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A VINGANÇA DE FRANKENSTEIN
- Bem, o que dizes? - Não me agrada.
O que tem de mal?
Não há nenhum mal nisso. Apenas não me agrada.
Olha aqui, velho amigo... És meu amigo, não é?
Sim.
Achas que sugeria algo que corresse mal?
Claro que sim.
Lembra-te da última vez. Devias supostamente vigiar as ruas.
- Como havia de adivinhar que tinham cães? - Ainda tenho as cicatrizes.
Desta vez é diferente.
Não temos que forçar nenhuma entrada. Nada pode correr mal.
Isso foi o que disseste na vez anterior. Apanhei seis meses.
Já tive o suficiente.
Então está bem. Está bem.
Não falaremos mais nada sobre isto. Esquece o que eu mencionei.
Se não confias em mim, está tudo bem. Terei que o fazer sozinho.
Está bem, então. Vou para casa.
O doutor disse-me que não devo fazer nada que possa forçar o meu coração.
- Vemo-nos amanhã. - Eu ganharei sozinho os 10 marcos.
- Dez? Disseste seis! - Dez, queria dizer eu.
Mas isso não é da tua conta porque não queres vir comigo.
Dez. Dez marcos...
...por um morto.
Sim, é como te digo. Temos que saber onde encontrar estas coisas.
Tens que manter os olhos abertos. Repara bem nesse por exemplo...
Este foi "plantado" esta manhã, sabes? Está tão fresco como uma margarida.
- Quem é ele? - Quem?
Ele!
Ou é "ela?
Não, não pode ser uma ela. Esse veio da prisão esta manhã.
Não fiques aí parado. Não temos a noite toda!
Vem dar uma olhadela!
- Um barão! - Vamos conseguir algo mais por ele?
Nunca tinha visto um verdadeiro barão antes. Vamos, depressa!
Toma.
É um sacerdote sem cabeça!
E se for um sacerdote? Está morto, não é?
Continua a valer 10 marcos para mim, não é?
Claro que....a cabeça pode ser um pequeno problema.
Boa noite.
Sou o Barão Frankenstein.
Pergunto-lhe, cavalheiros, o que é que realmente sabemos sobre ele?
Nada.
Chegou aqui há três anos e estabeleceu-se.
Antes disso, ninguém tinha ouvido falar dele. Alguém de vós sabe onde estudou ou se formou?
- Não. - Não. Nem eu.
No entanto está cá e bem estabelecido. O doutor mais popular em Carlsbruck.
Nem sequer solicitou nenhuma cadeira para o Conselho Médico.
Ouvi até dizer que ele consegue exercer, sem precisar do Conselho.
E tem razão. Ele conseguiu roubar metade dos meus melhores pacientes.
- E os meus. - E os meus
- Exactamente! E os meus também. - E a sua mulher está nesse grupo, senhor?
- Sim, mas eu vou acabar com isso! - Cavalheiros. Cavalheiros.
O Dr. Stein deve juntar-se a este conselho...
...ou devemos garantir que ele não volte a exercer nesta cidade.
Se ele se recusar a juntar-se a nós, como pretende impedi-lo de exercer?
Sr. Presidente?
Nunca tínhamos tentado impedir um doutor de exercer.
No entanto, a recusa do Dr. Stein se recusar a juntar-se a nós, é uma afronta.
- Concordo. - Há sugestões?
- Oh, bem.. - Envie uma delegação para o visitar.
- Excelente. Sim. Composta de...? - Três.
Sim. Três doutores do conselho. É isso que sugiro.
Apoiado.
- Estão todos a favor? - Sim.
- Bem. Bem. - Deveríamos fazer uma marcação.
Correcto. Ninguém entra no seu consultório sem uma marcação.
- Dr. Stein, a Vera está em grande angústia! - De facto, Condessa Barscynska.
Sei que insiste em que está curada mas eu não vejo melhoras.
Está fraca, o movimento de qualquer músculo é um esforço.
Levanta a cabeça, Vera. Mais alto, minha criança!
Vê? Não há animação nem vitalidade. Deve rever o seu diagnóstico.
Reviste-a completamente!
Vera, querida, vá preparar-se. Sim, sim.
Qual era a queixa original da sua filha?
Francamente, Dr. Stein. Começou com palpitações, enjoos ...
- Como pode esquecer-se? - Ela não é a minha única paciente.
