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Carro suspeito na beira-mar de Ostia. Vamos abordar.
Tem documentos?
N�o.
Nome?
Pelosi.
Eu disse nome, n�o sobrenome.
Pino.
Pino � apelido.
Giuseppe.
Olhe para mim quando falar.
O que � isso na cabe�a?
Machuquei.
J� cuidamos disso, mas n�o � nada.
Machucou-se sozinho?
Sim.
Que bom!
Inclua no B.O. porque � capaz de dizer que fomos n�s.
Delegado!
Veja isto!
Pier Paolo Pasolini.
Assaltou algu�m famoso, sabia?
Perdi um anel, achou no carro?
Que anel?
E o cigarro e o isqueiro?
Essa n�o!
Passaram a m�o em tudo!
Houve um atentado e, como estava sem telefone ...
tivemos que vir aqui.
Entrem, por favor.
Roubaram um Alfa Romeo GT 2000, placa de Roma K69996.
� do Pier Paolo.
A senhora � ...
Sou prima dele. Vou cham�-lo.
N�o fa�am barulho, a m�e dele est� dormindo.
Eu solto primeiro.
Onde est� a sacola, pai?
Est� ali.
- N�o est�! - Est� a� atr�s.
Que gente suja e mal-educada.
Vejam onde jogam lixo.
S�o todos uns ...
Meu Deus! Meu Deus! Alfredo! Venha aqui!
Matei uma pessoa.
Quem?
Pasolini.
Pasolini. Aquele famoso?
Onde o encontraram?
Onde?
Evacuem a �rea! Evacuem a �rea!
De quem � esta bola? Vamos parar com isso!
Isolem a �rea. Tirem todos daqui.
Parece que o acertaram com uma placa de madeira do port�o.
Cheguei at� ali e pensei: n�o � lixo, � um cad�ver!
Sr. Moravia, tem algo a declarar?
Estou muito chocado.
Meu sobrenome tem dois "t" Salvitti. E o senhor quem �?
Colombo, do jornal "La Stampa".
"La Stampa"! O jornal de Agnelli?
Escreva que � tudo um nojo.
Foi uma gangue.
Massacraram o pobre coitado!
Ele gritava: "M�e!" "M�e!" "M�e!"
Eram uns 4 ou 5.
Contou isso para a pol�cia?
E eu sou louco?
Disse aos policiais que perdeu um anel?
Disse, por qu�?
Acompanhe-me, o juiz chegou.
Onde est� esse juiz?
Como era o anel?
De ouro, com uma pedra. Tinha algo gravado nele.
O qu�?
Algo em ingl�s.
S� faltou ter seu nome gravado.
Posso pegar de volta?
Estava ao lado do cad�ver.
Eu n�o devia estar aqui. N�o sou juiz de menores.
Sabe por que me chamaram?
Se for c�mplice de maiores ...
Que maiores?
O caso passa do juizado de menores para o juizado comum.
Ser� julgado por um tribunal que n�o tem os cuidados aplicados para menores.
Ser� julgado como adulto, como um verdadeiro criminoso.
Estava s�, ou havia outros mais velhos que voc�?
Estava sozinho.
Ent�o, Pasolini chegou � esta��o com seu carro,
falou com seus amigos e depois o chamou para ir junto.
Voc� estava na Pra�a Esedr�.
Quanto ganhou para ir?
N�o falou em dinheiro. S� que eu ganharia um belo presente.
S� isto. Um belo presente.
Mas quando entraram no carro, disse o que queria?
S� perguntou se eu tinha comido. Ent�o, me levou numa cantina onde ia sempre.
Voc� o reconheceu? Sabia quem era?
N�o � poss�vel. Era famoso! Sa�a nos jornais e TV!
Nunca vejo TV.
Mas, na cantina, se ele era fregu�s...
devem t�-lo cumprimentado, dito algo.
Eles o chamaram de Paolo.
Paramos num posto, depois nas docas.
Ele queria me chupar mas n�o foi at� o fim.
Sa� do carro, s� pra olhar.
Encostei numa cerca, e ele veio por tr�s.
Ficou se esfregando e tentou tirar minhas cal�as.
Tinha uma cara de louco. Dizia: "Eu te mato, se n�o topar".
Eu me recusei, n�o combinamos que eu bancaria a mulher.
Ele ficou bravo e tentou enfiar um pau no meu rabo.
Come�ou a me bater, dar tapas, socos. N�o aguentei.
Enquanto rol�vamos pelo ch�o, achei um peda�o de pau ...
e bati na cabe�a dele com for�a.
Na cara, no pesco�o, por toda parte.
S� parei quando vi que ele parou de se mexer.
N�o conseguia pensar. Tinha o rosto e as m�os cheias de sangue.
Entrei no carro e me mandei.
Foi assim.
S� posso dizer que n�o vou cuidar do caso.
O Juizado de Menores cuidar� dele.
Pelosi estava sozinho? N�o havia mais ningu�m? O que ele disse?
Vamos! Acabamos.
Vou revelar.
Est� bem.
Acabe de se despir, ande!
Jogue no ch�o. Depois guardamos.
Com tanta luta, at� que n�o se sujou. Quase nada.
Parei numa bica e lavei as m�os, sapatos e at� a roupa.
A �gua n�o tira mancha de sangue.
Veja isto.
Onde tinha mancha, ficou a marca.
Vamos, ande!
At� as meias?
Sim. Tamb�m.
Fale.
� Ant�nio Pelosi?
Sou. O que quer?
Recebeu uma liga��o da pol�cia esta noite?
Sim, ligaram.
Avisaram que seu filho foi preso?
Sim, avisaram.
Eu ia passar no juizado. Uma noite preso n�o far� mal a ele.
� uma desgra�a ter um filho ladr�o.
Seu filho � acusado de homic�dio.
A casa onde morava Pier Paolo Pasolini fica no Eur.
Dentro, est� a m�e idosa, a prima de Pasolini,
uma jovem universit�ria, e alguns amigos.
Parece que a m�e, dona Susanna, a qual ele era muito ligado,
e deu o papel da Virgem Maria no filme "Evangelho segundo Mateus"...
Amigos, n�o gostar�amos de estar fazendo esta resportagem.
Aqui, temos personalidades da cultura, do cinema. Escritores, produtores, artistas...
O que querem de mim?
N�o � um momento oportuno. Desculpem! N�o � o momento.
Ontem � noite estiveram juntos em um restaurante?
No Pommidoro.
Mas Pier Paolo saiu sozinho.
Cada um foi para um lado. Ele foi para casa e eu tamb�m fui.
Trabalhou muito como ator para Pasolini.
Descreva-nos quem era Pier Paolo Pasolini.
Era uma pessoa... N�o tenho palavras!
Uma grande, grande pessoa!
Acima de tudo, um homem muito bom.
O advogado de Pasolini!
Somos do telejornal!
Nino, finalmente!
Quem s�o eles?
N�o sei, guardas, policiais. Queriam ver os pap�is de Pier Paolo...
para ver se tinha algum encontro ontem � noite.
- N�o est� certo. - Espere. Fale baixo.
Susanna est� com Laura. Ainda n�o sabe.
Desliguei o r�dio e a TV. N�o consigo contar a ela.
Mas e a procura��o?
Se ela n�o assinar, n�o posso agir.
