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FOGO E ÁGUA
O MAKING OF DOS FILMES AVATAR
CAPTURA DE MOVIMENTO SUBAQUÁTICA
Após uma cena de dois ou três minutos, todos têm de respirar.
REALIZADOR
Os atores precisam de respirar, tal como os operadores de câmara.
Faz-se uma contagem decrescente, e todos se preparam.
Acalmam-se e abrandam os batimentos cardíacos.
Expiram CO2.
Saturam os capilares com oxigénio,
preparam-se para mergulhar e entram num estado zen.
Eu faço a contagem decrescente pelas colunas.
Dez segundos.
E, quando acaba o tempo, todos voltam a descer.
Temos de estar muito calmos.
Qualquer tipo de tensão faz o coração acelerar.
Portanto, uso um tom de voz calmo e peço a todos que mergulhem.
Isso mesmo. Vão descendo.
Com calma.
Os operadores de câmara estão debaixo de água, a suster a respiração,
e esperamos conseguir fazer a cena em dois minutos.
O máximo que demorámos foi dois minutos e meio ou três.
Podem conseguir aguentar seis ou sete minutos,
mas, quando se mexem e usam oxigénio,
o tempo que aguentam diminui rapidamente.
Das primeiras cenas que filmámos foi quando as crianças Sully saltam…
… e quando a Kiri reage aos peixes lindíssimos
e vê o polvo que muda de cor rapidamente e se afasta.
Foi das primeiras cenas que fizemos.
Para a Kiri,
a vida na Terra era frustrante.
E, assim que mergulhou
e se viu debaixo de água com todos aqueles seres incríveis,
sentiu uma grande ligação a eles, como se estivesse em casa.
Para a Kiri, eu tinha tanta energia dentro de mim enquanto atriz,
tanta necessidade de pertencer a algum lugar,
que, quando mergulhei na água e me senti tão confortável,
pensei que ia correr tudo bem e que ia conseguir fazer o filme.
E também pensei que a Kiri ia ficar bem, pois tinha encontrado o lugar dela
naquele novo mundo em Pandora.
Acho que é uma das cenas mais mágicas do filme,
e as pessoas até respiram fundo pela beleza e pela maravilha do que veem.
Há uma cena em que a Kiri, a personagem da Sigourney, está na água…
CINEASTA SUBAQUÁTICO
… surge um grupo de lulas
e ela começa a guiá-las.
E ela mergulhou, embrenhou-se na cena e susteve a respiração por três minutos.
Aguentou mais tempo do que a equipa de segurança.
Foi espetacular.
Mergulhei e imaginei toda a cena.
Foi o que mais gostei de fazer na água
e aguentei bastante tempo dentro de água.
Mais do que eles esperavam.
Não gostei nada de parar,
porque, apesar de não haver lá lulas,
havia mergulhadores que representavam diferentes criaturas na água.
E foi maravilhoso.
Tentei que durasse o máximo possível.
Vamos lá. E ação!
Quando o tulkun da Ronal morre,
é uma sequência extraordinária,
mas nem imaginam o que eu tinha à minha frente.
Nem eu conseguia acreditar.
Só pensava que tinha de me esforçar e usar a imaginação.
DESIGNER DE PRODUÇÃO
Fico maravilhado com o que os atores conseguem fazer.
Tentamos dar-lhes o máximo,
mas ela estava a reagir à perda da sua Irmã Espiritual
só com um olho mal esculpido.
Era compositora de canções.
Muito respeitada. Cantávamos juntas.
Ela esperou muitos ciclos reprodutivos para ter esta cria.
Foi muito memorável para mim.
É a versão de imaginação mais extrema.
Seria mais fácil imaginar um icebergue a passar.
O que é isto, Tonowari?
O que é isto?
Há várias relações importantes no filme,
mas, quando o Payakan conhece o Lo'ak,
o filme explica realmente o seu propósito,
porque tudo o que acontece a partir daí acontece graças a isso.
Também é maravilhoso ver essa relação a desenvolver-se.
Mal conseguem comunicar um com o outro, mas percebemo-lo.
Embarcamos naquela viagem e vemo-lo.
Saber o que as pessoas sentem da relação deles…
… emociona-me e só posso falar do que o Lo'ak sente.
O Lo'ak sente-se sozinho e proscrito.
Mas sabem quando a pessoa certa surge na nossa vida na altura certa?
O Payakan foi isso para o Lo'ak.
É como um espírito.
