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Olha. O que é isto?
AMO-TE
A mamã vai trabalhar, querido. Vou trabalhar.
Sim. Não queres dormir mais um pouco?
Sim. A mãe vai sair.
- A mamã vai agora. - Não chores. A mamã vai trabalhar.
- Ele não quer. - Adeus!
Ela tem de ir.
VOU LEVAR A MINHA MÃE AO PILATES. O CARRO AVARIOU.
DEVO-TE UM BEIJO.
Caraças, podia fazer isto a manhã toda.
- Vou à casa de banho. - Claro. Tudo bem.
NÃO ACREDITO
- Olá. Quero dizer… - O que foi?
Tudo bem. Continua. Eu vou só…
Claro, mas…
Vou tomar um duche. Não me importo. Tudo bem, querida.
Vou só tomar um duche. Faz a tua cena.
Para o duche!
O MEU ESPAÇO
DEFINIR LIMITES JÁ
VALÉRIA
BASEADA NOS ROMANCES DE ELÍSABET BENAVENT
4.2 A LUZ
Então, voltaste para um beijo de despedida, Georgina?
- Posso usar o teu WC? - Algum problema com o teu?
Não. É uma longa história, mas ainda bem que já vives perto.
Certo. Então, que se passa?
- O WC. - Sim.
- Onde? - Ao fundo do corredor.
Obrigada. A propósito, o teu apartamento é muito bonito!
Sim…
Não há papel higiénico.
Acho que o Bruno está muito à vontade no meu apartamento. Obrigada.
Ultrapassou certos limites pessoais sem falar sobre isso.
Bem, era de esperar.
A intimidade aumenta com a convivência.
A do Bruno aumentou demasiado.
Não sei se estou pronta para tanta… intimidade.
Eu estou, mas a Georgina nem por isso.
Ela nem toma banho aqui.
Talvez não seja por não querer. Talvez não consiga.
- Quando montas os móveis do WC? - Quando acabar de montar os do quarto.
Quando será isso?
Depende do tempo que demore com os da sala.
Não tens mobília. Como consegues viver aqui?
- Não vivo. Passo o dia no escritório. - E arranjaste esta casa porquê?
Para criar um lar onde a minha namorada se sinta à vontade o suficiente
para invadir a minha intimidade e venha viver comigo.
Bom, passo por cá com as meninas esta semana e ajudamos-te.
Muito bem. Diz-me. Como estou?
Perfeita.
Do género, "Sou uma mãe trabalhadora"
ou "Continuo a ser a mesma pessoa, mas com mamas maiores
e ainda mais estrias"?
- Perfeita do género… perfeita. - Claro.
- Vais arrasar no teu primeiro dia. - Claro. Céus, estou a suar tanto.
TEM UM GRANDE PRIMEIRO DIA, MAMÃ.
O quê?
Que fofinhos.
É a primeira vez que estarei longe dele.
Não, mas preciso de me reencontrar. Sim.
E se ele não quer o biberão e faz greve de fome?
Apesar de sempre ter corrido bem contigo.
- Pronto, Dr. Jekyll e Sra. Hyde. - O quê?
Na pior das hipóteses ficamos sem bodies lavados.
- Sim, tens razão. - Se isso acontecer, eu resolvo.
- Envia-me fotos e vídeos para eu saber… - Eu envio-te tudo. Vai-te a eles.
- Vai-te a eles. - Sim, vou-me a eles.
- Espera. Não, é… O quê? - O que foi?
O que foi? É o Gonzalo, o trabalho ou o quê?
Não sei. Não tenho a certeza.
Está tudo bem. Vais trabalhar. Tu queres trabalhar!
Para o trabalho!
Toma. Segura aqui.
Meu querido, não te dei um beijo de despedida.
Adoro-te. És o mais fofo, o mais inteligente, o mais que tudo.
- Adeus! - Até logo.
Onde estavas?
Fui… buscar chá. Chá branco. Tinha acabado.
- Fiz-te torradas. - Obrigada.
Mas quando como torradas, faço-as de maneira diferente.
Como?
Ponho abacate e não as deixo queimar.
Entendido.
Queres sumo para empurrar isto para baixo?
Os copos?
Desculpa. Mudei-os de sítio.
