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Original subtitles

N�o est� aqui.

Seguran�a!

Queremos chamar aten��o para a mudan�a clim�tica!

Devemos acabar com o abuso indiscriminado dos recursos naturais!

Parem de filmar.

Este � o planeta que querem deixar aos seus filhos?

Um mundo �rido e contaminado?

O que � mais importante?

Arte ou vida?

Arranquem as vendas�

O MUSEU

- A semana inteira vestido como mendigo? - Sim.

- N�o acredito. - Perd�o pelo atraso.

Antonio, esta � Alma Kramer.

Prazer em conhec�-la.

Mas nos conhecemos, j� nos vimos diversas vezes. Como vai?

Ah, sim. Bem, e voc�?

- Muito bem. - Que bom.

Quantos projetos temos?

Uma d�zia, n�o?

Sim, 12. Na primeira reuni�o com Leo, sobraram seis.

Ap�s a segunda reuni�o, sobraram esses dois.

Esse � um grupo africano chamado "EM'BE",

do Senegal.

S�o atores que querem replicar seu estilo de vida no museu.

Eles viriam � Madri com seus objetos pessoais

para recriar seu habitat natural.

Certo. E no que consistiria a performance?

� a melhor parte. Eles n�o far�o nada, n�o ir�o dan�ar

nem nada teatral, v�o apenas morar no sal�o

como se estivessem no Senegal.

- Por quanto tempo? - Um m�s. Foi como acordamos.

A ideia � que morem no museu 24h por dia.

N�o s� quando o museu estiver aberto, mas fechado tamb�m.

V�o comer, dormir�

Onde v�o cagar?

Perd�o, mas�

onde v�o fazer a higiene, lavar a lou�a, jogar o lixo?

J� pensaram nisso?

Podem usar as instala��es do museu.

A cozinha, o banheiro dos funcion�rios�

Estar�o sempre acompanhados pelos seguran�as.

� totalmente seguro.

Quantos s�o?

- Treze. - Treze?

� um grupo muito diverso, n�s gostamos disso.

O projeto est� muito alinhado

com conceitos e quest�es contempor�neas

como territorialidade, transnacionalidade, ex�lios�

Sim, sei bem como �.

E qual � o outro projeto?

O outro � de um artista holand�s, Theo Van der Vaart.

� uma performance in�dita,

uma estreia mundial que daria

muito prest�gio

� institui��o, pois todos os museus est�o morrendo

para program�-lo.

Estranho algu�m t�o importante querer participar

de um concurso t�o pequeno como esse.

- N�o. - N�o � estranho.

Ele geralmente faz escolhas inesperadas assim.

Ano passado, o Museu Tate Modern, de Londres, o convidou

para fazer qualquer projeto com or�amento ilimitado,

mas ele recusou.

Algumas semanas depois, ele mesmo financiou uma instala��o

em uma vila remota de Cuba que ningu�m viu, claro.

- Claro. - Ele � exc�ntrico.

Deve ser o primeiro artista da hist�ria a rejeitar o Tate Modern.

- Incr�vel. - Eu n�o acho.

Foi uma grande jogada, isso sim.

Em vez de ser o 80� artista

a se apresentar no Tate,

ele recusa e torna-se o primeiro artista a recus�-los.

Foi muito inteligente.

Como � a performance?

O projeto se chama "Sendo Uma Obra de Arte".

O artista mistura-se com os visitantes do museu

e convida membros aleat�rios do p�blico para subir nos pedestais

que ser�o montados no sal�o.

Eles devem ficar im�veis, como se fossem obras de arte.

A a��o inverte a equa��o entre

a obra e o espectador.

- Antonio? Antonio! - Sim.

Eu estava explicando o projeto de Van der Vaart.

Resumindo, consiste no rompimento da l�gica bin�ria entre obra e espectador.

Entendi.

Pode ser novidade para voc�s. Para mim, isso � velho. Mas, que seja.

Est�o certos de que esses s�o os melhores projetos que temos?

N�s analisamos todos, um a um, e concordamos nesses dois

como os mais interessantes, mas se quiser dar uma olhada�

N�o ser� preciso.

Est� tudo bem. E qual vamos escolher?

O grupo?

Vamos ficar com o grupo.

COLETIVO EM'BE CASA

Alguma novidade?

O avi�o deveria ter pousado h� duas horas. � o que diz no site.