Ele é o melhor amigo mais leal e compreensivo
que todos gostávamos de ter.
Perdemo-nos naquela cena e na beleza de ver o Lo'ak e o Payakan.
Amigos?
Especificamente para o Payakan, tínhamos uma prancha de surfe de lado,
um painel de metal e um olho improvisado,
e foi tudo alterado e ajustado
até o Jim encontrar a forma perfeita.
E, após decidir isso, a forma final ficou assim.
Ficaram esses os pontos fixos que sabíamos que resultavam.
O Payakan é muito grande.
Não era só uma criatura, era um cenário.
Tivemos de construir uma plataforma grande que correspondesse à anatomia dele,
incluindo espiráculos e painéis para que, quando os miúdos trepassem,
soubessem o que estavam a tocar e a pisar.
Não pisem o espiráculo. Senão, serão lançados.
Uma versão do tanque tinha um túnel de vento,
onde o ator ficava quieto e havia uma corrente constante.
Construímos uma barbatana gigante, e, nas cenas de ação,
púnhamos a barbatana debaixo de água,
e parecia que ele nadava muito depressa pela água.
Eu agarrava-me a ela, e fazíamos cenas espetaculares.
Ocorreu-nos que podíamos pôr os atores nas criaturas motorizadas que criámos
e fazê-los nadar pelo tanque,
mas podia ser perigoso se embatessem nalguma coisa,
fossem contra a parede do tanque ou batessem numa câmara.
Eu pensei: "Temos motores e hélices gigantes que podem criar uma corrente.
Porque não fazemos um túnel de vento debaixo de água?"
Quando criam e testam caças,
veem como eles se comportam num túnel de vento.
Não se move a aeronave pela atmosfera, mas o contrário.
E nós fizemos o mesmo.
Filmámos os atores naquela posição com a corrente.
Direita, esquerda, direita. Bob.
Nas criaturas do Jetovator,
os atores estavam presos a um cabo com a corrente a passar por eles.
Isso deu-nos o controlo total e foi ótimo para filmar,
para as câmaras de referência e para os atores.
O Jetovator é incrível e muito prático,
mas, ao mesmo tempo, não dá para tudo.
Os Seabobs são mais pequenos, pomo-nos em cima deles…
REALIZADOR DA 2.ª UNIDADE
… e eles viram-se e fazem-nos virar também,
o que era ótimo, mas precisávamos de os manobrar melhor.
Por isso, o Jim decidiu adicionar-lhes umas asas.
Assim, podíamos usá-los para nos movermos numa espiral
e fazer outro tipo de manobras.
Foi incrível ver os duplos nos Seabobs.
Estava tudo lá, mas os duplos, os artistas
e os outros atores é que tornavam tudo real.
Era aí que a imaginação entrava em ação.
Fogo!
- Vem aí! - Para trás.
Tuk!
- Agarrem-se! - Agarrem-se!
Não! Tuk!
No tanque de similitude…
DIRETOR DE ARTE
… fizemos um teste de rotação.
TESTE DE ROTAÇÃO
É a cena em que a Neytiri e a Tuk estão a tentar escapar
do navio SeaDragon.
Era uma jaula enorme, com 18 metros,
que girava em redor de um vetor.
Foi muito atribulado.
- Mãe! - Vamos!
Abre-a!
Para trás.
Vem.
Tuk!
DESIGNER DE PRODUÇÃO
É necessário ter um grande conhecimento.
Pode surgir uma proposta ou situação em que uma personagem tem de fazer algo,
e o Jim compreende logo o ponto em que a Neytiri,
que pesa 200 kg e é muito forte,
não consegue mais segurar uma porta devido à pressão, e essa porta se fecha,
impedindo-a e à Tuk de fugir por ali
enquanto tentam sobreviver no navio a inundar-se.
O Jim teve de fazer cálculos de pressão
para perceber o volume de água que geraria aquele momento
para nos dizer até que ponto a água tinha de estar no corpo dela.
Nas cenas em que o navio se está a afundar
e eu e a Neytiri estamos a tentar escapar e ir ter com a nossa família,
houve um lado emocional,
mas também houve pânico pelo navio se estar a afundar
e não nos conseguirmos equilibrar enquanto tentamos fugir.
Estava a afundar-se muito depressa.
Vamos experimentar. E ação!
Mas senti-me muito segura.
