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OS JOVENS SELVAGENS
- Bravo, Roberto, bravo. - Louisa!
POLÍCIA
Que aparência tinha o rapaz?
Como vamos ajudá-los se não sabem a aparência dele?
- Oi, Tenente. - Olá, Sargento. Cadê os rapazes?
- Esperam você lá dentro. - Vamos.
- Quando poderemos tirar fotos, Tenente? - Sim, quando poderemos vê-los?
Rapazes, vamos acabar com isto o mais breve possível.
Oh, vamos...
Este é Hank Bell. Ele fará o exame preliminar.
Capitão Larsen.
- Capitão. - Já conhecem Whitey.
Claro.
- Sentem-se por aí. - Vamos, sentem-se.
Bem, Whitey, interrogatório preliminar.
Pela procuradoria, o assistente distrital e advogado Bell,
e o detetive, Tenente Gunderson.
- Testemunhas, Capitão Larsen. Oficial? - Wohlman.
Oficial Wohlman.
Os suspeitos são três membros de uma gangue de rua,
conhecida como Os Aves Trovão.
Seus nomes...
Arthur Reardon, Anthony Aposto e Daniel D-I-P-A-C-E. Di Pace.
Qual de vocês é Di Pace?
- Seu nome é Di Pace? - David Copperfield.
Muito bem, quer que eu o faça pular pela sala?
- Ei, ele não está escrevendo. - Ele é Di Pace.
- Seu pai é John Di Pace? - Não tenho pai.
Sua mãe se chama... Maria?
Que diabos tem minha mãe a ver com isto?
Nada, garoto.
- Qual é sua idade, Danny? - Tenho 15.
Não podem deter-me nesta estação de polícia.
Nem interrogar-me. Sou de menor.
É de menor até os 16, a menos que mate alguém, e você matou.
- Ele parou de escrever de novo. - Está bem, cale-se.
Gunderson!
A lei diz que pode-se executar um menor de 15 anos por assassinato...
mas não se pode interrogá-lo numa estação de polícia...
Cansei de ser indulgente com esses vândalos, por terem 15 e não 16 anos.
Não precisa me falar sobre esses garotos. Nasci neste bairro.
Fui para a escola com os piores criminosos da cidade.
Uma boa surra ajeitar logo esses inúteis e...
Gunderson. Não vamos dar surras...
desta vez vamos provar que foi homicídio premeditado.
Executar um adolescente é sempre um grande problema.
Quem julgar este caso...
precisará de um relato claro que a defesa não possa contestar.
Não cometeremos erros técnicos, como interrogar os jovens certo?
Está certo.
Vamos descobrir a idade dos outros dois,
depois vamos separar os assassinos menores dos adultos.
- Muito bem, Whitey. Você, nome e idade? - Arthur Reardon, 17.
- Batman. - Qual é seu nome?
- Anthony Aposto. - Qual é sua idade?
16.
- Ligaram para a casa deles, Capitão? - Exatamente como manda a lei, senhor.
A Sra. Di Pace e o pai de Reardon não estão em casa.
Leve-o para ver a mãe dele.
Então você é o chefão, agora.
Não encontrou as facas conosco.
Encontramos muitos buracos no corpo, encontraremos as facas.
O hispano começou. Ele puxou uma faca. Agora está morto, como deveria estar.
Por que afirma que ele puxou uma faca?
Estávamos no território dele.
Ele estava no território dele e você puxou uma faca?
Não somos hispanos sujos. Somos os Aves Trovão.
Sabem o nome do rapaz que vocês mataram?
Não, nunca o vimos antes.
O nome dele era Roberto Escalante. Tinha 15 anos.
E daí?
Vamos esclarecer isto.
Vocês foram caminhar na rua dele e ele viu vocês.
- Ele atacou-os com uma faca, certo? - Sim, foi isto.
- Ele sabia manejar bem uma vaca? - Ele era louco.
De fato, ele manejava uma faca como ninguém neste mundo,
porque Roberto Escalante era cego.
R. DANIEL COLE -FISCAL DO DISTRITO - CONDADO DE NOVA IORQUE
Já que Tolly declarou-se culpado, estou disposto...
a pegar esse caso de homicídio, se você quiser.
Parece um caso difícil, mas quero pegar algo assim...
com que eu possa identificar-me.
Pedi a Hank para cuidar das preliminares.
O que diz, Hank?
Bem, os fatos neste caso são como foram relatados.
Os rapazes admitem o homicídio, mas dizem que foi auto-defesa.
Embora, o rapaz que eles mataram, o Porto Riquenho, fosse cego.
Cego?
Pressinto que os jornais vão enfatizar este fato.
Devemos tentar que seja assassinato em 1º grau?
Para mim parece que foi.
Vai processar?
Depende de você, mas antes de decidir-se...
saiba que um dos réus chama-se Di Pace.
Eu saia com a mãe dele quando era jovem.
Hank, os jornais ganhariam o dia com esta.
Espero que eu não esteja falando demais, Sr. Cole.
Mas me parece, politicamente, um caso perigoso.
Politicamente?
Não estamos nada preocupados com política agora, estamos?
Bem, acho que estamos conscientes que há algo mais...
que uma excelente base para elegê-lo Governador.
Sei que nenhum de nós gostaria que algo comprometesse isto.
O pior que os jornais podem publicar é:
"Advogado honesto processa filho da namorada de infância."
Não me parece tão prejudicial.
Bem, isto é tudo, cavalheiros.
ADVOGADO DO DISTRITO EXIGE PENA DE MORTE
- Olá, querido. - Doçura.
Estou estafado.
- Que tal isso para acalmar? - Ganhei um presente hoje.
- Viu essa notícia? - É uma caso difícil, com certeza.
Mãe, cadê seu sutião branco?
- Oi, pai. - Oi, beleza.
- Na 3ª gaveta, querida, como sempre. - Está bem.
Jenny usando sutiã?
Já usa há quase dois anos.
Acho que não tenho olhado bem para ela ultimamente.
Um daqueles rapazes é só um ano mais velho que Jenny.
- Acho que por isso me preocupo tanto. - Foi velho bastante para usar uma faca.
De quem foi a idéia de homicídio premeditdo, de Dan Cole?
- Veja, Karin... - Sei porque ele te deu este caso.
Você é o único que tem...
inteligência para conseguir que os executem.
Ele incriminaria a própria mãe para ganhar essa nomeação.
Karin, não foi de Dan Cole a idéia de homicídio premeditado.
Foi minha.
Sua?
Sim, minha.
Não acredito.
Mas você foi daquele bairro.
- Sim, mas saí de lá. - Sim, saiu.
Mas nem todos têm condições emocionais...
para aguentar a marginalidade e a pobreza.
Outra vez com as teorias passivas de opressão social.
Ouça, Karin, esses vândalos fizeram do Harlem um pesadelo.
As pessoas temem caminhar do metrô para casa após escurecer.
Lembra do velho da banca de jornais que me emprestou dinheiro...
para comprar a roupa quando me matriculei?
Semana passada, 4 dos seus desprivilegiados o surraram.
Quebraram as 2 pernas dele, ele não voltará a andar.
E você preocupada com 3 assassinos confessos....
que serão julgados por assassinato.
Boa noite. Não me esperem acordados.
Oh, Jenny, não planejei isto mas...
só vou dormir à meia- noite, após você chegar.
Mamãe, você é um estorvo às vezes. Tão prevenida.
Você me entende, não é pai?
Você ouviu sua mãe. à meia-noite, querida.
Bem, espero que Lonnie me entenda. Boa noite.
Lonnie? O que houve com Greg?
Foi substituido por um homem mais maduro, de 16 anos.
- Já conheço Lonnie? - Nem conheceu Greg.
Bem, querida, não vamos discutir.
Vamos sair para jantar,
comer um belo bife e tomar uma garrafa de vinho. O que acha?
Está bem.
A propósito, sua velha namorada, Mary Di Pace, ligou hoje. Duas vezes.
Disse para ela ligar para seu escritório. Falou com ela?
Não sei o que dizer para ela.
Por que não diz que vai eletrocutar o filho dela?
Por conta dos velhos tempos.
Russell, vamos. Você vai? Pegue as caixas, traga-as para cá.
- Papai, o que você fez? - Não se preocupe com que eu faço.
- Contou à polícia sobre as facas? - Sr. Rugiello?
