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UMA SÉRIE NETFLIX
Luqui.
Vou à farmácia da esquina e já venho.
Não abras a porta a ninguém.
E à tia Mabel?
A Mabi tem chave. Olha pela Mica que está a dormir.
- Está bem. - Volto já.
Lucas! És tu?
Abre. É a mamã.
A Emma não está.
Não faz mal. Deixa-me entrar. Quero ver-te. Tenho saudades tuas.
Não posso.
Como assim? Abre lá.
Trouxe-te chocolate.
Vá lá, querido.
Olá!
Tive saudades tuas!
Vamos.
Olha.
É tudo para ti. Não partilhes.
Querido…
… sabes que, por mim,
via-te todos os dias da minha vida, certo?
- Sim. - Sim.
Escuta.
Sabes que podes confiar em mim?
Sim.
E que me podes contar tudo?
Tudo mesmo?
- Sim. - Sabes?
Então, que cara é essa? Não me queres ver todos os dias?
Sim.
Sim, mas o problema
é que vou fazer uma viagem.
Eu vou…
Calma. Não te levantes. Eu trato disto.
Filho da puta.
Pronto. Vamos a isto.
Quando tudo acalmar, vamos fugir.
Sim, vamos a isso.
Estou nervoso, meu.
Está quase.
Escuta. Avisa o miúdo. Diz-lhe para não abrir a boca.
Eu trato disso.
Não digas nada a ninguém.
Não. A ninguém.
A ninguém.
Vou fugir sozinho.
Escuta.
Então, qual é o plano?
Vai ter à lavandaria após a segunda mudança de turno.
- Está bem. - Se correr bem, saímos em duas horas.
Na lavandaria. Certo.
E…
E depois?
Depois de sairmos, o que fazemos?
Nada.
Cada um segue o seu caminho.
Está bem.
Cada um vai à sua vida.
Está bem.
Temos uma bela amizade.
Escuta, mano.
Somos só eu e tu. E o miúdo.
Mais ninguém.
Entendes?
Já te disse que sim.
Relaxa.
Mais uma coisa.
Se precisares de mim,
sabes onde me encontrar.
Porque haveria de precisar de ti? Encontramo-nos na lavandaria.
- Sim. - Queres rever o plano?
Não, eu sei o plano. Já me explicaste. Mas se mudar alguma coisa, não sei.
- Não vai mudar nada. - Mas, se mudar, sabes onde estou.
Até logo.
Esta merda parece cola, meu.
Estou preocupado. Não sei onde o idiota está.
Sabem alguma coisa?
Não.
Não o vejo desde que vocês discutiram.
- Viu-o? - Não.
Aquele idiota põe-me doente.
Filho da mãe!
Não nos vais dizer porque é que ele ficou furioso?
Sim, Mario.
Ele não ficou tão furioso quando soube da Mecha.
O que vos importa isso?
São coisas de família.
Quer que o encontremos?
Não. Ele lá aparece.
Se o virem, cuidem dele. Hoje vai haver merda.
Bebe um pouco.
Devagarinho.
Isto é uma merda.
É tudo uma merda!
É uma merda!
O que se passou?
Estamos na merda há vários meses, pai.
Sabes desde quando?
Desde o dia em que ele se sentou nesta mesa
com a nossa família.
O Borges!
Está na hora de recomeçar, como disseste.
Um a um,
vamos dar cabo deles.
Vão sentir cada membro que lhes tirarmos.
Até lhes arrancarmos a cabeça.
Escuta. Tens visto o meu irmão?
Só quero saber se o mandaram passar a noite na solitária.
Porque, às vezes, ele fala demais e é impulsivo.
E vocês não são santos.
Vai ver se não está a chupar uma pila.
Escuta.
Isto…
… fica muito bem aqui.
Mas que bem.
Lindíssimo.
Não está na solitária.
Se não se está a ganzar ou a chupar pilas…
Os que não têm dentes cobram mais.
Vai-te foder!
Seu bufo de merda, brochista.
Cabrão.
Como dizem nos vídeos de autoajuda,
onde falam em português do Brasil ou espanhol:
"Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida."
O senhor vê isso?
Achas que vejo esses vídeos? A minha mulher é que vê isso tudo.
Parece pornografia emocional.
EX-MULHER DO PALACIOS
Como estás, querida?
A Emma quer ir embora com o meu filho. Já fez as malas.
- Espera. - Não vou deixar que o leve.
Tem calma! Não vai acontecer nada.
Não o permitirei.
