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E tu, Julianne, aceitas este homem para teu marido,
para amar e apoiar daqui para a frente,
no melhor e no pior, na riqueza e na pobreza...
... na doen�a e na sa�de, at� que a morte os separe?
Sim.
Mitch, repete comigo.
Com este anel, eu te desposo.
Com este anel, eu te desposo.
Trocaram alian�as, trocaram votos.
Com o poder que me � conferido por este grande Estado...
... e perante Deus e estas testemunhas,
eu declaro-os, marido e mulher.
Em primeiro, quero agradecer � m�e da Julianne, a Kate,
e ao seu marido Charlie, por terem oferecido esta festa.
E quero agradecer ao meu pai, que n�o pode estar aqui hoje.
Ele sempre disse, que se eu tivesse de dar o n� com uma mulher
com quem n�o namorasse pelo menos um ano, ele atirar-me-ia para a cave.
E, neste caso, ele iria abrir uma excep��o.
E quero agradecer � minha carrinha por n�o funcionar grande parte das vezes...
... e me ter feito apanhar o autocarro na noite em que conheci a Julianne.
E, finalmente, quero agradecer � minha mulher...
... por ter prendido o cora��o e ter atirado fora a chave.
- Sa�de! - Sa�de!
Tens certeza de que queres fazer isto?
Sim, m�e, tenho.
Ent�o, tem cuidado.
Quero que voltes s� e salva para o meu anivers�rio.
- Vemo-nos daqui a duas semanas. - Est� bem, querida.
Tira-me daqui!
Sim, senhora.
NAS M�OS DO INIMIGO
Montagem
Fotografia
Produ��o
Argumento
Realiza��o
Finalmente livres!
- Mitch? - O que foi?
Duas semanas s� para n�s.
Conseguimos. Podemos fazer o que quisermos aqui.
Como � que deste com este lugar?
Foi numa viagem de ca�a que eu fiz com o meu pai h� um ano.
E n�o tem �gua canalizada?
N�o.
Nem televis�o?
N�o.
Nem electricidade?
lnternet? Telefone?
Podemos ficar mais tempo, se tu quiseres.
Como � que eu deixei que tu me convencesses?
Oh, Mitch, leva-me numa aventura.
Tenho de me afastar desta treta toda do clube de campo.
Cala-te! Eu n�o falo assim.
Mitch, adoro o teu esp�rito aventureiro.
Est� bem. Mas para mim, duas semanas chega e sobeja.
Ou talvez tr�s. Talvez pud�ssemos passar tr�s.
Duas semanas.
- Vi os teus olhos brilharem... - Mitch, duas semanas!
Ali est� ela.
Todos a bordo.
Tens a certeza de que isso � seguro?
Este barco? Claro que sim.
� um tanque.
Ent�o, Jules. Eu nunca deixaria que te acontecesse mal.
O meu pai costumava trazer-nos para um s�tio destes, quando �ramos mi�dos.
N�o interessava onde viv�ssemos, ele trazia-nos sempre para o bosque.
Os meus irm�os e eu pass�vamos horas a fingir que �ramos um bando.
- Fug�amos por entre os arbustos. - Eu perdia-me num instante.
Essa � a parte que tinha piada.
�s louco.
Vou ligar � minha m�e. J� deve estar a ter um ataque.
Est� bem.
O que se passa, querida?
Tu disseste que tinhas verificado se aqui tinha rede, n�o foi?
- Sim, o tipo disse que iria funcionar. - N�o est� a funcionar.
Queres voltar?
N�o. Tu disseste que ia ser uma aventura, n�o �?
Sim. Mas a tua m�e n�o vai passar-se?
Sim.
O que � isto?
� uma velha tradi��o.
Os ca�adores faziam marcas com cinzas para contar as noites.
Quantos animais tinha apanhado; esse tipo de coisas.
Estivemos aqui, apanh�mos veados, voltamos para o ano. S.R. e J.R., '82.
Po�tico.
Posso dar uma volta a isto.
- N�o gostas disto? - Adoro, s� que �...
... r�stico.
Mant�m-se a tradi��o.
Vou buscar as coisas � carrinha antes que anoite�a.
Mitch, magoei-me!
- Est�s bem, querida? - N�o.