Não trabalho sem beber café na minha caneca.
Certo. Mas eu não bebo sumo numa caneca.
- Não vivo num apartamento de estudantes. - De certeza?
Tudo sabe melhor nesta obra genial do marketing.
Que tentador.
Estava quase vazia e abri outra.
Esta ainda tem.
- Só tem polpa. - E estás a deixá-la para mim.
Já que gostas de abacate, pensei: "Ela deve gostar de polpa."
Acho que vou trabalhar.
- Não comes pequeno-almoço? - Escrevo melhor de estômago vazio.
A crise climática é um problema político que tem sido ignorado até agora.
Estas consequências não são apenas climáticas…
As ondas de calor tornar-se-ão mais intensas e vão durar mais,
apesar de não ser só o clima que faz subir a temperatura do corpo.
Por isso, é importante que os nossos líderes estejam juntos.
Idealmente, devem estar juntos em privado.
Quanto mais cedo, melhor.
Pá, leva isto a sério. É importante.
Os tratados antigos não funcionam.
A situação atual requer novos acordos.
Nesse caso, os políticos prometem
estender a mão aos empresários para essa reunião de emergência.
Os empresários ponderarão participar nessa reunião.
Os políticos satisfarão as necessidades dos empresários.
O que for preciso para acabar com este… calor.
Aquecimento global.
Aquecimento global.
Meu Deus.
Bom dia!
Carmen. Bem-vinda.
Obrigada. Não.
Estão todos escondidos para me surpreender, não é?
- Que fofos. - Estão numa reunião.
Sim, claro.
- Onde mais estariam? - Chegaste a tempo.
- Vou entrar, então. - Está bem.
Merda.
A questão do perfume está resolvida.
A equipa da Inma trata disso, mas coordenem com todos os outros.
Muito bem, Inma. O cliente está radiante.
Bom trabalho. Continua.
Sebas, és incrível. Muito bom.
A sério. Mesmo. Parabéns.
Muito bem.
E… tu.
Trabalha mais, sim? Obrigado.
Bom, agora que isto está resolvido,
vamos ao tema principal, a aplicação de encontros.
Mas, primeiro, quero dar as boas-vindas à Carmen
que regressa hoje da licença de maternidade.
Parabéns, Carmen.
Obrigada. Olá.
- Bom… - Muito bem.
Vamos lá ao tema. Sim?
Temos de nos concentrar na campanha da aplicação de encontros.
Ideias. Vamos ouvi-las.
OLÁ!
Disseste alguma coisa?
Sim, estava a dizer…
Estava a dizer que…
- Ideias. Podemos… - A facilidade em despachar alguém.
Poupa o embaraço de rejeitar alguém pessoalmente.
Se o foco for errado, pode dar problemas.
Joaquín, damos a volta.
Tens mais sorte com a aplicação do que andares às cegas na vida real.
Joaquín, menos hipóteses de rejeição.
O problema é esse, Sebas. A ideia de rejeição.
Bom, vamos concentrar-nos… Vamos concentrar-nos, está bem?
Certo, concentremo-nos no interesse.
Exatamente, porque, através da aplicação,
conheces pessoas muito mais interessantes do que quando namoriscas quando sais.
Eu acho que também conheces pessoas muito interessantes quando sais.
Na verdade, há sítios onde…
Onde podes apanhar uma DST. Cala-te.
O que tento dizer é que é muito mais agradável
ter uma conversa calma no telemóvel
do que fazê-lo aos gritos e com a música aos altos berros, certo?
Pode ser o teu caso.
- O quê? - Não, ouve-me, Carmen.
Digo isso porque a aplicação destina-se aos mais novos.
O que dizes é bom para as pessoas como tu, com mais de 40 anos e com filhos…
Primeiro, tenho 30 anos. Por isso, respeitinho.
Qual é o mal de ter mais de 40 anos?
Nenhum.
Qual é o mal disso?
Nenhum. É a idade…
… em que descobrimos quem realmente somos.
Não é?
Não é verdade? Sim.
Além disso, sou mãe em casa, mas, aqui, sou uma profissional de publicidade.
E esses dois mundos podem ficar separados. O que foi?
Não.
Não. Bom…
Claro. Vou só…
Vou à casa de banho num instante.