Senti-me muito segura com todos e que podia confiar neles
e também me senti segura com a Zoe, porque ela é muito carinhosa
e não só uma ótima mãe na realidade, como uma ótima mãe nas filmagens,
porque nos apoia muito.
Foi divertido fazermos aquela cena juntas e poder improvisar com ela.
Foi assustador. Tivemos mesmo de fugir.
É arriscado, mas sabemos que estamos seguros
e confiamos no processo.
E aproveitamos tudo o que sentimos.
Se eu sentia medo, imagino que a Neytiri também o sentisse.
Se me sentisse claustrofóbica,
se não conseguisse respirar… Tudo isso.
Grande Mãe! Grande Mãe, ajuda-nos!
Gostava que a Neytiri tivesse mais cenas na água
porque foi incrível ver todos a trabalhar.
Foi lindíssimo.
O tanque era muito grande.
Era grande e assustador.
Quando pus em prática tudo o que aprendi,
tornou-se muito gratificante passar os dias no tanque.
Fosse qual fosse o percurso da personagem na água, era algo maravilhoso.
Esta é a nossa família.
NOVA ZELÂNDIA
Somos uma pequena tribo de Te Awaroa. Viemos surpreender o Jim e todos vocês
com uma karakia, uma bênção.
Isto é o que chamamos…
É uma oferenda de amor para todos, para vos desejar boa sorte
nas aventuras que se seguirão para fazermos algo ótimo
e bonito para o mundo de que todos nos possamos orgulhar.
Bem-vindos ao nosso país.
Vejo muitas caras conhecidas do último filme. Bem-vindos de volta.
E vejo também caras novas. Bem-vindos a esta nossa aventura.
Começámos muito bem,
com os primos do Cliff.
Para mim, é esse o espírito do filme.
É um filme baseado na Nova Zelândia.
A Nova Zelândia é a minha nova casa.
Algo que sabemos ao trabalhar nestes novos filmes
é que são tecnicamente mais difíceis do que o primeiro.
Sabemos muito mais.
Até agora, temos conseguido equilibrar tudo,
mas todos os dias descobrimos coisas novas que nunca antes vimos,
e elas viram-se contra nós.
Pensamos que andamos há anos a preparar-nos, mas somos surpreendidos.
De vez em quando, temos de parar e pensar sobre as coisas.
Temos muitas pessoas inteligentes
e, até agora, não houve nada que não conseguíssemos resolver.
NOVA ZELÂNDIA CENAS AO VIVO
Filmámos as cenas ao vivo na Nova Zelândia e, como podem imaginar, houve muita coisa
que construímos lá que se interligaria com a água.
Escolhemos Auckland pelas cenas com água.
PRODUTORA ASSOCIADA
Os estúdios em Auckland têm o único tanque de mergulho na Nova Zelândia.
Construímos um barco de nove metros totalmente funcional, o que é incrível.
Nunca ninguém faz coisas de raiz neste tipo de projetos,
mas o nosso diretor de arte lá, o Alister Baxter, é arquiteto naval,
e a Nova Zelândia tem uma forte indústria ligada a barcos.
Portanto, fizemo-lo de raiz,
e era um barco incrível com mil cavalos, que chegava aos 45 nós
e até conseguia saltar ondas.
Testámo-lo no mar.
É espantoso.
O mais incrível é que, ao vermos o filme, parece que estamos no mar.
Não há uma única filmagem de um barco no mar em todo o filme.
As pessoas e o barco não são gerados por computador,
mas a água e o mar são.
E, para conseguirmos isso, filmámos o movimento de um barco real.
E filmámos o movimento real em ondulação real.
Aplicámos isso aos nossos modelos e, depois, à base de movimento.
Ação!
A parte física baseou-se na filmagem inicial.
Pegámos nessa filmagem feita num barco de dez metros
e aplicámo-la a um barco de 20 metros, a que chamámos Matador.
O Matador é um barco enorme que consegue navegar e também destruir.
É uma viagem divertida.
Sentimos o vento. É rápido.
Gosto de estar em barcos ancorados.
É giro, porque gosto de barcos, mas não gosto de estar na água.
Sem dúvida que foi tudo representação.
Três, dois, um, base.
E ação!
Ótimo!
Construímos vários barcos e veículos aquáticos que tivemos de inundar.
Para a escotilha!
Como diz o Jim: "Neste tipo de filmes,
temos de ver os vilões a morrer de forma terrível.
Não fui eu que decidi isso.
Na verdade, até fui, mas vamos fazer isso mesmo."