Cortei um dedo do p�.
- Assim est� melhor? - N�o.
E agora? N�o? N�o est� melhor?
Quero passar o resto da minha vida contigo.
N�o falha.
Bom dia, dorminhoca.
Ol�.
Sabes que hoje � o nosso anivers�rio dos dois dias? Como queres celebrar?
Vamos pedir o servi�o de quartos.
Parece-me bem.
Vou telefonar para a recep��o.
- Querida, est� a verter a� em baixo? - Sim.
- E agora? - Sim.
E que tal agora, querida?
Sim.
- Mitch? - Sim?
Est�s a tentar arranjar o telhado, ou apenas a fazer mais buracos?
Tens muita piada.
Conta-me uma hist�ria de acampamento.
Acho que n�o, querida,
as hist�rias de acampamento que conhe�o s�o um pouco assustadoras.
Conta. Sou mais forte do que tu pensas.
O que achas do nome Jack?
- Jack? - Sim.
Sim, ou Hugh, talvez. O pequeno Hughey.
Tu sabes que fal�mos sobre isso. Eu quero t�-los um dia, mas n�o agora.
Eu sei. S� estava a pensar nesse dia.
Eu n�o sei, este � a primeira vez que vou estar a viver sozinha.
N�o achas que pelo menos devia acabar o curso?
Sim.
A minha pequena Picasso.
Espero que os nossos mi�dos tenham os teus genes de criatividade.
A s�rio. Tens qualquer coisa de muito especial, querida.
Pensa. Num universo paralelo, eu ainda estou na escola,
a dar motivos de orgulho � minha m�e.
A aprender como castrar gatinhos.
Mais, eu... ainda estaria com o Anthony.
O Sr. T�tulo de Aforro.
Ent�o, Sr. Ciumento, quis elogiar-te.
De certeza que nunca te traria a um s�tio como este.
E � por isso que me deves uma experi�ncia de acampar completa.
Portanto, por favor, conta-me uma hist�ria de acampamento.
E que tal aquela onde um casal vai na sua lua-de-mel...
... para um bosque e eles sentam-se e assam uns marshmallows ....
... e s�o aterrorizados pelo louco local?
Eu n�o gosto dessa hist�ria. Conta-me a hist�ria sobre o pr�ncipe...
... que salvou a sua donzela em apuros e onde viveram felizes para sempre.
Por que � que n�o entras?
A �gua parece fria.
Parece fria?
Sabes que mais?
Eu penso que est� na altura de te molhares.
N�o. Eu n�o gosto de entrar, Mitch.
Podes correr mas n�o consegues esconder-te.
A �gua n�o est� assim t�o fria. Vais habituar-te.
Mitch! Eu n�o quero ir para dentro de �gua, Mitch!
Mitch, por favor!
Qual � o problema?
Eu apenas... eu maquilhei-me e vai ficar tudo borrado.
Tudo bem, bem por que � que... por que � que eu n�o te sento no colch�o?
N�o te preocupes. Nem vais ficar molhada.
Eu amarrei a jangada a uma pedra. Nem vai flutuar para longe.
Relaxa.
Nunca me deixes aqui assim. Raios te partam, Mitch!
Por que est�s zangada? Eu n�o sabia que a jangada se ia afundar.
Eu n�o sei nadar.
Nunca aprendeste a nadar?
Tenho medo da �gua.
Julianne, e por que me deixaste trazer-te para aqui?
Porque eu pensei que se eu estivesse contigo eu ultrapassaria isto.
Nunca pensei que fosses deixar-me assim.
Bem, e porque n�o me contaste?
Eu n�o sei. Desculpa-me, pode ser?
Est� bem. Desculpa. Eu n�o sabia.
Tu adormeces sempre depois.
Desculpa-me, querida. N�o � de prop�sito.
Mitch?
Sim, querida?
Continuarias a amar-me se eu pintasse o cabelo de preto?
Sim, continuaria.
E se eu rapasse o cabelo?
Sim, claro que continuaria a amar-te, mas eu prefiro o teu cabelo comprido.
E se ficasse gorda?
Est�s a pensar em mudar o teu cabelo? � isso do que est�s a falar?
Eu gosto dele dessa maneira, mas se tu queres mud�-lo, est� tudo bem.
