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Nos episódios anteriores...
Os túneis. Você disse para não ir lá.
- Maman! - Mil maneiras de morrer lá embaixo.
Foi horas antes de eu achar você.
Sua mãe sofria, precisava de ajuda, mas não aceitava.
Me tire daqui. Por favor, Jean-Luc.
Tudo isso era parte do plano de Q? Você viver tudo isso?
Essa história não para aí.
Seja o que for, é irrelevante para o que estamos querendo consertar.
- Consertando, trazemos Elnor de volta? - Não sei.
- Se quiser... - O que eu quero
é tentar consertar a linha do tempo,
não falar do que senti ao vê-lo morrer.
Vou mostrar uma coisa.
Bem-vindos à La Sirena.
Gostaria de lembrar mais coisas
do que as vezes que salvei você.
Antes que você vá...
O que foi?
Erro. Teletransporte desativado.
Rios para Raffi. Estamos com grandes problemas.
Não! Não!
Você está numa encruzilhada.
Dois futuros.
Em um deles, você salva a humanidade da extinção.
Ou morre sozinho.
Renée embarca na espaçonave
e faz uma descoberta que torna a sua obra obsoleta, ou não.
Um homem vai atrapalhar você, como está me atrapalhando.
Picard?
Ponho você cara a cara com ele em minutos.
Também posso oferecer os meios para você se livrar dele.
Sabemos o que ela quer.
Jurati assumiu o teletransporte por um motivo.
A Rainha vem atrás da La Sirena.
Ela quer 400 anos de vantagem para assimilar a galáxia.
Quando eu tiver a nave, você terá o seu legado.
Se quisermos voltar para casa, precisamos defender a nave.
Se ela vem atrás da nave, não vem sozinha.
Não se preocupe, arde só um pouquinho.
É um teletransporte remoto. Não tenho como evitar.
Estão aqui.
- Quem? - Temos que ir embora da nave. Vamos!
Desculpe meter vocês nessa. Preciso tirar vocês daqui.
Armas.
Anda, vai!
Bem, já estivemos melhor.
Estou começando a me sentir eu mesma.
Se a rainha quer tomar a nave, precisamos defendê-la a todo custo.
Defender como?
- Só trouxe isso? - Sorte que deu tempo.
Reconhecimento. Fortificar posição. Vamos instalar armadilhas.
Certo, mas quanto tempo temos?
Nenhum.
- Escondam-se ali. - Vem!
- Ela está vindo? - Já está na nave, e com muito mais gente.
- Protejam-se! - Vai!
Ela quer nos encurralar enquanto toma a nave.
Você não vai tomar a nave.
Aí está você.
Eu ainda conseguia sentir você, ainda sentia sua tagarelice.
Sabe o que é tentar enforcar uma amiga e não poder fazer absolutamente nada?
É como ficar pendurada sem membros, impotente?
Eu tenho dado uma olhada nesse lixo de mente...
Aliás, uau!
Eu precisava entender.
Milhões de espécies, planetas,
e você sempre precisando de mais.
A perfeição leva tempo, querida.
Isso não tem nada a ver com perfeição, evolução nem nada disso.
Nunca foi o bastante porque você é como eu.
Solitária.
Fazendo uso do mesmo coloquialismo, nada disso.
Então por que não me matou? Pare!
Tome esta nave, e Soong vence.
Em 400 anos, a Confederação arrasa sua coletividade.
Quanta miopia e linearidade!
Você só enxerga o galho, não a árvore.
Agora já sabemos da ameaça da Confederação e vamos nos preparar.
O tempo está a nosso favor.
Erro. Código-chave necessário para acesso.
Opa! Lembra daquele sinal que você usava como fantoche para o seu borg?
Usei para pôr um cadeado fractal nos sistemas da nave.
É o maior peso de papel do mundo.
Eu arranco a chave da sua mente, mulher.
É, mas eu não sou idiota e não memorizei o código.
Não pude deter você, mas pude enrolar.
A nave consegue criar um holograma de qualquer um que esteve a bordo,
incluindo um de emergência.
HOLOGRAMA COMPLETO
Em que posso ser útil?
Codifiquei a chave digital no local mais seguro que encontrei: ele.
- Olá, Elnor! Quer brincar de bobinho? - Com prazer.
- Ela trouxe um exército. - Não, criou.
Não são pessoas, são borg.
Cubram os olhos!
- Mãe? - Sim?
Vamos jogar um jogo?
Que tipo de jogo?
Jogue o que for, só não quebre nada.
Maurice, precisa ser grosseiro?