Vamos dar um jeito. Mas n�o agora, n�o agora.
Onde est� ela?
N�o perguntou nada, nada. Como se j� soubesse.
S� posso dizer que Pier Paolo incomodava a sociedade...
por isso o eliminaram...
- O que mais? - Tenho anota��es sobre Pelosi.
De Guidonia. Altura 1,71m. Eu diria que tem um corpo atl�tico.
De perto parece um pintinho.
Um pintinho n�o mataria Pasolini assim.
Conseguiram encontrar?
Tinha de morrer bem no domingo?
Falo da entrevista com Davoli.
Ele diz que Pelosi n�o podia estar sozinho.
Por acaso Davoli � juiz ou policial? O povo quer saber de trag�dia.
L�grimas sobre o cad�ver, Aquiles e P�trocles...
Diretor!
O que �?
O interrogat�rio do Pelosi. S� n�s temos.
Meus cumprimentos! Melhor que as lam�rias de Davoli.
O jovem admitiu ter matado Pasolini durante uma luta com o escritor...
a qual ele o acertou a cabe�a com um pau.
O jovem que chegou em Roma depois do almo�o, se encontrou com alguns amigos.
- Veja s� isto! - Quieto! Quero ouvir!
...chegou um Alfa GT, e o motorista me convidou para dar uma volta.
Disse ainda: "Eu o reconheci logo que o vi".
E ele confirmou que era Pasolini.
Foi dizer que o conhecia?
N�o ouvi se disse que voc�s tamb�m estavam na esta��o.
Se nos chamarem, o que vamos dizer?
A verdade. Que est�vamos l�.
E se perguntarem do carro?
...Pelosi teria depois ido com Pasolini a uma cantina perto da Bas�lica de S�o Paulo.
Disse que no caminho para Ostia, eles pararam em um posto de gasolina.
Outro motorista que parou no mesmo posto teria confirmado este detalhe...
� verdade o caso do motorista?
� um barman chamado De Angelis.
Disse que n�o havia ningu�m atr�s deles. Nem carro, nem moto.
Est� surpreso?
Pasolini teria descido do carro com ele.
O jovem disse que o escritor queria ter rela��es com ele, mas ele n�o queria.
Eu interrogaria os amigos que estavam com ele na esta��o e o pessoal das docas.
Talvez algu�m tenha ouvido alguma coisa.
Depois faria uma batida na regi�o, uma coisa meio pesada.
Sob press�o, talvez algu�m fale.
O que voc� quer, Pigna?
Temos os terroristas com seus atentados.
Os ataques fascistas como em San Lorenzo.
Assaltos, sequestros, tr�fico, e voc� est� preocupado com Pasolini?
Esse rapaz tem precedentes, poderia ser algo maior.
Precedentes? Ladr�o de lambretas? Investigar? Ele at� confessou!
� um caso de bichas e pronto!
Percebe que a TV transmite sem controle a vers�o do acusado.
Agora os italianos acham que Pelosi diz a verdade.
Tem raz�o, mas eu...
Comunique que � viola��o de informa��es.
-N�o � a imprensa que julga. -Doutor, por favor!
Eu seria acusado de atentar contra a liberdade de imprensa.
N�o posso fazer isso.
� uma das maiores autoridades da Procuradoria. Deve impor as leis.
O que posso fazer � pedir que sejam discretos.
Prometo que isto n�o vai se repetir.
Tem minha palavra.
-O que fez no bra�o? -Quebrei quando ca� da moto.
Ou foi Pasolini quem o quebrou naquela noite?
Que nada! Eu quebrei h� um m�s.
Tenho at� atestado.
N�o tive nada a ver com Pasolini.
-Como chegou � esta��o Termini? -De �nibus.
Quando o carro do Pasolini chegou, voc�s o reconheceram?
Claro!
Salvatore at� o parou e lhe pediu um papel no seu pr�ximo filme.
-Ele disse: "Pasolini, eu..." -Falaram a Pelosi quem era ele?
Claro.
Quando ele entrou no carro, eu falei...
"Cuidado, ou este tal de Pasolini vai lhe faturar..."
Tem certeza de que disse "Pasolini"?
Acho que sim... mais ou menos...
O Pino n�o disse que o conhecia?
Como voc� sabe?
-Saiu na TV. -A TV errou!
-Como assim? -Voc�s est�o mentindo.
Quem sabe...
Pensando bem, n�o falei quando ele entrou no carro, mas quando voltaram.
-Por que voltaram? -Para me dar as chaves do carro.
Que carro?
-N�o foram de �nibus? -Eu quis dizer que...
Ele queria as chaves da casa dele que estavam comigo.
A jaqueta dele n�o tinha bolsos.
-Ent�o disse aonde iam. -N�o, n�o falou nada.
E depois, o que houve?
Nada. Foram embora de novo.
S� que dessa vez, Pasolini n�o voltou mais.
Acha que se eu matasse algu�m, entraria no carro do morto...
e sairia por a� a 160 km por hora como um idiota?
Quem disse que estava correndo? S� disseram que ele foi detido.
-Com um carro desses, ele n�o ia pisar? -Acho que ele n�o matou ningu�m.
O "Pino-R�" n�o tem nem f�sico pra isso.
Acho que ele s� roubou o carro e pronto. Outra pessoa matou Pasolini.
-S� se estivesse dopado! -Dopado de qu�?
Bolas, o que mais? Braciola, entende dessas coisas.
Entende tanto que poderia ser farmac�utico.
Vai tomar no cu!
O que acha que houve entre os dois?
Nem imagino. Eu estou me lixando!
Bom dia! Sou jornalista.
Queria falar com Ennio Salvitti, que prestou esta declara��o.
-Salvitti, o pescador? -Onde posso encontr�-lo?
O pescador se mandou!
S� hoje j� vieram quatro jornalistas aqui.
Ele negou tudo! Ele n�o disse aquilo aos jornalistas.
Ou�a, o jornalista Colombo n�o inventaria essas coisas.
Inventou, sim. S� faltou escrever que n�s ajudamos o coitado do Pelosi.
-Bom, o "coitado" o matou!
Eu levaria uma rosa para aquele pobre rapaz.
Sabe o que Pasolini queria do mo�o?
E se fosse seu filho ou seu irm�o? O senhor gostaria?
Deviam � tocar fogo nele. V� embora!
Foi morrer bem aqui? N�o podia ser em outro lugar?
Deixe-o pra l�. Vamos!
Um pouco para a direita!
Estive muito pr�ximo de Pier Paolo quando jovem.
Ele me fez conhecer as poesias, o cinema.
Fui assistente em seu primeiro filme, "Accattone".
Acho que este � um crime n�o s� contra a sua pessoa, a um irm�o,
mas um crime contra a cultura, a intelig�ncia e a poesia.
N�o entendo e n�o sei qual foi o motivo dos assassinos...
mas eles...
impediram que Pier Paolo falasse. Calaram-no para sempre.
Mesmo que isto seja indireto, h� algo de horr�vel no ar, algo monstruoso.
Ligue-me com a imprensa.
Eles o calaram para sempre.
Isto nos transtorna.
Como secret�rio do grupo social-democrata da C�mara,
quero denunciar o espa�o absurdo
que o telejornal tem dedicado ao assassinato de Pasolini.
