All language subtitles for Viajo.Porque.Preciso.Volto.Porque.Te.Amo.2010.720p.AMZN.WEB-DL.DDP2.0.H.264.pt-BR

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Original subtitles

…são misturadas com formol,

soro fisiológico e antibiótico à base de penicilina.

Depois de 24 horas, a solução vai servir de remédio para o gado.

Um dizimista fiel…

♪ Tudo era apenas uma brincadeira ♪

♪ E foi crescendo, crescendo Me absorvendo ♪

♪ E, de repente, eu me vi assim ♪

♪ Completamente seu ♪

♪ Vi a minha força amarrada no seu passo ♪

♪ Vi que sem você não tem caminho Eu não me acho ♪

♪ Vi um grande amor gritar dentro de mim Como eu sonhei um dia ♪

♪ Quando o meu mundo era mais mundo E todo mundo admitia ♪

♪ Uma mudança muito estranha ♪

♪ Mais pureza, mais carinho Mais calma, mais alegria ♪

♪ No meu jeito de me dar ♪

♪ Quando a canção se fez mais forte Mais sentida ♪

♪ Quando a poesia fez folia Em minha vida ♪

♪ Você veio me contar Dessa paixão inesperada por outra pessoa ♪

♪ Mas não tem revolta… ♪

Mochila pra carregar amostras.

Soro antiofídico com as seringas hipodérmicas.

Martelo.

Bússola geológica e a caderneta de campo quadriculada.

É… Lupa de bolso oito vezes.

Lápis vitrográfico.

Trena de dois metros e ímã.

Estereoscópio de espelho.

Cantil.

Ácido clorídrico diluído.

Transferidor e compasso.

Mira.

Escalímetro, planímetro, curvímetro, altímetro.

Máquina fotográfica.

Câmera Super-8 e a câmera digital.

Carregador de bateria.

Lanterna.

Lâmina.

Canivete.

Facão.

Parada pra mijar.

Eita, vontade de voltar.

Dia dois.

Pesquisa geológica das estruturas tectônicas

para implantação do canal de águas

ligando a região do Xexéu ao Rio das Almas.

Tempo de duração da viagem: 30 dias.

Porra! Trinta dias.

Estou na BR-432, quilômetro 45,

altitude: 450 metros.

O clima da região é árido,

o terreno, terciário,

argilas de calcário compostas por arenitos,

siltitos e conglomerados ferruginosos de forte coloração vermelho-arroxeado

de idade cambriana.

A região se chama Varzinha.

Apesar disso, não vejo nenhuma várzea.

São 12 horas da manhã.

Aproveito o trabalho de mapeamento

pra fazer contato com os poucos habitantes,

que vai ser necessário para a desapropriação das terras

que vão servir pra travessia do canal.

Seu Nino e dona Perpétua vão ser os primeiros a serem desapropriados.

Eles estão casados há mais de 50 anos.

Nunca tiveram outra casa.

Nunca tiveram uma briga.

Nunca dormiram uma noite longe um do outro.

Seu Nino saiu pra desligar o rádio.

E eu pedi pra ele voltar.

Não quis filmá-los separados.

Existe muita área útil para passagem do canal por essa região.

Hoje faço as primeiras coletas e tomadas de medidas.

Fraturas a 340º/50º Nordeste.

Gnaisses bandados a hornblenda.

Lembrar de escrever sempre a lápis, pois o grafite não borra com água.

Medidas de fraturas nos gnaisses da suíte xingó

em 340 graus subverticais.

A textura em veios dobrados indica estado de plasticidade durante a gênese.

Notar o lápis servindo de escala na foto.

♪ Os olhos que fascinam Logo estremeceu ♪

♪ Meus amigos falam que eu sou demais ♪

♪ E é somente ela que me satisfaz ♪

Galega, bom dia. Bom dia, meu amor.

Hoje é dia 28 de outubro, Dia do Funcionário Público.

Em Fortaleza, ninguém trabalha na repartição,

e eu aqui nesse torrão seco, dando um duro danado.