Essas mulheres ali fora estão em perfeita saúde. Não há nada de mal com elas.
Deveria ser minha sócia. Poderíamos evitar metade das consultas.
Isso significaria que só pagava metade do dinheiro.
Eu sei que os seus honorários subsidiam o seu trabalho no hospital para os pobres.
Eu sei que é muito bom para os pobres, doutor.
- Vera, é tudo o que tenho no mundo. - Claro.
Mas receio que não possa fazer mais nada pela sua filha.
Os doutores não podem diagnosticar doenças que não existem.
Você é um homem, doutor! Pode fazer muito por ela.
Tudo o que possuo irá a Vera quando ela se casar. Foi o último desejo do seu pai.
Vou dar uma noite musical em breve. Espero que você vá.
Por mais que goste de música, tenho muito pouco tempo livre.
Pobre homem! Uma vida dedicada aos outros. Sem tempo para si mesmo.
Sempre há tempo para as coisas importantes.
- Doutor, estou pronta! - Eu também, Vera. Pode sair.
Vê? Apenas uns poucos passos e a pobre menina está esgotada.
- Vou esperar lá fora. - Não, por favor. É melhor que fique.
- Mas usava sempre o seu ouvido antes. - Ainda uso. Mas isto aumenta os sinais.
- Oh, Mamã, isto é tão frio! - Aguenta um pouco, querida.
- Respire profundamente. - Não posso. Esta coisa está tão fria.
Pode ouvir as palpitações com isso? Não seria melhor usar o seu ouvido?
Há três homens que o desejam ver, doutor. São do Conselho Médico.
- Tem que esperar até que termine a consulta. - Eles parecem impacientes.
- Quando eu terminar! - Você é que é o médico.
Fazes os esperar no hall do hospital.
- O quê? No hall? - No hall!
E fecha a porta!
Ei, tu! Diz ao Dr. Stein que quero a minha dose de rum!
Um carniceiro assassino, é isso que ele é!
Se ele em cortar, estrangulo-o com as próprias mãos!
Vais assustá-lo.
- Como posso dançar sem as minhas pernas? - Aprende a cantar!
Por aqui, cavalheiros.
Por aqui.
Isto é intolerável!
Devem recordar que estes são os pobres. O fedor vai me matar.
O Dr. Stein disse para se porem à vontade.
À vontade? Aqui? Diga ao Dr. Stein...
Aqui está o Dr. Stein, cavalheiros. A cuidar dos pobres e dos mais necessitados.
Vejam isto. Interessante, não é? Uma obra de arte. O que pensam?
- Pitoresco. - Não viemos até aqui para...
- Temos que amputar este braço. - Amputar o quê?
- Este braço. - Tens que estrangulá-lo só com um braço.
- Ele não vai tirar-me o braço. - Prefere morrer?
- Estás a ver? - Ele não me dói.
- Não lhe serve para nada. - O que quer dizer?
- Às 5:00 no anfiteatro. - Não poderei trabalhar mais.
- Qual é o seu ofício? - Carteirista.
Então tem que arranjar outra coisa ou usar a outra mão.
Desculpem-me, cavalheiros.
- Este é novo? - Foi admitido esta manhã.
- O meu cachimbo! - O que é que tem?
- É o meu peito. - Não me surpreende. Parece mais uma caldeira.
É surpreendente como esta gente está suja. Dizem-me que ela os mantém quentes.
Bem, o que posso fazer por vocês?
- Sou o presidente do Conselho Médico. - Parabéns.
Na última reunião acordamos que você deveria se tornar membro.
A sério? Vai lavar o paciente novo para que eu o veja.
- É uma grande honra. - Quer dizer que aceita?
Não.
Todos os médicos consideram a sua atitude como sendo um insulto.
Quando cheguei a Carlsbruck e tentei exercer o ofício...
...fui vetado pelo Conselho médico que existe só para eliminar a competição.
Construí um consultório com grande êxito, sem nenhuma ajuda.
Cresci acostumado a trabalhar sozinho e continuo a preferir fazer isso.
- Fiz-me entender, cavalheiros? - Completamente.
Obrigado. Bom dia.
- Isto não vai ficar assim! - Como se isso o preocupa-se!
Que mais posso fazer?
Este não roubará mais carteiras com esta mão. Quero que tenhas o pacote pronto em breve.
