All language subtitles for Anazapta.(2001)

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De p�! Levanta-te!

Vamos!

N�o vos preocupeis, � apenas uma tempestade.

Vai atras�-los.

N�o v�o conseguir c� chegar.

Nunca!

Ap�s tr�s anos de luta, umas gotas de chuva n�o os v�o impedir.

V�o apenas atras�-los alguns dias.

Alguns dias?

Uma hora j� ser� tempo demais.

ANAZAPTA

lNGLATERRA 1348

Minha querida Matilda.

O meu marido? Onde est� o Walter?

N�o veio connosco. Os franceses...

Ajudem-me!

Comprei-o a um marinheiro.

� enfezadito, n�o achas?

Parece um cavalo a comer. Vai fazer-te companhia.

Como � que ele morreu?

Matilda, o meu tio n�o morreu.

Mas houve uma altura em que pens�mos que tinha morrido.

Por amor de Deus, Nicholas, onde est� ele?

Na Bretanha. Prisioneiro do Conde de Fourgeres.

- Foi feito ref�m? - Havias de o ter visto.

Foi fant�stico. Desafiou o Conde para um duelo

mas n�s tamb�m nos divertimos bastante.

Cheg�mos a um acordo.

Trinta dos seus homens contra trinta dos nossos.

lmagina, Matilda, parecia que as nossas espadas estavam possu�das!

�amos retalhando aqueles sacanas! O sangue espirrava-lhes das veias...

Chega!

Ficamos estarrecidos com os teus feitos.

Como fazemos para resgatar o meu marido?

Como vamos conseguir pagar o resgate?

- Temos meios para isso. - O que sabes tu das nossas posses?

- Esta guerra vai levar-nos � ru�na! - O qu�?

Deixem-me terminar! Temos um prisioneiro.

Fui eu mesmo que o apanhei.

� o filho mais velho do Conde, Jacques de Saint-Amant.

O pre�o do seu resgate excede em muito o do meu tio.

N�o s� assegurei o seu resgate

como tamb�m um belo lucro para n�s.

Como te atreves a falar de lucro com o Walter fechado num buraco?

Mas ser� por pouco tempo. Dentro de dez dias, o dinheiro estar� aqui.

Se tivessem trocado de ref�ns, ele j� estaria aqui!

E entregava este homem de bandeja ao nosso inimigo?

N�o! Era minha responsabilidade, ou melhor, era o meu dever

salvaguardar os nossos interesses! - Continuas o mesmo.

O teu �nico dever era traz�-lo para casa em seguran�a.

Falas sobre dever a mim, que sou do seu sangue?

Seja qual for o teu dever, minha querida Matilda,

n�o admira que ele prefira ir para a guerra.

Nesta casa, ele n�o conseguia esquecer aquela a quem amava.

Nicholas, por favor!

Eu queria o meu marido e tu trazes-me um macaco?

Desaparece da minha vista!

Randall, quero ver o prisioneiro. Abre a porta, por favor.

- Vou busc�-lo, Senhora. - Agora, Randall.

- Mas, Senhora... - N�o volto a pedir.

Obrigada.

Senhor?

Senhor?

Sou Matilda, esposa de Sir Walter de Mellerby.

O meu sobrinho desrespeitou-vos. Pe�o-vos perd�o.

Permiti que vos ajude.

Lamento as circunst�ncias que vos trouxeram aqui.

Como espero que aconte�a com o meu marido,

sereis tratado com toda a defer�ncia enquanto estiverdes ao meu cuidado.

Tendes a minha palavra de honra.

O destino foi misericordioso comigo.

Agnes?

Traz-me �gua quente.

Cabra!

D�i?

A dor � constante.

Com vossa licen�a, Senhor.

Sou Randall Bacon. Sua Senhoria pediu-me que cuidasse de v�s.

As regras de Sua Senhoria s�o simples.

Primeira: durante o dia, podeis passear pela propriedade

mas sempre sob minha vigil�ncia. Segunda: durante a noite,

estareis confinado aos vossos aposentos.

As minhas regras s�o ainda mais simples.

Se me lixardes o ju�zo, arranco-vos os tomates � dentada.

Tendes alguma pergunta a fazer?

Apenas uma. O teu nariz.

O que tem o meu nariz?

- N�o est� l�. - � melhor assim, Senhor.

Escuso de seguir o meu faro, n�o preciso de o limpar

e os cheiros estranhos n�o me fazem impress�o.

Sabia que os nossos recursos eram parcos mas n�o a este ponto.

Deviam ter aumentado os impostos conforme vos aconselhei.

- At� com chuva ter�amos conseguido. - Sabe Deus como me esforcei.

Nem os c�es urinavam perto de mim com medo de pagar impostos.

- O que ser� de n�s? - Vamos apodrecer como as colheitas.

Talvez n�o. Prepara-te, Matilda.

Temos de ir falar com o bispo.

Com o bispo? N�o tenho nada para vestir.

Arranja qualquer coisa.

"Guarda-o sempre contigo. T.B."

Que vergonha, Matilda.

Sir Walter n�o consentiria que usasses esse vestido.

Disseste para me preparar.

Como bem sabes, vendi os meus vestidos para pagar as d�vidas.

Mesmo assim, cobi�ar os bens materiais dos mortos...

O que queres que fa�a? Que v� falar com o bispo em andrajos?

O meu marido n�o se importa. Estou a fazer isto por ele.

Ele vendeu os meus vestidos

mas guardou os dela at� hoje.

Por favor, espera um pouco.

O tempo prega-nos muitas partidas.

Ainda me lembro quando eras desse tamanho.

Eras t�o pequena que nem me chegavas ao umbigo.

Olha para mim. Olha para mim!

