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"SE TE DERRUBAREM, PÕE-TE BONITA. É A MELHOR FORMA DE RECOMEÇAR."
- Vergonha! - A revista é um lixo!
MILÃO
Não é informação, é pornografia!
Que raio de mãe és tu? Vergonha!
A italiana Adelina Tattilo,
a polémica editora da revista erótica Playmen,
foi incluída pela ONU
na lista das trinta mulheres mais influentes do planeta.
Tattilo, a única italiana a receber este reconhecimento,
junta-se a mulheres tão ilustres como Indira Gandhi e Simone de Beauvoir.
A decisão dividiu a opinião pública.
Alguns acreditam que Tattilo publica apenas pornografia,
enquanto outros lhe atribuem uma pequena revolução
nos costumes e na moral do nosso país.
INSPIRADO NUMA HISTÓRIA REAL
ALGUNS ANOS ANTES
Mãe?
- Chegou o teu carro para a festa. - Ótimo. Ajudas-me?
A Bardot estará lá?
- Esperemos que não. - Porquê?
- Demasiado bonita? - Não, demasiado cara.
O teu pai ter-lhe-ia reservado um piso inteiro no Excelsior.
Se ela for, trago-te um autógrafo.
- Lá está ela! É ela! - Vai!
- Sra. Balsamo, uma foto? - Boa noite.
- Olhe para aqui! - Por favor.
- Não insista. - Estou com o Poggi, fotógrafo da Playmen.
- Já vi, não está na lista. - Vê outra vez!
Já chega.
O que se passa?
Sra. Balsamo, ela quer entrar. Diz que é amiga de um fotógrafo.
Mas não está na lista.
Está comigo.
Sra. Balsamo!
- Boa noite, Sra. Balsamo. - Boa noite.
Então? Onde estavas?
Disse ao gajo que estava contigo. Não me deixou entrar.
Estarei ao vosso dispor a noite toda. Prometo. Pronto.
Um de cada vez, vá.
Como convenceu a Brigitte Bardot a posar para a revista?
- Simples. Liguei-lhe. - Dr. Balsamo.
Dizem que, se o Papa fosse mulher, posaria nu para si.
Não sei, mas seria um sucesso editorial.
Como é ser o homem que trouxe as mamas para a Itália?
Darei à Itália muito mais que mamas. Agora, com licença.
Não percamos tempo. Com licença.
Desculpe. Uma última pergunta para o jornal.
Chegou o momento.
É por isto que estamos aqui.
Uma antestreia mundial,
em exclusivo para a Playmen,
a maior estrela de cinema,
a divina BB,
Brigitte Bardot!
Olé!
Amem-se!
Saro. Desta vez, o Vaticano vai excomungar-nos.
Muito bem. Quanto mais os irritarmos, mais vendemos.
Sorri, Chartroux. Estás tão sério.
Com esta capa, resolveremos os nossos problemas financeiros.
E o outro problema está resolvido?
- Está decidido. Está feito. - A sua mulher aguenta?
A minha mulher é rija. Com licença.
- Chartroux? - Sim?
Vá lá!
Doutor, só uma pergunta.
Não, tenham paciência. Até já. Tenho de ir.
O que vai o teu marido inventar a seguir?
Um homem nu na capa?
Não lhe digas isso, que ele faz mesmo. Até pode aparecer ele na capa.
Acho que vi a Ralli no bar.
Era a Ralli.
- Vou buscar uma bebida. - Vou contigo. Fiquei com sede.
- A Serena nunca larga a trela. - Tu talvez a tenhas largado muito cedo.
Boa noite a todos.
Vamos tocar uma canção de amor.
Uma canção de que gosto muito.
Espero que gostem.
Dizem que estão escandalizados, mas depois estão todos cá.
Com licença. O que foi?
Que faz ela aqui?
Não sei. A cantora adoeceu, ou o pessoal do Piper substituiu-a.
Não, por favor. Não vamos discutir. Estamos cá para nos divertirmos e dançar.
Ela já não é nada para mim. Acreditas em mim?
És a minha deusa no topo da montanha.
Tira a t-shirt.
Tens medo?
As fotografias são só para nós.
Não. Não tenho medo de nada.
E tu? Não tiras a camisa?
Desculpa, estou cansada.
VATICANO: O DIVÓRCIO NÃO PODE SER LEGALIZADO
Vá! Vá lá, meninas! Segunda posição, por favor.
Segunda posição. Mostra-me esses olhos, Parisa.
Perfeito.
Sim, assim. Não se mexam.
