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Original subtitles

Ol�! Onde raio est�s? Porque n�o atendes?

Est�s a assustar-nos!

Est� tudo bem, m�e. Dormi em casa do Gianluca.

Vou trabalhar e estou atrasado. J� te ligo. Adeus.

QUARTA SEMANA

- Bom dia. - Bom dia.

H� uma surpresa.

Virgem Maria.

Virgem Maria.

Veja quem voltou.

Ele chegou aqui sozinho. Entrou e correu para o quarto.

Madonnina!

Madonnina.

Bom dia, Madonnina.

N�o me reconheceste?

� um reencontro familiar.

Ele precisa de um duche.

- Virgem Maria! - O qu�? O que se passa?

Virgem Maria!

- Virgem Maria! - Acho que ele quer a cama dele.

Paolo, importas-te de deixar a cama para ele?

- Claro, sem problema. - � mesmo verdade. Aqui est� ele.

Bem-vindo de volta, Madonnina. Estamos todos aqui?

- Virgem Maria. - N�o sou a Virgem Maria.

Por agora. Mas vou ver o que posso fazer. Podes ficar aqui entretanto.

Tamb�m reconheceu a Cimaroli. A n�s s� nos ignorou, doutor.

- Obrigado por o fazeres parar. - Tudo bem.

- A cama est� livre. - Virgem Maria.

Virgem Maria.

Posso?

Sr. Marchetti, por favor, entre.

- Bom dia, doutor. - Bom dia.

Daniele, podes ficar.

Ent�o...

Sr. Armando, infelizmente a Pol�cia

disse que a sua casa estava ilegalmente ocupada por uma fam�lia com um menor.

A minha casa?

Sim.

Por isso, neste momento,

n�o tem morada permanente e tamb�m n�o pode ficar aqui.

N�o posso?

Armando, convenhamos. N�o tem problemas psiqui�tricos.

- N�o? Quer dizer... - N�o tem e devia estar feliz.

E, neste momento, s� se pode alojar na C�mara.

Mas a C�mara deu-me aquela casa.

Eu sei. � injusto.

Candidatei-o a um lar p�blico.

Um lar para idosos.

Vamos fazer figas.

S� quero um lugar para morrer em paz. � s� isso que pe�o.

Armando.

Olhe. Conseguiram recuperar isto.

� o meu �lbum de fotografias.

Bem...

Este sou eu, em �stia. V�s? Esta � a minha m�e.

E este � o meu pai.

- Homem bonito. - N�o �?

Era um grande filho da m�e.

Mas ele amava-me como nada no mundo.

Levava-me sempre com ele. A todo o lado.

A minha m�e queria que eu ficasse em casa.

Ele n�o queria saber.

N�o.

A primeira vez que fomos ao hip�dromo de Tor di Valle...

Eu tinha uns cinco anos.

Foi t�o emocionante.

A minha primeira corrida de cavalos. Uma corrida a trote. Ainda me lembro.

Depois percebi porque � que a minha m�e n�o queria que eu fosse com ele.

N�o � que ele n�o me amasse. Pelo contr�rio.

Al�m do seu amor, ele passou-me a febre das corridas.

Comecei a apostar, tal como ele.

- Costumava apostar? - Sempre.

Perdi tudo. Tal como ele.

Ele amava-me tanto.

Quando ganh�vamos e o nosso cavalo ficava em primeiro,

ele ficava t�o feliz que me atirava ao ar.

- Tamb�m me apanhava. - Certo.

Sai da minha frente.

N�o, s� quando ouvires o que tenho a dizer.

Desembucha.

� verdade. Fui uma cabra ego�sta.

N�o devia, mas quando te vi na minha cama...

Achaste boa ideia dizer ao mundo inteiro?

Porque tentas sempre arruinar-me a vida?

N�o percebes, Daniele?

O qu�?

Eu amo-te, idiota.

Amo-te.

Lembras-te do beijo que me deste quando sa� daqui?

Sim, mas fi-lo para irritar o teu pai.

N�o. Para mim, foi maravilhoso,

fez-me pensar que pod�amos...

Gianluca, eu gosto de mulheres.

Sempre soubeste isso. N�o posso fazer nada.

Sim, disseste-me. � por isso que...

... n�o te posso continuar a ver.

Mas que merda?