A beleza n�o foi mesquinha contigo, Matilda.

Muito pelo contr�rio.

O teu pai ficaria orgulhoso por saber

que te tornaste uma bela mulher.

Diz-me, o que vieste c� fazer?

Pagar ou implorar?

Pe�o apenas que Vossa Senhoria me conceda mais dez dias.

Nem pensar! � meia-noite a tua propriedade � confiscada.

Eu tenho como pagar, Senhor. S� n�o tenho ainda o dinheiro comigo.

E como tencionas pagar?

Ouvi dizer que o teu marido foi feito prisioneiro

e que o teu sobrinho voltou com a bolsa t�o vazia como a cabeca.

Temos um ref�m. O filho do Conde de Fourgeres.

N�o pediria a compreens�o de Vossa Senhoria se n�o pudesse pagar.

Nosso Senhor foi muito generoso contigo, Matilda.

Mas sei tamb�m que muitas vezes as coisas mais belas do mundo

s�o tamb�m as mais in�teis.

Pe�o mais do que aquilo que mere�o.

Apenas mais dez dias.

Terei para convosco uma enorme d�vida de gratid�o.

J� est�s endividada. Acompanha-me, por favor.

Neste momento, tenho quarenta e sete.

Mas espero vir a ter mais.

N�o imaginas o que passei para os adquirir.

E muito menos quanto custaram.

O artes�o fez um excelente trabalho, n�o achas?

E as cores s�o magn�ficas.

Pedes-me dez dias...

... e eu concedo-te dez dias.

Mas se n�o cumprires as tuas obriga��es,

vais ter de fazer a felicidade de um pobre velho...

... de quarenta e sete maneiras diferentes.

Talvez precises de tempo para pensar.

Est�o a ver como somos pessoas muito hospitaleiras?

Os nossos prisioneiros n�o s�o fechados em buracos infectos.

Parece que a minha tia sabe ser mais generosa com o nosso inimigo

do que com a sua pr�pria gente.

Sil�ncio! Sil�ncio!

- lmbecis! - E agora, vens divertir-me.

lnfelizmente, neste caso, quem se vai divertir somos n�s.

Se queres brincar, vai brincar com o macaco.

Ele canta de galo mas n�o passa de um cap�o.

Um cap�o?

Diz-me o que v�s.

Diz-me!

Mais do que gostava de ver.

Mas, mesmo assim, n�o � grande assunto de conversa.

- Diz-me o que v�s! - Vejo os teus tomates.

Estou a ver os teus tomates!

Tira-me isso da frente!

N�o gostas do que v�s?

E agora? Que tal te parecem?

- S�o pequenos? S�o min�sculos? - N�o!

- Olha para eles! - S�o grandes! S�o enormes!

Juro que s�o os maiores tomates que vi na minha vida!

Parecem sinos da igreja! Pe�o-te, por favor...

Porco!

E ent�o? Ele concordou?

- Dez dias. - Ele deu-nos dez dias. Ainda bem.

N�o aceitaste?

- N�o aceitaste, Matilda? - Ele mostrou-me umas gravuras.

- Gravuras? - Ele disse que se n�o pag�ssemos...

Estou a ver. N�o digas mais nada.

Compreendo. Ele n�o est� bem. Mesmo nada bem.

Mas, escuta, Matilda...

- Volta l� para dentro. - Voltar l� para dentro? Nem pensar!

N�o o far�s? Que Deus perdoe a tua arrog�ncia.

A propriedade, as terras do teu marido, a sua honra...

A nossa subsist�ncia!

Todos fazemos sacrif�cios.

Para al�m disso, o pre�o que ele exige � assim t�o elevado?

- E ent�o? - Dez dias.

Muito bem.

Muito bem.

� claro que temos ainda de falar de um pequeno pagamento adiantado.

Tendes m�o. Porque n�o a usais?

O que aconteceu? Onde est� o Nicholas?

Matilda!

Acordem. A doce Matilda est� de volta.

V� l�, Matilda... Foram tr�s longos anos.

Deves estar desejosa.

O que fizeste?

O que fiz? Ele era meu ref�m, isso n�o te diz respeito.

- Teu ref�m? Jacques de Saint-Amant? - Jacques de Saint-Amant...

O cavaleiro sem medo e sem m�cula.

- Que v� para o inferno! - Senhora, vinde depressa.

Tr�-lo para dentro.

N�o ouves? Tr�-lo para dentro!

Descansai.

Vem, senta-te.

Tira isso da boca.

A garantia dela? Ele est� morto?

- Muito pelo contr�rio. - Disseste que estava acabado!

N�o contei com ela.

T�-lo-ia amamentado com o seu peito se preciso fosse.

Poupa-me as obscenidades.

Entrega-lhe isto. Mas que ela n�o saiba que �s tu o mensageiro.

Voltaremos e encontrar-nos conforme o combinado.

Como est� o teu enfermo?

Est� vivo. Tem melhores cores do que tu.

Claro que est� vivo. Est� a fazer um jogo.

E tu deixaste-te enganar.

- Senhora. - Obrigada.

De quem �?

Do bispo.

- O que quer ele? - N�o te diz respeito.

Muito pelo contr�rio! Tenho o direito de saber.

Corre o boato que estamos prestes a cair nas m�os do bispo.

Vamos!

- Eu trato disso, Agnes. - Eu n�o me importo...

- Deixa, eu trato disso. - Agora?

N�o sab�amos se sobreviver�eis.

Se houver palavras que exprimam o quanto lamento...

As palavras s�o desnecess�rias.

Espero resolver os assuntos com o vosso pai brevemente.

Para vosso bem, espero que esse dia n�o tarde.

Fugir? Ele mal se segura em p�, quanto mais montar a cavalo.