Fiquem assim. Muito bem.
Mais uma. Sim. Ótimo. Parisa, olha para mim.
Olha para a máquina.
Pronto. Ótimo. É isso.
Luigi, dá-me a 120.
Muito bem.
A entrevista com a Ralli já está?
O Villoresi está a acabar. Vai enviá-la de Turim.
- A parte gráfica não convenceu o Saro. - Vamos já tratar disso.
- E as fotografias? - O Sarti está a trabalhar.
- Ei-lo. - Então?
Como assim, "então"? Foi ótimo.
Sarti, que tal as fotografias?
Já acabei. Ficaram boas. Vamos revelá-las e ver.
Está bem. Ótimo.
As páginas centrais estão atrasadas.
E se fotografássemos a Berger e o Gemma
no cenário do Quando as Mulheres Tinham Cauda?
Interessante. Boa.
Não temos dinheiro para a Berger e o Giuliano Gemma.
Já gastámos tudo na Bardot.
Bianchi, é uma escolha artística e não comercial.
Abre, por favor.
A escolha também não é tua. É sempre o Saro que decide.
Não podem fazer o que quiserem! Têm de honrar o contrato.
- Conheces alguém nas filmagens? - Sim.
Estamos falidos!
- Bom dia, Sra. Balsamo. - Sra. Balsamo.
- Viram o meu marido? - Hoje não.
E o Chartroux?
Está numa reunião.
Mas prefere não ser interrompido.
Sim.
- Sra. Balsamo, posso ajudar? - Tenho um problema.
Pode deixar as suas faturas na Contabilidade.
Não, é o meu marido. Desapareceu.
Ele disse-me que ia a Paris.
- Talvez não lhe tenha dito. - Ele diz sempre.
Simonetti, Vinciguerra, na entrada! Ninguém entra nem sai.
Pascucci, Santini, aqui em baixo.
- Os outros, lá para cima. - Perdão…
Já é a sexta vez num mês. Mais vale mudarem-se para cá.
Revistem todas as salas.
Aqui em cima também.
Apreendam todas as revistas que encontrarem.
Argilli, verifica ali. Depois, ali atrás com os outros.
Não têm nada melhor para fazer do que incomodar trabalhadores honestos?
Não têm ninguém para prender hoje. O Sr. Balsamo não está.
Bom dia. O que se passa?
- Sra. Adelina Tattilo, certo? - Sim.
Isto é um mandado de detenção com o seu nome.
É acusada de obscenidade,
em relação às revistas pornográficas das Edições Saro Balsamo.
- Não, deve haver algum engano. - Não há engano.
- Venha connosco. - Não.
Só pode ser um mal-entendido. Podem dizer-nos para onde a vão levar?
Apreenderam-nas?
Sim, vão levar todas as cópias daqui.
POLÍCIA
Porque me prenderam?
Não trabalho na revista. O editor é o meu marido.
Consta que é a diretora editorial,
embora só há poucos dias.
Esta assinatura aqui é sua, não é?
Sim, é.
Esperava ver aqui o seu marido, mas para nós é igual.
A propósito, onde está o Sr. Balsamo?
Foi ao estrangeiro em negócios.
O seu marido nomeou-a diretora e foi-se embora?
Há pessoas a matarem-se umas às outras nas ruas, com armas e bombas.
E vocês só pensam em prender pessoas cuja única culpa é terem uma editora?
Pode dirigir as suas queixas ao juiz, durante o processo.
Sra. Balsamo.
- Tenha calma. - Calma? Estão a processar-me.
Será condenada em primeira instância. É sempre assim.
É o artigo 528 do código penal.
Quem vende ou distribui textos, imagens ou outros objetos obscenos
pode cumprir pena de três meses a três anos de prisão.
Prisão? O meu marido nunca foi preso.
Não vai acontecer, porque vamos recorrer. Será logo libertada.
O nosso advogado já está a tratar disso.
- Repito, é sempre assim. - Está bem.
Sra. Balsamo, venha comigo.
- Para onde? - O que se passa?
O juiz rejeitou a libertação sob fiança.
Concederam-na sempre.
Avise o meu marido. Procure-o.
Vejam bem.
Que chique.
Acalmem-se.
Caluda!
Venha cá, senhora.
Fique na cama de baixo, está livre.
Fume.
Passa mais depressa.
ESTABELECIMENTO PRISIONAL SECÇÃO FEMININA
A sua sorte é que hoje é sexta-feira.
Num sábado, nunca nos teriam libertado.
- Porquê? - Ninguém trabalha ao sábado no tribunal.
