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Original subtitles

Escadas do meio.

- Escadas do meio. - Certo.

Muito bem.

Senhoras e senhores, sentem-se, por favor. O espetáculo vai começar.

Mais uma vez, o espetáculo vai começar. Obrigado.

Começaram a fazer fila de manhã?

Acho que começaram a fazer fila às 11h. Há muita gente.

Certo.

Muito bem. Quantos cafés já bebemos hoje?

Demasiados.

Que loucura ali vai, não é?

Fiquei conhecido mundialmente pelos programas de TV.

Agora, o difícil é manter a visibilidade.

Deixa-me com os nervos à flor da pele.

O apoio que tenho aqui é avassalador.

Sou um chefe diante de uma plateia.

Como lida com os nervos?

Tenho de mexer os dedos.

Vejo sempre se tenho as mãos a tremer. Não tenho, que maravilha.

Só quero despachar isto.

- Pronto para partir? - Sim. Vamos a isso, meninas.

Não façam merda, por favor.

Obrigamos. Vamos lá.

MANILA FILIPINAS

Boa tarde, Newport World Resorts!

Estão prontos para uma coisa entusiasmante?

Hoje, neste palco, teremos uma enorme lenda.

Recebam com um enorme aplauso à moda das Filipinas

o inigualável chefe Gordon Ramsay!

EU, GORDON RAMSAY

O chefe Gordon Ramsay está cá!

Façam barulho!

- Boa tarde. - Meu Deus!

O chefe Gordon Ramsay está cá!

Que privilégio tê-lo aqui connosco.

E espero que sinta o carinho dos filipinos.

Meu Deus!

Estou mais apaixonado por Manila do que eles por mim.

Obrigado. É tão bom ver-vos a todos.

Acha que teve de ganhar autoconsciência por causa da fama?

Acho que é algo que tentei compreender

sem pensar demasiado e sem deixar que isso me afete.

É muito assustador e intimidante.

É doce. Meu Deus!

Isto é comida, certo?

São restaurantes e comida, algo que faço há mais de 30 anos.

Posso tirar uma selfie com estas pessoas extraordinárias?

Então, é difícil medir isso.

- Obrigado. Fiquem bem. - O chefe Gordon Ramsay!

- Façam barulho! - Obrigado.

- Obrigado. - Gordon! Uma selfie rápida?

O que pensaria o jovem Gordon da fama que tem agora?

- Desculpem. - Calma.

Se tivesse imaginado este nível de sucesso e atenção,

diria ao jovem Gordon para ter cuidado com o que deseja.

Cuidado, malta.

Credo!

Puseram-me uma caneta no olho e fiquei riscado até ao queixo.

Acertaram-me no olho. E a vocês?

Adeus, Gordon!

Credo! Mesmo no olho.

Porra!

Faço um espetáculo daqueles para me aproximar daqueles estudantes

e esqueço-me da dimensão que tenho para eles.

Não estou acostumado.

Enviei uma foto à Tana, só para ela ver.

E ela disse:

"Céus! O que estás a fazer? Tens de te aproximar tanto?"

Não se trata disso.

Tenho de fazer o meu trabalho, não é?

Tenho de fazer o meu trabalho e dar-lhes um pouco de mim.

BISHOPSGATE LONDRES

7 DIAS PARA A PRÉ-ABERTURA

Na construção de qualquer restaurante,

há um período de duas semanas em que pomos tudo à prova,

analisamos a sala e testamos a cozinha.

Isto aqui vai ter vieiras. Vieiras e gyozas.

Há muitas entregas para hoje.

Isso está no centro, chega amanhã.

Esses dias são cruciais para nós, porque treinamos no terreno.

Temos de encontrar os pontos fracos.

Mas, às vezes, os construtores atrasam-se e a coisa dá para o torto.

Gordo a passar.

- Encolham-se. - Está bem.

Não sei que dia é hoje.

MESTRE DE OBRAS

Ainda há muito para fazer, não há?

