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� UM DIREITO
RECUPEREMOS A SA�DE
Bom dia.
- Bom dia, Paula. - Bom dia, Dr. Moa.
Chegou uma carta para si.
- Obrigado. - De nada.
Ol�, Dr. Moa.
Dr. Moa.
Dr. Moa!
Ol�!
Est� a� algu�m?
Dr. Moa?
Est� a� algu�m?
Dr. Moa?
Dr. Moa?
A maioria acha que o Dr. Moa ganhou o debate.
Sim, Emilio, mas a greve acabou, � isso que importa.
Muitos acharam-te cansada, duvidam que estejas curada
e que possas continuar a trabalhar com plenas capacidades.
Deixa-os falar.
No Twitter, a tend�ncia � "Patricia, demiss�o".
"O partido de Segura procura um substituto
para as elei��es do pr�ximo ano? Devia."
O que � isto?
O meu projeto-piloto para a privatiza��o de um hospital. Agora?
Sim.
Implementa-o.
Aqui, neste.
Dir�o que � vingan�a por ter perdido o debate.
N�o.
� a decis�o de uma presidente em fun��es
que n�o receia aplicar as medidas em que acredita.
� um murro na mesa, Patricia. Precisamos disso.
Estou � espera do N�stor para continuar o meu tratamento.
N�o acho que seja boa altura para o virar contra mim.
- � uma pena. - Sim.
Mas � bom que, por uma vez, ponhas a pol�tica de lado
e te concentres na tua recupera��o.
V� l�, Emilio, por favor.
N�o, a s�rio.
A doen�a mudou as tuas prioridades, eu percebo. N�o � mau.
- Digo eu. - Desculpem.
O Dr. Moa teve de cancelar as consultas de hoje. Lamento.
Podemos e queremos mostrar que o nosso plano � infal�vel.
Infal�vel!
O Sorolla est� na ribalta, � o momento e o local para faz�-lo.
Claro, seria o nosso hospital piloto.
Depois da greve, n�o pode ser de outro.
As medidas s�o um pouco radicais.
As mudan�as seriam graduais, com pequenos testes.
N�o h� pressa, mas temos toda a inten��o
de tornar o Sorolla o melhor hospital de Espanha.
Para isso, vou voltar a ser tratada aqui.
Para ver como sou a principal interessada em fazer as coisas como deve ser.
Recuperaste depressa.
Porqu� isto depois do que fal�mos?
N�o percebo.
Pediram uma comiss�o deontol�gica.
- N�stor... - Para avaliar a tua cirurgia.
E suspenderam-me preventivamente at� l�.
Juro que n�o fa�o ideia do que falas.
Pois.
- N�o acredito. - N�stor, falamos depois.
- O que temos? - Mulher de 67 anos.
Caiu na veda��o de casa enquanto jardinava,
ficando espetada numa das estacas.
Perdeu muito sangue.
- Sinais vitais? - Hemodinamicamente est�vel.
Press�o arterial 94/65. Frequ�ncia card�aca 91.
Satura��o de oxig�nio a 98 %.
Tira o cobertor.
J�sica?
J�sica...
Clotilde? Ol�!
- O que aconteceu? - Tira-me esta dor.
D�-me o que for preciso, mas tira-a.
Eu vou tirar.
Precisa de uma TAC e de ir para a sala de opera��es.
N�o sei como vou tirar aquilo.
- Arranja-me um alicate ou assim. - Est� bem, vou buscar.
N�o estava � tua espera.
Podes ficar, se quiseres.
Obrigada.
Vamos l�.
Esta mulher foi minha professora.
N�o a podemos desiludir.
Ent�o, vamos l�.
Vamos come�ar.
Soube que a Segura quer privatizar o hospital.
Era o que nos faltava.
N�stor...
E tu?
Querem castigar-me por ser o l�der da greve.
A Ordem dos M�dicos n�o apoiou, por isso, querem lixar-me.
N�o h� muito a fazer.
Talvez haja.
Prova que o cancro da Segura estava muito pior do que pensavas.
Logo, era melhor fechar e n�o avan�ar com a cirurgia.