Digo o mesmo ao meu assistente, que está aqui,
temos de decidir o que fazer.
Fica de olho na Molinari.
Verás que recuperamos o teu filho em poucas horas.
Algum problema?
A estúpida disse que a Molinari quer ir de viagem com o filho dela.
- Não irá longe com o filho de outra. - Trata disto.
Certifica-te de que ela fica de olho na Molinari.
Algo não bate certo.
Porquê?
Estou cheio de fome.
Gostas de leite creme?
A tua mãe é que gosta!
Gostas do leite, não do creme.
Esquece o creme e bebe o leite!
Estão a abusar. Idiotas.
Vai buscar algo para beber.
Vai-te lixar! Vai tu.
Vá lá, meu. Não sejas tão sensível.
O que se passa?
Fiquem atentos.
Certo.
- É uma armadilha. - Fica atento, Barny.
Sim.
O que fazem?
Isto é um jogo novo?
- Vai buscar algo para beber. - Vai-te lixar. Vai tu.
Vá lá, meu! Não sejas tão sensível.
- Vai buscar algo. - És um idiota.
Limpa o cu ao Graçolas.
Gostas do leite, não do creme.
Puta que pariu!
Afastem-se do Borges!
Puta que pariu!
Vá lá!
Colômbia!
- Barny! - Colômbia!
Médico!
Médico!
- Colômbia! - Chamem um médico!
Chamem um médico!
Chamem um médico, caralho!
Filho da puta!
Filho da puta!
Levem-nos a todos.
Vamos!
- Toca a andar! - Médico!
Para, filho da puta!
Isto é do meu chefe, para seguires a Molinari.
Não preciso de um carro. Preciso do meu filho.
Não vais recuperá-lo a pé.
Sabes conduzir?
Tu gostas de chupar pilas?
Santa Maria…
Rezai por nós, pecadores,
agora e na hora da nossa morte…
Assustaste-me.
Não queria interromper a tua conversa com Deus.
Tens uma linha direta.
O Senhor não ouve apenas os bons.
Também ouve os pecadores.
Sim.
Referes-te a mim.
Às vezes, esqueço-me de que sabes os meus pecados.
Nunca contei nada
nem nunca contarei.
Eu sei.
Quem está livre de pecados para me apontar o dedo?
O Antín?
Tu?
Deus?
Quem me vai julgar?
Benito.
Por favor.
Tudo o que fiz foi cumprir o meu dever.
Pela causa.
Amo esta prisão e o meu país mais do que tudo.
E voltaria a fazê-lo.
E voltaria a fazê-lo!
Com muito orgulho.
O que podes dizer sobre mim?
Nada!
Nada.
Porque estás tão sujo como eu.
Ou mais.
Tu e a tua igreja.
Um bando de homossexuais e pedófilos.
Eu sei que os nossos segredos estão seguros, Ramoncito.
Despacha-te, linda. Preciso que ele fique bem.
Não te mexas.
Não te mexas, meu. É para as entranhas não infetarem.
Eles fizeram aquilo para marcar o território deles.
Agora virão atrás de nós. Podem contar com isso.
Não te mexas! Estou a limpar o ferimento.
- Assim não dá. - Tenho de ir cagar.
Agora?
Vai cagar, Barny.
Mario!
- Preciso mesmo de cagar! - Puta que te pariu!
Vou pedir a um guarda para o levar ao WC.
Não há um WC na enfermaria? Estás a gozar?
- Não. - Inacreditável!
Aguenta-te, meu!
Tenho de cagar. Não aguento.
- Quem tem de cagar? - Eu, idiota de merda!
Posto 1, vou levar um recluso ao WC.
Está na enfermaria.
- Vá lá! - Entendido.
Vá lá, Borges. Levanta-o.
Estás à espera que o leve?
Cuidado, por favor.
- Vamos. - Devagar.
- Não tenho o dia todo. - Vai-te foder!
O Antín vai arruinar-nos.
Estamos lixados.
- O que me vai acontecer? - Não sejas conas, Luciani!
Temos duas opções.
Resistir.
E atar as pontas soltas.
E as pontas que não se quiserem atar…
Tu sabes o que diz o manual.
Põe as tuas coisas em ordem.
Faz o que tens de fazer.
Mas fá-lo discretamente e sem perder a calma.
O que se passa? Fala.
O que interessa primeiro.
Toma.
Vão levar um ao WC. Os outros estão de vigia.
- Só isso? - Sim.
- Ficou caro! - É por causa da inflação.
Vai-te foder!
