All language subtitles for The.Weight.of.Gold.2020

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Original subtitles

Apresentado por HBO Sports.

ESTE FILME CONTÉM ASSUNTOS RELACIONADOS À SAÚDE MENTAL

QUE PODEM FERIR A SENSIBILIDADE DOS ESPECTADORES.

Enquanto o novo coronavírus se espalha pelo mundo,

desde seu surgimento em Wuhan, na China...

O maior número de mortes registrados em um único dia.

Os organizadores

e o Comitê Olímpico de Tóquio 2020...

O ministro anunciou que os Jogos Olímpicos

serão adiados até o verão de 2021.

O verão de 2020 deveria ter sido o verão

dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio.

Mais de quinze mil atletas

de mais de duzentos países se reúnem.

Todos eles desejando realizar os sonhos

que perseguem desde a infância.

Os estádios foram construídos.

As entradas foram vendidas.

Os atletas estavam preparados.

E então...

Nossas vidas foram viradas de cabeça para baixo.

Os Jogos Olímpicos foram adiados pela primeira vez na História.

Agora o adiamento dos Jogos perde a importância

quando comparado com a tragédia causada pelo Covid-19

ao redor do mundo.

Mas o impacto não foi somente na saúde física das pessoas.

Também foi perigoso para nossa saúde mental.

Medo...

Incertezas...

Transtornos...

Isolamento...

Tudo isso foi muito real para milhares de pessoas.

Eu já estava pensando muito sobre saúde mental,

muito antes da chegada do vírus.

Com as Olimpíadas de 2020 se aproximando,

a primeira Olimpíada que eu não participaria

desde que tinha onze anos,

eu me encontrei refletindo sobre os altos e baixos

e o quão perto eu estive de perder tudo.

Então, quando os Jogos foram adiados,

pensei sobre a saúde mental

de todos os atletas que se esforçaram tanto

e agora deveriam se adaptar a todas essas mudanças.

Deveríamos ter assistido juntos

às Olimpíadas no verão de 2020.

Mas, em vez disso,

eu gostaria de contar a vocês sobre nossa jornada

e tudo mais que pode haver nas nossas histórias,

de idas e vindas.

O PESO DO OURO

Você quebrou mais de 25 recordes nacionais,

o campeonato mundial se aproxima,

o que mais você quer realizar?

Meu objetivo a longo prazo é ganhar o ouro em Atenas,

competir em mais de uma categoria.

Então tenho vários objetivos,

mas quero ir um passo de cada vez.

Quando se é um atleta olímpico,

você pensa que sua história é diferente das dos outros,

Mas, na verdade...

Uma salva de palmas para Jeremy Bloom!

Quase todas começam da mesma forma.

Quero ir para as Olimpíadas

e ganhar uma medalha de ouro no esqui.

Meu objetivo é ir para as Olimpíadas,

estar na equipe olímpica.

O objetivo que eu quero alcançar

é estar nas Olimpíadas e poder competir

com as melhores patinadoras.

Em algum momento das nossas vidas,

todos nós temos essa ideia nas nossas cabeças.

Nós podemos chegar nas Olimpíadas.

E tudo começa com isso.

Eu sempre assistia às Olimpíadas com meus pais.

E pensava: "Nossa, isso é de alto nível".

Minha mãe falou isso.

Meus pais me disseram:

"Somente os melhores competem nas Olimpíadas".

"Esses atletas treinaram a vida toda para esse momento,

e por isso se esforçam tanto para tentar vencer."

Eu me lembro de ter ficado fascinado com isso.

Ter sido criado por um pai solteiro

e ter o tipo de energia que eu tinha.

Você pode chamar isso de hiperatividade,

pode chamar de, sabe, pura energia

que não pode ser contida em nenhuma atividade.

A única coisa que meu pai encontrou

que poderia redirecionar essa energia em algo positivo

foi o esporte. Ele tinha razão.

Sou nascido e criado em Park City, Utah,

a cidade da aventura.

Comecei a esquiar com dois anos,

foi muito impressionante.

Tenho fotos disso, não me lembro

da minha primeira vez esquiando.

Sempre gostei muito dos esportes de inverno.

Comecei a patinar quando tinha oito anos.

Nós pisamos no gelo e me apaixonei imediatamente.

Eu não achava que era incrivelmente talentosa.

Mas sabia que era melhor que algumas das outras crianças.

Então as coisas evoluíram muito rápido depois disso.

Ele é um típico adolescente de quinze anos,

segundo o treinador,

exceto por um pequeno detalhe.

Michael Phelps é um dos nadadores

mais rápidos do mundo.

Nenhum de nós teve uma infância normal.

26-0-0. Aquela primeira volta foi muito boa.

Ninguém que faça esse tipo de esforço

para alcançar esse tipo de objetivo

será uma pessoa como todas as outras.

Eu acredito que esse seja apenas o começo.

Ele ainda não atingiu o máximo de sua força

e estamos treinando aos poucos,

ele não está nem perto do que poderia se tornar.

Existe um lado positivo nisso. E também um lado negativo.

Não diria que eu faria as coisas de outra forma,

se pudesse fazer tudo de novo.

Eu era competitivo. Estava faminto.

Eu adorava isso. Foi a minha escolha.

Mas a verdade é que meu foco se tornou muito limitado

e intenso muito rapidamente.

Isso teria consequências depois na minha vida.

Braços para frente, bem. Para frente.

Mesmo que não fosse possível perceber isso naquele momento.

Não acho que seja uma desculpa para não aprender uma técnica.

Eu nunca falei que fosse.

Vá em frente, coloque isso no filme.

- Vá em frente. - Que mostrem sua atitude.

Um...

Você pensa e age como se tudo girasse em torno

desse único objetivo, e esse objetivo é a Olimpíada.

O resto fica em segundo lugar.

Então seus relacionamentos, sua escola,

sua família, seus outros amigos,

tudo o que não for relacionado ao seu rendimento no esporte

está fora de discussão.

Sasha Cohen, de 13 anos.

Para mim, não foi um sacrifício.

O resto na vida era um obstáculo,

que eu precisava deixar de lado.

Eu não queria passar o tempo com meus amigos,

não queria ir ao colégio,

eu queria fazer tudo o que pudesse

para ser a melhor patinadora possível.

