?

At� para Maryland. Os negros de l� leem o jornal.

T�m barcos, armas. S�o marinheiros. S�o pessoas que movem pessoas.

Era ouro sobre azul. Mas isto aqui?

Estamos em minoria, rodeados por brancos de todos os lados.

Em todos os condados.

H� armas aqui, � por isso que ele vem.

Quer as armas da armaria para dar aos negros. � um ataque surpresa.

Por favor. N�o � surpresa nenhuma.

N�o gostei da ideia desde que ouvi falar nela.

Os negros daqui n�o distinguem uma espingarda de uma couve.

- Eles l� as sabem usar. - Onde ouviu falar nisso?

A General. Foi por isso que vim.

- A General vem? - Espero que n�o.

Rebentavam-lhe com a cabe�a. E ao teu capit�o igual.

Rezo por ele todas as noites.

Vai para casa aos bocados juntamente com os negros

que forem est�pidos o suficiente para o seguirem.

Tenho mulher e tr�s filhos escravizados. Pois �.

S� poupei suficiente para salvar um.

Uma decis�o que nenhum homem devia ter de fazer.

A General diz que isto os salvar� a todos.

Livres. Ilesos.

Quantos homens tem ele?

Na �ltima contagem, cerca de 16.

Isso n�o d� para nada.

D�-me o resto do plano.

O ataque ser� em quatro semanas. V�o imobilizar o guarda noturno.

E � a� que o senhor entra.

Precisamos que re�na escravos para a luta.

Onde espera ele que eu os v� buscar? A �frica?

Voc� � um figur�o da rota, n�o �?

Levar um ou dois para Filad�lfia � uma coisa.

Tirar 200 de Baltimore ou DC � outra.

Ent�o, que digo ao Velho?

Diz-lhe o seguinte...

H� centenas de negros em Baltimore e DC

desejosos de lutar contra a escravatura.

S� t�m de ser convencidos rapidamente e sei como faz�-lo.

Uns rapazes em Baltimore fazem apostas.

Negros escravizados e livres apostam, eu pr�prio jogo.

Se o Velho falar com o tipo dos n�meros,

a palavra vai espalhar-se mais depressa que fogo.

Se ganharem dinheiro com isso. � s� isso que lhes importa.

- De quanto dinheiro est� a falar? - Quinhentos deve chegar.

Quinhentos d�lares?

Diz isso ao Velho.

Deixa-o decidir.

Vou procurar carro�as e cavalos.

Volto para saber resposta, quando passar por c�.

Espere.

Quatrocentos, quinhentos...

Aqui tem a resposta do Velho.

- Larga-me! - Tens de ir, agora!

O meu marido voltou?

O que se passa? Onion.

"Dou-vos a minha paz.

N�o vo-la dou como o mundo a d�.

N�o se perturbe o vosso cora��o, nem se atemorize."

Jo�o 14.

Tornaste-te numa bela jovem.

Presumo que tenhas falado pouco acerca dos nossos assuntos.

Estive calado que nem um rato.

N�o foi este o alojamento que pedi.

Fica longe do ferry e muito perto da estrada.

N�o havia muito para arrendar, Capit�o.

Serve.

O ex�rcito vem a�.

Diz-lhes que cheg�mos! Passem para a frente.

Anda.

Gra�as a Deus, sa� desse caix�o.

Ia perdendo o ju�zo, ali dentro.

N�o foi pera doce levar com o teu cheiro 30 km.

� melhor levar isso.

Entra, bebe �gua. Est� bem?

Pareces diferente.

- Como assim? - Mais feio.

Mais velho. � dif�cil dizer com esse vestido.

Come�a pelos lados!

Deves ser a Onion.

O meu pai falou-me tanto em ti. � um prazer conhecer-te.

Muito bem, anda.

- Conheceram-se? - Sim, pai.

Sil�ncio, rapazes.

Ou�am!

Eis as regras: escondemo-nos no andar de cima durante o dia,

trabalhamos � noite. Fiquem longe do jardim.

Temos vizinhos abelhudos.

Se baterem � porta, s� eu ou outro Brown abrimos.

Se precisarem de mandar um berro, fa�am-no durante alguma trovoada.

Muito bem, andor! Tragam as vossas coisas, ficamos l� em cima.