Se temer pela sua vida, vai arranjar maneira.

O que queres que fa�a? Que o prenda como se fosse um ladr�o?

Cala-te!

"Faltam oito dias."

Um homem da sua estirpe? Nem pensar em tal coisa!

Muito bem. Espero que a tua devo��o seja suficiente para o prender aqui.

O que queres dizer com isso?

Se algo de mal acontecer, a culpa recair� sobre ti.

N�o me conseguiram prender. Nada me conseguiria manter l�!

Nem as suas masmorras imundas, nem os seus malditos grilh�es,

nem o maldito mar, nem o maldito vento,

nem o maldito frio e nem a maldita lama!

E nem a maldita chuva!

Estou acostumado �s v�rias faces da morte.

Mas esta ainda n�o conhecia. Por Deus, como morreu ele?

- Olha para o macaco. - Estou a ver. Pobre animal.

Repara como os tend�es das m�os est�o tensos.

De uma coisa podemos estar certos. Foi uma morte r�pida.

- Uma morte misericordiosa. - Brutalmente r�pida.

Num s�bito e agonizante esgar de dor,

a m�o apertou o pesco�o desta pobre criatura

e, infelizmente, os seus pecados eram bastantes.

Disseram-te em que condi��es o encontraram?

� poss�vel que ele tentasse agarrar o animal

Mas isso � apenas o desfecho da hist�ria.

Devemos preocupar-nos com o seu in�cio.

Confesso que nunca tinha visto ferimentos destes

mas j� ouvi falar deles.

- Sabes a que me refiro? - J� ouvi uns boatos...

Seria imprudente da minha parte presumir o pior.

- Podes ajudar-me? - N�o viste j� o suficiente?

Meu Deus!

N�o pode ser!

Chama o camareiro. Depressa.

Anazapta.

Aquele dia atrai a minha mem�ria como o v�mito atrai um c�o.

Fiz apenas o que me mandaram.

O que fazemos agora?

Enterramo-lo rapidamente e rezamos.

- Posso v�-lo? - Afasta-te para teu pr�prio bem.

O corpo deve ser amortalhado sem demora.

Devemos reunir os homens que regressaram com Nicholas.

Se as minhas suspeitas se confirmarem, o nosso bem-estar,

o bem-estar desta par�quia pode estar em perigo.

- Ningu�m nos diz o que se passa? - Esta � a nossa recompensa.

Tenham paci�ncia. Saber�o a seu tempo.

Para ele � f�cil falar. N�o s�o os tomates dele que est�o a gelar.

Pois. Mas isso � porque ele n�o tem tomates.

Sil�ncio! O pr�ximo que abrir a boca vai estar metido em sarilhos!

Se n�o consegues agarrar a vara, esquece isso e faz como deve ser.

Levantem.

Ele tem o corpo marcado!

N�o lhe toques!

Eu � que te deixo o corpo marcado se n�o te despachas!

Nada nos acontecer�.

Desde que n�o lhe fixemos os olhos.

� assim que somos infectadas.

H� muito tempo que tens este incha�o?

- N�o vos diz respeito. - Responde!

Vai e vem. Chamo-lhe Sir Percival.

- Deita um l�quido nauseabundo? - Porque n�o lhe perguntais?

Garanto-te que � um assunto muito s�rio.

Acho que isto est� relacionado com a morte de Nicholas.

- Ele bem se arrastou por uns tempos. - N�o me chateia muito, Senhor.

De vez em quando incha e fica vermelho

e fico com dores atrozes.

Por vezes nem consigo andar. N�o � assim, rapazes?

Diga-nos, doutor, de que morreu o Nicholas?

Foi dos fur�nculos como os que o John tem?

Lembram-se das hist�rias que se contavam quando estivemos l� fora?

De uma n�voa terr�vel e nauseabunda. Um verdadeiro terror.

Era capaz de matar um homem antes que tivesse tempo de se arrepender.

Ficava coberto de fur�nculos.

T�o terr�veis que quem olhasse para ele ou lhe falasse

ou mesmo que o enterrasse, morria da mesma maneira.

Fur�nculos negros e pestilentos.

- Eram hist�rias terr�veis. - Eram apenas hist�rias.

Quantos de voc�s viram isso com os vossos pr�prios olhos?

Juro por Deus, Senhor. Podeis perguntar � minha mulher.

H� anos que tenho o Sir Percival.

Eles podem vestir-se.

Disseram-me que havia mais um para examinar.

Grande sacana!

Vamos dar cabo de ti!

E do teu fur�nculo nojento!

Doutor, diga-lhes!

Eu estou bem!

Eu estou bem!

Vamos, Senhor. Est� aqui algu�m para vos ver.

Penso que fostes avisado do terr�vel acontecimento.

Fui, sim.

N�o lhe queria mal algum.

Entendeis a necessidade que tenho de vos examinar?

Fazei o que entenderdes.

Deveis estar ansioso para voltar para junto da vossa fam�lia.

Sinto-me muito bem aqui.

� necess�rio...

O que � isto?

Quem sois v�s?

Sabeis bem quem sou.

N�o... Matthew, ainda bem que aqui est�s.

Ajuda-me.

Perdoai-me.

Eu n�o lhe podia valer.

N�o podia ter feito nada.

Encarai isto como uma prova do meu perd�o.

O Walter n�o o permitiria.

O seu sobrinho vai a enterrar sem as devidas ex�quias.

Atrasar o seu enterro seria um erro crasso, Matilda.

H� que evitar o poss�vel cont�gio.

- O m�dico j� se vai embora? - Espera, Matthew!

Por favor, Matthew...

Obrigada.

John? John Harding?

Por favor!