� um esc�ndalo afirmar que seja um crime contra a Cultura. Mai�sculo!
N�s, e certamente milh�es de italianos,
n�o nos sentimos representados pela "cultura" do Pasolini."
V�o alegar imaturidade. N�o se preocupe!
E foi em leg�tima defesa.
Queria comer voc�. Agrediu voc�!
S� falta o juiz defender as bichas!
Entre imaturidade e leg�tima defesa, pega uns meses e sai.
Mas, se for trouxa, vai sair, mas com os p�s na frente!
-Voc�s defendem o tal Pelosi? -Por que? O que sabe disso?
Digamos que frequento o mesmo c�rculo.
Ele acabou se dando mal. Pobre Pier Paolo.
Voc� conhecia Pasolini?
Como n�o? De vista, claro, pessoalmente n�o.
Sempre rodando com aquele carro. �, quando a gente envelhece...
Famoso ou n�o, o tempo passa para todos.
Naquela noite, eu vi o carro rodando, rodando...
Depois encontrei um amigo e n�o olhei mais.
Voc� j� tinha visto o Pelosi na esta��o?
Eu lembraria... t�o simp�tico!
Ele n�o matou o Pasolini. Todos sabem.
Ou seja...
Foi morto por aqueles que dominam a zona.
S�o animais. Eles o seguiam h� algum tempo.
-Por que? -Vivia perguntando, enchia o saco.
Era a segunda vez que eles o preveniam.
Quantos eram?
Um carro o seguiu.
Voc� contaria isto ao juiz?
Ou�a, por favor.
Protestamos! Temos o direito de ver Pelosi.
-Fomos regularmente nomeados. -Lamento, Vincenzo!
-Ele � Vincenzo, eu sou Tommaso! -Desculpe, quis dizer Tommaso.
Seu cliente est� isolado. N�o recebe ningu�m.
Desculpe, por que?
Quero interrog�-lo primeiro.
Ol�.
-Ouviu os advogados de Pelosi? -N�o, o que foi?
Dizem que sua confiss�o n�o convence.
Alinharam-se � parte civil, representada por Marazzita.
"No s�bado � noite, havia outros com Giuseppe Pelosi."
Veja que coisa estranha!
Acham que acoberta algu�m.
Talvez por medo.
Se o defendesse e tivesse certeza de que havia outros, faria o mesmo.
Tentaria demonstrar que n�o passou de c�mplice.
E por que Pelosi insiste que estava sozinho?
Ele visa leg�tima defesa e, acima de tudo, imaturidade.
Se o considerarem imaturo, se livrar�.
-Ele estudou as leis? -Experi�ncia.
No ano passado, livrou-se de um crime de furto por ser imaturo. Foi solto logo!
Se entendi, Pier Paolo foi morto pelos fascistas.
N�o quis dizer fisicamente. Mas o fascismo...
� o ar que nos circunda, o horror que respiramos todos os dias.
Ou, talvez, tenha sido eles, mesmo fisicamente.
N�o farei um processo pol�tico.
-N�o? -N�o.
-Por que? -Porque n�o � processo pol�tico.
Voc� vai ver!
O primeiro � fichado... porte de armas, coisas assim.
O segundo � um principiante. Mas outro dia atacou uma pessoa.
Esse tentou homic�dio num roubo. Foi solto por decurso de tempo.
Este � o pior de todos. Sou eu.
Todos drogados.
De cabe�a cheia, matariam os pais para roubar o rel�gio.
Mas o que t�m a ver com Pelosi?
Dois deles estavam no bar que o Pelosi frequenta.
E da�? Onde se encaixam no caso de Pasolini?
Onde? Viu os panfletos que distribu�ram?
Guardei de lembran�a.
Simp�ticos, n�o?
Lembre-se do que falei. N�o vou ficar bancando o c�o de guarda.
Pensei que fossem os advogados.
Que advogados!
Entendeu o que disseram?
Que voc� n�o estava sozinho.
Entende que se n�o estava sozinho, se havia outra pessoa, vai pegar pris�o perp�tua?
Nunca.
N�o tem dormido?
E posso dormir?
Voc� me deixa mal.
Dispense aqueles dois. Tem de trocar de advogados.
� verdade. Assumi a defesa do Pelosi e n�o perdi tempo.
Estes livros s�o de Pasolini.
Quero ler, me informar. Primeiro: n�o costumo denegrir ningu�m.
Segundo: porque talvez estes livros, encerram o mist�rio de sua enfermidade.
A paran�ia er�tica, que naquela noite terminou em trag�dia.
Hoje em dia acontecem coisas estranhas. Os comunistas, que querem a igualdade...
pedem considera��o para os atos obscenos de Pasolini, porque era artista.
� c�modo demais! O menor Pelosi atacou para defender-se. Defendeu sua honra.
A a��o � tr�gica, claro.
Mas aquela a��o desesperada encerra a revolta simb�lica do prolet�rio
que se rebela contra a explora��o de uma cultura pseudo-libertadora.
� c�modo ir � ca�a num Alfa Romeo GT 2000!
Este processo mostrar� a fundo o terrorismo cultural
e quem era Pasolini na verdade.
Que sua alma descanse!
Guarde o carro de Pasolini, r�pido! Vamos, r�pido!
Veja o que fez!
Voc� tem que fazer a necropsia. N�o confio em mais ninguem.
Lamento, Nino, n�o me pe�a isto.
Pe�o. Voc� � o �nico que pode nos ajudar.
Os peritos n�o examinaram o corpo no local do crime. S� no necrot�rio.
Nem viram as fotos do corpo.
O juiz n�o interrogou os amigos de Pelosi,
os residentes locais, nem quem anda pela esta��o.
N�o fizeram per�cia no carro. As provas e testemunhas v�o sumindo.
Ap�s 40 dias, o acusado, quando � menor, tem que ser solto.
-N�o temos nada! -O que espera? N�o fa�o milagres.
Amanh�, no funeral, tudo ser� enterrado para sempre.
Corpo, investiga��es, a aten��o p�blica.
S� ficar�o as palavras de Pelosi.
Na sua opini�o, qual � a verdade?
Por enquanto...
s� tenho impress�es baseadas no interrogat�rio do rapaz.
Impress�es valem. Acha que Pelosi est� dizendo a verdade?
Acho que n�o.
H� muita convic��o na hist�ria dele.
-Como as conseguiu? -Estou aprendendo.
-N�o vamos publicar. -Por que?
Violentas e tr�gicas demais.
Ningu�m vai acreditar que Pelosi tenha feito tanto estrago sozinho.
Mas � melhor que sejam nossas.
Vamos come�ar.
Duas amplas escoria��es nas regi�es frontais e laterais.
Equimose da regi�o malar e maxilar esquerda.
Dupla fatura da mand�bula.
Les�o transversal na regi�o auricular esquerda.
Les�o na regi�o auricular direita. A orelha foi praticamente arrancada.
Fraturas de falanges da m�o esquerda, com corte no primeiro dedo.
Fratura da sexta e s�tima costela direita.
� esquerda, fratura da sexta, s�tima, oitava...
...e nona costela.
Ao todo, 10 fraturas.
H� lacera��es no tecido do f�gado.
Constava do laudo da promotoria? N�o me lembro de ter lido.