Isto mesmo. Espero que ninguém os tenha visto entrar aqui.
Essa é sua filha?
Não tenho facas, não sei nada sobre elas.
Bem, vamos, vamos. Muito bem, Sr. Rugiello. Vamos.
- O que se faz com moças assim? - Ser um bom pai.
- Chama os guardas para sua própria filha. - Ele fez a coisa certa.
Seu nome é Ângela, não é? Eles a chamam de Angy.
O que fez com as facas, Angy?
Você é tão inteligente, encontre-as.
Terá problemas se esconder evidências, sabe disto, não?
Sei.
Então, o que fez com as facas?
Embrulhei-as em jornais. Fiquei com medo e joguei-as no banco de um carro.
Qual carro?
- Não sei. - Onde estava o carro?
Já disse, não sei. Estava estacionado.
- Onde? - Na rua.
- Em qual rua? - Não sei. Não sei.
Angy, preciso que me ouça.
Nada vai lhe acontecer se tentar ajudar-nos.
Por favor, pense. Onde escondeu as facas? Diga-me.
Os guardas estavam todos por perto. Saí correndo.
Ao virar a esquina, não tinha mais guardas.
Não sei qual foi a esquina.
- Não sei. Não sei. - Muito bem. Agora sobre o carro.
Que tipo de carro era?
Não tenho certeza, poderia ter sido um Ford ou um Chevy.
- Era velho, eu acho. - Lembra qual era a cor?
Acho que era escuro, preto, ou talvez azul.
Eu estava tão apavorada que não sabia o que fazer.
Muito bem, Angy.
Vamos falar um pouco sobre os rapazes.
Para começar, por que pegou as facas?
Não sei. Não sei.
- Fez isso por Reardon? - Aquele cretino.
- Por Aposto? - Por Batman?
Não, fiz por Danny.
Ele é diferente, é doce.
- Ele é um querido. - O que sabe sobre ele?
Sei que ele matou um rapaz a sangue frio.
Não, não matou, só revidou.
Como sabe disto?
Digo porque ví com meus próprios olhos.
- O que estava fazendo lá? - Apenas os segui.
- Por que? - Não sei.
Por ímpeto.
O que viu?
Eu estava muito atrás deles.
-O rapaz da escada puxou uma faca. -O rapaz da escada era cego.
Mas ele puxou uma faca, ela brilhava, eu a vi brilhando.
Alguém mais viu?
Eu estava só, mas tinha muita gente em volta, devem ter visto.
Conversei com muita gente. Ninguém viu.
Converseu com muitos porto riquenhos.
Acho que está inventando, Angy, por causa de Danny.
Não estou inventando e não vai amedrontar-me dizendo que estou.
Ainda não consegui tirar o sangue da minha saia.
Ei, os portorriquenhos montaram um grande espetáculo, não foi?
Sim, grande.
Isto interessa você, Barton?
Pensei que seu jornal só achasse um porto riquenho bom...
se estivesse morto.
Não tem lido nosso jornal, Sr. Bell.
Não ultimamente.
Esta é a nossa estação das minorias oprimidas.
Você deveria ler, Hank. Grande exposição de bordéis da Park Avenue.
- Fazemos um serviço público. - Sim, eu sei.
Ensinam os cidadãos a se comportarem mal.
Soubemos que inventaram que o rapaz cego...
carregava uma faca. Algum comentário?
Nenhum.
Ótimo, porque nossos leitores esperam a cadeira elétrica para os assassinos...
daquele gentil e poético rapaz cego.
Faremos o nosso melhor.
Quem os induziu a essas coisas, afinal?
Aposto mil contra um que a moça está mentindo.
Mas suponha que ele tivesse mesmo uma faca?
Ele a usaria em defesa própria.
Se ele tinha uma faca, nunca faremos o juri condená-los.
- É isto o que realmente quer, não é? - É isto que eu quero.
Lá vem Cole, vamos.
Ei, vamos, rapazes. Deixe-o passar, rapazes.
- Alguma novidade hoje, Dan? - Certamente.
A cidade de Nova Iorque não descansará até que a justiça seja feita.
Vim ao funeral para certificar-me se isto ficou perfeitamente claro.
Os rapazes estão trabalhando direto, Dan.
- Bom dia, rapazes. - Dan.
Quem são os rapazes fardados?
Os Homens Cavalo, uma gangue Porto Riquenha.
- Quer conhecer o líder? - Sim.
Ei, Zorro, pode vir aqui um momento?
Este é o Sr. Cole, advogado do distrito. Zorro.
Vão executar os Aves Trovão que mataram Roberto?
- Vamos tentar. - Este será o dia.
- O que dizer com isto, filho? - Estão brincando? Tentem.
Quem vem de Porto Rico ou Cuba, não é humano para os policiais.
Será a mesma velha história desta vez.
- A Sra. Escalante. - Mãe do rapaz morto.
Sra. Escalante.
Sra. Escalante, sou o advogado do distrito.
- Por favor, aceite meus pêsames. - Obrigada.
E este é o Sr. Bell, o promotor. Vai ajudar no caso do seu filho.
Não podem ajudar Roberto, é tarde demais para ajudá-lo.
- Sra. Escalante, por favor, creia, nós... - Perdoe-me, Senhor.
Quando eu era menina,
ensinaram-me amor na minha família.
Ensinaram-se isso em Porto Rico, onde nasci.
As pessoas lá, dizem "olá". Mas aqui...
é diferente.
Aqui tem muita gente.
Mas ninguém aqui diz "olá" para você.
Nesta cidade, ou nessas ruas, não há tempo para o amor.
Há apenas...
Ódio.
Ódio.
E foi o ódio que matou meu filho.
Seu filho terá justiça, Sra. Escalante.
Ah, o Senhor,
é a única justiça.
Quer fazer alguma coisa?
Muito bem, pode fazer algo por mim, e pelo meu filho.
Uma coisa.
Mate-os.
Mate os assassinos.
Da mesma forma que eles mataram meu filho.
Arranque os olhos deles,
Ataque-os com facas,
do mesmo jeito que eles atacaram meu filho,
embora ele fosse cego.
Mate-os como animais que eles são.
Mate-os e vão livrar as ruas desses animais.
Isto pode fazer por mim, Senhor.
E pelo meu filho,
que está morto.
É isto que fará, Hank?
Olá, Mary.
Vai matar meu filho?
Vai arrancar os olhos dele e atacá-lo com uma faca na escuridão?
Vai matá-lo como a um animal?
Este é o Tenente Gunderson.
Srta.... Sra. Di Pace.
Danny não teve nada a ver com isso.
- Temo que sim. - Não, não.
Ele está protegendo alguém ou alguma coisa.
Eu o conheço.
Eu o conheço, ele é meu filho. Você não conhece.
Ele jurou para mim que não é membro dessa gangue.
Já aconteceu, Mary.
É isso que meu filho é para você?
Só mais um caso, só mais uma convicção? Ele é meu, Hank.
Danny terá um julgamento justo, como os outros dois.
Conhece essa vizinhança.
- Você é culpado antes de ser preso. - Mary.
Procura evidências para provar a culpa dele.
Mas procura evidências para provar que ele é inocente?
Não, isto não ajudaria você, ajudaria?
Não iria ganhar uma estrela de ouro, iria, Hank?
São todas iguais.
Todas dizem a mesma coisa.
"Meu filho não fez isto." "Meu filho não poderia fazer isto."
"Meu filho é um bom rapaz."
Todas acreditam nisto, também.
LEIA: O CEGO E OS ASSASSINOS ADOLESCENTES.
- Posso entrar um pouco? - Por favor.
Por favor, Hank.
Entre.
Estou ligando para um porto riquenho.
Quero que ele lhe conte uma coisa.
Ele veio visitar Danny no último verão, para agradecê-lo.
Sente-se, Hank.
José?
Pode vir à minha casa agora?
É a mãe de Danny.
Fui procurá-lo ontem. Sente-se.
Como ele faz... como ele faz para cruzar a terra de ninguém?
Bem, ele vem pelas adegas e depois pela velha área...
Por cima do teto?
Sim, eu lembro.
Logo ele estará aqui. Espere, Hank. Vou trabalhar daqui a pouco.
- Trabalho numa loja de eletrodomésticos... - Vou esperar.
Cigarro?