Porque não? Está bem.
- Carmen, vou contigo? - Não.
Nem vão reparar que não estou. É só um segundo. Nada de mais, está bem?
Até já. Obrigada, amigos.
Ai não tinhas?
Vira.
- Cuidado. - Pronto.
Muito bem.
As meninas vêm ajudar-me… a montar.
Talvez pudesses trazer as tuas amigas também.
Dá-me um dos pés.
Que me dizes disso das tuas amigas?
É estranho.
Pensei que fosse giro as nossas amigas conhecerem-se.
Juntar os grupos.
Não sei. Não estou a ver.
Pé.
E porquê?
Porque não combinam.
Pé.
Não sei, Georgina.
Não queres deixar as tuas coisas aqui ou que as nossas amigas se conheçam…
- Não sei como vamos avançar se… - Pé.
Quantos pés tem esta coisa? É uma peça de mobília ou uma centopeia?
Pronto. Não te zangues.
Ouve.
Não chega nós combinarmos?
Temos todo o tempo do mundo para avançar.
Não, eu não tenho tempo.
O carro, o mecânico, a minha mãe.
Tenho de a ir buscar.
Está bem, Lola. Pode ter sido um pouco estranho.
Não é por mim. Não sei porque escondem que são tão chegados ao Víctor.
Meninas, falamos depois.
As pontas dos seus dedos roçaram um dos mamilos,
que se arrepiou com o contacto quente da pele dele.
Rapidamente ele começou a lamber…
Rapidamente ele começou a explorar outras partes do corpo dela.
Os ombros,
a cintura,
o umbigo, descendo em direção a…
Desculpa.
… descendo até à zona que ela teria mais prazer.
Primeiro, devagar.
Depois, cada vez mais rápido, de forma rítmica,
até ela saber que estava pronta…
Estás bem?
Vou apanhar ar. Vou ter com as meninas mais tarde.
Está bem.
Olhem!
- Que bom! - Olá.
O que é isto?
É um spa.
Não, querida. São bebés a flutuar muito confusos.
Onde está o jato de água, a sauna e a massagem?
Não há. É um spa para bebés.
Não percebo. Porque precisam disto? Ficam stressados com os chocalhos?
Tão giro que ele está.
Eu também ficava gira, enquanto oxigenava a minha pele.
Que giro.
- Vamos ver. - O que se passa?
Não é nada.
Nada. É só que,
no trabalho, não me consideram tão capaz como quando não tinha o Gonzalo.
Veem algo diferente em mim agora?
Não! Nem pensar.
Vemos-te menos. Isso sim.
Pois.
Não percebo porque é que todos te tratam de forma diferente quando és mãe.
Meninas!
- Não era uma pergunta retórica? - Não.
Não posso dizer porque não sou mãe, mas…
És a mesma, mas com mais olheiras.
Sim.
Não posso falar disto com ninguém.
Nem as meninas entendem o que estou a passar.
Podes falar disso comigo.
Querido, eu amo-te, mas tu também não entendes.
Continuas a ser o Borja. Quer tenhas filhos ou não.
Quando regressaste, alguém te perguntou quem cuidava do Gonzalo?
- Não. - Estão sempre a perguntar-me.
"Coitadinho. Quem cuidará dele?"
"Deixei-o sozinho, como a sociedade fez comigo."
- Sabes como calar os preconceituosos? - Não.
Boa!
Com ações.
Tens de apresentar uma ideia que os deixe sem palavras.
Para que te aplaudam e se sintam parvos por te subestimar.
Certo, mas a reunião é amanhã.
Teria de fazer direta para arranjar algo.
Estamos habituados a isso, não estamos, minha pequena corujinha?
Além disso, não estarás sozinha.
Eu fico acordado para te ajudar.
- Sim? A sério? - Sim.
- De certeza? - Absoluta.
Que bom!
Não, querido.
Não.
Espera. Não te preocupes. Estou aqui.
- Assim. - Está tudo bem.
Como é viver com o Bruno?
Já não me lembrava de como é viver com alguém.
E o Bruno está demasiado à vontade.
E viver com o Bruno não deve ser assim tão difícil.
- Tenta viver com um universitário. - O quê? O Rai foi viver contigo?