Era preciso um relat�rio.
Na cl�nica privada, fez uma TAC que confirmou met�stases.
Ent�o, vamos arranj�-lo, n�o?
Obrigado, mas tens de cuidar do teu filho, Leo.
Ouve. Esta � a minha senha.
Caso te tenham retirado o acesso aos registos cl�nicos.
Este gajo vai acabar comigo, juro.
Sim, ou�o-vos todas as noites.
N�o � muito �bvio que durma tanto fora de casa?
- A Amaro ainda vai perceber. - Olha quem fala.
J� sabem, certo?
O N�stor foi suspenso e a Segura reuniu com o Llu�s.
Se souberem de algo, digam-me. N�o me cheira bem.
- Bom dia! - Isto est� uma loucura, n�o?
Ouve l�. Quem ser� o teu especialista agora?
Sei l�.
Ent�o...
Come�amos com tamoxifeno e cisplatina, que t�m menos efeitos secund�rios, mas...
Esse tratamento � demasiado leve para o estado dela.
T�m menos efeitos secund�rios, mas uma efic�cia semelhante.
A Sra. Presidente deve ter muitas obriga��es a cumprir,
n�o a podemos submeter a uma quimioterapia t�o agressiva que a deixe acamada.
Com o meu trabalho, preocupo-me eu.
Qual � o melhor?
- O Dr. Moa preferia... - Ouve... Podes ir buscar-me um caf�?
N�o.
Qual escolheria ele?
O Dr. Moa n�o � o �nico oncologista do mundo.
N�s tamb�m salvamos vidas, sabe?
Sim. N�o a quero desacreditar,
mas n�o a conhe�o.
Claro.
Come�a a irritar-me um pouco n�o ter o N�stor aqui.
Pode falar com o Dr. Moa?
A PROCURAR...
Merda.
N�O H� REGISTOS DESTE PACIENTE
Merda.
- P�e os �culos quando quiseres. - Sim.
A Marina e a Marta.
- Presidente, como est�? - Muito bem.
Foi uma consulta de rotina, estou mais forte do que nunca.
J� h� candidato para o Gabinete de Sa�de?
Dizem que instigou a sa�da do Sr. Ventura.
O Sr. Ventura... deixou a pol�tica de forma volunt�ria.
E n�o h� candidatos.
- Obrigada. - Acabaram as perguntas.
- Um momento, Sra. Presidente. - �ltima pergunta.
Sra. Presidente...
Um momento! �ltima pergunta, Sra. Presidente.
Pronto, muito obrigada.
- Uma �ltima pergunta, Sra. Presidente. - Obrigada.
Valha-me Deus!
Para ali, junto ao tipo com capacete,
o Jose. - Est� bem.
Vamos. Muito bem. Vou fumar, n�o fa�as alarido.
Onde est� o isqueiro? Espera.
N�stor...
N�stor!
N�o me digas que n�o falas comigo. D�s-me um segundo?
Um segundo.
Sei que n�o somos melhores amigos, mas v� l�.
Tinha raz�es mais do que suficientes para pedir a comiss�o, mas n�o pedi.
Se te acho um idiota?
Sim, acho.
Mas �s o idiota que eu quero que me trate.
A dada altura, teremos de confiar um no outro, acho eu.
Quando planeavas dizer-me que queres privatizar o hospital?
Tens c� uma lata.
- Privatizas-nos e queres que te trate. - � o melhor para o hospital.
Ver�s por ti mesmo.
Oxal� fosse assim.
�timo.
N�o fa�as barulho.
Merda, levanto-me daqui a uma hora.
Foda-se.
Ainda tinhas coca?
Sabes o que me apetece?
O qu�?
Que a ponhas na minha pila
e a snifes.
Como �s t�o viciado?
Sabes como me divirto contigo?
Como me sinto bem?
E como me sinto livre?
Onde est� a coca?
- Bom dia. - Bom dia.
Clotilde, como est�? Como se sente?
D�i-me.
Podes aumentar a dose do que me est�s a dar?
Por favor. Porque d�i tanto?
