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"A ONCOLOGISTA PEDIÁTRICA"
Obrigada.
Hora do cappuccino.
Até fiz um desenho na espuma.
- É um pénis? - É uma palmeira.
Parece mesmo um pénis. Pronto. Isso mesmo.
Já vejo.
- Sim. - Vejo porque disseste isso.
É uma palmeira.
- Para ti. - Está delicioso.
Obrigado.
E, sinceramente, é muito revigorante estar com alguém tão criativo.
Bem, obrigado.
Caramba! Fala-se no diabo…
Este é… é o MK Ultra 4.
Não sei. Estava só a ver o que havia…
Não, este é o meu filme.
Este é… Sabes, eu fiz este filme.
- É teu. - Sim.
Não sabia. Então, foste o realizador?
Mais ou menos. Promovi-o.
Por acaso… comprei o guião para o MK Ultra original.
Era um thriller de espionagem barato, mas transformaram-no num franchise.
Se aquele tipo explode carros com a mente,
porque não consegue tirar as armas todas aos bandidos?
Para entenderes realmente o MK Ultra 4,
tinhas de ter visto o MK Ultra 2, recentemente,
que, na nossa linha temporal, vem entre o MK Ultra 3 e o MK Ultra 4.
Pois, eu não vi nenhum.
Estás a brincar?
Desculpa.
Não, não tem mal.
Renderam 3,8 mil milhões, globalmente, mas nem toda a gente…
Acho que muita gente não deu por eles.
Porque não fazemos uma maratona, no próximo fim de semana?
Podemos vê-los todos. Quantos são?
- São sete. - Certo.
Parece divertido. Posso fazer-te o comentário ao vivo.
Conto-te os podres todos.
Talvez isto seja um bocado em cima da hora,
mas estás ocupado, esta noite?
Porquê?
Tenho de ir a uma coisa do trabalho.
É um evento elegante e chique,
uma gala de angariação de fundos para o Cedars-Sinai.
Costuma ser divertido,
mesmo sendo para o cancro infantil.
E há muita bebida.
Esperaria que sim, dadas as circunstâncias.
Se não puderes, tudo bem. Não é importante.
- Não é que precise que vás. - Não. Eu posso ir.
Vou… Posso mudar umas coisas. Sim, adoraria ir.
Obrigado por me convidares.
De certeza? Vai haver muita conversa médica.
Adoro conversa médica.
Vi o Patch Adams 12 vezes.
És tão engraçado.
- Obrigado. - Não, é bom.
É uma coisa boa.
Os médicos com quem costumo sair
são um bando de egomaníacos sérios, mas tu não és.
Não te levas a sério, de todo.
Por acaso, não.
- Não, e isso é bom. - Pois.
Obrigado.
Estou ansioso por ir.
ESTÚDIOS CONTINENTAL
Notícia de última hora. Esta noite, o caos espalhou-se pela cidade.
As autoridades recomendam que ninguém saia de casa.
Neste verão…
- Vês alguma coisa? - Não.
Do realizador de Uma História de Amor…
Sentes o cheiro?
Merda.
Vai baixar as calças.
Nós conseguimos.
Fui atingido!
Quer dizer que vou morrer?
Acontece, mais cedo ou mais tarde, amigo.
No teu caso, é mais cedo.
Duhpocalypse.
NO VERÃO
Muito bem, adoramos o filme, mas temos bosta.
Há uma crise com o trailer.
Os donos do Teatro Heartland recusam passá-lo
devido à explosão de diarreia.
- O quê? - O quê?
É o mais engraçado no trailer.
Não, esperem.
Neste filme, os zombies usam diarreia para infetar as pessoas.
De que outra forma o vamos promover, Maya?
- Atenção ao tom. - Esperem.
Estamos a perder o objetivo do filme na comédia?
É uma sátira negra sobre a desinformação médica.
- Não quero que isso se perca. - É verdade.