Acabou, Daniele. Tentei, mas j� chega.

J� n�o posso ser o confidente dos teus problemas amorosos. D�i.

Preferia n�o te voltar a ver.

Mesmo que fosses o maior amor da minha vida.

Gianluca.

N�o sabes o que perdes.

Entra.

- O que est�s a fazer? A escrever poemas? - N�o, � s� uma coisa para o Pino.

Uma carta para a Rossana, a enfermeira do turno da noite. Ele n�o consegue.

Espero que te pague.

Como est�s?

N�o sei. Bem? Mal?

A m�e contou-me.

A vida � dura, como sempre.

Mas est� a melhorar no trabalho.

Ocasionalmente, tenho a impress�o de que posso ser �til.

Isso � bom. O que se passa?

O que se passa?

Receio que levem a Maria. Estou aterrorizado.

N�o vai acontecer.

- N�o? - N�o.

Chega-te para l�.

Vamos ver o que escreveste.

"�s a primeira coisa em que penso de manh�

e a �ltima antes de dormir."

Meu Deus, � � moda antiga.

O qu�? O Pino � assim. � moda antiga.

E ela? � uma freira enclausurada?

Se algu�m me escrevesse algo assim,

rir-me-ia na cara dele.

Porque �s uma besta. Tinhas batido na Nina se n�o te tivesse impedido.

Nem digas esse nome. Nem o da m�e dela.

Juro que lhes dava um estalo na cara.

Assim mesmo! Mago�-las a s�rio. "Agora vai ver a grava��o!"

- Ent�o? - O qu�?

O que se passa?

O que se passa, Giovanni? Estamos s� a divertir-nos.

Estiveram a fumar charros.

Charros? Quem me dera! Somos naturalmente pedrados, Giovanni.

Sim? Afastem-se.

- N�o! Mas que... - �s parvo? Vais partir a cama!

Saltaste-me para cima? Pesas uma tonelada!

Nada de pol�cias na minha cama!

- Est�o a ofender um agente. - Sabes onde enfio esta tromba?

- Liga aos teus amigos. - Agarra-o. Como em mi�do!

"S� para trazer a rosa mais vermelha � tua vida, t�o perto da minha."

N�o sei.

N�o gostas? Se leres assim...

� bom, mesmo que s� perceba metade.

- A verdade � que ela... - Pessoal.

Ela n�o vai cair nisso. � inteligente. Vai gozar connosco.

- Ou vai perceber que �s um poeta. - Sim.

Est� bem, vou tentar. Mantenho-te informado.

Se falares...

Paolo. O Dr. Mancino est� a chamar-te.

Sim, obrigado.

Armando.

Ol�.

Tanto estilo!

Fica-te bem.

Foste tu?

O que foi, cabr�o?

Nada.

- Se precisares de algo... - N�o, desaparece.

N�o sei.

Eu at� tinha medo dele.

Agora, parece muito s�.

�timo, est�s a fazer progressos.

Est�s a manter a dist�ncia certa.

Devemos procurar o n�mero de telefone dos pais?

Pod�amos entrar em contacto, prepar�-los.

Talvez tenha medo de ser rejeitado, mas talvez esteja enganado.

Um passo � frente, dois atr�s. N�o � um reality show.

N�o � assim que funciona. O Rachid � adulto.

N�o podemos fazer nada em nome dele.

Tamb�m cheguei aqui como paciente.

Estava no primeiro ano de Direito.

Fui a casa e encontrei a minha noiva na cama com outro tipo.

A minha mem�ria est� turva, como num pesadelo.

Gritos, socos, sangue.

Depois o internamento involunt�rio. A Elisabetta estava a come�ar.

A Cimaroli?

Sim. Ela salvou-me. Tinha, no m�ximo, 30 anos.

Quando sa� daqui,

deixei o Direito e entrei em Medicina.

Podes imaginar o resto.

Uma ala psiqui�trica

� uma fronteira que n�o existe.

S� h� uma diferen�a entre n�s e eles.

O acaso.

Vamos voltar ao trabalho.

- N�o podes estar aqui, Paolo. - Doutor.

Mandei-te sair!

- N�o... - O que se passa?

- Nada. - Nada?

Ele entrou e fechou a porta. N�o fez mal nenhum.

Paolo, isto � muito grave. N�o se pode repetir.

- Ouviste-me? - Sim.

