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Original subtitles

Segura, demiss�o!

SEM SERVI�OS M�NIMOS

Segura, demiss�o!

PELO RODRIGO

Segura, demiss�o!

Segura, demiss�o!

Segura, demiss�o!

Com a Segura, vamos para a sepultura!

Com a Segura, vamos para a sepultura!

A viol�ncia contra os profissionais de sa�de aumentou 38 %.

Somos sobrecarregados com tanta press�o e responsabilidade

que a taxa de suic�dio na nossa profiss�o

� significativamente maior do que no resto da popula��o.

Segura, demiss�o!

Antes, bateram-nos palmas.

Agora, s� pedimos que nos ou�am.

E n�o vamos parar at� o conseguirmos.

A incis�o est� a sarar muito bem.

Por amor de Deus. Como se atreve?

- Patricia... - N�o, por favor, imploro-te.

Abandonaste-me no bloco.

Por tua causa, perdi um peito e o cancro continua a espalhar-se.

Prometeste que a minha recupera��o seria o mais importante

e que o m�dico triunfaria...

... sobre o sindicalista. E confiei em ti.

No momento mais fr�gil da minha vida.

Escolhi acreditar em ti.

E tu mentiste-me.

Por uma greve de merda.

A greve n�o teve nada que ver com isso. A cirurgia n�o devia ter continuado.

Ou melhor, n�o devia ter come�ado.

O tumor era muito maior do que pens�vamos.

O teu corpo estava num estado fr�gil.

O melhor a fazer era parar e reavaliar.

Se tivesses feito a...

- Como se chama? - Resson�ncia.

- Se a tivesses feito, n�o estaria aqui. - Exatamente.

Deixa-me com a minha paciente, por favor?

Conte comigo para o que precisar.

Obrigada.

Falamos depois.

Apesar de estar em greve, fui eu que te tratei desde o in�cio.

Sou quem melhor conhece o teu caso.

Incluindo o Biel, que � apenas um interno.

Se �s o que melhor conhece o meu caso,

diz-me: tenho met�stases?

Ela n�o me deu um diagn�stico,

mas tu poder�s dar.

Tens coragem.

Chegou aos g�nglios?

Quanto tempo me resta?

Ainda n�o sabemos.

E quando...

Patricia, tem calma.

E quando � que vais saber?

Se n�o h� ningu�m para me fazer exames.

Lamento.

N�stor...

N�stor!

Sim?

N�stor...

J� n�o �s um m�dico, �s um perigo p�blico.

E eu vou certificar-me de que nunca mais voltar�s a exercer.

� que te esqueceste de uma coisa.

N�o sou apenas tua paciente, tamb�m sou a maldita presidente!

Cobrimos a Urg�ncia e s� operamos em casos extremos.

A triagem fica limitada a tr�s n�veis.

Pulseiras vermelhas, alta prioridade. Amarelas, que ficam em observa��o.

E verdes, que s�o enviadas para o Esperan�a e o Sant Vicent.

Perceberam?

V�o trabalhar sem especialistas, por isso, apoiem-se uns aos outros.

S�o m�dicos muito capazes e v�o prov�-lo.

Estou uma pilha de nervos.

N�O VENS A CASA?

MENSAGEM APAGADA

May, n�o me ignores tamb�m. J� tenho inimigos que cheguem.

ROC�O FOI BLOQUEADA

N�o sei se esta merda � uma alergia ou se apanhei algo mortal.

- May! - Desculpa.

Estou com a cabe�a a mil.

Ainda bem que ganhaste ju�zo.

Tome, da Urg�ncia.

Vamos?

Aposto que isso � do detergente.

Ou ent�o da maneira como o Dr. Moa olha para ti agora.

Mas fizeste a coisa certa. Ficaste no bloco.

E, apesar desta situa��o merdosa, estou feliz por trabalhar sem a Leo.

Que comece o caos.

- Gerard Serra. - Aqui.

Bando de pregui�osos! Nem examinam o meu marido!

Acalme-se, senhor!

N�o me acalmo nada. N�o v� que desmaiou?

- Caiu e ningu�m ajuda! - O que foi?

Querem que vos bata palmas?

- Ent�o? - Bato � nas vossas caras!

- Sai! - O que est� a fazer?

- Perd�o. - Roc�o, est�s bem?

- Deixa ver. - N�o pode fazer isso.

- Algu�m est� ferido. Vejo sangue. - N�o pode agir assim.

- Est� tudo muito tenso. - Acalme-se, sim?

