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Original subtitles

UMA SÉRIE NETFLIX

DEZEMBRO DE 1989

Durante outro dia agitado no nosso país,

houve assaltos em Rosário, Córdoba e Grande Buenos Aires.

Segundo fontes presidenciais,

podem decretar estado de emergência nas próximas horas.

Vamos esperar e pronto, Mario.

Temos de assaltar antes do carro blindado passar.

Vendem mais bilhetes de lotaria do que pães quentes.

Dada a situação, todos se querem salvar.

As multidões às portas das lojas

exigem comida e melhorias sociais

perante agentes que ripostam com gás lacrimogéneo.

É por isto que devemos esperar. Estou com um mau pressentimento.

Como assim, amor? Estás bem? Dói-te algo?

Não me dó nada, mas não consigo dormir e o bebé está nervoso.

O bebé está nervoso porque o molharam.

Quando o padre pegou na cabeça dele, ele começou a chorar.

- Apetecia-me dar cabo dele. - Não sejas tolo. Ele abençoou-o.

Tu é que és um herege.

Presta atenção, amor. Vá lá.

Não me lixes. Já fizemos isto 20 vezes. É só entrar e sair.

Temos de aproveitar. A bófia está ocupada. Precisamos da guita.

- Ele não vai mamar para sempre. - Não me importa o que ele come.

Importa-me que estejas aqui e não na prisão.

Olha para mim. Olha para mim, querida.

Não vai acontecer nada.

Não te preocupes. O Mario Borges não será apanhado hoje.

Promete-me que será a última vez, Mario. A sério.

És tão bonita.

A minha mãe vem aí.

- Consegues? - Sim.

- Olá, Nelly. - Como estás, mãe?

Olá!

Olá, bebé! Olá, meu amor!

- Tudo bem? - Que bom ver-te!

Entrem. Vou fazer tortas fritas.

Espera, mãe. Temos um trabalho.

Estão doidos?

Já viram o que se passa nas ruas?

- Eu disse o mesmo, mas ele não me ouve. - É aqui perto.

Vão só vocês.

- Deixem o gordinho comigo. - Está bem.

"Adeus, mamã!"

Adeus.

Adeus!

Vai correr tudo bem.

Vamos.

Bom dia. Isto é um assalto. Se cooperarem, vai acabar depressa.

Todos para o chão! Para o chão!

Tu também, idiota!

Aonde vais?

Não olhes para mim, filho da mãe! Despacha-te, filho da puta!

- Está aqui tudo. - Despacha-te!

Olá, jeitosa.

Tudo bem?

Só tens isto?

- Tens lume? - Não.

- Dás-me o teu número? - Não te posso ajudar. Baza!

- O que é isto? - Não há mais!

Estás num daqueles dias?

- Vai-te foder! - Está bem!

Vamos embora, amor!

Vamos.

Arranca, querida.

Filho da puta!

Vai para o inferno, criminoso de merda!

Acelera, amor!

Querida!

Não! Amor! Chamem uma ambulância!

Querida…

Querida…

Amor.

Amor, por favor!

- Está tudo bem. Amor. - Cuida dele.

Cuida dele.

Cuida do meu Diosito.

Não, amor! Não!

Vamos cuidar dele juntos!

Não, querida!

Chamem uma ambulância, filhos da puta!

Querida. Não, querida, por favor!

Por favor, amor! Não!

Não!

- Por favor, não. - Não te mexas!

Por favor, não!

Larga-me!

Larga-me, cabrão.

- Cala-te. - Querida!

- Entra e cala-te. - Filhos da puta!

Amor!

Afastem-se!

A capital da Suíça?

Berlim.

Toma.

Não. Ele faz isso.

- Ele faz isso. - Tens muita fé em mim.

Nem imaginas quanta.

Diosito! Senta-te aqui.

Vá lá. Vem cá.

Estou a beber vinho para começar bem o dia.

Quero falar com vocês, uma vez que temos as contas em ordem.

Sim.

O nosso negócio com o Coco começou bem, depois houve problemas,

mas nós resolvemos tudo com trabalho árduo e muito sacrifício, certo?

A minha família já saiu da Colômbia.

Obrigado.

De nada.

Boa, James. Muito bem.

O negócio funciona.

Mas a tarte não é grande o suficiente.

E está mal partida.

Sabe o que se passa? O Pastor fica com parte da nossa fatia.

Eu pedi ao careca para não trabalhar com ele,

mas ele ignorou-me.