Que estranho. Est� com o cartaz, n�o?

Tem raz�o. N�o seria dif�cil reconhecer 13 africanos viajando juntos.

J� foi pedir por informa��es?

O que disseram?

Isso � in�til. Ligue assim que aparecerem.

Al�? Eles chegaram?

Finalmente. O que houve?

O qu�?

T�, pode me contar depois. Venha, vou esperar aqui.

Um deles fala espanhol.

Passaram cinco horas sendo interrogados e revistados.

- Tiveram at� que tirar a roupa. - Como?

� aquele ali.

Ol�.

- Bem-vindos, sou Leo. - Leo.

- Bay�. Nos falamos por e-mail. - Ol�, Bay�. Sim.

- Desculpe pelo atraso. - Por favor,

eu que devo pedir perd�o em nome da Espanha pelo que a Imigra��o fez.

Por sorte, j� estamos aqui. Ent�o tudo bem.

- Precisam de ajuda com algo? - N�o precisa. � tudo pesado.

A gente se vira, n�o se preocupe. Muito obrigado.

Preparamos uns lanches t�picos da Espanha

e uma coxa de presunto Jabugo.

- De primeira qualidade. - Desculpe, n�o comemos porco.

Ai.

- Ai, ai. Perd�o, n�o sab�amos. - Sem problema.

Na �rea de funcion�rios h� vesti�rios e banheiros com chuveiros,

ao lado h� uma cozinha com tudo que precisam,

e se faltar alguma coisa, me avisem.

Obrigado, mas usaremos o que trouxemos.

Ok. Se n�o precisam de mais nada, vou embora.

Vejo voc�s amanh�.

Tudo calmo, sem movimento.

Sal�o permanente, nada a reportar.

Parece que a Espanha esqueceu os tempos das Grandes Guerras�

onde nossos antepassados sobreviveram gra�as � solidariedade de outros pa�ses.

A verdadeira dignidade e generosidade de um pa�s

se manifesta justamente em situa��es deste tipo,

onde, em vez de dar uma m�o

�s pessoas que passam por situa��es dif�ceis�

fechamos as portas, as expulsamos�

ou, como nesse caso espec�fico,

n�s as humilhamos e rebaixamos tanto quanto poss�vel.

Para qu�? Para transmitir uma mensagem un�nime:

"Voc�s n�o s�o bem-vindos nesta terra."

N�o � um pouco pesado?

De jeito nenhum, ao contr�rio, acho at� que me segurei.

Quero isso na m�dia, poste nas redes sociais,

para que os agentes da imigra��o sejam expostos.

- Ok, algo mais? - N�o.

J� conheceu o coletivo?

- O qu�? - Os artistas africanos.

Sim, eu os vi s� de passagem.

- N�o quis interromp�-los. - Posso traz�-los aqui para conhec�-lo.

Tudo bem, n�o faltar�o oportunidades.

- Quando � a inaugura��o? - N�o tem.

- O qu�? - N�o haver� inaugura��o.

Bay� disse que a performance come�ou assim que entraram no museu.

- Ningu�m ir� apresent�-los? - N�o ser� preciso.

Alguns visitantes passar�o direto,

outros entender�o que se trata de uma a��o art�stica

ou sair�o na d�vida, que � a ideia do trabalho.

A informa��o est� no cartaz l� fora.

Tudo bem. Estou cansado de inaugura��es.

Bay�!

Este � o nosso diretor.

Sr. Diretor, estamos agradecidos por sua generosidade.

Eu que agrade�o. Bem-vindos.

Nos veremos pelos pr�ximos dias.

O que precisar, � s� pedir ao Leo, ok?

Muito obrigado pela carta que publicou na Internet.

- N�o precisava nos defender. - N�o.

Eu fiz para me distanciar dos ignorantes

e racistas.

- Obrigado. - Obrigado.

Marisa, o que foi?

Desculpe incomod�-lo, mas voc� saiu por quase uma hora,

e combinamos de ver a agenda da semana,

mas deixou tudo pendente. Voc� est� no museu?

Sim, estou aqui.

Est� na sala do Leo? Posso ir a�.

N�o estou na sala do Leo.

- Na cafeteria? - Tamb�m n�o, Marisa. Volto logo.

- Se estiver no sal�o principal, posso ir. - Estou no banheiro, Marisa.

� o ensopado de merda que os africanos me deram.