Esquece.
Eu adoro o cheiro das tuas bochechas.
Gostaria de poder engarraf�-lo e lev�-lo comigo para todo o lado.
Assim poderia abrir a garrafa e ter-te ao meu lado,
onde quer que estivesses.
- Ol�, querido. - Ol�, querida.
Posso tentar?
Sim, claro.
Tens de agarrar aqui.
Pega na linha, levanta. Com esta m�o, passa pelo carreto.
Quando fores a atirar, deixa-a ir tirando o dedo apontador.
Nada mal.
Agora, enrola rapidamente.
Muito bem.
Reparei que tens l� dentro um cofre.
Sim...
Por que o tens?
Apenas por seguran�a.
Seguran�a de quem? Estamos no meio de nenhures.
Nunca se sabe, Jules.
O que tem l� dentro?
As chaves do carro. Esse tipo de coisas.
N�o � nada de especial, Jules. N�o � nada.
Eu n�o disse que era. Estava apenas a perguntar.
Ent�o p�ra de perguntar, est� bem?
Eu n�o te chateei com a quantidade de maquilhagem que trouxeste contigo.
C'um raio, para quem � que tens de estar bonita aqui?
Jules? Podes chegar aqui por um momento?
Quero mostrar-te uma coisa.
Fizeste-me um cavalete.
� para poderes trabalhar.
Para poderes pintar. Desculpa, Julianne.
Ent�o... ainda me amas?
Estava a pensar que talvez pud�ssemos fazer uma viagem...
... ir hoje at� � cidade.
Comprar um jornal, comer num restaurante, ligar � minha fam�lia.
Pensei que querias uma aventura.
E quero, mas tu n�o queres saber o que se est� a passar?
Aqui parece-me bem.
A minha m�e deve estar a passar-se. Eu devia mesmo ligar-lhe.
Fica a mais de uma hora, Julianne.
Eu sei, mas o que � aqui uma hora?
O tempo est� praticamente parado.
Pronto. J� deve dar.
E o que acontece ao pobre do animal?
Na maioria das vezes, os animais mais pequenos nem sobrevivem ao impacto.
Julianne?
- Julianne. - Est�s bem?
Estou bem. Mas tu devias de ter mais cuidado.
Querido, est�s a magoar-me o pulso.
N�o achas que dev�amos come�ar a pensar em regressar?
O qu�?
J� passaram dez dias e eu estava a pensar...
Combin�mos ficar aqui duas semanas.
Eu sei e tem sido maravilhoso.
Eu � que estou muito entusiasmada em voltarmos
e come�armos a nossa vida juntos.
Come�ar a nossa vida juntos? Julianne, isto � a nossa vida juntos!
S� que eu nunca estive mais de dois dias seguidos
sem falar com a minha m�e.
Ela n�o vai a lado nenhum.
Olha � tua volta, Julianne.
Est� tudo aqui. lsto somos n�s.
lsto � a nossa vida juntos.
Aqui � onde devemos come�ar, onde s� estamos tu e eu.
Quero ir para casa, Mitch.
Eu percebo esta coisa toda da natureza, da terra e bosques.
Mas eu quero ir para casa. Vamos.
N�o.
O que queres dizer com "n�o"?
Quero dizer, n�o, Julianne. N�o.
Est�s a ouvir-me? Eu disse que quero...
lsto � nossa lua-de-mel, n�o podemos desistir antes de acab�-la.
Acho que se formos embora agora, estamos em casa antes da meia-noite.
E acho que n�o vamos apanhar...
- Julianne, n�o vamos embora! - Qual � o teu problema?
Qual � o meu problema? Quando ambos decidirmos que est� na hora,
� a� que vamos embora.
Agora est� com m� disposi��o e n�o faz mal nenhum.
lsso vai passar. Mas n�o estragues a nossa lua-de-mel,
s� porque tens saudades do raio da tua m�e!
Vai-te lixar! Tu � que disseste que o telem�vel funcionava aqui!
J� te disse que o raio do tipo com quem falei ao telefone...
... me disse que ia funcionar!
Que querias tu que eu fizesse, Julianne?
- Vir at� aqui e test�-lo eu? - Talvez devesses ter feito isso.
lsso ter-te-ia feito feliz, princesa?