Agora que o Pastor está a gerir as vendas, não podemos crescer.

No entanto, nós é que fornecemos os materiais, os ingredientes, o trabalho…

E quando o dinheiro chega, dividem-no entre eles.

Aquele idiota vai ter o que merece.

Tudo a seu tempo e com calma.

Temos de nos focar no Coco e nos capangas dele.

- Entendido? - Sim.

O que te disse quando chegámos a San Onofre?

Eu disse:

"Marito, isto parece um bairro de lata."

E tu disseste: "Isto é um bairro de lata."

E mais?

Disseste que o anão não era um menino, como eu pensava.

Qual é a piada?

Não te disse mais nada, idiota?

Sim. Disseste…

… que fodemos ou somos fodidos.

- Exato. - Foi isto.

Isso mesmo. Muito bem, pessoal.

Hoje, vamos foder. Vamos foder à grande.

- Sim. - Com ou sem preservativo?

Em pelo!

Parece-me bem. Como o faremos?

Porque eles são muitos, são o triplo ou mais de nós.

E a porra do Galván protege-os.

Sim, mas nós temos informação que vale mais do que água no deserto.

Ele vai ficar de boca aberta.

Toda a Puente Viejo vai estremecer.

Toda a prisão.

Solicitamos uma resposta imediata ao nosso pedido,

uma vez que a alimentação dos reclusos garante a ordem na nossa instituição.

Escreves rápido.

De onde saíste?

Essa cabeça…

O mérito é todo da minha mãe.

Ela punha-me a ler e obrigou-me a terminar a secundária.

Foi a única vez que lhe obedeci.

Ler é muito importante.

Vem cá.

Quando fui nomeado diretor,

a primeira coisa que fiz foi criar a biblioteca.

É um orgulho da prisão.

Mas eu tenho os melhores livros.

Por cada semana que fizeres a limpeza, dou-te um livro. O que achas?

O gato comeu-te a língua?

Não gostas da proposta?

Sim, gosto, obrigado.

Olá, filha.

Como estão os meninos? Claro que tenho saudades dos meus netos!

Passa-lhes o telefone.

Olá, meu tesouro!

Que bom!

Uma das feridas está infetada. É normal com a sujidade toda.

E agora?

Se a febre não baixar, terão de o levar ao hospital.

Cuidas dele esta noite?

Sim. Não há problema.

Precisas de um passe.

Dá-lhe isto de quatro em quatro horas, põe-lhe panos frios

e se a temperatura subir muito, os guardas têm de chamar uma ambulância.

Tenho de ir.

Está bem.

- Boa sorte e tenham uma boa noite. - Obrigado.

Então, meu?

Não te preocupes.

Vá lá, Lore! Ele também é teu filho.

O que tem ele ter 12 anos?

Estava só a bater uma, a masturbar-se. Porque não tratas disso?

Trata disso em vez de me pores os cornos.

Um conselho? "Deixa-te de punhetas. Come mas é punheta de bacalhau."

Não desligues! Não…

Inacreditável! Filha da puta!

Toma, imbecil. Dá para a tua chamada.

Tudo bem, Tutuca?

Tudo bem, meu?

Dás-me um cigarro?

Pago-te daqui a dois ou três anos.

Quando sair da prisão.

Então? Encontraste alguma coisa?

Nada.

Fotos,

mais fotos

e cartas que não dizem absolutamente nada.

Não posso vender o apartamento sem aqueles papéis.

Não há certidão de óbito,

não há nada que diga que não encontraram o pai.

Não temos nada.

Podemos pedir para rever o caso.

Achas que vamos encontrar algo?

Após tanto tempo?

Podemos tentar, certo?

Claro, mas acho que não ajudará muito.

Isto ajudará a baixar a febre. Abre a boca.

Toma.

Calma. Descansa.

O que vamos fazer com o Diosito?

Eu trato disso.

Não te preocupes.

Mostra-me isso.

O velho tem as plantas da prisão emolduradas.

Consegui vê-las bem enquanto limpava.

Isto é o subsolo.

Isto é a lavandaria. Nós entrámos por aqui.

E fomos até aqui.

E isto é o acesso ao ribeiro.

Não parece longe.

Dá-me algum tempo para aperfeiçoar o desenho.

Tive de sair de lá à pressa.

Sabes o que acontecerá se continuarmos?

Claro que sim, meu.

Vamos acabar lá fora, a beber cervejas, a fumar um charro…

Poderemos ver as estrelas sem nos chatearem.