O filme é profundo e complexo,
mas quero a explosão de diarreia no trailer.
Desde que mantenham a visão do meu cliente.
Sim, mas há a preocupação séria de que a representação gráfica da diarreia
prejudique as vendas
- de líquidos castanhos. A Coca-Cola. - Não. Isso é estúpido.
Por isto sugeri vendê-lo às plataformas. Sem testes nem donos de salas.
- Leigh, não te armes em agente. - Tretas, Matt.
O terror e a comédia têm êxito nas salas. É uma comédia de terror.
- Sim, tens toda a razão. - Sim.
- Ele tem razão. - Sim.
- Foi o que eu disse. - Bem, conhecendo o meu público,
que tal se nos debruçássemos sobre a vertente de merda de zombie
e criássemos copos a dizer Cocó Zombie ou Diet-rreia Cola?
- Isso! - Céus! És um génio.
Ele é um génio.
E se tivermos um trailer sem diarreia para as salas,
e guardamos a explosão para uma versão classificada como "castanha"?
Não, é uma boa ideia,
mas, sinceramente, acho que devemos manter a explosão.
Qual é o último dos últimos prazos para enviarmos isto?
Tem de ser enviado, sem margem, acabadíssimo, hoje às 22 horas.
Eis o que vamos fazer.
Retocamos a piada, mas não a vamos eliminar.
Vou falar com os donos das salas.
- Obrigado a todos. - Obrigado.
- Certo, Matt. - Sim.
Obrigado por me apoiares nisto.
Na boa. Para que saibas, Johnny, vou lutar muito por isto.
Vamos ter a explosão de merda.
- Obrigado, amigo. - Sim.
Merda.
- Podemos pedir sushi? - Não, estou farta de sushi.
Comi SUGARFISH três vezes esta semana.
Vais-te embora?
Sim, infelizmente, tenho de ir a um evento muito importante.
- E a merda do trailer? - Levo o telemóvel.
Vão-me enviando as versões novas, sim?
O que é mais importante do que o Duhpocalypse?
Um evento de beneficência para o Cedars-Sinai. Eu…
… ando a sair com uma médica de lá.
Andas a sair com uma médica?
- Sim. - Que tipo de médica?
- Uma oncologista pediátrica. Que tal? - Divertido.
- Sim. - Impressionante.
Que conversas tens com uma médica?
Muitas conversas inteligentes. O que queres dizer com isso?
- Tu falas do quê? - Deixa-me perguntar-te isto.
O que faz uma oncologista pediátrica, Matt?
É cancro infantil. Não gosto das vossas insinuações.
- Sei estas coisas. - Certo.
Vamos ver edições até ao prazo das 22 horas.
Vais conseguir aprová-las?
Sim. Felizmente, ela entende que o meu trabalho é importante,
ela respeita o que eu faço e é muito compreensiva.
- Tenho o telemóvel ligado. - Ela parece incrível.
- Vê o telemóvel. - Enviamos e-mails.
38.ª GALA ANUAL DE ONCOLOGIA PEDIÁTRICA
Devo-lhe a transparência total. É um ensaio clínico.
O objetivo, claro, é curar a sua filha,
mas há o risco de o ensaio não resultar.
Eis o que vamos fazer.
Não voltamos ao Josh depois da explosão de merda.
Vemos só o Knoxville, e não o Josh coberto de diarreia.
Não, é um dilema ético para mim, mas, obviamente,
é uma escolha muito difícil para um pai.
Pense nisso durante algum tempo…
E façam com que o traque soe a húmido. Deem-lhe molho, sim?
Ótimo. Obrigado.
Merda.
- Desculpa, era trabalho. É… - Eu sei.
- Nunca acaba, certo? - Não.
- Caramba! Olha. - O que foi?
É uma placa com todos os filmes feitos aqui.
Oppenheimer. Duro Amor. Mas o Clube de Combate é fixe.