Credo. O meu irmão veio passar uns dias.
- Como está o Rai? - Como está o Rai?
Queres adotá-lo? Já que estás tão interessada como ele está.
Espera lá. O Dani ainda não conheceu o Rai, pois não?
Falaste-lhe de mim?
Claro. Disse-lhe que adoravas mergulho e caminhada nórdica.
- Boa. - Lá vem ele.
O tipo de verde?
Não.
Ele sabe que estou com alguém, mas não que têm a mesma idade.
Tudo bem?
Rai. A tua irmã falou-me tanto sobre ti.
Muito prazer. Ela também me falou muito sobre ti.
Mas esqueceste-te de um grande pormenor.
Não achei que fosse importante.
Pensei que tinhas idade suficiente para não ligares a…
Como assim?
Adoro o Ibai. Não me disseste que o teu namorado era fã dos Porcinos.
- O quê? - Viste o jogo ontem?
O entusiasmo era enorme.
Foi brutal. Brutalíssimo. Passei-me.
Muito bem. Vamos.
- Obrigado. - Não vamos a uma esplanada?
Pensei que o plano era ficarmos pelo parque.
Trouxe-te cerveja sem glúten.
Sim.
Sim, o parque. Vamos beber umas cervejas no parque.
O que são "Porcinos"?
É da Kings League. Viste aquele shippar depois do stream da semana passada?
Não. Não era a sério, pois não? Era só um hosting.
Vi alguns streams. Estavam mesmo a atirar-se um ao outro.
Brutal. Que loucura.
Vá. Tira-me uma foto.
Nerea, a que horas passamos na tua casa?
Não, esta tarde não posso. Tenho Pilates.
Desde quando gostas de Pilates?
Desde sempre. É o exercício mais completo.
- Não era a natação? - É o boxe.
- Acho que é foder. - Há aqui crianças.
Dois, três, quatro, cinco.
Continuem.
Não é assim tão fácil.
Fazes Pilates há muito tempo?
Dez anos. E tu?
Dez segundos.
Pensava que era um exercício para idosos.
- Sou a Nerea. - Sou a Erika.
Baixem a cabeça. Pernas para baixo. Boa. Estiquem as pernas para a frente
e levantem os braços e levantem-se com um roll-up.
Olha, Erika.
Tens redes sociais?
Não vais acreditar, mas tenho um canal de culinária.
- Então, vou seguir-te. - A sério? Gostas de cozinhar?
Não.
Mas gosto de ver reels com receitas que nunca farei.
Erika, é a tua filha?
- Sim. - Não é nada. É a tua irmã.
Vá lá.
- São tão parecidas. - Obrigada.
Levantem as pernas, levantem a cabeça e ombros,
agarrem o tornozelo com ambas as mãos e puxem.
E tu? Tens passatempos?
E troquem. Isso.
Transformei o meu passatempo na minha profissão. Organizo eventos.
Bom. Vou fazer uma pausa, pode ser?
Sim, tenho o meu próprio negócio.
- Parabéns. - Sim, e acabei de me mudar.
O meu sonho é que a minha namorada… venha viver comigo.
E parem.
Fantástico. Muito bem.
Agora dobrem os joelhos e sentem-se com rocking.
E respirem.
Erika.
Tive uma ideia.
Podia fazer uma das tuas receitas para a minha namorada.
Talvez assim a convença.
Que responsabilidade. E se ela não gostar?
Algo me diz que a fará lembrar-se de casa.
Chama…
Chama…
- Vais sair? - Contigo.
Comigo?
Muito bem. E…
E para onde vou?
É uma surpresa.
Bom, vamos lá para… a surpresa.
Gostas?
- O quê? - Gostas?
Sim. Mas aqui come-se ou atira-se moedas?
É um sítio fixe, não é?
Queria fazer algo diferente.
Sim. Mas é um pouco estranho, não é?
Sim.
Eu só queria sair, como costumávamos fazer.
Não costumávamos ir ao circo, certo?
Não.
Mas fazíamos coisas divertidas.
O que foi?
Tens andado estranha desde que me mudei para Madrid.
- Vivermos juntos afeta-te, certo? - O quê?
Não, nem pensar. Cuidado.