É como um estilo de vida. É como eu vivi.

Qualquer passo que eu pudesse dar.

Qualquer coisa para obter alguma vantagem

sobre meus adversários e vencer,

meu mundo foi baseado nisso, com certeza.

Treinei por cinco ou seis anos consecutivos,

todos os dias do ano.

A diferença entre ser bom ou ser ótimo.

Acho que os ótimos fazem as coisas, mesmo sem querer.

Acho que isso os torna ótimos.

Sempre admirei o Jordan.

Ele provavelmente não queria jogar basquete todos os dias.

Ele é o melhor da História.

Payton. Ele não teve que estudar cinema

por milhares e milhares de horas.

Ele fez isso porque queria ser ótimo.

Para cima. Bem.

Quando me formei no colégio, eu treinava

como uma louca.

Porque queria ser atleta.

Todos me diziam: "Nossa, você treina muito".

Eu dizia: "Não é nada comparado com um atleta olímpico".

Quando comecei a praticar Skeleton,

tive que me virar sozinha.

Aos 16 anos, me ofereceram um lugar para morar, comida,

e uma bolsa de estudos

para qualquer universidade que eu quisesse ir.

Não foi uma escolha difícil.

Ir para as Olimpíadas ou ir para a universidade.

Basicamente, escolhi o esporte, em vez da universidade.

Eu comecei a vencer todos os torneios.

Era viciante, era divertido.

Acabei sendo sugada.

Eu não desenvolvi nenhum interesse externo.

Meu interesse era unicamente voltado para o esporte,

para a patinação artística.

Era como uma compulsão, algo que eu necessitava.

A maior parte da minha carreira,

eu fui motivado pelo medo do fracasso.

Então, diferente de muitos atletas

que são motivados pela vontade de vencer, de ser o campeão,

fui motivado simplesmente por achar que não era adequado.

Eu não era o melhor atleta no gelo,

não tinha o maior talento geneticamente,

não era fisicamente dotado.

Posso dizer que eu era quem trabalhava mais duro

e dediquei mais tempo ao esporte,

devido à minha obsessão em não ser bom o suficiente.

Nunca era bom o suficiente.

Eu vivi essa vida durante quinze anos.

Preciso estar aqui,

porque existe alguém no outro lado do planeta

que é mais jovem do que eu, que é melhor do que eu.

Alguém superior a mim em todos os aspectos,

então preciso encontrar uma maneira de vencer.

Depois de todo o tempo que você dedica,

as madrugadas, as incontáveis voltas na piscina,

na pista de atletismo, na pista de gelo ou onde for...

Quando você finalmente vai para as Olimpíadas,

eu acho que a única palavra que pode descrever isso

é "avassalador".

ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

Você passou toda a sua vida treinando

para este momento,

e você sabe que não se repetirá nos próximos quatro anos,

caso se repita.

Isso está ocupando totalmente sua cabeça.

Aí some o fato de que tudo isso está acontecendo

na frente do mundo inteiro.

Como eu disse,

é avassalador.

Na minha primeira Olimpíada, eu estava muito nervosa.

Cumpri com as minhas expectativas,

no fato de que eu sabia que esse seria o maior estádio

onde eu atuaria em toda a minha vida.

E essas emoções avassaladoras,

foi uma experiência completamente incrível.

Você sente que tudo é especial

e quer aproveitar ao máximo,

como atleta de atletismo, não sabia

se algum dia estaria em outra Olimpíada.

A maioria só participa uma vez.

Então eu queria aproveitar essa experiência ao máximo.

Minha primeira Olimpíada,

eu tinha dezenove anos e era o esquiador número um,

a Sports Illustrated me indicou como possível vencedor.

Eu estava mais do que nervoso,

estava paralisado.

É um turbilhão, não se compara a nenhuma outra competição

que eu tenha participado antes.

Foi inspirador e incrível, sentar com todos esses atletas

para tomar o café da manhã juntos.

Existe um brilho, uma energia enquanto você está lá.

Isso me surpreendeu completamente.

Bandeiras de todos os países.

Havia muito entusiasmo e agitação.

Jamais poderei comparar com outra coisa na minha vida.

Você entra em um ônibus olímpico,

e você vai para o estádio para competir.

E você tem uma epifania

de que, quando você voltar nesse ônibus mais tarde,

seu destino estará definido.

Algo que escrevemos na História,

que jamais será apagado ou reescrito.

E é apenas uma viagem de ônibus.

Mas a grandiosidade disso é imensa.

É todo o esforço dos últimos dez anos,

e agora os próximos 40 segundos de nossas vidas,

este momento definirá

se ganharemos o ouro...

Ou não.

Phelps, a maior figura icônica de todos os tempos,

escreve seu nome na História novamente.

E então, tudo termina.

Steve Holcomb correu pelo ouro!

E seja como for...

Não haverá medalhas para Jeremy Bloom.

O mais importante é que terminou.

Todo seu esforço ficou no passado.

E enfrentar essa situação é algo que une os atletas.

Mesmo se terminou no topo do pódio

ou no total descrédito.

E isso é uma falta!

Eu caí duas vezes nos primeiros 30 segundos

da minha rotina.

E outra escorregada.

Fiquei chocada. Eu estava devastada.

Fiquei atordoada.

E você não está somente tendo esses sentimentos,

mas está tendo esses sentimentos

na frente do mundo inteiro.

Estão todos concentrados em você.

Com cada queda, você escuta as reações.

Ou somente o silêncio.

Você já está com todas essas emoções

e então esse é o efeito sonoro mais dramático,

como uma trilha sonora

para esses trinta segundos devastadores na sua vida.

Essa foi a minha Olimpíada.

Não tive o desempenho que eu gostaria,

mas terminei ganhando uma medalha de prata.

É muito difícil saber do que você é capaz,

e, às vezes, as circunstâncias da vida acontecem,

e você precisa dar seu melhor.

Mas, às vezes, não é seu melhor momento.

A não ser que você seja um atleta olímpico,

é difícil de entender a magnitude

de quando você fracassa em uma Olimpíada.

De fora, poderiam dizer: "Que terrível. Você é um atleta,

as pessoas têm problemas mais graves".