Já ouvi falar desse. Clube de Combate.
- Nunca vi, mas já ouvi falar. - Nunca viste o Clube de Combate?
- Não. - Céus. Que loucura.
- Temos de o pôr na lista. - Céus! Já são quantos?
Uns 47 filmes, mais ou menos.
- São 47 filmes? - Sim.
Devem ser mais do que os que vi a minha vida toda.
É melhor começarmos esta noite.
Sarah.
- Olá. - Olá.
- São uns amigos. - Boa.
- É a Dra. Rebecca Chan-Sanders. - Olá, como estás?
- Olá. - Este é o Dr. Steve Chan.
- Olá. Tudo bem? - Olá.
Este é o Matt Remick.
Sim. Dois médicos. São um casal impressionante.
Muito obrigada. E devo dizer que isso é impressionante.
- O quê? - Foi feito à medida?
- Sim. - É castanho.
Sim, cor de ferrugem. Se precisares de um bom alfaiate, dou-te o contacto.
Não. O meu é alugado.
Nunca se sabe.
O Steve é o homem do CAR no Cedars.
Fantástico. Também gosto bastante de carros.
Tenho um Aston Martin, um Fiat.
Comprei um Studebaker dos anos 60.
Desculpa, não. CAR quer dizer "Recetores de Antigénio Quimérico"
para todos estes foliões.
Desculpa. Bando de cromos.
Parece o nome de uma arma de um filme de ficção científica.
Ele é uma lufada de ar fresco.
É, não é? Não é médico.
Não, de todo.
Por acaso, isto parece uma festa de Hollywood.
Só que com pessoas um pouco mais inteligentes.
- Um pouco. - Sim.
- És tão engraçado. - Já falaste com um cirurgião ortopédico?
Já tive conversas mais profundas com um taco de golfe.
Mesmo.
Então, Matt, o que fazes tu no mundo do cinema?
O Matt é um magnata de Hollywood.
Sim. Preside um estúdio de cinema.
- Chama-se Estúdios Continental. - Desculpa.
E que filmes já fizeste?
Bem, eu promovi o franchise do MK Ultra.
O Guardião do Farol, os filmes Idiotas 1 e Idiotas 2.
- Deve ser divertido. - Não sei.
Sim, é muito divertido,
mas como os vossos trabalhos, aposto, às vezes pode ser stressante.
Claro.
Acho que sim, de certa forma.
Pois.
Vamos ver. Ali…
Olha, são… Josh! June!
Vais adorá-los.
- Olá. - Olá, Sarah.
- Olá. - Olá.
- Olá. - Tu deves ser o Matt.
Sou o Matt. Olá. É um prazer.
- Olá. Como estás? - Tudo bem?
O teu smoking é tão elegante.
Pois, não sei. É só normal, não?
Comprei este para o casamento da minha irmã, em 2003, e ainda me serve.
Boa. E tem cauda! Gosto disso.
- Querem uma bebida? - Sim.
- Sim. - Muito bem.
- Isto é muito divertido. - Olá.
Matt, tu tens cara de quem joga golfe, certo?
Não, não jogo. Mas, sim… Entre isso e desmaiar quando vejo sangue,
- seria um péssimo médico… - Nem sabes o que perdes.
- No golfe, não em seres médico. - Pois.
Bem, adorava ouvir-te promover o golfe.
Sim. Vende-mo. Diz-me o que achas.
Certo. Bem, é…
É um bom exercício, sem dúvida. Apanhas ar fresco, relaxas.
É impossível aperfeiçoá-lo. É uma batalha requintada.
Por vezes, é eletrizante e, outras vezes, é frustrante.
- Como a vida. - Aí está. Parece ser divertido.
Gostaria de tentar.
Não deves ter perdido um episódio de A Vedeta.
Ou não gostavas porque te identificavas demasiado?
A Vedeta foi uma série adorada por milhões.
Vi um filme de terror que vocês iam adorar.