L� para cima cima, vamos! V� l�!

- Tenho de me sentar um bocadinho. - Descansa, Martha.

Bom. Onion, ajuda-me a esticar os mapas. P�e-nos ali na mesa.

Pelos vistos, o Sr. Cook achou necess�rio

conhecer os vizinhos de forma mais �ntima.

Achas que teve tento na l�ngua?

- Mais ou menos, n�o demais. - N�o importa.

Em breve, o ex�rcito ir� reunir-se, o dia chegar� e vamos � luta.

D�-me o relat�rio completo, como vai o enxame?

Vai bem, Capit�o.

Dei o dinheiro que nos deu ao Maquinista.

Gra�as a Deus!

Unir os negros � o mais importante da estrat�gia.

Vir�o �s centenas. Temos de aprontar-nos.

- Bom dia, pap�. - Ol�.

A Annie vai voltar a ensinar-te.

Vai ensinar-te os grandes livros, bem como a B�blia.

Achei que n�o existiam livros maiores que a B�blia.

Ouviste? Os anjos cantam teus louvores, Onion.

H� Emerson, Thoreau. Shakespeare. Trouxe uma cole��o.

Maravilhoso.

A Annie tamb�m te vai ensinar higiene feminina,

pois imagino que a tua hora esteja perto.

Se � que j� n�o chegou.

Nunca conheci uma rapariga como a Annie Brown.

A verdade � que, at� �quela altura,

nunca tinha conhecido uma mulher que n�o fosse uma porca,

bebesse e tentasse roubar os �ltimos c�ntimos de um homem.

A Annie n�o era nada assim.

N�o, senhor.

J� limp�mos tudo. Vamos relaxar.

Nem tudo.

"Cara, p�s, axilas e partes privadas."

Era o que a minha m�e costumava dizer.

A tua m�e � demais.

- Vou buscar mais �gua. - N�o, a banheira est� cheia.

Annie, vai primeiro.

Tens a certeza, Martha?

- Onion, queres ir primeiro? - N�o.

Anda l�, Onion. Podes ir a seguir.

N�o gosto da �gua muito quente. Faz mal ao beb�.

Perdeste a cabe�a. Esta �gua est� perfeita.

A tua barriga � descida, deve ser menina.

N�o sei, mexe-se tanto que acho que � menino.

Se for, o Salmon vai querer chamar-lhe John.

Mas eu acho que Horace � um nome lindo.

Horace � um rapaz de nariz grande. Gosto de Henry.

Henry � giro. De que outros nomes gostamos?

Onion. Devias despir-te.

N�o preciso de banho.

�s t�mida?

Sim. Sou t�mida.

Aprecio que compreendam, nunca me despi � frente de brancos,

sendo eu de cor.

N�o sejas tonta. Vem aqui e tira essa roupa.

Anda l�. N�o sejas assim. Tira a roupa. N�s lavamos-te bem.

Anda c�! Onion!

Sra. Huffmaster?

Bom dia, n�o esper�vamos visitas t�o cedo.

Deve ser a Sra. Huffmaster. A Onion falou-me de si.

Sou a Annie Morgan e � um prazer conhec�-la.

Vim c� para falar com o Sr. Cook,

mas ele nunca parece estar, s� a negra.

Ele est� em casa agora?

Infelizmente, n�o o tenho visto.

Trabalha para o meu pai, nas minas.

Ouvi dizer que trabalha na taberna de noite, tamb�m � mineiro?

Tem dois empregos. Tempos dif�ceis.

Eu posso entregar-lhe uma mensagem sua, se o vir.

Bom, ele tem andado com a minha cunhada, Mary Huffman.

C�us. Viu-o com ela?

N�o. Ainda n�o os apanhei.

Ouvi rumores e o meu irm�o est� para chegar,

e ele vem c� e d� cabo disto tudo.

N�o imaginam o mau feitio que ele tem.

Rumores s�o obra do dem�nio, Sra. Huffmaster.

Recorde os Prov�rbios.

"As palavras do caluniador s�o petiscos,

descem at� ao �ntimo e apodrecem."

Aqui tem. Por favor.

N�o d� ouvidos aos ditos maliciosos de terceiros.