Por favor! Ajudai-me!

Mas que raio...?

Senhora?

Joan?

�s tu?

Tenho de sair desta casa.

Tenho de sair daqui.

Tenho de ir para bem longe daqui.

� claro que se n�o fosse por esta dor que tenho nas costas,

t�-lo-ia enterrado eu mesmo. Com fur�nculos e tudo.

Gra�as a Deus que Sir Walter n�o est� aqui para ver isto.

O sangue do seu sangue...

Deitado � terra como uma saca de estrume.

A culpa � toda dele. Sempre ausente no estrangeiro...

- Ele prefere o campo de batalha? - lsso faz algum sentido?

Um homem da sua idade, com a mulher em casa � disposi��o.

J� est� mais do que na altura de lhe dar um filho.

J� passaram tantos anos sem que uma semente fosse plantada.

Ela pode n�o ser das mais quentes entre as pernas

mas sinceramente, Senhor, de homem para homem,

ela aquecia rapidamente se houvesse quem tratasse dela.

Entre o marido dela e o desmiolado do sobrinho,

que Deus o tenha em paz...

Para mim � um mist�rio como algu�m como v�s

se deixou aprisionar por um idiota como ele.

Acho que tem a ver com o facto de serdes franc�s.

Estou a ver que gostas de conversa.

Gosto de conversar e de comer. Adoro comer.

E gosto de uma boa fornicadela. Mas tudo com conta, peso e medida.

� como costumo dizer. Se o Senhor me agraciou com um buraco na cara,

quem sou eu para n�o fazer uso dele? L� para dentro, Senhor.

A Joan... era dela.

N�o h� cabr�o nenhum que me ate as m�os!

N�o h� cela que me prenda. Est�o a ouvir?

Sou livre, grandes sacanas! Livre como um passarinho!

Abram as portas da minha cela.

S� v�o encontrar dois guardas com os pesco�os partidos.

Mas que raio...?

Senhora! Senhora!

Ele fugiu, Senhora! O franc�s desapareceu!

Acabou de chegar, padre.

Chegou da Bretanha. Dirigida a Nicholas.

� esta a minha paga?

Depois de ter para convosco todas as defer�ncias,

de vos ter convidado para minha casa e de ter tratado das vossas feridas?

Dev�eis apodrecer num buraco! Era onde estar�eis se n�o fosse por mim.

Se eu quisesse fugir, j� n�o estar�amos a conversar.

Confiei em v�s! Pedi-vos apenas que n�o sa�sseis da nossa vista!

N�o estou habituado ao cativeiro, por mais bela que seja a carcereira.

Guardai os vossos elogios.

Perdoai-me.

Cabe-me a mim pedir-vos perd�o.

At� que o vosso marido regresse s�o e salvo,

prometo-vos que n�o vos deixarei.

O Walter sofreu muito quando foi capturado?

J� o haveis visto em combate?

Quando um homem luta como se a sua vida n�o tivesse import�ncia,

� porque j� sofreu bastante.

Joan, a sua primeira mulher, morreu muito nova, com febre.

Ele nunca me falou dela mas o seu sil�ncio � pesado.

Temo que n�o aguente a dor de saber da morte do Nicholas.

Durante o funeral, n�o receastes tocar-lhe.

Devia-lhe isso.

N�o lhe dev�eis nada. Ele tentou matar-vos.

Ele trouxe-me aqui. At� v�s.

- Randall... - Havei-lo encontrado.

O homem que atravessa portas trancadas.

Acompanha o prisioneiro de volta para o c�rcere.

- Permiti-me recuperar o f�lego. - Leva-o de imediato!

Randall Bacon!

O padre quer falar com o prisioneiro. lmediatamente!

Leva-o para aqui, leva-o para ali. Vai buscar isto, vai buscar aquilo...

Quando � que tenho tempo para jantar?

Podes sair, Randall Bacon.

Ainda n�o tive o prazer...

L�! Sabes ler, n�o sabes?

"Para Nicholas de Mellerby, de Louis de Saint-Amant, Conde de Fourgeres."

O teu dign�ssimo pai.

"A respeito do assunto da troca de prisioneiros,

"nomeadamente de Sir Walter de Mellerby pelo meu filho Jacques

"que alegais ter em vosso poder,

"que isto seja do conhecimento de quem ler este documento:

"Na v�spera do dia de S�o Bartolomeu, no campo de batalha de Montier,

"o meu amant�ssimo filho e herdeiro, o Cavaleiro Jacques de Saint-Amant,

"perdeu a vida a defender a sua p�tria dos ingleses."

Morto. Est�s morto?

N�o �s quem afirmas ser.

Primeiro, o vosso sobrinho. Agora, o m�dico.

Matthew...

- � a marca do dem�nio! - Quem escreveu isso?

N�o olheis para n�s. N�o sabemos escrever.

- "Ecce agnus dei." - Essas palavras...

N�s dizemo-las na igreja. O que significam?

Este � o cordeiro de Deus.

- Como te chamas? - Jacques de Saint-Amant...

... de Fourgeres. - Prova-o! D�-me um anel, um selo...

O vosso povo roubou tudo o que eu tinha.

lsso � muito conveniente. Est� em jogo a vida de um homem!

A tua palavra? E de quem � essa palavra?

Quem �s tu?

- Dizei-me v�s. - Maldito insolente!

Quero saber a verdade nem que tenha de ta arrancar a vergastadas!

Diz-me!

Diz-me!

Quem �s tu? Diz-me!

Perdoai-me, Senhor, estou prestes a pecar.

Deus tenha piedade!

Tenho vis�es que n�o consigo explicar.

Vejo luz a explodir na minha mente como um tremor de terra,

rasgando a minha pele, toldando-me o racioc�nio.

