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UMA SEQUELA APROVADA, FILMADA E ESTREADA
Av�! Est� b�beda.
Gerardo...
Escutem.
Escutem.
Escutem. Aten��o!
Aten��o!
Tenho uma coisa a dizer. Sim.
Quero dizer,
netos, filho... - M�e.
... desde que o av� morreu que espero por isto,
mais do que imaginam.
Merda, ela vendeu a casa?
Vendeste a casa?
N�o!
- Claro que n�o! - Assustaste-me.
N�o! Queria anunciar que...
... me vou casar.
O qu�?
Julio!
Para, av�.
Enche-o, por favor.
Toma.
Julio.
E com o jardineiro, que rom�ntico.
Sim.
Sa�de.
Sa�de, meu amor.
Merda!
� a s�rio?
SER� UMA BOA MULHER?
CRAVAS. BETINHOS. AGRICULTORES RESSENTIDOS. IDIOTAS.
NAMOREI O IRM�O DELE. HABITUA-TE.
NUNCA.
OS FAMOSOS IR�O? SER� MINHA NO CASAMENTO.
MARCHA NUPCIAL
IGREJA - ALIAN�AS CONVITES - VESTIDO DE NOIVA
FATO DO NOIVO - FLORES DECORA��O - �LCOOL
UM ANO DEPOIS, EST� TUDO PRONTO.
Obrigada por me concederem o milagre.
Demorou tanto.
Mas n�o interessa, o Julio vai casar.
Sinceramente, preferia que casasse com algu�m daqui,
da terra dele, n�o com a patroa, n�o �?
Mas, pronto,
ele diz que � uma mulher
muito decente e carinhosa.
Se o meu filho diz, eu acredito.
Deixem-se de merdas!
N�o s�o merdas.
S� disse que, se o idiota do meu irm�o vai, n�o vou.
Est� bem, se o Dani n�o quer que eu v�,
eu n�o vou. N�o faz mal.
N�o se armem em meninas.
Daniel, sabemos que o Sebasti�n n�o tem culpa.
A culpa � da Andrea que trocou um irm�o pelo outro.
- Sem ofensa. - Ana, para.
Por favor.
N�o fa�as isso.
Por favor.
J� fal�mos sobre isto
e n�o estamos � procura dos culpados.
Isto acontece.
Isto acontece.
Se ele n�o vai, tamb�m n�o vou.
Tem calma.
N�o, amor. Olha...
Se j� houve um milagre,
porque n�o termos outro?
Que parem de discutir e que possamos conviver
como uma fam�lia.
Viste, idiota? Fizeste a Diana chorar.
- Fiz o qu�? - Ela chora por tudo.
N�o tenho culpa.
� das hormonas!
N�o nos distra�amos.
O importante � que corra tudo bem no fim de semana.
O Gerardo tem raz�o.
O qu�? S�o parvo�ces, av�.
A s�rio que te queres casar com o jardineiro?
Sem ofensa, Julio.
N�o h� problema, Dani.
Claro que quero casar com o Julio!
Que pergunta � essa? No fim de semana chega a fam�lia do Julio.
N�o quero mais cenas.
Quero que vejam que somos
uma fam�lia normal. Est� bem?
Ou seja,
teremos de fingir.
Isso � t�o bom.
Pronto.
Obrigada, meu amor.
- Obrigada. - N�o agrade�as. Descontrai.
S� quero que tudo seja
perfeito e que tu tamb�m gostes.
� o meu segundo casamento, mas para ti
� o primeiro. � importante, amor.
E para a tua m�e,
pelo que sei,
n�o vai ser f�cil.
N�o.
Na verdade, estou lixado.
O qu�?
N�o era isso que queria dizer.
Al�m disso, sou eu que vou casar contigo.
- N�o � ela. - Claro.
Amanh�, sairei cedo para ser tudo perfeito, est� bem?
Vai correr tudo bem.
Julio.
Dois, tr�s, quatro.
Um dia numa rifa Saiu-me uma viagem de autocarro
Conheci-a l� e comprei-lhe uns tacos
N�o sei como se chama N�o sei quem �
Juan Pablo! Despacha-te, � tarde.
Mais de mil visualiza��es.
- Do que publicaste ontem? - Sim.
V�s? Isto dos gatos resulta.
Eu disse-te. Os gatos vendem.
- Bela filmagem. - N�o � assim.
At� estou bonito.
Vamos festejar.
- � tarde. - S� um pouco.
- N�o, a Diana, vamos. - Por favor.
- Vai ficar zangada, sabes como �. - Um pouco.
- Vamos. - V�, ainda nem te vestiste.
Vou s� escrever dois coment�rios.
Merda!
O que � isto?
N�o pode ser.
- � teu? - N�o!
Sim, bem, n�o.
Na verdade, � teu.
Desculpa, n�o era assim.
Tinha planeado Acapulco, p�r do sol, velas...
E at� estava a escrever uma can��o.
N�o acabei, mas posso cantar um pouco.
N�o!
Tens raz�o, a can��o n�o interessa.
Certo, um, dois, tr�s, quatro. Vamos a isto.
Ana,
queres casar comigo?
- Est�s a brincar. - Como?
Est�s pedrado?
Ana, n�o respondeste � pergunta.
N�o tenho tempo porque...
Vamos chegar tarde, a Diana vai zangar-se,
o beb� vai sair mal e v�o culpar-me, como sempre.
Mas...
Ana, espera!
N�o, � tarde. V�o zangar-se comigo. Tenho de ir.
- E eu? - Falamos depois.
Como assim "depois"?
Ana!
E ent�o, Sebasti�n?
O qu� o qu�?
N�o te armes em parvo.
J� te disse.
Estou � espera do momento certo.
Como reparaste, ontem n�o era a melhor altura para lhes dizer.
Sabes que essa altura nunca vai chegar.
Ou lhes dizes hoje ou n�o vou a Cuernavaca.
O Dani vai matar-me!
E a Ana, a Diana e...
E eu.
Porque, se n�o lhes contares, deixo-te.
Vamos fazer assim, est� bem?
Esperamos que o Dani me perdoe,
que a fam�lia te aceite e depois contamos. Pode ser?
S� para esclarecer.
O teu plano � esperar
toda a eternidade?
Isso n�o vai acontecer.
A tua fam�lia nunca vai aceitar ter namorado com o teu irm�o.
Querida, compreende. N�o posso.
N�o quero estragar o casamento.
- N�o queres? - N�o
Dizendo a verdade.
N�o � isso. Sim, eu...
Bom casamento.