Este lugar fez-te alguma coisa, Mitch.
Tu nunca agiste assim. O que se passa?
Sabes que mais? Eu digo-te o que se passa.
Eu sou o teu marido agora e tu �s a minha mulher.
Eu n�o sou um namorado de treta que tu podes manipular � tua vontade.
E se eu n�o me vou embora, tu n�o te vais embora.
Vou verificar a minha armadilha.
Odeio isto!
Porra!
Julianne...
Desculpa ter gritado contigo.
Nunca deveria ter gritado contigo daquela forma.
N�o volta a acontecer. Prometo.
Se soubesses o quanto te amo.
Jules, acorda. Tens de vir ver isto.
Est� ali um p�ssaro muito maluco.
Est� a voar em c�rculos, e depois aterrou na margem da ilha.
Nunca vi um p�ssaro a portar-se assim.
Mitch?
Sim?
Viste a minha segunda caixa de p�lulas?
Quais p�lulas, querida?
Tu sabes... A p�lula.
N�o, devia ter visto?
Diz-me honestamente, Mitch. Tu tiraste-as?
Por que haveria de tirar-te as p�lulas?
Raios!
Tem calma, querida.
N�o me digas o que fazer.
Que se passa contigo ultimamente?
Mitch, temos de ir embora.
Pensei que j� t�nhamos resolvido isso.
Resolvido o qu�, Mitch?
Que eu tenho de ficar aqui at� tu dizeres o contr�rio?
N�o. Diss�mos que �amos ficar aqui duas semanas.
Eu j� n�o tenho p�lulas.
O que significa isso?
- Tu sabes o que � a p�lula? - Sim, eu sei o que � a p�lula.
Mas n�o percebo o porqu� de tanta confus�o.
- Qual � maior mal que pode acontecer? - Eu posso engravidar, Mitch!
Que parte disto n�o entendes tu?
Agora j� somos casados, Julianne.
Podemos correr riscos desses, n�o podemos?
Ambos diss�mos que um dia iremos querer ter uma fam�lia.
Um dia. Eu disse que quero ter filhos contigo um dia. N�o � agora.
N�o podemos planear todos os momentos da nossa vida.
�s vezes as coisas t�m de acontecer.
O que � isso, � tirado de um bolinho da sorte?
N�o, mas se tiv�ssemos seguido os teus planos, Julianne,
estar�amos agora em casa...
... a fazer as mesmas coisas que fazemos todos os dias.
E se segu�ssemos os planos da tua m�e...
... tu serias uma veterin�ria e n�o estar�amos casados.
E os meus planos?
Quando vamos come�ar a seguir os meus planos?
Est�s a falar do qu�?
Porque n�o me entendes quando eu falo contigo?
Eu entendo.
Tu �s uma rapariga esperta e eu estou a falar ingl�s simples. N�o estou?
Talvez se par�sses de me dizer o que fazer a toda a hora...
- ... e ouvisses o que eu te digo... - Estou a ouvir-te, Mitch.
�s a minha mulher, e nem posso contar contigo para me compreender?
Como � que eu posso pensar que tu me est�s a ouvir?
- Est� bem, estou a ouvir-te. - Ainda bem.
Porque n�s n�o vamos embora.
Como estava a �gua?
- Est�s bem? - Sim. Mas vou para cima.
O que dizes de tu e eu irmos tentar pescar mais um pouco amanh�?
Como queiras.
Posso mostrar-te o meu...
Mostrar-te o meu movimento especial.
Que tal estou a sair-me?
Nasceste para fazer isso.
Mas s� cuidadosa.
Tu n�o est�s a usar um colete salva-vidas.
Eu fico bem.
O que est�s a fazer?
Merda. Raios.
O que � isso?
- d�-me isso. - lsto � meu.
Onde arranjaste isto?
O Evergreen? Era onde eu e o Anthony costum�vamos ir.
Eu sei.
A noite em que nos conhecemos no autocarro.
Tu estavas l�. Tu seguiste-me.
Tu nem sequer estavas � espera do autocarro, pois n�o?
O que fizeste depois de me ir embora? Apanhaste outro autocarro?
Tu apanhaste, n�o apanhaste?