Faltam 27 dias e 12 horas pra acabar a viagem.

Parece uma eternidade.

Do dia que eu saí de Fortaleza até aqui, quase não vi ninguém na estrada.

Fico com o rádio ligado, pensando em você a viagem toda, e só.

♪ Se ela é um morango aqui do Nordeste ♪

Chega me canso de tanto pensar em ti.

♪ Apesar de colher as batatas da terra ♪

Hoje parei num posto e vi uma coisa pintada na parede.

Meio hippie. Nem tinha reparado.

Quando saí é que me caiu a ficha da frase que tava escrita.

"Viajo porque preciso.

Volto porque te amo."

Mal comecei a viajar e tudo já me irrita.

A paisagem não muda, é sempre a mesma coisa.

Parece que não sai do lugar.

Que agonia esse lugar…

Tudo se arrasta.

Saudade da porra!

Hora de dormir.

Tenho que me curvar todo pra me ver no espelho.

O dono do hotel e quase todo mundo aqui é mais baixo que eu.

Se aqui tivesse correio, mandava um telegrama pra você com essas palavras:

Viajo porque preciso… vírgula…

Volto porque te amo… ponto.

Tonalito a dois feldspatos

com a birrefringência da hornblenda no canto superior direito da figura.

Nas fraturas abertas, o quartzo policristalino.

Dia seis.

Interrompo a pesquisa de campo.

Parece que vai chover, mas não chove.

Aqui nunca chove.

Só um mormaço de matar.

Dia sete.

Região localizada a 100km do Jupira da Serra.

A região apresenta um morro de altura elevada

que irá prejudicar a passagem do canal.

A opção mais barata é que o canal faça um contorno pela montanha.

Evita-se, assim, a implosão do morro.

Terminei a avaliação do morro do Jupira da Serra

cinco horas antes do previsto

Tô quase meio dia adiantado no cronograma.

Por que insistem em fazer essa obra aqui, hein?

Na verdade, isso não é um problema meu.

Tô com fome.

Ai!

Galega…

Joana…

Amor da minha vida.

Faltam 23 dias e 8 horas pra minha volta.

E volto porque te amo.

Tô cruzando uma estrada inteira, um pôr do sol romântico.

Lembra do nosso último pôr do sol juntos?

Lá na Praia do Futuro.

A única coisa que me faz feliz nessa viagem

são as lembranças que tenho de ti.

Não.

Não, Galega, isso é mentira.

Não sei escrever carta de amor.

Não aguento a ideia de ficar só.

Sabia que a única coisa que me deixa triste nessa viagem

são as lembranças que tenho de ti?

Faltam dois minutos para meio-dia em Juazeiro.

Festa da padroeira de Juazeiro perto da praça dos romeiros.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Saí fora da rota.

Precisava ver gente.

A cidade dos romeiros sempre tá cheia de gente.

Por segurança, vou deixar foto do casamento na Sala dos Milagres.

Aquela que guardo na carteira.

Vou pedir ao Padre Cícero pra proteger meu casamento.

Tá todo mundo procurando milagre.

Inclusive eu.

Mais um dia que se acaba.

Pelo menos esse foi cheio de gente.

Agora só faltam 20 dias e 6 horas pra voltar.

É necessário um estudo mais profundo

sobre a viabilidade econômica do canal nessa região.

Deslocar torres de alta tensão em tantas estradas talvez seja inviável.

Talvez o ideal seja procurar outra região como opção.

Hora de tomar medida das fraturas.

Elas parecem que se repetem.

38/85,

40/87,

43/83,

112/90,

110/88,

120/89.

Exasperante.

Essa repetição só confirma a monotonia da paisagem.

No alto do barranco, cresce uma carqueja.

Eu subo pra fazer novas medidas.

Na realidade, o que eu quero é encontrar um tal de ciperácea,

que cresce ao redor da carqueja, pra levar lá pra casa.

Essa espécie pode ser fundamental no trabalho de botânica da Galega.