N�o me lembro de ter lido.
Perdemos um poeta e n�o h� muitos no mundo.
Nascem 3 ou 4 em cada s�culo!
No fim do s�culo, Pasolini estar� entre os poucos poetas lembrados.
O poeta deveria ser sagrado.
A causa da morte foi a ruptura do cora��o causada pelo atropelamento.
Terminamos, Paolo.
"Pelosino, recebi seu cart�o,
fui at� o Inacasa, mas Johnny n�o estava.
Assim que o encontrar, vou pedir que lhe escreva."
Quem � este Johnny? Ser� o louco do Johnny, o Cigano?
Por que n�o cuida da sua vida?
"Agora que est� preso, n�o ligue, nem pense no que fez.
Finja que n�o aconteceu nada.
Pense no dia em que sair�, e ser� em breve.
Seu amigo Braciola."
Quem � ele? O filho do Jack, o Estripador?
Esta � da Alemanha. Conhece algu�m de l�?
S�o 4 coitados que emigraram h� 10 anos. Fizeram uma coleta.
Com tantos f�s, vai ficar rico.
H� outra vers�o da morte de Pasolini. Morto por 2 motociclistas.
Que testemunha misteriosa � essa?
Quem disse a Fallaci que havia outros agressores?
Voc�s n�o sabem nada!
Basta um artigo no jornal, e n�s bancamos os idiotas!
O que fizemos at� agora?
Onde est�o os laudos do carro de Pasolini?
E os interrogat�rios dos moradores?
E a batida na regi�o que o pessoal frequenta?
Por que n�o est�o aqui? N�s os conhecemos, um por um.
Posso saber por que ainda n�o fizeram bosta nenhuma?
Fica na rua a esta hora? N�o tem reumatismo?
-E o senhor? -Eu tenho!
Estava ali por acaso, procurando uma farm�cia.
Conhecia Pasolini?
Quem n�o conhecia? Era um grande diretor.
Eu quis dizer se j� o tinha visto antes.
Claro, na TV e no cinema.
Quero dizer, j� o tinha visto na esta��o Termini? Onde voc� estava?
J� falei que estava procurando uma farm�cia.
Deixe de ser tonto, sua bicha! J� o tinha visto na esta��o?
Numa das vezes em que procurava sua farm�cia?
N�o. Nunca o vi l�.
Bom dia. Somos da pol�cia. Mora aqui?
-Sim, aqui.
-J� foi interrogada? -Ningu�m me interrogou.
O pior fica sempre para n�s, n�o, doutor?
Pigna!
Havia marcas do carro aqui.
Por que n�o isolaram o local?
Assim que cheguei, mandei isolar. Mas n�o fui o primeiro a chegar.
Como fazem as investiga��es? Como vamos distinguir as marcas?
Veja isto! E isto! E isto!
Coisa de louco! Ser� que est�o encobrindo algu�m?
Vou fingir que n�o ouvi nada. At� logo!
De novo? J� contei a hist�ria 20 vezes. Estou de saco cheio.
-Como chegaram � esta��o? -Com meu carro.
N�o � verdade. Seus amigos disseram que foram de �nibus.
Quem � voc�? S� respondo ao juiz.
Sou o advogado da fam�lia de Pasolini. Tem que responder �s minhas perguntas.
-Verdade? -Verdade.
N�o tenho habilita��o, e meus amigos achavam que o carro era roubado.
Mas, caro colega, o carro foi adquirido regularmente.
-Aqui est� a transfer�ncia. -Claro! Custou caro.
-De onde veio o dinheiro?
-Estou aqui por causa de Pasolini, e n�o para falar do carro.
Vamos continuar.
Voc� n�o percebeu que passou por cima dele com o carro...
e achou que ainda estivesse vivo?
Mas disse ao seu companheiro de cela que havia matado Pasolini!
Porque, quando fui detido, os policiais disseram que o carro era dele.
N�o foi isto que perguntei. Por que falou "matei"?
Porque pensei que, depois daquela surra, o sangue, o tempo que tinha passado...
Sabia ent�o que o tinha surrado ao ponto de morrer?
N�o sei, n�o sei!
Que maneira de dirigir-se ao acusado! Onde estamos, na KGB?
Calma, doutor.
Eu vou reformular a pergunta.
Quando voc� saiu do local, o que pensava?
S� em fugir.
Se Pasolini estava morto ou vivo, nem pensei. S� queria ir embora.
-Quando chegou a carta? -Domingo.
-Posso tirar uma c�pia? -L� embaixo, no escrit�rio.
Nunca suportei homossexuais. S�o piores que os outros.
Neste mundo, onde somos tratados mal, tamb�m podemos trat�-los mal.
Homossexuais, ladr�es e criminosos n�o prestam.
Pasolini, s� porque sabia escrever, sentia-se importante.
E a imprensa o faz parecer ainda mais importante.
Ontem, vi o funeral de Pasolini na TV.
Havia muita gente. Parecia o presidente da rep�blica.
N�o est� certo. O Estado deve punir os delinquentes.
Por que honrar os homossexuais?
Os homossexuais...
Sente-se.
-Voc�s concordam? -Claro, ele procurou!
Devia ter ficado no Norte. Veio a Roma para pegar garotos.
-Gostava da moleza... -N�o, gostava de duro!
Esta � uma poesia sobre Roma.
Ou�am.
"Maravilhosa e miser�vel cidade.
Ensinou-me o que homens ferozes e alegres aprendem na inf�ncia.
As pequenas coisas, as quais a grandeza da vida revela.
Como ser forte pelas ruas apinhadas.
Dirigir-se a outro homem sem tremer.
N�o envergonhar-se ao olhar o dinheiro sendo contado...
pelos dedos de um trabalhador que transpira,
contracenando com os rostos e a cor de um eterno ver�o.
Maravilhosa e miser�vel cidade...
que me fez viver aquela vida ignorante,
at� que descobrisse que cada pessoa era o mundo..."
Isto era Pasolini.
Era isto que pensava de voc�s.
Braciola, Calabrone, Johnny, todos amigos de Pelosi.
Cheque quem s�o.
O Braciola eu conhe�o. Cuida do jogo na Uni�o Mon�rquica.
O Johnny � chamado de "cigano", o pai tem um carrossel.
Saiu da pris�o h� pouco tempo. Coisa pequena, roubo de moto.
Estava preso no dia do homic�dio?
Estava fora. Por que quer saber?
Por nada.
Acomodem-se.
At� agora...
O que h� de t�o importante? Vamos logo, em 10 minutos tenho reuni�o.
O relat�rio?
Estou de olho neste bar h� meses. A esc�ria romana vive ali.
Este ano, desde que come�aram os sequestros e assaltos,
apareceram franceses de Marselha.
Este � um que vale. � Gilles Marcel.
Tem 2 v�cios: vestir-se de mulher e vender drogas.
Neste saco h� um quilo de hero�na. N�s prendemos o rapaz h� uma hora.
� da Vanguarda Nacional Terrorista, suspeito de atentado.
Continue!
A Vanguarda Nacional e Ordem Nova,
o mesmo que dizer, fascistas que usam bombas, se uniram...
e se denominam "Luta Popular".
S�o financiados pelos sequestros, assaltos e drogas.
E as provas? Onde est�o?