Ent�o, o que era suposto fazer?
Era suposto eu ir de encontro a ti e dizer,
"Ol�, tenho estado a seguir-te. E que tal uma bebida?"
Sim. Pelo menos seria a verdade.
�s uma mi�da bonita, Julianne.
Tu sobressais numa multid�o. N�o � crime notar em ti.
Claro, eu j� te tinha visto l� uma ou duas vezes.
E ent�o, Mitch?
Quanto tempo andaste tu a perseguir-me?
A perseguir-te? Jesus Cristo.
E o que mais tens a� dentro?
Mitch, j� se passaram catorze dias. Vou-me embora. D�-me as chaves.
Repara, desculpa-me. Estou arrependido, Julianne.
N�o foi por mal que te deixei na ilha sozinha.
Eu sei o quanto odeias estar sozinha. Eu apenas...
Eu precisava de descontrair um pouco, sair daqui durante alguns momentos.
N�o � por tu me deixares sozinha.
N�s conseguimos resolver isto. Conseguimos.
N�o.
Como podemos fazer um casamento funcionar
se n�o conseguimos fazer com que duas semanas funcionem?
Eu n�o sei. Talvez as coisas melhorem quando n�s voltarmos.
Porque � que as coisas ir�o ficar melhores?
Porque tu tens mais desculpas para te afastares de mim?
Desculpas para me afastar de ti?
Tu est�s sempre a sair com as tuas amigas.
Eu nunca sei onde raio est�s.
As minhas amigas n�o s�o desculpas para me livrar de ti! S�o minhas amigas.
S�o snobes do clube de campo e tu sabes bem que s�o.
�s t�o inseguro!
� melhor calares-te, Julianne. � bom que te cales.
Qual � o teu problema, Mitch?
Est�s com medo que eu possa entrar em alguma festa de jardim
e conhecer algu�m mais inteligente do que tu.
- Cala-te Julianne. - Ele seria certamente mais rico que tu.
� melhor calares-te, Julianne. Melhor do que tu?
N�o me empurres!
�s uma mi�da mimada que foi apaparicada durante a vida toda...
... e agora queres voltar a correr para casa da m�e?
Tu disseste que querias fugir daquilo tudo, Julianne.
Tu disseste que querias algo diferente. Bem, f�-lo.
- Eu estou a faz�-lo. - Treta!
Nunca fizeste nada por tua conta durante a tua vida.
Tu sempre tiveste a tua m�e a tomar conta de ti.
Sabes que mais? Tu �s como ela.
Tudo gira � tua volta.
Estou surpreendido como � que o teu pai biol�gico aguentou tanto tempo.
E o teu � melhor?
E por que � que ele n�o esteve no nosso casamento, Mitch?
Tens vergonha de mim? Ou talvez tu tenhas vergonha dele.
Jules, n�o voltes isto para mim.
- E n�o me chames de Jules! - Por que n�o?
Porque o Anthony chamava-me assim, � essa a raz�o.
- Ele que se foda! - Foi o que fiz. lmensas vezes.
E ele nunca adormeceu depois.
Eu vou-te matar.
- Mitch, d�-me a chave. - Nunca, mas nunca toques na chave!
Julianne!
Por favor, atende.
Estou?
M�e? Sim?
N�o, por favor.
Merda de bateria!
Julianne? Julianne, o sol vai-se p�r em breve.
Julianne, querida, desculpa ter-me zangado.
N�o voltar� a acontecer.
Mas tu n�o vais querer estar aqui quando o sol se puser. N�o vais.
Julianne?
Julianne, consegues ouvir-me?
A� est�s tu.
Gra�as a Deus que me encontraste.
Desculpa. Julianne, estou t�o arrependido.
Eu tamb�m. Eu fiquei t�o assustada.
Nunca mais vou perder a calma daquela maneira novamente, prometo.
N�o me deixes, est� bem? N�o fujas.
Vamos para casa.
Bom dia.
Onde est� o barco?
- O qu�, querida? - Onde est� o barco, Mitch?
N�o sei. Deve ter-se afundado.
N�o te preocupes, Jules.
Eu ainda consigo nadar.
Boa!
Boa!
Vamos!
- Tiveste sorte, querida? - N�o, ainda n�o apanhei nada.