Passa-se num hospital. Realizado pelo Ari Aster.
- Não o conheço. - Ele é incrível.
- Enfim… Um brinde. Sim. - Um brinde.
Sinceramente, acho que não vamos ao cinema desde o fenómeno Barbenheimer.
Isso foi há uns anos.
Desde a Covid, deixámos de ir ao cinema.
Agora, vemos tudo nas plataformas.
Bem, deviam voltar. Adoraríamos receber-vos.
Diz isso ao louco do meu marido.
- Comprou uma TV de 195 centímetros. - Exato.
- De 195. - Confesso que a adoro.
- Pois adoras. - Real Housewives.
Aposto que é melhor do que qualquer sala de cinema.
Não sei. Um ecrã IMAX tem 24 metros,
portanto, talvez seja melhor, certo?
- Pois. - Sim.
Eu… tenho de atender.
- Peço desculpa. - Não tem mal. Não te preocupes.
- Estou? Diz. - Estou aqui com o Johnny.
Temos aqui uma versão em que ainda vemos a merda,
mas é tão rápido que é quase subliminar.
- "Rabliminar." - Certo.
- Envia-ma quando estiver pronta. - Ele ri-se do quê?
- O que é? Qual é a piada? - Coisas importantes do trabalho.
Por falar em trabalho, vi imagens do miúdo Ramirez.
- Que pesadelo. - Sim.
Nem sei. Não é bom.
- Nada bom. - Lamento, Sarah. É mesmo difícil.
- Sim. - Horrível.
É difícil quando as probabilidades estão todas contra nós
e nós temos de continuar a aparecer e mostrar ter coragem.
Eu já passei por isso, portanto…
Como assim… Espera, tu já…
Estás a dizer que já tiveste uma doença grave que… Eu não…
Não.
Só tive, como todos vocês, dias horríveis no trabalho, e é brutal.
Sim, claro.
Mas, sem ofensa, Matt, nós… temos de lidar com riscos graves.
Claro. Eu também tenho de lidar com riscos muito graves.
Sim.
- Sim, bem… - Acredito que sim.
Como: "Quanto vamos cobrar pelo balde XL de pipocas?"
Certo?
- É uma piada. - Sim, foi engraçada.
Não é nada disso que faço, literalmente.
- Acho… Sim. Eu… - Muito importante.
Estou só a dizer que todos temos trabalhos de grande pressão. Só isso.
Sim. Bem, há pressão e pressão. Sinceramente,
eu… tenho alguma inveja da tua.
Lidamos com a vida e a morte, e tu…
… só lidas com as manchas no Rotten Tomatoes.
Sim.
O Tomatometer influencia muito as bilheteiras, é verdade.
E, para que saibam, muita gente morre na rodagem de filmes.
E estás a gabar-te disso?
Pois.
Não. Nada disso. Não me gabaria disso.
Estou só a dizer
que vocês se preocupam muito com o resultado do vosso trabalho,
tal como eu me preocupo muito com o resultado da minha arte.
Espera, a tua arte? Espera, tu…
Trabalhas nos estúdios que fizeram aqueles filmes MK Ultra, certo?
Das cabeças que explodem?
- Sim. - Aquilo… achas que é arte?
- Acho. - Vá lá.
Ouçam, é…
Aposto que é um filme comercial bem feito,
- mas não é bem arte, certo? - Não.
- Sim. Pois. - Vamos procurar a nossa mesa.
É arte, para que saibam. Todos os filmes são arte.
Não podem escolher quais são ou não arte só porque não gostam deles.
Sinceramente, é o que mais gosto na arte.
Desde que seja uma expressão pura de uma emoção humana,
é, por definição, "arte".
Então, o Guernica do Picasso e o Emoji: O Filme são ambos arte?
- É isso? - Então, O Padrinho não é arte?
- Claro que O Padrinho é arte. - Aí está.
Mas já não se fazem filmes assim.