E isso é verdade,

mas para os atletas olímpicos, essa é a vida deles.

É isso o que define quem você é.

Naquelas Olimpíadas de 2002, na final de 500 metros

na pista longa masculina,

a diferença entre a medalha de ouro,

reconhecida, celebrada,

e o quarto lugar,

é essa a diferença.

Quatro caras acabaram de passar neste lapso de tempo.

E você trabalhou sua vida inteira para isso.

A diferença é

que o cara que venceu,

nós festejamos, admiramos, nós o amamos.

O cara em quarto lugar, nós nem sabemos quem é.

Ele desaparece, ele se dissolve.

Ele vira uma pessoa comum.

Existe o ouro, e depois o quê?

Apesar de toda a publicidade

que garantia que Bode Miller ganharia medalhas

em todos os cinco eventos,

ele não terá nenhuma medalha.

Nos meios de comunicação, especialmente nos EUA,

mas em todos os lugares,

eles amam construir alguém,

porque isso lhes dá controle sobre a situação,

eles aumentam as expectativas,

e então são boas notícias, é um bom conteúdo,

se eles podem cortar suas pernas

e ver um herói caindo.

É bom para o ego de todos, todos gostam de ler sobre isso.

É isso, senhoras e senhores,

Bode Miller acaba de dar negativo

no exame de medalhas de ouro.

E então construí-los novamente.

Então você tem esse azarão, o herói renascido.

Existe um fluxo natural nesse padrão.

Bode Miller, pessoal!

Já passei por isso suficientes vezes para saber

como a coisa funciona por dentro.

Vejam isso.

Em 2005, quando ganhei o torneio geral,

eu era o menino de ouro. E, mesmo sendo rebelde,

eles conheciam meus padrões,

conheciam meu jeito.

Não parei de me divertir e de ir a festas.

Eles encobriram isso de uma forma que pudessem

refinar a imagem do herói no topo,

eles planejaram tudo para que, se eu me saísse bem,

eles tivessem algo a mais nas Olimpíadas,

porém eu não fui tão bem quanto poderia,

e eles cortaram minhas pernas.

Bode Miller fracassa nos cinco eventos.

Fracassar nas competições sempre é uma droga.

Essa é a minha vida e eu tive uma grande oportunidade,

isso é irritante, do ponto de vista pessoal.

Acho que todo atleta se identificaria com isso.

Eu estava correndo as melhores corridas da minha vida.

Os melhores tempos da minha vida.

E bati em um obstáculo.

E isso me custou a medalha de ouro.

Lolo Jones está na liderança,

mas ela bateu no obstáculo,

o penúltimo obstáculo.

Lolo Jones bateu em um obstáculo e não conseguiu uma medalha.

Na minha vida,

eu provavelmente bati em um obstáculo três vezes.

Estou me referindo aos treinos,

corridas,

práticas.

E agora fiquei conhecida como a garota que bate em obstáculos.

Ela parecia já estar com o ouro nas mãos.

Fui aniquilada pela mídia.

"Ela tem tantos patrocinadores, como ela não ganhou?"

"Ela é um grande fracasso."

Isso foi insuportável.

E eu não tinha ninguém com quem conversar.

Eu podia estar lavando os pratos, meses depois,

eu pensava sobre isso e ficava paralisada.

"O que eu poderia ter feito diferente?"

Eu podia andar pelo supermercado,

tendo um dia agradável, e então alguém me dizia:

"Sinto muito pelo que aconteceu".

Foi doloroso ver a reação da minha família,

o que eles tiveram que suportar.

Isso foi o mais doloroso,

ver minha imagem manchada em seus olhos.

Disseram que eu não deveria voltar ao país,

que eu era o atleta olímpico mais vergonhoso

em toda a História da humanidade.

Nas pesquisas de opinião, eles dizem seu nome

a milhares de pessoas,

se elas reconhecem o nome, se têm uma opinião favorável.

Minha classificação era mais baixa que a de Mike Tyson,

que havia mordido a orelha do Holyfield,

ou OJ Simpson,

que cometeu um duplo homicídio e fugiu.

Pode imaginar? Digamos que você se divorcie.

Então, em todos os lugares que for,

alguém diz para você: "Sinto muito,

ouvi dizer que se divorciou".

Isso aconteceu tantas vezes.

E eu não tinha ninguém

para me ajudar a passar por isso.

É bom voltar para casa.

A comemoração continua.

As pessoas estão felizes, você está orgulhoso.

Eles expressam seu apoio.

As filas de fãs esperaram por horas,

prontos para ver de perto seu herói local.

Ele é adorável!

Eu quero ser como ele.

Depois tudo se acalma.

Depois chega aquele momento em que você se pergunta.

Farei isso novamente por mais quatro anos?

Ou vou procurar outra coisa para fazer?

E ficamos perdidos.

Acho que muitas coisas partem disso,

estamos tão perdidos, passamos quatro anos

lutando por aquele único momento.

E agora não sabemos o que fazer.

Eu acho que poderia dizer

que um oitenta por cento, talvez mais,

atravessa algum tipo de depressão pós-olímpica.

Depois das Olimpíadas,

as portas da vila se fecham,

e isso é tudo.

A mídia vai embora.

Toda a exposição termina.

Antes dos Jogos de 2008, me lembro de um treinador

do time de mergulho,

foi minha primeira vez nas Olimpíadas,

algo que eu vinha sonhando desde que tinha sete anos,

e ele me disse:

"Não fique surpreso depois das Olimpíadas

com a tristeza pós-olímpica".

Eu tinha dezenove anos, achava que isso não aconteceria comigo.

Depois de todas as Olimpíadas, perdendo ou ganhando,

eu senti um vazio profundo,

porque todo o seu mundo gira em torno desse único dia.

Você cria muitas expectativas, a pressão e as entrevistas,

e o que eu farei depois,

você está planejando o rumo da sua vida.

Depois de cada Olimpíada, existe esse enorme impacto.

Nada realmente tem tanta importância depois.

Eu poderia ficar acordado a noite toda,

porque não estou competindo,

posso comer mais uma fatia de bolo.

Eu me lembro de tentar competir depois das Olimpíadas.