Tenha um bom dia, Annie.

Olha em frente.

Pass�mos horas a ler a B�blia e os grandes livros.

Passei a gostar das nossas conversas.

Apesar de estar a viver uma mentira, apercebi-me disto:

ningu�m v� o teu verdadeiro tu.

Ningu�m sabe quem �s por dentro.

�s julgado pelo exterior, mulato, de cor, negro, n�o importa.

Para o mundo, n�o passas de um preto.

Mas, ali sentado com a Annie, naquele alpendre,

a conversar e a ver as estrelas,

apercebi-me que o exterior n�o conta tanto quanto se pensa por a�.

Quem � que queres ser?

Quando isto acabar e os negros forem livres, quero eu dizer.

Bom... Eu gosto de m�sica e gosto de cantar,

por isso, talvez compre um violino e cante, at� ao resto dos meus dias.

Minha Henrietta.

Porque � que n�o me disseste que sabias cantar?

Bem, nunca perguntaste.

� verdade.

Podes cantar para mim, agora?

Algo sobre o Senhor?

Bem...

Miguel, rema at� � praia

Aleluia

Miguel, rema at� � praia

Aleluia

O rio Jord�o � gelado e frio

Aleluia

Arrefece o corpo Mas n�o a alma

Aleluia

Essa m�sica � linda.

D�-me arrepios.

Posso dizer-te uma coisa?

O meu sonho � abrir uma escola

e ensinar crian�as pobres,

brancos e negros, a ler e escrever.

Podias abri-la comigo. Ensinavas m�sica.

Podia ajudar com as letras tamb�m.

- Sei-as bem gra�as aos teus irm�os. - Se fosses rapaz, casava-me contigo.

Onion! Anda c�. Tenho de falar contigo.

- O que fazes com a Annie Brown? - Nada.

- A mim parece-me qualquer coisa. - N�o a conheces.

Sei que � branca, � filha do Capit�o

e n�o �s rapariga. Que mais falta?

- Mete-te na tua vida, Bob. - Cuidado, Onion.

O teu bigode est� a despontar.

A Annie n�o gostaria tanto de ti, se soubesse como �s mentiroso.

Annie, ser� que podia responder-me aqui a uma pergunta.

Claro que posso. A s�rio?

- Reza? - Rezo.

Claro que reza. � um anjo.

Tenho uma pergunta, estava curioso...

Chamo-me Henry Shackleford.

Chamo-me Frederick Douglass.

� mais f�cil construir crian�as fortes,

do que emendar homens desarranjados.

- Gosto de v�s, Rosalinda. - E eu de mulher alguma.

Se assim �, por que o amor me censurais?

A quem dizeis: por que me censurais?

Digo-o novamente, gosto de v�s, Rosalinda.

Rogo-vos, vamos parar com isso.

Parece mais o uivar de lobos irlandeses � lua!

Amar-vos-ia, se pudesse.

Casar-me-ia convosco, se casasse com uma mulher. Satisfazer-vos-ia.

Contentar-vos-ei, se isso vos agrada.

Mas digo-o novamente, n�o tenho amor a mulher alguma.

Vou j�!

Sra. Huffmaster.

Lamento, mas n�o esper�vamos visitas.

Quer limonada?

- N�o tenho sede. - Em que posso ajudar?

- O que est� a fazer hoje? - Estou a cozinhar.

E tamb�m lavou roupa. S�o muitas camisas naquela corda.

O meu pai e irm�os t�m muitas,

e mudam-nas uma ou duas vezes por semana, d�o-me que fazer.

- � horr�vel, n�o �? - Se �.

Sobretudo quando o meu marido anda com a mesma camisa tr�s semanas.

O que disse que fazia o seu pai?

� mineiro, alguns empregados dele moram e trabalham aqui, j� sabia.

Ah, sim!

E o Sr. Cook, ele tem jeitinho com raparigas, n�o tem?

Principalmente porque anda com a Mary, a mulher do meu irm�o.

Ele tamb�m trabalha na mina?

Sim, trabalha.

Trabalha de dia no armaz�m,

e ainda fala pelos cotovelos na taberna � noite, no ferry.

N�o sei bem o que faz, mas l� que sabe falar, sabe.

Passa tanto tempo a dar � letra que fica com moscas presas aos dentes.