Correu tudo bem?
Sim, correu tudo na perfei��o. N�o se preocupe, vou tirar-lhe a dor.
MORFINA
Mas j� devia ter acalmado.
Ultimamente, por doen�a, receitaram-lhe
muitos analg�sicos, narc�ticos?
Parece ter uma toler�ncia elevada.
- N�o. - N�o?
De todo.
- J�sica... - O qu�?
Como est� o teu irm�o?
Aquele mi�do foi sempre o meu preferido.
O meu irm�o morreu.
Esteve no funeral, lembra-se?
Desculpa.
Esqueci-me completamente.
Desculpa.
Por vezes,
tamb�m me acontece com a minha filha.
Esque�o-me que j� n�o est� c�.
O qu�?
N�o pode ser.
Est� bem.
J�?
- O que faz este aqui? - Mi�da...
- Mijaste-te? - N�o.
Acho que sim.
- As minhas �guas rebentaram. - O qu�?
Estou em trabalho de parto. Toma. Ajuda-me.
- O que fa�o com isto? - N�o sei, leva-a?
Vais assim?
N�o, est� bem?
Chama um t�xi.
Est� bem.
O t�xi, foda-se?
Relaxa, mi�da.
Merda!
Isto est� a bater agora.
Que moca, cara�as.
Acho que a �ltima...
A �ltima que consumi n�o era coca.
Mas que merda? �scar!
�scar! Porra! Algu�m me ajuda, por favor?
- Vou j�. - Mantenha a cabe�a de lado.
Atende. Onde est� a merda do t�xi?
Ol�!
- Ol�! - E a tua professora?
N�o sei.
Come�o a suspeitar que est� viciada em narc�ticos.
N�o sei se caiu de prop�sito para vir buscar uma boa dose de morfina.
� m�dica, certo?
N�o devia ter problema em passar a receita.
O seu maior legado � a reputa��o, n�o a arriscaria perder.
Vou procurar os registos dela e ver se encontro uma pista.
N�o sei.
Estiveste muito bem na cirurgia.
Fizemos uma boa equipa.
Sim, sempre fomos uma boa equipa.
Para com isso.
Sim, isso foi resolvido.
N�o d� � luz, j� cheg�mos.
Preocupe-se mais com o gajo n�o morrer.
V�! Acorda. Est�s aqui ou qu�?
V� l�.
Onde estamos?
No hospital.
Eu vou parir e tu vais receber uma boa dose de B12.
O qu�?
- Nem pensar. - Como assim?
O que est�s a fazer? Aonde vais?
Este gajo � parvo...
- Ajude-me! - J� vou.
Dilataste muito pouco.
Tem paci�ncia, ainda faltam muitas horas.
- N�o. - Pod�amos mandar-te para casa.
Nem pensar. Leo, estou a ter contra��es a cada dez minutos. N�o � normal.
E d�i-me muito.
Algo est� errado.
Vamos fazer uma ecografia para te acalmar,
mas confia em mim, est� tudo bem.
Foda-se.
O advogado da minha ex. Sim, eu atendo agora, cabr�o.
- Ela sabe que est�s aqui? - N�o!
N�o.
Conheces algum advogado sacana?
Com a raiva que estou, vou avan�ar sem miseric�rdia.
Pilar...
N�o sejas rid�culo, por favor.
Nem tentes. Sei o que andas a tramar. Nem penses que vou testemunhar por ti.
Eu e tu n�o somos os melhores amigos, mas sempre fomos colegas.
Conhecemo-nos, trabalhamos juntos e respeitamo-nos.
N�stor, fui eu que pedi a comiss�o deontol�gica.
Tu adiaste a cirurgia.
Tu insististe em continuar a operar.
Est�s a brincar com a vida de uma pessoa s� para me lixar?
Ainda bem que s� lhe tiraste uma mama.
T�-la-ias deixado morrer s� para...
N�o sabia que eras t�o cabra.
Que lata!
May...
Como est�s? Desculpa, s� vi a tua chamada agora.
Este beb� est� a dar cabo de mim. N�o estou a dilatar nada.