- Perd�o. - Ponha-se no nosso...

O que aconteceu?

Nada, foi um idiota.

Deixa-me ver.

N�o � nada.

Ningu�m me trata.

Por favor! N�o aguento mais esta dor no joelho!

Como est�s?

Como est�s?

Est�s a aprender alem�o?

Deves estar aborrecida sem o que fazer.

May...

Volta para casa.

Ou... n�o sei...

Uns dias at� encontrares casa. Onde tens dormido?

Vai � merda!

Foda-se.

Temos de falar. Vamos ter uma filha.

P�e gelo tr�s vezes por dia.

Raios...

Tenho uma visita surpresa!

Eu disse que n�o queria visitas.

Nem um ministro da Sa�de em crise?

Ventura...

Ventura...

J� viste a confus�o em que nos meteram? E eu estou aqui metida.

Parece uma piada de mau gosto.

N�o entendo porque n�o foste para o privado.

S� temos vaga no Santa Ana daqui a tr�s dias.

- E � por especial favor. - Adiante.

Diz-me, em que pensaram?

T�m um plano contra greves de pessoal m�dico sem precedentes?

Vim para ver como est�s, n�o para trabalharmos.

V� l�, n�o posso ficar parada sem fazer nada. Conta-me.

T�m as exig�ncias dos sindicatos?

Patricia...

... isto � uma altura complicada para ti.

Achamos que � melhor afastares-te durante uns tempos. Para te tratares.

Mas n�o consigo estar quieta.

Mete baixa e descansa.

Est�s a falar a s�rio?

Queres afastar-me agora?

- Sabias disto? - Como saberia?

Patricia,

n�o � isso.

Ent�o, o que �?

Diz-me o que �.

N�o me olhes assim. Sei quando me querem tramar.

� preciso ser-se mais inteligente do que tu, Venturita.

E flores

muito mais caras!

- Vamos acalmar-nos. - Acalma-te tu.

N�o?

Diz-me, como te sentirias se soubesse que eras respons�vel

pela paralisa��o total do SNS e que, ainda por cima, podes morrer

enquanto os abutres do teu partido disputam o teu cargo?

Como te sentirias?

Patricia, n�o sejas teimosa. Mais cedo ou mais tarde, ter�s de parar.

� pelo teu bem.

N�o.

N�o o...

N�o o permitirei.

Caramba, se me tiram isto, tiram-me tudo.

Tiram-me tudo.

Arquiva este.

- Certo. - Obrigado.

Doutor, por favor, preciso de ajuda. Cortei-me nos pit�es de uma chuteira.

Se � um corte, v� ao centro de sa�de.

Estamos cheios.

Mandaram-me para aqui. Por favor, ajude-me.

Deixe-me ver.

- Fa�a press�o. - Est� bem.

- Venha comigo. - Obrigada.

Com licen�a.

O anest�sico vai arder um pouco, mas n�o sentir� nada.

Est� bem.

Ent�o? Como est� tudo por aqui?

Corte profundo. Seis cent�metros.

Desculpa, podemos falar um pouco?

Estou stressado, meu... Nem me interessa que sejas um fura-greves.

Estou ocupado. N�o v�s?

Tens de fazer uma sutura subcut�nea. Olha como est� aberta.

Credo!

Depois, uma intrad�rmica, se souberes fazer, porque...

... n�o a vais deixar com uma cicatriz. - Obrigada.

Ora essa.

A quest�o � que...

Nunca perdi uma ere��o, Menchu, juro.

E o rapaz pensou que foi por ter uma doen�a, mas n�o foi.

Que pena.

E n�o estavas nervoso, querido?

Podes ter pensado que n�o estavas � altura.

- � comum. - Eu? Nem pensar.

- Al�m disso, conhecemo-nos num chill. - O que raio � isso?

Um s�tio onde se fazem orgias.

Estamos com um e outro e, de repente, temos quatro pilas na cara.

- A s�rio? - Quique, por favor!

O que foi?

Quero dizer que j� tivemos rela��es sexuais.

Melhor assim?

E nunca me aconteceu isto.

- N�o? - N�o sei o que foi.

Isso acontece sempre aos homens quando come�am a gostar de algu�m.

Bloqueiam.

- Achas? - � certinho, querido.

- J� te aconteceu isso? - A mim?

- Sim. - E o que fizeste?

Casei-me com ele.

- Gozas! - Juro.

Eu e o �scar namoriscamos, excitamo-nos um ao outro e tudo isso,

mas acho que n�o gosto dele.