Aqui somos as únicas que trabalham ao sábado.
Desculpe, nem lhe perguntei o que faz.
Sou prostituta.
Escreva na sua revista que só trabalhamos nós.
Queridos!
- Mãe! - Amor.
Foste à escola?
Olá.
Mãe!
Porque te prenderam? A culpa é do pai, não é?
Voltou a fazer asneira.
Leva-me para casa.
- Mãe, foste mesmo a Paris? - Querida.
Sim, com o pai. Uma coisa para o trabalho dele.
- Bom dia. - Bom dia.
Onde está o pai?
O pai ficou em Paris, mas volta em breve.
Toma o pequeno-almoço. Temos de nos preparar para a escola.
Vamos.
Porque o defendes sempre? Foste presa e ele nem sequer…
Tantas coisas boas!
Come, querida.
CONTIGO, HOJE E PARA SEMPRE
- Vamos usar esta. - Sim, é simples.
É a última que ele enviou?
- Diga-me onde está o meu marido. - Sra. Balsamo, já disse que não sei.
Sabe, sim. Como sabia que ele me nomeou diretora editorial.
Diga-me o que sabe ou vou à polícia.
Quer que lhes diga que o meu marido desapareceu?
- Tem medo de ser preso. - Então, mandou-me a mim para a prisão?
Se o tivessem prendido, com o cadastro que tem,
não seria libertado sob fiança.
Sim, mas prenderam-me a mim.
Ele está a salvo. Tem medo de quê?
De possíveis novas acusações.
Quais acusações?
A Playmen vende-se bem, mas há muitas despesas.
Papel, tipografias.
E depois, os carros e as vivendas do seu marido.
Conheço o meu marido.
Então, o seu marido tentou equilibrar as contas à sua maneira
e o Ministério Público começou a investigar.
De que estamos a falar?
Apropriação indevida, fraude contabilística, desvio de fundos.
Entre as despesas do seu marido e o impacto das apreensões nas vendas,
se não publicarmos o próximo número, fechamos.
Onde se escondeu?
Não sei.
O que está a fazer?
São coisas do seu marido. Posso fazer isso?
- O que procura? - Tenho de saber onde ele está.
O que fazes aqui?
- O que aconteceu? - O meu marido é um idiota.
Vou vestir o meu paramento.
Mandou-me para a prisão.
Enquanto ele se diverte com aquela rapariga.
Disse-te no liceu que devias casar comigo.
Qual é a graça? A culpa também é tua, sabes?
- Minha? - Sim.
Disseste-me para o perdoar.
Vocês, padres, têm essa ideia absurda que é preciso salvar a família.
Estou farta de salvar. Quero o divórcio.
- O divórcio ainda não é legal. - Que importa?
Eu inauguro a lei.
Ainda o amas?
É um idiota.
Já disseste isso. Não foi isso que perguntei.
Absolves-me?
De quê?
- Do divórcio. - Do divórcio, não.
Só do "idiota".
Trinta ave-marias.
Estou?
Olá, meu amor. Sou eu.
Então, estavas aqui escondido.
Desculpa. Quis contar-te. Não pensei que te metessem na cadeia.
Quero lá saber da cadeia.
- Então, porque estás assim? - Não disseste que íamos falir.
Falir…
- Sabes porque estamos em apuros? - Claro.
Por causa da tua megalomania.
Não.
Aquele jornalista tinha razão.
Demos mamas à Itália.
E os italianos querem mais.
É a tua nova linha editorial?
Pede ao Chartroux que as publique.
Estás louco? Vão prender-nos e deitar fora a chave.
A pornografia salvar-nos-á. Confia em mim.
Como confiei em ti com a cantora?
Encontrei a tua camisa, com batom, na tua secretária.
De que te estás a rir?
Esse batom é teu.
Usei essa camisa na festa no Piper.
Dançámos e beijámo-nos.
Troquei de roupa antes de sair.
- Gosto quando tens ciúmes. - Para com isso.
Lembras-te de quando éramos miúdos?
Quando a tua mãe não queria que nos víssemos.
Por isso, quisemos acabar e tu vieste cá.
Subiste para este parapeito e tiraste uma moeda de 50 liras.
O que disseste?
"Cara ou coroa.
Se for coroa, ficamos juntos e casamos.
Se for cara, eu salto."
Saiu cara e quiseste saltar.
Começaste a gritar.
"Diz que me amas só a mim!"
"Diz!"
E o que disse eu?
"Só te amo a ti."
Vá, eu era uma miúda.