Tem calma, j� dilatas.
Se mais algu�m me disser para ter calma, n�o respondo por mim.
Isto � um inferno.
Mas enfim...
Pelo lado positivo, tenho um advogado.
� fant�stico.
Disse-me que, perante a lei,
somos como qualquer casal a lutar pela cust�dia do filho,
mas eu, como m�e biol�gica,
durante a amamenta��o, n�o mo podem tirar.
Isso criaria uma liga��o de dois, tr�s ou quatro anos.
- Onde quer que eu esteja. - Ainda planeias ir para a Alemanha?
Claro. Se a mi�da crescer em Munique, ter� de ficar l�.
- Longe da minha ex. - �timo.
E ent�o?
O qu�?
Quem � a tua ex, May? Quando nos vais dizer?
- � a Blanca. - Sim.
- N�o, � a Leo. - Quique, v� l�. Para com isso.
J� chega da minha ex. Falemos do teu namorado.
Eu e o Biel estamos preocupados.
Pois.
- Ou�am. Estamos a conhecer-nos. - Pois.
A s�rio. Estamos a divertir-nos, s� isso. N�o h� nada de mal nisso.
E a moca que ele tinha esta manh� tamb�m n�o tem nada de mal?
Passo-me quando voc�s se armam em puritanos.
N�o podem ficar felizes por mim?
Por uma vez, tenho algo bonito e vou desfrutar.
Se n�o gostam, j� sabem, v�o dar uma volta.
Quique, ele desmaiou � porta, est� bem?
Tive de enfi�-lo num t�xi e traz�-lo para aqui.
Eu. Prestes a parir, mas tive de fazer de enfermeira.
- O qu�? - Isso mesmo.
Ele est� aqui?
N�o. Fugiu assim que cheg�mos.
Olha, n�o sei
se �s uma m� influ�ncia para ele ou se � ele uma m� influ�ncia para ti,
ou se s�o maus um para o outro, est� bem?
Mas isto tem de parar.
May!
- Est�s bem? - Sim.
- Chamamos algu�m? - N�o.
Respira. Isso.
A ferida est� boa. Daqui a uns dias, j� deve poder sair.
J�?
N�o.
Ainda n�o posso ir.
Como estarei assim em casa?
Professora, tomei a liberdade de pedir os seus registos cl�nicos
e vi que ultimamente tem ca�do muito.
E que esteve internada em quatro hospitais diferentes.
Minha filha...
A idade n�o perdoa.
Sabes quem gostaria de ver?
O teu irm�o.
Sabe que mais, Clotilde?
Antes de ir, fazemos uma resson�ncia e uma TAC.
A come�ar com... "O".
- Osso. - Orelha.
O que disseste? Orelha?
A come�ar com... "N".
- "Naniz". - Isso n�o existe.
- Narina? - "Naris".
- Nariz. - Nariz.
Vais mudar para Pediatria?
� uma longa hist�ria.
Meu Deus! Como isto mudou.
Comecei aqui, sabes?
Olha...
Biel,
tinhas todo o direito para dizeres o que me disseste.
Mas eu tamb�m, a lutar pelo que acredito.
A cirurgia da Patricia complicou-se, mas n�o fiz nada de mal.
O melhor era fechar e reavaliar.
Ou n�o?
E preciso que me apoies na comiss�o.
Sabes o quanto me esforcei para entrar como interno neste hospital?
Passei a faculdade a queimar pestanas
para ter a melhor nota no exame
para entrar aqui e ter-te como meu especialista.
Era t�o importante para mim.
N�o imaginas como foi dif�cil decidir ficar na sala de opera��es.
Sentir a tua rejei��o.
E sentir-me t�o sozinho.
Nem imagino como se sentiu a Patricia quando a abandonaste.
Teve de acordar sozinha, sem saber o que lhe tinha acontecido.
Quando era como eles, tamb�m estive aqui.
O que mais recordo ap�s a cirurgia
foi acordar e ver o meu m�dico sentado ao meu lado.
Foi muito importante sentir-me protegido, sentir-me cuidado.