Há sempre.

Estas coisas grandes e os painéis levam algum tempo.

Mas são as coisas pequenas, as ferragens, lustres e luzes,

que demoram mais tempo.

Houve um problema com as carpetes.

O padrão estava desalinhado, não estávamos satisfeitos.

Por isso, decidimos tirar e voltar a pôr.

Tecnicamente, os construtores estão responsáveis até segunda-feira.

Não pode haver tensão entre eles…

DIRETOR IMOBILIÁRIO

… e a equipa.

Não pises o meu vidro, por favor. Sai do vidro.

Estão nervosos porque, sendo sincero, achávamos

que já teríamos tudo pronto e em melhor estado.

Estamos a analisar tudo.

Ainda há obras.

As coisas estão por todo o lado, é difícil encontrá-las.

CHEFE-EXECUTIVO, RGR HIGH

Sim…

É um pouco assustador, porque há progressos ao longo do dia,

vemos os esforços que fazem para isso,

as mesas e os bancos postos em redor da cozinha,

mas será a um ritmo suficiente?

CHEFE-EXECUTIVO, LUCKY CAT

Talvez não tanto como queríamos.

O Gordon vem para a semana. Precisamos desse tempo para praticar.

Quando ele chegar, não queremos ser vistos às voltas, a corrigir erros.

Queremos estar sempre um passo à frente.

Quando pegarem nos uniformes, assinem, por favor.

Experimentem e voltem.

Se houver problemas, vamos resolvê-los hoje,

não amanhã nem depois de amanhã.

CHEFE-EXECUTIVO, LUCKY CAT

Demasiado curto e grande.

O que se passa?

O que foi?

- Não vou usar isto. - Não há nada a fazer.

- O médio dá para três braços dos meus. - Usa um pequeno.

É um problema que não me incomoda um cu neste momento.

Sabem o que está em jogo.

Estamos cinco milhões acima do orçamento e já perdemos dinheiro,

porque não vamos abrir o que anunciámos.

A pressão deste projeto é que,

se não correr como planeado, é o meu nome que está em risco.

Tenho de garantir que devolvo todos os cêntimos do empréstimo

caso isto não corra bem.

Por isso, não é negociável.

O RGR High e o Lucky Cat têm de estar a bombar desde o primeiro dia.

Como vamos abrir a Bread Street Kitchen

se não tivermos sucesso lá em cima?

Devíamos estar a cozinhar.

Temos eletricidade no quadro,

mas este equipamento não liga e não sabemos porquê.

Não podemos cozinhar aqui?

- Não liga. - Pois não.

Só segunda-feira.

- Pronto. - Está bem.

Os woks não funcionam.

Isto não funciona, isto também não,

nem isto, nem isto, nem isto.

Não há entrada de água no forno, também não os podemos ligar.

Somos cozinheiros, temos de começar a cozinhar.

Quando começarmos a cozinhar e a empratar as coisas,

e os pratos começarem a ganhar forma, todos ficaremos felizes.

Isso atrasa-nos.

Foda-se.

Há quanto tempo está o Gordon fora?

Há demasiado.

Já passaram seis semanas.

Queres sair, Bruno?

Que cão maluco.

Parece que não o levo a passear há meio ano.

Viu um esquilo ali em cima.

Fazes-me um favor?

Podes tirar uma cenoura do frigorífico

e pô-la na cama do Bruno para que ele fique lá a comê-la?

Quando trabalhamos juntos, formamos uma…

Equipa.

E o que faz o trabalho em equipa, segundo o papá?

Concretiza os sonhos.

Concretiza os sonhos…

Vem comigo, Bruny. Quem quer uma cenoura?

É o pai?

Sim!

Para o Oscar, é o dia mais feliz de sempre.

Às vezes, não lhe digo nada até ele ver o Gordon,

porque não consegue conter o entusiasmo.

Olá, papá!

- Olá. - Olá.

Amigo! Olá!

Olá.

Como tens passado?