Desculpa, Alessia.

Pe�o desculpa a todos.

Paolo, ent�o? Paolo.

- O que aconteceu? O que disse ele? - N�o sei. Ele queria falar.

Fiquei com medo.

- Est�s bem? - Sim.

- Queres fazer queixa? - N�o, n�o voltar� a acontecer.

Est� bem. V�o ver como ele est�.

Sim. Vamos l�.

Paolo.

Sei que n�o querias fazer mal.

Mas n�o te podes comportar assim. A Alessia assustou-se.

N�o assustei.

Paolo. Ent�o?

N�o foi nada. V� l�.

O que aconteceu? Atirou-se a ti?

N�o � preciso de ser um g�nio da psiquiatria

para ver que o problema do rapaz � n�o dar uma queca.

Ri-te, mas nunca tive uma mulher!

Exatamente.

S� lhe queria dizer...

Esque�am.

V� l�, n�o � nada, est� bem?

Desculpem, podemos entrar em contacto com uma mi�da bondosa?

Vamos dar-lhe a primeira vez.

Uma punheta serve. � r�pido, mas sempre eficaz.

Apesar das minhas melhores inten��es, n�o posso mesmo.

� um sacrif�cio demasiado grande.

Porque se riem? Qual � a gra�a?

O sexo ser uma coisa s� de pessoas normais enfurece-me.

As pessoas doentes e inv�lidas n�o merecem um orgasmo de vez em quando?

N�o?

Vou-me embora. A Nina vem a� e vou levar a Maria.

Est� bem.

- Virgem Maria! - Sai!

Sai da�.

- Ele quer um cigarro. - Est� bem.

Toma l�.

Virgem Maria.

- A Matilde? - Ficou no outro quarto.

Matilde.

Matilde. Ent�o?

Matilde.

Vai-te embora!

Estou assim por tua causa.

- Por minha causa? - Sim! Por tua causa.

S� pedi uma l�mina para fazer a barba.

Tenho barba branca de velho. Sou nojenta.

Nojenta!

- N�o tens barba. - Tenho, sim!

N�o te posso dar uma l�mina.

Ent�o, vai-te embora! �s in�til. Vai-te embora.

Mas...

Mas...

Posso barbear-te.

Se confiares em mim.

Pronto.

Vira a cabe�a. Sim.

Diz-me se te magoar.

Espero n�o te cortar.

Espera.

Bravo.

Obrigado.

A longa estrada levava � casa da princesa.

Que estava � espera do seu pr�ncipe. Aqui est� ele.

- Aqui est� ele. - Daniele.

Ol�, Giorgio. Apresento-te a Maria.

- J� a conheci. - Sim?

O que est�s a fazer?

A Nina est� com a Cimaroli. Estamos a brincar enquanto esperamos.

Certo, Maria? A flor � para mim?

- N�o arranques as flores, est� bem? - V� l�, Giorgio.

A Maria pode.

Na verdade, deixa-me falar com ela sobre as flores.

For�a. Vou deixar-te com o tio Giorgio, est� bem?

Maria, isto � uma margarida.

Uma flor perene, o que significa...

Vive mais de dois anos, sabias?

� o tio Giorgio.

Quando est� frio, no inverno, achas que est� morta.

Mas durante o ver�o,

ou a primavera...

Quando sorris e �s pura alegria O mal n�o existe

Os teus bra�os tremem no ar A agarrar coisas invis�veis

Luzes e sombras Brincam contigo em segredo

Numa l�ngua proibida a todos

O amor do tio.

Voa, querida!

Voa, querida!

� o monstro dos beijos. Voa! Gostas?

Est�s pronta? Voa!

Aqui est� ela. Voa.

Disse-te para n�o a sujares.

- Est�vamos a divertir-nos. - Sim.

- Aqui est� a m�e. - Querida!

- Aqui est� a m�e! - Maria, amor da m�e!

- Ol�. - M�e.

- Vamos l�. - Como correu com a Cimaroli?

Muito bem. � melhor ter consultas por mais um m�s.

Para apoio. Com a audi��o em breve, acho que ela tem raz�o.

Que audi��o?

N�o te disse.

A diretora de elenco do Virzi ligou-me para um papel no seu pr�ximo filme.

- Obrigada pelo entusiasmo. - Disseste que tinhas acabado com isso.