- Só há super-heróis e pilotos de caças. - Pois.
Se queremos arte, vemos TV.
Já viram The Bear?
- É tão boa. - Sim, adoramos!
Vou mostrar-vos uma captura de ecrã do MK Ultra.
Vejam e digam-me se não é arte.
"Usámos um take sem diarreia na boca." O quê?
- Que raio foi isso? - É uma coisa do trabalho.
- Não se preocupem. - Parece-me verdadeira arte.
Se querem mesmo saber,
aquela mensagem diz respeito a uma sátira muito importante que estamos a fazer,
e deve interessar-vos,
sobre a desinformação médica na era das redes sociais.
Com diarreia na boca?
Sim. Decidimos, de forma inteligente,
usar a metáfora de zombies que espalham o vírus através da projeção de diarreia.
Então, a tua sátira importante
são piadas de cocó?
Sabem que mais?
A arte deve provocar uma reação,
e vocês estão a reagir com risos,
provando ainda mais que isto é arte, entendem?
A minha reação é que esse filme deve ser estúpido como a merda.
Sim? Porque não dizes isso ao oscarizado Spike Jonze?
- Quem? - Foi realizador de…
- Quem é o Spike Jonze? - Não importa.
Está bem. Ele não precisa de saber quem ele é.
- Quem se importa? - Mudemos de assunto.
- Eles é que falaram nisto. - Sabes, há muito…
Tenho de atender mais esta chamada.
- Desculpa. Eu… Desculpa. Sim? - Sim.
Volto já.
- Estou? - Divertido com os médicos?
Por acaso, nem por isso.
É gente muito menos sofisticada do que eu pensava.
Nem sequer conhecem o Spike Jonze.
- Vê o telemóvel. - Vejo já.
Céus!
Céus! Sim.
Sim, manda-o para aprovação.
Vão duas…
Vendido por cinco mil ao senhor elegante aqui à frente. Muito bem.
- Jack! - Sim!
- Ele queria mesmo aquilo. - Pois queria.
Sim.
- Estás bem? - Sim, estou. Tu estás bem?
- Estás bem? Estamos bem? - Sim.
- Sim. - Desculpa por há pouco.
- Descontrolou-se. - Sim.
- Estou pronto a divertir-me. - Boa.
Mas não muito pois tenho de me levantar cedo.
Tenho uma reunião com um dramaturgo de Londres.
- A sério? - Sim.
Que peças escreveu ele?
As peças do Harry Potter.
Chique.
Sim.
Certo. É a nossa vez. É agora.
Até quanto vais?
No máximo 100 mil. Dividimos a meias, 50 mil a cada um, sim?
Ouvi o Ricky e os amigos a dizerem
que iam desistir nos 80 mil.
- À merda com eles. É nosso. - É nosso.
- É isso. - O nosso próximo artigo a leilão
é uma viagem de sonho à Irlanda para quatro pessoas,
para o melhor campo de golfe do mundo, o Royal County Down na Irlanda do Norte,
com aulas particulares do golfista número um do mundo, Scottie Scheffler!
Que oportunidade incrível!
A licitação começa nos 20 mil.
- Alguém dá 20? Alguém? - Vinte mil!
- E 25? Alguém dá 25? - Vinte e cinco mil!
Está nos 25! Alguém dá 30?
Trinta. E ali nos 35. Agora, 40. Quarenta, e 45.
Alguém dá 45? E 50. Alguém… Estamos nos 55. Alguém dá 60?
- Sessenta! - E 60 mil!
Alguém dá 65?
- Setenta! - Setenta! Alguém dá 75?
- Dou 75 mil. - Dou 80!
E 80 mil!
- Dou 85 mil! - Querido! Calma.
- Estou bem. - Eu sei. Tu consegues.
- Perdemos a cabeça nestas coisas. - Sim. Eu sei.
Não há nada mais louco do que homens a licitarem algo de golfe.