- Bem. - Como tens passado?

- Bem. Queria tanto que voltasses. - Eu também queria.

Meu Deus! Está um gelo.

Estás de t-shirt.

Meu Deus! Que gelo.

Tudo bem? Podemos ligar o aquecimento?

Estás tão alto. Deixa-me ver. Vem cá, tenho de ver.

Muito bem.

- Dois bíceps. - Eu sei.

Dois, quatro, seis. Abdominais.

Quadríceps. Gémeos.

Meu, estás tão alto!

Salta!

Salta!

Tive tantas saudades tuas.

Fale-me do amor que sente pelos seus filhos.

É difícil, porque…

Adoro os miúdos.

Isso faz parte do amor e afeto que criei por causa da culpa.

Os mais velhos deixaram isso bem claro…

"Podemos ver-te mais? Tens de trabalhar tanto?"

E…

"Pai, temos saudades tuas."

Isso é complicado.

É complicado.

Tens alguma namorada?

É segredo!

Mas acho que vou arranjar mais tempo para o Oscar e o Jesse.

Vou mentalizar-me disso, porque não quero que digam:

"Não estavas no meu primeiro dia de escola.

Faltaste à minha peça e ao meu jogo de futebol."

Sinto que não os desiludi,

mas que podia ter sido mais presente, para dizer a verdade.

Mas não sou boa pessoa para ver presépios vivos, cânticos de Natal

e competições desportivas, porque quero ganhar aos outros pais.

Talvez tenha sido bom não ter ido a isso.

O que é aquilo ali no canto?

- O papá ainda não viu os peixes! - O quê?

Pequenote.

Quantos peixes tens? São verdadeiros?

Não te esqueças do camarão!

Tens um camarão? Podemos fazer molho.

Não!

O 22 Bishopsgate é o projeto mais desafiador em que já trabalhei.

Trabalhar àquela altura, no 60.º andar,

faz com que coisas pequenas se tornem dificílimas.

Credo! Vejam esta confusão.

Quantas semanas faltam?

- Mais 20 semanas. - Merda!

Tenho três décadas de experiência, dezenas de milhões de libras investidas

e muitas noites em branco.

Mas criámos um restaurante com 240 lugares e uma bela cozinha aberta.

Uma mesa perfeita, à frente do chefe.

Uma escola de gastronomia deslumbrante, a Academy.

E tudo isso tem 180 graus de beleza panorâmica.

Sou um controlador assumido

e ainda fico muito nervoso.

Preciso sempre de ver onde estão, só para ter paz de espírito.

- Meu Deus! - É temporário…

- Foda-se! - A primeira fase do Lucky Cat.

Quem escolheu esta cor?

- O Russell Sage. - Porra.

ADMINISTRADOR DE RESTAURAÇÃO

Menos luz, obras de arte e plantas…

Caraças! Vejam só. Meu Deus!

Está lindo.

Meu Deus!

Está deslumbrante.

Tanto pó. De onde veio?

- É do ar. - Do ar…

Limparam de manhã. De tarde, há mais pó.

É o pó a assentar.

- Tudo bem? É bom ver-te. - É bom vê-lo.

A partir daqui, o ambiente muda um pouco.

Cum caraças!

Impressionante. Meu Deus!

Fizeram um ótimo trabalho.

Qualquer negócio desta dimensão depende das despesas e receitas.

Com essa pressão, é difícil abrir um restaurante de 12 lugares.

É difícil ter bons resultados financeiros.

O Lucky Cat, que tem mais clientela,

tem mais procura

e pode sustentar todos os projetos se fizermos tudo bem.

É essa a nossa aposta.

Analisámos a fundo a ementa de Miami e fizemos uns ajustes.

Como correram?

O leitão. Não estávamos a acertar na coisa.

Investiram muito tempo nisso, é ótimo.

Fizemos variações, que ficaram boas…

DIRETOR GLOBAL DE CULINÁRIA

… mas não estávamos 100 % satisfeitos.