Pensei que estavas bem na universidade com ela...

Sim, certo. No in�cio, tive as minhas d�vidas,

depois vi um v�deo antigo meu e n�o conseguia acreditar.

Quer dizer... Sou atriz.

Esquece aquela s�rie merdosa. Isto � com um realizador a s�rio.

�s tu ou a tua m�e a falar?

Giorgia, expulso-te!

V�s? Esse sempre foi o teu problema.

V�s-me como uma crian�a, como o fantoche da minha m�e.

E julgas-me.

Quem �s tu para me julgar? N�o v�s?

�s um enfermeiro que trabalha numa cooperativa social.

�s um falhado.

Vais ganhar uma ninharia at� ao resto da vida.

N�o quero ser como tu. Adeus.

N�o percebo...

- Em que raio estava eu a pensar... - Vamos.

... na noite em que decidi confiar em ti?

Tu e a tua m�e s�o uma maldi��o!

N�o percebo como uma coisa t�o bonita saiu de algu�m como tu!

Vai-te foder! Vai-te foder!

O que diz aquele homem feio? O que diz o pai? Palavr�es?

N�o podes dizer essas coisas.

Ol�.

- Temos mesmo de ir ao cinema? - N�o sei.

Pino!

Rossana.

- O que fazes aqui? - Eu vivo aqui. E tu?

- Vives aqui? - Sim.

- N�o devias estar a trabalhar? - N�o. Tirei um dia de folga.

Um amigo convidou-me para um jogo de futebol.

- Aqui? Como se chama? - N�o me lembro do apelido.

Ent�o, liga-lhe.

J� liguei, mas ele n�o atende. A televis�o deve estar muito alta.

� por isso... Est� a come�ar. Consegues ouvir?

Eu vou ver. Queres subir?

- O qu�? - Queres subir?

N�o. Vou esperar mais uns minutos para ver se ele atende.

Sen�o, vou para casa. Deixei o meu c�o sozinho.

Oh. Est� bem. At� amanh�.

Adeus.

Eis o que te queria dizer.

Sou um idiota.

Um primo meu tem contactos na equipa de Roma.

- E depois? - D�-me muitos bilhetes.

Caso queiras ir ver um jogo comigo...

Se fores adepta da Roma. Se fores da Lazio...

Da Lazio? Tive bilhetes para a �poca durante 12 anos em Curva Sud.

Enquanto o meu marido estava bem.

Bem... N�o sei?

Tenho saudades de ir ao est�dio.

Irei com todo o gosto.

- Obrigada, Pino. - Sim.

- Adeus. - Adeus.

Espera. Tenho de te dizer uma coisa.

- Espera. - O que foi?

H� muito tempo que n�o...

N�o te preocupes, est� bem? Relaxa.

Para.

- Para, foda-se! - O que foi?

O que se passa?

Deixa-me sozinha, por favor.

O qu�? �s virgem?

O qu�? Achas que � esse o problema?

N�o, desculpa. N�o aconteceu nada, est� bem?

- Calma. Anda c�. - Est�s estranho. Est�s pedrado?

N�o.

- N�o, n�o estou. Anda c�. - Quero que te v�s embora.

Porqu�? Eu...

Vai-te embora! Vai!

�s como o meu pai.

A vossa doen�a � s� um �libi para o ego�smo e a viol�ncia.

N�o s�o doentes.

S�o apenas maus.

Nunca mais te quero ver.

Nunca.

Merda! Merda! Merda!

Meu Deus.

Ele n�o acreditava no teatro.

Ele ria-se dos meus sonhos,

e, pouco a pouco, fiquei desanimada

e tamb�m deixei de acreditar nisso.

Depois veio...

O... desgosto de amor.

Meu Deus.

O desgosto, a inveja, a ansiedade constante com o meu filho.

Em breve, tornei-me trivial e sem esp�rito e desempenhei os pap�is sem significado.

N�o sabia o que fazer com as m�os, n�o...

Eu n�o...

N�o vales nada! Est�pida! N�o prestas!

Querida. A Maria fez algo estranho.

- Porque entras assim? - Desculpa. S� queria...

Estou-me nas tintas para o que tu ou Jesus Cristo queriam.

Estou a ensaiar. Vai-te embora.

A m�e est� nervosa.

Anda, Maria. Vem � m�e. Linda menina.