Vou lhe servir um café.
Não, não...
José?
José, esse é o Sr. Bell.
Ele é meu amigo.
É amigo. Pode conversar com ele.
Os Aves Trovão vão me matar se souberem que estou aqui,
e os Homens Cavalo farão pior. Dê-me os dólares.
José, conte para ele, por favor.
Conte, filho.
Conhece a piscina, senhor?
- Na Rua 124? - Sim.
Bem, lá há uma trégua. Não há briga.
Estive lá com alguns Homens Cavalo.
Não nado muito bem, sabe?
Qual é o problema, Reardon?
Olhe na água.
Não vejo nada na água.
Hispanos.
O que eles estão fazendo?
Gosta de nadar com eles?
Ei, Danny!
Ei, Danny! Venha cá.
Sim, qual é a novidade, velho?
Dê uma olhada. San Juan está contaminando a água.
Nunca viu um hispano antes? Eles nadam aqui todos os dias.
Hoje eu não gostei.
O que você é, Chefe do Dept. de Imigração ou algo assim?
Eu sou eu. Não gosto disto e vamos expulsá-los rápido.
Danny, não se meta em problemas.
Então, o problema é seu. Considere-se o chefe, certo?
Tudo bem, tudo bem. Deixe comigo. Vamos acabar com isto.
Por que está usando colar?
Pensei que só as moças usassem colares.
Não é um colar.
Isto é Jesus Cristo.
Não tem religião?
Você tem religião.
Ele tem religião, rapazes.
Vamos ver o quanto é religioso, hispano.
Não me chame de hispano!
Veremos se consegue andar sobre as águas, hispano.
Ei, não sei nadar bem.
Eu lhe disse! Eu lhe disse! Não nado muito bem!
Ele está tentando afogá-lo, estúpido!
Chega, solte-o. Basta!
Não o solte!
Maldito. Vai matá-lo!
Cuidado, cuidado.
Obrigado, José.
Obrigada, José.
Acredita que quem faz isto,
esfaquearia até a morte um rapaz cego e indefeso?
Se ele não fez, vamos descobrir que não fez.
Confie em mim, Mary.
Sabe, Hank,
cometi um erro terrível ao deixar você.
Soube disso no dia seguinte que casei com Johnny.
Ele tornou-se um mafioso mesquinho.
Nunca disse a Danny que tipo de homem o pai dele foi.
Mas ele é um menino muito direito.
E às vezes eu o pego me olhando,
e pensando, "que tipo de mulher é essa? Casar com um tipo como aquele."
E então,
só para fazê-lo não pensar mais em mim,
eu falava sobre você.
Sabe, quando liamos seu nome nos jornais,
ficávamos sabendo o que você andava fazendo.
Então eu pensava,
"Você não pode ser de todo errada. Um homem como esse quis casar com você."
Não queira o pior para você, Mary.
Vai tentar ver Danny como ele realmente é?
Vou conversar com ele.
Ele poderia ser nosso filho.
Isto foi há muito tempo, Mary.
Nós crescemos.
Talvez isto seja muito ruim, mas nós crescemos.
Danny vai crescer?
- Adeus, Mary. - Adeus, Hank.
235 chamando. Câmbio.
Hardy falando. Câmbio.
Aqui é Bell, Hardy.
E sobre as facas do assassinato de Escalante? Câmbio.
Hardy... sobre as facas?
- Bem, encontrou-as? - Ainda não.
- Quantos homens designou para isso? - Todos os disponíveis.
- Quantos são? - Dois.
Não basta, Tenente. Temos que colocar mais homens nisto.
E é melhor colocar alertas em todas as unidades sobre aquele carro.
Deveriam ser colocados em todos os lugares.
Quero informes diários do seu escritório.
Em que ordem quer que esses pedidos sejam atendidos? Câmbio.
Quem é esse personagem?
Não tenho o dia inteiro, Bell. Câmbio.
Deixe-me falar com o chefe do seu departamento.
Ele saiu de férias esta manhã, e ele é o único que pode dar
autorização prioritária para designar mais agentes.
Ele não designou ninguém para fazer isto por ele?
Não designou.
Seu departamento se desmorona porque um homem sai de férias?
Encontraremos suas facas o mais breve possível, Sr. Bell.
Claro, só temos que encontrar um veículo sem descrição que
deve estar em algum lugar de Nova Iorque, Connecticut, ou Nova Jersey,
Arizona ou Texas.
Não que não possamos fazer isto, entenda, apesar de sermos poucos,
e estarmos sobrecarregados e mal pagos.
Mas sei que não está interessado em nossos problemas internos. Câmbio.
Veja, Hardy, odeio ter que contar isto ao meu chefe. Câmbio.
Eu também. Foi bom conversar com você. Câmbio e desligo.
- Para onde vamos, Hank? - O que?
Para onde?
Para a prisão da Rua Raymond.
DEPARTAMENTO DE CORREÇÃO
Muito bem. Agora, vamos. Façam silêncio.
Calem-se.
Meus pais não me entenderam.
Eu só queria ir para o campo ver vacas.
Mandaram-me para esta rua miserável para brincar com meninos maus.
Que pais, hem? Mas não foi culpa deles.
Eles eram muito pobres.
Muito bem, Batman. É sua vez.
Eu, eu sou um estúpido. Você sabe.
Sou louco, é o que dizem.
Não sei ler direito, sabe.
O doutor, ele me diz, que minha mente é um pouco confusa,
sabe, não sei fazer ovos mexidos. Bem...
Mostre a ele o quanto é estúpido, seu estúpido.
Vamos, diga como você é estúpido.
Bem, estou no sexto ano,
acho que pela quinta vez, é verdade.
Meu pai é alcoólatra.
Minha mãe recebe inquilinos e sai com eles, também.
Tenho uma irmã. Não sei se ela é minha irmã.
Por isso sou tão perturbado.
- Ele tem uma música sobre isso. - Sim.
Vamos, cante-a, estúpido.
Sim, sim.
Minha mãe joga neve para os pássaros da neve
Meu pai faz barbas com gin
Minha irmã vende jazz para ganhar a vida
E é assim que o dinheiro aparece
O consultório do Dr. Walsh?
- No fim do corredor. - Eles são todos seus.
Ei, não fará as perguntas de praxe?
De pé.
Não quero que faça outro teste de Rorschach.
Não me importa se ele está fingindo.
Não me importo.
Os fingimentos dele revelam tanto quanto suas reais reações.
Isto é verdade. Sim, sim.
Sim, tenho que desligar. Até logo.
Meu nome é Bell, do Escritório de Advocacia.
Oh, sim.
Sei que estão construindo uma cadeira elétrica...
para garotos do norte do estado.
Doutor, que maneira amável de receber-me.
A acusação é de primeiro grau, não é?
Usualmente é, em assassinato premeditado.
Abusos, lares desfeitos. Fico feliz por não terem caido numa dessas...
modernas bobeiras sobre problemas emocionais, meio ambiente,
ou lares desfeitos.
Uma pequena execução em massa de vez em quando, iria freiá-los.
Não tem sentido.
Veja, doutor, vim aqui perguntar sobre os rapazes.
Já conversei com Reardon e Aposto.
Esses são velhos profissionais.
Passaram por aqui...
regularmente desde que tinham 10 ou 11 anos.
- Di Pace já esteve aqui antes? - Não. É a primeira vez.
Fale-me sobre ele.
Ele é brilhante. QI de 135. Gosta de ler.
Claro, os testes psicológicos mostram agressão e medo, como os dos outros.
E sobre Reardon?
Delírios de grandeza. Profundo sentimento de inferioridade.
Odeia qualquer um de pele ou religião diferente.
No fundo, é medo, com certeza.
Mas tem mais medo do que os outros.
Aposto é tão estúpido quanto parece?
Retardado.
Muito.
Como psiquiatra, diria que ele é legalmente são?
Sabe que as palavras são e insano não têm significado em medicina?
- Têm significado na lei. - Lido com gente, Sr. Bell.
Não com tecnalidades legais.
Onde está Di Pace?
- Na seção juvenil. - Obrigado.
E, a propósito,
espero que perdoe minhas más maneiras.
É um reflexo condicionado com oficiais públicos, imagino.
Esqueça, doutor. Todos nós temos problemas emocionais.
Sente-se.
- Cigarro? - Dispenso.