No caso do submarino,
tivemos de perceber como o inundar pela cobertura rachada.
Um rombo! Ponham as máscaras!
Percebemos que a melhor forma de o fazer era não usar tanques de água,
mas criar um vidro à prova de água.
Vamos preparar-nos.
A filmar, por favor.
A filmar!
Submergir!
Puxem a mangueira. Fechem a escotilha.
E três, dois, um, ação!
Um rombo! Ponham as máscaras! Vá!
O Jack Champion, como Spider, teve cenas em que usou uma máscara…
PRODUTOR
… em vez de suster a respiração, que criámos e tornámos segura…
ARTE CONCEPTUAL
… para ele nadar debaixo de água.
As máscaras que existem hoje em dia
seriam demasiado óbvias,
e também queríamos algo melhor, pelo menos em termos cinematográficos.
Portanto, o John Garvin assumiu as rédeas desse problema.
Um dos desafios…
PERITO EM MERGULHO
… foi termos de arranjar uma máscara que mostrasse a cara toda dele.
Isso levantou problemas quanto à acumulação de dióxido de carbono.
Sempre que o Jack respirasse na máscara,
podia voltar a inalar o CO2.
Decidimos não usar as luzes óbvias dentro da máscara de mergulho,
que nenhum mergulhador consideraria usar, porque não conseguiria ver nada.
Pensámos que, no futuro,
haveria um sistema instalado na lente da frente
que iluminaria a cara do ator.
Aquela máscara envolveu muita sofisticação.
- Verifica se a máscara está bem justa. - Estou bem, idiota.
Esta é a máscara que usei
todos os dias, durante horas, dentro do tanque.
Podia estar totalmente na personagem debaixo de água
e ter uma máscara que funcionava na perfeição.
E tinha uma peruca com rastas.
Tinham de a pôr por cima da peruca.
Se entrasse um pouco de água, pressionava aqui.
Não sei bem como funciona, mas a água saía, e ficava com a cara seca.
Isto era um microfone.
Quando o Jim falava connosco debaixo de água,
eu podia falar e ele ouvia.
E há um tubo para o ar entrar na máscara,
que estava sempre ligado a uma botija de oxigénio.
É altamente.
Ação!
Eis o Jack Champion, de 15 anos, com uma máscara para respirar,
a levar o seu boneco gigante e a arrastá-lo.
E conseguiu.
E parece real porque ele o fez mesmo.
A mímica é nossa inimiga.
Queremos que representem e se esforcem a sério.
Que precisem de usar as forças e se cansem.
Quanto mais o mundo influenciar o ator
ou quanto mais o ambiente ou as criaturas influenciarem o ator,
mais real lhes parece.
E, a partir daí, não é preciso imaginar muito
para sentir o medo, o esforço ou a fúria que seriam necessários
para fazer as coisas que pedimos às personagens para fazerem.
EFEITOS VISUAIS
Analisamos bem o que os atores dão à atuação em termos emocionais.
SUPERVISOR DE EFEITOS VISUAIS
Depois, analisamos o que dão em termos físicos.
O que fazem com o corpo e com a cara.
É um problema multidimensional.
Ena, meu!
Mas vale a pena o esforço, porque vemos representações incríveis.
Estão bem?
São rápidos demais!
Esperem por nós.
Basta respirarem. Respirem.
Não mergulham bem.
Talvez sejam bons a baloiçarem-se pelas árvores…
- Vá lá, meu. - Não falamos essa linguagem dos dedos.
Não vos entendemos.
Eu ensino-vos.
Todos no filme se esforçaram tanto
que sentimos a responsabilidade de o transmitir ao público.
Para o Jim, filmar na água foi um dos aspetos mais importantes.
SUPERVISOR DE EFEITOS VISUAIS
Ele queria garantir que as pessoas pareciam estar mesmo a nadar.
Via-se o movimento certo? Viam-se os músculos certos a trabalhar?
Viam-se os pormenores certos de tudo o que faziam debaixo de água?
Eu estava cético, no início,
mas, para ser sincero, depois de ver as cenas subaquáticas,
valeu bem a pena.
Vemos a água a ondular os corpos deles.
Esses pequenos pormenores fazem toda a diferença.
Desde que estou na indústria…
EFEITOS VISUAIS
… a água é desafiante.
Algo que me impressionou bastante foi a captura de movimento
e o esforço que fizeram para conseguir as atuações incríveis
que parecem tão reais.