- Certo. O seu jantar já está aí. - Boa noite.
- Boa noite, doutor. - E obrigado.
Uma dissecação magistral, Dr. Stein.
- Deve desculpar-me por esta intrusão. - Devo?
Queria renovar a nossa amizade. Depois desta tarde...
...tinha certeza de que o tinha visto antes.
Tenho estado a exercer aqui em Carlsbruck há quase três anos.
Antes disso. Há três anos atrás estive na aldeia de Inkstadt.
Fui assistir ao funeral do Professor Bernstein.
- Deve ter ouvido falar dele, sem dúvida. - Todo o mundo ouviu falar dele.
Eu era estudante do último ano da universidade onde ele leccionava antes de morrer.
- Posso oferecer-lhe um pouco de frango, Dr...? - Hans Kleve. Não.
Um pouco de queijo? Eu recomendo-o.
Ele foi enterrado na cripta familiar do Barão Frankenstein.
- Devo continuar? - Por favor. Por favor, continue.
- Sou o primeiro a reconhecê-lo. - Por aquilo que sou ou o que quer que eu seja?
A semelhança é muito grande. As suas actividades levam-me a uma só conclusão.
- E se eu for esse barão Frankenstein? - E é?
Ainda agora estava a afirmá-lo. Agora está a perguntar-me?
Porque está tão interessado nesse cavalheiro?
- Procuro conhecimento. - Conhecimento? Então é por isso
O meu nome é Frankenstein, eu admito-o. É uma grande família, como sabe.
Notável pela sua produtividade. Há vários clãs em todas as partes. Incluindo na América.
- Há uma cidade chamada Frankenstein na Alemanha. - Você é "o" Frankenstein?
- Há Frankensteins em Silesia. - Você é o Barão Frankenstein?
- Sim, Dr. Kleve. - Tinha certeza!
Eu disse-lhe que vim em busca de conhecimento. Quero aprender mais.
Quero ser o discípulo do doutor mais importante do mundo.
- O seu discípulo, Barão Frankenstein. - Muito meritório.
- E se eu recusar? - Não o fará.
Então, ou o emprego nas minhas investigações ou...
Isso não será chantagem? Uma má qualidade em um médico.
Eu vejo isso como uma reciprocidade mutua. O seu conhecimento pela minha ajuda.
E o seu silêncio?
- Não sou um homem fácil com que se trabalhe. - Poucos o são.
E quando tiver aprendido tudo o que queria saber...
...poderia mudar de ideia sobre guardar o silêncio.
Pergunto-me se posso confiar em si...
mas a incerteza é uma parte fascinante da vida, não é?
Eu corro os riscos se me aceitar como seu discípulo.
Onde estudou?
Com o prof. Anderson em Edinburgo, Karl Strauss em Viena...
Basta!
A minha prática é insignificante. Quando começamos?
Deve ter grande precaução quando se dirigir a mim.
O meu nome é Stein. Victor Stein.
Sim, claro. Do clã austríaco ou suíço dessa família?
Será o da Suiça. Tem um clima estimulante. Por favor, junte-se a mim.
Depois do jantar, mostro-lhe o meu laboratório.
- Boa noite, doutor. - Boa noite.
O outro está lá em baixo, à sua espera.
Não é o melhor lugar para um laboratório, mas é o ideal para os meus propósitos.
Cuidado! Seria uma pena perdê-lo... tão cedo.
Surpreendido? Originalmente isto era uma adega.
Karl, este é o Dr. Kleve. Ele vai trabalhar connosco.
- Precisamos mesmo dele? - Oh, sim.
O Dr. Kleve apresentou-se no momento certo.
O doutor confia em mim, Karl. Espero que você também confie.
Este é o Otto, o nosso chimpanzé. Karl, trouxeste o pacote?
Sim, doutor. Está aqui.
- Esse é o braço do carteirista! - De facto, é mesmo.
Necessitam-se de dedos sensíveis para estar nessa profissão. Será muito útil.
Agora, venha aqui.
O que é isto?
- Um cérebro. - Um cérebro?
Se pormos as mãos junto do fogo, o que a faz mover?
- Os nervos. - Exactamente.
Os nervos da mão enviam uma mensagem ao cérebro.
O cérebro activa os músculos para retirar a mão.
Não põe a mão perto de fogo, se o ver antes.