N�o gostas, mas est�s a falar dele h� dez pontos de sutura.

- L� isso � verdade. - Pois...

- Estou aqui h� hora. - Estou farta, vamos.

Um momento, por favor!

Deem-me a vossa aten��o, por favor! Quem puder ir para o Sant Vicent, que v�.

Que pouca-vergonha!

N�o saio daqui at� ser atendida.

- Estamos aqui h� mais de quatro horas! - Ningu�m nos atendeu l�.

Tamb�m n�o t�m servi�os m�nimos.

O qu�?

"Hospital Universit�rio Sant Vicent junta-se � greve sem servi�os m�nimos

come�ada pelo Sorolla h� dois dias."

"Enquanto isso, o governo de Segura

esconde-se em sil�ncio em plena crise sanit�ria."

Isto est� a descontrolar-se.

Se aderirem mais hospitais, teremos de tomar medidas dr�sticas.

Vamos concentrar-nos. O que fazemos agora?

Re�ne-te com eles e ouve-os. V� se se acalmam.

Est� bem, Emilio.

- Aqui tens. - Obrigada.

Dra. Amaro, como est� o seu filho?

O meu filho?

Sou o param�dico que o trouxe.

Tu � que o trouxeste?

J� queria ter falado consigo, mas n�o nos t�nhamos cruzado.

Ainda bem que estava um m�dico com ele, ou n�o teria sobrevivido.

Um m�dico? Que m�dico?

Segura, demiss�o!

Segura, demiss�o!

Com a Segura, vamos para a sepultura!

Com a Segura, vamos para a sepultura!

Sa�de p�blica!

Sa�de p�blica!

Sa�de p�blica!

- Falsa! - Dissimulada!

Sai daqui!

Dissimulada!

Bem, aqui estou eu. Patricia Segura, em carne e osso.

T�m todos os motivos para estarem aqui e terem chegado a este ponto.

Eu entendo-vos.

E n�o vos censuro.

A morte do Rodrigo foi um golpe duro.

Um golpe bem duro.

- Perdemos um colega. - Sim.

Mas o que querem agora?

O colapso total?

Estou aqui.

Vim para vos ouvir.

Com uma condi��o, a greve termina hoje.

- Sim, certo. - Claro.

Deve ser, deve!

Patricia,

o Gabinete de Sa�de tem as nossas exig�ncias h� meses.

E tu devias estar na cama.

Devia estar na cama, mas estou aqui convosco.

O Gabinete de Sa�de n�o far� nada porque passaria uma imagem de fraqueza.

Portanto, da� sabem o que v�o levar? Nada!

E, aqui, t�m uma porta-voz que est� disposta, capacitada

e totalmente comprometida para resolver isto hoje.

Porque n�o negociamos? A presidente est� aqui.

Agora? N�o vai adiantar nada.

N�o sei.

Talvez adiante. N�o?

Quer�amos que nos ouvissem... N�o sei.

Eu voto sim.

�timo.

- Voto sim. - Eu tamb�m.

Que raio est�o a fazer?

Patricia!

- Por favor, ouve-me. - Malta, ou�am!

Estamos a conseguir! O Gabinete de Sa�de acabou de ligar.

Querem reunir-se connosco com urg�ncia j� esta tarde!

- Boa! - Sim!

Os outros hospitais de Val�ncia juntaram-se � greve sem servi�os m�nimos!

Os sete!

Sa�de p�blica!

SA�DE VIVA

Sa�de p�blica!

- Trouxe as minhas coisas de tua casa. - Espera. J�sica, n�o.

"N�o" o qu�, Llu�s?

Abandonaste-me na altura mais dif�cil da minha vida.

Eu percebo que est�s stressado com a greve

e at� zangado comigo por a apoiar,

mas n�o tens o direito de me tratar assim.

Tens raz�o.

Tens raz�o. � tudo o que posso dizer.

Mas, por favor, n�o te precipites. Deixa-me explicar.

Se queres explicar, f�-lo agora.

Porque desapareceste?

Tudo bem, �scar? Eu...

Queria pedir desculpa pelo outro dia porque...

N�o queria que te sentisses mal e estava a pensar se...

N�o sei o que isto vai dar, mas quero muito ver-te e...

Porra, que merda de mensagem.

- Achas que sou idiota? - Credo, doutora.

N�o. Porqu�?

N�o? Achaste que n�o ia descobrir?

- Refere-se � mensagem? - Foste tu, Enrique!

Tu � que estavas com o meu filho de 19 anos no dia em que ele quase morreu.