Não é isso.

Se tivermos a sorte de sair daqui vivos,

convertemo-nos em evadidos.

Sabes o que isso é?

Fugitivos.

Entendes?

- Sim. - Não, não tens noção.

Assim que descobrirem que desaparecemos, vão ligar para o Gabinete do Procurador.

Emitirão um mandado de recaptura. Toda a polícia virá atrás de nós.

Não poderás ver a tua mãe, os teus irmãos, os teus amigos, ninguém.

Esse é o primeiro lugar onde te vão procurar.

Vais alcançar a liberdade, mas não serás livre.

Entende isso.

Se cometeres um erro, voltarás para aqui.

E será muito pior.

Nota-se que entendes do assunto.

E tu também tens de entender.

Não quero surpresas.

O meu pai quer ver-te.

Olá!

Bem-vindo a casa. A tua casa.

Fica à vontade.

- Senta-te. Queres beber algo? - O que estiverem a beber.

Serve uma cerveja ao meu amigo Pastor.

Rapazes!

Ficam a saber que quero festejar muito.

Quero celebrar.

Porque o negócio está a funcionar!

Entendem?

Somos estúpidos?

Não!

Não podemos fazer parvoíces nem nos irritarmos uns aos outros.

Qual o objetivo? Perder tempo?

Trabalhamos bem juntos! Qual é o problema, idiotas?

Qual é o nosso problema?

Metam na cabeça, estamos a fazer uma fortuna!

Chegou a hora de desfrutar!

O Senhor quer que desfrutemos!

Vamos desfrutar!

Vá lá!

Vá lá! Vamos festejar, Marito.

Festeja.

Anima-te.

Estou a festejar.

Dás-me um pouco?

- Queres ajuda? - Pode ser.

Obrigado, querido.

Não é um amor?

Leva uma cerveja ao Marito. Ele tem sede.

Aqui estamos a festejar de novo.

Não, obrigado.

Não tem aqui nada. Descontrai e bebe.

Posso confiar em ti?

Sim, meu! A sério, é álcool.

É cerveja.

Refiro-me ao que viste na lavandaria.

Levanta-te.

Vamos dançar. Vá lá.

É sempre o mesmo contigo.

Nunca mudas.

Segredos aqui, segredos acolá.

O que se passa com ele?

Quando me pediste para guardar segredo, eu guardei.

Mais uma dose para o Diosito?

Boa, Marito!

"Querida, espero que estejas bem.

Tenho muitas saudades tuas.

Aqui dentro só tenho tempo.

Posso usá-lo ou esperar pela morte.

Decidi usá-lo para tornar os meus sonhos de te abraçar e às meninas eternamente

em, pelo menos, um abraço real.

Quem vive no Inferno tem a obrigação de aproveitar uma oportunidade.

E eu vou aproveitar.

Tudo o que faço é a pensar em vocês.

Sei que passarei as minhas manhãs e noites ao teu lado

e esqueceremos tudo isto.

Obrigado por cuidares das nossas filhas e por ficares do meu lado. Amo-te."

Silvia.

Olá. Tudo bem?

Como estás, jeitosa?

Bem, e tu?

- Bem. - Como estás, Richard?

- Há quanto tempo! - Sim! Tudo bem?

Estás fantástica.

- Não… - Estás linda.

- A sério. - Obrigada.

Pagava-te uma bebida, mas parece que tens outros planos.

Obrigada, estou bem assim.

Como estás?

És casado?

Não.

Trabalhas?

Também não.

Estou limpo.

Há algum tempo.

- Mais ou menos. - Isto é mais difícil de deixar.

Eu estava muito mal.

Estava mesmo mal. Agora estou no bom caminho.

- Sonhei contigo no mês passado. - A sério?

Que coincidência.

Sonhei que tu

e eu…

Estava com a tanga cinzenta?

No início. Depois, não.

Filho da puta!

"Não falamos entre nós.

Sabemos demasiadas coisas.

Ficamos calados juntos.

É essa a regra."

Como está o Arnold?

Tem febre. Temos de esperar que baixe.

O que andam vocês a tramar?

Vocês, quem?

Não te faças de parvo, Pastor.

Tu e o Brian.

Andam muito misteriosos.

O miúdo adormece na aula. O que se passa?

Deve andar cansado.

Não me lixes. Eu conheço-te. Enganaste-me uma vez. Não enganas outra.

Aqui, só duas coisas nos cansam.