O olho reconhece o fogo como um agente doloroso.
Deixe-me demonstrar.
Agora observa. O cérebro, a mão, os olhos.
Vigia os olhos.
Fascinante, não é?
Então isto tudo é um cérebro.
Toda esta barafunda e só é capaz de uma única simples reacção.
Imagina a complexidade do cérebro humano, um milhão de vezes mais eficiente.
Controla cada acção e cada reacção, armazena recordações, motiva toda a vida.
- Isto foi só o que fui capaz de fazer. - Mas é espectacular. Nunca vi coisa igual.
Não? Não, acho que não vistes.
Sabes que eu...que esse Frankenstein foi condenado à morte?
- Sim. - E sabes porquê?
Todo o mundo sabe. A história converteu-se em uma lenda.
Criou um homem que se converteu em um monstro.
Deveria ter sido perfeito. Fi-lo para ser perfeito.
Se o cerebro não fosse danificado, a minha obra teria sido a maior criação da ciencia.
Frankenstein teria sido aceite como um génio.
Em vez disso, foi enviado para a guilhotina.
Jurei que me vingaria. Nunca se vai livrar de mim.
Isto é algo de que estou orgulhoso.
- Quem é? - Ninguém. Ainda nem nasceu.
Mas desta vez ele é perfeito.
Excepto por algumas poucas cicatrizes, ele é perfeito.
E criaste este corpo a partir de outros corpos?
Sim. O meu trabalho no hospital para pobres serve-me muito bem.
Tudo o que preciso é de um cérebro e então posso dar-lhe vida.
Visto o resultado disto. E foi apenas a minha primeira tentativa.
Mantenho isto para me recordar da impossibilidade da tarefa.
O cérebro deve estar vivo. E diferente dos membros, a vida não pode ser restabelecida...
...uma vez que tenha desaparecida. O cérebro é vida, assim temos que usar um cérebro vivo.
- Mas isso significa um assassinato? - Não necessariamente. Tenho um voluntário.
Está aqui, neste laboratório.
Não, Hans, tu não.
O teu cérebro é demasiado valioso onde está. Ele está ali.
- Queres dizer o Karl? - Sim. Fizemos um acordo.
Se ele me salvasse da guilhotina, eu lhe daria um novo corpo.
Mas a sua paralisia indica uma lesão cerebral.
Eu examinei-o. A sua paralisia deve-se a um coágulo de sangue. Pode ser dispersada na operação.
Karl tem um bom cérebro. É rápido, inteligente...
...e já absorveu muitos conhecimentos desde que trabalha comigo.
O meu cérebro está à disposição do Dr. Stein.
Desde que ele me livre...
...disto.
- Tem bastante fé no Dr. Stein? - Pois tenho.
Está certo de que pode ser feito?
A operação será um completo êxito.
Há uma jovem mulher à sua procura, doutor.
Ela é uma verdadeira senhora. Tem um perfume...
Deve ter vindo ao consultório errado. Onde está ela?
No seu escritório.
Bom dia.
Bom dia. O Dr. Stein não está aqui, pois não?
Não, não. Ele está numa consulta na cidade.
- Não quer sentar-se? - Sim, obrigado.
- Não se importa que me limpo? - Não, esteja à vontade.
Sou Margaret Conrad. Vou trabalhar aqui.
Oh? O doutor não me disse nada.
O meu pai é o ministro. O Dr. Stein já foi informado.
Estou a ver.
Devo ver os doentes. Fazer compras, para eles trazer coisas como tabaco...
...papel para escrever, sabão.
Estimada senhora. Eles mal se lavam e nunca escrevem.
Mas estou certo de que encontre muitas coisas para fazer.
Obrigado. Não o vou desapontar. Nem ao Dr. Stein.
- Oh, eu... - Karl, esta senhora vai trabalhar aqui.
- Querias algo, Karl? - Eu ia... Não, eu posso esperar.
- Se é assunto profissional, eu vou deixá-los. - Não, por favor.
Eu voltarei.
- Quando estendi a mão, não me dei conta. - Parecia bastante impressionado consigo.
- É um paciente? - Não, ele ajuda o Dr. Stein.
Há um cérebro muito saudável nesse corpo desafortunado .
Tem certeza de querer trabalhar aqui?
Estou totalmente certa.
Fiz o que pude para dissuadi-la mas seria inconveniente...