Quero ouvir seu lado da história, Danny.
Pode ajudar a soltar-me? Pareço maluco?
Meus advogados permitiram que falasse comigo?
Sabem que estou aqui. Deveriam ter-lhe dito que está em apuros.
Disseram que sou inocente até que provem o contrário.
Terá um julgamento justo,
não por um tribunal infantil, será julgado como adulto por assassinato.
É melhor contar sua história.
Muito bem.
Em duas palavras: auto-defesa.
Danny, isto é estupidez, você sabe. É estupidez insistir nisso.
Idiota e meio. Então, sou estúpido.
Um pouco medroso, também?
Ninguém me amedronta, ainda mais um vadio como você.
Não seja insolente, Danny. Vim porque sou amigo da sua mãe.
Não me engane, Sr. Bell.
Bell. Seu nome é Bellini, e é italiano como eu.
Qual o problema, Sr. Bellini? Envergonha-se de ser italiano?
Deixe-me lhe dizer uma coisa, Sr. Bellini.
Não ande em ruas escuras sozinho.
Não tem coragem nem para enfrentar um fracote, muito menos os Aves Trovão.
Parece um mariquinhas.
E afaste-se da minha mãe, falso italiano!
TERRITÓRIO DOS HOMENS CAVALO
Com licença. Estou procurando Zorro.
Vá embora, não me aborreça. Vá, senhor.
Sr. Bell, o que o traz ao meu bairro?
- Quero conversar com Louisa Escalante. - Por que?
Ela estava lá no dia do crime. Gostaria de conversar com ela.
Só uns minutos. Vou lhe pagar uma cerveja.
- Eles pensam que sou policial, não? - Por que acha isto?
Bem, esta camisa branca, este terno.
- Conhece o Harlem? - Morei aqui.
Acham que sou policial e não querem estar por perto se houver arrastão.
Este bairro é calmo.
Se houver arrastão, eles jogam as coisas fora e podem cair a seus pés.
Pode acontecer de você ser preso por reter coisas.
Ou pela acusação de querer vendê-las.
Vamos tomar duas cervejas, Miguel.
A cerveja aqui é boa. Você vai gostar.
Então, está trabalhando por Roberto?
Bem, pode-se dizer que sim.
Os Aves não têm chance... ou têm?
Acho que temos um caso muito bom.
Sim? Amigo, é melhor dar-lhes o que merecem.
Os outros são ruins, mas eles são os piores.
Você não gosta deles, gosta de alguém?
Homem, ponha-se no meu lugar.
Os negros nos olham com desprezo. Os italianos também.
Os irlandeses chegaram aqui antes dos índios.
Homem, minha raça é orgulhosa.
Porto Rico não é uma selva africana.
E os italianos, que diabos eles são?
Mussolini, foi um grande fedorento.
Michelangelo, o que tem demais?
Conhece um cara chamado Picasso?
- Sim. - Bem, Pablo Picasso, homem,
fui ao museu olhar as pinturas dele.
Ele é um gênio.
O maior artista que já viveu, homem. Um gênio.
E você sabe...
Aquele é o entregador que não vou pagar.
Sabe, Picasso, tem o mesmo sangue nas veias que corre nas minhas.
E sabe o primeiro violino do Salão Minsk?
É porto riquenho. Vamos.
Essa é uma contribuição para seu fundo de guerra?
Veja, temos três quarteirões aqui.
E assim é nossa ilha, a pequena Porto Rico. Entendeu, Sr. Bell?
E queremos ir embora.
Mas enquanto estivermos aqui, protegeremos nosso território.
Todos têm que respeitar. E você sabe o que as pessoas respeitam. Força.
Eis nossa contribuição para sua caridade favorita.
Sabe que não é esta a questão. Não é pelo dinheiro.
Não podemos deixar que...
entrem e saiam daqui sem saber de quem é este lugar.
- Como os Aves Trovão? - Sim, como os Aves Trovão.
Veja o que aconteceu com o pobre Roberto.
Pobre, inocente e cego, nunca fez nada de errado.
Diga-me. Os Aves Trovão sabem que vocês protegem este território.
Como explicam três deles terem vindo aqui invadi-lo?
O Aves Trovão são um lixo, é por isto.
São viciados em droga, você sabe.
É verdade.
Eles não estavam drogados.
Está certo. Não estavam, não naquela ocasião.
Mas é aquele Reardon.
- E os outros dois? - Aposto?
Homem, aquele faz o que qualquer um mandar.
E Di Pace?
Ele é um selvagem.
Sabe, ele livrou um dos nossos de um problema, certa vez.
Agora, por que um italiano ajudaria um hispano?
Não. A culpa é de Reardon.
Ele tem buracos na cabeça. Eu que fiz um deles.
Bati naquele idiota, ele caiu e pisei na cabeça dele.
- Sabe por que? - Para que ele não levantasse...
pois se levantasse, você cairia e ele bateria em você.
Parece que você já foi pisado.
Um toque aqui outro ali.
Homem, este ditado só serve para escrever em paredes de banheiros,
ele fede, homem, fede.
Isto é o que este ditado é.
Bem, a mamãe não deixaria seu bebê vir aqui...
então, vá à casa dela conversar. Está bem?
Quanto devo garçon?
- Pago a cerveja. - Eu pago.
Já disse que eu pago.
Obrigado.
Sra. Escalante.
Gostaria de conversar com sua filha.
Pode conversar aqui mesmo.
Louisa, gostaria de perguntar-lhe,
o que exatamente aconteceu na noite que Roberto foi assassinado?
Contei várias vezes aos guardas.
Eu sei, mas eu...
gostaria que contasse para mim.
Eu estava sentada aqui.
Maria estava lá.
Nós os vimos vindo.
Eles pularam em Roberto e o esfaqueram, foi só isto.
Roberto tinha uma faca?
Uma faca?
Seu policial sempre pergunta por essa faca.
E por que? Não é verdade. Roberto nunca teve uma faca.
Os três rapazes disseram que ele puxou uma faca.
É mentira.
Uma moça viu, também.
Não é verdade. Quem é essa moça?
Louisa, pode dizer-me uma coisa?
Essa moça disse que viu algo fulgurando.
O que estava fulgurando?
- Fulgurando? - Brilhando.
Era a gaita dele.
A gaita na qual ele tocava as músicas dele.
Era isso que brilhava.
Foi a isso que você se referiu.
Damas e cavalheiros, conheçam nosso próximo governador, Sr. Dan Cole.
Obrigado, obrigado, obrigado.
Amigos, desculpem o atraso.
Eu estava dando uma entrevista.
Homem, isto é grande. Simplesmente grandioso.
- Primeiro Albany, depois a Casa Branca. - Parabéns, senhor.
- Maravihoso, Dan. - Oh, a comida.
- Não muito cru para o Sr. Cole. - Para mim sim, por favor.
Para o Sr. Bell, suculenta.
Hank, percebe que uma condenação no caso Escalante...
vale mais que 50.000 votos só neste distrito?
50.000?
Bem, é um número expressivo.
- Acho que pode contar com isso, Dan. - O caso está indo bem?
Não vejo porque não conseguirmos a condenação em primeira instância.
Você será um vencedor.
Hank, tenho uma grande idéia publicitária.
Por que não tira sua foto ligando o interruptor da cadeira elétrica?
Você tem um bom potencial político, Hank.
Mas precisa da cooperação de todas as frentes.
Não se preocupe comigo, Sr. Cole.
Creio muito em eletricidade.
Minha esposa se formou em sarcasmo em Vassar.
Sim. Com licença, por favor.
Agora ouçam isto.
Atenção todos.
Antes que Dan Cole nos diga o que pensa,
gostaria de dizer a vocês tudo o que penso.
Acho que Dan Cole está na crista da onda.
E estou muito orgulhoso. Orgulhoso do nosso partido e de Dan Cole.
E estou orgulhosa do velho Hank Bellini.
- Adeus, Sr. Suprema Corte de Justiça. - Espera-nos uma campanha difícil...
e vamos trabalhar de sol a sol.
Se quiser mais uns milhares de votos, eletrocute alguns jovens.
Você da terceira geração progressiva.
Sentada em Vassar recebendo gordos cheques do seu pai.
Qual foi a última vez que surrupiou dólares?
Acha que posso tolerar esse falso idealismo de vocês?