Este � Mariano, banqueiro sequestrado h� alguns meses.
Concutelli organizou tudo. Chefe militar dos terroristas.
Conclus�o? Roma � como Chicago?
N�o.
Conclus�o: fascistas e criminosos s�o aliados.
Agora agem juntos nos assaltos, sequestros e drogas.
Antes, os fascistas recrutavam gente para sair batendo...
agora, pedem que matem, joguem bombas e coisas piores.
Como matar Pasolini.
N�o posso fazer papel de bobo s� porque voc� cismou com fascistas e franceses
e todas essas besteiras sem uma �nica prova.
Este � um relat�rio? � assim que trabalham aqui?
Parece um jornal comunista!
Ele � o da esquerda.
Agora, desenhe voc�.
Voc� esqueceu das m�os. O que lhe ensinaram na escola?
Desculpe, espere um pouco. Deixe pelo menos ele terminar.
O que quer dizer? Que � um selvagem, um animal?
Sei que aqui todos acham que ele � um monstro.
E como o senhor julga o comportamento do seu filho?
Como deveria? � preciso sobreviver.
-O que Pino fez foi correto? -Pasolini � quem estava errado.
Devia ficar escrevendo poesias.
Eu fico em casa, pois � noite estou morto de cansa�o.
Nunca me aconteceram coisas assim.
-O que acha do que diz seu pai? -O que deveria achar?
Voc� acha normal o que fez?
Sei l�.
Enfim, em tudo que aconteceu, h� algo que n�o gostaria que tivesse acontecido?
-Claro! -O que �?
Os jornais os envolveram, e eles n�o t�m nada a ver com isso.
-N�o t�m culpa por eu ser assim. -Assim como?
Voc� entendeu.
-O que mais voc� lamenta? -Que me chamem de "r�".
Nos jornais saiu este apelido. Tenho cara de r�?
Me viram na TV e escreveram dizendo que sonharam comigo. N�o sou uma r�.
Morrer. Diga com outra palavra.
Acabar.
E nascer?
N�o penso em nada.
-E ent�o? -Tenho que trabalhar mais.
Trabalhar, Luigi?
Na verdade, preferia v�-lo amanh�.
Amanh�? N�o temos tempo a perder. D�-me isto.
Ou�a, Nino. Sei que � uma m� not�cia, mas, sinceramente, ele � imaturo.
-Como? Imaturo? -Imaturo!
O que est� dizendo? Ele matou um homem!
At� uma crian�a de 5 anos sabe que tirar a vida de algu�m...
Sei mas, ele... n�o tem... nem sabe...
N�o tem senso moral. O meio onde viveu at� agora...
Psicologia! Por voc�s, at� Caim seria inocente!
Se for considerado imaturo, ele sai no dia seguinte.
Eu sei. Ou�a, se quiser, pode deixar de apresentar o meu laudo.
N�o vou apresentar.
ANDREOTTI, FANFANI, E OUTROS IN�MEROS DEMOCRATAS CRIST�OS
DEVERIAM SER LEVADOS A JULGAMENTO E ACUSADOS DE UMA S�RIE DE CRIMES
DESRESPEITO AOS CIDAD�OS DESVIO DO DINHEIRO P�BLICO
ACORDOS COM COMPANHIAS PETROL�FERAS IND�STRIAS E BANQUEIROS
COLABORA��O COM A CIA USO ILEGAL DE INFORMA��ES SECRETAS
RESPONS�VEIS PELA N�O PUNI��O DOS EXECUTORES EM ATENTADOS
COMO O DE MIL�O, BRESCIA E BOLONHA
PELA DESTRUI��O DE MEIO AMBIENTE
DEGRADA��O ANTROPOL�GICA DA CULTURA ITALIANA
EXPLOS�O DA CULTURA DE MASSAS
E PELA ESTUPIDEZ CRIMINAL DA TELEVIS�O
SE N�O FOREM A JULGAMENTO, � IN�TIL ACREDITAR QUE A IT�LIA PODE SER SALVA
A RESPEITABILIDADE DE CERTOS DEMOCRATAS CRIST�OS
E O MORALISMO DOS COMUNISTAS S�O IN�TEIS
28 DE AGOSTO DE 1975 PIER PAOLO PASOLINI
Pasolini queria processar todos! Sabem por que?
Queria se vingar dos processos penais instaurados contra ele.
Por que seria perseguido?
V�tima, monstro constru�do pela imprensa? Vamos aos fatos!
15 de outubro de 1949: fichado pela Pol�cia de Casarsa por corrup��o de menores.
1� de janeiro de 1951, Chioggia: detido por embriaguez.
21 de julho de 1955: indiciado pelo Conselho da Procuradoria de Mil�o
pelos conte�dos pornogr�ficos do seu livro "Jovens da Vida".
-Doutor, sua beca. -Coloque na cama. N�o amasse.
Hoje todas as emissoras de TV estar�o nos filmando.
Pode ir.
9 de fevereiro de 1960: detido pelos tristes fatos da Via di Panico.
16 de julho de 1960: den�ncia por corrup��o de menores.
18 de novembro de 1961: den�ncia por assalto � m�o armada.
Mais de 30 processos contra esse homem. N�o apenas um!
Senhores, onde h� fuma�a, h� fogo.
Meus senhores, onde h� fuma�a, h� fogo.
No ano de 1976, no dia 2 do m�s de fevereiro,
o Tribunal de Menores, composto pelos senhores...
Dr. Alfredo Carlo Moro, presidente, Dr. Giuseppe Salm�, juiz,
Dr. Matteo Guarino, juiz honor�rio, Dra. Maria Grazia Milone, ju�za honor�ria.
Com a interven��o do Minist�rio P�blico, representado pelo Dr. Giuseppe Santarsiero...
e a assist�ncia do Chanceler Roberto Carnevali...
reuniu-se na sala de audi�ncia, para tratar da causa penal,
ap�s a instru��o sum�ria contra Pelosi, acusado nos autos.
O acusado � assistido por Rocco Mangia.
A parte civil, Susanna Pasolini, j� constitu�da,
� representada por seus advogados, Marazzita e Calvi.
Tratando-se de um menor, o julgamento se dar� a portas fechadas.
Confirmo o que disse e nada tenho a acrescentar.
N�o podia ser melhor.
Mas, gostaria de fazer algumas perguntas.
Desculpe, presidente, poderia...
O acusado pede que sua m�e saia do recinto durante seu interrogat�rio.
O Tribunal acolhe o pedido.
Por favor, senhora. N�s a chamaremos assim que poss�vel.
Quando o senhor foi at� Piazza, naquele local, sabia que l� havia homens que...
Sabia, sim.
E naquela noite, estava disposto a sair com algum daqueles homens?
Sim.
-J� tinha feito isso? -Nunca.
Ia ser a primeira e a �ltima. Fiz por necessidade.
Necessidade grave, suponho.
Eu tinha que consertar o carro.
Tem outra raz�o para explicar sua escolha?
Uns pedem aos jovens para bancar a mulher. Eu queria ser homem.
E queria ver como seria com um homem, se me daria nojo.
E qual foi sua rea��o quando lhe pediu uma rela��o oral.
-Resisti um pouco. -Mas isto � absurdo!
Ent�o por que foi com um homem num lugar como aquele?