Se quiseres apanhar alguma coisa, diz-me, est� bem?
- Vou sair durante um bocado. - Onde vais?
Tenho de ir fazer umas coisas.
Mitch?
N�o � nada.
Tens a certeza de que queres fazer isto?
N�o falha.
Estiv�mos aqui, voltamos para o ano.
Raios, anda l�!
Vamos.
N�o fa�as uma estupidez, Julianne!
Porque n�o funciona o raio do carro?
Arranja-o!
Arranja a merda do carro!
Mitch?
Mitch?
Mitch?
Mitch?
Mitch?
Eu sabia que ias tentar fugir, Julianne.
Ultimamente, tens agido que nem uma louca, Jules.
Muito louca. Quantas vezes vou ter de te salvar?
Queres afogar-te?
� isso que tu queres, querida? Queres afogar-te?
Presumo que viste a escritura da casa.
Por isso, vou presumir, que sabes quem � que est� enterrado no bosque.
Sempre quiseste conhecer o meu pai. Ele est� ali.
Onde n�s podemos estar pr�ximo dele.
Ele adorava este s�tio.
lrias gostar muito dele. Era muito parecido comigo.
Foi um acidente.
Os acidentes de ca�a est�o sempre a acontecer.
Ele estava sempre a chatear-me para arranjar um mi�da
e constituir fam�lia.
Ele dizia: "Mitch, n�o �s um homem a s�rio se n�o tiveres fam�lia."
Acho que ele iria ter muito orgulho em n�s.
E tu n�o fazes ideia do dif�cil que � fazer um morto sentir-se orgulhoso.
Estava � espera que gost�sses um pouco mais disto antes de te contar.
Mas uma vez que viste a escritura,
acho que ficaste a saber que a casa � minha.
E uma vez que somos casados, isso quer dizer que � parte tua.
lsso n�o te faz feliz?
N�o � melhor do que viver numa casa que o teu padrasto nos comprou?
Temos um ao outro.
Temos comida. Temos �gua. Temos abrigo. Temos uma vista linda.
O que mais pode algu�m pedir?
E mesmo assim tentas fugir de mim? N�o te percebo.
Eu s�...
Eu s� preciso de te proteger.
S� preciso de te proteger de ti mesma.
S� por algum tempo, at� te sentires melhor.
E sabes que mais? Esta casa est� uma bagun�a.
Se a tua m�e visse isto...
Mas que raio!
Mas que raio!
Nunca irias deixar a casa do teu padastro ficar assim.
E sabes que mais, Julianne? Sabes que mais?
Aposto em como achas que estou a punir-te, n�o �?
� isso que est�s a pensar?
Achas que te estou a punir? N�o estou. Estou a mostrar-te.
Olha. Coisas destas!
Olha para isto. Olha para os 12.95 por um tubo de tinta deste tamanho.
Por que precisas de coisas caras para te fazer feliz?
Julianne?
Anda c�.
�s t�o bonita!
Limpa isto!
Ol�, querido. Estou a fazer o jantar.
N�o � nada de especial.
S�o apenas alguns restos misturados.
Eu hoje n�o pude ir � loja.
N�o devia estar a queixar-me. N�o quero estar sempre a chatear-te.
E tu?
Como est�s?
S� vim buscar um f�sforo.
Jesus Cristo, Julianne.
Obrigado.
Estou preocupado contigo, Julianne.
lsto � apenas tempor�rio. Tu sabes isso, n�o �?
Quando parares de tentar saltar para a �gua...
E como � que tu vais saber isso, Mitch?
Eu estou acorrentada ao raio de uma �rvore.
Nem posso entrar dentro de �gua.
N�o sei, Julianne.
Talvez quando n�o estiveres com essa disposi��o.
Eu sei que me agarro muito a ti, Jules.
Eu sei que sim. E vejo-me a faz�-lo. Odeio, mas n�o consigo parar.
N�o sou nada sem ti.
E n�o queria que as coisas fossem assim. De forma alguma.
Mas v�o melhorar. V�o sim.
Brevemente, Julianne.
Prometo.
A minha m�e faz anos hoje.
Eu devia voltar para ir � festa dela, lembras-te?
Eventualmente, algu�m vir� � nossa procura.