Se eu chego com essa flor…

quem sabe volta a reinar a alegria lá em casa.

Em casa, ela é botânica, e eu, geólogo.

Um estuda as falhas nas rochas, e o outro, flores.

Um escava a terra e tira pedras, enquanto o outro colhe flores.

Um casamento perfeito.

Todo casamento é perfeito.

Até que acaba.

Sertão setentrional, distrito de Caçaba.

Região onde será a bifurcação do canal.

O terreno é infértil.

A única propriedade localizada na bifurcação

é a fazenda de Seu Manoel Constantino.

É uma casa grande onde moram oito pessoas.

O pai, a mãe, quatro irmãs e dois irmãos.

Os filhos trabalham com o pai na lavoura e à noite ficam em casa.

As filhas ajudam a mãe nos afazeres domésticos.

Uma delas lê e relê Dom Casmurro, de Machado de Assis.

Não há energia elétrica.

A família vive em estado de isolamento extremo.

Mas parecem felizes.

Eu duvido dessa felicidade.

Nessa viagem só vi solidão na minha frente.

Venta uma poeira vermelha que cobre os galhos dos arbustos.

Poeira na garganta.

Preciso de água.

Em casa, a Galega tem uma orquídea que representa

sua admiração pelas flores monocotiledôneas.

Mas sua verdadeira e grande paixão são as samambaias.

Aprendi muito com ela e com suas plantas.

Aprendi a gostar das flores tanto quanto a gostar das falhas geológicas.

Vou dormir em Caruaru.

Preciso dormir num hotel direito,

com cama de casal, frigobar, ar-condicionado…

Não aguento mais ventilador.

Não aguento mais pardieiro de beira de estrada.

Tô morto.

Tô pregado.

É textura de veio dobrado, hornblenda, suíte xingó…

É feijão com cominho demais, é cuscuz com coentro,

é tonalito, é carqueja, é ciperácea, é canal…

Não, não é nada disso.

Eu fico me enganando o tempo todo.

A verdade é que eu não tô me aguentando.

Vou me esconder no meio daquela feira de gente.

Acordei no meio da noite suando em bicas.

Tive um sonho que eu tava numa sala de cirurgia.

Aí vinha uma mulher vestida de médica, raspava meu cabelo e eu ficava careca.

Depois vinha outro médico que perguntava se as dores de cabeça eram constantes,

e eu dizia que sim.

Aí ele perguntava em que região da cabeça,

e eu apontava com o dedo no lugar.

Aí ele abria minha cabeça.

Com um bisturi.

E saía pedacinhos do teu corpo

de dentro da minha cabeça, Galega.

Porra, era tudo tão real

que eu acordei em pânico.

Tentei deitar novamente, mas não consegui.

Sinto amores e ódios por você.

Sinto amores e ódios repentinos por você.

Essa viagem tá me levando pra trás.

Pro dia que você me deixou.

Fico o tempo todo pensando em voltar e não tenho nem mais pra onde voltar.

É insuportável.

Inventei até que a gente tava junto, que a gente nunca tinha separado,

e comecei a te escrever cartas

e responder as cartas que você nunca mandou.

Fiz essa viagem pra esquecer o pé na bunda que você me deu, e só foi pior.

Só faço lembrar.

Sem parar.

Esse lugar tá virando um pesadelo.

Pela primeira vez tive vontade de largar tudo.

Largar a viagem, meu emprego,

meu trabalho de geólogo, minha vida e me perder num labirinto.

Um labirinto sem saída.

Gotas de orvalho artificiais

em pétalas de flores de plástico.

Não consigo mais trabalhar.

Abandonei as rochas tectônicas.

Fico olhando só pra flores e pessoas.

Não aguento mais tentar te esquecer.

Me pararam na estrada hoje.

No início fiquei com medo, pensei em assalto.

Mas era só umas pessoas pedindo esmola.

Parei e dei uns trocados.

Quando tava indo embora, parei o carro de novo.

Vi uma menina.

Ela tinha os mesmos olhos da minha Galega.

Olhos de mel.