E por que diz isso agora e n�o, nos interrogat�rios anteriores?
Sr. Presidente, deste jeito n�o d�! Querem intimidar o r�u!
Se isto ocorresse, eu n�o permitiria. Por favor!
Entendeu a pergunta? Por que s� diz agora que resistiu?
N�o tenho culpa se s� lembrei agora.
Depois do que ele me fez, como falei no depoimento, pensei que tivesse acabado.
A� desci do carro, s� para olhar.
Ele saiu tamb�m e come�ou a se esfregar.
Mandei parar, disse que n�o queria bancar a mulher.
Queria enfiar um pau em mim. Eu disse: "Est� louco?"
Ele come�ou a me bater. Me bateu com aquele pau.
Chutei o saco dele e sa� correndo.
Ele veio atr�s, escorreguei e ele veio em cima.
Ele me batia. Tirei o pau dele e a� eu comecei a bater nele.
Mas o pau quebrou.
Achei uma t�bua de madeira e dei com toda for�a na cabe�a dele.
Eu estava em estado de choque, com sangue no rosto e nas m�os.
N�o conseguia ver nada. Dei partida no carro e fugi.
Foram juntos a um restaurante. Voc�s conversaram?
-Ele fazia perguntas. -O qu�?
Nem me lembro. Se eu trabalhava... onde morava... que escolas tinha frequentado...
-Era gentil? -Era.
Era gentil.
Mas depois que sa�ram de l�, quando chegaram no cais, o que aconteceu?
Nos interrogat�rios, declarou que ele estava com olhos de louco.
Como assim?
-Repito a pergunta. -Eu entendi a pergunta.
E ent�o?
- Ouviu? Soube o que aqueles bostas fizeram? - Soube o qu�?
Depois daquela reuni�o, invadiram o bar que eu estava espionando.
Prenderam 10 pessoas que n�o tinham nada a ver.
Estragaram todo o meu trabalho!
Sim, porque...
Porque s�o uns bostas, cabe�as-duras. Agora, quem pegar� os fascistas e os franceses?
Calma.
E me tiraram do caso. Fui transferido. Chamaram isso de promo��o.
Lamento por voc�. Tinha arrumado a foto de Braciola, amigo de Pelosi.
� este marcado. Mas voc� vai ter que procurar sozinho.
Parecia uma boa pista.
E por que?
N�o estou mais no caso.
Tamb�m fui promovido.
Por que veio contar tudo isto? S�o s� hip�teses.
Talvez. Mas como ningu�m mais viria contar, resolvi vir.
Acha que alguma forma��o de extrema direita ligada ao crime..
Doutor, eu n�o acho nada.
As informa��es que eu tinha, j� dei. Pensem voc�s!
Est� dizendo que impediram suas investiga��es?
Tenho que ir. At� logo, doutor. Boa sorte.
Pier Paolo nunca tirava os �culos. Nem em casa por um instante.
Imposs�vel que tenha sa�do do carro sem coloc�-los.
Reconhece esta malha e esta palmilha?
A malha n�o � de Pier Paolo, nunca vi. A palmilha n�o sei de quem �.
Podiam estar no carro h� muito tempo?
Eu tinha lavado o carro no dia anterior. Naquela tarde, ele s� deu uma volta.
N�o estavam l�, estou certa.
-Talvez no porta-malas. -De jeito nenhum.
Limpei o porta-malas tamb�m e n�o havia malha nem palmilha.
N�o s�o do rapaz?
N�o, n�s j� verificamos.
Eu n�o queria matar. Ele provocou.
Eu n�o queria! Foi uma desgra�a.
Sil�ncio!
Lembra exatamente onde estava esta malha?
No banco traseiro, acho.
Os peritos disseram que estava no porta-malas.
Talvez, durante a per�cia, algu�m tenha tirado do lugar.
Procure ser o mais exato poss�vel.
Muda muito se estava no porta-malas ou no banco.
No porta-malas pode ser um simples trapo. No banco, visto que n�o � nem da v�tima...
nem do acusado, podemos pensar que no carro havia uma terceira pessoa.
-Estava no banco traseiro. -Obrigado. Pode ir.
-Voc� � Pugliese? -Quem � voc�?
-Marcamos um encontro. -N�o acho.
Voc� n�o marcou com Braciola?
-Seria voc�? -Sou. Ele � meu irm�o.
-Pro inferno! -O que foi? Qual � a bronca?
Digo que tenho um servi�o, quero dois caras. E me mandam dois amadores.
-Amador � voc�! -Diga o que temos que fazer.
-Vamos deixar pra l�. -Espere a�.
Quanta grana vale?
Dez mil pelo servi�o.
Mas s� me servem, se trabalharem com isto.
Morro de medo disto!
Tchau! A gente se v� quando tomarem fortificante.
Com quem acha que est� falando?
Est� diante de quem matou Pasolini.
Como assim?
S� chamam para acabar com algu�m como Pasolini, um filho da puta com muita coragem.
-E quem chamaria voc�s? -N�o te interessa.
N�o me interessa?
O que est� fazendo? Abaixe essa arma.
J� sabia que era um espi�o. Saquei que era tira.
Est� assinada "Braciola". Voc� escreveu?
N�o posso escrever a um amigo preso?
-Ent�o conhece bem Pelosi. -E da�?
Fala de um amigo, um tal Johnny. Por acaso � Johnny, o cigano?
E da�?
Ele matou para roubar um rel�gio. Ele mesmo confessou.
Johnny n�o � mau. Naquela noite ele estava dopado.
Talvez tamb�m estivesse quando ajudaram Pelosi.
J� falei que � tudo mentira!
Por que disse ao policial que havia matado Pasolini?
Sei la. Eu falei.
O que quer dizer?
N�o fiz nada, s� falei.
Para me sentir importante.
Por que desmentiu tudo?
N�o quero que voc�s saiam nos jornais.
Quero fotos s� minhas. Sou melhor que o Pino "r�"!
At� agora, nada desmente a vers�o dada por Pino Pelosi.
Nem as vers�es dos 3 amigos que estavam com ele na esta��o.
Que ingenuamente mentiram sobre terem chegado ao local de carro...
s� porque pensavam que o carro fosse roubado.
Nem as revela��es dos jornais, que s� criaram confus�o.
Nem esta �ltima farsa dos dois irm�os que assumiram a autoria do crime...
s� para aparecer diante dos companheiros de bagun�a.
Ent�o, Sr. Presidente, vamos concluir?
Vamos estabelecer de uma vez por todas...
se se trata ou n�o de um homic�dio doloso?
Vamos aos autos, e dizer que Pelosi � imaturo... ou continuamos perdendo tempo?
Sr. Presidente, quanto a este prop�sito,
este � o laudo psiqui�trico da parte civil.
Pe�o ao Tribunal que examine.
Segundo o nosso perito, Pelosi deve ser considerado imaturo
Poderia deixar de apresentar este laudo.
Mas consideramos o maior ensinamento de Pier Paolo...
que era, amor incondicional pela verdade a qualquer custo.
Ser�amos infi�is � sua mem�ria com uma atitude contr�ria.
N�o concordamos com a avalia��o mas, nos envergonhar�amos se n�o o apresent�ssemos.
O Alfa Romeo 2000 GT estava parado aqui. Perto da cerca do campo de futebol.