E quando vierem, o que vais tu dizer-lhes?
A tua fam�lia sabe onde estamos?
N�o h� muita gente que venha para estas bandas, Julianne.
Por isso, acho que devias habituar-te � ideia.
Aposto em como sabias isso, n�o sabias?
Sabias que n�o viriam � nossa procura aqui.
Porque eles n�o sabem onde estamos.
Aposto em como sabias tamb�m que o telem�vel n�o iria funcionar.
Sabias que eu n�o sei nadar?
Sabias que eu tenho medo da �gua?
Sabias, Mitch?
Porque eu acho que tu sabias.
Eu acho que sabias essas coisas todas.
Pensa o que quiseres, Julianne.
Diz-me uma coisa, Mitch.
H� alguma coisa que me tenhas dito...
... que n�o seja mentira?
Eu amo-te.
E amar-te-ei sempre, Julianne. lsso n�o � mentira.
Mitch?
Tens de me deixar ir.
Amar-me n�o significa amares a maneira como te fa�o sentir.
Toda a minha vida sempre tive tipos a gostar de mim...
... pelo meu aspecto.
Eles nunca me perceberam.
Nunca fizeram o esfor�o para me descobrir.
At� apareceres tu.
Pensei que fosses diferente.
Pensei que fosses melhor do que eles.
Tu pensas que me amas, mas n�o amas.
Mitch, por favor. Deixa-me ir. Por favor.
N�o.
N�o!
Tu caminhaste pela lgreja.
E tu disseste aquelas palavras.
Tu disseste: "Na riqueza e na pobreza. Na doen�a e na sa�de."
Tu escolheste aquelas palavras, Julianne.
E quando as coisas correm mal, tu viras as costas.
Mas eu n�o sabia...
E a nossa fam�lia?
E os filhos que tu queres ter? Podemos cri�-los aqui.
N�o v�s o quanto melhor isto � aqui?
Podemos poup�-los a todas as coisas cru�is.
Mas temos de parar de discutir.
Digo-te que n�o queres trazer...
... uma crian�a para este tipo de ambiente.
Julianne?
Nunca ningu�m te amou como eu.
Julianne?
Afasta-te.
Mitch! Mitch!
O que foi?
Eu estava a tentar acender o fog�o... e os f�sforos...
Que raio fizeste tu?
Desculpa. Estava a tentar acender o fog�o...
- N�o temos mais f�sforos? - N�o, n�o temos mais f�sforos!
Desculpa.
O que vamos fazer? Vamos cozinhar com o qu�?
N�o sei.
Foi muito inteligente, Julianne.
Agora tenho de ir ao raio da cidade para ir buscar...
Sabes que mais?
Que se lixe. N�o vou a lado nenhum.
Est� bem.
N�o saias daqui.
Est� bem.
Foste r�pido.
Acendi um cigarro com o isqueiro do carro.
Se mantivemos a chama acesa n�o precisamos de f�sforos.
Eu fa�o o jantar se tu fizeres a fogueira.
Como queiras.
O que foi?
A prop�sito, a carrinha avariou-se.
Mitch, espera.
A carrinha avariou-se?
N�o te preocupes com isso. Passamos bem sem ela.
E se acontece alguma coisa a um de n�s?
N�o vai acontecer nada.
Estou s� a dizer "se".
Eu sei que consegues sobreviver sem mim...
... mas e se alguma coisa acontece a ti?
N�o vai acontecer nada.
Podemos ir a p�?
N�o sei. N�o me parece.
O cigarro est� quase no fim. Vou fazer a fogueira.
Espera...
Eu fa�o a fogueira.
Tu podes acender outro cigarro.
Tu sa�ste da ilha, n�o foi?
- Como � que o fizeste? - N�o sa�, Mitch. Juro.
Como � que o fizeste?
Julgas-te mais esperta do que eu?
� isso que tu pensas?
Ent�o, v� l� se compreendes esta.
Nunca mais vais sair desta ilha.
Cabr�o de merda! Odeio-te!
N�o digas isso.
Eu vou matar-te!
Dispara.
Dispara, Julianne.
Faz como quiseres, Mitch. Eu n�o consigo.
N�o vais conseguir sozinha.
Adeus, Mitch.
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