Nem pensar. Adoro ter-te a viver comigo.
Férriz, sê sincera.
Não sei. Estás sempre à frente do portátil.
Porque tenho de trabalhar.
Se queres acabar o teu romance, devias fazer o mesmo.
Não queres que viva contigo.
Não é isso.
Mas podíamos, não sei… por exemplo, respeitar o espaço um do outro.
Claro, mas somos um casal.
Não somos colegas de casa que têm de partilhar um espaço.
Tu não partilhas. Tu apoderas-te.
Se não querias que me mudasse, não me devias ter convidado.
Não convidei. Tu convidaste-te a ti próprio.
Aonde vais?
Trabalhar.
Em tua casa.
2 MENSAGENS
QUERES SAIR UM DIA DESTES? COMO AMIGOS, CLARO.
COMO AMIGOS
CLARO
QUERES SAIR UM DIA DESTES? COMO AMIGOS, CLARO.
- O futuro das histórias… - Muda o…
A mudar as histórias do futuro. Certo? Ena!
ESTÁ BEM. COMO AMIGOS.
ESTÁ BEM. COMO AMIGOS.
Menina, eis as suas torradas, não queimadas,
com abacate e maçã.
E isto é porque?…
É um presente.
Queria pedir-te desculpa por me ter ido embora do restaurante.
Os artistas eram um bocadinho chatos.
Muito chatos.
Quando tenho prazos de entrega, consigo ser um bocadinho insuportável.
Não me leves a mal por isso.
- Não comes? - Não, tenho de trabalhar.
Quero ir à Cuesta de Moyano procurar livros. Queres vir?
Adorava, mas hoje, tenho de me concentrar no meu livro
e, se possível, acabar um novo capítulo.
Diverte-te.
- Adeus. - Adeus.
A ideia de os netos perguntarem aos avós onde se conheceram mudará para sempre.
ONDE SE CONHECERAM?
"Através de amigos", "no trabalho" ou "numa festa"
são respostas que darão lugar à história do futuro.
"Onde se conheceram?"
"Numa aplicação."
A mudar as histórias do futuro.
Não sei bem se é o conceito que procurávamos.
Não é mau.
Mas é um slogan que também se pode aplicar aos nossos concorrentes.
Não nos diferencia como únicos.
Porque não são.
- Desculpe? - Desculpe. Ela voltou de licença…
Desculpe lá, mas quem precisa de outra aplicação de encontros quando há imensas?
Ana, onde conheceste o teu namorado?
- Numa aplicação. - Claro. E tu?
Numa aplicação
para swingers.
Boa. Onde conheceu o Lucas?
Numa casa… Numa aplicação.
Ótimo. E tu?
Céus. Sebas!
Conheci-a…
Carmen, estou a ter uma branca.
Certo. Voltamos aí depois. Agora, não.
- Eu conto-te. Prepara-te. - Perfeito. Depois.
E… Não sei.
E uma aplicação para pessoas que se querem conhecer só porque sim?
Ou podemos mudar a nossa abordagem para a campanha.
E focarmo-nos, por exemplo, em… Quero dizer, isso…
Não.
Continue.
Uma aplicação para pais com filhos da mesma idade
que se podem juntar e falar dos problemas que partilham.
Ou para idosos que se sentem sós e procuram alguém para jogar petanca
ou para falar.
- Ficam íntimos depois disso? - Não, Ana. Não é para sexo. Não.
É uma aplicação de companhia,
para encontrar alguém que passa pelo mesmo
e que te entende.
Neste momento, adorava encontrar alguém que sabe do que estou a falar.
Bom, peço desculpa. Por vezes, as coisas misturam-se.
- E não conseguimos encontrar o ângulo… - Não, é diferente.
É único.
Então,
é um match?
Completamente.
Aliás, há muito tempo que não ouvia uma ideia tão boa.
- O que fazes? - E tu?
- E tu? - Ia tocar à campainha.
Estou aqui.
Sim, estou a ver que sim.
Estava aqui perto e pensei que podíamos ir beber um copo.
Se quiseres e puderes, claro.
O problema é que é tão repentino e não avisaste.
Sim, eu sei.
Espera. Tenho de fazer uma chamada. Desculpa.
Claro. Força.