Foi horrível. Eu não tinha nenhuma motivação.

"Qual é a importância disso?

O que é isso comparado com a magnitude

do que acabei de conquistar?"

É como viajar o mundo com amigos,

ou voltar do acampamento de verão,

você volta para casa e se pergunta:

"E agora?"

É tudo silencioso, você se pergunta

o que fez de errado.

O que aconteceu?

Para onde foram todos?

Você está feliz de estar em casa,

mas fica com esse sentimento de isolamento repentino.

Por que você acha que tantos atletas ficam deprimidos

quando voltam das Olimpíadas?

Eu acho que é algo que pode acontecer

com qualquer ser humano.

Com atletas ainda pode ser pior,

porque temos uma grande habilidade de concentração.

Quando você está concentrado em vencer,

em ser o melhor que puder em algo específico,

e você está dedicando tudo a isso,

sem nenhum tipo de equilíbrio,

quando tudo termina,

você sai desse modo de sobrevivência,

onde você deve competir,

então fica se questionando o que fazer com essa energia.

Acho que nós nos esquecemos de que os atletas são humanos

e das nossas necessidades como seres humanos.

Não é sobre vencer, não é sobre o rendimento.

Imaginamos que tudo está indo bem.

Mas e quanto à nossa saúde mental?

E quanto às nossas famílias?

E quanto à nossa educação? E depois do esporte?

E quando você dedicou todo esse tempo e isso termina,

é muito difícil não ficar deprimido.

Senhoras e senhores, bem-vindo, Shaun White!

Tantas coisas mudam depois das Olimpíadas.

E quanto melhor você for, mais famoso fica.

E são maiores as mudanças na sua vida.

A bicampeã olímpica, Lolo Jones!

Olhe para mim.

Lindo.

Mas, mesmo que você tenha uma história de sucesso,

tudo isso tem um preço.

Porque se sua vida inteira foi dedicada

para uma corrida,

uma apresentação

ou um evento,

como isso sustenta tudo o que virá depois?

Claro, você pode tentar novamente.

Você pode voltar a trabalhar duro por mais quatro anos.

Mas, no final, isso não se mantém.

Em algum momento, pelo menos para mim,

houve uma pergunta que me atingiu

como uma tonelada de tijolos.

Quem eu era

fora da piscina.

Somos atletas olímpicos.

E não temos muita certeza se somos algo além disso.

Acho que os fãs mais obstinados de patinação

ou das Olimpíadas sempre reconhecerão você

caminhando pela rua,

mesmo que seja dez anos depois.

Porque você foi uma grande parte da vida deles,

e eles são fãs apaixonados pelas Olimpíadas.

Mas acho que para a grande maioria do público,

eles têm vidas muito ocupadas,

eles assistem os Jogos, ficam emocionados, torcem,

mas depois eles se esquecem, sabe?

Nas próximas Olimpíadas,

eles já se esqueceram.

Não acho que muitos atletas entendam que sempre existe

uma grande fila de pessoas esperando para ser o próximo.

Eles pensam que são insubstituíveis.

Estão quebrando recordes, estão ganhando dinheiro,

sendo aclamados por todos.

Então quando se aposentam, eles esperam

que o esporte sinta a falta deles,

mas nesse momento a realidade chega e diz "adeus".

Depois aparece um novo atleta que ocupa esse lugar.

Do ponto de vista do ego,

isso machuca muito os sentimentos dos atletas,

machuca a estabilidade emocional deles.

É quase como uma esteira rolante de atletas.

Quando você está indo muito bem,

eles cuidam da sua saúde, mas quando você termina,

você está fora da esteira rolante.

Eles têm novos atletas de todos os esportes

chegando o tempo todo.

Quando você é um atleta jovem, eles te amam.

Você é a novidade.

Eles querem promover você. Querem que todos te vejam.

Querem que todos se apaixonem por você.

Mas depois que já participou das Olimpíadas,

você sabe que verá tudo isso acabar.

Você está no negócio de encontrar

os melhores e mais recentes atletas.

Extrair o melhor desempenho deles que puder,

e depois voltar à pista,

e procurar novamente os melhores.

E outra vez, de novo.

É muito engraçado, porque...

Quanto mais tempo você fica aqui, percebe

quem substituirá você.

Temos a Sydney McLaughlin,

dezenove anos, comercializável,

as redes sociais em alta.

"E, Lolo, essa é sua porta de saída. Por favor, pode ir."

Droga.

Acho que o sistema foi feito para a alta rotatividade.

E, por outro lado,

a forma como os recursos

são distribuídos incentiva isso.

Bom trabalho. Legal.

Se sua federação ganha medalhas, você recebe recursos,

se não ganha, está fora.

Não somente os recursos da federação,

mas também os salários e os treinamentos.

Então eu acho que é difícil para essas pessoas

enxergar os atletas como seres humanos.

A realidade do financiamento de atletas neste país

pode deixar você surpreso.

As bolsas para treinamento são mínimas.

Então a maioria dos aspirantes olímpicos só tenta sobreviver

enquanto persegue seu sonho.

Para cada atleta que recebe patrocínio,

existem centenas que precisam trabalhar

para poder se sustentar enquanto treinam.

Cresci assistindo às Olimpíadas de Atlanta de 1996,

e assisti à equipe de ginástica e de atletismo

em toda sua glória.

Eles estavam nas capas de todas as revistas.

E você pensava que eles tinham estabilidade financeira.

Eles deveriam ter, não é?

Avançando para meu futuro,

onde eu tento ser uma atleta olímpica

e estou sobrevivendo com sete mil dólares por ano.

Toda a ideia de ir para as Olimpíadas,

especialmente se você ganhar uma medalha,

e de ter segurança financeira pelo resto da vida

é uma bobagem enorme.

Mesmo se você estiver em um esporte famoso

e se sair bem,

você tem uma pequena possibilidade

de poder capitalizar isso.

E para pagar as dívidas dos treinamentos,

e tentar ganhar um pouco de dinheiro.

Mas, para a maioria dos atletas, não existe dinheiro.

Não existe nada de dinheiro.

Falando somente sobre atletas olímpicos americanos.

Quantas medalhas de ouro você tem?

Porque se você ganhou prata, não ganhará dinheiro.

