All language subtitles for Bellas.Artes.S01E04

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Original subtitles

E todos olharam assustados para o cara com pinta de mendigo.

- E a�? - Luis, o seguran�a,

pediu para que se retirasse.

Eu n�o achei certo, mas o pessoal estava assustado.

O cara come�ou a gritar: "Tragam o diretor" ou algo assim.

- Era louco? - N�o.

Acontece que ele era um artista da exposi��o,

um franc�s superimportante, que s� se veste assim.

Javier�

Javier aqui. O que houve?

Por favor, compare�a � sala de informa��es imediatamente,

o diretor o procura.

O diretor? Por qu�?

N�o tenho ideia.

Pode deixar a�

Obrigado.

O MUSEU

Oi, Javier, como vai?

- Bem, diretor. - N�o se levante.

Me chame de Antonio.

Como quiser, Sr. Antonio.

Eu o chamei aqui porque voc� � peruano, n�o?

Sim. Por qu�? O que houve?

N�o, n�o, n�o. Eu amo o Peru.

Amo Peru e acho que Lima

possui os melhores restaurantes do mundo.

E claro, a qualidade das pessoas�

a hist�ria.

S� estrangeiros enxergam o pa�s assim.

� um pa�s muito dif�cil.

Desemprego, viol�ncia, pobreza, desigualdade�

Sim, mas a dificuldade est� em todos os lugares.

N�o, l� � muito pior, por isso imigramos para onde podemos.

Sim, entendo. Bem�

Vamos ao ponto.

Veja, Javier, eu preciso�

enviar� algo. Preciso enviar�

dinheiro para uma �rea remota do Peru.

E�

Se tivesse que fazer isso, como faria?

Porque os correios convencionais

n�o permitem enviar dinheiro em esp�cie.

� f�cil.

- F�cil? - Sim.

Envie a uma casa de encomendas,

� como fazemos.

- Meu primo faz isso. - Legal.

Chama-se Rogelio.

- � de confian�a? - Claro.

- � meu primo. - �.

Mas preciso enviar�

muito dinheiro, sabe? � na selva, em Lampa.

- Sem problemas. Eu falo com ele. - Pode falar agora?

Agora?

- Se puder, ligue. - Sim.

Seja discreto. N�o diga exatamente do que se trata.

Sei.

- Fala, primo. � o Chavito. - E a�, Chavito?

Meu chefe est� perguntando

se poderia enviar um pacote no meio da selva�

- Claro. - Sim?

- Ele pode, senhor. - Pergunte quanto tempo levaria.

- Quanto tempo levaria? - Dez dias.

Uns dez dias, senhor.

Certo, e o pre�o?

- Quanto custa? - Trezentos.

- Trezentos euros. - O qu�? Trezentos euros?

Ele � louco? N�o, vamos�

- Pode coloc�-lo no viva-voz? - Sim.

Al�, Rogelio. Meu nome � Antonio Dumas,

sou diretor do museu onde seu primo trabalha.

- Prazer, senhor. - Igualmente.

Veja�

Preciso enviar algo a uma pessoa muito querida,

e preciso que� Bem, voc� me garante

- que chegar� at� ela? - Sim, claro.

O problema, Rogelio, � que 300 euros � muita coisa.

Posso pagar 150.

Posso fazer por 250, � o m�ximo que posso descontar.

Cento e setenta?

- Duzentos. - Perfeito.

Trato feito.

Certo, entregue ao meu primo e ele mandar� para mim.

Muito obrigado, Rogelio.

T�. T�

- Valeu, primo. - Nos falamos depois.

Muito obrigado por tudo, "Chavito".

- Ok. - Eu darei o pacote mais tarde.

- J� pode ir. - Ok.

PELOS VELHOS TEMPOS. ANTONIO

Marisa, pode vir aqui, por favor?

DE: ANTONIO DUMAS

O que foi, Antonio?