Quando o vi, o medo desapareceu.
J� tomaste a tua decis�o?
Merda.
Pronta?
- Um pouco cansada, na verdade. - Vai correr tudo bem.
Mentes muito mal, Biel.
Bem-vinda, querida.
Ol�! Quer um gelado para se refrescar durante a sess�o?
N�o, nem por isso. Gostava de ter alguma privacidade.
- E n�o me chames "querida", Paula. - Claro.
- O que foi? - N�o.
- N�o. - Celina!
- Podes vir? - Sim.
Ol�!
Ningu�m me pode ver a fazer quimioterapia.
Pensei que tinha sido clara.
Privacidade.
Claro, privacidade total. Vamos, n�o sei, desculpe.
Deixem-me pensar.
Podia ser numa sala de opera��es vazia � noite.
Ou na lavandaria.
Acho que j� sei.
N�stor!
N�stor!
Est� a tomar palbociclib.
N�o esperava tantas met�stases.
� uma boa escolha.
Temos de ver como reage, mas � forte.
Pensei que ningu�m tinha acesso a estes relat�rios.
Parece-me que se esfor�aram muito para apag�-los do sistema,
mas aqui ningu�m se lembra que tamb�m trabalho no privado
e que tenho muitos contactos.
Fica com isso.
Porque fazes isto?
Ela tem um cancro fodido.
Mesmo que n�o te deixem trat�-la, dava-me muito jeito ter-te por perto.
Al�m disso, ela quer-te a ti. Portanto, ganhamos todos.
O que fizeres com os relat�rios al�m de consult�-los para me ajudar
� um problema teu.
Ela est� ali, se quiseres ir cumpriment�-la.
Nunca consigo fazer este cubo.
Ent�o? V�s algo errado no meu plano para o hospital?
N�o sei por onde come�ar.
Patricia, achas mesmo que isto vai melhorar os cuidados aos pacientes?
Podia refutar ponto a ponto.
- Mas est�s em desvantagem. - N�o te deixes impressionar pelo fio.
Mas parece-me bem.
Jogamos ao que quiseres.
Vamos fingir que a quimioterapia � o soro da verdade.
Pergunta-me o que quiseres.
Qualquer coisa.
Ias mesmo usar aquilo da minha mulher contra mim?
Que chato.
Pensei que ias perguntar... Sei l�, pela cor da minha roupa interior.
Ou se sou daquelas que s� fode quando j� bebeu tr�s copos.
N�o me parece que precises de beber para dar uma queca.
N�o penses que me conheces, vais perder esse jogo.
N�o.
N�o o teria usado.
Mas n�o por ti.
Por ela.
Ela n�o merece.
Al�m disso, amanh�, posso estar no lugar dela.
E pedir-te que me mates.
Posso fazer-te uma pergunta?
Desde que ela morreu,
j� estiveste com mais algu�m?
Querem um gelado?
Que rapaz simp�tico.
Agora que tenho oficialmente cinco anos, aceito.
Queres um?
- � de qu�? - Manga.
Manga! Obrigada. Desculpa se h� pouco fui rude.
Tenho os resultados, Patricia.
E vais us�-los?
A minha carreira est� em risco.
Se houvesse outra forma, f�-lo-ia.
O que est�s a fazer?
Que susto!
Cuidado!
O que est� a fazer?
- O que se passa? - Abre a porta!
Para! Aonde vais?
Para!
D�-me a c�mara, espertalh�o.
Seguran�a, por favor.
�scar, onde est�s? N�o tive not�cias tuas.
N�o atendes o telefone. Sinceramente, estou preocupado.
Diz-me s� se est�s bem, por favor.
A Pilar pediu a comiss�o.
- Pois claro. - Mas j� n�o importa.
N�o podes desistir. Precisamos de ti mais do que nunca.
V�o transformar isto numa experi�ncia neoliberal.
- A Patricia convenceu-te? - N�o, relaxa.
Tenho os relat�rios dela. Vou lutar.
Est� bem.
Tira o cart�o e devolve a c�mara.
Desculpa, pensei que estava vazio.
