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Sa�de p�blica!
A greve, que come�ou no Sorolla h� tr�s semanas,
parece estar a perder for�a.
No entanto, alguns insistem em lev�-la at� ao fim,
enfrentando a presidente Segura.
S� pedimos que nos ou�am.
ONCOLOGISTA
E n�o vamos parar at� o conseguirmos.
Se querem alcan�ar alguma coisa, ser� literalmente por cima do meu cad�ver.
D� para ver como est� o ambiente no Sorolla.
O La Vesprada tentou falar com N�stor Moa,
o l�der desta greve, mas ele n�o quis falar connosco.
V�rios hospitais terminaram os protestos, restando apenas o Sorolla.
Boa!
Estamos lixados.
N�o desmoralizemos por causa de tr�s ou quatro gatos pingados e desta tipa.
N�o s�o s� tr�s ou quatro, N�stor. N�o s�o s� eles.
Toda a gente acha que somos uns cabr�es
que abandonaram uma doente oncol�gica � sua sorte.
- Isto est� a afetar-nos. - Vou dar uma confer�ncia de imprensa.
N�o sei se � boa ideia expores-te mais.
Ent�o? Deixamos que nos pintem como os maus da fita?
N�o, n�o sei.
Moa!
V�o-se foder!
Cabr�o de merda!
- Est�s bem? - Sem-vergonha!
Pronto.
J� chega, v�o fazer-me chorar.
Quero que a esquerda continue a pensar que n�o tenho cora��o.
Temos de celebrar.
Que grande regresso, Segura.
Subimos imenso nas sondagens.
Se continuarmos assim, pode ser o in�cio da nossa campanha.
Calma, Francisco. Ainda falta muito para as elei��es.
- Muito mesmo. - Se fossem agora...
Maioria absoluta!
Presidente!
Basta! Vamos ao trabalho.
Ora bem...
Tens de participar isto.
Nem pensar.
N�o d�s import�ncia, foram s� uns putos.
As coisas est�o a descontrolar-se.
Os sindicatos ligaram e querem reunir-se para reavaliar a situa��o.
Como os podemos impedir de cancelarem a greve?
Talvez tenhas de negociar com a Patricia.
N�o.
Ela ia humilhar-nos e depois n�o nos daria nada.
Ent�o, temos de assumir que perdemos e pronto.
Ainda n�o.
Mas tens raz�o. Uma confer�ncia de imprensa n�o serviria de nada.
Pois n�o.
Tenho de a refutar pessoalmente.
- � a �nica forma de me ouvirem. - Isso pode correr mal.
O que temos a perder?
Com licen�a, por favor. A passar.
- A greve da Donoso n�o durou muito. - N�o � surpresa.
Ela diz sempre uma coisa e faz outra.
N�o sabia que a conhecias t�o bem.
N�o estavas na sala de espera da Urg�ncia?
Escapuli-me por cinco minutos.
N�o percebo.
Se somos os �nicos em greve, porque ainda estamos t�o cheios?
Ordens da Amaro.
Pacientes cr�ticos nas enfermarias, o resto na Urg�ncia at� acabar esta merda.
Sim. E quando � que acaba?
N�o fa�o ideia. Tanta coisa para acabar tudo zangado
e o N�stor a odiar-me.
Se eu superei a minha namorada,
tamb�m superar�s o teu namorado imagin�rio.
A tua tamb�m pode ser imagin�ria. Nem sabemos quem �.
Voltaram a falar desde a conversa da guarda da beb�?
N�o.
Para qu�? Para me dizer que tamb�m quer o meu rim?
Dispenso. Tenho de seguir em frente. Tenho casa nova e tudo!
N�o te afei�oes, � apenas tempor�rio.
Vou dar festas todos os fins de semana.
Estou a brincar. Serei como um fantasma. Nem me vais ouvir.
Queimaduras de terceiro grau no tronco, bra�os e cara.
Oxig�nio a 90 %. Hemodinamicamente inst�vel.
- � um prisioneiro? - Sim.
O que se passa?
Tire-lhe as algemas.
Para a box de reanima��o. Chamem a Dra. Donoso. Vamos!
Est� em estado cr�tico e continuamos em greve.
- Porque o trouxeram para c�? - A pris�o est� a arder.
H� centenas de feridos. Precisamos de toda a gente.