T�o quente e brilhante que fico estonteado pela sua beleza.

Um milh�o de punhais ferem o meu cora��o,

as minhas pupilas ardem e a minha garganta fica seca.

N�o consigo engolir e n�o consigo respirar.

Compreende?

N�o consigo respirar!

O meu nome...

O meu nome...

Perdoa-me.

Perdoa-me...

Ela veio ter comigo com arrependimento no cora��o.

S� consigo pensar nele, padre. Em todos os instantes.

Sou constantemente atormentada pelo desejo,

de tal modo que n�o consigo dormir, comer, pensar ou rezar.

Eu bem tento. Digo as palavras mas elas s�o v�s.

Se ao menos Deus me resgatasse da lasc�via,

do mal que me faz trair o meu marido.

Se ele soubesse o mal que lhe tenho feito, padre...

Estava t�o ansioso por cair nas boas gra�as de Sir Walter

que n�o consegui guardar sil�ncio.

Rameira!

Podia ter guardado sil�ncio mas n�o o fiz.

Ajudei a propagar o pecado, intensifiquei-o

at� que tudo se desmoronou.

Eu sei que as recorda��es te devem ter atormentado ao longo destes anos.

Rezaste para que Deus pusesse fim a esta ang�stia.

Para emendares todo mal que lhe causaste.

Podes faz�-lo atrav�s de mim.

Deves entregar-me a carta.

N�o direi nem mais uma palavra.

Maldito assassino!

Tenham calma, foi apenas uma tontura.

Qual tontura! A mim n�o me enganas! Vi tudo com os meus pr�prios olhos!

Apertaste-lhe o pesco�o e o padre ficou azul e com a l�ngua de fora!

Com a l�ngua de fora? Que ideia t�o descabida!

- Juro-vos que � verdade, senhora. - Chega!

Est� morto! O m�dico est� morto!

Deixem-na em paz! Afastem-se!

Onde est� o camareiro? Elias?

Para onde vais?

Eu n�o hei-de ser comido pelos vermes!

N�o v�o colocar uma cruz na minha campa!

Hei-de prosseguir at� gastar os p�s.

O ar n�o me faltar� e os meus dentes n�o bater�o.

E agora, o camareiro.

Ecce agnus Dei qui tollis peccatamundi.

Este � o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

Anazapta.

Chegou uma carta para v�s. Foi enviada pelo bispo.

Est� nos vossos aposentos.

Eram nossos amigos.

Como vamos viver sem eles?

N�o deveis respirar este ar, senhora. Porque n�o ides descansar?

Randall Bacon diz que vos quer falar. A s�s.

- Sem a presen�a do franc�s. - Ele que espere.

� mesmo verdade? Ele atravessa portas trancadas?

S�o apenas desculpas para o seu descuido.

- N�o � o �nico a dizer tais coisas. - Pois que digam.

N�o serei influenciada por boatos e rumores.

Tudo depende do dinheiro que este homem nos render.

- O que queres que fa�a? - Repito apenas o que ouvi.

Ent�o, fecha os ouvidos.

Espera.

Havia marcas no corpo de Nicholas?

Marcas? Referis-vos aos fur�nculos?

N�o. Refiro-me a letras. Palavras.

Palavras? Como as dos livros?

N�o vi nada.

Padre?

Padre?

Padre?

"Joan de Mellerby. Descansai em paz."

O Dia do Ap�stolo S. Mateus � amanh�.

Setembro... Setembro...

Vinte e um de Setembro, S. Mateus, em Braken-on-the-Moor.

Thomas Basset violentou Joan, esposa de Sir Walter de Mellerby,

contra a vontade do seu marido.

Thomas foi acusado perante o Senhor, confessou e foi enforcado.

E quanto a Joan? O que lhe aconteceu?

Onde est�o as chagas, desgra�ados?

Olhem! Onde est�o as chagas?

Quem sabe se n�o ser� um de voc�s?

Malditos!

Foi o John Harding...

Juro por Deus que foi ele que trouxe a doen�a e j� pagou por isso!

Acordai!

Acordai!

- Deveis fazer algo. - Ainda ali est�o?

Passaram ali a noite. A aldeia em peso.

Est�o quase todos b�bados e a ficar cada vez pior.

Comportam-se como se fosse o Primeiro de Maio.

- Sabes se Joan tinha um amante? - Que dizeis, senhora?

- Joan tinha um amante? - Senhora...

Enforcaram um homem no dia em que ela morreu. Era amante dela?

- Porque n�o me disseram? - O qu�?

N�o vos preocupeis com o passado mas sim com o presente.

- Olhai l� para fora. - Estou preocupada com o presente.

Todo o mal que caiu sobre n�s est� relacionado com ela.

Todo o mal? Vou mostrar-vos o mal!

Dizem que foram os soldados vindos de Fran�a que trouxeram a doen�a.

Est�o assustados.

Estamos todos assustados.

Soltem-no!

Vamos!

Vamos!

N�o podemos deixar que o medo controle as nossas vidas.

Malditos pecadores!

Somos assolados por um flagelo. lmplorem!

- lmplorem clem�ncia! - Olhem para ele.

Olhem para o seu aspecto!

A culpa � tua! Eu vi tudo!

Est�s a sobrestimar-me.

Vamos ver se continuas a sorrir com uma corda � volta do pesco�o.

Que Deus tenha piedade de n�s!

- Que Deus tenha piedade de n�s! - Que Deus tenha piedade de n�s!

- ln nomine Patris... - Miserere nobis!

- ... et filli... - Miserere nobis!

- ... et Spiritus Sancti. - Miserere nobis!

Ego te absolvo.