- Está um dia lindo. - Guerras foram travadas em dias lindos.
A indústria e a descoberta, pelo que sei, não se permitem a menor chance de chuva.
Grosseiro.
É obra sua, não é? Isso que você ensina?
- Zombar do pai. - É notório.
Ah, é?
É um menino inteligente, mas entediado, com tempo demais disponível.
E como você tem passado, querida?
Eu andei percebendo que você tem estado mais presente.
Maurice...
Faz um bom tempo que não temos incidentes.
Isso é bom, muito bom.
Talvez as coisas estejam melhorando.
Maman, que jogo vamos jogar?
Que tal esconde-esconde?
Você fica aqui desse jeito,
cobre os olhos, conta até cinco e vai me procurar.
Um, dois...
Vamos!
Contei nove.
Agora oito, mas tem mais vindo.
Entrem. No três.
Um, dois, três! Vai, vai, vai!
Tallinn, teletransporte Rios, Teresa e o garoto.
- E nós? - Temos que salvar a nave.
Um borg com tecnologia avançada neste século?
Você consegue imaginar os prejuízos?
Eu vou levá-los, mas volto.
Tallinn, por favor!
Agora desligue.
Anda, vai!
Deite-o e ponha um lençol. Ele está em choque. Depois eu volto.
- Você não pode voltar. - Mas preciso.
Venha.
Não, não, não. Vá se ferrar, Picard!
ACESSO NEGADO
Me trancaram aqui.
Não tenho como ajudar.
Ele está ferido.
Ele acabaria morrendo se tentasse nos ajudar.
Não temos como atacar.
Vamos dar a volta.
Tallinn, use fogo de supressão. Vamos recuar e nos dividir.
Dividir?
Temos o dobro de chances nos dividindo e tomando.
Flanqueie-os no campo e tome a maldita nave.
É isso.
Picard!
Esperem!
Atirem, e vão receber muito pior.
Ou ouçam minha proposta.
Eu não sou um...
Bem, eu não era um homem violento, Picard. Isso tudo é muito novo para mim.
Ou a promessa de um legado revela o que há de podre escondido por baixo.
- Há um futuro pelo qual compensa lutar. - Também acho!
Preste atenção, você está em minoria, e meus novos amigos aqui...
Bem, eu soube que você já está familiarizado com eles.
Então eu acho que você vai ajudá-la a tomar a nave,
ela vai arrancar a Missão Europa de órbita amanhã,
e você vai ter seu futuro.
Então, por que a negociação?
O inimigo de qualquer experimento é a variável trapaceira: o desconhecido.
É o que você é para mim.
Portanto, faça um favor para nós.
Desista, se renda.
Eu sigo para o futuro por onde a resistência é mínima,
e você e seus amigos pelo menos vão ter um caminho.
E se recusarmos?
Aí vamos por um caminho bem mais lamacento,
e vocês vão morrer fugindo.
Maman, cadê você?
É só um esconde-esconde. Me encontre.
Maman!
É isso mesmo, esconde-esconde.
Então você vai ter que nos encontrar.
Que seja.
Atirem!
Precisamos chegar à nave.
- Temos que ir embora. - Sim.
Não há dúvida de que Soong já deve ter cercado tudo.
E o que você sugere?
Não dá para entrar nem para sair, mas dá para descer.
Há uma série de túneis debaixo da casa,
mas onde é a entrada?
Pense rápido, senão a lembrança vai sair pelo buraco na sua cabeça.
Maman, cadê você?
Mamãe?
Mamãe, eu sei que é você. Eu sei...
Meu filhinho!
Maman?
Sim?
Sim, eu sei.
Por que não continuamos em um lugar com menos luz?
Um lugar onde sua astúcia tenha menos recursos?
Nós temos que ir.
É só um esconde-esconde lá embaixo.
Mas, Maman, papai me proibiu de descer lá.
Nós vamos. Tudo vai melhorar.
Eu não vou ficar triste.
Quer ficar comigo?
- Então vamos, rápido. - É perigoso.
Você é minha luz, Jean-Luc.
A luz que sempre me traz à tona.
Descubra seu caminho. Me encontre.
Picard!
Aqui, rápido! Vamos!
Picard!
Mamãe?
Mamãe, cadê você?
Não estou gostando mais.
Maman?
Eu já vi este lugar. Na sua mente.
O que houve aqui?
Durante a Segunda Guerra,
a Resistência Francesa fez deste lugar um armazém para munições
e uma maneira de se comunicar com o front.
Depois, quando os nazistas invadiram, trancaram tudo.
Não foi isso que eu perguntei.