- Achei excecional. - Certo.

Qual foi o obstáculo?

Quando voltámos a Mayfair,

fizemo-lo numa mesa e não no bar.

Qual foi o problema disso?

À mesa, não parecia suficientemente fluído.

Demorou dois minutos e 40 segundos.

Dois minutos e meio…

O que há de estranho nisso?

É sensacional, por amor de Deus. Esforçaste-te muito.

Foram eles ou vocês a achar isso?

Fomos nós.

Cuidado. É bom serem autocríticos, mas também têm de ouvir a opinião deles.

O que tem isto de diferente de Mayfair? E de Miami?

Zás, um leitão.

Tenham confiança, voltem a pô-lo na ementa e mantenham as vossas convicções.

Lee, também preciso de ti nisto. É a prova de fogo do Michael, é crucial.

Vais ser posto à prova e…

Merda! O que se passou?

- Não é normal, pois não? - Não.

- Não. - Porra!

Só peso 89 quilos.

- Tudo bem. - Valha-me Deus! Credo!

Os bancos não estão bem.

É preciso uma certa personalidade para trabalhar na cozinha.

É preciso ser-se uma pessoa resiliente, forte e com personalidade.

É um ambiente turbulento.

É um ambiente acelerado, a todo o gás.

Não é para todos.

Tem de haver uma certa compostura.

Certo. Salmão?

- Muito - Muito?

- Temos? Molho? - Muito.

Especialmente sob pressão, quando fica muito movimentado.

É preciso gostar de fazer várias coisas ao mesmo tempo.

Com milhões de olhos postos numa experiência única,

temos de corresponder às expetativas.

Vamos ter clientes, isso está em jogo.

CONDADO DE CORK IRLANDA

A família é muito mais importante do que qualquer negócio.

Chegámos. Meu Deus!

Palais des poulets. Há um palácio para as galinhas.

Pai, também há patinhos!

- Oscar! - Oscar!

- Os patos… - Querido, vá lá.

Ele é como tu, não dá ouvidos.

- Osc? - Oscar, depressa!

Vejam só.

É a chefe da Tilly, a Rachel.

Que bom vê-la!

A Rachel Allen é incrível. Já trabalhei com ela.

Não me ocorre ninguém melhor para ensinar o fundamental à Tilly

num sítio tão prestigiado.

- O que está a fazer? - Está a cozinhar, na cozinha dois.

- Um galinha! - Tem muitas penas, que gira.

- Fala baixo, para ela não… - Entrem.

- Vamos lá. - Entrem.

Estou entusiasmada por ele.

Meu Deus! Este sítio é de loucos!

Vai vê-la numa cozinha a sério, com farda de chefe,

e também será uma grande surpresa para ela.

Oscar, não toques.

Desculpem por interromper. Olá a todos, bom dia.

Bom dia.

- Olá. - Como estão?

Desculpem. Bom dia a todos.

Bom dia.

Olá. Meu Deus!

Meu Deus!

Que giro!

Meu Deus! Filha…

- Olá! - Desculpa.

Queria tanto surpreender-te.

O Gordon ficou muito sensível com a idade.

Rimo-nos disso, por ele chorar à mínima coisa

com qualquer coisa emotiva dos filhos.

Emociono-me por causa da vulnerabilidade.

Não quero dizer que ela tem de se esforçar tanto como eu tive,

mas sei que ela quer e é ambiciosa.

Todos pensam: "És filha do Ramsay, é fácil para ti."

É difícil como o caraças para ela. Muito mais difícil.

Ela não pediu para ter um pai como eu.

Ao ver a dedicação dela, apesar de tudo isso,

fico com vontade de lhe dizer:

"Estou aqui para que não cometas erros."

Mas, como pai, lá no fundo, sei que ela tem de cometer os seus erros.

Chefe! Não te podemos chamar chefe, ainda não acabaste o curso.

Como se está a safar?

- Muito bem. - Ótimo.

Podem degustar a comida da Tilly.