Tramar algo durante a noite e não poder dormir.

E estar doente.

E o miúdo não está doente.

Portanto…

Desembucha.

Não admira que andasses misterioso, filho da mãe.

Este túnel vai dar ao ribeiro.

Se há uma forma de sair de Puente Viejo, é esta.

Já vi que sim.

Estás na tua praia.

Não sei se te admiro ou se te odeio, cabrão.

Esta noite, vamos explorar mais.

E então?

O que dizes?

Estás doido.

Não.

Não.

Não.

Achavas que ia alinhar?

Tentámos uma vez e não resultou. Lembras-te?

- O Pipita morreu, lembras-te? - Isto é diferente.

Tenho as plantas do escritório do Galván.

E tenho poupado dinheiro do negócio do Coco para isto.

Para o usarmos lá fora.

Não.

Não quero problemas.

Não quero problemas nem quero morrer nesse túnel.

Preferes que um merdas te mate aqui? O Coco ou o Borges?

Não.

Então?

Eu estou a estudar.

Procuro outra coisa na vida.

Não.

Estas?

Não.

Gostas destas?

- São as minhas preferidas. - Ótimo. Então…

Será o nosso lanche.

Dás-me isto?

Deixa-me ver.

São muito caros.

Não tenho dinheiro.

- Desculpa. Só tenho dinheiro para isto. - Não importa. Eu entendo.

Olá. Tudo bem?

Dá-me o brinquedo.

- Não tenho nenhum brinquedo. Pago? - Sim.

Tens um brinquedo aí. Vi na câmara.

Não tenho nada. Pago ou não?

- Tu. Na câmara. Está na tua mala. - Não volto mais aqui.

- Não. - Larga-me!

Dá-me o brinquedo ou ligo à polícia.

Liga à polícia.

Ladra!

- Mario! - Aqui!

Onde estão?

Aqui.

Chegou a hora.

Sabes o que fazer, Diosito.

O quê?

Estou a brincar!

Acalma-te, chefe.

Deixa isto comigo.

Eu trato disto.

Vamos, James.

James!

Desliga tudo. Guardem isto. Guardem tudo. Tem de ser agora.

Aonde ias?

Ajudá-lo, caso precisasse.

Com licença.

Não avances.

- Calma, meu. - Está tudo bem.

Bom dia, Don Coco.

Vim dizer-lhe que o Marito quer falar consigo.

Estou a comer.

Certo.

Mas ele disse que é urgente, tem de ser já.

Diz-lhe para vir aqui.

Sim. Isso também era uma opção.

Mas é assim, Don Coco.

O Marito quer falar consigo e que vá ter com ele.

Eu sou só o mensageiro.

E como dizem nos filmes: "Não matem o mensageiro."

Não me trates por "Don".

Está bem.

Sou…

… o Coco.

Coco.

O quê?

Coco.

Coco.

Coco!

Coco!

Coco!

Coco!

- Porque estás aqui? - O Marito quer falar consigo.

Com quem?

Com o Coco!

Vamos.

Adolfito.

Coco.

Abre, Adolfito.

Não é Coco.

É Coco!

Vai começar.

Deixei a minha entrada a meio.

Estava prestes a comer a carne.

O que queres?

Quero mostrar-te uma coisa.

E gostava que fizesses o mesmo comigo, se acontecesse na minha família.

- Entendes? - Não.

Então, vens comigo?

Vamos.

Segue-nos.

Sim, amor!

Bardo!

É o teu sogro.

Merda! Estamos fodidos.

Vai-te embora.

E tu?

Eu trato disto.

Anda! Sai daí!

Maricas!

Onde estás, maricas?

Filho da puta!

Bardo, filho da puta!

Onde estás?

Onde estás, maricas?

Paneleiro de merda!

Vou encontrar-te! Não vais escapar!

Vou cortar-te com isto!

Se me estiveres a ver, vou cortar-te com isto.

Vai lá acima.

Bardito!

Onde estás?

Cunhadito!

Onde estás?

Filho da puta!

Monte de merda!

Bardo!

Bardo! Aparece, filho da puta!

Maricas!

Vem cá!

Fode bófias!

Aceita as consequências, cabrão!

- Fode bófias! - Vamos encontrar-te.

Isto é para ti!

Bardito!

Filho da puta!

Onde estás?

- Filho da puta! - Aparece, paneleiro!

Vem cá!

Onde estás?

Vou acabar por te encontrar.

- Maricas de merda! - Paneleiro!