Bronze? Sem dinheiro. Não ganhou uma medalha?

Eu nem sei seu nome.

Rapaz, volte para o final da fila.

Entre as medalhas de ouro,

quantos estão sendo contratados pelas corporações

para receber algum tipo de patrocínio?

Poucas pessoas estão ganhando dinheiro.

Essas oportunidades de lucro têm um ciclo de vida curto.

Alface, tomate, pimenta, você precisa provar.

Eu diria que, em geral,

a não ser que sua família tenha recursos

para financiar esse processo,

que é o caso de muitos,

você termina o ano com dívidas quando compete,

mesmo com os recursos que recebe.

Tenho muitas dívidas.

Nos últimos anos, tive que me financiar.

Tive um pequeno salário, mas não era suficiente.

Cerca de 750 e 1250 dólares por mês.

Em alguns anos, ganhei muito dinheiro.

E houve outros anos em que eu não recebia quase nada

para toda a temporada.

Como posso sobreviver com isso?

Como atleta olímpica,

fui recepcionista em um restaurante,

trabalhei em uma loja de departamentos.

Acho que o mais chocante

foi quando eu trabalhava em uma academia

e estava preparando sucos,

e minha corrida de obstáculos passou na televisão.

Eu estava preparando um suco para uma pessoa

e ela me perguntou: "Essa é você? Como você...".

As pessoas não entendiam.

Você não vê um jogador de futebol competir

e logo depois preparar sucos em uma academia

por sete dólares por hora?

Posso dizer que tive muita sorte

porque tive muito apoio e patrocinadores.

Se você está no time nacional de natação,

recebe 1700 dólares por mês.

Com isso você deve pagar os gastos com treinos,

as viagens, custo de vida,

alimentação, transporte,

todas essas coisas.

É difícil.

Se isso é o único que você tem,

é quase impossível.

Acho que fiquei mais assustada depois desse ano,

quando não entrei no time.

Recebi um e-mail avisando que meu plano de saúde

seria cancelado no próximo mês.

Eu pensei: "Isso é uma piada?"

Quando sua segurança financeira

está relacionada ao seu sucesso,

a pressão pelo seu desempenho aumenta.

Essa pressão é outro fator

que afeta sua saúde mental.

O Comitê Olímpico dos EUA veio até mim e disse:

"Você ainda não ganhou

nenhuma medalha no trenó.

Você é o número um, nosso melhor piloto.

Na próxima temporada, precisamos que você se dê bem.

Caso contrário, não podemos patrocinar você."

De repente, todo o peso do programa

está sobre meus ombros, eu preciso ir bem.

Katie Uhlaender, dos Estados Unidos,

vinte e quatro anos, de Breckenridge, Colorado.

Em 2008, meu pai foi diagnosticado com câncer.

E eu saí em turnê,

para o Skeleton, a turnê dura seis meses.

Ficamos na estrada de outubro até abril.

Meu pai entendia isso e pediu que eu fosse competir,

mas recebi esses e-mails da minha mãe

dizendo que ele não estava bem, que eu precisava voltar.

Conversei com meu treinador e disse:

"Preciso voltar para casa".

Ele respondeu: "Não podemos".

Perguntei por que e ele disse: "Você é a única que temos.

Precisamos de você para ganhar medalhas".

Lá vem ela,

subindo rapidamente para a décima segunda.

Na primeira vez, não respondi.

Depois recebi um segundo e-mail da minha mãe,

dizendo que ele não sobreviveria.

Eu perguntei novamente

e ele me deu a mesma resposta.

Foi uma situação muito difícil.

Eu amava o esporte e meu pai entendia isso,

mas eu queria voltar para casa.

Era cada vez mais difícil tentar convencer a mim mesma

e a eles de que eu queria ir.

Mas...

Ele faleceu enquanto eu estava competindo.

E...

Eu acho que nunca pude superar isso.

No meu caso,

houve vários sinais de alerta.

Eu não conseguia lidar com as mudanças na minha vida

depois do meu sucesso nas Olimpíadas.

Eu definitivamente tomei decisões ruins.

Alguns meses depois de ganhar a medalha de ouro,

Michael Phelps foi preso por dirigir embriagado.

Então cheguei ao fundo do poço em 2014.

E isso colocou tudo o que aconteceu antes

em perspectiva.

Michael Phelps, o atleta mais renomado da História,

foi preso novamente por dirigir embriagado.

A polícia me parou.

Fui para casa naquela noite

e eu estava destroçado. Destroçado.

Fiquei sentado naquele quarto.

Não saia.

Não bebia água, não bebia nada,

não comia nada.

Fiquei basicamente sentado no meu quarto

chorando.

Eu sentia que estava tudo chegando ao fim.

Nesse momento, estava pensando em terminar com tudo.

No final,

eu tive sorte de estar rodeado de ótimas pessoas

e tinha os recursos para conseguir ajuda de verdade.

Entrei em um centro de tratamento,

desliguei meu celular,

e passei os próximos quarenta e cinco dias me reconstruindo

dos pés à cabeça.

Então quando eu voltei,

me encontrei em um lugar muito melhor.

Tive outra constatação também.

Que eu não era o único atleta olímpico

que se sentia dessa forma.

Depois de 2008, eu estava tão esgotada

que dirigia meu carro e pensava:

"Espero que um caminhão me acerte.

Só espero que um caminhão me acerte e acabe comigo,

que ninguém se machuque além de mim".

Eu só queria desaparecer.

Eu lutava contra esses pensamentos suicidas,

lutava contra sentar no meu carro,

fechar as portas da garagem com o carro ligado.

Quando a depressão começa, você entra em uma espiral

que vai te levando cada vez mais para o fundo

e você termina fazendo alguma loucura.

Eu me perguntava qual era o sentido.

Qual é o sentido de ganhar uma Olimpíada?

O sentido de se sacrificar e treinar tantas horas,

se é esse o resultado?

Nesse momento, me lembro que pensei:

"Como faço para acabar com minha vida rápido, sem dor?"

Cheguei a pensar em algumas maneiras,

mas acho que nunca cheguei no ponto onde

eu me sentia com confiança

para cometer suicídio.

Poderia me enforcar? Isso não.

