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Original subtitles

Seu Ivan, será que dá para acender uma luz?

Obrigado.

-Bom dia. -Bom dia, seu Jacobo.

-Bom dia, Marta. -Bom dia.

-Bom dia. -Bom dia.

Licença.

Pode entrar.

Obrigado.

No meu bairro tem um homem que conserta persianas.

-Se quiser, posso ligar para ele. -Sim.

Você poderia pedir-lhe que venha um dia desses.

Está bem.

-Licença. -Pode entrar.

Ligaram do cemitério, por causa de sua mãe.

Marquei para domingo às 10h.

Está bem. Muito obrigado.

Com licença.

-E esperam um ano para colocar a lápide? -Esquisito, não é?

-Já pensou se a velha ressuscita? -Meninas!

Marta, vou sair. Temos que entregar alguma coisa?

Não, não se preocupe.

Em que conheci você

O vento brincava Com seu cabelo de menina

Ai, que sorte, que sorte

Marta, você deixa a gente mudar a música?

-O que você vai pôr, o rádio? -Sim, um pouquinho.

-Aquele sujeito de novo? -Deixe, você também dá risada.

-Está bem. -Obrigada.

Vou dar-lhe de presente uma rosa

...este programa.

Vamos fazer como fazia Pranzo. Vamos colocar um programa antigo...

E aí, seu Köller?

Esse timeco vai ou não para a primeira divisão?

El Tanque é uma piada, seu Köller.

Se incluir os três, com oito pesos, seriam 480 pesos.

Tudo bem. Às ordens. Até logo.

-Seu Köller, como vai? Tudo bem. -Bom dia.

-Seu Rogelio está? -Não. Seu Rogelio não se encontra.

-Por que queria falar com ele? -Não, é que...

Eu queria saber se ele deixaria eu passar um fax para o Brasil.

Um fax para o Brasil?

O que você acha?

É que um fax para o Brasil não é uma ligação local, entende?

Tudo bem, eu converso com seu Rogelio depois, então.

É... Está bem.

-Não, venha, venha, venha. -Venha, seu Köller.

Venha, não tem problema. Nós mandaremos o fax.

-Passe para ele. -Como não passaríamos o fax para o senhor?

-Como vai, seu Köller? -Bem, bem.

HERMAN KÖLLER MATZEIVA DE MAMÃE NO DOMINGO

AGUARDO VOCÊ JACOBO

Quem você conhece no Brasil? Uma mulher?

Quem você conhece no Brasil?

É uma garotinha, seu Köller? É o que ele pergunta.

Não, é para meu irmão.

Já vamos, Marta.

-Até amanhã, se Deus quiser. -Até amanhã.

-Até amanhã. -Até amanhã, se Deus quiser.

-Marta... -Sim?

Não, é só uma coisa, mais nada.

Você se lembra de meu irmão, que mora no Brasil?

Sim, por quê? Aconteceu alguma coisa com ele?

Não, não. Parece que ele virá para a matzeiva de mamãe.

A cerimônia... da lápide.

Que bom.

Porque ele não pôde vir no enterro, não é?

Não.

Bom...

Com meu irmão em casa, vai ficar meio difícil para mim.

Estava pensando que talvez eu precise de um pouco de ajuda.

E, bom, estava pensando que, se a senhora não se incomodar,

poderia ficar lá em casa comigo.

Só uns dias, entende?

Sim. Sim, claro. Perfeitamente.

Alô?

Não, não. Não é aqui. É engano.

-Foi engano. -Sim, às vezes acontece.

Então...

-Seria por uns dois ou três dias, não é? -Sim, sim.

Inclusive, se a senhora precisar de algo, alguma compensação, quanto lhe parecer.

Não, não, não se preocupe. Eu entendo... perfeitamente.

Seu Jacobo, depois teríamos que combinar alguns detalhes, não é?

Algumas coisinhas... não sei...

Sim, está bem.

Mas é melhor conversarmos amanhã.