- Aceita as consequências. - Bardo!

Seu monte de merda.

Maricas.

Vai-te foder, Coco.

Sabes quantos fascistas me perseguiram, incluindo o Galván?

Posso ser maricas, mas sou guarda desta prisão.

Exijo respeito!

Se me tocas, a tua vida será um inferno.

Maricas!

Maricas!

Gostas quando te enfiam, paneleiro?

Vamos, maricas! Caminha, filho da puta!

Maricas de merda.

Estavas a foder o marido da minha filha!

Maricas!

Bardo!

Bardo!

Responde-me, filho da puta!

Onde estás?

Maricas!

Escumalha!

Que confusão.

Bardo!

Seu monte de merda! Estás escondido, filho da puta?

Vai-te foder, paneleiro!

Onde estás, escumalha?

Aparece!

Enfrenta as consequências. Vem buscar a tua namorada!

Filho da puta!

O peixe mordeu o isco.

Quero todos nas celas.

Para a cela, cabrão!

Isso mesmo!

Apetece-me lutar.

O diretor pode vir.

Perdeste a cabeça?

Teve de ser.

Não se perde nada. É um merdas.

À frente de toda a prisão?

Sim. Quero que saibam que quem se mete com a minha família, mete-se comigo!

Quem se mete com a minha família, tem este fim!

Passaste dos limites. Não sei se te consigo salvar.

Bom, estão metidos em sarilhos.

Saberás o que fazer.

Sabes como subjugar estes selvagens de merda.

Não me toques, idiota.

- O que estás a fazer? - Larga-me!

Larga-me, cabrão!

Não me toques, filho da puta!

Vai-te foder!

Deixa-me, cabrão!

Larga-me!

Deixa-me!

Abre!

Larga-me!

Marito, brindemos ao caos que causaste.

Silêncio.

Coco!

Guardas!

Deixem-nos. Venham cá.

Pastor, César. Venham cá, por favor.

Ajudem-me a tirá-lo, por favor.

Levantem-no, rapazes.

Cuidado.

Devagar.

O que fazemos, padre?

Levem-no para a enfermaria. Com cuidado, por favor.

Vamos levá-lo.

Vamos lá.

Larga-me, cabrão!

Depois dos favores que vos fizemos!

Fizemos tantos… Pai!

- Acalma-te. - Pai!

Acalma-te, cabrão.

- Vais pagar por isto! - Não resistas!

Vai-te foder!

Vais pagar! Tem cuidado.

Tem muito cuidado!

Entra.

Filho da puta!

Pai!

O que fazes aqui?

O que se passa, mariquinhas?

- Queres que te chupe as mamas? - Sim, anda.

É isso que queres?

Levanta-te, filho da puta!

Vá lá, paneleiro de merda.

Queres a faca?

Vou furar esses dois balões.

Força.

Feitos em Bogotá.

O que se passa? Queres pila, amor?

Vais morrer.

Não morri no Las Cruces, em Bogotá.

Por isso, um maricas não me vai matar.

Filho da puta!

Cabrão!

Maricas de merda.

Achas-te corajoso?

Ficaste sem energia?

Queres que te chupe as mamas?

É por isso que estás aqui? Deixa cá ver.

Mas eu já te disse que gosto

de mulheres.

Continua. Está a funcionar.

Vá lá.

Dá-me luz.

E então?

Não vejo um caralho.

Vá lá.

Precisamos de mais alguém. Senão vai demorar demasiado.

Seremos apanhados antes de acabar isto e avançar.

- Olá. - Olá.

Tudo bem?

O que se passa?

Espera por mim com a Mabi, à porta.

Adeus, amor!

O que se passou?

Ele já te deve ter dito.

Estávamos na loja e o Lucas queria um brinquedo.

Eu não tinha dinheiro…

Por isso, roubaste à frente dele.

Eu não tenho dinheiro. Não tenho emprego. Não tenho nada.

Recebo um subsídio que não dá para nada.

- Isso é justificação? - Não! Só te estou a responder.

Acho que devias procurar ajuda.

Não preciso de ajuda.

Eu acho que sim.

Não me psicanalises, por favor.

Não preciso disso e não quero saber.

Não te estou a dizer nada de novo.

Se tiveres medo de ter uma recaída, pede ajuda.

- Quem disse isso? - Se precisares de ajuda, diz-me.

Não te vou dizer nada. Não me és nada nem ao Lucas.

Por isso, baza!