Esta � a �rea onde houve o crime.
Uma �rea muito ampla, como podem ver.
Aqui, a cerca de 70 m de dist�ncia, foi encontrado o corpo.
Mas, foi aqui, perto do carro, que ocorreu a primeira agress�o.
Aqui, foi encontrada a camisa dele.
Aqui, ele sofreu um golpe violento na cabe�a.
As feridas provocaram uma forte hemorragia. Prova irrefut�vel disso...
� a quantidade de sangue encontrada na camisa.
Vejam, n�o est� rasgada em nenhum ponto.
Podemos deduzir que Pasolini a despiu numa pausa da luta.
Provavelmente para estancar o sangue dos ferimentos.
O que provocaria tanta perda de sangue?
De acordo com o que nos diz Pelosi, esta t�bua,
onde est� escrito Buttinelli,
indicava o nome do propriet�rio desta casa.
No ponto em que o cad�ver foi encontrado.
O pr�prio Pelosi admitiu que esta t�bua s� foi usada na parte final da agress�o.
O �nico outro instrumento que ele confessa ter usado antes...
� isto.
Como se v�, era um objeto fr�gil,
que ap�s os primeiros golpes se quebraria, como aconteceu.
Mas como p�de esta madeira provocar tamanhas les�es?
� imposs�vel.
Mesmo aceitando a reconstru��o de Pelosi, � l�gica a hip�tese de que na primeira fase...
havia outros corpos contundentes, e outros agressores.
Os ferimentos na cabe�a de Pasolini,
uma regi�o fartamente irrigada por vasos capilares...
provocam uma hemorragia muito forte.
O sangue jorra violentamente e, pelo esterno...
a cada bombeamento do cora��o.
Assim, no final daquilo que Pelosi chamou de luta...
o cad�ver de Pasolini estava recoberto de sangue e lama.
Pino Pelosi, pelo contr�rio, quando foi detido...
tinha uma mancha de sangue, que resultou ser de Pasolini...
no punho esquerdo da malha de l�.
Tinha tamb�m uma manchinha do seu sangue na camiseta,
e algumas manchas do sangue de Pasolini na perna direita da cal�a.
-Nada mais. -Eu tinha um corte aqui.
Sim. � Verdade.
O rapaz tinha um ferimento na cabe�a,
aten��o, mas era corte reto e limpo.
Sem escoria��es ao redor, sem equimoses.
Um ferimento que n�o diria ter sido feito por um peda�o de pau.
-E ent�o? -� simples!
Perseguido pela viatura policial,
ele deu uma freada brusca.
No impacto, bateu a cabe�a no vidro,
onde foi encontrado seu sangue.
-Ele me surrou. -Sil�ncio!
O acusado s� pode intervir quando solicitado.
Continue.
A vers�o de Pelosi, portanto, n�o � confi�vel.
Como ele pode deixar Pasolini naquele estado, com uma madeira meio podre?
Como � poss�vel que aquele dram�tico corpo a corpo...
n�o o tenha recoberto de sangue e lama?
Eu fui me lavar na bica!
Ent�o, quando foi detido, estaria completamente molhado.
Isto n�o consta do B.O.
Mentira! Foi do jeito que contei.
Sua declara��o est� registrada.
Se insistir em interromper, vou retir�-lo daqui.
Pe�o desculpas, Senhor Presidente, isto n�o vai se repetir.
Pelo que foi exposto a este ponto, parece poss�vel tra�ar...
outra reconstru��o dos fatos.
Passou da meia-noite.
Pier Paolo Pasolini e Pelosi chegam de carro no cais.
O carro p�ra perto da entrada do campo de futebol.
Come�am a falar.
O escritor tira os �culos e os coloca no console,
onde pegar� depois.
Pelosi tamb�m coloca no console o cigarro e o isqueiro.
Mas estes, inexplicavelmente, n�o foram encontrados.
Come�am uma rela��o oral, que n�o termina.
Pelosi afirma ter sa�do do carro, logo seguido pelo escritor.
"So para olhar".
Olhar o qu�?
A escurid�o � total. Pasolini o segue sem pegar seus �culos.
Dos quais, conforme nos diz sua prima Graziella,
ele nunca se separava.
Tudo indica que ele n�o saiu do carro por vontade pr�pria...
e sim, foi retirado de repente,
e com extrema viol�ncia.
Pasolini est� ferido e sangra muito.
Mas ainda est� vivo,
e em condi��es de tirar a camisa para estancar os ferimentos.
Se queriam dar-lhe uma "li��o", poderiam ter parado a�.
Mas isto, era s� o in�cio do massacre.
Verifiquei, durante a necropsia, que Pasolini
havia recebido um violento trauma contusivo nos test�culos.
Bem, se esse trauma tivesse ocorrido na primeira fase, como afirma Pelosi...
teria impedido qualquer rea��o de Pasolini...
que estaria sem condi��es, tamb�m devido aos golpes, de levantar, tirar a camisa...
e andar por cerca de 70 metros.
Pe�o que observem esta foto.
Os colegas que fizeram a necropsia nem a consideraram.
Deixo que os senhores avaliem as raz�es desta atitude.
S� digo que,
esta parcialidade da per�cia, levou meus colegas a aceitar a afirma��o...
de que Pelosi n�o percebeu ter passado com o carro sobre o corpo de Pasolini.
Se tivessem observado esta foto,
teriam percebido que a afirma��o n�o corresponde � verdade.
Vejam bem isto.
S�o mais que evidentes as marcas do pneu esquerdo,
que passou sobre o corpo do poeta.
E para que n�o restassem d�vidas, pedi uma an�lise da marca do pneu.
Como podem ver,
coincidem.
Portanto, n�o foi assim que o carro passou sobre Pasolini.
N�o seguiu esta trajet�ria,
que poderia ate ter sido acidental.
Seguiu esta.
Por que o carro faria esta curva absurda...
se o motorista n�o quisesse voluntariamente esmagar o corpo?
N�o sei se Pino Pelosi quis fazer isso.
Se ele dirigia o carro naquele exato momento...
em que o homic�dio havia sido conclu�do.
Certamente Pelosi estava l�.
Ele participou de qualquer forma.
Ele afirma ter parado para lavar o sangue das m�os.
Por que ent�o a dire��o n�o estava suja?
Ele diz que as manchas do sangue de Pasolini no cap�,
foram deixadas por suas m�os,
mas esquece que elas estavam do lado do passageiro,
n�o do lado do motorista.
S� h� duas hip�teses poss�veis.
Pelosi tinha sangue nas m�os e entrou pelo lado do passageiro...
enquanto outro guiava.
Ou o c�mplice, com as m�os sujas de sangue, sentou no lugar do passageiro...
enquanto Pelosi, cujas m�os n�o tinham sangue, se sentou ao lado do motorista.
De qualquer forma,
� evidente que, junto com Pelosi, outra pessoa que...
participou da agress�o, entrou no carro.
-N�o � verdade! -Sil�ncio, ou encerro a sess�o.
Julgo que o exame profundo de todas as provas,
bast�o, t�bua, roupas, les�es de Pasolini
de um lado invalide o relato de Pelosi sobre a din�mica da a��o.
Do outro, leve a avan�ar a hip�tese de que Pasolini
foi v�tima da agress�o de mais pessoas.