Para mim nada mudou.
EDIÇÕES SARO BALSAMO
Feche. Feche a porta.
Desculpe, Sra. Balsamo. A luz sobre-expõe a imagem e fica negra.
O que faz aqui a estas horas?
O Sarti pediu-me para revelar rolos para amanhã de manhã.
O Sarti é muito bom.
Na verdade, não são do Sarti.
Não?
São minhas.
- Tirei-as em Mandrione. - E revela-as na editora?
Não se preocupe, não digo a ninguém.
São mesmo suas? Isto é, podemos usá-las?
Sim.
Porquê?
Precisa de alguma coisa?
Sim. O meu marido deu-me isto. Ele quer que sejam publicadas.
Disse que não podemos gastar como gastámos com a Bardot.
Estas ficam em conta. São de um dos nossos fotógrafos.
Poggi.
- Como chegaram ao seu marido? - Dei-lhas.
Vi-as, gostei delas, e ele também gostou.
O Poggi fará a capa.
Depois da grande estrela, mostremos as italianas.
Mães, esposas, namoradas e amantes. E as prostitutas também.
Um artigo de crítica social.
- Ainda somos uma revista. - Precisamos de uma perspetiva.
- Uma ideia para uma reportagem a sério. - Os criativos são vocês.
Encontrem-na.
CAPA FOTO DE SARTI
CAPA FOTO DE POGGI
Fazes-me girar
Como se eu fosse uma boneca
Depois atiras-me ao chão
Como se eu fosse uma boneca
És tão talentosa, Elsa.
É mais jeitosa que talentosa.
- Mais do que tu, sim. - Cala-te ou não voltas cá.
Só pensas em ti
- Querem publicar as minhas fotos? - Sim.
Quais?
As que eu te tirei. Enquanto cantavas.
E as outras fotos?
Não, essas são nossas.
Vão fazer um artigo sobre Mandrione. Uma espécie de artigo de crítica social.
Tenho pressa, Elsa. Eles querem publicá-las já.
Pagam-te cento e vinte mil liras.
Assino onde?
Aqui.
É um pouco… Pronto.
Adeus.
Adeus.
Quem era aquele?
Alguém. O que é que te interessa?
Nada.
Mas preocupo-me contigo.
Vou voltar ao trabalho.
Cá está. A rapariga assinou o contrato.
Muito bem, Poggi.
Luigi!
Boa!
Finalmente conseguiste a capa.
A sorte calha a todos.
Que não te suba à cabeça.
- É boa, não é? - É lindíssima.
O Mariotti referia-se à foto.
Eis o autor.
Parabéns, Poggi. As fotos ficaram boas.
Obrigado.
Posso?
"Raparigas da Vida".
Belo título. Uma homenagem ao Neorrealismo.
Sim.
Estamos a pensar entrevistar também o Pasolini.
- O que lhe parece? - O intelectual é você.
Mas acho que é uma ideia ótima.
E queria agradecer-lhe
por me confiar a capa.
Não tem de me agradecer. Tem de agradecer à Sra. Balsamo.
Vejamos se tem talento ou se foi só sorte, como diz o Sarti.
Mario.
O Saro está ao telefone.
Cento e vinte mil liras!
Nunca tinha visto tanto dinheiro.
Compramos um bilhete para Londres. Daqui a seis meses compramos o outro.
Mas vamos para Londres, ouviste?
Elsa.
O que tens?
Cabrão.
O seu marido contactou-me.
Nem sequer "bom dia"?
Ele não sabia das fotos de Mandrione.
Ele prefere publicar fotos pornográficas?
Isto é o que o Saro queria publicar.
Não sabia que era moralista.
Não sou moralista, mas também não sou estúpida.
Se publicássemos essas fotos, seríamos presos, e não só por um dia.
Conheço o meu marido.
Mandaria qualquer um para a prisão pelas suas ideias.
Ou far-nos-ia falir.
É isso que quer? Pensava que gostava deste trabalho. Não?
- Enganaste-me, odeio-te! - Elsa, não grites.
Estou-me a cagar…
- Elsa, não grites. - Quero lá saber!
- Odeio-te! - Trabalho cá.
- Enganaste-me. - Acalma-te.
- Fala mais baixo. - Não!
Quero as minhas fotos!
- O que se passa? - As minhas fotos ou parto tudo!
- Assinaste um contrato. - Disseste que eram só as fotos a cantar.
Menina, acalme-se.
Só quando tiver as minhas fotos!
- Assinou mesmo o contrato? - Claro que sim.