Na sua memória, este lugar era estranhamente escuro.
O que aconteceu?
Eu segui minha mãe até aqui embaixo
numa brincadeira de esconde-esconde e...
me perdi dela.
Ou melhor, ela se perdeu.
Bem, é um lugar bem perigoso para brincar.
Meu pai sempre dizia: "Há mil maneiras de morrer."
...mil maneiras de morrer.
Yvette? Jean-Luc?
Jean-Luc?
Jean-Luc?
Os túneis devem dar num alçapão lá no outro lado.
De lá, podemos retomar a nave. Vamos!
Vamos, hora de se armar. Temos o que fazer.
Olha só, falando igual a um capitão.
Você devia ter entrado na Frota.
Eu tentei. Depois da Voyager.
A Frota me barrou porque...
Você era borg?
Janeway quis ajudar, ameaçou sair, mas eu desisti e virei Ranger.
Estão aqui.
Temos 12 borg entre nós e a nave,
uma corrida de 50 metros num descampado,
e tudo que temos é um canivete e um saca-rolha.
E uma picareta.
Você realmente seria uma ótima capitã.
- Quando sairmos dessa... - Nós não vamos sair.
Não, provavelmente não.
Não há como você se esconder.
Olá.
Como ele está?
Dormiu rápido.
Metade apavorado, metade achando a coisa mais legal que ele já viu.
Eu era assim.
Deus o livre. O que está fazendo?
Religando as sub-rotinas, talvez consiga acessar o painel.
- Que tal religar seu cérebro? - Preciso ir.
E matar seus amigos por estar machucado demais?
Anestesiar a ferida não quer dizer que o braço esteja bom.
Sente-se.
Qual destes vai me ajudar a tirar uma bala?
Aquele, o tricorder.
Sério? Uma sala de emergência de bolso?
Muito legal, não é?
Você tem ideia do que é isso para mim?
Uma cura milagrosa cercada de milagres.
Saber, ganhando ou perdendo, que vou precisar deixá-los ir embora.
Mostre o braço.
Onde você está, Picard?
Procurem outras entradas.
Jean-Luc?
Maman?
Você está aí?
Você venceu.
E eu estou perdida.
Certo, então vamos subir?
Tomar chá, jantar.
Mais tarde, você pode me ensinar mais constelações.
Estrelas.
Sim, claro.
Sabia que o espaço é tão vasto e tão infinito,
que leva bilhões de anos para uma luzinha mínima
fazer sua jornada solitária desde a estrela até os nossos olhos?
O brilho que você vê no céu à noite, Jean-Luc, essa luz incrível,
não passa do eco de uma estrela que depois dissipou.
Tipo eu.
Quando lembrar de mim, Jean-Luc, prometa...
prometa que vai ignorar a frieza de uma estrela moribunda...
e lembrar apenas da sua luz
e do amor infinito que ela tanto sentia por você.
Yvette! Yvette!
Jean-Luc! Onde estão vocês?
Incrível. Só vi tudo isto tudo uma vez, e com os olhos de uma criança.
Está como você se lembra?
Vamos, temos que ir. Somos só nós dois.
Maman!
Maman!
Mais ou menos.
Jean-Luc, graças a Deus achei você!
O que houve com sua mãe?
Eu a encontrei, mas meu pai a levou e trancou naquela sala.
Por favor.
Me deixe sair, Jean-Luc, por favor.
Só você pode me salvar.
Só você pode me salvar.
Me deixe sair.
Aí eu abri a porta...
- O que foi isso? - Nos acharam.
Ali, aquela porta.
Está trancada.
Achei!
Afaste-se!
Não há como se esconder, viu?
E eu me escondi?
Raffi?
Elnor?
Eu não sou Elnor.
Não exatamente.
Mas dá para ficar feliz por rever você.
Senti saudade, Raffi.
Não temos tempo.
- Se der para acessar os sistemas da nave... - Estão bloqueados, Sete. A chave sou eu.
Jurati escondeu em mim o engrama com o código.
Ela segue enfrentando a Rainha.
- Elnor, me dê acesso. - Espere aí!
Se destravarmos os sistemas da nave, a Rainha vai poder acessar.
Daremos o que ela quer.
Não destravando, não tem defesa. Confie, eu tenho uma ideia.
- Já desbloqueei. - Certo.
Vou só abrir um caminho para o teletransportador. Espere.
Elnor, espere. Preste atenção.
Bem, eu sei que você não é exatamente ele. Eu sei disso.
Eu não deixei você comigo
por ter tido medo de você ficar sozinho.