...se tivesse que deixar o hospital por causa do seu pai.
Parece uma jovem muito determinada.
Mande-a lavar um paciente. Isso deve assustá-la.
- Estás pronto? - Onde vamos?
Ao laboratório. Esta noite vamos dar ao Karl o seu novo corpo.
Tu querias aprender, vamos!
- Karl, estás pronto? - Sim, doutor.
Bom.
Obrigado.
Continua a olhar para ele. Em breve, esse serás tu.
Pronto.
Isto é para preservar o corpo.
- Fluido embalsamador? - Sim.
Hans.
Mantém isso constante a 80.
Dr. Stein!
Anestésico!
Rápido!
Desliga!
Certo.
- Quando recobrará a consciência? - Em mais ou menos uma hora.
O seu cérebro levará algum tempo para se ajustar ao novo corpo.
Deve ter um repouso absoluto e evitar qualquer movimento violento.
Como precaução, vou mantê-lo com as correias por alguns dias.
Foi uma operação magnífica. Aprendi muito com isso.
Obrigado pela sua assistência. Isto é só o começo do nosso trabalho.
Deve ser altura de alimentar o Otto.
Sim, é mesmo.
Essa era uma das tarefas de Karl. Vou fazer isso por ele.
Pergunto-me o que ele pensará de tudo isto.
Estaria muito interessado, se ele soubesse. Nas minhas anteriores experiências...
...usei répteis. Substitui o cérebro de um lagarto por o de uma rã.
O lagarto tentou saltar. Mas fisicamente era incapaz disso. Provei a minha teoria.
O cérebro continua a sua função normal sem ter em conta o seu "invólucro".
Mais tarde usei antropóides.
Dei ao Otto o cérebro de um orangotango.
- Teve sucesso? - Pode ver por si mesmo.
Quero o Karl por perto, onde o possa vigiar.
Temos que o levar para o hospital. Preparei um quarto especial.
- Não será perigoso depois da operação? - Não se tivermos cuidado.
Tenta relaxar.
Estás em segurança agora.
Vai ter algumas dores quando a anestesia desaparecer.
Karl.
Karl, podes ouvir-me?
Fizeste um progresso magnífico na última semana.
Estas são necessárias por algum tempo. Lamento.
Não será por muito tempo.
- Hans? - Sim.
Agora...
Reflecte a luz sobre o seu olho direito, está bem?
Mantém isso quieto.
Agora, no da esquerda.
Sim, excelente.
Karl, tenta mover o teu braço esquerdo.
Esquerdo.
Agora o direito.
Há muito poucas coisas de mal contigo, Karl.
Parabéns.
Vou dar a ronda agora. O Dr. Kleve ficará contigo.
- Verifica as correias. - Sim, claro.
Excepto pelo movimento do seu braço direito, as suas reacções são excelentes.
Fala com ele. Mantém a sua mente activa.
Quando ele mostrar fadiga, dá-lhe um destes.
Vou ao laboratório assim que terminar a ronda. Se precisares, manda chamar-me.
- Tens a tua chave? - Sim.
Karl, vais levantar-te e usar aquelas roupas muito em breve.
Dr. Kleve?
Sim, Karl?
Quando poderei ver o meu novo corpo?
Muito em breve. Acho que ficarás orgulhoso.
Dr. Kleve, o que vai...
...acontecer-me depois?
Oh, há grandes planos para ti.
Virão médicos e cientistas de todo o mundo para te verem.
És uma pessoa muito importante agora. O Dr. Stein dará conferências.
Vão ver-te, um homem normal com um corpo normal...
....ao lado do teu velho corpo
Toda a minha vida olharam para mim...
Agora será diferente. Terás um grande papel no avanço da ciência médica.
- Tens dores? - Não.
Acho que é melhor descansares agora. São demasiadas emoções por agora.
Toma.
Bebe isto.
Olá, Ned. Continuas a sofrer?
- Como está hoje? - Melhor, senhorita, obrigado.
Precisas de algo? Sabão, papel de escrever ou tabaco?
- Quero um pouco de tabaco. - Nenhum sabão?
Nunca o uso.
Miss Conrad, devo pedir-lhe que se mantenha fora desta sala quando estiver de serviço.
Tens alguma coisa para fazer? Então vai fazê-lo.
Sim, senhor.
Ele é um patrão maligno, não é?
Como se atreve!