Então, as fotos são nossas. Fazemos o que queremos com elas.
Se o meu pai vir aquelas fotos, mata-me.
Desculpe, mas devia ter pensado nisso antes de fazer uma sessão fotográfica.
Não foi uma sessão fotográfica. Este idiota enganou-me!
Por favor, menina, saia.
Saia ou eu chamo a polícia.
Chartroux.
Dê-lhe as fotos. Podemos usar outras.
Não podemos mudar um número que já está na tipografia.
Ou não sai de todo. A rapariga assinou o contrato.
- É tudo legal. - Não sabia o que estava a assinar.
Afinal, o que quer salvar, a rapariga ou a revista?
EDIÇÕES SARO BALSAMO
Aqui não fodemos modelos. É a regra número um.
Não era uma modelo, era uma amiga. Tirou as fotos de livre vontade.
Não interessa se era amiga. É uma questão de ética. Está claro?
Procurava-me?
Sim. Um amigo meu da polícia disse-me que sabem que vamos publicar.
Estão à nossa espera. Vão apreender as revistas todas.
Então, publicaremos a revista quando não puderem fazer nada.
- Obrigado, padre. Bela cerimónia. - Obrigado.
Quero a Playmen.
- Aqui tem. - Obrigado.
Linda.
Vamos. Vamos, vá.
- Bom dia. - Quero uma.
O que estão a ver?
Estamos a ver tudo.
Tudo.
A RAPARIGA DE MANDRIONE
Fala o procurador Scordino. Passe-me à chancelaria.
Sei que é sábado. E depois?
Quero uma ordem de apreensão!
Ligue a alguém, mesmo sendo sábado! Vá!
Quatrocentas mil.
Distribuímos 400 mil cópias por toda a Itália.
- Voaram dos escaparates em Roma. - Ótimo.
Foi boa ideia publicá-la num sábado.
Na verdade, foi ideia de uma amiga minha… da cadeia.
Como assim?
Disse que só as prostitutas trabalham ao sábado.
Apreendemos muito poucas cópias.
A ordem do tribunal chegou tarde demais.
Odeias a brigada dos costumes, certo?
Aquela tareia saiu-te cara.
Na verdade, não foi uma tareia.
Queres deixar as revistas pornográficas,
as prostitutas e os clubes de invertidos?
Então, acaba com a Playmen. E eu falarei com os teus superiores.
Porque odeia tanto a Playmen? Há pior por aí.
Um seio hoje, um traseiro amanhã, e depois?
Haverá pornografia por todo o lado.
Até nas mãos das crianças, De Cesari.
Olá.
Que calor.
Fui bem claro.
Com licença.
Diretor. Já se vai embora?
Sim. Combinei com uma pessoa para tratar de um assunto, mas não veio.
Também combinei com uma pessoa.
Não vás embora por minha causa.
Elsa.
Assustaste-me.
- O que queres? - Vi as fotos.
Não é nada comigo. Roubaram-mas.
Mas tiraste-as.
- Não pensei que fosses assim. - Larga-me.
Larga…
Foda-se!
O que foi?
O que é que te deu?
Primeiro fazes-te de puta e depois de santinha?
Tens vergonha?
Endireita-te, querida. Vá.
Eu vou lá.
Faço o jantar para quatro? Conto com o seu marido?
Está?
Fizeste bem.
Saro.
Onde estás?
- Quando voltas? - Não volto.
Vou para fora, para França.
Há um mandado de detenção. Se fico cá, sou preso.
Quanto tempo ficas em França?
Seis meses, um ano. Não sei. O tempo que for preciso.
E os miúdos? E eu?
Tu safas-te.
PARTIDAS INTERNACIONAIS
ESCALAS
Alguma ideia para as páginas centrais?
- Eu esperava pelo Saro. - Não vamos esperar por ninguém.
Não sou diretora editorial só quando é para ir para a cadeia.
Sra. Balsamo, o seu marido dar-nos-á indicações para o próximo…
Só me resta a Playmen.
Não vou ficar em casa enquanto ele a destrói.
- Não é isso. - Espera.
Sra. Balsamo, talvez não saiba como este trabalho é complexo.
Faz ideia de como se faz uma reportagem ou qual é a tiragem de cada número?
Aprendo depressa.
Além disso, sou a única acionista aqui e quero proteger os meus investimentos.
Pensei que o meu marido lhe dizia tudo.
Há dois anos, num momento delicado,
ele transferiu-me parte das suas quotas.
Por isso, tecnicamente, sou a vossa nova chefe.
Legendas: José Cordovil
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