Atirar em mim mesmo? Eu não saberia onde conseguir uma arma.

Minha melhor opção era dirigir muito rápido

e me jogar contra um poste de luz.

Eu não sentiria nada,

mas seria mais fácil para mim poder acabar com essa vida.

Em maio de 2017, foi quando realmente comecei a pensar

em terminar com a minha vida,

porque era quase insuportável.

Eu tinha um bom dia quando conseguia levantar da cama

antes das onze horas ou meio-dia.

Eu lavo meu rosto, escovo meu cabelo,

escovo meus dentes,

e saio do meu apartamento.

Ficava pensando que não sabia o que teria do outro lado,

mas achava que provavelmente seria melhor

do que qualquer coisa que eu esteja vivendo agora.

O único motivo de eu não ter me suicidado

foi pela minha irmã gêmea Carly.

Eu não a abandonaria, de jeito nenhum.

Eu estava presa nesse estranho espaço

entre não necessariamente querer morrer,

mas eu não podia continuar vivendo assim.

Porque eu realmente queria viver novamente.

Sentir coisas boas, ver o mundo novamente,

estar envolvida com minha vida.

Era como se minha vida fosse uma redoma de vidro

e eu podia olhar para ela e ver tudo o que estava acontecendo,

mas eu não conseguia me envolver com ela.

Existia essa parede me separando

do resto do mundo.

Desci as escadas e pensei:

"Esse é o momento,

tenho uma oportunidade aqui".

Essa é a última coisa que me lembro.

O que torna isso assustador é que, depois de tudo,

você não percebe todas as pessoas

que teriam ficado destruídas e devastadas.

Eu não contei para ninguém.

De fato, depois de ganhar a medalha de ouro em Vancouver,

não contei para ninguém,

foi um momento entre mim e Deus,

ou, sabe, somente eu no meu quarto.

E isso era tudo.

Ninguém mais saberia ou descobriria nunca.

E foi só depois de escrever meu livro que decidi

que as pessoas precisavam saber.

E, na verdade,

uma das maiores motivações foi

um amigo próximo, um atleta.

Jeret Peterson se matou

enquanto eu estava escrevendo meu livro,

e foi isso que me motivou,

isso é algo grande, como uma epidemia,

não é somente ele, existem várias pessoas sofrendo.

Eu cresci com Speedy.

Ele estava na equipe aérea,

eu estava na equipe dos magnatas.

Nós éramos os mais jovens do time.

Eu o via como uma criança despreocupada,

que se divertia muito.

Ele estava sempre sorrindo, sempre feliz.

Speedy, como você ganhou esse apelido?

Esse apelido começou quando eu tinha onze anos,

no meu primeiro acampamento.

Eu tinha um colete xadrez

e um capacete de corrida que era do meu tio.

E eu realmente não entendia o conceito de esperar na fila,

então eu ia na frente dos outros campistas

e dava cinco saltos, enquanto os outros davam dois.

Então não foi por uma namorada?

Não, por sorte, não. Seria uma ex-namorada.

Não foi até 2009,

quando estávamos em Lake Placid,

no Centro de Treinamento Olímpico para o torneio mundial.

Ele me perguntou se poderíamos conversar um pouco,

eu disse: "Claro".

E nós fomos para a sala da televisão,

era de noite, estava escuro, não tinha ninguém por perto.

Ele disse: "Quero me abrir com você".

Eu disse: "Claro, o que está acontecendo?".

Ele começou a chorar.

E ele me disse:

"Na maioria dos dias, não tenho vontade de estar vivo".

Eu não sabia nada sobre saúde mental naquela época.

Eu estava muito despreparado.

Porque eu penso no Speedy como uma pessoa

sempre muito feliz e bem-sucedida.

E eu não soube como reagir.

Eu disse para ele: "Speedy, olhe para si mesmo,

você tem tanto sucesso, é um rapaz bonito,

você tem o vento soprando a seu favor,

o que está acontecendo?".

E ele realmente se abriu comigo,

eu penso com frequência naquele momento.

Queria poder voltar no tempo agora.

Porque eu teria lidado com isso

de uma forma diferente.

Ele estava terrivelmente deprimido.

Quando ele era jovem, foi abusado sexualmente.

O colega de quarto dele se suicidou com um tiro.

Jeret foi testemunha de toda essa situação.

A partir desse momento,

a vida dele nunca mais foi a mesma.

E isso foi seis meses antes das Olimpíadas de Turim.

Eu não queria que ele fosse,

implorei para ele não ir, mas ele insistiu.

Ele estava fora de si,

ele não sabia para onde ir, a quem recorrer.

Ele perdeu a identidade.

Ele me falou que não sabia se conseguiria

seguir em frente por muito tempo.

E... Que eu não ficasse surpresa.

Aqui é o 911, qual é o endereço da emergência?

Estou no estacionamento no topo de Lamb¹s Canyon.

Certo, o que está acontecendo aí?

Eu vou me matar.

E quero que a polícia encontre meu corpo.

Você cai de joelhos e seu coração...

Simplesmente se despedaça.

Não sinto raiva dele,

pelo que ele fez.

A dor se torna insuportável.

E a dor que ele estava sentindo,

eu sei porque a vi.

Seu espírito é esmagado.

E realmente foi insuportável para ele.

Não pude evitar me sentir um pouco responsável.

Não pude evitar pensar

o que eu poderia ter feito diferente,

com quem eu poderia ter conversado,

se eu poderia ter feito algo.

Preciso lutar com esse sentimento.

Você pode estar escutando

sobre nossos problemas e se perguntando:

"Por que você não procurou ajuda?"

Bem, existem vários motivos.

Provavelmente o maior deles está conectado

com o que nos levou ao topo em primeiro lugar.

Nossa convicção de que podemos nos tornar invencíveis,

se nos esforçarmos o suficiente.

Nossa convicção de que jamais precisaríamos de ajuda.

Nosso medo de parecermos fracos e vulneráveis.

O estigma de ter problemas de saúde mental

é uma grande questão que atravessa toda a sociedade.

É difícil falar sobre essas questões

ou reconhecer que elas existem.

Os atletas são, definitivamente, um grupo

que quer manter sua dor escondida.