Eu volto logo.

Sim. Desculpe, Antonio. Desculpa.

Perd�o.

Puta que pariu!

Ol�.

COLETIVO EM'BE (SENEGAL)

UM M�S DEPOIS

- Bay�! - Sim.

- Ol�. - Ol�.

Hoje � o �ltimo dia da performance e quero organizar a desmontagem.

O voo est� marcado para amanh� e a equipe vir� desmontar tudo hoje.

Olha, eu queria falar com voc� sobre algo muito importante.

Claro.

J� sabemos que hoje � o �ltimo dia,

mas eu queria pedir em nome de todos,

para que estendesse a performance.

Estender?

Sim, queremos estend�-la por mais um tempo.

A verdade � que voc�s nos trataram muito bem,

e todo o grupo est� muito feliz.

- E sabemos que o p�blico gostou. - Sim.

Sim, mas n�o � poss�vel.

Por favor.

- Bay�, eu sinto muito, mas� - Por favor.

Bay�, o que est� fazendo? Levante-se, eu imploro.

Bay�, levante-se, por favor.

Bay�, estou implorando, levante-se.

Por favor, queremos ficar!

Bay�, levante-se, por favor.

Por favor, queremos ficar.

Como n�o querem ir embora?

Ele caiu de joelhos e implorou para estender a performance.

De jeito nenhum.

Foi o que falei, temos um cronograma r�gido

e precisamos desocupar a sala para a pr�xima exposi��o.

Isso mesmo. Que recolham tudo e se mandem hoje.

Ele confessou que agora que entraram na Europa, n�o querem voltar.

Ele contou todo o drama que vivem em seu pa�s,

- coisas terr�veis. - Claro.

Por que n�o os leva para casa se tem tanta pena?

Eu falei que n�o era poss�vel, claro.

- Ent�o? - Foi quando Manuel se meteu.

Disse que o sindicato os apoia e n�o v�o jog�-los na rua.

Manuel, cara de pau! Agora vai defender minorias?

- O que vamos fazer? - Nada.

Eu mesmo direi pessoalmente para irem embora.

Agora mesmo. Que aud�cia, n�o?

Est�o se aproveitando para nos extorquir. N�o h� nada pior que isso.

Esperem aqui, por favor.

Bay�!

- Diga o que est� acontecendo. - Sr. Diretor.

A situa��o do nosso pa�s � muito dif�cil.

- N�o queremos voltar. - T�.

N�o precisam me dizer nada, sou completamente a favor.

Sei que s�o v�timas de uma situa��o horr�vel.

O problema�

aqui entre n�s, � a ministra.

� uma mulher muito brava, ruim,

provavelmente racista,

e quer que v�o embora agora.

N�o sei quem a avisou, mas�

ela queria chamar a pol�cia. Por sorte, eu a impedi.

Pedi que me deixasse falar com voc�, para ver se mudava de ideia.

Mas� Eu�

Isso parte meu cora��o, mas o melhor a ser feito

� pegarem tudo e partirem hoje,

porque eu n�o sei at� onde essa mulher pode ir.

- Sr. Diretor� - � isso.

Bay�, � o melhor para voc�s.

� isso.

Pronto. Botei a culpa na ministra.

Queremos falar sobre a situa��o dos colegas africanos.

Voc� n�o tem nada a ver com isso e j� foi resolvido.

- Sabe do sofrimento deles� - Pare, Manuel, por favor.

- Nada mudou. N�o recolheram as coisas. - Puta merda.

N�o entendo de arte, mas para mim, essas pessoas podem ser golpistas.

Dizem ser um coletivo de artistas, mas s�o quase todos da mesma fam�lia.

Como assim?

Pelos sobrenomes e endere�os, claramente a maioria � parente.

Tios, primos, irm�os�

- Voc� n�o sabia? - N�o, claro que n�o.

A principal respons�vel

� aquela est�pida�

Alma. Ela deveria estar aqui,

- resolvendo isso. - Ela est� em Beirute.

Tentei falar com ela, mas � imposs�vel.

Mas tenho certeza que ela n�o sabia.

O que aquela in�til pretensiosa poderia saber?

Claro!

Essa � a performance verdadeira.

Apresentar o projeto.

Brincar com a nossa culpa europeia.

Entrar na Espanha, morar no museu e tentar ficar.

Como n�o percebemos antes?