Preparem-se porque h� mais a caminho.
Precisamos de todo o espa�o dispon�vel!
Quem puder ficar no corredor, que fique.
E deem alta aos menos graves.
- Percebido? - Dra. Amaro?
- O que foi? - Precisamos de si.
Deixem-me passar!
Pulso fraco. Hemorragia por ferimento infligido...
- N�o sei por qu�. - Ossos de galinha.
Afiam-nos at� parecerem punhais.
Hemot�rax, parece-me.
- Levamo-lo para o bloco? - Perdeu demasiado sangue.
- Para a box de reanima��o. - Est� bem.
- Abram alas, por favor! - Miguel!
Vais ficar bem. Ajudem-no, por favor!
Faremos o poss�vel. Deixe-nos trabalhar, por favor.
- Cuidado! - A passar!
- May, faz uma ecografia FAST. - Est� bem.
- Como est� ele? - Sedado, entubado e est�vel.
O uniforme fundiu-se com a pele. Precisa de ser operado.
- O primeiro bloco livre � teu. - O segundo. Este tipo est� pior.
Este nem consegue l� chegar. Temos de operar aqui.
Confirma-se, hemot�rax bilateral.
Protocolo de transfus�o massiva. Traz quatro sacos de O Rh-.
- � para j�. - J�.
Preparem dois tubos tor�cicos.
Bisturi.
O sangue.
- Ele est� bem? Vai ficar bem? - Que chato.
- Filho da puta! - Senhor...
- Aquele sacana esfaqueou-o! - N�o pode estar aqui.
- Deixem-no morrer! - Acalme-se.
- Merda! - Paragem!
- Um miligrama de adrenalina. - Bal�o!
Biel, d�-me a liga��o.
Merda! Biel, compress�es!
Vamos.
Troca.
Troca.
Vamos!
J� est�. Ritmo sinovial.
- Troca. - V�lvula de Heimlich.
Poss�vel pneumot�rax.
Preciso de ajuda, Dra. Amaro.
- Tenho tr�s pacientes em estado cr�tico. - Biel...
- V� l�! - Para.
Para, ele est� morto.
Ajuda a Dra. Donoso.
May, vem comigo. Anda.
Biel, preciso da tua ajuda j�.
Que se foda esse filho da puta!
Vamos.
Doutor, se n�o vier imediatamente, haver� a��o disciplinar.
Tubo.
Hora da morte: 10h43.
Sim, ele que me ligue com urg�ncia. Raios.
- A pris�o est� a arder. - Eu sei.
- O Hugo est� l�. - Calma!
Houve um motim.
- Vamos procur�-lo? - N�o podemos.
N�o faz sentido. N�o nos podem dizer nada.
Deve estar uma grande confus�o. N�o te preocupes, ele deve estar bem.
- Achas? - Sim.
Not�cias de �ltima hora a partir da cadeia de Val�ncia
onde deflagrou um grande inc�ndio.
Mais de 80 prisioneiros est�o no hospital Sorolla.
Estou? Hugo Jornet. Sim, tragam-no para o Sorolla.
Vamos. Depressa!
Para a box de reanima��o!
Ou�am-me!
Sil�ncio, por favor! Calem-se!
Ou�am-me!
A Urg�ncia est� completamente cheia.
E ainda est�o a chegar feridos.
Feridos que precisam da vossa ajuda.
A greve j� deu o que tinha a dar, sabem t�o bem quanto eu.
T�m de decidir se continuam aqui parados e deixam as pessoas morrer,
ou se entram e salvam vidas.
- Vamos. - Vamos a isto.
Um, dois e...
Por favor, libertem a passagem.
Um auxiliar, por favor.
Assim n�o, sua besta! N�o se fura pele queimada.
- O que fazes aqui? - Estou a ajudar.
- Mete o cateter no p�. - Est� bem.
Fiquem a�, por favor.
S� um momento.
- Macas! - Doutor, eu fa�o os pensos.
Doutora, aqui, por favor.
Sabes onde est� o Hugo Jornet?
- N�o. - Deixa. Hugo!
Hugo!
- Hugo? - Foda-se.
M�e!
- Filho! - Porque n�o est� no bloco?
- Est�o ocupados. - Leva-o. Eu trato disso.
Liguei para a funer�ria. Est�o a caminho.