Aonde vais? Aonde pensas que vais?

- Cobarde de merda! - Desculpe, est� bem?

- Sinto muito, doutora. - Sentes?

O qu�? O facto de o teres drogado?

De o teres comido sem preservativo? Acho que n�o sentes nada.

Mas vais sentir, sim, acredita.

Vais arrepender-te de lhe teres lixado a vida.

Porque eu vou lixar a tua.

A TUA SA�DE EST� � VENDA

Desculpa, n�o te queria acordar.

N�o faz mal.

S�o as minhas coisas?

Sim.

Como n�o quiseste ir a casa, achei que te fizessem falta.

May,

s� te quero ajudar e conversar.

Est� bem.

O apartamento � teu.

N�o somos casadas.

E a beb�, bem...

... logo se v�.

Uma semana contigo, outra comigo.

- J� n�o vais para a Alemanha? - Claro que vou.

Ent�o, como vamos fazer para alternar as semanas com a beb�?

- Eu vivo aqui. - Ningu�m te obriga a viver aqui.

May...

- Liga-me quando quiseres falar. - Estou a falar.

N�o, est�s a castigar-me.

Se agisses como uma adulta, falar�amos a s�rio.

Est� bem.

Desculpa.

Come�a tu.

Engravidaste porque eu te pedi, May.

E estou-te infinitamente grata.

Mas n�o acho justo que arques com essa responsabilidade.

O que est�s a dizer?

Que eu devia ficar com a guarda da beb�.

E � o que vou pedir. E vou faz�-lo por ela e por ti.

Por mim?

Est�s maluca.

- N�o, May... - Sai, por favor.

Vai-te embora.

Paciente em estado cr�tico. Prioridade m�xima.

Afastem-se, por favor.

Rosa!

- O que aconteceu? - Estava a sangrar do pesco�o.

Tent�mos examin�-la, mas, quando tir�mos a m�o,

um jato de sangue arterial atingiu o teto da ambul�ncia.

Ela voltou a p�r o dedo no buraco e trouxemo-la.

- No buraco? - Veja.

A costura abriu.

Estou bem, doutor. S� me assustei com tanto sangue.

A tens�o est� baixa, mas est�vel. O dedo estancou a hemorragia.

Mas � grave?

A pele dela parece papel por causa da radioterapia.

Rosa!

Doutor, n�o diga ao Ramiro que isto tem que ver com o tratamento.

- Ele vai passar-se. - Calma.

- Desculpe. - � a minha mulher.

� grave, doutor?

Ela conseguiu estancar a hemorragia.

Vamos fechar a incis�o e j� a devolvemos daqui a duas horas.

- Volto j�. - Est� bem.

Com licen�a.

N�o podem avisar o Dr. Moa que estamos aqui?

Germ�n, preciso de uma box.

- Estamos cheios. - � urgente.

Box de reanima��o?

Vou dar-lhe algo para relaxar, mas primeiro tenho de ver a incis�o.

Est� bem.

Pronto, pode tir�-lo agora.

Merda! Rosa, est� bem?

- Sim. - Sim?

Germ�n, traz dois cateteres 18 e sangue O Rh-.

- Temos de a deitar. - Sim.

Rosa, olhe para mim.

O que fazemos agora?

May!

Pulseira vermelha. Preciso de um anestesista e um cirurgi�o vascular.

- J�! - � para j�.

Rosa, ent�o?

N�o adorme�a.

Raios!

Apenas um dia ap�s o in�cio desta greve sem servi�os m�nimos,

com todos os hospitais valencianos envolvidos,

o Gabinete de Sa�de e os sindicatos v�o reunir-se para acabar com este impasse.

Est�o a caminho do Gabinete agora para apresentarem as suas exig�ncias.

A SA�DE N�O EST� � VENDA VAL�NCIA UNIDA CONTRA A PRIVATIZA��O

Sa�de p�blica!

Sa�de p�blica!

Bravo!

T�o corajosos!

Sa�de p�blica!

Viva!

Viva a sa�de p�blica!

Sa�de p�blica!

- N�o h� cirurgi�es vasculares. - Est�s a brincar.

Foda-se!

O que fazemos?

Se a queremos salvar, temos de operar n�s.

Podemos estancar a hemorragia ligando a car�tida.

N�o � arriscado? � por onde vai o sangue para o hemisf�rio esquerdo.

Podemos causar um AVC grave.

� a �nica op��o que me ocorre para impedir que morra.