- Sim! - Adorava isso.

Força, miúda.

Vamos, Tills.

A Tilly é o Gordon Ramsay em mulher.

Ela é apaixonada e determinada.

Ela refletiu e disse: "Quero fazer isto."

- E tu apoiaste. - Eu ensinava-a…

- Não. - Melhor do que Ballymaloe.

São demasiado parecidos.

Sim, ela é uma carrancuda.

Estou a atrapalhar.

Sentia-me assim na tua cozinha.

- A sério? - Sim. Era assim que me sentia.

- Está pronto? T, vais provar? - Depois de ti.

Adoro o puré. Meu Deus!

Eu não teria escolhido esta carreira para ela,

não queria que seguisse os teus passos.

Eu teria.

Pronto, mas eu vi as coisas que isso te tirou.

E acho que há caminhos mais fáceis,

mas é ela tão parecida contigo, que não escolhe o caminho mais fácil.

Faz como tu e dificulta ao máximo.

Eu disse que não queria esse caminho para ela,

mas não quer dizer que não quero que ela o siga.

É tão bom ter-vos aqui. Podem ver tudo.

Passou depressa, Tills?

Parece que comecei na semana passada.

- Tipo… - É uma loucura.

Qual foi a tua secção preferida?

Adorei aprender sobre pão.

- Pão. - Nunca tínhamos feito.

É engraçado. Quando tinha 23 anos, fui padeiro no Gavroche.

Pedi ao Albert para fazer pão, porque queria entender a ciência.

Não acredito que te interessaste nisso com a mesma idade.

Que engraçado.

Parece que o teu lugar é aqui.

Pareces tão feliz.

- Não te esqueças de limpar. - Obrigada, pai.

Eu levo.

O facto de o Gordon tirar um dia de folga numa altura ocupada

é muito importante para ela.

Estas coisas são importantes.

Também tenho de garantir que ele alivia a pressão às vezes.

Ele ainda não sabe fazer isso. Gosta da pressão.

Mas isso tem um limite.

Achas que temos chefe?

Meu Deus! Claro.

Sai a mim!

BISHOPSGATE LONDRES

DIA DA PRÉ-ABERTURA

As pré-aberturas são cruciais.

É a última inspeção antes de descolarmos.

Verificamos tudo duas vezes e questionamos tudo.

Será que esta porra vai funcionar?

Vamos fazer figura de parvo?

Fizemos o investimento errado?

E o tempo para treinar aqueles miúdos cheios de garra?

Conseguirão estar à altura daquilo que prometem?

O problema das pré-aberturas é que gostam de tudo.

Digo aos convidados: "Digam as coisas más.

Do que não gostam? O que não está bem temperado?"

Convidamo-los e eles ficam felizes e deslumbrados com a vista…

"Não, digam-me quais são os problemas."

O importante desta noite são os erros.

Se acham que cometeram um erro, eu já comi uns mil,

mas nunca duas vezes o mesmo.

Quero ver erros, para ficarmos confortáveis com a pressão

quando carregarmos no botão e houver uma fila à porta.

Temos 500 reservas por dia.

É intenso. Não quero que digam que está tudo perfeito.

Cometam erros hoje para voltarmos muito mais fortes.

Já agora, estão impecáveis. Que tal as fardas?

Fantásticas.

Desfrutem, está bem? E obrigado. Boa sorte.

- Obrigado. - Vamos.

DUAS HORAS PARA O SERVIÇO

A equipa trouxe amigos, familiares e colegas para comer.

Não me dá jeito, porque tenho uns problemas para resolver.

Gostava de não ter construtores aqui.

É um pequeno problema.

DIRETOR DE OPERAÇÕES

Porque há tantas pegadas na carpete?

Podem tapar os sapatos?

- Sim. - Há comida em todo o lado.

Não quero porcaria espalhada.

Estamos abertos, malta. Porra!

O restaurante está muito sujo.

O que é isto?

Está por toda a parte.