O que raio estavas a fazer?
Quando um superior te d� ordens, obedeces.
Deix�mos morrer um tipo para salvar o que o matou.
Isso n�o nos interessa.
Somos m�dicos, o nosso trabalho � salvar vidas.
- N�o sei se consigo fazer isso. - Ter�s de fazer.
Chegas aqui, metes a bata e deixas os sentimentos em casa.
Tu �s perita nisso.
Desculpa?
Pode ir, Dr. De Felipe. De certeza que precisam de si algures.
As c�lulas cancer�genas consomem muita energia.
S�o as que aparecem como manchas escuras. � f�cil identificar as novas les�es.
Como pode ver, detet�mos novas met�stases na coluna, pulm�es e f�gado.
- O f�gado � o que mais... - Quanto tempo tenho?
N�o usemos esses termos. Tem de se concentrar na sua recupera��o.
Sim, mas quanto tempo tenho?
Segundos?
Dias? Semanas?
Meses? Anos?
Estamos cada vez mais perto de tratar met�stases como doen�as cr�nicas.
N�o tem de ser uma senten�a de morte.
- Provavelmente... - Provavelmente?
S� provavelmente?
N�o perca a esperan�a, Sra. Segura.
Foda-se!
Diz para esperarem.
A presidente n�o est� capaz de o enfrentar agora.
- Emilio? - Acredita.
- Emilio, d� c� isso. - N�o est� capaz.
Meu Deus!
Est� bem.
O que se passa?
Nada, depois falamos.
- O que importa �s tu. Est�s melhor? - Desembucha!
Pensar noutra coisa vai ajudar-me.
Ligaram-nos do programa da Ana Rovira.
O N�stor aceitou fazer um debate contigo e querem faz�-lo amanh�.
Mas isso n�o faz sentido. Estaria a meter-se na boca do lobo.
- Achas que est� a tramar alguma? - Duvido.
Ora...
Escuta...
N�o me posso recusar a ir.
H� dias que digo que ele n�o me quer enfrentar, portanto...
Arranca, Jos�.
N�o te deixarei ir ao debate desarmada.
O que faria eu sem ti?
N�o admira que estejas assim.
Ela disse-te a palavra mais sensual do mundo.
Qual?
"Pneumot�rax"?
A palavra mais sensual do mundo � "n�o".
N�o...
Pois.
- N�o. - Eu quero.
Nem devias estar a fazer isso � minha frente.
Sobretudo no teu estado, Patricia.
No meu estado? Que lata.
O meu estado... Sabes l� tu. N�o me julgues.
N�o me julgues.
N�o sou aquele clich� do pol�tico cocainado.
H� s�culos que n�o snifo uma linha. S�culos!
E hoje vou fazer o que me der na gana.
O que me der na real gana!
Porque me ligaste?
Algu�m te disse "n�o"?
Disseram-me que sim.
Que sim, vou viver.
Tenho met�stases.
A m�dica disse que n�o vou morrer. Que hoje em dia � uma doen�a cr�nica.
Mas n�o acredito.
O que te disseram � verdade.
Podes viver muitos anos com cancro.
Se n�o acreditei nela que � mais experiente do que tu,
tamb�m n�o me vais convencer.
Certo.
Ent�o, porque me ligaste?
O que queres de mim? Diz-me.
O que posso fazer?
Liguei porque preciso de saber se a culpa � do N�stor.
Se ele n�o me tivesse abandonado, eu teria met�stases agora?
Diz-me.
N�o tens de acreditar em mim quando te digo que h� esperan�a,
mas na opera��o j� n�o havia nada a fazer.
O N�stor pode ser culpado de muita coisa,
mas n�o do teu cancro.
Est�s bem?
N�o.
N�o, � mais f�cil estar zangada.
Agora, estou assustada.
Foda-se...
O que foi?
N�o olhes assim para mim, n�o aconteceu nada.
Que desperd�cio. Trouxe-te uma coisa.
Uma coisinha? O que �?
A tua cara.
- � verdade? - L�.
- Tens a certeza? - Absoluta.
� uma bomba. E nuclear. Lan�a-a e a guerra acaba.
N�o sei.
N�o sei. N�o estou assim t�o desesperada, Emilio.
Est� bem.