Posso dormir aqui? A noite vai ser longa.
Sim, vou levantar-me. N�o consigo pregar olho.
N�o se estava a magoar.
O qu�?
A Clotilde, lembras-te dela?
Sim, claro.
N�o se estava a magoar.
Os acidentes foram devidos a um Alzheimer galopante.
N�o me lixes.
Disse-lhe e foi muito mau.
Ficou devastada.
Mas sabes o que me disse?
Que a doen�a tinha uma coisa boa.
Come�ava a esquecer-se da filha morta.
Ao esquecer-se, j� n�o do�a.
Cara�as!
E eu ando a passar-me h� duas semanas,
sempre a sonhar com o Rodri.
E est� a doer menos.
N�o o quero esquecer. Quer dizer, eu n�o...
N�o quero que pare de doer.
Se o pre�o a pagar � que me doa como no primeiro dia...
N�o sei por que raio te estou a contar isto.
Porque estou aqui.
Porque tens de contar a algu�m.
E porque acho que precisas de um abra�o.
Conheces-me t�o pouco.
Achas?
Sim.
Vou aproximar-me e abra�ar-te.
- Que tal? - Tudo bem.
Tens tudo?
Sim.
Responde apenas �s perguntas deles. N�o metas a pata na po�a.
N�o te preocupes.
- Pronto. - Obrigado.
Isto � teu.
Acho que vais gostar.
- Bom dia. - Bom dia.
Tenho de saber pelas enfermeiras que est�s em trabalho de parto?
Chama a Leo. Algo n�o est� bem.
Estou aqui h� horas e nada.
- Querida, o que foi? - N�o me toques.
May, sou eu.
- Cala-te! - May...
- May! - Chama a Leo. N�o me toques!
Quique, vou chamar a Leo!
Vamos come�ar a comiss�o deontol�gica do Dr. N�stor Moa.
Sim, Sra. Segura, entre.
Bem-vinda.
A presidente pediu para estar presente,
visto que o assunto tratado aqui diz respeito diretamente a ela.
Se o doutor n�o se opuser.
Muito bem.
Com licen�a.
Preciso da Dra. Santapau.
- � urgente. Vamos. - O que foi?
Roc�o!
Merda.
Foda-se!
- � um descolamento? - Parece que sim.
Precisa de uma cesariana de emerg�ncia. Vamos lev�-la, r�pido!
- �s anestesista? - Sim.
Est� bem, vem comigo.
- Por favor. - Vamos!
Leo, por favor!
Cuidado!
- Saiam da frente. Cuidado! - Preparem uma sala de opera��es!
Vamos! Aguenta, May.
N�o posso.
- V� l�! - Cuidado!
Dr. N�stor Moa,
� acusado de abandonar uma paciente a meio de uma cirurgia
com o �nico motivo de iniciar uma greve, que todos conhecemos.
Tem algo a dizer?
N�o me vou defender.
N�o se vai defender?
Sei que n�o tenho hip�tese.
Est�o todos contra mim
e j� me julgaram antes de pedirem esta comiss�o.
S� direi que, quer pratique ou n�o,
continuarei a lutar para melhorar o SNS.
- O que est� a fazer? Passou-se. - A seguran�a dos pacientes.
E a dignidade de todos os profissionais de sa�de.
Dito isto, acabemos o mais depressa poss�vel, por favor.
- Do que est� a falar? - Sil�ncio.
Sil�ncio, por favor.
Vai correr tudo bem, May. Prometo.
Respira fundo.
Respira, May.
Ent�o, segundo disse,
o Dr. Moa saiu da sala de opera��es apenas pelo in�cio dos protestos.
Sim, foi isso.
� meia-noite, o Dr. Moa saiu,
negligenciando a paciente e for�ando os outros a sair.
S� fiquei eu, a Dra. Amaro e o interno.
For�ando?
Na verdade, n�o nos deu escolha.
Era isso ou enfrentar o hospital inteiro.
Pouco pod�amos fazer.
Foi a Dra. Amaro que teve de terminar a cirurgia?