Toma.
Estamos fodidos, meu.
O Coco está a armar confusão.
Já sabes o que se passou?
Temos de fugir hoje.
O que se passa? Estás bem?
- Vais despedir-te do teu irmão? - Não.
Já não tenho um irmão.
A minha vida está lá fora. Como a tua.
Não tens nada? Não aguento mais.
O que tens?
Tens de ficar sóbrio.
Tens de estar desperto, não assim.
Vai à enfermaria buscar algo para ficares sóbrio.
Ouviste?
Desperta, meu.
Devagar.
- Tenho de cagar! - Eu sei.
- Tenho de cagar. - Vá lá.
Estou a cagar-me, Mario!
- Estás quase lá. - Calma!
Chegamos!
- Deixem-me sentar! - Senta-o.
Que fedor, filho da puta! O que comeste?
Um Sub-21, caralho!
Posto 1, leva os reclusos para a cela.
Já levo. Um está a cagar.
É hora de recolher. Não podem estar aí. Leva-os já.
Não vou a lado nenhum.
São ordens de cima.
Eles que me chupem a pila! Não vou!
Vais a bem ou vais a mal. Queres ir a mal?
Toca a andar.
Olha para a frente!
Mario!
Aguenta-te, Barny!
Mario!
Colômbia!
Meu!
Idiotas!
Vá lá, Dengue! Dá-me alguma coisa!
- Para! - Vá lá, meu!
Não! Isso não!
- Pode ficar infetado. - A água não ajuda!
Precisamos do que a enfermeira lhe deu.
- O quê? - Um analgésico ou assim.
Mas não nos deixam sair.
César!
- Deixa-me ir à enfermaria. - Ninguém sai.
Vá lá, bófia de merda!
- Só cinco minutos. - Vá lá!
Está bem. Despacha-te.
- Tem calma. - Aguenta-te!
Vá lá, César! Corre!
- Aguenta-te. - Depressa!
Esperei por ti ontem à noite.
Eu disse que não ia.
E eu disse-te para ires.
Tomei um comprimido e tive de bater uma punheta.
Larga-me.
Larga-me!
Larga-me.
Larga-me!
Não! Larga-me!
Não!
O que estás a fazer?
- Queres lutar? - Pode ser.
Força!
Vejam quem ele é!
Vais pagar pelo que me fizeste, filho da puta!
Olha para mim.
Olha bem para mim!
Olha para mim!
No final, eu ganho sempre.
Estás bem?
Vá lá. Toca a andar, idiotas.
- Mexe-te, Colômbia. - Escuta. Custa-te assim tanto?
Limpamos o cu dele em dois minutos e trazemo-lo.
Custa-te assim tanto?
Assim vais ter de o trazer sozinho.
Terás de o carregar todo cagado.
Meu!
Ajudem-me a sair.
Alguém que me ajude.
Puta que pariu!
Borges! Colômbia!
Foda-se!
Colômbia!
São vocês, rapazes?
São vocês?
Perdeste, grandalhão.
Que péssimo morrer com o cu sujo!
O idiota está a rir-se!
Sabem o que vocês são?
Vocês são uns montes de merda!
- Filho da puta! - Montes de merda!
Cabrão de merda!
Força, cabrões!
Força!
Sim!
Vemo-nos por aí, grandalhão.
Adeus.
O que se passou aqui?
Não, ele não fez nada!
- Seu merdas! - Não!
- Leva-o! - Não, não o levem!
Acalma-te. Não saias daqui.
Não, por favor!
Não!
Não!
Barny!
Estamos aqui.
Vamos.
Filhos da puta!
Mano.
Filhos da puta!
Filhos da puta!
Barny!
Vamos!
Há um recluso morto no WC. Preciso de assistência.
Não…
Não, Coquito.
O que queres? Estou a trabalhar.
Quero o que é meu.
O quê?
- O teu quê? - Dinheiro.
Tínhamos um acordo. Preciso dele agora.
O que significa "acordo" neste lugar?
Acordo!
Roubaram-nos e deixaram-nos esta merda.
Dá-me o que é meu e vou-me embora.
Ouve lá, idiota. Viste o que fizeste? Pensa, cabrão, antes de fazer as coisas!
Vou cortar-te todo.
Olha aqui!
Filho da…
Sim!
Vais morrer em segundos, seu filho da puta!
O teu Deus e a tua fé nunca foram os meus, cabrão.
Traz as tuas coisas e vai-te embora.
Luqui.
Vem, amor, a comida está pronta.