Mas � melhor t�-la e n�o a usar
do que n�o ter nada contra o N�stor.
- O que � isto? - O documento que vais levar ao juiz.
Diz que falsificaste o relat�rio de viola��o. S� tens de assinar.
- Ouve, Llu�s, eu ia dizer-te... - Nem vale a pena.
- Deixa-me explicar. - Explicar o qu�?
Que �s completamente louca? Achavas que n�o ia descobrir?
- S� Deus sabe quantas vezes o fizeste. - Desculpa?
Quantas vezes falsificaste um relat�rio de viola��o.
Conhe�o-te e aposto que foram muitas.
- As que foram precisas. - Foda-se!
Porque o sistema defende mais os criminosos do que as v�timas.
Se uma mulher em choque, que acabou de ser violada, se lava,
ou n�o tem ferimentos porque estava t�o aterrorizada que nem se debateu,
n�o � viola��o.
Porque vou a julgamentos onde ainda perguntam
o que tinham vestido ou se fecharam as pernas.
Quem achas que �s?
�s m�dica, nem mais, nem menos.
A mesma m�dica de sempre com os valores de que j� gostaste.
Desde que trocaste a bata pelo fato, esqueceste-te deles.
Ouve...
Esses teus valores destru�ram o nosso filho.
Ou levas tu, ou levo eu, mas o Hugo n�o volta para a cadeia.
Querias falar?
Sim.
Queria pedir-te desculpa.
Estive a pensar e...
... devia ter-te contado sobre o Llu�s mais cedo.
Portanto, desculpa.
Afinal, t�nhamos algo.
N�o abuses. H� a vida profissional, depois h� a vida pessoal,
e passaste dos limites ontem.
N�o te incomoda que este cabr�o v� sobreviver?
Fazemos um juramento quando nos tornamos m�dicos.
A sa�de e a vida do paciente ser�o sempre a nossa primeira preocupa��o.
Ent�o?
Enterramos o machado de guerra? Amigos?
N�o.
O que fazes aqui?
Sabia que tinhas an�lises hoje.
Aurelio Mu�oz, consult�rio quatro.
Ontem enviei-te um �udio.
Bloqueei o teu n�mero.
- Bolas. - O que foi?
N�o te armes em ofendido.
Sempre que me aproximo de ti, afastas-me.
O que queres de mim?
Porra, �scar...
Jimena Blanco, consult�rio dois.
� que...
Falar sobre isto assim do nada...
N�o tenho jeito.
Foi por isso que te mandei o �udio.
- E te disse... - �scar Amaro.
� a minha vez.
Manuel Climent, consult�rio um.
Raios partam!
Sempre a mesma merda.
Como est� ele?
O tratamento de suporte est� a funcionar.
Est� a descansar.
Vou dizer a verdade ao juiz, mas quero falar com ele primeiro.
Se ficar tonto, avise. Vamos tirar v�rios tubos.
Feche a m�o.
Pronto. Aperte um pouco.
Ol�!
Ent�o, j� bebi tr�s ou quatro copos. Talvez cinco, n�o sei.
E tinha um comprimido laranja no bolso, por isso, tomei-o tamb�m.
E estou bem, est� bem? Estou bem, mas a quest�o �...
Estou um pouco pedrado, suponho.
Estou aqui a pensar em tudo e acho que... Caramba, a vida...
Temos de correr riscos na vida. Temos de ser corajosos, �scar.
E...
... gosto de ti.
Espera, estou todo mocado agora.
J� n�o quero saber!
J� n�o quero saber da tua m�e. N�o quero saber da tua idade.
Se quiseres estar comigo, eu quero estar contigo.
Por isso, sim, que se lixe! J� disse, que se foda tudo.
Avisa-me quando ouvires isto, lindo.
Beijo.
- O que fazes aqui? - �s um idiota.
Queria tanto beijar-te.
Roc�o, tens um momento?
Cuidado, a moura parece zangada.
Antonio, n�o me enerve.
O bisturi pode escapar e corto-lhe os tomates.
O que se passa?
"O que se passa?"
Est�s a brincar? O teu advogado ligou-me, � o que se passa.
Merda.
Podemos falar l� fora?
J� volto.
- Desculpa. Disse-lhe para n�o ligar. - Pois.
Tamb�m disseste para n�o me amea�ar?