Comecei-a e n�o planeei sair dali sem termin�-la,
mas infelizmente vimo-nos assoberbados com a situa��o
e tivemos de fechar antes de removermos tudo.
Acha que a sa�da do Dr. Moa agravou o diagn�stico da paciente?
� imposs�vel dizer, mas acho que sim.
A atitude do Dr. Moa n�o s� foi pouco profissional,
mas tamb�m prejudicial para a sa�de da paciente.
Bisturi. Temos de fazer a incis�o depressa.
Pin�a e retrator.
Est� em paragem.
Reanima��o, j�.
- � uma assistolia? - Claro.
� pela perda de sangue e pela Kristeller.
- Gazes, vamos! - Adrenalina!
Um miligrama!
V� l�, May!
V� l�, por favor.
V� l�!
V� l�, beb�.
V� l�, May.
- O cord�o. - Pronto. O ritmo voltou.
V� l�.
�s tu a cabra.
Biel de Felipe.
Por favor.
Sou o Biel de Felipe, interno do Dr. Moa.
Quando o doutor quis interromper a cirurgia,
fui eu que fiquei com a Dra. Amaro, a pensar que estava a fazer a coisa certa.
Mas enganei-me.
Com o tempo, percebemos que, ao insistir em salvar-lhe a vida,
pusemos a paciente em risco.
Foi dif�cil de aceitar.
Estava zangado com ele, pensei que n�o se preocupava com os pacientes.
Mas n�o � verdade. Posso?
� r�pido.
"Caro Dr. Moa, estou a escrever-lhe para agradecer.
Estou curado.
Quando crescer, quero ser como o senhor e salvar vidas.
Obrigado por cuidar de mim e ser t�o preocupado.
Nunca o esquecerei. Espero que tamb�m n�o me esque�a."
E n�o o fez.
Escrevi esta carta quando tinha dez anos.
E s� prova o tipo de m�dico que �.
Um cirurgi�o do cara�as e um oncologista ainda melhor.
O hospital perderia muito sem ele.
Obrigado.
Vamos deliberar.
Estou toda a tremer.
Leo...
- Como est�o? Est�o bem? - Sim. Precisam de descansar.
- Posso ver a menina? - Claro.
Ali.
N�o me lixes. � ela?
N�o sejas cusco.
Caramba!
�frica!
� isto que os m�dicos fazem no p�blico quando ningu�m est� a ver?
Tem calma. S� vim dar-te os parab�ns.
D�s-me uma passa?
N�o te importas que a imprensa saiba que a presidente fuma erva?
� terap�utica, certo?
Cuidado, � mais forte do que qualquer coisa que possa receitar.
Podes inclu�-la na minha dieta para a qu�mio n�o me tirar o apetite.
A ocasi�o assim o exige.
Bela moca.
Toma. Mata-a.
At� logo.
Bem, s� vim agradecer-te.
Patricia!
Sim?
A resposta � "n�o".
O qu�?
N�o estive com mais ningu�m.
Imagino que n�o deve ser f�cil depois do que aconteceu e...
E uma pessoa deve ficar sem vontade.
Mas n�o sei...
N�o dev�amos ser mais corajosos?
- Seja como for, apresentamos isto agora. - N�o...
O carro est� aqui, vamos tentar n�o... Olha.
- Olha quem �. - N�o me digas.
- Vieste fazer um check-up? - N�o, estou bem. E tu?
Estou �tima.
Queria falar contigo.
Recebi umas coisas
que acho que devias ver.
A condi��o � n�o tocarem no Sorolla. Comecem por outro.
H� umas fotos
que, se fossem publicadas com a not�cia das met�stases,
destruiriam a tua carreira.
- O que queres? - � �bvio.
O cargo de volta?
Sim.
E mais uma coisa.
N�o toques no Sorolla.
N�o ser� privatizado.
Mas que raio?
O que � isto?
- Ol�! - O que est�s a fazer?
Queres mefedrona?
- O que est�s a fazer? - � mais r�pido por aqui.
Gostas da festa que te organizei?
Queres?
N�o.
� espetacular!
Legendas: Carla Barroso
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