Bem, isso e rezar para que tenha estenose e boa circula��o colateral.

Ent�o, reza.

- Posso tirar o dedo? - For�a.

- Valha-me... - Prepara o campo est�ril.

- Gazes! - Raios.

E pontos absorv�veis 4/0.

- Certo. - Preciso de gazes.

Pin�a.

Biel.

- Pressiona a�. - Sim.

N�o d�, a art�ria est� a desfazer-se.

Biel, tenta mais para baixo, est� bem?

Eu seguro.

Raios...

- Biel, ela est� a sangrar! - Um minuto!

Estou quase l�.

Consegui.

A ver se ela se safa.

Achamos que � um bom acordo. O valor de plant�o ser� reajustado

e, apesar de uma semana de 35 horas n�o ser vi�vel, oferecemos 37.

O resto j� sabem.

E a presidente est� a par disto?

A presidente est� a par de tudo o que o seu governo faz, Sr. Moa.

Certo.

E concorda?

H� algum problema com o acordo?

Acho que � melhor do que esperavam.

Parece bem no papel. A quest�o � se ser� cumprido ou n�o.

Se concordarem, amanh� ser� entregue � Sra. Segura

e, depois de ela assinar, assinam voc�s. Concordam?

Muito bem.

Se me for�arem a assinar isto,

terei de me demitir.

N�o vejas as coisas assim.

Pensa que, se os m�dicos voltarem, poder�s continuar o teu tratamento

e salvar a tua vida.

S� ego�sta, f�-lo por ti.

O partido deve estar a esfregar as m�os de contente.

Correu-lhes muito bem o golpe.

Maldita greve.

O que mais me irrita � que nem leram o meu programa de governo.

- Claro. - Querem l� saber.

S� querem saber de uma coisa.

A presid�ncia.

N�o devias fumar.

A minha av� viveu at� aos 90 anos.

A fumar?

Sem se meter na vida de ningu�m.

N�o h� nada que possamos fazer agora, Patricia.

O melhor a fazer � afastares-te com um pouco de dignidade.

N�o sei.

Amanh� apresento a minha demiss�o.

Olha para mim.

Olha para mim, Emilio. Deixa-me ser eu a anunci�-lo.

Claro.

Toma.

Sou eu.

SEM SERVI�OS M�NIMOS

Porra, n�o podia ser mais baixo, n�o?

May!

- A Dra. Santapau? - N�o est� aqui.

N�o?

Tinhas raz�o. N�o devia ter sido inseminada durante o internato.

Nunca disse isso.

- Sim, mas pensaste. - N�o sejas tola.

- Desculpa se fui... - O batimento card�aco?

- H� batimento? - Espera, temos de lhe dar tempo.

E o pai?

N�o, m�e biol�gica.

Barriga de aluguer?

A minha namorada... A minha ex-namorada.

N�o h� batimento card�aco. Vou perd�-la.

Leo!

Talvez seja melhor assim.

Assim, nunca conhecer� estas m�es de merda.

Porra!

Obrigada.

Queres esta beb�?

Sim.

Ent�o, tens de lutar por ela. � o que as m�es fazem.

HOSPITAL JOAQU�N SOROLLA

V� l�, Rosa. D�-me boas not�cias.

Foda-se!

GREVE

DEFENDE A TUA SA�DE!

Como disse, a cirurgia correu bem.

Mas s� quando fizemos a TAC � que conseguimos avaliar os danos.

A laquea��o da art�ria

provocou um AVC massivo no hemisf�rio esquerdo,

acompanhado de um edema cerebral com um desvio da linha m�dia.

Em termos leigos, doutor.

N�o...

... achamos que seja compat�vel com a vida.

Mas n�o era grave.

Lamento imenso.

As pr�ximas horas ser�o decisivas.

Prometo que faremos tudo o que pudermos, mas � prov�vel que piore e...

... ter� de tomar a decis�o de limitar os esfor�os terap�uticos.

O qu�? Eu?

N�o, eu n�o posso.

� a minha mulher.

Quero falar com o Dr. Moa.

- O Dr. Moa... - Quero a opini�o do Dr. Moa!

Chame o Dr. Moa!

- O que se passa aqui? - Chamem o Dr. Moa.

Lamento muito, Ramiro.

Como cheg�mos a isto?

Tudo o que ela queria era que n�o sofr�ssemos com a doen�a dela.

E agora a minha Rosa desapareceu.

E eu tenho de decidir se a mato.

N�o consigo.

Lamento muito n�o ter estado convosco.

- A s�rio. - N�o era suposto ser assim.