Os atores sentem as mesmas emoções que queremos que as personagens sintam.
Respondem a informações reais e a perigo real.
E nós captamos tudo isso ao mesmo tempo.
Captamos as caras, os corpos,
o que acontece acima e debaixo de água.
- Jake. - Vamos!
Depressa, por favor!
Depois de ver o resultado da captura subaquática…
… fiquei convencido.
MONTADOR
Não havia outra forma de termos feito o que fizemos
e de forma plausível,
em termos da parte física da resistência da água,
para o desempenho dos atores e dos duplos debaixo de água.
Obtemos a leveza, a flutuabilidade,
o movimento, a luta contra a corrente.
As mudanças de velocidade, caso subam ou desçam,
a ir à superfície ou a mergulhar.
Foi algo inédito,
mas isso nunca impediu o Jim.
Por mais que usemos computadores e tecnologia,
o coração do filme é o coração do ator
e o coração da personagem.
Portanto, temos de alcançar a verdade emocional.
Em alguns casos, essa verdade emocional ocorre debaixo de água.
Portanto, temos de nos livrar do resto.
Vai correr tudo bem, maninha.
Mãe, vou dar-te isto.
Vai ajudar-te.
Fico doido quando as pessoas dizem: "A Sigourney fez a voz da Kiri."
Num filme animado, os atores leem o guião
e demoram um ou dois dias a dar voz a uma personagem.
A Sigourney trabalhou nestes dois filmes durante 18 meses.
Ela fez tudo. A parte física importa.
É uma atuação de cara, corpo, voz e respiração.
É tudo.
E a Sigourney não tem 15 anos.
Ela alinhou em tudo.
Tentamos honrar os atores.
Tentamos não ser criativos
e transformar uma expressão em algo que não era.
Não são personagens humanas,
mas tentamos aproveitar a humanidade dos atores
e passá-la para a personagem.
Acho que as pessoas pensam que basta agitar uma varinha mágica.
Não usamos IA generativa.
É tudo captura de movimento.
Não inventamos imagens do nada.
As pessoas trabalham anos na criação, no guarda-roupa e nos adereços.
E os artistas, sejam os duplos ou os atores,
fazem tudo o que vemos as personagens a fazer.
A reação emocional que obtemos ao ver estas cenas
só é possível se os atores fizerem um bom trabalho.
É um trabalho muito físico, difícil e imersivo.
E imagino que as pessoas digam que são só desenhos animados
ou que não são os atores em si. Algo desse género.
Mas os atores dão mesmo tudo de si
em cada uma das personagens,
criando a energia e o ambiente dos filmes.
São pessoas elevadas, apaixonadas e impetuosas.
Todos o fazem a sério, mais do que consigam imaginar.
O último fôlego.
Tudo o que desenvolvemos para a terra e para a água
continua no Fogo e Cinzas.
Temos cenas dentro de água e à superfície.
Temos muita coisa que explorámos no segundo filme.
Aliás, foi tudo filmado ao mesmo tempo.
Foi uma questão de arranjar uma solução para todas as sequelas.
O Jim passou anos a tentar encontrar forma de recriar a água com tecnologia,
mas chegou à conclusão
de que tinha de criar tecnologia que apoiasse as atuações.
O importante não é recriar água, é criar tecnologia
que nos permita trabalhar na água com a água.
Quando ele descobriu isso,
o resto foi facílimo para o James Cameron.
E estou grata por isso, porque nos deu a capacidade
de trabalhar com um elemento em constante interação connosco.
A água interage connosco, e precisamos dela.
Obrigada, Grande Mãe.
Obrigada.
EM MEMÓRIA DE JON LANDAU
Agora, eis um olhar exclusivo do novo filme, Avatar: Fogo e Cinzas,
que chegará aos cinemas em dezembro.
Spider.
Kiri.
Raios! Recua.
Kiri!
- Fica atrás de mim. - Kiri!
Estamos presos.
Meu!
Atrás de nós!
Tsahìk.
Como está ele a respirar sem máscara?
Não consigo pensar nisso agora.
Temos de entrar ali.
O nosso ar não é veneno para a Gente do Céu?
Como estás vivo, respirador de ar?
Porque é essa a vontade de Eywa.
Eywa?
Sim.
Se o cortar, achas que Eywa o vai salvar?
Vá lá. Tira-me isto.
Vá lá. Vão matá-lo.
Achas?
Não.
A vossa deusa não tem poder aqui.
Tradução: Lara Kahrel
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