E esta negra... � escrava ou livre?

� a Henrietta e � como um membro da fam�lia.

Sou escrava, mas n�o h� pessoa mais feliz no mundo que eu.

- N�o te perguntei nada, negra. - Sim.

Mas se �s escrava,

porque � que andas pela ferrovia a ati�ar os negros?

Porque � isso que se diz por a�.

- N�o fiz tal coisa. - Est�s a mentir, negra?

A Henrietta � minha amiga

e n�o me agrada que lhe fale nesse tom desagrad�vel.

Fale com os seus negros como quiser, mas apure a verdade.

O meu marido foi � taberna e ouviu o Sr. Cook dizer que o seu pai

n�o era mineiro nem esclavagista.

� abolicionista.

E que os negrinhos andam a planear algo em grande.

A sua negra diz que t�m escravos. O Sr. Cook diz que n�o. Como �?

As nossas vidas n�o lhe dizem respeito, Sra. Huffmaster.

Fala bem, para algu�m t�o jovem.

Agrade�o que saia do meu alpendre

e depressa antes que eu tenha de a obrigar.

O meu pai vai zangar-se comigo.

- Foste �tima. - Obrigada, Onion.

Temi que me abra�asse outra vez.

Era uma mulher forte, am�vel e corajosa.

Se se encostasse outra vez a mim, sentiria o amor explodir de mim.

E a� saberia que sou um homem.

AQUILO QUE OS C�US ENVIARAM

Muito se disse sobre a reuni�o do Velho e do Sr. Douglass.

Ouvi muitas vers�es.

Mas a verdade, � que s� l� estava eu e uma m�o cheia de homens

quando tudo aconteceu.

- Aqui est�. - O Velho explicou tudo.

O plano, o ataque, as armas,

os negros que se juntariam, o ex�rcito furtivo na montanha,

brancos e negros, juntos e escondidos em passagens t�o estreitas

que federais e mil�cias nunca penetrariam.

E fugimos para as Montanhas Blue Ridge.

Que disse eu que te levasse a pensar que um plano desses funcionaria?

Caminhas para uma armadilha.

Estamos a falar da armaria dos EUA.

Na carta, disseste que era poss�vel.

- Planeei tudo ao pormenor! - Nunca disse tal!

- Escreveste-me... - Disse que devia ser feito.

Mas o que deve ser feito e o que pode ser feito � diferente.

Frederick, temos de unir as abelhas.

Quando souberem que capturaste a maior armaria da na��o,

e d�s espingardas, escravos vir�o reclamar a sua liberdade.

Estamos perante um momento que pode vir a mudar o mundo.

Sim, mas n�o por suic�dio.

Talvez n�o te apete�a.

Bebeste muitos cocktails, comeste muita carne... pombo guisado.

Talvez sejas s� conversa, conversa fiada e camisas de seda.

Ou talvez queira ganhar a guerra e n�o morrer um m�rtir.

N�o.

Como podes fiar-te em algo t�o penoso e fraturante?

Na natureza, a presa

por vezes encontra um lugar para se esconder e retaliar.

Eu encontrei esse lugar. Vamos come�ar a luta em Harpers Ferry.

- N�o, acabar� em Harpers Ferry. - �s um homem respeitado.

�s amado, venerado.

Sim, e tu �s um fan�tico.

- Eu sou realista. - Certo.

O Senhor faz-nos a todos diferentes, para que juntos

alcancemos o imposs�vel. Vem comigo, Frederick.

Defender-te-ei com a minha vida.

Quando atacarmos, as abelhas vir�o, mas n�o vir�o por mim.

Vir�o por amor. Vir�o por ti.

N�o posso faz�-lo.

Nesse caso, vou-me embora.

Boa sorte, velho amigo.

Ent�o... acho que vou com o Velho.

Falas a s�rio?

Sim. Est� na hora de tomar uma posi��o.

O Capit�o levou um golpe duro com a not�cia, pois sabia estar perdido.

Sabia que ia perder a luta pelos negros,

por causa dos negros,

mas f�-lo � mesma, pois confiou na palavra do Senhor.

Capit�o, algo no meu cora��o diz que Deus est� connosco.

�s muito am�vel.