Olhe�

preciso que entregue isso ao Javier, da limpeza.

Ok. Posso perguntar qual � o servi�o com Javier?

Nada. � um assunto pessoal.

E depois h� a quest�o das resid�ncias art�sticas.

Resid�ncia art�sticas, sim. Como imagina que seja?

Atrav�s de uma convoca��o aberta,

selecionamos projetos de artistas contempor�neos

e financiaremos um m�s de resid�ncia

para desenvolverem suas performances

e apresentarem-se em uma sala do museu.

� um upgrade, muito melhor do que uma exposi��o tradicional.

Eu gostei.

Desde que n�o traga mais um animal em decomposi��o

de volta ao museu, qualquer coisa � um upgrade.

Como outra vantagem,

n�o h� transporte de obras, pagamento de seguros,

apenas o traslado das pessoas, que � muito mais econ�mico.

Sim. Muito bem, vamos seguir com isso.

Posso chamar Alma Kramer para me ajudar com a sele��o?

- Como queira, sim. - Ok.

Com licen�a, Antonio, seu filho, Josep, mandou uma mensagem de �udio.

� urgente?

- Vamos ouvir. - Oi, Marisa.

Por favor, diga ao meu pai para buscar o neto na escola �s 13h.

Ele n�o pode recusar desta vez. A escola j� foi avisada.

Tentei falar com ele v�rias vezes, mas ele n�o atendeu.

Mandarei o endere�o por mensagem.

Diga para ser pontual, o menino estar� esperando.

Eu buscarei meu filho no museu l� pelas 19h.

Certo? Obrigado.

- Quer que eu v�? - N�o, n�o.

Obrigado, Marisa, eu vou. Me passe o endere�o da escola.

N�mero 11.

ESCOLA INTERNACIONAL NEWTON

Sim, Marisa, pode falar.

Manifestantes de qu�?

N�o, a escultura outra vez?

Puta merda!

Consolos? N�o consigo ouvir.

Consolos? Dildos?

N�o. N�o pode ser.

Em plena luz do dia?

Os seguran�as n�o fizeram nada?

Que ignorantes, puta merda! N�o posso acreditar.

A pol�cia?

N�o entendo por que os idiotas dos seguran�as n�o fazem nada.

Vamos, v�. Voc� est� h� uma hora no celular.

Quer ficar quieto? N�o, voc� n�o. Continue.

Mas mesmo que tenha sido r�pido, � inaceit�vel.

A ILUSTRA��O CELSO SANTORO - 1958

MONSTRO ESTUPRADOR

MUSEU IBERO-AMERICANO DE ARTE MODERNA

- Amei, vov�. Genial. - Primeiro,

n�o me chame de "vov�". Sou Antonio. Tenho um nome, igual voc�.

Por acaso�

eu te chamo de "neto" ou de Lucas?

N�o me chame mais de "vov�".

Segundo, isso n�o � nada engra�ado.

Foi feito por imbecis,

porque est� cheio de pessoas est�pidas, intolerantes e ignorantes,

que fingem reescrever a hist�ria.

E como n�o podem atacar o artista, que morreu h� meio s�culo,

descontam em sua obra,

sem perceber que est�o punindo o objeto, n�o seu criador.

E a pior parte�

� que n�o � um caso isolado, � uma tend�ncia mundial

que pretende regular n�o s� o presente

com um �nico pensamento e uma moral puritana,

mas tamb�m o passado.

� uma loucura, entende?

- Eu gostei. - � um horror.

� propriedade p�blica. O que fizeram � crime de acordo com o c�digo penal.

Podem pagar multa ou serem presos.

Marisa, por favor, chame Amaia.

- Vov�, empresta o celular? - Agora n�o.

- Por favor. - J� disse n�o. Continue desenhando.

J� postaram um v�deo nas redes sociais.

- S�o os mesmos? O tal� - Sim, DestapArte.

O que far�o agora? Mand�-lo para a pris�o por aus�ncia?