Desculpe, miss, mas se soubesse o que eu sei...
É cruel. Ele corta-os, sabe?
Vivos.
Não diga tolices.
Deixe-me dizer-lhe que ele trouxe um novo há algumas noites atrás.
Está num estado horrível. Gritando ruidosamente.
- Não acredito em uma só palavra. - Pode vê-lo por si mesmo.
Mantêm-no num quarto especial, isolado. Fechado à chave.
Então talvez deva vê-lo. Assim talvez acredite que está a dizer a verdade.
- Mostra-me o caminho? - Claro que sim.
Sei onde guardam a chave mestra. Não sabem que o sei.
Sei de muitas outras coisas que poderiam surpreendê-la.
Espere aqui. Vou buscá-la.
Oh, poderia levar o meu tabaco agora? No caso de me esquecer.
Obrigado.
Feche a porta quando terminar. E devolva-me a chave.
Desculpe. Está acordado?
- Miss Conrad, é você. - Como sabe o meu nome?
Encontramo-nos antes uma vez. Não se recorda de certeza.
O Dr. Stein enviou-a para me ver?
Não. Só vim ver se...
...se você estava confortável.
Obrigado.
- Bem, entre. - Obrigado, doutor.
Oh, a sério...não pretendia...
Bem, mas se insiste.
- Aqui está. - Obrigado, doutor.
Assim está melhor. O ideal para um dia frio.
Se usa-se mais essa vassoura, não teria frio.
Como está o paciente especial, doutor?
- O que sabe sobre ele? - Nada.
Nada de nada, excepto que é especial. O que é que ele tem de diferente?
Não tem pulgas?
Se você se lavasse, não tinha pulgas.
Eu, lavar-me? Claro que não, apanharia uma "neumonia".
Tenho as minhas pulgas e elas mantém-me com saúde e com força.
Qual é o seu trabalho?
Não tenho trabalho.
Em breve conseguirás algum. Vais esquecer-te da tua doença.
Vou ajudar-te quando estiveres melhor. Deves vir e vir ver-me.
Posso escrever-te a minha morada?
Vou colocá-la no seu bolso.
Estas correias...magoam-me.
Estão bastante apertadas. Eu vou soltá-las um pouco.
Pense nos animais na selva. Não se lavam, mas estão sempre saudáveis.
Nunca ouvi dizer que adoeciam. Sabe porquê?
- Porque estão sempre sujos. - O que sabe sobre os animais da selva?
Ficaria surpreendido. Sei tudo sobre os seus hábitos.
- Porque também os pratica? - E o que há de errado com isso?
Eles estavam cá antes de nós, e ficarão muito depois de termos desaparecido.
Os macacos, por exemplo, tem uma boa capa de sujidade que os mantém quentes.
Muito para comer, muito para beber.
Aposto que se riem de nós, às vezes, hein?
Se tem fome, tem que cozinhar a sua própria refeição de batatas e carne...
Eles não. Se tiverem fome, esticam a mão e apanham uma banana.
Não se preocupam em cozinhar. E nem comem carne.
- Não a comem? - Carne? Claro que não.
Importa-se de que me sirva de outro, doutor?
Não? Obrigado.
O Otto comia carne antes da operação?
Não, descobri isso pouco depois da operação. Ele comeu a sua esposa.
- Comeu outro macaco? - Com o que é que havia de estar "casado"?
- Tornou-se um canibal? - Sim. Não tentei corrigir isso.
Ele tinha passado por muita coisa, e está perfeitamente feliz e de saúde.
Mas claro que...
Quero dizer, não poderia suceder a mesma coisa ao Karl?
Não. Desde que o seu cérebro tenha tempo suficiente para se curar.
Otto estava inquieto depois da operação.
Rachou uma das partes do seu cérebro.
O Karl sabe o que aconteceu ao Otto?
Claro que sim. Ele estava a par de tudo.
Sabe o que poderia suceder-lhe, assim não tomará riscos desnecessários.
Hans, acabei hoje uma coisa.
Gostaria de lhe mostrar.
Que pensa disto? Acho que estaria interessado.
Antes de voltarmos ao hospital, quero que me ajude a metê-lo no tanque.
Quem está ai em baixo?
Onde estás?
Besta infiel!
Estás aí!
Acho que vou partir-te a cabeça.
Eu vou-te ensinar.
Não me bata, por favor.