Ele disse que me vai tirar a beb� por a ter posto em risco.
E n�o � verdade? Sei que quase a perdeste, May.
- Quem te disse isso? - A quest�o n�o � essa.
Devias estar a descansar e est�s aqui a fazer horas extra.
Est�s gr�vida e n�o atendes as minhas chamadas.
N�o sei como est�s. Est�s a assustar-me, mi�da.
Ela tamb�m � minha.
Podes odiar-me � vontade, mas a beb� n�o tem culpa.
Muito bem.
Espero que o teu advogado seja bom porque o meu vai ser do caralho!
- Hugo, est� tudo bem. - M�e?
N�o te mexas. Calma.
Como te sentes, filho?
Est� bem. O que me aconteceu?
Partiste uma r�tula e tiveste de ser operado de urg�ncia.
J� est� resolvido. Nada temas, vais ficar bem.
Filho, sabes que fui eu que examinei a Joana, certo?
Sim.
Quando a examinei,
vi que n�o tinha ferimentos, nem escoria��es, nem nada que...
... indicasse que o ato sexual tinha sido for�ado.
E?
Eu escrevi que tinha. Estava convencida de que tinha sido uma viola��o.
Juro que n�o sabia que tinhas sido tu. A s�rio.
N�o tinha a tua vers�o. S� sabia o que ela me disse.
Lamento muito, filho.
Lamento que tenhas passado por tudo isto.
Porque n�o disseste antes?
Bem, � complicado, porque...
Vai acontecer-te alguma coisa por falsificares as provas?
N�o te preocupes com isso.
O importante � que n�o voltar�s para a pris�o.
Vai acontecer-te alguma coisa ou n�o?
- A tua m�e vai falar com o juiz. - Pai, para.
Vai enfrentar as consequ�ncias dos seus atos.
Pai, j� chega.
A culpa n�o � da m�e.
A culpa � minha.
Porque dizes isso?
Ela pediu-me para parar.
E eu n�o parei.
Tem calma, Hugo.
- Tudo pronto. - Obrigado.
Ora essa.
Pedimos para a primeira pergunta ser sobre as mortes.
J� houve 20. Ele vai dizer que...
Ali est� ele.
Vai dizer que foram muito menos. 20 mortes, caso...
Aten��o! Come�amos daqui a cinco minutos.
N�o sei o que ele vai dizer, mas s�o 20.
- Pronta? Come�amos daqui a pouco. - �timo.
- Vamos? - Est� bem.
N�o te esque�as disto. Usa quando precisares.
Prontos.
Boa tarde. Bem-vindos a um programa muito especial.
Um programa que vamos dedicar ao debate sobre a crise do SNS.
Vou j� direta ao assunto, doutor.
Quantas pessoas j� morreram por causa da sua greve?
Vinte.
Est� a admitir que deixou morrer 20 pessoas?
N�o, 20 � o n�mero de pacientes que faleceram
durante este per�odo a que chama de "minha greve", que n�o �.
- Bem, � o l�der... - Vinte n�o � um n�mero alto.
N�o para o total dos hospitais de Val�ncia.
Na verdade, infelizmente, perdemos mais devido a diagn�sticos tardios
e � falta de equipamento e de pessoal.
Pelos problemas que denunci�mos na greve.
A maioria dos quais causados pela insist�ncia da Sra. Segura
em privatizar o nosso SNS.
Antes de mais, deixe-me esclarecer que o que este governo prop�e
n�o � privatiza��o, � subcontrata��o.
- Vai dar ao mesmo. - S�o duas coisas diferentes.
Um modelo misto com cuidados de sa�de p�blicos de qualidade,
gerido de forma mais eficiente.
E nada temam que ningu�m ter� de andar com um cart�o de cr�dito.
E o que s�o os copagamentos?
Neste caso, significa que os pacientes pagariam um pre�o regulado.
- Como em qualquer outro servi�o. - Em qualquer outro modelo de neg�cio.
O sistema tal como est� � insustent�vel.
Precisamente.
- Vamos repar�-lo, n�o destru�-lo. - Est� a provar que tenho raz�o.
Proponho modernizar-nos.
Que todos possamos ter no telem�vel as nossas receitas e an�lises
sem termos de encher os hospitais desnecessariamente.
Parece maravilhoso.