- Como? - N�o vou.
- N�o vais? - N�o contas, n�o vou.
Escolhe.
Leva a minha mala para casa.
N�o.
Sim.
O Pablito disse que vinha.
Sim, mas sentia-se mal. Nem sabes.
Tinha diarreia e estava a vomitar,
como a rapariga de O Exorcista.
Ainda pior.
Coitadinho.
E n�o ficaste com ele?
Podia ser contagioso, ele n�o quis.
Podia ser como a c�lera ou...
- N�o sei, o parvov�rus. - Parvov�rus?
O qu�? N�o pode ir com parvov�rus.
Que estranho, n�o me disse. Vou mandar uma SMS.
- N�o. - Vou ligar. Pode ser grave.
Vamos, n�o v� chegar a fam�lia do Julio e a av� n�o estar.
O Pablito n�o ia gostar.
Pois claro, porque o Pablito � o melhor.
Ouve-me, filha.
Tens de ficar com ele, sen�o
algu�m to rouba. E h� t�o poucos.
- Boa viagem. - Boa viagem.
N�o, pai, n�o vou discutir com o Sebasti�n.
Cada um no seu canto, para n�o dar cabo dele.
N�o vou � igreja.
Merda! N�o foi nada, at� logo.
N�o me viste a estacionar?
N�o te vi.
N�o te preocupes, se for preciso, ligo ao seguro e pago.
Est� bem?
Como est�s?
A Andrea?
N�o veio. Do�a-lhe a barriga e preferiu descansar.
- Sim. - Coitadinha.
Olha, Dani!
O que foi?
O que �?
Que tal a viagem?
Boa.
Muito tr�nsito?
N�o.
E o jogo do Cruz Azul?
Jogaram bem.
Perderam.
Mas jogaram bem.
- Av�. - O que �?
- E estas fotos? - O que t�m?
- N�o somos n�s. - Claro que n�o.
Cortei-as de uma revista, est�o todos a sorrir.
D� melhor aspeto, n�o?
Julio, cheg�mos!
Av�!
- Ol�! - O que foi?
Ol�.
Ol�, querido.
Ol�. Como est�s, querida?
- Ol�. - Como est�s?
Sim.
Sim?
O que fizeste?
Diana, o que foi?
Sinto-me como...
... um hipop�tamo.
Pare�o um?
Sim, mas dos bonitos.
Como os dos document�rios.
N�o est�s a ajudar.
- Dani. - Ol�.
Ol�.
Ol�.
E o Juanpi? N�o veio?
Est� doente.
Com qu�?
Do est�mago.
� grave, tipo c�lera ou parvov�rus.
E a Andrea?
Tamb�m tem algo contagioso.
Um desarranjo ou assim.
Estranho, n�o?
Devem ter comido o mesmo.
Sim.
- Tudo bem, pai? - Ol�, pai.
Venho j�, tenho a comida do vosso irm�o.
O que disse?
O que � isso?
� a comida do To�ito.
S� lhe damos comida org�nica.
Certificada. Queremos que cres�a s�o e sem toxinas.
Devias deixar de comer isso.
O teu filho ser� o que comeres.
Queres que seja uma massa amorfa,
cheia de qu�micos,
ou um aipo?
Espl�ndido, glorioso,
saud�vel.
Um aipo.
E tu aplica-te.
Se v�o ter um beb�, concentrem-se.
Cara�as.
Toma.
O que �?
Uma c�mara.
Eu sei.
Era do teu av�, o Julio diz que ainda funciona.
Para que a quero?
Quero que fa�as o v�deo do casamento.
N�o, av�. Contrata um profissional.
Mas fazes os v�deos do Pablito.
Exatamente.
E fa�o-os com o telem�vel, ficam todos tremidos.
O Pablo diz que tens jeito.
J� viste como o Pablito � fixe.
Por favor, � importante e quero que o fa�as.
Sim? Por favor.
E poupo.
Acho que chegaram.
- Vem comigo. - Est� bem.
Ela vive aqui?
O Julio diz que � s� para os fins de semana.
Parece de uma telenovela.
De hor�rio nobre.
Ol�, m�e.
Meu filho!
M�e.
J� chega, mano, anda c�.
Isso!
Que tal?
Como est�s?
- Olha para ti. - � verdade.
Achei que n�o vinhas.
- Mano... - � um prazer ver-te.
Entrem, vou apresentar-vos.
Olha, m�e, ela �...
Filho, porque n�o me disseste?
O qu�, m�e?
Santa Rita, porque me testas?
Agora percebo a pressa de casar.
N�o percebo nada.
Hoje em dia, � normal dar um mau passo,
o importante � irem casar e a crian�a nascer no casamento.
Est� enganada. O filho � meu.
- O qu�? - Quem � este homem?
Ela n�o � a Elena.
� a neta, a Diana. E o marido dela, o Gerardo.
A neta?
Ol�! Bem-vindos!
Esta � a Elena, m�e.
Ansiava por conhec�-la.
Tamb�m eu.
Todos ansi�vamos, n�o �?
Sim! Muito.
Um brinde, j� que estamos todos.
N�o � cedo para beber?
- N�o. - Sim.
A Aurora tem raz�o. Bolas, Gerardo,
nunca bebemos t�o cedo, por favor.
- N�o? N�o. - N�o.
N�o.
N�o sei o que me deu.
Ningu�m bebe nesta casa.
Com licen�a, Gerardo.
Porque n�o vos mostro a casa?
Sim, venham comigo.
Venham, v�.
Vamos! Sigam a guia.
Nesta zona,
gostamos de nos reunir, conversar sobre
os problemas, ficar todos juntos.
A cantar,
e claro, a nadar, certo?
A rezar.
Rezar?
S�o religiosos?
Claro. Sim.
Gostamos de rezar em fam�lia.
Todas as tardes, um ros�rio, pelo menos.
E...
Cozinha?
Sim, adoro.
Sim, a av� cozinha bem.
N�o �?
Espero ter a sorte de comer algo que cozinhe.
Nesta fam�lia, temos um ditado:
"Conhece-se a mulher pelo que cozinha."
Que coincid�ncia, na minha fam�lia tamb�m.
Elena...
Bem, continuemos.
Vamos.
Por favor, venham.
Anda.
Continuem.
- O que est�s a fazer? - Nada.
Porque est�s a mentir?
N�o.
N�o � mentir.
� s� alterar um pouco a verdade.
Vais editar isso.
ANIVERS�RIO DA AV�
Que est�s a fazer?
� do teu irm�o?
Sim, mas � muito mau.