Sagrado Cora��o, meu Salvador, meu Deus,

que a luz da Tua miseric�rdia ilumine o cora��o destas gentes

que acolheste no seio da tua bondade atrav�s do sacramento do amor.

A culpa � do franc�s renegado! E ele o culpado! Eu vi tudo!

A culpa n�o � nossa! O culpado � ele! A culpa � do bastardo franc�s!

Mas n�o � um bastardo qualquer!

� ele!

- Jacques! - E ele!

� ele!

N�o ouviram o que disse o padre?

lmplorem clem�ncia! lmplorem clem�ncia!

- Senhora... - Confiei-te a sua vida!

E que vida � essa? Juro por Deus que ele n�o � quem diz ser.

- Larga-me! - Ouvi o que vos digo, senhora.

Eu ouvi-os a praguejar e vi o padre a impor-lhe um bast�o,

exigindo que revelasse o seu nome, arrancando-lho a vergastadas.

Tudo por causa de uma carta.

Que carta?

Se o acusado for inocente, que pere�a nas �guas.

Se tal n�o acontecer, a sua culpa ficar� provada.

Deus de Miseric�rdia, salva-me dos que me odeiam

e permite que n�o me afogue.

Est� aqui, senhora. � aqui que ele guarda os seus documentos.

Tive a certeza mal lhe pus a vista em cima.

Agora j� tendes a prova, senhora.

A prova de que �s um imbecil perigoso, Randall.

A carta diz isso? Senhora...

N�o arriscarei a vida do meu marido e a propriedade por um c�o tinhoso.

Se voltas a ladrar, ficas sem l�ngua para lamber os tomates.

Juro por St. Cyrill, senhora!

"Para Nicholas de Mellerby, de Louis de Saint-Amant, Conde de Fourgeres."

"A nossa resposta � vossa proposta � a seguinte:

"Ao receberdes 250 marcos em ouro, deveis libertar o meu filho.

"O meu filho Jacques, cuja aus�ncia � dolorosa

'para mim, para minha esposa e para toda a nossa corte.

'Ap�s a chegada do meu filho, Sir Walter de Mellerby ser� libertado

"e ser-lhe-� concedido um salvo-conduto at� lnglaterra.

"Esta proposta imp�e apenas uma condi��o.

"Que o meu filho seja bem tratado enquanto estiver ao vosso cuidado.

"Espero que o meu filho seja tratado com a devida defer�ncia

"e que lhe concedam as regalias a que est� habituado.

"Que durma em cama de penas, que a sua fome seja saciada

Deixem-me passar! Deixem-me passar!

Tenho aqui uma carta de Fran�a, do conde de Saint-Amant!

Ele estava inocente!

Era a nossa �ltima esperan�a.

Teria permitido vestir os vossos filhos,

encher-lhes a barriga de p�o e encher-vos a voc�s de cerveja!

Certa vez, vi uma crian�a afogar-se num lago.

Estava como morta mas um homem soprou-lhe vida para a boca.

A crian�a ressuscitou, senhora.

Mostra-me como foi.

Ningu�m me quer mostrar?

Sopre l� para dentro.

N�o apenas um bafo, mas um sopro forte.

Respira, por favor!

N�o morras, Jacques, por favor.

Desgra�ados! Desgra�ados!

- lsso � intoler�vel. - Foi um verdadeiro assombro, senhor.

Ela ressuscitou o morto com a do�ura dos seus beijos.

E ele n�o foi o �nico a p�r-se de p�.

J� te esqueceste com quem est�s a falar? Tira essa coisa da boca!

E o tal arruaceiro, o homem que n�o tem nariz?

- Chama-se Beacon? - Bacon. Randall Bacon.

O que lhe falta na cara sobra-lhe noutra parte do corpo.

- Por favor. - O que devo fazer, senhor?

O dinheiro est� como certo.

Fazer? N�o confio em ti nem para me limpares o rabo.

Vossa senhoria l� saber�.

Mas acho que a sorte do nosso amigo est� prestes a acabar.

- Tens de deixar de fazer isso. - Fazer o qu�?

Salvar-me a vida.

Quantas vidas tens?

Parece que tenho bastantes.

F�-lo-ia mil vezes se tal fosse necess�rio.

Eu n�o hei-de ser comido pelos vermes!

N�o v�o colocar uma cruz na minha campa!

Hei-de prosseguir at� gastar os p�s.

O ar n�o me faltar� e os meus dentes n�o bater�o.

lrm�o Wilfred, � um prazer receber-te.

Podemos oferecer-vos pouco mais do que as nossas ora��es.

Amy, chega aqui.

Ajudaste a Agnes a amortalhar o Nicholas, n�o ajudaste?

Sim.

Viste alguma coisa?

Vi.

� o diabo que faz os barulhos na esperan�a de ficar na terra.

Sei que te era muito dedicado e conhe�o tamb�m o teu pesar.

A sua morte foi t�o repentina que n�o recebeu a extrema-un��o.

Nada receies.

Os anjos proteger�o a sua alma e guiar�o o seu esp�rito.

Perdi aqueles com quem mais podia contar.

As coisas podem n�o ficar por aqui, Matilda.

Durante a nossa peregrina��o,

ouvimos relatos de uma terr�vel peste vinda do Oriente.

Aldeias e cidades consumidas por um fogo que desceu dos c�us.

Raros foram os que sobreviveram.

Tamb�m acreditas nisso? Trata-se da peste?

No entanto, tenho a impress�o que este flagelo

escolhe as suas v�timas com muita precis�o.

Como assim?

Como tu pr�pria reconheceste, as almas que foram ceifadas

pertenciam �queles com quem mais contavas.

Achas que se trata de um des�gnio misterioso, de uma for�a oculta?