� uma conspira��o, uma armadilha!
Est� inventando tudo! Tudo!
Isto � uma farsa!
N�o sei como agradecer por tudo que fizeram,
e continuam fazendo.
Mas, desde que ele morreu,
n�o sei como explicar...
eu me sinto muito menos forte e muito menos inteligente.
N�s tamb�m. Todos perdemos algo incalcul�vel.
Esta � a quest�o, Guido. Incalcul�vel.
O que a parte civil pede em um processo?
Que se calcule o dano.
Quanto valia a vida de Pier Paolo?
O que voc� quer fazer?
N�o quero exigir nada de Pelosi. N�o tenho vontade nenhuma.
-Pier Paolo ficaria horrorizado. -Poder�amos pedir $1.00 lira.
� simb�lico. S� para permanecer no processo.
Graziella tem raz�o. Demos todas as provas que faltavam.
N�o faz sentido pedir ressarcimento, mesmo que ele seja simb�lico.
N�o pediremos nada, mas nos permitir� explicar nossa decis�o.
-Isto � important�ssimo! -Mas � um grande risco!
Se nos afastarmos, n�o estaremos nos julgamentos.
N�o poderemos recorrer no caso de senten�a injusta.
Esperem um pouco.
Sim, � verdade.
N�s n�o participaremos mais. Nossa voz n�o ser� mais ouvida.
Mas � um risco que temos que correr.
Ficar� a voz de Pier Paolo.
Seus livros, suas id�ias.
Vamos fazer da forma que ele faria.
Era isto que voc� queria dizer?
Queremos que Pelosi seja condenado.
Mas a pena ser� insignificante e imposs�vel de se avaliar.
Pois Pelosi pertence a este processo,
e a este Tribunal.
Mas a mem�ria de Pasolini pertence a todos n�s, pois � uma outra realidade.
Com isto, Senhor Presidente, comunico que a fam�lia Pasolini...
retira sua constitui��o de parte civil e n�o pede ressarcimento algum.
Cremos que a voluntariedade do homic�dio...
e a pluralidade dos executores foram bem demonstradas.
Mas n�o podemos,
no momento em que decidimos abandonar o processo ...
deixar de lembrar o que todos perdemos na noite de 2 de novembro de 1975.
Quando o cora��o de Pier Paolo Pasolini deixou de bater,
seu olhar deixou de revelar...
e sua consci�ncia de bramir...
Tem fogo?
Pasolini era sempre acusado de provoca��o.
Talvez por ter intensificado progressivamente, seus esfor�os,
direcionando com maior exatid�o seus alvos,
aumentando sua lista de amigos,
mas, acima de tudo, a de inimigos.
Vou ler o que ele escreveu em 14 de novembro de 1974.
"Eu sei o nome dos respons�veis da trag�dia de Mil�o...
em 12 de dezembro de 1969.
Eu sei o nome dos respons�veis das trag�dias de Brescia e Bolonha no in�cio de 1974.
O nome dos que, entre uma missa e outra, deram ordens e asseguraram prote��o pol�tica
a generais, jovens neofascistas e enfim, a criminosos comuns.
Sei todos os nomes, todos os fatos, atentados e trag�dias das quais foram culpados.
Sei, mas n�o tenho provas".
N�s tamb�m sabemos quem s�o...
por detr�s dos bastidores...
os mandantes do assassinato de Pasolini.
Assim como sabia, o povo que dele se despediu, com dor e �dio, durante seu funeral.
Aquele povo heterog�neo sabia e sabe.
Mas, como n�s, n�o tem provas.
Todos em p�.
Hoje, 26 de abril de 1976...
constatando que Pelosi cometeu os crimes de que � acusado, este Tribunal...
com base nos artigos 483 e 488 do C�digo Penal, declara Giuseppe Pelosi culpado...
de homic�dio doloso com outros c�mplices e de outros crimes que foi acusado.
Considerando-o maduro, portanto, plenamente imput�vel,
condena-o � pena de 9 anos, 7 meses e 10 dias de pris�o.
9 anos? Est�o loucos?
A PROCURADORIA GERAL MANDA IMPUGNAR A SENTEN�A
Isto � muito grave e revolve tudo.
N�o contestamos o veredicto, s� o fator "c�mplices desconhecidos".
Esta � a quest�o. Ningu�m est� interessado no rapaz.
S� contestam o fato de que outros participaram.
� direito da Procuradoria impugnar uma senten�a n�o convincente.
O veredicto ainda n�o consta dos autos! Por que n�o esperaram para saber os motivos?
Por que a pressa?
-O senhor pode explicar? -� muito simples.
O Tribunal estava t�o convicto da presen�a de outros, que revisou as acusa��es originais.
Pelosi n�o s� � culpado por homic�dio doloso, como tamb�m por ter c�mplices.
Isto significa reiniciar as investiga��es!
� evidente que n�o querem as investiga��es!
-E por que ser�amos t�o maus? -Porque a vers�o de Pelosi...
do pobre jovem que mata para se defender de um nojento, � conveniente para muitos.
Para quem?
Ou�a. N�o sei quem matou Pasolini.
Haveria muitas hip�teses. Assaltantes, sequestradores...
fascistas lhe dando uma li��o...
ou algum daqueles que ele havia acusado.
Todos os poderosos, not�veis pol�ticos corruptos a quem ele acusava.
Doutor, n�o seja ing�nuo!
O senhor acha que algu�m dos altos escal�es...
possa ser o mandante da morte dele?
N�o era necess�rio.
H� crimes que contam com a impunidade. H� tanta hostilidade quanto � v�tima...
que seria f�cil sair impune.
Ent�o n�o h� d�vidas de que se trata de um compl� do "poder" para calar um opositor.
Pelo contr�rio.
Eu n�o sei de nada. Voc�s � que n�o t�m d�vidas.
Sua certeza de que possam surgir fatos importantes os fez impugnar a senten�a...
para evitar investiga��es.
Voc�s pensaram no envolvimento de fascistas, servi�os secretos ou algo maior, n�o eu.
Voc�s pensaram, n�o eu.
O VEREDICTO DE CULPADO FOI MANTIDO PELO TRIBUNAL DE APELA��O
A PRESEN�A DE C�MPLICES FOI CONSIDERADA IMPROV�VEL
E NUNCA HOUVE MAIORES INVESTIGA��ES
"A intelig�ncia nunca ter� peso, nunca...
no conceito desta opini�o p�blica.
Nem sobre o sangue dos campos de concentra��o se obter�...
de uma das milhares almas da nossa na��o...
um julgamento limpo, totalmente indignado.
Toda id�ia � irreal, toda paix�o � irreal...
para este povo separado h� s�culos...
cuja leve sabedoria lhe basta para viver, e nunca o libertou.
Expor meu rosto, minha magreza...
erguer s�, a minha pueril voz... j� n�o faz sentido.
A covardia nos faz acostumar a ver atrocidades...
com a mais estranha indiferen�a.
Eu morro, e isto tamb�m me d�i.
ESTE FILME � DEDICADO A ELIO BALLETTI, FRANCO BORNI
E VITTORIO MEZZOGIORNO
Tradu��o e revis�o: Angela B.B.Resende
Legendas e Sincronia: Distan�sia
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