T�o mau que n�o vale a pena ler. N�s lemos, porque gostamos dele.
Mas � t�o mau...
N�o sei, como...
Juventude em �xtase misturado com Crep�sculo e Cinquenta Sombras de Grey.
Disse-vos que era j� madura.
Podia ser tua av�!
Literalmente!
N�o exageres, n�o sou assim t�o novo.
Quando estamos apaixonados, a idade n�o interessa.
� uma mulher simp�tica, n�o?
Obrigado.
Porque se n�o for, n�o compreendo.
Foi por isso que n�o vos contei.
J� sabia como ia ser!
Como querias que reag�ssemos?
V� l�.
S� sincero.
Vais casar com ela
por causa do dinheiro? - Nem pensar!
Se for assim, entendo.
Rafael, a s�rio?
- Sou pobre. - Isso � o que eles pensam.
Claro que n�o. S�o uma fam�lia simples.
N�o pensam essas coisas.
Vai casar-se pelo dinheiro. S� pode.
Que a av� n�o te ou�a.
Desculpa, mas n�o percebo porque aceitam isto t�o bem.
Porque gostamos da av� e queremos que seja feliz.
Tu n�o dirias uma coisa dessas.
- A gravidez muda-nos. - Quero uma.
O importante � a felicidade da av�.
N�o precisa de casar para ser feliz.
As pessoas casadas s�o as mais infelizes.
N�o �s tu.
Ou tu.
Tamb�m quero que seja feliz,
mas e um homem da idade dela e que n�o seja jardineiro?
Nisso concordas comigo.
- Que mau. - Concordo contigo, Dani.
Sim, ele tem raz�o.
Est� calado.
Onde queres que encontre um homem da idade dela?
N�o h� muitos.
Pobre av�.
Vamos quebrar o gelo.
Sim, mas o qu�?
N�o sei, Gerardo, diz-me tu.
- Vou improvisar. - Sim.
Que acham de uma atividade de integra��o para nos conhecermos melhor?
Fazemos isso nos retiros da empresa.
Juntemo-nos em grupos.
Cada um conta aos outros tr�s coisas sobre si mesmo.
Eu tenho uma loja de roupa,
falo chin�s
e estou gr�vida.
A seguir?
Tenho tr�s filhos,
sou dona de casa e
sou de Ciudad Camargo. - �?
A minha namorada nasceu em Camargo.
- Sim. - Que bom para si,
as mulheres de Ciudad Camargo s�o
muito decentes e fi�is.
Super fi�is.
Ela saiu de l� em pequena.
Para a cidade.
Como se conheceram?
Diz-lhe.
Foi o meu irm�o,
o Dani, que nos apresentou.
Desculpem, vou fazer chichi.
O meu pai queria que tiv�ssemos o nome do av�.
Eu sou o Julio
a Julia, e a mais nova � Julieta.
- Que original. - Sim.
E o Julio �
o meu irm�o do peito,
e a Julietita �
a irm� mais nova, n�o �?
E a Julia...
A Julia � igual.
� como uma irm�, mas das que te fazem sentir coisas...
O sangue vai todo para um lado.
Como? Para onde?
Percebem?
N�o falo ingl�s.
N�o se preocupe, eu tamb�m n�o.
Trabalho num caf� de internet
e, no tempo livre, vendo sapatos por cat�logo.
E tamb�m tenho um cabeleireiro em casa, muito bonito.
E estou a fazer um curso de unhas de gel.
Todos os fins de semana trabalho num restaurante � beira da estrada.
� bom. E estou a aprender ingl�s enquanto acabo curso de Direito.
E tu? O que fazes?
Agora, estou entre empregos.
A Anita faz v�deos de casamento.
Mesmo lindos, umas obras de arte.
Como podes ver, o Dani � produtor de televis�o
E a Julia, bem,
trabalha numa ONG que ajuda
as mulheres das zonas rurais.
De que vives?
Desculpa?
N�o deves ganhar muito dinheiro.
N�o � o mais importante.
Dizem os que n�o o t�m.
Coment�rio t�pico.
Desculpa?
N�o � nada.
Se tens algo a dizer, diz.
� t�pico de betinho.
- Julia! - N�o sou isso.
Mas �s snobe?
Como est�o?
Incr�vel, Jessy.
J� interagimos que chegue.
O que perdi?
Que se passa?
Podemos falar?
Dani, h� uma coisa
que tens de saber.
Prefiro que saibas por mim do que por outros.
O d�lar vai subir,
se pensaste em viajar.
Est� bem?
Tirando o d�lar, como tens passado?
Que pergunta � essa?
Queria saber como est�s.
- Desde quando? - De sempre.
Porque n�o veio a Andrea?
J� te disse.
Est� doente.
Se n�o queres dizer, n�o me interessa.
Foi bom falarmos.
Olha, Sebi.
O Rafa vai ficar no teu quarto.
Para nos conhecermos melhor.
Entra.
Qual preferes?
O div�
ou a cama?
Prefiro a cama.
Est� bem.
O que foi?
� a Rafaela.
Tem nome e tudo.
Claro que tem.
� a minha primeira.
Faz parte de mim.
Compreendes?
Sim.
Queres mexer-lhe?
N�o!
N�o.
- A s�rio? - N�o, tudo bem.
N�o sou muito bom com armas.
Toca-lhe, a s�rio.
N�o! A s�rio.
- N�o morde. Para te familiarizares. - N�o � preciso, obrigado.
Obrigado.
Durmo sempre com ela.
A s�rio?
Tudo bem? Queres ver televis�o?
N�o.
Apaga-a! N�o vejas, To�ito. Tapa os olhos.
Tapa-os. Apaga-a!
Anda, Antonio. Vamos ter com a m�e.
Anda, filho, meu pequenino.
Est� tudo bem.
Sim. Eu sei.
Ele n�o pode ver televis�o!
Porque?
Porque n�o quero que contamine a mente
com imagens de uma sociedade
consumista, decadente, parcial e machista.
Alheada da palavra do Senhor.
Sei porque estamos a fazer um curso
sobre educa��o infantil que tamb�m deviam fazer.
Pensem nisso.
N�o faz mal que veja um pouco.
Deixei a Diana e os irm�os verem muita televis�o
e olha para eles. Foram criados
pela Ver�nica Castro,
Chespirito, Capulina,
e telenovelas!
Que Deus me perdoe.
Porque demoraste tanto?
Porque h� muito tr�nsito.
- O que trouxeste? - Devias ter sujado a cozinha.
O que trouxeste?
Pedi coisas mexicanas.