Mostre-me o v�deo.

- Vamos! - R�pido!

- Vamos! - Parem!

Ol� a todos, todas e todes.

O DestapArte quer despertar a sua consci�ncia

da letargia burguesa que afeta gravemente

o legado da hist�ria.

Sen�o, estamos condenados a repetir os erros do passado.

Celso Santoro n�o era s� um escultor,

mas tamb�m um homem mis�gino e violento,

que, al�m de humilhar e espancar diversas mulheres,

tinha como esposa uma menina de 13 anos.

� inaceit�vel

o museu e o Minist�rio da Cultura serem complacentes

ao continuar o honrando e encobrindo seus crimes,

ent�o exigimos que retirem sua obra do espa�o p�blico.

Todes juntos, sempre atentes!

Qu�o baixo caiu o esp�rito revolucion�rio.

- Zo�, escreva um comunicado � imprensa. - Ok.

Andr�s,

comece a preparar um rascunho do boletim de ocorr�ncia

e adicione o link do site do DestapArte.

Pense em quais a��es legais podemos tomar contra os imbecis.

Est�o encapuzados, mas n�o deve ser dif�cil saber quem s�o.

- Ol� a todos. Antonio. - Diga.

Analisamos a escultura

e vamos colocar uma tenda por cima

para que possamos tirar o olhar p�blico

e poder trabalhar sem pessoas nos incomodando.

Muito bem. Podem come�ar.

O que voc� fez?

Sem problemas, eu seco ele.

Lucas, tem outra camiseta para trocar?

N�o se preocupe, eu resolvo.

Bem, preste aten��o e fique quieto por um segundo, ok?

Vamos ver algumas cole��es do museu,

e eu vou te contar as hist�rias das obras.

Tudo bem?

Mas precisa se comportar.

N�o pode correr, n�o pode gritar

e n�o pode tocar em nada, ok?

Bom.

- Posso usar o seu celular? - N�o!

Este � um dos tesouros do museu.

- Gostou? - N�o. N�o sabe desenhar.

� assim de prop�sito.

N�s chamamos de retrato cubista.

Ele tenta incluir o tempo na pintura,

mostrando coisas de frente e de perfil ao mesmo tempo.

Mas ficou horr�vel.

� uma das obras mais importantes

e mais caras de todo o museu.

Mais caro do que todo esse pr�dio.

Mais do que o pr�dio?

Por que um desenho t�o pequeno

vale mais do que o pr�dio inteiro?

Primeiro, n�o � um desenho,

� uma pintura.

� um marco na hist�ria da arte,

porque ningu�m havia feito algo assim antes dele.

E custa mais do que esse pr�dio,

porque h� pessoas que pagariam uma fortuna por esse quadro.

E as coisas custam�

de acordo com o que estamos dispostos a pagar por elas.

� um absurdo, mas � assim.

Esta obra pertence ao movimento

chamado Arte Povera,

que usa materiais comuns, pobres�

Que feio.

A arte n�o se trata de coisas feias ou bonitas,

mas de coisas que te emocionam e te fa�am pensar.

Como decide que isso � uma obra de arte e n�o uma pilha de lixo?

Na esquina de casa, jogam coisas quebradas, m�veis velhos�

Isso � lixo.

N�o entendi. Na rua � lixo e aqui n�o?

� algo assim, � algo assim.

Para ser considerado como arte,

� preciso ter algu�m

que a apresente e proponha como tal.

E � preciso algu�m que a receba e aceite como tal.

Entende? Esses galhos

e os espelhos quebrados,

em qualquer outro lugar,

seriam considerado lixo,

mas aqui no museu,

voc� � convidado para ver como arte.

Eu n�o entendo.

Essa.

- Eu gostei dessa. - Uma grande obra, sem d�vidas.

- Conte-me sobre ela. - Antonio.

N�o. Meu tempo acabou, vamos.

- N�o. - Sim.