Nunca soube da exist�ncia de uma epidemia t�o criteriosa.

Ecce Agnus Dei...

S�o palavras proferidas antes da comunh�o em todas as igrejas.

Achas que � uma mensagem de Deus?

Parece ser uma mensagem.

Se � de Deus? Quem poder� dizer?

lrm�o Wilfred, s� mais uma pergunta.

Alguma vez ouviste a palavra "Anazapta"?

� um sortil�gio que protege de doen�as.

"Se proferirdes a palavra Anazapta ao seu ouvido,

"ele nunca mais ser� atormentado pelo mal."

Prefiro confiar no poder da ora��o.

Tens lama nas m�os, Matilda.

� melhor ires lav�-las.

lrm�o lgnatius...

Ele n�o te deu uma resposta completa.

Por amor de Deus...

Eu nasci nesta par�quia.

Quem olhasse para as minhas m�os n�o o diria,

mas j� fui um grande artes�o, um ourives.

Pediram-me para fazer um amuleto todo em ouro.

De um lado, a Sant�ssima Trindade rematada com um rebordo minucioso

onde estavam representadas figuras delicadas. Deixa ver se me lembro...

S�o Pedro, S�o Paulo, Santa B�rbara,

Santa Catarina, S�o Jorge, e por baixo estavam inscritas

as palavras proferidas por S. Jo�o Baptista no baptismo de Cristo.

Do outro lado, estava inscrita a palavra Anazapta.

Quem te pediu para fazeres esse amuleto?

S� lhe vi a cara em duas ocasi�es. Uma vez quando me pagou

e a outra quando foi enforcado. - Chamava-se Thomas Bassett?

Era esse o seu nome.

Entregou-o � sua amante, Joan de Mellerby e por isso foi enforcado.

E quanto a Joan?

O que lhe aconteceu?

O teu marido reservou-lhe um destino bem pior.

Anazapta.

Anazapta.

Cala-te!

Esta era a minha mulher.

Mas ela vivia como uma meretriz.

Por isso, vai morrer como tal.

Dou um xelim a todos os homens que dormirem com ela.

Vamos!

Vamos!

A minha alma n�o ter� descanso. Est�o a ouvir?

V�o morrer sufocados pelo meu sangue!

Vamos!

Rameira! Rameira!

Forniquem a vadia!

N�o!

Meretriz! Meretriz! Meretriz!

Ele disse-me que ela tinha morrido de febre.

De febre?

Violaram-na como se fossem uma matilha de lobos.

Ele mentiu-me.

S�o tudo mentiras!

Amanh� � Dia de S. Mateus, o dia em que tudo aconteceu.

O que devo fazer?

O que podes tu fazer? O que pode qualquer um de n�s fazer?

Arrepender-se dos pecados.

No fim de contas, nenhum de n�s � inocente.

Partimos ao meio-dia.

Posso abrigar-te por uma noite. Talvez duas, mas n�o mais.

O resto � contigo.

Vais-te embora?

Quem te pode levar a mal?

N�o fazes parte disto.

Mas, amanh�, o ar ficar� denso com o seu arrependimento

e a igreja vai rebentar pelas costuras.

Ajuda-os, Matilda.

H�s-de arranjar maneira. Ajuda-os.

No fim de contas, nenhum de n�s � inocente.

Eu carregarei a cruz. Os sinos soar�o at� a tempestade amainar.

Eu carregarei a cruz. Dai-me for�a para tal.

Onde est�o todos?

Pecok!

- Conheceis este homem, senhor? - � um m�sico. De segunda categoria.

Onde est�o todos?

Anda c�, rapariga!

Quero um banho. Quero um banho e depressa.

Depressa! Fa�o quest�o.

- Acordai! O bispo quer um banho. - O bispo?

- O bispo est� c�. - Onde est� a Agnes?

Na igreja. Est�o todos na igreja. N�o os ouvis?

- E os monges? - Partiram h� algum tempo.

Randall?

Randall?

Sua Senhoria quer ver-te.

O bispo?

Purifiquem-me, rapazes. Por amor de Deus, purifiquem-me.

lsso mesmo.

Meu Deus...

N�o me consigo livrar deste cheiro infernal.

Se me permitis, Vossa Senhoria fez mal em vir at� c�.

Toda a aldeia est� contaminada.

Sempre o senti. At� o ar � nauseabundo.

Fizeram-me uma oferta por esta propriedade.

O lucro adv�m da l� e n�o do cultivo de um p�ntano infecto.

Chega!

Fora! Saiam daqui!

Voc�s podem ficar, rapazes. E tu, p�e mais lenha na fogueira.

Mais para baixo, rapazes. Ajudem-me.

Ajudem-me a descer. Mais para baixo.

Obrigado, rapazes. Saiam daqui.

A epidemia, as colheitas apodrecidas, as chuvas...

Deus deve estar do meu lado.

Quanto mais depressa ela me entregar estas terras,

melhor � para todos. Ouve o que te digo.

E tu?

O que far�s nessa altura?

Vais deambular por a� como um c�o perdido?

- � o que fa�o agora. - Um homem com as tuas capacidades?

N�o, podes ser-me muito �til.

As minhas capacidades? A que capacidades vos referis?

Acho que pensamos de igual modo.

Enquanto o prisioneiro estiver vivo, estamos todos em perigo.

Eu tentei avis�-la.

Estrangulou o padre com as pr�prias m�os mas ela insiste em proteg�-lo.

� o Mal! O Mal supremo!

N�o, n�o pode ser. Uma tempestade de lasc�via

abateu-se sobre a sua pobre alma

e esgotou as suas for�as, deixando-a vazia e vulner�vel.

A sua pequena ostra ferve s� de pensar no desejo carnal.