Est� bom demais.
� bom demais? P�e aqui.
Temos de a desarrumar, para parecer caseira.
Fez isto tudo?
A Anita ajudou-me.
N�o sabia que cozinhava.
A av� ensinou-me desde pequena. Certo?
- Certo? - Sim.
Porque n�o nos sentamos?
- Sirvam-se. - Sirvam os nossos pratos.
- Podes servir-me? - O que queres?
Salada e arroz, por favor.
- O que se passa? - Eu passo-te, prima.
Obrigada, tem bom aspeto.
- Para o Julio. - Com malaguetas.
Como na nossa terra.
- Por favor. - Sim.
- N�o sei se o Julio disse... - Passas-me a �gua?
N�o, Aurorita.
Vamos tratar-nos por tu.
Vamos ser da fam�lia, n�o?
Est� bem.
N�o sei o que o Julio te disse,
mas temos uma tradi��o na fam�lia
quando h� casamento.
Sim. Ele disse-me, sim.
Sim.
Ent�o, vai haver pedido?
J� n�o se usa.
Julio, claro que se usa.
Querido.
At� j� estava planeado, n�o �,
Anita?
Sim, � amanh�.
Dani, anda c�.
Isso � �timo.
E a quem a pe�o?
� surpresa!
Surpresa!
To�ito!
N�o lhe toques, ainda lhe pegas alguma coisa. N�o, filho.
Pablito!
Boa noite.
Boa noite.
Est�s curado!
Sim, estou.
O que foi? Est�vamos preocupados.
N�o, porqu�? � um daqueles v�rus que s� dura um dia,
ou menos, duas horas. Est�s com bom ar.
N�o. Que v�rus �? Para eu ver os sintomas online.
O que importa � que ele veio.
- Tens de tomar os rem�dios. - Rem�dios?
Est� na hora.
- Est� bem? - Os rem�dios. Pois.
Julietita,
aonde vais?
Volto j�.
O que fazes aqui?
Vim porque prometi � av�.
Desculpa ter dito que estavas doente, mas n�o sabia o que dizer.
N�o faz mal.
- E por esta manh�... - Olha, Ana,
n�o te preocupes com isso.
Ficou claro.
Com licen�a.
�s o Juan Pablo da La Reventa.
Sim, sou eu.
Sou f�! Adoro "A Minha Namorada Zombie" e "Vampiro Por Ti".
Que bom!
Que bom!
Tenho milhares de perguntas, nem sei por onde come�ar.
- �s o compositor? - Sim.
- A s�rio? - Sim.
- �s t�o talentoso! - Obrigado.
Vou cumprimentar a senhora.
Sim, amor, tens raz�o.
E vou dizer-lhes a verdade.
Mas vem.
Tenho saudades.
Diz-lhes e vou, Sebasti�n. � simples.
Desculpa, precisava de fazer uma chamada e no meu quarto n�o d�
por causa do tipo da Rafaela.
Como est� a Andrea?
Nada bem.
- Coitada. - Sim.
Ainda bem que o Juan Pablo est� melhor, n�o?
- Diz-me a verdade. - Raios!
Porque n�o dizes tu?
Porque n�o � f�cil.
Anda c�.
O que foi?
E ao mesmo tempo?
Sim.
- Aos tr�s. - Aos tr�s.
- Um, dois, tr�s. - Um, dois, tr�s.
A Andrea est� gr�vida e vamos casar.
- Meu! - N�o me disseste nada!
Porque � que est�o todos obcecados com casamentos?
Olha! Ana!
Ana, anda c�!
Para cima
e esticamo-nos para o sol.
E agora, para baixo.
O molho cheira bem!
E as tortilhas tamb�m, est�o a ficar estaladi�as.
Fi-las como gostas, com pouco �leo.
Obrigada.
Que simp�tica.
Achas que chegam? N�o parece.
N�o te preocupes, chegam pois.
Tenho de te dizer.
Dianita, est�s linda.
A gravidez fica-te bem.
Obrigada.
Como tens passado? A minha foi horr�vel.
O que foi?
Vai chover toda a semana.
Incr�vel.
Como se n�o estivesse gr�vida.
Que bom.
E a estimula��o pr�via?
N�o � s� quando nascer?
Deves ouvir m�sica cl�ssica, ler-lhe para estimular os neur�nios.
Isso fazemos.
Lemos,
� noite, claro.
Shakespeare,
Dickens, Mark Twain.
Nas vers�es originais.
Que bom.
Vamos come�ar a fazer isso.
D�s um olhinho ao molho?
Claro.
Obrigada.
Gerardo!
O beb� vai ser menos inteligente que o To�ito.
- Porqu�? - N�o lhe lemos Shakespeare.
N�s tamb�m n�o lemos.
Hoje, vamos ler o Moby Dick.
� do Shakespeare?
N�o interessa.
O meu filho n�o vai ser menos esperto que o meu irm�o.
N�o, tamb�m tem os meus genes.
Como queiras.
Ol�.
Ol�.
Trouxe-te um caf�.
- Obrigada. - Fi-lo eu.
Sabes? � capaz de estar frio.
D�-mo, n�o deve estar bom.
J� mo deste.
N�o, mas...
... talvez te arrependas.
De qu�? Do caf�?
N�o, � que...
Bom dia.
Ol�.
Ol�.
Pe�o desculpa, mas tamb�m sou compositora.
�s?
Podias ver as minhas can��es?
Sim. E se fosse ao pequeno-almo�o?
- A s�rio? - Sim.
Obrigada! Que emo��o!
Obrigado pelo caf�.
Tenho muitas letras, n�o s�o boas...
Li o livro do teu irm�o.
� tudo verdade?
Nem tudo.
A tua namorada traiu-te com ele?
� aquela com quem est�?
Sim.
N�o � t�o bonita como era.
Era boa e agora est� magra e enrugada.
Que mau.
E o teu pai?
Aquilo das g�meas suecas.
N�o, o Sebasti�n inventou isso.
Eram duas e eram ucranianas.
Coitado do Julio.
Disse � minha m�e que eram uma fam�lia simples e decente.
E somos decentes.
A dec�ncia � relativa.
N�o?
Estive a faz�-las a manh� toda
e ainda bem que gostaste.
Obrigada, valeu a pena.
Obrigada, Aurorita.
- Bom apetite. - Obrigada.
Vou para a piscina.
Ficaram muito boas.
Todos ao banho!
- N�o, obrigado. - Certo.
Pronto para ir para a piscina?
N�o.
Temos de ver o n�vel de cloro da �gua.