Não te vou bater.
Agora vou ter que te bater mais um pouco...
...para compensar todo o estrago que fizeste.
Levanta-te!
Como? Estava a dormir quando o deixei. Dei-lhe um sedativo.
Como pode ter-se libertado das correias?
"Porquê," não "como." Há sempre uma ração para o porquê.
- O que aconteceu? - Não me recordo.
Domina-te! Diz-me!
Eu contei-lhe os teus planos para o seu futuro.
Contaste o quê? Idiota! Idiota estúpido!
Não sabes nada sobre reacções humanas?
Vamos pensar. Para onde poderia ir?
O laboratório.
Veja!
Queimou o seu velho corpo.
- O porteiro o interrompeu. - E se na luta o seu cérebro se danificou?
Mais cedo ou mais tarde vai precisar da minha ajuda. Vai ao Hospital buscar ajuda.
- Mas não devíamos procurar? - Faz o que te digo!
Obrigado, Joseph. Vou já. Só vou ver os Póneis.
Olá, queridos. Que tal um pouco de açúcar?
Um torrão de açúcar da Mamã?
E tu? Tenho um pouco para ti.
O que estás a fazer aqui?
Tive que fugir. Disse que me ajudava.
O Dr. Stein sabe que deixou o hospital?
Não, não lhe diga, por favor! Por favor não lhe diga!
- Será melhor que venha comigo. - Não, Deixe-me ficar aqui.
- Precisa de cuidados. Devo dizer-lhe. - Não!
Karl, não pode ficar aqui, não desta maneira.
Tem sido amável comigo. Por favor, por favor...
...não ao Dr. Stein!
Se prometer não lhe dizer, fica aqui até que eu volte?
Não demoro muito.
- Tente descansar o mais que puder. - Sim, doutor.
Hans, tenho que falar consigo. É urgente.
Venha ver-me de novo em alguns dias.
Encontrei o Karl esta manhã. Está em casa da minha tia, no estábulo.
- Tenho que dizer ao Dr. Stein! - Não, não. Karl tem medo dele.
- Lamento. Tenho que lhe dizer. - O pobre homem está fora de si.
Prometi que não lhe levava o Dr. Stein.
- Então é melhor eu ir. - Tenho uma carruagem.
Por favor!
- Ele estava com dores. Penso que o estou a ajudar. - Claro que sim.
Karl, trouxe o Dr. Kleve.
Mas ele estava ali! Deixei um dos moços com ele.
Onde está o homem que pedi que vigiasses?
Não sei. Fui dar água aos cavalos. Quando voltei, ele tinha sumido.
Tenho que ir dizer ao Dr. Stein. Fique em casa!
- Oh, pára com isso, certo? - Porque estás aborrecida?
Porque achas? Estamos aqui á meia hora e tu só sabes observar formigas.
As formigas são interessantes. Podes aprender bastante com as formigas.
- Não aprendeste muito. - O que queres dizer?
Elas não se sentam toda a noite. Elas "avançam" com isso...
- Com o quê? - Eu vou para casa!
Boa noite, Gerda.
Ainda falta muito?
Estamos no parque agora.
A casa da condessa está a umas três milhas.
Não podemos ir mais rápido?
Acho que eu sou o culpado disto...
Mas achei ser mais prudente ir eu mesmo. Quando a senhorita Conrad...
Deverias ter ido logo ter comigo! Mulher intrometida!
Porque paraste?
Oh,é você, Dr. Stein. Desculpe molestá-lo.
Houve um assassinato na vizinhança.
Posso ajudar? Este é o Dr. Kleve.
Se puder examinar o corpo, gostaríamos de um relatório.
- Com certeza. - Por aqui, senhor.
- Quando aconteceu? - Há quase uma hora segundo este rapaz.
Viste quem a atacou?
Quando ele ouviu a rapariga gritar...
...ele gritou e o homem fugiu depressa. .
Se foi um homem.
O que quer dizer?
O rapaz disse que ele tinha uma forma estranha. Quase como um animal.
Mas claro que ele só o viu de relance.
- Isto não é mais que um assassinato normal. - Revistou o parque?
- Completamente, senhor. - Não posso fazer nada. Envio o relatório.
Obrigado, senhor. Desculpe tê-lo atrasado.
Nada contra compositores ingleses, mas eles não se sabem soltar.