- Sim. - Sim.
- São assustadores. Nem olho. - Sim, é de loucos.
É como vocês disseram. É um estilo de vida de riscos elevados.
- Ainda estás zangado? - Certo.
- Podes parar? - Vou parar.
Onde está o Matt Divertido? Tenho saudades dele.
Tens razão. Doravante, serei o Matt Divertido.
Estamos nos 85 mil. Preciso de 90. Alguém?
- Alguém… 90! - Noventa!
- E que tal 92… ou 95? Vamos! - Dou 95 mil!
- Estou a assustá-los. - Dou 100!
Merda.
- Cem mil! - Podes fazê-lo.
Fá-lo. Sim.
- Posso vender uns investimentos. - Sim.
Dou… 110!
Temos 110 mil!
- Vocês são doidos. - Eu sei!
Embrulhem! A Oncologia a bombar!
Olhem para eles. Vejam. Não têm tomates.
- Fizeste bem. - Nós temos!
E vai uma, vão duas,
e eu tenho…
- Dou 200 mil! Sim! - Tenho 200 mil!
Alguém dá… 210?
- Vai uma, vão duas… - Espera!
- Vendido! - Pois é!
Sim! De nada!
Odeio o cancro! Odeio-o como a merda!
- Sim! - Estás louco?
- Duzentos? - Que merda foi essa?
Queres o Matt Divertido? Aqui está ele. Isto até foi divertido.
- Foi ótimo. - Licitaste contra a nossa mesa.
Mas, o que é mais importante para vocês?
Querem dinheiro para beneficência ou querem jogar golfe?
Além disso, a dinâmica costuma ser assim.
Nós, nas artes, financiamos os vossos projetos científicos.
Lá vem ele com a merda da arte.
Lamento que precisem das pessoas das artes.
O Pavilhão Spielberg, o Centro Streisand,
- seja lá para o que for. - Nem gostas de golfe.
Eles convenceram-me. Foram incríveis.
A busca pela imperfeição. Como a vida. Como a arte, na verdade.
- Isso… Sim, vamos beber. - Preciso de um copo.
Vamos buscar uma bebida. Alguém quer? Pago eu.
- Céus! - Querido, não.
Mantém a calma.
A sério? Ficaste assim tão ofendido com eles
por gozarem com o teu filminho de cocó?
Estás a sugerir que dei 200 mil dólares para beneficência só para ser um cabrão?
- Sim, foi o que fizeste. - Não foi… não, não foi.
Deixei-me arrebatar pelo momento, no leilão.
- Arrebatar? - Pela energia contagiante.
- Desculpa. - Desculpa,
não sabias que eras tão filantropo e preocupado…
Mas sou, entendes?
- Então, se és… - Sim.
… e não te interessas pelo golfe,
oferece a viagem ao Steve e ao Josh.
Assim, ficas a parecer um herói e, quem sabe,
possas parecer menos um cabrão.
Bem, sinceramente,
eu estava entusiasmado com a ideia de jogar golfe na Escócia, mas…
Na Irlanda.
Melhor ainda. Mas vou pensar seriamente no que me estás a dizer.
- Vou pensar nisso. - Está bem.
Pensa nisso bastante e com afinco.
Acredito nestes avanços.
Mas, nas mãos erradas, a IA torna-se uma muleta para o diagnóstico…
- Sem dúvida. - … e… Olá.
Olá. Gostaria de pedir desculpa a todos, sim?
Lamento sinceramente ter licitado um valor acima do vosso.
E gostaria de vos oferecer a viagem de golfe, sem custos, sim?
- És muito gentil. - A sério?
É muito gentil.
A única coisa que eu peço em troca é que todos concordemos
que o que eu faço é tão importante como o que vocês fazem.
E se não concordarmos?
Não concordam, de todo? Não concordam?
Ouve, Matt, o cinema é importante para ti, e isso é ótimo para ti.