Eu segurei você porque tive pavor de ficar sozinha.
Raffi...
Eu carrego a lembrança do último suspiro de Elnor.
Sei que as últimas sensações dele por você não foram de culpa, mas de amor.
Pronto, vamos.
Por onde?
À esquerda, mais abaixo do château, à direita, para os campos.
Vamos!
- Não, por aqui! - O quê?
Vamos.
Ativar teletransporte.
Faça o que for, mas rápido.
Eu os seguro o máximo possível.
Sete?
Ora, parece que estamos recuperando a vantagem.
Estamos quase saindo?
Tem uma saída no solário. Vamos!
Seu plano deu certo. Só detecto um borg a bordo.
- Sete... - Já vi. Transportando para a prisão.
É um inibidor de teletransporte.
Três contra uma não é muito justo.
Jurati, por favor, não nos obrigue.
Eu sei que você está aí e que sabe brigar.
Você não tem saída.
Não?
Sete! Não!
Computador, transferir os controles para mim.
Computador, traçar rota. Quadrante Delta.
Ganhamos 400 anos para expandir a coletividade.
Se eu não estancar o sangue, ela morre.
Não faça isso.
Já absorvi milhões de idiomas,
e elas têm algumas palavras em comum.
"Amor," com certeza.
"Esperança", "medo"
e uma outra ainda mais comum:
"futilidade."
Espécies prosperam sem amor.
Reinos são conquistados sem medo.
Mas é da natureza imperfeita de tudo que é orgânico
travar uma batalha invencível contra um oponente imbatível:
a morte.
Agora podemos ir para a nave.
Estou acostumado com ratos de laboratório.
Para pegar um, você não o segue pelo labirinto,
você o força a ir à superfície.
Por que esse choro?
O choro não é seu.
É meu.
As mesmas substâncias que você usou para tomar o controle,
dopamina e adrenalina,
não são fruto só de bebidas e canções melosas.
Tristeza, perda, desespero...
Quando você machuca meus amigos, a mesma sopa neural é preparada,
mas, agora, ela me permitiu retomar algum controle.
Impossível.
Você estaria quase lá se tivesse alguma piedade.
Soong, você não entende o futuro que está prestes a criar.
Vicejante, próspero.
Soube que somos amados por toda a galáxia.
Temidos.
O que é isto?
A história dos borg.
A única que importa, pelo menos: o final.
Como ela sempre termina:
uma assassina solitária de borg, a Federação unida, tudo...
Culpa da sua arrogância obscena, excessiva, digna de Ícaro.
Se sua arma for tagarelar, eu posso esperar.
- Não há tristeza eterna. - Faça a conta.
Neste, ou em qualquer outro universo, você sempre perde.
Por isso você luta tanto.
Em qualquer linha do tempo, sua espécie tem sua sentença de morte.
Vocês, tanto quanto nós, temem perdas.
Vocês desejam o que todos nós desejamos:
conexões,
longevidade, descoberta.
Mas vocês oferecem isso sem opção.
E eu pergunto: e se nós pedirmos isso?
Você e eu?
Finalmente algo que faz sentido.
A galáxia está cheia de vidas que precisam ser salvas.
Uma delas, aqui, sob seus pés.
Precisamos criar nosso próprio destino.
Capitães de naves ou capitães de indústrias,
para homens como nós, o amor e o medo
são a mesma coisa:
meios para atingir um fim.
Sua tropa seria composta por mortos,
recrutas de naves degradadas, de destroços espaciais?
- Teríamos de coletar sucata? - E oferecer segundas chances.
E se tomássemos esta nave e construíssemos borg melhores?
Uma coletividade real, calcada na salvação, não na assimilação.
Pense nisso.
Uma coletividade borg que abrace a singularidade de seus membros.
Você sugere abraçar a fraqueza.
Estou sugerindo que o que você chama de fraqueza é uma força.
Cooperação.
Sua proposta é absurda.
Mas não deixa de ser intrigante.
Imagine membros lutando com mais afinco pelo que escolheram,
sem perder lutas porque não tem inimigos
e sem ser descartados e substituídos.
Os afetos poderiam crescer e se aprofundar.
Como Sete.
Você também não a amou?
E ela não foi...
o melhor do que poderíamos ser?
Alguém que usou sua metade borg para entregar o melhor de sua humanidade.
Vamos construir um universo de Setes.
E vamos começar por esta.
É mesmo uma pena.
Num outro futuro, imagino que poderíamos ter ficado amigos.
Adeus, Picard.
- Sistema reiniciando. - Acho que deu.