Tenho um trabalho a fazer. Entre neste carro.
Vou estacionar o carro. Voltarei num minuto.
Não tenha pressa.
Socorro. Hank!
Hank!
Hank!
Karin! Karin!
Karin.
O que foi, Karin? O que aconteceu?
Aqueles rapazes. Aqueles rapazes.
- Como a senhora sente-se esta manhã? - Como acha que ela se sente?
Kirk e Bronski ficarão com ela até isto terminar.
- Como vai? - Sintam-se em casa.
Tem muito café no fogão.
Onde fica a loja de doces onde os Aves Trovão comiam?
Por que? Quer ir ao Harlem italiano?
Não foram os porto riquenhos que nos visitaram ontem à noite?
Muito bem. Vou com você.
Não, vou retribuir esta visita pessoalmente.
Por que não trazermos os Aves Trovão aqui?
Qual é o endereço?
Casa de Doces Moretti, Rua 117, quadra 1.
O belo Savoricci. Esse é o homem.
Posso ajudá-lo?
Os Aves Trovão vêm aqui?
Veja, senhor, só vendo sodas aqui.
Nada mais.
Sou do escritório da promotoria.
Tenho a lista dos nomes e endereços dos Aves Trovão.
Posso pegá-los e levá-los para um interrogatório,
ou dirá onde posso encontrar o belo Savoricci?
Ei. Ei.
Venha cá.
Estávamos lendo sobre um sujeito da promotoria.
A esposa dele foi agredida por alguns loucos ontem...
Pancho, traga uma cadeira para o fiscal.
- Não, obrigado. - Isto não é educado.
Onde está o belo Savoricci?
É muito corajoso, Sr. Fiscal. Vem aqui sem nenhuma escolta.
Vão dizer onde posso encontrar Savoricci ou terei que obrigá-los?
Por que exatamente quer vê-lo, Sr. Fiscal da Promotoria?
- Onde fica o telefone? - Ei, Sr. Fiscal da Promotoria,
qual é o problema? Não pode relaxar um pouco?
Não se altere.
Brincamos assim o tempo inteiro.
Torna a vida interessante, você sabe.
Não se preocupe, eu mesmo direi a ele.
Este imbecil do escritório da promotoria quer vê-lo.
Não bate antes? Não tem educação?
Você é o belo Savoricci?
Sabe por que me chamam de belo, Sr. Bell?
Imagino.
Porque sou feio.
Quem me chamar de feio, está morto.
Morto.
A mesa está inclinada. O piso tem um declive.
- Você é rude, não é? - Já ouviu falar de mim?
Dezesseis vezes tive meu nome nos jornais.
Sempre davam meu endereço ou meu nome errado. Savoricci!
Você é...
Você é italiano, também?
Certo, Sr. Bell.
Ponha isso aí.
Ouça, seu vadio.
Dois dos seus marginais foram ontem ao meu apartamento...
aterrorizar minha esposa.
Sim, fiquei triste ao saber disto.
Eles são esquentados, sabe. Não posso vigiar todos.
São membros da sua gangue e você é o líder.
Se isto voltar a acontecer, vou responsabilizá-lo, pessoalmente.
Sr. Bell, já pedi desculpas.
Diga à sua esposa que sinto muito.
Lembre do que eu disse.
Sr. Bell.
A bola branca, por favor.
Obrigado, Sr. Bell.
Sr. Bell,
é difícil manter meus rapazes na linha se eles o verem...
passar uma noite bebendo com os hispanos.
Soubemos que andou charlando com os Homens Cavalo, no Tres Putas.
Eles são rudes, sabe disto, não?
Daí veio seus nomes: Homens Cavalo. Com H maísculo de heroina.
Se um dos nossos rapazes pegar no lixo, quebro o braço dele.
O taco está torcido.
Outra coisa, Sr. Bell,
você tem se aproximado da melhor testemunha deles.
Odeiei saber disto. Tenta incriminar três rapazes decentes.
Aqueles três cometeram assassinato.
Muitos bons rapazes, através da história, mataram pessoas.
Na guerra, quanto mais gente você matar, mais ganha medalhas.
Bem, isto não os deixa menos bons, deixa?
O que acha do rapaz que inventou a bomba H?
E ele ganhou a maior medalha de todas. Quanta honra.
É como você saisse por aí dizendo, "que grande rapaz, inventou o câncer."
Não, Sr. Bell.
Está errado ao tentar incriminar aqueles 3 rapazes.
Eles são bons. Todos eles. Eles têm coração.
Coração para apunhalar um rapaz cego, que tocava gaita.
Talvez aquele cego precisasse ser apunhalado.
Já pensou nisto, Sr. Bell?
Acha que ser cego fez dele um anjo?
Ser cego o fez ser assassinado.
Muito bem. Quer saber a verdade sobre Escalante?
Isto vai surpreendê-lo.
Pensei que ele fosse apenas um cego, também.
Ninguém percebia. Ele era cego, e daí?
Soube que os Homens Cavalo estavam rondando,
brigando com a gangue do bairro vizinho.
Fui olhar.
Era uma verdadeira revolta, com armas, martelos e outras coisas.
Então ví algo esquisito, que não encaixava.
Um anjo cego.
Mas por que?
Os guardas começaram a chegar e descobri porque.
O ceguinho fazia a cobertura, era um truque.
Entregavam as armas para ele.
Ei, você!
Os Homens Cavalo estavam limpos.
Os guardas não puderam prender nenhum.
Homem inteligente. Era o chefão daquela gangue.
Aquele bom rapaz cego.
Olá, Diavolo.
Eu os chamei para que me façam o favor...
de escoltar o fiscal até o limite da nossa zona.
Onde Zorro mora, querida?
Obrigado.
Olá, Sr. Bell.
Entre.
Entre no meu escritório.
Sente-se.
Fique à vontade.
Não posso oferecer-lhe cerveja mas aceito um cigarro.
- Por que mentiu para mim? - Menti para você, Sr. Bell?
Roberto Escalante era líder de gangue.
Então fez uma investigação, não?
Ouça, vadio.
Você pode mandar nessas três quadras,
mas quando conversarmos, quero a verdade.
Bem, este mundo é cruel, Sr. Bell.
Cegos não podem ficar sentados sem fazer nada, só porque são cegos.
E, já que está tão interessado, vou lhe contar mais uma coisa.
Roberto não era só irmão de Louisa.
Era o cafetão dela.
Louisa, uma prostituta?
Louisa é prostituta.
E Roberto era o cafetão cego da própria irmã.
O que acha disto, Sr. Bell?
E agora vou lhe dizer mais uma coisa.
Não me importo. Não me importo se ele batia na mãe ou se vendia drogas.
Roberto foi assassinado por 3 rapazes que o odiavam...
por ele ter a pele mais escura.
Reardon veio aqui como os japoneses durante a guerra, um ataque suicida.
É certo matar um espanhol no seu próprio território? Ele matou Roberto.
A lei diz que quem faz faz isto deve morrer, Sr. Bell.
É seu trabalho providenciar para que aqueles três sejam mortos.
Veja, não temos muito, mas isto nós queremos.
Não me importo com o que esteja fazendo com a mãe de Di Pace.
Só não tripudie sobre nós.
Dê-me um cigarro.
Alô, Dan? Aqui é Hank. Estou no Harlem.
Ouça bem.
Nosso pobre e indefeso cego era o principal líder dos Homens Cavalo.
E era o cafetão da nossa testemunha, de apenas 16 anos...
Pode esperar um pouco, Hank?
Jack, cancele a notícia sobre Louisa Escalante.
E é melhor ligar para aquele colunista, o que ia fazer...
o poema para o ceguinho.
Diga a ele para esquecer. Não pergunte o porquê.
Bem, agora, o que isto representa para nós?
Não tenho tempo para imaginar todos os detalhes.
Mas gostaria de voltar e dar outra prensa em Danny Di Pace.
Hank, você não pode fazer isto.
Está muito perto do julgamento para interrogar os rapazes.
A defesa iria revoltar-se.
Temos que nos arriscar, Dan. Quero tentar dobrar aquele rapaz.
Hank, absolutamente não!
Dan. ligo para você quando eu voltar.
Você parece muito bem, Danny.
Danny, o Sr. Bell tem algumas perguntas a lhe fazer.
Algo muito importante veio à tona.