Mas o cinema não é tão importante como a medicina.
Porque tem de haver um mais importante? É só isso que eu digo.
Porque não podem ser igualmente importantes?
Porque não são!
Desculpa, mas se um pai tiver um filho com cancro,
vai levá-lo ao Cedars, e não a ver um filme no Cinerama Dome.
Está bem, mas quando chegam ao Cedars,
o que está na parede de cada quarto?
- Luzes? - Um monitor cardíaco.
Um ecrã!
Um ecrã de televisão para verem filmes.
As pessoas precisam de entretenimento, de arte, do que lhe quiserem chamar.
Vocês salvam vidas,
- e aplaudo-vos por isso. Obrigado. - Obrigado.
Mas nós, os artistas, fazemos com que valha a pena viver.
Não. As pessoas gostam de filmes.
Não precisam de filmes. Precisam de médicos.
E, se não entendes isso, és completamente louco.
És um cabrão burro, sabias?
Não me chames cabrão burro,
porque tu deves ser o homem mais entediante que já conheci.
É verdade! Gostas de golfe.
- Desporto entediante para os entediantes. - Ouve…
- Não fales assim do golfe. - O quê? Não…
Não vou deixar que um homem vestido como o Grilo Falante me diga o que fazer.
- Tu és um merdas. - Eu sou um merdas?
Deixa-me dizer-te uma coisa. De todas as galas médicas
realizadas no Teatro Wilshire Ebell,
a única placa que está na fonte é sobre o quê?
Os filmes aqui rodados. O Duro Amor está ali! O Duro Amor!
Os piores filmes são mais reconhecidos do que todas as galas médicas
- jamais realizadas! - Chega. Vem comigo.
- Qual é o teu problema? - Nenhum.
Estou apenas a perceber que, talvez, não tenhas respeito pelo que faço
e talvez eu não respeite o que fazes,
e temos uma relação com um desrespeito mútuo saudável
- pelo que o outro faz. - Não respeitas a cura do cancro?
Curas o cancro? Não devo ter visto essa notícia.
Boa, já posso ir comprar tabaco, certo?
Inacreditável como a merda.
Tenho de fazer uma chamada rápida.
Com licença.
Como estamos com o trailer?
A última edição foi aprovada.
Ótimo. Obrigado. Ótimo. Salvámos a explosão de merda.
Felizmente. Merda, desculpe.
Merda!
Merda!
- Está bem? - Sim, estou bem.
Devia sentar-se. Devíamos ver como está.
Credo! Vocês, os médicos, têm todos o complexo de Deus.
Estou bem, obrigado. Sim?
Céus!
Merda.
Não.
Céus!
Não. Merda! Céus.
Mas que…
Se voltaste para pedir desculpa, não vale a pena.
Não vai resultar.
Que merda… Porque estás a suar tanto?
Sabes que mais? Não quero saber. Só… só… Vai-te só embora.
Isto acabou. Vai-te embora. Deixa-nos.
- Eu já me ia embora. - Credo! É inacreditável.
- O quê? - Não sei. Não faço ideia.
- Desculpem. - Não, é só humilhante.
Merda!
Já liguei a pedir um quarto privado no hospital.
E sabes o que estará na parede do quarto, quando eu lá chegar?
Um ecrã.
Aproveita bem o ecrã, Matt.
Grande merda!
Para entenderes realmente o MK Ultra 4,
tinhas de ter visto o MK Ultra 2,
que, cronologicamente, vem entre o MK Ultra 3 e o MK Ultra 4.
Sei muito bem. O Michael Peña é um cliente.
O terceiro foi o melhor.
O primeiro foi bom. O segundo foi mais ou menos.
Mas o MK Ultra 4 deu-me vontade de arrancar os olhos.
Pelo menos, é um franchise original. Isso é bom.
Obrigado.
- Estás livre no sábado? - Não.
Está bem.
Legendas: Cláudia Nobre
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