Minha beb�.

Desculpa.

Desculpa, a m�e foi m�.

Eu sei. Mas a av� � t�o irritante.

O que vamos fazer? Ler Chekhov?

Tens mesmo de fumar?

N�o gosto que tenhas voltado a fumar.

- De vez em quando. - N�o fumes.

C� est� ele.

Vamos ver o que vai inventar.

O que aconteceu desta vez?

� tudo verdade.

Comecei a tomar sedativos sozinho.

Mas n�o posso continuar.

N�o posso magoar as pessoas que amo, a come�ar por voc�s.

Sabes que estaremos sempre aqui, certo?

Mas tens de acreditar em ti. No que tu vales, que � muito.

Eu sei.

� altura de mudar.

Tenho tantas coisas boas na minha vida.

A Maria, voc�s, um trabalho que adoro.

Tamb�m tenho uma namorada que...

Uma namorada?

A filha do Mario.

Chama-se Angelica.

Mas tamb�m fiz asneira com ela.

Ela disse-me para ficar longe.

Digo � Cimaroli amanh�.

Vou dizer. Ela vai ajudar-me.

Desta vez � a s�rio, juro.

Prometo.

Acredito em ti.

Quero acreditar em ti.

Eu n�o.

J� n�o acredito em ti.

Talvez daqui a seis meses, um ano, saberei se est�s a dizer a verdade.

Mas, neste momento... n�o acredito em ti.

Eu percebo.

N�o comeste.

Isto � uma merda.

D� ao velhote. Ele gosta.

J� comi, obrigado.

Seja como for, tenho fome, maricas.

Um supl� e uma piza n�o ser� suficiente desta vez.

Estamos perto do mar.

Quero uma boa massa com am�ijoas. E grelhados de peixe mistos. Ou fritos?

Sim, uma garrafa de prosecco e um prato de marisco cru. � para j�.

O que fazes, cabr�o? Sabes que n�o podes!

- Larga-me. - E se n�o largar?

Tamb�m queres bater no meu bra�o partido? Continua.

Acho que...

... o Daniele pode ir.

Acho que j� pagou pelo que fez. N�o?

E n�o te esque�as que foste tu que o provocaste.

� verdade.

O Daniele n�o fez nada de mal. Parem de discutir.

O Daniele � um bom rapaz.

Ele � bom para todos. Ele.

A princesa mudou de ideias sobre o escravo?

Talvez porque ele a bajulou.

Querido.

Sempre fui uma mulher.

O meu corpo nasceu acidentalmente com uma pila.

Uma bela pila, por sinal.

Mas essa n�o � a minha �nica caracter�stica de homem.

Por isso, nunca mais fales comigo com aquele tom.

Lembra-te que posso viver feliz na pris�o

depois de arrancar os olhos a um tipo como tu.

E agora,

pede-me desculpa

e pede desculpa ao Daniele.

Desculpa.

N�o te ouvi.

Desculpa, Matilde.

�timo.

Agora pede desculpa ao Daniele.

Desculpa tamb�m a ti.

"Daniele, desculpa."

Daniele, desculpa.

�timo.

- Quero pedir-te uma coisa. - Diz.

- Quero ligar para casa. - Claro.

- Vou l� para fora. - N�o � preciso. N�o compreenderias.

Como correu?

Quando a minha m�e ouviu a minha voz, come�ou a chorar.

As coisas n�o est�o bem.

S� trabalha o meu irm�o mais velho, os mais novos ficam em casa com ela.

O teu pai?

O meu pai morreu quando eu tinha dez anos.

Trabalhava na constru��o civil, como o pai do Alessandro.

Mas ele n�o morreu na cama,

caiu de um edif�cio em constru��o.

A minha m�e n�o queria ficar em Marselha como clandestina

e voltou para a Arg�lia.

Com os meus irm�os.

E eu...

Fiquei em Fran�a para me tornar jogador de futebol profissional.

Ela esperava que eu lhe dissesse

que o futebol resultou e que lhe podia enviar algum dinheiro.

N�o lhe consegui mentir, mas disse-lhe

que h� muito trabalho em It�lia.

Que estou a trabalhar muito.

�timo.

Vais sair daqui em breve, certo?

O que vais fazer?

O que vou fazer?

O doido. Ou o criminoso.