Que nem os de Galega.

Fui embora rápido.

Pra cada vez mais longe.

Cansei de sofrimento.

Comprei 8 Chokitos,

6 sanduíches embalados a vácuo,

2 dúzias de Coca-Cola normal

e 2 pacotes de camisinha com lubrificante.

Larissa, 19 anos.

Foi a São Paulo duas vezes a trabalho.

Tem duas pintas no rosto que me lembram atriz de cinema.

E um piercing no umbigo, que foi presente do namorado.

Passei a noite no motel com Larissa.

O quarto custou 15 reais porque tava em promoção.

Café da manhã era grátis e incluía cuscuz,

café com leite e suco de polpa de goiaba.

♪ Não ligue mais, melhor assim ♪

♪ Não era bem o que eu queria ouvir ♪

♪ E me disse decidida ♪

♪ Saia da minha vida ♪

♪ Que aquilo era loucura, era absurdo ♪

♪ E mais uma vez você ligou ♪

♪ Dias depois, me procurou ♪

♪ Com a voz suave, quase que formal ♪

♪ E disse que não era bem assim ♪

♪ Não necessariamente o fim ♪

♪ De uma coisa tão bonita e casual ♪

♪ De repente as coisas mudam de lugar ♪

♪ E quem perdeu pode ganhar ♪

♪ Teu silêncio preso na minha garganta ♪

♪ E o medo da verdade ♪

♪ Ei! ♪

Recentemente, ocorreram tremores nessa região.

As acomodações de rochas da zona de cisalhamento leste

foram as causas dos tremores.

Essa falha foi muito ativa mesmo há 580 milhões de anos,

quando a região foi palco de intensa atividade tectônica.

O solo é pedregoso, e esse fato vai dificultar as obras de escavação.

Os trabalhos de construção do canal nessa região

poderão durar mais tempo que outros trechos da obra.

Mas, ao mesmo tempo, essa região é perfeita pra passagem do canal.

Tô atrasado cinco dias no cronograma.

Não quero que essa viagem acabe nunca.

Passei um dia no Motel Oásis com Michele.

Michele. Delícia de Michele.

Tem que ser bem devagarzinho, a sandália tá saindo do pé.

Olha, estão todas com inveja!

Shirley, 28 anos.

Tatuagem de coração com asas na virilha.

Pinta o cabelo de loiro todo mês.

Jéssica Flávia, 25 anos.

Gosta de batom vermelho com gloss.

Xana rechonchudinha.

Maria de Fátima.

Peito tão pequeno que não usa nem sutiã.

Parece umas azeitoninhas em conserva.

Faz ponto no Posto Cacique no quilômetro 32 da BR-237

Cláudia Rosa.

Que nome estranho… Cláudia Rosa.

Tem o olhar triste.

Desisti do programa no caminho do motel.

Um colchão de palha com forramento de chita

debaixo do sol, secando as manchas de uma noite de amor.

Pano de chita de flores.

Flores molhadas que nem um periquita suada.

Abertinha.

Com fome.

Eita…

Fábrica de colchões de chita.

Os colchões são feitos de junco forrado com chita.

Trabalhadores são dois.

Seu Juca e seu filho Evandro.

Evandro cheira à testosterona.

Evandro enche de junco aquele pano de chita.

Lembra uma foda.

Evandro tem cara de quem nunca brochou.

Conheci Pati na frente da loja dos colchões.

Ela tava saindo da delegacia que fica em frente.

Me pediu um cigarro.

Comprei uma carteira de cigarro pra ela.

Pati é dançarina.

E faz programas nas horas vagas.

Fiquei o dia inteiro com Pati.

Pela primeira vez, fiquei 24 horas sem pensar no meu passado.

- Diz teu nome. - Patrícia.

- Diz teu nome inteiro. - Patrícia Simone da Silva.

- Mas esse é seu nome, é? - Meu nome é Patrícia Simone da Silva.

- Quantos anos você tem? - Vinte e dois.

O que você faz da vida?