N�o exageres. Ele vai ficar bem.
N�o � assim. Li que as altas concentra��es de cloro
causam asma nas crian�as. - Quem disse?
A Internet e nunca se engana.
N�o olhes, vai ser tua tia-av�.
Tapa-te, filha. Ent�o e o pudor?
Qual pudor, m�e?
� uma piscina, o que visto? Um fato de mergulho.
N�o conheces as pessoas.
Quando queres fazer o pedido, av�?
Esquece isso.
A Julietita diz que organiza tudo.
A Julietita?
Sim, � t�o criativa, n�o reparaste?
Olha.
S�o os princ�pios
de David.
J� mos lestes v�rias vezes.
- Sim. - Desculpa.
Para que escola vai o meu neto?
N�o � cedo para isso?
� o que pensas, as boas escolas t�m lista de espera.
Pass�mos muito para o p�r na escola que quer�amos.
� t�o boa.
N�o h� notas,
t�m coelhos
e cultivam os alimentos.
Temos de tratar disso quando voltarmos.
Pode come�ar j� a ir �s aulas.
Nascia j� a fazer equa��es e a falar franc�s.
N�o tem piada.
N�o brinques com a educa��o.
Maminha, mam�.
- Querido. - Maminha, mam�.
- Est� na hora da maminha. - Sim.
Ainda o amamentas?
Sim, descobrimos
que o leite materno estimula o sistema imunit�rio.
E cria la�os mais fortes entre a m�e e o filho.
Entendo.
Vamos l�, querido.
Ol�!
Gostam assim?
Est� lindo!
Obrigada, Julietita!
- Ainda bem que gostou. - Sim, muito.
� t�o...
Foleirada.
Queria pedir ao Sr. Francisco
a m�o da sua m�e, a D. Elena,
para casar com o meu filho Julio.
E passar a fazer parte da fam�lia
e, ser�...
Ser� como minha filha.
Obrigada.
Muito obrigado.
Dou-lhe a m�o e tudo o resto.
Sen�o, n�o vale a pena.
J� chega, filho.
Certo.
Deus aben�oe esta uni�o,
glorificada pelo amor que n�o distingue
nem parentesco nem idade,
que chega aos grandes pal�cios dos reis.
Est� bem assim. Obrigada, filho.
- Obrigada. Muito bonito. - Obrigado por pedir.
Muito bem.
Este �
um presente
de todos n�s.
Abre-o!
Abre-o!
Abre-o!
Veste-o!
M�e, disse-te que ela j� tinha vestido.
Sim, filho, mas...
Este era o meu.
A minha sogra usou-o e a sogra dela tamb�m.
Deu-nos muita sorte, por isso, pensei
que ela podia
querer us�-lo.
Queres us�-lo?
Claro que sim.
Sim.
Sim.
� muito bonito.
Sim...
Muito obrigada.
Obrigada.
Bravo!
Bravo!
Muito bom.
Queres?
- Est� frio, n�o? - Sim.
Escuta.
O Sebasti�n est� estranho, n�o?
N�o, o normal, n�o?
Amigo!
N�o estranhaste a Andrea n�o vir?
N�o.
Acho que acabaram.
Sabia que isto ia acontecer.
Era evidente que n�o ia durar.
Talvez volte para mim.
Nem pensar.
Bem...
Juntem-se. Est� na hora de uma surpresa
minha e do Juanpi.
Juanpi.
Juanpi?
Juntem-se. Vamos.
Com muito amor.
Pronto? Certo.
Muito bem.
� assim:
Um.
Um, dois, tr�s, quatro.
Entre tu e eu Tudo � perfeito
O nosso amor s� tem um defeito
A lua cheia
Que transforma num monstro do inferno
Onde est�o as balas de prata?
Que acabar�o com esta farsa?
Serei eu
A transformar-te num obeso?
A �nica forma de estarmos juntos
� transformar-me num lobisomem Pelo teu amor
Pelo teu amor
Pelo teu amor
- Obrigada. - Obrigado.
- Parab�ns. - Obrigado.
Parab�ns.
- Com licen�a. - �s o pr�ximo Arjona, Juan Pablo.
Arjona?
- Est� ocupada. - Sei o que est�s a fazer.
- Desculpa? - Sabes que ele � meu namorado.
- Sim. - Tem cuidado.
Sou s� f� dele.
J� houve uma que mo tentou roubar, sabes o que aconteceu?
Nada.
Porque n�o voltaram a v�-la.
Tem cuidado, estou de olho em ti.
Merda.
Muito bem, campe�o.
Queres marcar cesto?
A bola.
E c� vai o To�ito "LeBron James".
E vai marcar cesto.
- Que bom! - Gerardo, n�o!
Desinfetaste-a?
N�o.
Que te deu?
As bolas t�m muitos germes!
Andam de m�o em m�o!
Que pai vais ser?
Filho, levanta as m�os.
N�o mexas em nada. Anda.
N�o mexas em nada.
- N�o est�s pronto. - Pablo, joga.
Como estou?
Est�s linda!
Precisa de uns arranjos.
Quase nada.
Ainda bem que trouxe a caixa da costura.
S�o s� uns pontos, av�.
Ana, porque amea�aste matar a Julieta?
O qu�? Que fez ela?
Era uma piada, n�o era a s�rio.
Sim, Pablito,
claro que era uma piada.
Sabes que gosta de brincar.
Claro.
Est�o sempre a brincar.
S� significa uma coisa:
a Ana aceitou a Julieta como fam�lia.
N�o gosto dessas piadas.
N�o se preocupe, resolve-se j� isso.
A Anita vai pedir desculpa � Julietita.
Pede desculpa � Julieta.
- Por favor. - V�.
Desculpa.
J� est�. V�s?
F�cil de resolver.
O teu sumo, To�ito.
Ainda bem que vieste.
Tenho de ir chamar a Natalia. Olhas por ele?
- Sim, senhor. - Obrigado.
Bebe o sumo.
Bebe tu ou n�o h� queijada. Volto j�.
Volto j�, vou chamar a mam�.
Maminha, mam�.
O que � isto?
Que horror.
Sabe mal.
O sumo acabou!
� zero por cento org�nico.
Fa�o isto porque gosto de ti, To�ito.
Estas pessoas s�o do pior.
N�o exageres.
N�o?
Olha as marcas dos belisc�es.
Porque lhe deste o vestido?
Qual � o mal?
T�m coisas a mais.
N�o precisam das nossas.
E se a Julieta ou eu o quis�ssemos?
N�o, quero um vestido novo.