- Nem mesmo o Handel? - Mas esse foi roubado à Alemanha.
- Dr. Victor Stein, Dr. Hans Kleve. - Dr. Stein, sempre conseguiu vir.
- Gostaria de falar com a sua sobrinha. - A noite ainda é jovem. Vera, querida!
- Desculpem-me. - Com certeza.
Quando encontrou o Karl no estabulo, era o mesmo do hospital?
- Sim, mas muito aterrorizado. - Essa foi a última vez que o viu?
- Tem certeza de que ele não voltou cá? - Sim.
Frankenstein!
Frankenstein.
Ajuda-me.
"Frankenstein, ajuda-me!" Essas foram as suas últimas palavras.
- E depois? - O pobre homem caiu morto.
Stein e o jovem Kleve levaram-no da sala. Convoquei esta reunião logo de seguida.
Agiu correctamente, Dr. Molke.
Mas temos que decidir agora, cavalheiros. Será esse homem o Frankenstein ou não?
Enquanto esperava que os membros veteranos se reunissem...
...estudei os velhos registros relativos a esse Frankenstein.
A sua descrição encaixa no nosso amigo, o Dr. Stein, de modo muito preciso.
Dr. Stein, imploro que me escute!
Fuja daqui, atravesse a fronteira!
- Podemos começar de novo noutra parte. - Não há pressa.
Mas todos ouviram o Karl a chamar-lhe Frankenstein!
O Molke estava lá. Informará o Conselho Médico.
Tomarão medidas. É a ocasião porque todos eles esperavam.
Sempre corro o risco de ser identificado.
- Fiz planos em consequência. - Mas...
Estarei no meu consultório amanhã de manhã, como sempre.
A sua sala de espera está deserta. Toda a cidade sabe quem é você.
Fui convocado pelo Conselho Médico.
- Vou contigo. - Isso seria uma loucura.
Não tenho nada a temer deles. O que podem provar?
No caminho, tenho algo a contar-te.
- Cavalheiros, nego-o absolutamente! - Nega que o seu nome é Frankenstein?
Já consultou um directório de estradas de qualquer cidade na Europa central?
Encontrarão dezenas de Frankensteins. Eu sou um Frankenstein.
Eu ouvi falar desse Barão Frankenstein, que criou esse monstro, há três anos.
Não desejava ser prejudicado por esse nome aqui, por isso mudei-o.
Mas a assombrosa parecença?
Essa é uma acusação monstruosa! Inspirada por ciúmes.
Barão Frankenstein...
Dr. Stein!
Dr. Stein.
Como explica que esse homem o chamou Frankenstein?
Pelas mesmas razões que vocês também tenham, imagino.
Acho que uma pequena prova, mais que um monte de boatos, seria mais vantajosa.
- Um momento. - Sou um homem ocupado. Bons dias.
Dr. Kleve, ainda não o interrogamos a si.
Certo, abra o caixão!
- O chapéu de um sacerdote! - Rosario.
Tínhamos razão. Frankenstein não está morto.
Ele pediu provas. Agora já as temos.
- Como está a cabeça, Kleiner? - Não ponha as suas asquerosas mãos sobre mim.
Não seja idiota. Tenho que ver isso.
Mantenha as suas mãos assassinas longe de mim, Frankenstein.
Sim, foi isso que eu disse. Frankenstein!
Fugitivo da forca. Assassino. Mutilador.
Doutor, doutor!
Estão a matá-lo ali.
- Matando a quem? - Ao Frankenstein.
Sobre a cama.
- Hans. - Não fales.
Não vale a pena.
Tu sabes o que tens a fazer.
Sim, eu sei.
Que tipo de lugar é este?
Tenho uma ordem de prisão contra Victor Stein!
Entre, inspector.
- Onde está ele? - Por aqui.
O que aconteceu?
Os seus pacientes no hospital enlouqueceram e fizeram-no aos pedaços.
Trouxe-o aqui e operei-o na esperança de lhe salvar a vida.
O corpo deve ser enterrado em solo não sagrado.
Como deveria ter sido há três anos!
Peço ao céu para ter a destreza para fazer isto.
LONDRES
Foste um discípulo excelente, Hans. Esta cicatriz mal se vê.
A sua próxima paciente está a sua espera, Dr. Frank.
Obrigado.
Lady Benborough e Wendy.
Como é bom vê-las.
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