Eu? Estou apenas aqui ganhando o meu, né?

Mas se eu achar um trabalho melhor, aí eu pulo de linha.

- Onde é que você trabalha? - Trabalho ali na boate.

Fica onde a boate?

Fica… Não sei como é o nome desse setor.

- E nem sei o nome da rua. É? - Rua Manuel Pereira.

Rua Manuel Pereira.

O dono, é?

O lugar… Aquele lugar, como que chama?

Quer dizer… É uma boate, né? Agora, não sei o nome da rua nem do setor.

- A boate fica onde? Na feira, é? - É.

- Fala que fica perto da feira. - Fica perto da feira.

- Diga de novo. - A boate fica perto da feira.

Me diga uma coisa. O que tu queria ser? Qual profissão queria seguir?

Eu desejava de ser tanta coisa na minha vida.

Mas seja lá o que for, né?

Se for o melhor, tô indo pro melhor. E se for pro pior, tô indo pro pior.

Eu queria ter realmente… Meu sonho é tão alto nesse momento.

Era uma vida lazer pra mim, minha filha e mais nada.

Mas o que é uma vida lazer?

Uma vida lazer é assim: eu na minha casa, eu e minha filha,

o companheiro que eu tiver ao meu lado,

pra esquecer esses momentos todos, porque não dá certo.

É triste a pessoa gostar sem ser gostada.

- E tu queria ter um amor? - E como eu queria!

Então diga aí, como é que você queria teu amor?

Eu queria ter um amor assim que seja reservado só pra mim.

Todo instante, toda hora que eu chegar e encontrar ele,

encontrar aquela pessoa só pra mim.

Eu acho romântico.

Apesar de todos os preconceitos que a gente tem que aguentar,

bafo de alho, de cachaça, de cigarro, de outras coisas.

Mas o que importa é que a gente tem que dar valor e lazer a quem dá pra gente.

♪ Serei escravo dessa solidão ♪

♪ Vivendo tão distante de você ♪

♪ O que é que eu faço agora pra viver? ♪

♪ Se eu não achar um jeito, uma saída ♪

♪ Serei escravo dessa solidão ♪

♪ Ai, ui, ui, ai ♪

♪ Sim, beleza, sim, sim, sim ♪

Baixinho.

♪ Eu fui ver uma gafieira Que fica em Jacarepaguá ♪

♪ Gostei daquela brincadeira E a semana inteira eu fiquei por lá ♪

♪ Aí um moreno disse: "Venha cá Entre na dança que a casa é minha" ♪

♪ Eu peguei logo uma escurinha E mandei passo de coco que foi um chuá ♪

♪ Eu peguei logo uma escurinha E mandei passo de coco que foi um chuá ♪

♪ O dono da casa parou a orquestra E veio falar comigo em pleno salão ♪

♪ Dizendo assim: "Olhe aqui, pau de arara, Se a aula não for cara eu quero a lição" ♪

♪ Peguei a escura e fiz um traçado Dancei um trocado numa perna só ♪

♪ Falando assim parece brincadeira E num instante a gafieira virou um forró ♪

♪ Falando assim parece brincadeira E num instante a gafieira virou um forró ♪

♪ Falando assim parece brincadeira E num instante a gafieira virou um forró ♪

♪ Falando assim parece brincadeira E num instante a gafieira virou um forró ♪

Vai lá, Biu, em cima. Beleza.

Quanto mais for pra quebrar, mais um pouco pra cá, um arrasta-pé…

Sinto amores e ódios repentinos por você.

Viajo porque preciso.

Não volto porque ainda te amo.

Desejamos a todos uma boa viagem.

Iniciando sua apresentação

com uma caixa completamente vazia.

Agora, dentro da caixa, uma jovem, Samanta…

Eu quero uma vida lazer.

Eu quero ter uma vida lazer.

♪ Eu quero ter uma vida lazer ♪

♪ Eu quero ter uma vida lazer ♪

♪ Eu quero ♪

♪ Ter uma vida lazer ♪

♪ Uma vida lazer ♪

♪ Uma vida ♪

Carlos e Selma.