Toma, leva o sumo.
Está tudo bem?
Sim.
- Como correu a escola hoje? - Bem.
E estes chocolates?
O Maxi deu-mos na escola.
O Maxi?
Esses chocolates todos?
Sim.
Vai comendo aos poucos para não te doer a barriga.
Podíamos ter esperado até acabar de cagar. O cabrão tresandava a merda!
Pai.
Pai!
Não, pai! Filho da puta!
Filho da puta!
- Levanta-te, pai. - Traidor!
- Levanta-te. - Solta-a, cabrão.
- Para. - Foste tu, filho da puta!
Sim, fui eu, filho da puta!
Não!
Isto é pelo Barny, cabrão!
Filho da puta!
Filho da puta!
Serve-te, Borges.
É todo teu, James.
Tanta guita!
Verifiquem que temos tudo. Não quero problemas nem surpresas.
Tem calma, meu! Verificámos tudo 80 vezes.
Vamos lá. A noite é para sonhar e o dia é para realizar os sonhos.
Vamos. Estou a ficar ansioso.
Eu não vou.
Eu não vou.
Como assim? Estás a gozar comigo?
Foda-se! Isto é uma cilada?
- Para! - Cabrão!
Qual é o teu problema?
- Estou a seguir o teu conselho. - Tretas!
Eu disse para pensares na altura, não agora. Agora temos de ir.
Faz o que te dizem, cabrão.
Desculpa.
- Que se foda. - Desculpa.
Não quero fugir para me esconder a vida toda.
Quero ver a minha mãe e os meus irmãos. Não posso fugir.
Vou cumprir a minha sentença sem me meter em sarilhos
e, depois, serei livre.
Adeus. Baza.
Presta atenção, idiota.
Se contares a alguém,
não verás a tua mãe, os teus irmãos, o teu cão nem os três porquinhos.
Eu certificar-me-ei disso.
Entendeste?
Dá-me a lanterna.
Vamos.
Baza.
Obrigado por tudo, Pastor.
Nunca me esquecerei.
Vem cá, idiota.
Temos de ir já.
Cuida de ti.
Tu também.
Queres ir à frente por precaução?
Podem ir. Eu fecho.
Estás avisado.
Vem cá.
Está tudo bem, Mica.
Cuidado com o pé.
Já está.
Isto tresanda a merda, meu! De certeza que é por aqui?
Sim, falta pouco. Vamos.
Vou matar-te, filho da puta.
Bom…
Tu primeiro.
Está bem.
Filho da puta!
Não me falaste disto.
Como é possível cagar assim? Não entendo.
Com a comida que nos dão…
Idiotas.
Não, querida. Eu estou bem.
Não esperes por mim para comer.
Os miúdos estão aí?
Passa-lhes o telefone.
Olá, meus queridos.
Como estão?
Isso é ótimo!
Força!
Adoro-vos.
São os teus netos?
De que precisa?
Infelizmente,
sou portador
de más notícias.
Para ti.
Eu, Sergio Antín,
Secretário da Segurança Nacional,
pelo poder investido em mim,
vou passar a assumir o cargo de diretor do centro prisional de Puente Viejo.
Será retirado do seu cargo ipso facto
e não gozará dos privilégios
relativos ao seu cargo.
O caso foi entregue
ao tribunal de instrução n.º 14,
presidido pelo Dr. Alejandro Villalba.
O caso diz respeito a acusações de más práticas,
coerção,
tortura,
abuso de autoridade,
maus-tratos de funcionários públicos
e várias violações dos direitos humanos.
Este documento será entregue e adicionado aos processos judiciais.
Assine e confirme que o recebeu, por favor.
Não vou assinar.
Sei que está na hora de ir embora.
Reconsidere e assine.
Vamos dar cinco minutos ao senhor diretor.
"Ao senhor diretor…"
Ao ex-diretor.
Ele deve despedir-se, se necessário, e arrumar os seus pertences.
Saiam, por favor.
Este escritório ficará fechado.
Trancado totalmente.
Não entra nem sai nada.
Obediência e honra!
Falta muito?
Estamos quase a chegar, amor.
Falta pouco.
Isto parece um matadouro.
Uma morgue.
Parecem porcos esquartejados.
- E ainda falta o diretor. - Mais um que não vai para o Céu.
Vais passar fome connosco, Senhor!
Toca a trabalhar, careca. Temos tempo para celebrar.
Tempo, uísque, putas e drogas.
Principalmente, drogas.
Liga ao peruano.
Estás bem, querida?