Estou?
Sim, olá. Estava perto da tua casa e pensei que podíamos ir beber um copo.
Eu sei que é repentino e não avisei, mas…
Já tinha planos, amigo.
Posso ir também, amiga?
QUANDO SAÍSTE?
ACABEI DE CHEGAR A CASA. É URGENTE?
DIGO-TE SE VOLTARES.
E VAMOS BEBER UM COPO DEPOIS.
Sim, é verdade.
Quique, vou a caminho. Ainda estão no escritório?
… pés na bola.
- Olá. - Olá. Ali.
Claro. Aqui.
Olá. Como estás? Desculpe.
Olha. Estamos juntas outra vez.
Coitadinha. Devias ter ficado a descansar.
Nem pensar! As dores musculares desaparecem com mais exercício.
Tenho de repor os líquidos que perdi.
Queres ir beber um café?
Adorava, mas fica para outro dia.
- A minha filha vem buscar-me. - A sério?
Sim. O meu carro avariou.
Olha, chegou.
Vem. Eu apresento-vos. Ela tem a tua idade.
É muito simpática, inteligente, independente e bonita. Ela é perfeita.
- Vão dar-se bem. - Com quem falas?
Com… Com uma rapariga muito simpática que conheci no Pilates.
É incrível.
A coitadinha é tão trapalhona nas aulas, mas saiu a correr. Vamos?
- Vamos. - Até logo. Adeus.
- Adeus. - Como estás?
Porque me enviaste uma mensagem para sairmos juntos?
Bem, porque é isso que fazem os amigos.
Claro, mas não somos amigos desses.
Não somos?
Que tipo de amigos somos?
Do tipo que se veem quando a Lola convida ambos para estarem com um grupo
e que fingem não se sentirem constrangidos.
Não sei. Sair só os dois é… diferente.
O MEDO
Não tenho medo de estar sozinha contigo.
Tenho a certeza de que nada voltará a acontecer entre nós.
- Certeza absoluta. - Certo.
Está bem. É bom saber que concordamos.
Então, se concordamos, podemos ser amigos?
A INCÓGNITA
Sim. Claro.
- Claro. - Está bem.
Quique, pensei precisavas de mim no escritório.
Relaxar melhora a produtividade. Tens de provar isto.
Não.
Lola, vieste até aqui. Não podes ir. Vá lá.
Se disser "beef", o que te vem à cabeça?
- Um bife. Sei lá. - A sério?
Pensei que era a única. Graças a Deus. Vamos ver, dá cá.
Está bem.
Um segundo.
- Estou? - Olá. Como estás? Ainda demoras?
Estou a meio de uma reunião com os meus colegas.
E vocês estão bem?
Tudo bem. Na palheta.
Têm planos?
Estávamos a pensar encomendar pizas e ver um filme quando voltares.
Está bem. Posso demorar um pouco.
Não têm de esperar por mim.
Não, tudo bem. Estamos numa de relaxar depois do dia de hoje.
Claro. Relaxar. O que andaram a fazer?
Jogámos dois níveis de Dead Space.
Foi o máximo. O Exploder quase nos matou.
Foi incrível.
- Chegas a tempo de jantar? - Não esperem por mim.
Está bem.
- Está bem. - Adeus.
Até logo.
"Acham que tenho menos adivinhação do que os cisnes."
Isto é poderoso porque quando leres o teu livro, vais lembrar-te disto.
Porque é como…
A Vida Rosa. Tem que ver com isso?
- Sim. - É uma biografia.
Claro, mas tem um aspeto mitológico como de outro mundo…
Tem mitologia na biografia?
- Sim. - Tudo junto?
Sim. É como um espelho.
Ela usa a mitologia para nos dizer como se sentiu…
- Como se sentiu? - Sim.
- Entendo. - Sim.
Bem.
Bem.
Diverti-me imenso, amiga.
Não foi mau, amigo. E imbecil.
Deixaste a luz acesa.
Não. O Bruno está cá.
- Não vinha aos fins de semana? - Sim.
Sim, mas agora vive comigo.
Durante alguns meses.
Muito bem. Vou-me embora.
E ele deve estar à tua espera.
Vou-me embora. Adeus.
Legendas: Carla Chaves
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