Eu pr�prio n�o diria melhor, senhor.

Mas ela desconhece o perigo em que est� metida.

lsto pertenceu a St. Homobonus.

Se lhe deres bom uso, isso ser� teu.

E h� muito mais de onde esse veio.

Mas certamente n�o podeis... N�o posso fazer tal coisa.

� normal sentirmo-nos agitados quando a nossa voca��o � revelada.

Vou pedir a Deus para que n�o me desiludas.

Para que n�o me desiludas.

Jacques, como bem sabes, somos assolados por uma epidemia.

N�o posso garantir a tua seguran�a. Podes partir quando quiseres.

Partir? Quando o resgate est� t�o perto e o teu marido tamb�m?

N�o. O nosso acordo mant�m-se.

O acordo j� n�o interessa. Leva o que precisares e vai-te embora.

Eu disse que n�o partiria.

Dei-te a minha opini�o. Faz como entenderes.

O que vos traz por c�?

O meu querido Nicholas, Matthew Graville, o camareiro...

Receei encontrar-te amortalhada.

J� n�o temos padre, senhor.

� verdade, j� me tinha esquecido. Ele tamb�m morreu.

O meu povo precisa de algu�m que purifique os seus pecados.

Tudo o que for preciso para afastar os seus pensamentos pecaminosos.

Rogo-vos que celebreis uma missa.

Queres que interceda por eles?

Aqui? N�o � este o meu lugar.

Qual � o vosso pre�o?

O meu pre�o? Est�s mais rude no trato, Matilda.

E mais descuidada com os cabelos e com a maneira de vestir.

Pareces um animalzinho selvagem.

Preciso de ter cuidado.

A vol�pia � o artif�cio que o diabo usa para aprisionar as nossas almas.

Ent�o, ser� melhor que vos afasteis de mim.

Espera.

Quanto vale para ti uma missa?

Quem tem a chave?

O meu marido.

Tenho a certeza que h� outra forma de o abrires.

Claro.

Primeiro, a missa. Depois se encontrar� uma maneira.

Dou-te a minha palavra de honra que ser� uma magn�fica celebra��o.

S� mais uma coisa, Matilda.

Temos ainda de falar de um pequeno adiantado.

Tunemos et apta Dum dratu anazapta.

Tu!

lmbecil!

Devias t�-la deixado apodrecer na floresta!

Tinha de a ajudar! Tinha de a ajudar!

Que Deus te valha se sabias disto!

Juro-vos que a deixei como morta. Certifiquei-me disso mesmo.

Deus � testemunha que assim que a vi vim ter convosco.

N�o a ajudei. Nem sequer lhe toquei.

Ele deve t�-la abrigado.

S� hoje tomei conhecimento do caso quando ele veio ter comigo

dizendo-me que uma mulher precisava de ajuda.

Ela era minha mulher.

Vai repousar junto de n�s.

Tira esta coisa daqui!

Espera! Um rapaz.

� um rapaz, senhor. � o vosso filho.

Deixa ver se percebi.

Queres que adopte este miser�vel? O bastardo da aldeia?

Livra-te dele.

Vamos livrar-nos dele. E esquecer tudo.

Esquecer? Quero que todos se lembrem.

Nunca me hei-de esquecer.

- O que vieste c� fazer? - Adivinha.

Que Deus nos proteja a todos!

Que Deus nos proteja a todos!

Senhora!

- Senhora! - O que fazes aqui?

O vosso amigo, aquele que diz ser franc�s...

E, desta vez, nada me far� calar a boca.

- N�o te avisei j�? - Sim, que me chicotear�eis.

Ser� uma sorte se tiverdes essa oportunidade.

Ele veio para nos matar a todos.

Ouvistes?

Em nome da sua m�e, Joan de Mellerby!

Da sua m�e?

- O que sabes acerca da Joan? - O que sei acerca dela?

Fui eu que a salvei, que a acolhi durante nove meses

O que aconteceu � crian�a?

Nunca bastardo algum teve tal infort�nio.

Uma m�e... um n�mero infind�vel de pais

mas nenhum se aproximava dele, nem mesmo os que sentiam pena.

O vosso marido certificou-se disso mesmo.

Marcaram-no a ferros com o sinal da cruz.

V�o morrer sufocados pelo meu sangue!

Ela disse: V�o morrer sufocados pelo meu sangue!

Matilda?

Eu sei quem �s.

Eles preferiram esquecer.

Rogo-te que desfa�as o que fizeste.

N�o posso. N�o posso voltar atr�s.

Ainda n�o acabou.

Olha para os meus olhos.

O que v�s? Diz-me o que v�s.

Uma nuvem.

Vejo uma nuvem.

Cheguei a casa.

Walter!

Rameira!

Bem-vindo a casa.

Quem �s tu?

Est�s a ouvir?

Quem �s tu?

Marcaste-me fazendo de mim um bastardo!

Marquei?

Marquei-te?

Filho da m�e, eu matei-te! Assassinei-te!

Quem �s tu? Quem te enviou?

Enganaram-te.

Est�s a ouvir? Tu est�s morto!

Eu pr�prio comi o teu cora��o. Arranquei-to do corpo.

Arranquei-to com as minhas pr�prias m�os!

e atirei o resto do teu corpo aos porcos.

Est�s a ouvir?

Transformei-te em carne para alimentar o diabo!

Quem �s tu?

Quem te enviou?

Quem te enviou?

Anazapta.

J� est� tudo acabado?

William?

William!

William!

"Durante um ano, uma epidemia assolou a lnglaterra.

"No final do ano de 1349,

"os vivos mal chegavam para enterrar os mortos.

"Quase metade da popula��o pereceu."

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