Todos temos desses momentos,

quando o algod�o fica amarelo, quando pragas atacam,

somos abalados at� ao nosso �mago pela desilus�o.

� isso que estou a sentir?

Se fores fundo e tocares nessa desilus�o,

sentir�s Deus a abrir as portas do teu cora��o.

Mesmo se achasse Deus, Ele dir-me-ia para me pisgar dali.

O Frederick fizera muito mal ao Velho.

O Sr. Douglass nunca arrega�aria as mangas para lutar uma guerra.

Era um orador elegante e refinado.

Algumas coisas neste mundo n�o est�o simplesmente destinadas.

E isso � um fardo pesado a carregar.

Mas ao que parece, isso n�o era o pior dos nossos problemas.

A Sra. Huffmaster disse ao xerife que somos abolicionistas.

Ele vir� c� para revistar a propriedade.

Quanto tempo nos resta?

O xerife deve chegar amanh�, ao anoitecer.

- Avancemos agora. - E se formos pela primavera?

N�o, temos de cancelar.

A ideia n�o � m� de todo.

- N�o � m� de todo... - Sil�ncio!

Temos de antecipar a data.

- O qu�? - Quando?

N�o foi isso que a General disse para n�o fazermos?

Amanh�. Amanh� � noite.

Quando o xerife chegar, j� c� n�o estamos.

Atacamos Harpers Ferry amanh� � noite.

- N�o vamos conseguir. - Porque n�o matamos o xerife?

Onion, sei que pe�o muito de ti, mas a causa precisa de ti.

Vai ter com o Maquinista, diz-lhe para trazer quem puder.

O ataque ser� amanh� � noite.

Vai, vai l�! Acredito em ti. Vai!

Vai! Onion!

O que fazes aqui?

Mensagem do Capit�o. Atacamos amanh� � noite.

Amanh�? Porque faria uma estupidez dessas?

N�o se preocupe com isso. Arranje quem puder.

- S� agora comecei. - N�o � problema meu.

Se voltas a dizer porcaria por essa boca,

atiro-te ao rio.

S� estou a dizer o que o Velho disse!

�s s� o mensageiro, n�o �?

� tudo muito f�cil, para um maricas como tu.

- O Capit�o pode contar consigo? - Achava que tinha um m�s.

N�o sei se consigo junt�-los at� amanh�. Vou tentar.

Paro o comboio antes da ponte. Saio, vejo o que se passa.

Preciso da palavra-passe do homem do Capit�o.

Palavra-passe?

Um sinal, uma palavra. Um sinal para deixar os escravos lutar.

Tem de ser algo normal.

Digo: "Quem vem a�?" E algu�m que responda: "Jesus caminha."

Consegues lembrar-te disso?

Quem vem a�? Jesus caminha.

Vai-te embora.

O local estava num rebuli�o como uma base militar debaixo de fogo.

O pessoal queria era mexer-se,

depois de tanto tempo enfiados num espa�o t�o pequeno, at� metia d�.

Todos se moviam com prop�sito tal

que nem me consegui despedir.

Onion. Vamos embora. Anda.

O Capit�o quer-te com o Salmon, a Martha e a Annie, na herdade.

- Porqu�? - N�o h� tempo para discuss�es.

Annie, anda c�.

Vamos.

Adeus, Annie. Amo-te.

Miguel rema at� � praia

Aleluia

Miguel rema at� � praia

- Aleluia - Acho que vais gostar de North Elba.

� sossegado. Livre. Livre para cantares as tuas can��es.

Tem f� ou afogas-te.

Enquanto Pedro teve f�,

n�o se afogou ao andar sobre as �guas at� Jesus.

- Para! - Cala-te, Onion!

- Baixa-te! - Para!

- Onion! - Para!

Onion!

A palavra-passe! Jesus caminha!

A ideia do Capit�o morto, por minha causa,

fez-me sentir pior do que ver a Annie enojada comigo,

um negro a fazer-se de rapariga, n�o merecia o amor dela.

N�o aguentei.

Sou um homem e amo-te, Annie Brown! E n�o te voltarei a ver de novo.

Onion.

Onion!

Onion!

Onion!

Ripadas por: SpyderMann

Tradu��o: Carolina Jou Vieira Dias

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