Se tu nem queres casar.
Fa�o isto pelo vosso irm�o.
Olha, m�e.
Sabes que n�o gosto de bisbilhotices, mas estou farta.
O Julio mentiu-te.
Onde estiveram? Estava preocupado.
� tua procura.
Ele bebeu o sumo todo?
Sim.
N�o o ajudaste?
- N�o. - Obrigada por tratares dele.
Anda c�, filho lindo.
Diz: "Obrigado, Gerardo."
"Quando encontr�mos o meu pai
estava com tr�s strippers suecas,
trig�meas,
que estavam a despir-se para ir para a piscina."
Continuo?
- N�o, j� chega. - N�o, l�.
Quero saber.
O que foi?
E se nem estiver a falar deles?
O betinho disse que sim.
Mentiste-me, Julio.
N�o, m�e.
S� n�o contei tudo.
O pai � um b�bedo mulherengo e os filhos
trocam de namorada?
N�o foi assim.
� deste tipo de fam�lia que queres fazer parte?
Desculpa, Aurora, mas acho...
N�o s�o t�o maus quando os conheceres melhor.
Amea�aram matar a minha filha.
A Anita j� pediu desculpa.
N�o foi a s�rio.
N�o ligues.
O que me tranquiliza � saber que voc�,
tu, Elena, �s boa pessoa.
- Obrigada. Muito obrigada. - Mam�.
Percebe-se pela comida.
Como sabes que � ela?
N�o me mentiria, pois n�o?
- N�o. - Claro que n�o.
Por favor.
Nesse caso,
n�o se importa de nos mostrar.
Claro.
H� quanto tempo n�o cozinhas?
H� 20 ou 25 anos.
- � melhor dizer a verdade. - Claro que n�o.
Vai correr bem.
Muito bem.
N�o sei cozinhar.
Nem rezamos todas as tardes.
Nesta casa, come�amos a beber �s nove da manh�.
Somos um desastre.
Mas boas pessoas.
Estranhas,
mas boas pessoas.
Espero
que compreendam,
e espero que decidam ficar.
Vamos.
O que foi?
Perdi alguma coisa?
De certeza?
Lamento muito.
Viste que dei o meu melhor.
A culpa n�o � tua.
N�o �.
Obrigada.
J� n�o v�o casar?
Sim, mas com menos convidados.
Acho que � melhor cancelar.
O qu�? N�o.
Ia ser t�o bonito!
As mesas, as toalhas.
Escolhi os centros de mesa.
N�o acredito, Sebasti�n. Estragas tudo.
Eu?
- N�o tive culpa. - N�o?
Se n�o tivesses tra�do a tua namorada com a minha,
nunca terias escrito o livro,
ela n�o o teria lido, e continuaria c�.
Certo.
Se pensarmos assim, a culpa foi tua.
Raios!
Como souberam que era verdade? Quem lhes disse?
Quem sabe?
- Mas a verdade... - Foi melhor assim.
Esperemos que a av� se aperceba que isto � rid�culo.
Que futuro ter� o Julio com aquela mulher?
N�o t�m nada em comum.
S�o todos uns idiotas.
S�o agricultores ressentidos.
E quando ele quiser ter filhos?
Ou quando a av� o apresentar aos amigos. O que v�o dizer?
"O meu marido. Devem lembrar-se dele.
Era o jardineiro."
Ningu�m acreditar� que � mulher dele.
V�o pensar que � av� dele.
- Bebemos um copo? - Por favor.
No entanto,
vai sair tudo mais barato com os descontos para idosos.
Sim.
� verdade. Tens raz�o, filha.
O que perdi?
Piadas � parte,
viram como ele estava feliz?
Filho da m�e!
Desculpe, madrinha, n�o era consigo.
� por amor.
Nunca esteve tanto tempo com uma mulher.
Sim.
Aquela gente �
muito estranha.
Um irm�o rouba a namorada do outro e n�o faz mal.
Prontos para o casamento.
Claro.
Fam�lia � fam�lia.
Obrigada por atenderes. Est�s ocupada?
Estou a trabalhar. O que foi?
O Sebasti�n est� bem?
Sim, est�
Queria falar contigo.
Comigo?
Porque n�o?
Nunca queres, Ana.
Tenho uma pergunta.
Tu amas o Sebasti�n?
Sim, Ana.
Amo muito o Sebasti�n.
Como sabes?
Como sabes que queres casar?
Como sabes que n�o te arrepender�s
e casar�s com outro?
Ana, foi para isso que me ligaste? Para me julgar?
Olha...
Quando conheci o teu irm�o,
o Sebasti�n,
senti algo que nunca tinha sentido.
Mas conheci-o quando estava com o teu irm�o,
o Daniel.
E, apesar de tudo o que a tua fam�lia me fez, especialmente tu,
estar com ele foi a decis�o
melhor e mais importante que tomei.
Quando sabes que � o tal, sabes. N�o importa
o que os outros dizem ou pensam. Vou pedir-te um favor.
Para de me chatear.
N�o te vou dar mais explica��es.
N�o fiques zangada. Era s� uma pergunta.
Pois, s�. De ti?
� a s�rio.
Mesmo?
Est� bem e...
- Porqu�? - N�o te vou dar explica��es.
Est� bem, Ana.
- Adeus. - O que foi?
Gerardo, toca algo.
A cada minuto que passa, fica menos inteligente.
Estou � procura de m�sica cl�ssica.
- Lupita D'Alessio � um cl�ssico? - N�o.
Vai ser bom.
Aprender� a tratar bem uma mulher.
Gerardo, vamos ser bons pais?
Sim, porqu�?
E se n�o formos t�o bons como o meu pai?
Nunca pensei dizer isso.
J� vou.
J� vou.
Posso?
O que foi, Anita?
N�o.
N�o.
Amas mesmo esta mulher, filho?
Claro, m�e.
Somos a tua fam�lia.
Estamos aqui para te apoiar.
Obrigado, m�e.
Obrigado.
O que lhe disseste?
"Est�s a brincar."
O que fiz?
N�o, foi o que eu lhe disse.
� por isso que est� zangado.
E com raz�o.
Aquela � que vai ficar com ele.
Porque trabalha, canta bem
e trata-o bem.
Tamb�m o tratas bem.
� tua maneira, mas...
- Ela � mais gira. - Claro que n�o!
- N�o �, Gerardo? - N�o, sim.
N�o.
Ela � horr�vel.
- O que vou fazer? - Pensa
no que faria ele no teu lugar?
N�o tinha partido?
N�o deixamos o meu irm�o sozinho convosco.