Passaram a noite namorando na bilheteria do circo.

Já tiveram duas brigas de terminar tudo.

Dos tapas, ela diz que gosta.

Das brigas, não.

Ele diz que mulher tem que ser na peia, e ela concorda.

Ele fala em casamento,

ela diz que quer viajar.

Ele jura amor eterno e vai embora com o circo.

Ela fica.

E ele viaja porque precisa.

Acampamento de beira de estrada.

Depois do almoço, os trabalhadores descansam nas redes.

O que esses homens fariam se fossem todos abandonados?

Em cinco dias eles vão embora pra outro lugar.

Vão consertar uma estrada esburacada em Quixeramobim.

Nada é eterno.

Nem num acampamento de beira de estrada.

Nem as falhas geológicas.

Nem o amor é eterno.

Até o amor se acaba.

É 50.

Cinquenta, moço, tá barato. Desse preço não vai achar, não.

Seu Severino Grilo é sapateiro faz 35 anos.

Ficou três horas conversando comigo sobre a transposição do rio.

Depois da conversa, ele começa a cantar músicas românticas.

♪ Esse amor que eu não esqueço ♪

♪ E que teve o seu começo ♪

♪ Numa festa de São João ♪

♪ Morre hoje sem foguete ♪

♪ Sem retrato e sem bilhete ♪

♪ Sem luar e sem violão ♪

♪ Perto de você me calo ♪

♪ Tudo penso, nada falo ♪

♪ Tenho medo de chorar ♪

♪ Nunca mais quero teu beijo ♪

♪ Meu último desejo ♪

♪ Você não pode negar ♪

"Nosso amor que eu não esqueço

e que teve o seu começo

numa festa de São João.

Morre hoje sem foguete, sem retrato, sem bilhete,

sem o luar, sem o violão.

Perto de você me calo.

Tudo penso, nada falo.

Tenho medo de chorar.

Nunca mais quero seu beijo,

mas meu último desejo

você não pode negar.

Se alguma pessoa amiga pedir que você diga

se você me quer ou não…

diga que você me adora,

que você lamenta,

que você chora a nossa separação.

E às pessoas que eu detesto

sempre diga que eu não presto,

que meu lar é o botequim

e que eu arruinei tua vida.

Que eu não mereço nem a comida

que você pagou pra mim."

Manhã do dia 52 da nossa separação.

Eu sinto que sobrevivi a um terremoto.

Seis semanas longe de casa

são como seis gotas de um calmante poderoso.

Um calmante que não resolve a dor, mas tranquiliza o juízo.

Garganta do Rio das Almas.

Altitude: 800 metros.

Profundidade do rio: 15 metros.

Largura entre 30 e 80 metros.

O canal vai ter início nessa parte do rio.

Isso se o rio não secar até lá.

Setenta por cento dos habitantes já foram embora daqui.

Essa vai ser a primeira cidade a ser coberta pelas águas do canal.

Cidade abandonada.

Ponto inicial da transposição das águas.

A gente sempre pensa que é um super-homem.

Que faz tudo, que pode tudo, que resolve tudo.

Até o dia que você leva um pé na bunda.

E aí a gente se sente perdido.

Fragilizado.

Confuso.

Você não consegue ser determinado, solitário, individual.

Não consegue nem mesmo terminar um relatório de viagem.

Não consegue se mover.

Você se paralisa. É isso que eu sentia.

Paralisia múltipla.

Por isso fiz essa viagem.

Pra me mover.

Pra voltar a caminhar.

Voltar a comer o sanduíche de filé.

Voltar a andar de moto.

Voltar a ver o Fortaleza ganhar.

Pra voltar a ir à praia no domingo.

Pra voltar a viver.

Minha vontade agora é mergulhar pra vida.

Um mergulho cheio de coragem.

A mesma coragem daqueles homens de Acapulco

quando pulam daqueles rochedos.

Eu não tô em Acapulco,

mas é como se eu estivesse.

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