J� o disse mil vezes e n�o me cansarei de o repetir.
Mais pacientes satisfeitos.
Sabe como os privados tratam os casos mais graves?
- Diga-me. - Mandam-nos para o p�blico.
N�o h� um �nico estudo que diga que, em Espanha,
o modelo que prop�e seja mais eficiente ou mais barato.
- N�o � verdade... - Fala de pacientes satisfeitos...
Ele tem a palavra.
Os �nicos satisfeitos ser�o os empres�rios que encher�o os bolsos com a nossa sa�de.
- E � custa do er�rio p�blico. - N�o acredito.
- � um demagogo. Desculpa. - Ainda bem que fala disso.
Infelizmente, experimentei em primeira m�o como � ser tratada por si.
Os valencianos sabem do que estou a falar.
� preciso ter cara de pau para vir aqui pedir que confiem em si.
Dr. Moa, tem algo a acrescentar?
Sei que muitos de voc�s n�o confiam em mim agora
e n�o t�m de confiar,
mas, por favor, confiem no m�dico de fam�lia que vos trata h� anos,
confiem no enfermeiro que vos alivia a dor.
Ou�am as centenas de profissionais de sa�de
que concordaram em dizer "basta".
E n�o para ganhar mais, nem para trabalhar menos,
mas pelo bem das pessoas que agora os desprezam.
- Bem dito. - Sim.
Isso!
Sra. Segura, quer dizer algo ao Dr. Moa sobre isto?
Sra. Segura, por favor?
Sinceramente, n�o. Para algu�m que nos tem em t�o baixa considera��o,
esse discurso foi digno do pior dos pol�ticos.
Um momento, por favor.
Vamos fazer um intervalo de cinco minutos.
Quando voltarmos, n�o perca as not�cias de �ltima hora. Obrigada.
E l� vamos n�s. Bom trabalho.
- Ela n�o tem vergonha. - N�o aguento ver mais esta merda.
Vou buscar um caf�. Queres?
- N�o, obrigado. - De certeza?
Aquele n�o � o m�dico que estava na TV?
- O da greve? - Sim.
C'um caralho!
Tu a�!
- Amigo! - Uma coisa.
Desculpa, s� uma coisinha. Ouve bem.
Afasta-te da Segura. Percebeste?
Chateia-vos muito.
Chateia-vos muito serem postos no lugar, n�o �, comunas?
Se gostam assim tanto da presidente, ela que vos trate quando precisarem.
- Depois, ela envia-vos a fatura, trouxas. - "Trouxas"?
- A quem est�s a chamar isso? - Aonde vais?
Estavas a pedi-las.
Parem!
Vamos ver quem trata de ti agora, cabr�o.
- V� l�, malta! - Vamos!
Queres �gua?
Os sindicatos j� sabem o que aconteceu.
Convocaram uma reuni�o de emerg�ncia.
Votaram todos a favor de cancelar a greve.
Vieste vangloriar-te?
Vim pedir-te um favor.
Bem...
N�o sei se estamos em posi��o de fazer favores um ao outro.
Fiz-te um favor ao n�o mencionar a tua mulher no debate.
N�o sabes nada sobre a minha mulher.
Sei que morreu de cancro, que n�o a conseguiste salvar.
E que foste acusado de praticar eutan�sia.
Fui ilibado.
Se tivesse dito o que sei, tinha-te arruinado a vida.
E n�o o fiz.
Porqu�?
Tenho met�stases.
A oncologista do privado n�o se atreve a dizer quanto tempo de vida tenho.
Mas eu vi as probabilidades e apenas 10 % sobrevivem cinco anos.
Cinco anos.
Apesar de seres um cretino, �s o melhor oncologista de Espanha.
Portanto, diz-me.
Diz-me, por favor.
Vale a pena continuar a lutar?
Quais eram as probabilidades de uma mulher de 42 anos,
de uma fam�lia da classe oper�ria, sem liga��es pol�ticas,
se tornar presidente da Comunidade Valenciana?
Aonde queres chegar?
Tu desafias as probabilidades.
Se disseres que me podes ajudar, desisto de tudo.
Fa�o tudo o que pedires.
Ponho a minha vida nas tuas m�os.
Diz-me, N�stor.
Consegues salvar-me a vida?
Consegues?
Legendas: Carla Barroso
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