É muito simples.

Os atletas geralmente não recebem ajuda

com os casos de depressão

ou, sabe,

transtornos de saúde mental,

porque eles não podem admitir que estão tendo problemas.

Isso é fundamentalmente contrário a ser um competidor.

Isso é uma guerra. É um jogo de estratégia.

É um jogo de manobras e posturas.

Você precisa mostrar para o mundo que é forte.

Precisa mostrar para seus adversários.

Que você é forte.

Então, se você for admitir que tem transtornos mentais,

isso quebra a fachada de tentar mostrar ao mundo

que você é imbatível.

Eu estava preocupado

em ser visto como uma pessoa frágil,

que você não quer por perto.

"Não podemos confiar no Holcomb, não sabemos o que ele pensa,

ele fará alguma loucura."

"Sabe, ele não está mentalmente apto para ser qualquer coisa."

Você não quer esse estigma circulando.

Então não falei para ninguém, guardei esse segredo.

Nós, atletas, não conversamos sobre nossas fraquezas.

Somos durões.

Nós escondemos qualquer coisa,

especialmente em um ambiente de equipes,

porque você não quer que ninguém saiba

pelo que você está passando.

A coisa mais difícil que eu tive que lidar

foi que, visto de fora, você tem tudo.

Por que você não está feliz o tempo todo, a semana toda?

Se eu tivesse quebrado meu joelho,

tenho certeza de que teria

o melhor fisioterapeuta, o melhor cirurgião, ortopedia...

Qualquer coisa que eu precisasse para curar meu joelho.

E sei que se eu tivesse... Eu mencionei isso antes

para alguém na federação, eu disse: "Estou passando

por um momento realmente horrível agora,

e isso interfere na minha vida".

Disseram: "Você pode procurar um terapeuta na sua área".

Ser um atleta olímpico é divulgado

como algo maravilhoso,

mas nunca se mencionam todos os efeitos colaterais.

Digamos que você chega nas Olimpíadas.

Alguns efeitos colaterais podem incluir

distúrbios alimentares, depressão,

ansiedade, pensamentos suicidas,

quase uma desconexão com o mundo real.

Quando esses efeitos colaterais aparecem,

não há nada que possa ajudar você a superar isso.

Eles dizem que mantêm seus atletas

felizes e saudáveis,

mas a única ajuda que eles oferecem é física.

O resto é um problema pessoal seu.

Acho que hoje posso dizer, honestamente,

revendo minha carreira,

acho que ninguém nunca se importou

em nos ajudar.

Nunca alguém nos perguntou se estávamos bem.

Contanto que seu desempenho fosse bom, nada mais importava.

É algo horrível de se dizer.

É triste de se dizer.

Nunca pensei em como o USA Diving

ou o Comitê Olímpico

poderiam ter me ajudado.

Não pensei se poderiam me ajudar com a preparação psicológica.

Eles fizeram um bom trabalho me ajudando a permanecer

mentalmente forte no meu esporte,

mas nunca se preocuparam

em como eu poderia manter minha força mental fora do esporte.

O problema é que, sem um entendimento completo

de quem poderia nos ajudar,

é difícil encontrar a pessoa certa.

Porque parece que os psicólogos e psicólogos esportivos

todos querem trabalhar com um atleta olímpico

e receber o crédito pelo seu desempenho,

mas quando se trata de problemas familiares

ou de saúde mental,

não existe ajuda.

Estou muito frustrada com o sistema

e acho que, enquanto eu

vou me aproximando do final da minha carreira,

isso fica mais evidente para mim.

Isso é tudo. Eu disse isso antes

e volto a repetir, essa é a última vez.

Não importa como está a sua carreira

ou o quanto ela pode durar,

todos nós temos o mesmo final em comum.

A aposentadoria.

Não é natural se aposentar quando você tem 20 ou 30 anos.

Quando você dedica sua vida

a perseguir um objetivo tão específico,

e fica tudo para trás,

aparece uma grande pergunta.

O que farei agora?

E outra ainda maior.

Quem sou eu?

E a verdade é que não existem muitos programas

que ajudem os atletas a lidarem

com as emoções geradas por essa transição.

O que sobra para um atleta olímpico

depois que a sua carreira termina?

Acho que não existe nada.

Se estamos falando de recursos de terceiros,

acho que não existe nenhum,

nenhum que eu tenha usado.

Não usei absolutamente nenhum

nos nove anos e meio em que estou aposentado.

Não existe uma pensão, não existe um bônus.

Não existem ações na bolsa.

Não existem oportunidades de trabalho.

Não existe mais treinador e nem treinamentos,

não existem mais equipamentos, não existe mais salário,

não existem mais prêmios em dinheiro,

não existe mais patrocínio em alguns casos,

Sim... Essa é a realidade.

Eu realmente não conheço nada que exista

para atletas olímpicos aposentados,

mas eu sinto

que o principal trabalho do Comitê Olímpico dos EUA

é ajudar aos atletas mais jovens a conquistarem seus sonhos.

Jamais me arrependerei

de competir pelos Estados Unidos,

pelo meu país. Claro que não.

Ajudei a promover os esportes olímpicos

por três Olimpíadas.

Entreguei meu sangue, suor e lágrimas.

Entreguei meu talento,

e eu só peço que,

depois que tudo termine,

alguém posa me ajudar psicologicamente

a superar tudo isso.

A morte de Speedy Peterson foi um choque

para toda a comunidade olímpica,

mas não foi um incidente isolado.

Stephen Scherer, um atirador esportivo

que representou os Estados Unidos em Pequim,

cometeu suicídio

menos de um ano antes da morte do Speedy.

Kelly Catlin ganhou uma medalha de prata em 2016,

como parte do time de ciclismo.

Depois, ela tirou a própria vida em 2019.

Mais tarde, nesse mesmo ano, Jack Hatton,

membro do time de judô,

também se suicidou.

Ninguém estava preparado para essas tragédias.

Mas a notícia que mais impactou

ocorreu em maio de 2017.

Um choque no mundo do esporte esta noite,

a comunidade olímpica e os fãs do trenó

choram pela morte de Steven Holcomb.

O campeão olímpico foi encontrado em seu quarto

no centro de treinamento

em Lake Placid, Nova York, neste fim de semana.