D�s-me uma jeca?
Uma qu�? Est�s a gozar?
Uma cerveja.
"Jeca."
Aqui est� a jeca.
O que foi?
Acab�mos por voltar.
Ao casamento.
Sa�de!
Pensei que ia ser cancelado.
Mas n�o.
Nesta casa, nada � como eu quero.
Porqu�?
Porque...
Imagina s�:
Da pen�ltima vez que estive nesta casa,
foi quando o meu irm�o me roubou a namorada.
J� sabias.
E foi quando o Cruz Azul perdeu a final.
E a �ltima vez foi quando a minha av� disse que ia casar
e o Cruz Azul foi eliminado.
�s do Cruz Azul?
Claro. Porqu�?
- Pensei que eras do Am�rica. - N�o.
Est�s a ofender-me.
Desculpa, mas tens ar disso.
Como? � o pior insulto da minha vida.
N�o acredito.
O que foi?
Olha.
Fi-la na final contra o Am�rica.
Pensei que lhe ia dar sorte, mas s� piorou.
Porque n�o contas ao teu irm�o?
N�o � f�cil, Rafa.
- N�o sei como vai aceitar. - N�o. Ouve, olho azul,
n�o penses assim, certo?
Tens de lhe dizer diretamente.
Se ficar zangado, problema dele.
Se quiseres, empresto-te a Rafaela.
As coisas n�o s�o assim.
Sabes qual � o vosso problema?
Qual?
Nunca dizem o que pensam.
� o que se passa. Gostam de enganar os outros.
Quem disse isso?
Quem diz isso?
Todos os que n�o somos da cidade.
- Tenta. - �s t�o bom.
N�o.
P�e o dedo aqui.
Aqui.
Pegas e tocas as tr�s primeiras cordas.
- Aqui. - Agora com este.
- Aqui? - Sim, exatamente.
As tr�s cordas.
V�s?
- � t�o f�cil? - N�o � dif�cil.
N�o.
Rafita, v� l�!
� a tua prima.
N�o!
Ela nem � minha prima.
Ent�o, n�o faz mal!
Chamo-lhe prima por carinho.
Ent�o, vai. Porque n�o lhe dizes?
V�s? At� parece que �s como n�s.
- J� lhe disse! - E que se passou?
At� nos beij�mos!
N�o sei, acho que se esqueceu.
Rafa, tens de insistir.
Bate � porta at� abrirem. Ouve-me bem.
Se fosse assim t�o f�cil.
N�o posso ir l� e dizer: "Julia, quero rechear o teu peru."
N�o pode ser!
N�o. Rafa. Escuta. Diz-lhe
o que me disseste, que a amas,
que ela � o amor da tua vida.
Tens de ser sincero.
N�o � verdade.
Na verdade,
vou dizer-lhe agora o que sinto.
N�o. Espera.
N�o. Rafa. Agora, n�o.
Agora, n�o, amanh�.
Quando n�o estiveres b�bedo.
Mas n�o estou!
Est�s muito b�bedo!
- Certo. - N�o sou betinho.
N�o est�s b�bedo, mas amanh�,
depois de tomares banho e te penteares, vais
e falas com ela. Deve estar a dormir.
Vais ser uma boa m�e.
Achas?
Tens muita pr�tica.
N�o te rales, n�s
amamentaremos o beb� at� ele acabar o curso.
Certo.
Coitadinho.
Espera. Est�s a despentear-te.
Pronto.
Av�, queres mesmo casar com o Julio?
V� l�. Anita, por favor,
n�o fa�as perguntas idiotas como o teu irm�o.
O que quero saber
� como sabes que ele � o tal?
N�o � f�sica nuclear, Anita.
Quando se sabe,
sabe-se.
Acabei.
Deixe-me ver.
�timo, Aurorita. Obrigada!
M�e!
Est�s aqui! Anda, tenho...
Tenho de te maquilhar.
Est� entregue.
Lourinho.
Acorda, lourinho.
Sobre o que fal�mos ontem � noite,
vou dizer � Julia o que sinto.
Que tal estou?
� contigo! Acorda! Como estou? Diz-me! Est� tudo bem?
Cheiro bem?
Est� bem?
- Sim, o qu�? - Sim.
- Est� tudo bem, Rafa. - �timo.
Desejas-me sorte?
- Boa sorte. - Hoje, vai ser minha. De certeza.
Cuida-te!
Desculpa ter-te amea�ado.
Tamb�m pe�o desculpa.
N�o tinha pedido a s�rio, agora �.
Est� bem.
Ent�o, obrigada.
E desculpa por pensar que me roubarias o namorado.
Nisso tinhas raz�o.
Calma.
E...
Desculpa.
Tinhas raz�o,
mas n�o conseguiria.
Porqu�?
Serias melhor para ele do que eu.
Sim.
Mas ele ama-te.
Como sabes isso?
N�o posso.
O que posso � ensinar-te a tocar guitarra.
Agora j� sabes.
Ele ama-te.
Estou muito preocupado.
O To�ito passou mal a noite e n�o sei porqu�. Ser� do est�mago?
Os mi�dos s�o assim, sogro.
Passa-se algo.
Calma, filho.
Calma.
- E o Daniel? - N�o sei.
- N�o o vejo desde ontem. - Como assim?
Se n�o vier, a av� ficar� triste.
N�o quero que ningu�m fique triste.
Dianita, tem calma.
Dianita, n�o fiques assim. Queres que o v� chamar?
- Sim. - N�o chores, eu vou.
Dani?
Dani?
Que raio.
Olha, lourinho,
a Julia desapareceu. N�o a viste? - N�o.
- De certeza? - Sim. N�o est� aqui.
Vamos procur�-la. Anda.
Porque fechaste a porta?
Viste a Julia?
N�o, n�o a viste.
Est� bem? Anda c�.
O teu irm�o convenceu-me a declarar-me a ela
e tem raz�o.
Tenho de a encontrar para lhe dizer
que a amo e para todos saberem.
- Desculpa, n�o sabia. - Desculpa?
O que foi?
- Julita? - Rafael.
N�o. Rafa, espera!
Espera, o...
Espera!
Av�!
Olha!
- Est� linda. - Bravo!
Para a c�mara.
Bravo! Linda!
Filho da m�e, vai ver.
Rafita! Calma, Rafita.
Sai da frente.
- Sai. - Que vais fazer?
Como assim?
Abri-lhes o cora��o e olha o que aconteceu!
Tra�ram-me e foi porque confiei nuns betinhos!