Esse Bay� � um g�nio. Mandou muito bem. Muito bem mesmo.

Bem, como sou um bom perdedor,

reconhe�o minha derrota. E tiro o chap�u.

Leo, v� e diga a eles

que descobrimos tudo.

Se n�o forem agora, a ministra chamar� a pol�cia para despej�-los.

- A ministra? - A ministra.

Diga que, se a pol�cia vier, ser� muito ruim para eles.

Eles ser�o presos e expulsos do pa�s,

e nesse caso,

tudo pelo que lutaram ter� sido em v�o.

O que est� esperando?

MUSEU IBERO-AMERICANO DE ARTE MODERNA

H� cinco Endiay� e tr�s Diop, e s�o da mesma vila. S�o parentes.

Eles mandaram isso para voc�.

Para mim?

Nem pensem em provar. � uma arma mortal.

E ent�o?

Disseram que n�o v�o embora e v�o resistir.

N�o ligam para a pol�cia nem nada.

Est� bem. Querem que seja do jeito dif�cil?

Faremos uma den�ncia.

- Mas� - Andr�, por favor, fa�a uma den�ncia.

Dev�amos ter escolhido o holand�s fr�volo em vez destes vagabundos.

Marisa, por que n�o vai para casa?

Prefiro ficar at� que tudo se resolva.

Claro.

- Fez a den�ncia? - Sim.

- Mas temos um problema com o sindicado. - Qual?

Querem convocar uma greve contra a expuls�o dos "irm�os africanos".

Delinquentes.

Mas podem cancelar, se contratarmos 11 trabalhadores precarizados. Onze.

- Mas que bando de filhos da puta! - Exatamente.

Ainda d� tempo de desistir da den�ncia?

Sim.

Tenho uma ideia melhor.

Estou com o diretor do Museu Santander na linha. Posso transferir?

Sim, Marisa. Obrigado.

- Oi, Ram�n! Como est�? - Antonio, quanto tempo.

- Muito tempo. - Obrigado por ligar. Aqui est� tudo bem.

- Que bom. - Tudo bem a�?

- Sim, tudo bem. - Que �timo.

Ou�a, estou ligando, pois tenho uma oferta extraordin�ria.

Estou ouvindo.

Acabamos de apresentar uma performance por um coletivo de artistas africanos,

foi incr�vel.

H� muito tempo eu n�o via algo t�o�

contundente e t�o original.

Se o impactou, deve ser extraordin�rio.

E abriu uma possibilidade de apresentarem-se

em outro museu da Espanha, e pensei imediatamente em voc�

- e no seu museu. - Obrigado. Quando seria?

Tem que ser agora, porque depois sair�o em turn�

- pela �sia, Estados Unidos� - Nos EUA? Onde?

No MOMA e no Instituto de Arte de Chicago, se n�o me engano.

Nossa, que incr�vel, n�o?

- Sim. - E como seria?

N�s cuidar�amos das passagens saindo daqui,

mas voc� pagaria

pelos honor�rios, comida e mais nada.

- Sabe que somos um museu pequeno. - � muito acess�vel, n�o se preocupe.

Bem, nesse caso�

- O que acha? - Vou resolver umas coisas, mas sim.

Vai dar trabalho, mas n�s queremos.

�timo! �timo.

- Minha equipe ir� te ligar. - N�o vai se arrepender.

- Eu agrade�o, Antonio. Abra�o. - Um abra�o, Ram�n.

N�o, eu que agrade�o.

Muito obrigado.

Foi um prazer conhec�-lo.

� um grande artista. N�o vejo o que fez como fraude,

mas uma obra de arte poderosa

que nos ajuda a refletir sobre o atual estado das coisas.

- Muito obrigado. - Eu que agrade�o.

Pode contar comigo

para o que precisar, sim?

Mas claro,

nem pense em aparecer de novo no museu.

Ou eu chamarei o ex�rcito.

- At� nunca mais. - Tchau.

- Bay�. - Leo.

Sim, Marisa. O que houve?

Oi, Antonio. Desculpe incomod�-lo t�o tarde,

mas o seguran�a do museu me ligou avisando

que a est�tua de Celso Santoro foi destru�da.

Como assim, destru�ram?

Sim, est� quebrada.

- Estou a caminho. - Certo.

Puta que os pariu!

Legendas: Jacqueline Gomes

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