- Em 10%. - E se eu quiser que não dê
- e que você não vá? - Em 20%.
E se eu quiser ver seu rosto de novo ou algo do tipo?
- Teresa, eu não sou daqui. - Por que não?
O futuro não tem seus heróis?
- Não tem? - Em 40%.
Já pensei muito nisso, acredite. Muito.
Mas este não é meu tempo.
- O futuro é seu, é dele. - Em 60%.
Só estou tentando protegê-lo.
E se seu futuro for aqui? E se era assim que devia ser?
Em 80%.
Em 95%.
Teresa, eu...
Por favor, não faça isso! Não, por favor!
Não, você vai matá-la!
Não precisa ser do futuro para usar isto, aposto.
Não.
Mas é preciso ter o DNA certo para destravar.
Se você segurar por muito tempo, enfim...
Bum!
Ela vai sobreviver.
Mas salvá-la teve um custo.
Jurati?
É você?
Sim.
Não.
Acho que estamos nos tornando algo novo.
Algo melhor.
Sete!
Preciso ir para a nave.
Aliás, disponha.
Me deixe sair, Jean-Luc.
Por favor.
Eu acabei abrindo a porta.
Estou tendo uma lembrança estranhíssima.
Siga-a.
Veja onde ela vai dar.
Há momentos na vida para onde gostaríamos de poder voltar.
Lembranças, fragmentos de vida vividos melhor ao contrário.
Nesses momentos, finais trágicos devem virar começos felizes.
Momentos de perda, virar ganhos.
E eu agora me lembro.
Num momento nebuloso, de extrema melancolia,
minha mãe se enforcou aqui neste local.
E, com tudo que vivi, vi e fiz,
creio que esse seja o momento do qual sempre evitei me lembrar.
O momento que não tenho poder para reverter.
Diziam que minha mãe estava doente,
mas sempre achei apenas que ela estava inspirada.
Naquela noite, meu pai a trancou no quarto para a segurança dela.
Talvez para a minha também.
Mas ela me implorou para ajudá-la,
me disse o quanto precisava de mim,
quanto precisava da minha ajuda.
Essa é a parte que passei a vida inteira tentando não lembrar.
Eu pensava que estava salvando-a,
e então, depois que ele dormiu, eu a deixei sair.
Tivesse eu deixado aquela porta fechada, ela poderia ter ficado idosa.
Eu costumava imaginar que estava vendo-a mais velha,
oferecendo uma xícara de chá
e querendo jogar conversa fora.
Esta chave mestra passeou por toda a casa.
Queria que aquele dia não tivesse sido decidido por mim.
Eu a amava.
Desesperadamente.
O amor pode ser fonte de enorme pesar
e de imensa dor.
De uma culpa tremenda.
Um motivo para fugirmos de nós mesmos ou uns dos outros.
O amor pode ser uma maldição.
Mas sempre, e absolutamente,
é um dom.
Eu tenho sido...
Sou Sete há bem mais tempo do que fui Annika.
Era bom ser...
comum.
Isso é impossível.
Seja lá como você for, borg ou humana,
você é a pessoa mais extraordinária que eu conheço.
Você passou a vida inteira fugindo desses... Disto.
E eu fico me perguntando do que mais você seria capaz
e quão mais você poderia ser
se simplesmente parasse.
Hora de ir.
Não podemos. Ela pode ter prometido o que for, mas...
Seja lá quem você for,
metade sua é nossa amiga.
Talvez, com o tempo, seja toda.
Com o tempo, talvez.
Mas, agora, um acordo deve ser cumprido.
Uma nave por uma vida é uma troca mais do que justa.
E, por favor, informem ao almirante
que o futuro não exigirá assassinos de borg.
Ao menos no que cabe a nós.
E digam o seguinte:
a missão não deve ser adiada.
Para dar certo, devem ser duas Renées,
uma que vive e outra que morre.
- Levou minha nave. - Minha nave.
Jurati a entregou para a Rainha em troca da vida de Sete.
Sete, você está bem?
Estou eu mesma.
Bem, perdemos uma amiga, mas temos uns aos outros de novo.
E, para conseguir o que queremos, vamos precisar de todos.
- Soong continua por aí. - E não é do tipo que desiste.
A nave pode ter escapado,
mas ele não vai desistir de deter a Missão Europa.
- E Renée. - Ou pior.
Picard, antes de ir, Agnes deixou um recado.
"Para a missão dar certo, devem ser duas Renées,
uma que vive e outra que morre."
Me recuso a aceitar um resultado que ainda não aconteceu.
Vamos, temos muito trabalho!
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