Tens raz�o, mas falemos como pessoas civilizadas.
Civilizadas, o tanas! Vais ver!
Rafa!
Rafa!
Obrigado.
Os meus irm�os?
N�o sei.
O que pens�mos?
N�o pens�mos.
Tens raz�o.
- Foi um erro. - N�o, olha.
N�o disse isso.
Ent�o, o que disseste?
Dani!
Foge!
Vou apanhar-te, idiota.
Lourinho, anda c�!
Vou matar-te!
Vou matar-te!
Vou apanh�-lo!
Larga-me!
Larga-me!
Onde est� o sacana?
Espera! Ali!
Espera. Calma. Rafael!
Foge!
Para, louro est�pido!
Vamos, Dani!
Espera, meu!
J� chega. Para.
Vamos conversar.
Conversar sobre o qu�?
Vamos ser da fam�lia, certo?
Sim, vamos ser.
Falemos como irm�os.
Primo.
Como irm�os? Por favor.
Os irm�os n�o fazem isto!
Aqui, estas coisas acontecem.
Calma.
Acontecem e acontecer�o!
Sacana!
N�o!
Rafael, para!
Rafa, espera!
Espera!
Foge, Dani!
Desculpa, linda, n�o sei nadar.
Foge!
Rafael!
Vieram aqui,
os dois,
de livre vontade para se juntarem
no casamento?
- Sim. - Sim, padre.
Estou ralada com os meus irm�os.
V�o amar-se e respeitar-se
como marido e mulher? - Chichi.
Vou � casa de banho.
- Sim. - Sim.
Rafa, espera!
Rafa!
Rafita!
Para, Rafael!
Calma, primo!
Se algu�m conhece uma raz�o que impe�a esta uni�o,
fale agora
ou cale-se para sempre.
Deem as m�os e digam...
Rafa!
Depressa! V� l�!
Saiam da frente!
Podem dizer-me o que se passa?
Ele quer matar-me!
Porque desrespeitaste a Julita!
Ele n�o me desrespeitou!
N�o? Agora j� gostas do betinho?
Sim! Mais ou menos!
Como "mais ou menos"?
Como assim?
Calem-se todos!
Escuta, Julita. Esqueceste o amor que sinto por ti?
Esqueceste-te que passei a fronteira para trabalhar,
para te dar a vida de rainha que mereces?
E o nosso beijo?
T�nhamos oito anos, Rafael!
E depois?
- Como assim? Esquece, meu. - Cala-te!
Que mi�do est�pido!
N�o sabia que a Rafaela funcionava!
�s um idiota!
Tem de ir para o hospital.
O que se passou?
Deixem passar, por favor.
N�o podem estar todos aqui.
- E o carrinho? - Desculpe?
S�o os dois meus filhos. Vamos ficar aqui.
- Pap�. - Calma, sim?
Obrigada, senhor.
N�o ficar�s assim muito tempo.
- Ent�o? - Ent�o?
O que combin�mos?
Sebas.
Obrigado por me salvares a vida.
Dani, �s meu irm�o.
Amo-te e faria tudo por ti.
V� l�.
- N�o foi nada de especial. Que meninas. - Cala-te.
Assim, tens de o perdoar, Dani.
- Sim, claro. - Bem...
Primeiro, tenho de te dizer algo.
- A todos. - N�o. Eu j� sei e...
Como sabes?
- Disseste-lhe, cusca? - N�o.
Descobri eu.
E n�o te importas?
Tudo bem.
Por j� n�o estares com a Andrea
e por ela n�o estar aqui, vamos dar-nos muito melhor.
N�o � nada disso, Dani.
Eu e a Andrea
vamos ter um filho.
E vamos casar.
Parab�ns!
Que belo abra�o. Beijo!
D�-lhe uma palmada.
- N�o! - N�o lhe toques.
N�o lhe toques, por favor.
Vou defender o meu irm�o.
Declaro-vos marido e mulher.
Que o homem n�o separe o que Deus uniu.
Pode beijar a noiva.
Bravo!
- � noiva e ao noivo! - Bravo, av�!
Bravo, m�e!
Parab�ns
e que sejam muito felizes. J� est�.
- Beijo. - Sim, um beijo, av�.
Beijo!
Beijo!
Hora de atirar o ramo.
� a hora do ramo. A ver quem o apanha.
Rafa.
- Sebas. - O que foi?
- Est�o � tua procura. - Como?
- Procuram-te. - Quem?
- Meu amor. - Meu amor.
O Daniel ligou-me.
N�o estava doente.
- N�o? - N�o.
Porque n�o ligaste?
Todos prontos?
Anita, tu tamb�m. Todas.
- J� vou! - Espera, av�!
Corre!
Agora � que �.
Um, dois e
tr�s!
Bravo!
Anita!
Tenho uma surpresa para todos.
Para a av�. Espero que goste.
E � assim:
Um, dois, tr�s, quatro.
Um dia numa rifa Saiu-me uma viagem de autocarro
Conheci-a l� e comprei-lhe uns tacos
Fomos para casa Algo aconteceu
Fiquei com diarreia...
Juan Pablo.
Quero fazer-te uma pergunta.
Podes dizer que n�o, se tiveres d�vidas,
mas fiz algo que tu terias feito,
fiz uma can��o para ti.
� assim:
Nunca lavo a lou�a
Nem sei cozer um bot�o
Nunca tenho trabalho
E �s vezes sou horr�vel
Mas amo-te e tu a mim Por isso, por favor...
Casas comigo?
Sei que a can��o n�o � bonita, mas n�o tive muito tempo.
Claro que caso.
Sim!
Sim!
Bravo!
Bravo!
Juan Pablo!
- De certeza? - Claro.
N�o h� devolu��es.
S� falta o Danielito. Vamos ver se sai.
Mas n�o acredito,
tem t�o mau feitio, coitadinho.
Ol�.
Nos primeiros meses,
vais vomitar imenso. - Menina?
Desculpe o que fiz ao seu homem.
A s�rio.
Os primeiros meses nem s�o os piores.
Depois, piora.
- Incham as pernas. - N�o diga isso.
Vais engordar.
Vai engordar.
Querida, podes comer o que quiseres.
Podes engordar como...
Sa�de, sogra.
O meu Julio � uma joia.
Sa�de.
Elena!
Elena!
- Querida. - O que foi?
- Desmaiaste. - Porque paraste?
- Desmaiaste, querida. - Continua.
A AV� VOLTAR�
A AV� VOLTAR�?
A AV� VOLTAR� BREVEMENTE
Legendas: Dina Almeida
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