Pode confiar nele.
Danny, talvez isto vá ajudar-nos.
Eu lhe disse para afastar-se dela.
Danny, você é membro dos Aves Trovão?
- A quem importa? - Bem, à sua mãe importa.
Sei que você jurou. Jurou nunca juntar-se a uma gangue.
E se eu me juntasse?
Quebraria a promessa que fez para ela?
Quebrou, Danny?
Por que?
Por que, Danny?
Os Aves Trovão são meus amigos.
Danny, você brigou com Reardon certa vez, para salvar um porto riquenho.
O que houve para que depois matasse um deles?
Descobri quem eram meus verdadeiros amigos.
- Seus amigos o trouxeram para cá. - O que quer? Separar-me dos outros?
- Pegar-me para ser evidência do estado? - Você não é como aqueles rapazes.
Confie nele, você disse, e ele quer que eu delate meus amigos.
Eu nem deveria conversar com você, já que veio com ele.
Vocês ficam muito bem juntos. O que anda fazendo, está dormindo com ele?
Bem, agora eu sei.
Hank, talvez fosse melhor ter-me trazido para casa,
mais inteligente... - Entre.
- Obrigada, Hank. - Tudo bem.
Nao fui uma boa mãe, não é?
- Se ele tivesse tido um pai talvez... - Sim, um pai.
Não sei. Eu sempre soube...
que um rapaz fica problemático quando não tem amor.
Amo Danny mais que qualquer coisa neste mundo.
Agradeça a Deus, Hank. Você não precisou criar um filho nestas ruas.
Boa noite.
Doutor, posso fumar?
- Se é o que quer... - Gunderson.
- Como se sente? - Oh, homem.
Sinto-me doente.
Isto é uma surpresa.
Fiquei nesta distância.
Nesta distância para matá-lo.
Olá, Karin. Estou bem, querida.
- Olá, minha linda. - Pai.
Fui atacado quando tentava chegar à base.
Gunderson nos contou.
Não foi tão ruim quanto parece. Foram só algumas costelas.
Vou ficar bem. Vou sobreviver.
Tenho que sobreviver.
Preciso estar preparado para o julgamento daqui a uma semana.
Ou fiquei confuso?
Não, nem por um minuto.
Protegi meu rosto, por isso não pareço tão ruim. Vaidade.
Esta é a diferença entre o Dept. de Polícia e o Escritório da Promotoria.
Vocês protegem seus belos rostos, os nossos protegem os rins.
Pare de fazer piadas, Gunderson.
Que gangue foi essa, Pai?
Não sei, linda, se os Aves Trovão ou Os Homens Cavalo,
pode ter sido uma delas ou ambas.
Karin,
eu estava sufocando-o e não conseguia parar.
Queria muito que não tivesse.
Que não tivesse parado.
Muito bem, vamos virá-lo para o lado esquerdo, por favor.
Devagar, calma. Devagar.
- Karin? - Sim, amor.
Ele só tinha 15 ou 16 anos...
e eu estava tentando, de todo meu coração, matá-lo.
Você entende?
Entendo.
- Sim. - Alô, Bell. Encontramos as facas.
O que? Quem está falando?
- Tenente Hardy. - Tenente Hardy? Espere um pouco.
- Qual é o problema, Hardy? - Encontramos as facas.
Encontraram as facas?
Ligou para dizer que encontraram as malditas facas?
Qual é o problema, Bell, você disse que as facas eram importantes.
O que eu poderia fazer com elas a esta hora da noite?
- Quer uma sugestão? - Não tem graça, Hardy.
- Em que condições elas estão? - Ensanguentadas.
Mande-as para o laboratório. Quero o tipo sanguíneo e as impressões digitais...
de manhã. - Não quer saber
como as encontramos?
Não muito. Mais alguma coisa?
Uma senhora em Kew Gardens encontrou sua filha de 3 anos mastigando a
alça de uma delas no banco de trás de uma Plymouth verde clara.
Você ajudou muito com a descrição do carro, Bell.
- Um Ford ou um Chevy escuro. - Hardy, nunca mais me ligue
a esta hora da noite. - Boa noite.
Hank?
Hank, você está bem? Algo o machucou?
Estou bem, As costelas estão um pouco doloridas, só isto.
Ainda está com aquela protuberância na mandíbula.
Faremos uma maquilagem nela antes de você ir ao julgamento.
Só me faltava esta.
O que acha das suas vítimas de opressão social, agora?
Não sei do que está falando.
Você estava muito segura de si naquela noite na festa de Cole.
Sinto muito por aquilo, Hank. Fiz papel de boba.
Foi por Escalante, você disse.
"Querido, tenho uma maravilhosa idéia para um golpe publicitário.
"Tire uma foto sua acionando o interruptor da cadeira elétrica. "
Não é uma piada muito engraçada. Foi efeito do martini.
Você não estava tão bêbada. Sabia o que estava dizendo.
Já é tarde, vamos dormir, podemos conversar sobre isto de manhã.
Aqueles criminosos a assustaram quase até a morte e quase me mataram.
Ainda acha que eles precisam de uma especial consideração e atenção?
Não acha que eu seja conivente com esse tipo de violência, acha?
Faria tudo para descobrir a motivação desses monstros.
Estive no Harlem várias vezes. Na casa deles. Cuspiram na minha cara.
O que mais alguém pode fazer? O que você faria?
- Não sei. - Não sabe?
Muito bem, cometi um erro.
Qual foi o erro? Não acredita no que disse?
Muito bem, Hank, pensei em cada palavra que eu disse naquela noite.
Você disse mais uma coisa.
Velho Hank Bellini.
Danny Di Pace disse isto, também.
"Qual é o problema, Sr. Bellini? Envergonha-se de ser italiano?"
Meu pai era ignorante.
Achava que a forma de ser um bom americano seria trocando seu nome.
Sempre foi fácil para mim explicar, "Meu pai fez isto."
Agora percebo que eu não só segui isto, também me agradava.
Secretamente eu ficava feliz que meu nome fosse Bell e não Bellini.
Era uma forma de sair do Harlem.
- Assim como casar com você. - Casou comigo porque me amava.
Hank, sei o que você está passando agora.
De alguma forma vai encontrar a resposta.
"O juri do condado de Nova Iorque...
"acusa Arthur Reardon, Daniel Di Pace e Anthony Aposto...
"de assassinato premeditado em primeiro grau...
"no dia 25 de Julho de 1960,
"no condado de Nova Iorque, de esfaquear criminosamente Roberto Escalante.
"E no local e tempo estabelecido causando a morte do mencionado Roberto Escalante,
"sem desculpas ou justificativas.
"Assinado, capataz do Grande Júri, William Henry Baines."
- Bell? - A defesa deseja abrir?
Este é o diagnóstico do laboratório sobre as facas.
- Sua Excelência. - Obrigado, Hardy.
- Não vai ler? - Quando eu estiver preparado.
- Não achava que as encontraríamos, achava? - Não encontraram, elas apareceram.
É muito interessante, acho bom você ler.
... não se trata de um fato, mas de uma mera acusação.
Sei que manterão suas mentes abertas...
até que ouçam todas as evidências de ambos os lados,
para que seus vereditos sejam justos.
Obrigado pela atenção de vocês.
Diga seu nome, endereço e idade.
Louisa Maria Philippa Garcia Escalante,
Rua 110, oeste, nº 49 e meio, 16 anos.
Louisa, você é irmã do rapaz assassinado?
Protesto. Reformule sua pergunta, Sr. Bell.
Você é irmã de Roberto Escalante?
Eu fui.
Na tarde do dia 25 de Julho de 1960,
você estava sentada na escadaria da frente da casa...
onde você mora, na Rua 110, oeste, nº 49 e meio?
- Sim, senhor. - Quem estava lá com você?
- Meu irmão, Roberto. - Mais alguém?
Sim, senhor. Minha amiga, Maria Creva.
- O que fazia lá? - Estava conversando.
E seu irmão?
Estava tocando gaita.
Vocês três sentados na escadaria, pensando nos seus próprios negócios,
assistindo a vida passar. Estou certo?
Roberto não estava assistindo a vida passar.
Quer dizer que ele era cego?
Sim.
- E ele estava tocando gaita? - Sim.
Algo aconteceu para interromper aquele momento?
- Eles! Aqueles foram... - Louisa. Louisa.