São os construtores ou lá o que é.

Os convidados estão sentados a eles andam com escadas.

Não os vou deixar entrar amanhã, aconteça o que acontecer.

Não sabia que ainda não tínhamos cabides.

Não vamos pedir casacos.

- Está bem. - Estamos prontas?

Ostras e vieiras.

Estou a tratar disso.

O RGR High é um espaço único.

Os clientes podem ver o chefe de perto.

Essa intimidade requer uma máquina completamente diferente.

O que estás a fazer?

Tens de tratar do sablé e da tarte. Têm de estar prontos às 18h30.

Pode parecer fácil por ter apenas 12 lugares, mas não é.

Afastem-se, por favor. Tenho de vir aqui.

- Afastem-se. - Certo.

O James lidera e tem de compreender o seu valor.

É uma cozinha aberta, não dependemos de uma brigada de empregados.

É a primeira vez que estes pratos saem.

Sim.

Quanto mais ação virem, melhor.

Gostes ou não, tens de comandar o que vem a seguir.

Sim.

Trabalhem em sintonia. Eles têm de ouvir: "Vamos a isso."

- A que horas abrimos? - Às 19h.

Caraças!

Faltam 40 minutos.

Cabides!

Sim!

Vamos lá. Desculpem. Entusiasmei-me com os cabides.

Quem abre um restaurante sem cabides?

A primeira reserva está a chegar.

Bem-vindos ao Lucky Cat. Como estão?

Estou maravilhada com a vista.

- Só quero olhar. - Deslumbrante.

RESTAURATEUR E AMIGO

Não acredito que isto estava em obras na última vez que vi.

Acho que estava de capacete.

O bar de sushi.

Área principal.

Muito fixe.

O Bishopsgate assusta-me, porque é diferente e enorme.

Nunca o vou impedir de ter as suas ideias grandiosas,

mas a pressão cai sobre nós.

Daqui a seis ou oito meses, espero dizer: "O que me preocupava?"

- Parabéns. - Meu Deus!

Porra!

- Fantástico. - É a sério.

Cum caraças!

Eu disse-te.

- Não era a brincar. - Nem pensar.

Boa noite e sejam bem-vindos. É bom ver-vos. Tudo bem?

É bom ver-te. Muito obrigado por terem vindo.

- Tudo bem? - Está tudo fantástico.

Ótimo. Queremos problemas. Digam, por favor.

Olá, boa noite a todos.

Bem-vindos ao Gordon Ramsay High. Obrigado por se juntarem a nós.

Esta noite, vamos servir uma ementa de carta-branca.

É uma ementa surpresa.

Usamos os melhores ingredientes do mercado.

Vou começar com um aperitivo.

É uma homenagem ao Gordon.

No primeiro restaurante, o Aubergine, servia cappuccino de feijão-branco.

É um cappuccino de lentilhas e castanhas com um toque de trufa.

Espero que gostem.

Delicioso.

Podemos terminar as ostras.

Vamos?

Isto é uma ostra da Cornualha.

Cozemos a vapor na casca, para obter o sabor, e fazemos gelado.

Sentam-se no meio da cozinha.

Por isso, é…

É um sonho, porque é teatro representado à vossa frente.

Estou a arriscar,

porque há grandeza a extrair do James

e ele ainda não teve lugar para isso.

Se ele não se abrir, não preencherá o espaço entre o cliente e a comida.

Conta a história.

Mostra o que tens.

O RGR High procura entregar perfeição todas as noites,

servindo apenas 12 clientes.

- Setenta e cinco. - Setenta e cinco?

Seis pratos.

Mais um.

Vamos lá.

O Lucky Cat vai servir mais de 300 clientes.

Põe isso na grelha, por favor.

E manter esse embalo

é pedir muito.

Um pedido. Uma dourada, uma de porco, vieiras, polvo e arroz frito com kimchi.

Uma cozinha concentrada e funcional a essa escala

depende da sincronização, coordenação

e, acima de tudo, energia.