CABINE DE AVI�O, 2003 PLUGUE, 2003

E isso?

J� disse que n�o. O museu est� fechando. Tenho coisas para fazer.

J� perdi muito tempo.

Esta � a autoriza��o de empr�stimo�

- Vov�, t� chato. - Nada de "vov�".

- Sim? - A�

Pode me dar o celular?

Eu j� disse que n�o.

Enquanto estiver comigo, n�o ficar� encarando uma tela como um zumbi.

Volte para a exposi��o.

H� obras que ainda n�o viu.

V�, depois volte e me diga de qual gostou mais.

N�o aguento mais.

Esta � uma autoriza��o urgente para o empr�stimo das obras

- do museu de Vars�via. - �.

Ei, pare a�!

Venha aqui! D�-me isso imediatamente!

D�-me isso.

D�

Posso fazer o que eu quiser, meu av� � dono do museu!

O que ele fez?

Desculpe, mas a crian�a est� com voc�?

- Sim, � Lucas, neto do diretor. - O que voc� fez?

- O que tem na m�o? - Carv�o.

Ele tirou da pe�a.

N�o avisei para n�o tocar em nenhuma obra? Avisei ou n�o?

Devolva imediatamente! Devolva.

- Obrigado. - Desculpe.

- Eu n�o� - N�o se preocupe.

Est� tudo bem. � s� esse moleque que � mal-educado e tonto.

Pode voltar ao sal�o.

Mas n�o foi s� o carv�o.

� melhor ver o que ele fez.

Se quiser, chamarei as equipes de limpeza e montagem

para deixarem tudo em ordem.

Um momento, por favor.

ISSO � UM COC�

Agora, podem deixar tudo como estava.

Josep, � a terceira mensagem que eu deixo.

J� passou meia hora, o garoto n�o aguenta mais.

Estou atrasado para um compromisso. Por favor!

V�, Marisa. O imbecil vai chegar tarde.

N�o, est� tudo bem, Antonio, n�o ligo de ficar.

Josep! Onde voc� est�?

Como assim, voc� n�o vem?

N�o, j� disse que ele n�o gosta de tanto carinho.

- Ele gosta, sim. - N�o discuta.

Finalmente.

Sim. Suba!

Lucas, pegue suas coisas.

O que aconteceu?

Est� tr�s horas atrasado.

Cancelei um compromisso muito importante.

Perd�o, pai. Minha reuni�o foi longa.

- �, claro. - Oi, meu amor.

Ele deve estar faminto.

N�o alimentou a crian�a?

- Voc� n�o comeu? - N�o.

- O servi�o de bab� acabou. - Ficou maluco, pai?

Como pode ser t�o negligente?

Voc� � o negligente, eu esperei por tr�s horas!

� a primeira vez que pedi um favor,

como pai, e faz esse esc�ndalo?

Esse foi seu erro. Voc� tem seu pr�prio filho.

Meu papel de pai acabou para voc� come�ar o seu. S� isso.

Legal, ent�o que tal cumprir com a fun��o de av� uma vez na vida?

Eu n�o sou av�.

Que imbecil.

- Quer um hamb�rguer? - Por favor, estou morto de fome.

Como foi seu dia? Cad� suas roupas?

Ele vai contar tudinho.

H� alguma obriga��o

em amar os netos?

Porque filhos, eu consigo entender.

Educa��o, responsabilidade e tudo mais.

Mas os netos?

O que houve?

- J� se arrependeu do que me disse? - N�o. Nem uma v�rgula sequer.

Lucas me contou o que fez no museu.

Ele quer te falar uma coisa.

Oi.

Queria pedir desculpas por tudo que fiz no museu.

Lucas�

o que voc� fez foi muito errado,

mas l� no fundo�

foi muito certo.

- Um dia entender�. - Eu te amo muito.

- Tchau. - Tchau.

Borges�

Voc� tem netos?

Legendas: Jacqueline Gomes

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