Tente controlar-se.
Sente-se.
Tente contar-me claramente e com calma, exatamente o que aconteceu.
Três rapazes vinham pela rua.
Quando chegaram aonde estávamos,
puxaram facas dos seus bolsos...
e esfaquearam Roberto.
Esfaquearam muitas vezes. Eles o mataram.
Roberto puxou uma faca?
Ele não tinha faca.
Ele fez menção de atacá-los?
Por que ele atacaria aqueles rapazes?
Ele nem sabia que eles estavam lá.
Era cego.
Por que ele atacaria aqueles três rapazes?
O que os rapazes fizeram depois, Louisa?
Fugiram.
Olhou bem para eles antes de fugirem?
Sim, senhor.
Se os visse novamente, os reconheceria?
- Sim, senhor. - Eles estão neste tribunal?
Logo ali.
Louisa, só para que não haja possibilidade de erro...
e para que a corte saiba exatamente de quem você está falando,
quero que levante e vá até os 3 rapazes que mataram seu irmão,
e ponha sua mão no ombro de cada um, para identificá-los.
Srta. Escalante, a corte sabe da extensão do seu envolvimento emocional...
neste caso. - Belo trabalho, Hank.
Pegue, leia isto.
- É muito interessante. - Não acabei o assunto com ela.
- Se quiser um curto recesso... - Não, estou bem.
Vou ficar bem.
Quero responder às perguntas.
Louisa, qual é sua ocupação?
- Ocupação? - Como ganha dinheiro?
Está sob juramento, Louisa... lembre-se. O que faz para sustentar-se?
Sou uma rameira.
Quer dizer que é prostituta?
- Sim. - Quando tornou-se prostituta?
Eu tinha 14 anos.
Tornou-se prostitura aos 14 anos?
- Sim. - Foi coagida a fazer isto?
Protesto, excelência. Não vejo o propósito desse questionamento.
Bell, tem algo nisso que se aplique ao caso?
- Tenho, excelência. - Prossiga.
Foi coagida a exercer esta profissão?
Coagida?
Alguém, um homem mais velho, por exemplo,
foi a causa de você tornar-se prostituta?
Não, senhor. Eu mesma tive esta idéia.
Teve essa idéia, por que?
Não tínhamos dinheiro e minha mãe estava doente.
Não conseguiu arranjar emprego?
Eu tinha 14 anos.
Tentei arranjar emprego, mas não me deram permissão para trabalhar.
- E seu irmão? - Ele era cego.
Conseguiu algum dinheiro?
Consegui.
Sua mãe lhe perguntava onde conseguia dinheiro?
- Sim. - O que disse a ela?
Disse que estava nas ruas.
Disse à sua mãe que era prostituta?
- Sim. - E o que ela disse?
Ela disse,
"por que não a deixamos morrer?"
Sr. Bell, por que persiste nessa linha?
Excelência, estou tentado chegar à verdade.
Obrigado, Louisa.
Sem mais perguntas.
- Sua testemunha, Sr. Randolph. - Sem perguntas.
A defesa está pronta?
Excelêcia, a defesa pede um breve recesso.
A corte entrará em recesso por 10 minutos.
Sua apresentação foi magistral, Hank.
Vamos sair. Tire uma foto comigo.
Vá você, Dan. Quero ver isto de novo.
Estamos prontos, Dan.
Foi ótimo.
Diga seu nome, idade e endereço.
Anthony Aposto, 16 anos, e o que mais?
Seu endereço.
A corte tem o endereço de Anthony Aposto.
Anthony, sente-se.
Anthony Aposto, você também é conhecido como Batman?
- Sim. - Por que o chamam de Batman?
Não sei, todos me chamam de Batman.
Onde arranjou esse nome?
- Batman, das revistas de quadrinhos. - Eu sei.
Gosta de revistas de quadrinhos, Anthony?
- Sim gosto dos desenhos, sabe? - E das palavras, Anthony?
Bem, elas são boas também, imagino, sim.
Bem, deve ter uma pequena dificuldade com as palavras.
Sabe, não sou de ler muito.
Anthony, o que gosta no Batman?
Batman. Bem, ele não teme nada, sabe.
E... ele usa aquele terno preto legal o tempo inteiro.
E... está sempre brigando, você sabe.
Gosta de brigar, Batman?
- Claro. - É bom de briga, Batman?
Oh, rapaz. Meu pai pode lhe contar. Tenho um soco forte.
- É verdade. - Por que?
- Ele já viu você brigar? - Não, já dei um soco nele.
Por que gosta de brigar, Batman?
Não sei porque.
Tente pensar porque.
Por que o que?
Tente pensar porque gosta de brigar.
Porque sinto-me bem.
Você realmente concluiu seu trabalho aqui.
Ele até convenceu-me que esse garoto é louco.
Anthony, se esta corte liberá-lo, o que fará da sua vida?
Serei liberado?
Só responda a pergunta, Anthony.
- A pergunta? - A pergunta.
Se esta corte liberá-lo, o que fará da sua vida?
Não sei.
Se fosse liberado esta tarde, o que faria pelo resto do dia?
- Voltaria para o bairro. - E amanhã?
- Amanhã? - Sim. Amanhã.
Não sei. Tenho que saber o que farei amanhã?
Anthony, por favor, tente responder.
Bem, eu não sei.
Dr. Walsh, ouviu o que disse Anthony Aposto,
que ele gosta de brigar, porque isto o faz sentir-se bem.
Poderia explicar isto para o juri?
De forma simples, por favor.
O gosto de Aposto por brigas, provêm de duas fontes.
Primeiro, brigar dá-lhe status.
Segundo, em termos simples, Aposto gosta de sentir dor.
Dr. Walsh, acredita que Anthony Aposto...
seja capaz de um ato, digamos um ato de extrema violência,
que requeira premeditação?
Premeditação não combina com o estilo de Aposto.
- O estado de Nova Iorque... posso? - À vontade.
...é seu empregador, não é, Dr. Walsh?
Trabalho para o estado, sim.
Sabe que está depondo contra o estado de Nova Iorque.
Sei disto.
Não o aflige depor contra seu empregador?
A verdade é a verdade.
Temos que colocar nosso homem lá...
e acabar com esse depoimento imediatamente.
Mais tarde, não terá impacto.
Dr. Andrade,
como o competente psiquiatra que é, gostaria de saber mais...
sobre Arthur Reardon.
No seu relatório, está registrado que ele tinha...
mais que uma agressão normal, Acho que foi isso.
- E delírios de grandeza. - São partes das minhas descobertas.
Ele fantasiava sobre tornar-se muito importante na sua vizinhança.
Sonhava crescer a ponto de tornar-se maior em seu ramo que Al Capone.
Sim, ele sonhava.
Doutor, o senhor é um psiquiatra muito experiente.
Na sua opinião, na sua opinião profissional,
qual é a causa dessas agressões e delírios incontroláveis?
- Medo. - Medo?
Arthur Reardon é um jovem muito assustado.
Diria, genericamente, que ele é...
inseguro ou, especificamente, que é um covarde?
Bem, um leigo pode descrevê-lo assim. Sim.
Um covarde e um valentão.
Não sei o que a palavra valentão significa para você, Sr. Bell.
Um valentão é uma pessoa tão covarde...
que ataca apenas os que não podem se defender.
Como um rapaz cego.
Eu o chamaria de valentão e covarde.
Isso é mentira, seu porco fedorento!
Ordem. Ordem!
Arthur, sente-se!
Ordem, que haja ordem nesta corte.
Ele está me deixando doente.
Instrui os assistentes judiciais que, caso haja outra explosão,
vinda desse réu, ele será amarrado e amordaçado,
para que este julgamento não seja interrompido novamente.
Ninguém vai amordaçar-me! Neste país não se pode falar livremente?
Por que tentam dizer-me o que posso falar e fazer?
Amordaçem o réu.
Por que tentam amordaçar-me? Tenho meus direitos.
Hank, isso depõe contra nós.
Ele vai parecer um maníaco de cabeça quente e não um assassino frio.
Teremos agora uma tarefa difícil que é provar a premeditação.
Dr. Andrade,
você testificou que, na sua opinião profissional,
Anthony Aposto estava ciente da qualidade e natureza do seu ato...
quando esfaqueou Roberto Escalante.
Protesto!