Voc�s, europeus, s�o bons a transformar-nos nisso.

Somos �teis enquanto somos fortes, aguentamos a fadiga,

corremos, jogamos futebol como voc�s j� n�o querem fazer.

Mas quando cedemos, deitam-nos fora. Quem se segue? Como escravos.

Na pr�xima quarta-feira,

Alessandro Proietti ser� transferido para um lar.

Na segunda de manh�

eu trato dos pap�is da alta, registo m�dico e tudo o resto.

Ele n�o tem bagagem.

Perfeito, Pino. Obrigada.

De nada. Posso acabar de dar a medica��o?

Sim, claro.

� triste ver o Alessandro partir?

Sim, um pouco.

- Mas sei que � o melhor para ele. - Sim.

Queres dizer-me alguma coisa?

N�o.

Sim ou n�o?

Sim, mas talvez noutra altura.

Agora s� consigo pensar no Alessandro.

Est� bem. Quando te apetecer falar, estou sempre aqui.

Sim. Obrigado.

Mais uma coisa.

Podemos levar o Alessandro l� fora, talvez com o Madonnina, para dizer adeus?

Sim ou n�o?

Giorgio!

Ele n�o est� aqui.

Giorgio!

Giorgio!

Madonnina! Voltaste?

A comida � demasiado boa. S� sincero.

Giorgio, tenho boas not�cias.

V�o levar o Alessandro para um s�tio onde ter� mais ajuda.

V�o lev�-lo?

Sim, para um s�tio onde o podem ajudar a melhorar.

Isso devia deixar-me feliz, Daniele?

A s�rio?

Ou transformaste-te num daqueles que gozam com o Giorgio?

Que pensa que o Giorgio � um mi�do,

como aqueles que n�o me deixavam ver a minha m�e.

Virgem Maria.

N�o s�o boas not�cias, Giorgio.

Mas n�o podemos fazer nada.

Temos de nos portar como adultos.

Mas ouve.

Vamos visit�-lo. Prometo-te que vamos.

Temos de ser adultos.

Ser adulto � muito feio, Daniele?

Eu sei que �, mas n�o podemos fazer nada.

Temos de o fazer ou nunca sairemos daqui.

Estou bem aqui. Desde que possa tratar das flores.

N�o te preocupes, Alessandro, n�o nos vamos perder.

Ele diz que te vamos visitar.

O teu Giorgio cuida de ti.

Queres ver as flores novas?

Vem com o Giorgio.

Madonnina, vem tamb�m.

Ol�.

Estou a enviar-te esta mensagem...

... para pedir desculpa.

Tens raz�o. �s vezes, escondemo-nos atr�s da nossa doen�a.

E torna-se um �libi.

Mas quero pedir-te uma coisa.

D�-me outra oportunidade.

Estou a tentar mudar, ser diferente.

Estou a tentar.

N�o quero que acabe assim.

Por favor.

Onde est�o eles?

Giorgio?

Giorgio?

Giorgio!

Giorgio!

Parem!

V� l�, Madonnina!

Vamos!

- Vou levar-te � praia! - Giorgio!

Giorgio!

V�s, Alessandro? Trouxe-te � praia.

Tamb�m h� um barco a remos.

- Giorgio! - Aqui est�.

Giorgio!

- Aqui est�! - Giorgio!

Giorgio!

Madonnina, ajuda-me. Empurra!

Empurra!

O que est�s a fazer?

- Vou lev�-lo! - Para onde?

- Para longe daqui. - N�o podes fazer isso.

Eu posso. Tu � que n�o podes. Tornaste-te um deles.

Virgem Maria!

V�s? Ele tamb�m se quer ir embora!

Voc�s t�m raz�o. Vamos!

- V� l�! Vamos! - Continua a empurrar!

Estou encharcado! Vamos!

- Vamos deixar este mundo de merda! - Vamos!

O Alessandro � o nosso capit�o. Em dire��o ao Sol!

- Em dire��o ao Sol! - Virgem Maria!

Vamos!

Virgem Maria!

Virgem Maria!

Virgem Maria!

- Madonnina! Por ali! - Virgem Maria!

Madonnina!

TODOS QUEREMOS SER SALVOS

BASEADO EM TUTTO CHIEDE SALVEZZA DE DANIELE MENCARELLI

Legendas: Helena Cotovio

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