Estás bem, querida?
Sim.
Não acredito que o Barny morreu.
Passei muitos anos
com aquele cabrão.
Perdemos um bom amigo.
E agora tenho de dizer à Gladys para contar à Claudia.
- Raios! - Foda-se! Coitada dela.
Há novidades do loiro falso?
Apareceu?
Nada.
Perguntei por todo o lado e ninguém sabe nada.
Mas sabes o que dizem, Mario.
"Se deixares a porta aberta…"
Olha lá!
Faltará muito?
Não, estamos quase lá. Falta pouco.
De certeza?
Sim.
Olha lá…
Uma pergunta.
Quando injetávamos heroína,
também vias coisas?
Coisas estranhas?
Sim.
- A sério? - Sim.
Vias pessoas?
Sim, às vezes.
Quem vias?
Alguém conhecido, algum de nós?
De nós? Quem?
Não sei, meu. Podias ter visto alguém que conheces nos teus sonhos.
Vamos embora.
Está bem.
Vamos lá.
Já deve faltar pouco.
- Mãe. - Sim?
Já chegámos?
Sim, querido. Temos de esperar, mas já estamos aqui.
Está tudo bem. Falta pouco.
Olá.
- Olá. - Sim.
Estou a vê-la. Está a levar o meu filho. Está a levá-lo!
Vou enviar-te a localização.
Vou para aí.
Careca.
- A Molinari vai levar o miúdo. - Puta que pariu!
- Lucas, sai do carro! - Está tudo bem. Não te preocupes.
- Sai! - O que estás a fazer?
Larga-o! Acalma-te.
Está tudo bem, Luqui.
- Sai! - Estás louca?
Estúpida!
Vá lá. Sai!
Sai! Vamos!
Luqui! Para! Lucas!
Luqui!
Está tudo bem, Mica.
Está tudo bem.
Está tudo bem.
- Acho que estamos a chegar. - Aqui está.
- É aqui? - Aqui está a saída.
Chegamos.
Conseguimos, certo?
Troquemos de roupa.
Pôr-nos bonitos.
Bom trabalho.
Estamos cá fora!
Acabou.
Então, cada um segue o seu caminho, como disseste.
Onde está o Lucas?
O que aconteceu?
Emma!
Vem cá, Emma. O que se passou?
O que te aconteceu?
Emma, amor!
Fica comigo, Emma.
Fica comigo. Olha para mim.
Onde está o Lucas?
- Calma. - A Mica…
Olha para mim. Fica comigo. O teu telemóvel?
Não te esforces. Não te mexas.
Vêm a caminho.
Aguenta-te.
Calma! Não estou armado. Apenas estou com ela.
- Não te mexas. - Estou com ela. Estou desarmado.
- Ela está a sangrar. - Revistem-no.
Estou desarmado. Há uma bebé.
Ajudem-na. Não tenho nada. Estou desarmado.
- Larga-a! - Estou desarmado!
- Ali está ela. - Cuidado!
Ajudem-na! Chamem uma ambulância. Cuidado!
- Cuidado! - Cala-te!
Pronto.
Está bem! Emma!
Chamem uma ambulância! Ela está a morrer!
Emma!
Ajudem-na! Ela está a morrer!
Emma, querida! Chamem uma ambulância!
Aguenta-te, amor!
Emma! Cabrão!
Aguenta-te, amor!
Ajudem-na, senão morre!
Está tudo bem.
- Chamem uma ambulância. - Cala-te!
- Ajudem-na! - Cala-te.
Está a sangrar!
Emma…
- Tem calma! - Vamos.
A ambulância, cabrão!
Emma!
Emma!
Que confusão.
Vem cá, idiota. Cala-te!
- Chamem uma ambulância! - Cala a boca!
Cala-te.
Façam alguma coisa! Ela está a morrer!
Façam algo!
Soltem-me! Emma!
- Está tudo bem. - Emma!
Chamem uma ambulância.
Emma!
Emma!
Vou-me embora, Mario.
Mano, pai, não sei que merda és.
Mas eu sei quem sou.
Sou o Juan Pablo Borges. E estou farto de fazer o que tu queres.
Já não me dás mais ordens.
Sou livre.
Como disse o Indio:
"Se algo me acontecer, espero que seja em liberdade. Lá fora."
Enquanto apodreces em Puente Viejo.
Eras o meu ídolo, Mario.
Eras o meu ídolo, mas partiste-me o coração.
A partir de hoje, para mim, morreste.
Legendas: Ruben Oliveira
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