Uma de pimentos padrón e uma lula.

Um robalo, uma dourada, dois frangos.

Preciso de três de pimentos padrón.

Todas as cozinhas têm de andar a um ritmo.

São jovens, estão a aprender.

É muito difícil trabalharem em conjunto e ao mesmo ritmo.

Não fiques aqui, arranja algo para fazer.

Se fizeres o mesmo quando ele voltar,

é um problema meu, não teu.

Digam o que pensam. Sejam sinceros e diretos.

Não escondam nada e não lambam botas.

Michael.

Quero ouvir os pedidos e as respostas,

como numa cozinha a sério.

Sim, chefe.

Em voz alta, está bem?

Em voz alta…

Sim, chefe!

- Despachem-se. - Quantos empregados de mesa temos?

Esta secção está uma confusão. Quantos pedidos temos em espera?

Onde estão todos?

Os meus maiores pesadelos são uma cozinha disfuncional e mau serviço.

Não há nada pior.

Malta, deem-me o caranguejo.

Estão a vender muitos aperitivos.

E estes estão no lodo.

Quando há mais de dez pedidos em espera, as coisas começam a acumular.

É um momento crítico.

Pessoal, preciso de seis lulas.

Seis lulas no total?

Alguém que emprate isto e fritem mais lulas.

Temos um monte de lulas.

Dividam em duas taças para ser mais rápido.

Senão, a metade de baixo fica amolecida.

- Sim, chefe. - Está bem?

Vá lá, malta. Pensem bem, por favor.

- Dez porções numa taça. - Sim.

Uma pessoa a distribuir.

Têm de dividir o trabalho.

Não emendo e digo que fazem um bom trabalho.

Digo para se recomporem.

Acho que os subchefes têm de empratar.

Os talentosos têm de se esforçar.

Quando estão no lodo, porque é que ele não emprata?

Não percebo.

Que merda!

Ele quer que comeces a empratar.

- Está bem. - Vão dar-te os pratos e empratas.

Está bem.

Encontramos o equilíbrio entre puxar por eles,

discipliná-los e ser o capitão do navio conforme os padrões.

Se formos além dos limites,

a comida sai fora do ponto ou mal temperada.

Para quê?

Quando começas a servir os teus erros,

está tudo lixado.

O tofu está a sair.

As fritadeiras estão muito ocupadas.

Isso abranda tudo.

Os convidados esperam muito tempo.

É a secção mais difícil. Temos de dar descanso às fritadeiras.

Estamos apertados com as fritadeiras.

Chefe, Oscar.

Chefe.

Não está a funcionar. Está lixada.

A temperatura baixou e demora a fritar.

Eu disse para usares a fritadeira de tempura.

- É bom senso. - Sim.

Não adianta eu ir aí.

Têm de se amanhar e continuar.

Hoje, queremos problemas. Se voltarem a dizer que está tudo bem…

Temos 120 convidados e teremos 240 daqui a uma hora.

- Exato. - Está bem?

Tenta tratar da fritadeira.

- Certo. - Não esperes. Vai tratar disso.

É bom preocupar-me quando as coisas correm mal.

Não vou esconder isso, não vou disfarçar.

É uma merda a sério. É mesmo.

- Porque ainda têm copos? - Não deviam ter.

Assim que pedem um coquetel, tiras a porra dos copos de vinho branco.

Vá lá. Hoje, o senso comum não é assim tão comum.

Que tal?

Muitos problemas. É uma noite para erros,

mas estamos a cometer erros de principiante.

Sei lá, coisas básicas.

Dois baos de pato. Mesa 40.

Temos mais baos lá atrás?

- Há… - Sim, lá atrás.

Não temos… Temos? Está bem.

Quanto falta para os camarões?

Vai. Não corras, Hugh!

Atrás de vocês.

Hugh, o que estás a fazer?

O que foi aquilo?

Vamos! Que merda!

Que pesadelo do caraças.

Legendas: Pedro Marques

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