Quando e se ele esfaqueou Roberto Escalante.
- Está correto. - Doutor,
pode dizer o que, realmente, se passava na mente de Anthony Aposto...
quando e se ele esfaqueou aquele rapaz?
A ciência ainda não encontrou meios de determinar...
o que, realmente, se passa na mente de um homem.
Se Anthony Aposto não sabia o que fazia,
então seria inocente aos olhos da lei, não seria?
Temo não poder responder perguntas sobre a lei.
Deixe-me colocar desta forma, Doutor.
Existe, em sua mente, a mais leve sombra de dúvida...
que Anthony Aposto sabia o que estava fazendo...
ao esfaquear Roberto Escalante?
Não tenho poderes psíquicos. Não posso responder sua pergunta.
Está ciente que, sob as leis dos Estados Unidos,
um homem é considerado inocente até que provem o contrário?
Oh sim, estou.
Obrigado, Doutor. Sem mais perguntas.
Isto é tudo, Doutor. Chame a próxima testemunha.
Chamamos Daniel Di Pace.
O que está fazendo?
- Procuro a verdade. - Há um procedimento adequado...
para chegar à verdade.
Não o coloquei neste caso para perder.
Procuro por justiça.
O juri decide a justiça.
Estou tirando-o deste caso, Hank.
Faça isto, Dan.
Gostaria de ouvi-lo explicando isto para os jornais.
Você o teria esfaqueado se ele não tivesse puxado uma faca?
Não, senhor.
Então, esfaqueou-o só para defender-se.
Obrigado, Danny.
Sua testemunha, Sr. Bell.
Excelência. Tenho aqui três facas que gostaria de por em evidência.
E também, um testemunho juramentado de uma tal Angela Rugiello,
para provar que estas eram as facas que os réus portavam,
no dia 25 de Jullho.
O juramento diz que Angela Rugiello
embrulhou as facas num jornal,
e jogou-as no banco de trás de um automóvel naquela mesma tarde,
na mesma condição que foram entregues para ela.
E, finalmente, tenho um relatório do laboratório policial,
sobre as condições das facas quando foram encontradas.
Gostaria de colocar isto em evidência, no momento apropriado.
Posso ver as facas, por favor?
Registre a declaração.
- Reconhece estas facas, Danny? - Não.
Está sob juramento, Danny.
Não adicione perjúrio na acusação contra você.
Isso é pior que ir para a cadeira elétrica?
Não as reconheço!
- Esta é sua faca? - Não lembro.
E esta?
Não lembro.
E o que diz desta?
Não lembro.
Não reconhece nenhuma das facas? Nenhuma delas?
Protesto! Está atormentando a testemunha.
A testemunha já respondeu a pergunta.
Protesto mantido.
Danny, teme admitir qual das facas era a sua?
Não, não temo!
Então, por que não a reconhece ao vê-la?
Protesto! O conselho está assumindo um fato não em evidência.
Não há depoimento ligando uma das facas à testemunha.
Vou manter isso.
Danny, você é um jovem muito brilhante, tem um QI muito alto.
Acha que o juri acreditaria que você...
não reconheceria sua faca ao vê-la?
Não me importo se acreditam ou não.
Quem viu Roberto Escalante primeiro?
- Não lembro. - Quem o esfaqueou primeiro?
- Nós o esfaqueamos ao mesmo tempo. - Quantas vezes o esfaqueou?
- Não lembro! - Eu o vi na Penal,
e você disse que esfaqueou Roberto Escalante 4 vezes!
Protesto!
Vou reformular a pergunta, excelência.
Danny,
confessou ou não que esfaqueou Roberto Escalante?
Sim. Em defesa própria.
Também não confessa que o esfaqueou 4 vezes?
- Responda sim ou não! - Protesto.
A testemunha sempre pode explicar sua resposta.
Que a testemunha, por favor, responda a última pergunta.
Sim! Acho que eu disse isto.
- E esfaqueou-o com esta faca? - Protesto!
- Responda sim ou não! - Protesto!
O conselho ainda não conseguiu identificar a faca.
Não posso questionar a testemunha, com minhas palavras sendo examinadas!
Está intimidando a testemunha!
- Dane-se, não o colocou como testemunha? - Sr. Bell, sem palavrões neste trinunal.
Excelência, desculpe-me.
Mas acho que estou quase descobrindo qual é a faca dele.
Se eu puder prosseguir, por favor.
A testemunha vai responder a última pergunta.
Leia a última pergunta.
"E você esfaqueou-o com esta faca."
Então, Danny?
- E se ela for a minha? - Responda a pergunta, sim ou não!
- Esta é sua faca? - Sim! Sim! Sim! Sim!
- E quantas vezes o esfaqueou? - Quatro! Quatro!
- Por que, Danny? - Eu lhe disse que ele me atacou...
- Por que, Danny? - Não sei!
- Por que? Por que? - Porque o outros,
porque os outros, eles...
- Porque os outros o esfaquearam. - Sim! Sim! E eles...
- Então, você o esfaqueou? - Sim, esfaqueei quatro vezes!
O que quer de mim? Eu o esfaqueei!
Eu o esfaqueei! Eu o esfaqueei!
Está mentindo, Danny.
Você nunca o esfaqueou.
Excelência, quero que esse laudo fique em evidência.
É um laudo oficial do laboratório de identificação criminal.
Ele afirma que a faca com o punho preto e branco,
a que você identificou como sua, não tem o menor traço de sangue.
Sua faca, Danny. Sem o menor traço de sangue.
- Não! Não! Eu a limpei. - Ninguém a limparia tão bem.
Não tão bem, a ponto do laboratório de polícia,
não encontrar um único traço de sangue.
Não, Danny. Você, realmente, nunca o esfaqueou.
- Só fingiu esfaqueá-lo! - Não! Não!
Você virou a alça da lâmina, e esfaqueou-o no ombro!
Não! Não! Eu o esfaqueei! Eu o esfaqueei!
Está mentindo, Danny. Danny, do que está com medo?
Danny. Você matou Roberto Escalante?
Nunca matei ninguém na minha vida.
Nunca, nunca. Oh, Deus! Nunca.
Tudo bem, Danny. Tudo bem.
Odeio chorar.
- Chorar fica para bebês. - Chorar é para homens, também.
Quem matou Roberto Escalante?
Anthony Aposto, um deficiente mental...
que a sociedade deveria ter tirado das ruas há muito tempo?
Arthur Reardon? Um jovem tão abatido pelas pressões e pela pobreza...
da vida na favela...
que a raiva dele o fez tornar-se até mais perigoso que Aposto,
e menos capaz de controlar suas emoções?
Ou Danny Di Pace.
cujos valores são tão distorcidos pela ordem social...
que ele teme admitir que não matou.
Sr. Bell, você saiu do contexto.
Desculpe, excelência.
Sem mais perguntas.
Sr. Randolph?
Excelência, a defesa recua.
O tribunal entra em recesso.
Sr. Bell, meu jornal está muito desapontado com seu desempenho.
Diga-me, sua amizade com Mary Di Pace...
Saiam, escrevam o que quiserem. Sem comentários!
Sr. Cole, espera ir para a mansão do governador...
pelo prestígio que vai conseguir deste caso?
- Alguma declaração? - Apenas uma.
Saia da minha frente.
Arthur Reardon,
a sentença deste tribunal é...
que você seja confinado no Centro de Recepção Elmira,
por um período de no mínimo 20 anos e não maior que sua vida natural.
Anthony Aposto,
este tribunal o remete para o Hospital Estadual Matteawan para criminosos insanos,
até que seja considerado apto para ocupar seu lugar na sociedade.
Daniel Di Pace,
você agiu em conjunto com os outros dois réus,
desta forma, tornou-se cúmplice.
Entretanto, o tribunal decidiu ser benevolente no seu caso,
determinando sua culpa como agressão em terceiro grau.
Vamos mandar você para a prisão de rapazes em Elmira, Nova Iorque,
por um período de um ano.
Para classificação, tratamento e reabilitação.
Este tribunal está encerrado.
Hank?
Hank. Oh, Hank.
E quanto ao meu filho?
É esta a sua justiça para um rapaz cego e assassinado?
O que foi feito dos animais que mataram meu filho?
Muita gente matou seu filho, Sra. Escalante.
Legendas: joaorfneto@bol.com.br
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