Disse que ainda ter�amos uns meses depois da cirurgia.

Mas tiraram-mos. Tiraram-mos assim de repente.

- Ramiro... - Tudo culpa da vossa greve!

Sabem disso, n�o sabem?

Deixaram mi�dos inexperientes sozinhos.

Teria acontecido o mesmo.

Qualquer m�dico teria feito o mesmo.

Sei que � dif�cil de acreditar, mas ningu�m tem culpa.

Garanto-lhe, Sr. Meseguer.

Obrigada.

Queres tomar o pequeno-almo�o juntos?

Estou a ter um dia de merda.

- Biel, eu... - Espera.

- Deixa-me dizer uma coisa primeiro. - Est� bem.

J� disseste que n�o queres ter nada.

E eu disse que n�o me importava.

Mas, por mais que goste de te foder �s escondidas pela cidade toda,

s� queria poder tomar o pequeno-almo�o contigo sem termos de nos esconder.

O que achas?

- Ol�. - Ol�.

De Felipe, parab�ns. Ouvi dizer que n�o paraste estes dias.

O hospital agradece.

N�o o esquecerei.

Pronta?

- Sim. - Est� bem.

- At� logo. - Adeus.

Pilar!

Muito obrigado.

N�o te iludas. S� estava a tentar evitar um processo.

Isto j� se virou contra n�s, n�o v�s?

O teu interno est� ali.

Continua a deix�-lo sozinho e teremos outro suic�dio em breve.

Como te atreves a operar sem um cirurgi�o vascular?

E a ligar a car�tida de uma paciente terminal?

- Est�vamos sozinhos, t�nhamos de tentar. - N�o.

O certo era t�-la deixado morrer na sala de opera��es.

J� chega!

Como te atreves?

Estou aqui h� dias a trabalhar sem descanso!

N�o te atrevas a dizer-me o que devia ter feito.

Podes enfiar o teu serm�o de merda no cu!

Porque, se aquele homem tem de tomar esta decis�o,

� porque tu n�o estavas aqui!

Vai-te foder!

Puseste demasiado batom. Exageraste na boca.

- Espero l� fora. - Est� bem.

Obrigado.

- Como est�s? - J� n�o sou tua paciente.

O acordo est� ali. Podes rev�-lo.

Mais um pouco.

- � um �timo acordo. - N�o teria feito melhor.

- N�o o terias feito. - �s muito cansativo, N�stor.

Os meus sucessores ser�o piores. Acredita.

Porqu�? Vais demitir-te?

D�s-nos um minuto?

Isso

� apenas fumo.

- Est�o a usar-te para se livrarem de mim. - Fumo que salvar� muitas vidas.

- N�o a minha. - N�o sabes.

Olha-me nos olhos e diz-me que sou apenas um dano colateral

do teu grande plano para salvar o SNS.

N�o �s.

Se tiveste tomates para me deixar no bloco, a meio da cirurgia,

tamb�m tens para me dizer a verdade.

Fui um dano colateral?

N�o.

Mas h� coisas mais importantes do que n�s

pelas quais tamb�m vale a pena lutar.

S� isso.

Sabes que mais?

Tens toda a raz�o.

Emilio!

Sei que h� rumores sobre os acordos que estamos a fazer com os sindicatos,

e que, devido a isso e � minha doen�a,

me vou demitir.

- O qu�? - Ela vai demitir-se?

N�o!

N�o podiam estar mais errados.

O qu�?

Porque eu...

Eu n�o aceitei este cargo... para... Aceitei este cargo para fazer a diferen�a.

Sim. E n�o me tenciono ir embora at� esta situa��o estar resolvida.

Filha da puta!

N�o cheg�mos a acordo com os sindicatos,

porque isso significaria renunciar a todas as minhas pol�ticas

e render-me � brutalidade do Sistema Nacional de Sa�de.

Com licen�a.

Obrigado.

Este sistema de sa�de tirou-me a mama.

Sem o meu consentimento.

E n�o conseguiram remover o tumor que se continua a espalhar pelo meu corpo.

Se querem alcan�ar alguma coisa, ser� literalmente por cima do meu cad�ver.

N�o vou ceder.

Mesmo que isso signifique que a falta de m�dicos e de tratamentos

me custe a vida.

Para que o que me aconteceu n�o aconte�a a mais ningu�m.

Porque, senhoras e senhores, a nossa sa�de merece melhor.

Muito obrigada.

Viva a nossa presidente!

Legendas: Carla Barroso

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