O Lucas é muito importante para mim. Por isso, habitua-te a mim.

Lamento ter de vir nestas circunstâncias.

Eu também.

O que se passou?

Se estás aqui

é porque já sabes.

Eu sei o que todos sabem.

Mataram o Osmar.

Ele tinha um futuro brilhante e agora morreu.

A situação está controlada.

Um pouco tarde.

O corpo do Osmar está a arrefecer na morgue.

E, infelizmente, terei de monitorizar tudo o que se passa em Puente Viejo.

Isso é um trabalho extra para mim

e, na nossa área, não nos pagam os trabalhos extra.

O que é isto?

Isso é para te notificar de que fui nomeado responsável de investigação

pelo juiz responsável pelo caso.

Tens de assinar.

Vai para o inferno, filho da puta!

Não te vou facilitar a vida.

Vou acrescentar esse insulto ao processo.

Assina.

Já estou a ver os jornalistas à entrada da prisão.

"Massacre e Má Gestão do Diretor da Prisão."

Os grupos dos direitos humanos irão atacar-te à porta de tua casa.

Assina.

Assina, Galván.

Assim está melhor.

Que confusão.

Adeus, Galván.

O que fazes?

Vim para aqui.

Para tentar desaparecer.

Guardamos isto para depois.

O que estás a fazer? Dá-me. Isso é meu.

Temos de falar.

Sobre quê? Dá cá isso! Eu é que paguei.

Sobre o que viste na outra noite.

Estamos a planear fugir deste pardieiro.

O miúdo não chega. Preciso de mais ajuda.

Estás a confundir-me, sabias?

Não sei se és traidor ou o tipo fixe que achei que eras.

Tenho de saber se posso confiar em ti, se tens coragem para viver lá fora

sem fazer recados para o teu irmão.

Não deves nada a ninguém aqui. Sabes disso, certo?

Podes ter a tua vida. E isto não é San Onofre.

As coisas são diferentes.

Nunca esquecerei o que o Galván te fez.

Desta vez, pode ser diferente.

Tu sabes tudo, não sabes?

És tão inteligente.

Sabes o que eu acho?

Isto é como da última vez.

Tal e qual. Nós íamos escapar. Estava tudo preparado, era fácil.

Mas tu mentiste-me.

Lixaste-me. E correu tudo mal.

Mas tens razão numa coisa.

Desta vez é diferente.

Agora, tu vais ter de confiar em mim.

Tu.

O que fazes aqui, Antín?

Eu adoro o teu visual, mas tenho muito que fazer.

Não estive envolvido naquilo do guarda.

O careca é que o pendurou como se fosse um presunto.

Acreditas naquele filho da puta?

Hoje em dia, matar alguém por ser gay…

É mesmo tacanho.

Tem cuidado.

Estás a dizer que sou gay?

Tu que fodeste com todos os travestis de San Onofre?

Eu sei que não estiveste envolvido na situação do guarda.

Estou aqui por outra coisa.

Isto é uma fotocópia do teu processo.

Um resumo.

Analisei-o atentamente e encontrei uma informação

que preciso que confirmes ou que negues.

Sou todo ouvidos, Antín.

Encontrei uma informação

que diz que o Diosito não é teu irmão.

É teu filho.

Tu és pai do Diosito.

Mãe.

Olá, filho. Como estás?

"Olá, filho."

Bem. Estou bem, mãe.

Ele está tão grande.

- Sim. - E tem pés grandes.

Ele come muito.

Mais do que tu.

Parece uma térmita!

Mãe…

Não o tragas mais.

Isto não é lugar para ele.

Para ninguém. Mas muito menos para uma criança.

O pai dele está aqui.

Já não sou o pai dele.

Estraguei a vida dele com a morte da mãe. Foda-se!

A culpa não foi tua.

Sim, mãe, a culpa foi minha!

Ela não queria fazer o assalto. Eu convenci-a.

Isso é passado.

Tu estás a cumprir a tua sentença.

Peço-te, por favor,

pensa no futuro!

Mãe!

Vou ficar preso durante muitos anos.

Achas que ele merece essa vida? A mãe morta e o pai na prisão?

Mas tu ama-lo, Mario.

E ele estará sempre feliz enquanto tiver o pai.

Promete-me que não lhe dizes nada.

Aconteça o que acontecer,

ele não pode saber que a mãe morreu por minha culpa.

O que queres que lhe diga, Mario?

Já confirmaste.

Legendas: Ruben Oliveira

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