O motivo da morte ainda não está claro.

Steven Holcomb foi encontrado em seu quarto

no centro de treinamento olímpico, inconsciente,

pela sua melhor amiga, Katie Uhlaender.

Steven tinha 37 anos.

Não sei o que foi pior.

Encontrá-lo

dois dias depois...

Ou tipo...

Perceber que...

Pensar que ele estava dormindo

e perceber que eu não podia fazer nada.

Depois de pensar em todas as vezes

que eu deveria ter ido até o quarto dele antes.

Por que eu não fiz nada antes?

Todas as vezes que eu deveria ter escrito para ele...

Ele era meu melhor amigo.

Eu tinha ataques de pânico,

porque minha mente ia direto para o momento

em que eu o encontrei.

Eu me dava conta de que ele havia partido,

e ficava me perguntando o motivo.

O que mais deve acontecer para mudar essa mentalidade?

O que mais?

Digo...

Quando virmos...

Mais cinco atletas devem se suicidar

para que ocorra alguma mudança?

Digo, quão longe chegaremos

antes que alguém realmente se levante e diga

que temos que fazer algo e que isso é importante.

Acho que não há dúvidas de que os atletas olímpicos

precisam de mais apoio.

A solução para as questões de saúde mental

ou apoio em geral.

Agora estamos apenas começando a entender

quão crítico isso é.

Não acho que eles ignoram maliciosamente

nosso bem-estar.

Acho que eles ainda não percebem

o tamanho dessa crise.

De quantos atletas olímpicos mortos

eles precisam para perceber que isso pode ser uma epidemia?

Recentemente, solicitei ajuda.

Diversas vezes.

E não recebi nada.

Não sei se foi porque isso me afastaria das competições,

ou se eles não têm os recursos, ou se não sabem como ajudar.

Independente disso, se você olhar para o processo

pelo qual tive que passar...

Preciso contar para meu treinador,

ou para meu médico, para minha equipe,

depois eles falam com outras duas pessoas

em Colorado Springs,

e então eles procuram alguém que determina

se meu pedido de ajuda é válido.

Eu passei por esse processo

e, apesar daquelas cinco ou sete pessoas saberem,

não recebi nenhuma ajuda.

Acho que muitos de nós poderiam ter uma história

que terminasse como a de Steve Holcomb.

Porque muitos de nós lutamos contra os mesmos sentimentos.

E eu vi o Steve, talvez uma semana antes.

Ele parecia tão...

Como se tudo estivesse bem.

Acho que todos nós aparentamos estar bem,

até chegarmos a um ponto de ruptura,

onde ou temos a sorte de alguém nos ver,

ou...

ou não temos sorte e morremos.

Lidar com os altos e baixos de ser um atleta olímpico.

Os sacrifícios e os desafios.

E encontrar uma forma

de transição dessa vida superconcentrada.

Tudo isso pode ser extremamente difícil.

Mas há uma forma de avançar.

Existem pessoas e lugares que podem ajudar.

E existem resultados que podem ser bem-sucedidos.

Precisamos mudar essa percepção

de que as questões de saúde mental

devem ser escondidas.

Em um mundo onde os atletas olímpicos

lideram o caminho para quebrar com esse estigma,

o impacto pode ser enorme.

Qual é o melhor lugar para fazer mudanças

do que no palco olímpico?

Os jovens do mundo inteiro admiram essas pessoas.

Se pudermos assumir uma posição e fazer mudanças,

isso pode afetar o mundo,

ao reconhecer o que realmente importa.

Não importa se você é um medalhista de ouro,

e é o atleta mais condecorado da História,

ou se dirige um ônibus,

você está sujeito à depressão.

Pude lidar com isso através da minha fé,

eu ainda faço isso,

mas não há problema em lidar com isso de forma diferente.

Quando as coisas começaram a ficar ruins,

se eu tivesse visto alguém uma ou duas vezes por semana,

provavelmente não teria chegado onde cheguei.

Somos humanos.

Acho que não preciso dizer mais nada.

Somos humanos como todo mundo.

Sim, eu ganhei muitas medalhas.

Tive uma carreira incrível.

Isso não importa.

Eu não estava feliz com quem eu era.

Eu me via apenas como um nadador,

não como um ser humano, não como uma pessoa.

Sem amor-próprio, sem autoconfiança.

Pensar em cometer suicídio e terminar com sua vida,

quando eu penso sobre isso...

É uma loucura tudo o que aconteceu,

tudo o que aprendi.

Está bem não se sentir bem,

está bem poder conversar com outras pessoas sobre isso.

Você deve encontrar as pessoas certas na sua vida,

com quem pode falar sobre isso.

O que torna os atletas olímpicos tão especiais

é seu poder de unir o mundo.

Como todo mundo,

mal posso esperar para viver em um mundo

onde isso seja possível novamente.

E espero que, quando isso aconteça,

os atletas no centro de tudo

não estejam somente preparados para competir,

mas que tenham apoio para o que virá depois,

quando a tocha se apagar.

TOCHA OLÍMPICA TÓQUIO 2020

Minha própria saúde mental segue sendo um desafio

que eu devo enfrentar todos os dias.

É uma parte da minha vida.

Assim como ser um marido e um pai.

Demorei muito tempo para poder dizer isso.

E estou pronto para dedicar meu tempo nos próximos anos

a mostrar a todos que podem encontrar ajuda.

E que está tudo bem

em não se sentir bem.

SE VOCÊ OU ALGUM SER QUERIDO PRECISA DE AJUDA,

POR FAVOR, LIGUE PARA A LINHA NACIONAL

DE PREVENÇÃO DE SUICÍDIOS: 1-800-273-TALK.

PARA RECURSOS E APOIO ADICIONAL: WWW.WEIGHTOFGOLDRESOURCES.COM

RECURSOS DE SAÚDE MENTAL ESTÃO DISPONÍVEIS

PARA OS ATLETAS DOS ESTADOS UNIDOS,

SE COMUNIQUE COM O COMITÊ OLÍMPICO E PARALÍMPICO.

PARA MAIS INFORMAÇÕES, VISITE WWW.TEAMUSA.ORG/MENTALHEALTH

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