-Está bem. -Até amanhã.

Até amanhã, se Deus quiser.

Pessoas apressadas Passavam e corriam

E a cidade ficou deserta Porque chovia

Eu fiquei pensando Em tantas coisas bonitas

Como aquele dia na praia Em que conheci você

O vento brincava Com seu cabelo de menina

-Bom dia. -Bom dia, seu Jacobo.

Licença.

Obrigado.

O homem da persiana ligou.

Disse que ia ver se poderia vir hoje.

Está bem. Obrigado.

-Licença. -Pode entrar.

Seu Jacobo, eu estive pensando...

Teríamos que ter alguma foto nossa, não é?

Por causa de seu irmão.

Sim, está bem.

É... não estou conseguindo encontrar o pedido de Grunberg.

Está na pasta com os recibos.

Sim. Está bem. Obrigado.

A LOJA QUE VENDE MAIS BARATO PREÇOS ESPECIAIS PARA REVENDEDORES

-Seu Köller. -Sánchez.

-Seu Isaac está nos fundos? -Sim.

-Está friozinho, né? -Sim.

-Como vai, querido? -Bem.

1 PACOTE

-Onde eu assino? -Seu Isaac...

Faz meia hora que conversamos e o senhor disse que o cheque estava pronto.

Sabe o que foi, querido? Fiquei sem folhas de cheque.

Jacobo, não seja schmuck.

Eu lhe pago 50% e amanhã lhe dou o cheque.

Está bem.

Quando vai ser a matzeiva de sua mãe?

-No domingo. -OK.

INCRÍVEL - TUDO MAIS BARATO ENTRE E VEJA, PREÇO ÚNICO

Bom, Marta, já vamos embora.

Até amanhã, se Deus quiser.

Até amanhã.

-Até amanhã. -Até amanhã, se Deus quiser.

-Entre. -Com licença.

Meu irmão vai dormir aqui.

E tem lençóis para estas camas?

Sim, deve ter algum por aí.

Está bem, amanhã eu procuro.

O banheiro.

E aqui é a sala.

FIOS SINTÉTICOS PARA TEXTURIZAÇÃO

Bom...

-E isso é para... -Sim, claro.

-Era de sua mãe? -Sim, sim.

-Com licença. -Fique à vontade.

Alô?

Não, é engano.

-Foi engano. -Sim, às vezes acontece.

Ficou grande para mim.

No meu bairro tem um joalheiro.

Se quiser, posso levar lá.

Está bem.

Quando meu amor chegar Vou dizer-lhe muitas coisas

Ou talvez, simplesmente Vou dar-lhe de presente uma rosa

Porque eu colhi uma flor E chovia, chovia

Esperando o meu amor E chovia, chovia...

-Bom dia. -Bom dia, seu Jacobo.

-Licença. -Pode entrar.

Obrigado.

Marta.

Você pode me passar essa chave de fenda?

PARADA DE EMERGÊNCIA - REINÍCIO

Bom, a gente já vai.

-Até amanhã, se Deus quiser. -Até amanhã.

-Você está muito bonita hoje, Marta. -Obrigada.

-Até amanhã. -Até amanhã, se Deus quiser.

Muito bem... Mais juntinhos vocês dois.

Agora, a senhora segura o braço do cavalheiro.

Muito bem, assim. O cavalheiro se abaixa um pouquinho.

Aí. Perfeito. Um sorrisinho.

-Digam "uísque". -Uísque.

Muito bonito.

CHEGADAS VOO, PROCEDÊNCIA, HORA, OBSERVAÇÕES

Repito: American Falcon, voo 5541, Iberia 7919,

anuncia o embarque de seu voo com destino a Ezeiza e conexões.

Solicitamos que os senhores passageiros se dirijam ao portão número um.

Muito obrigado.

O AEROPORTO INTERNACIONAL DE CARRASCO INFORMA

NÃO É PERMITIDO TRANSPORTAR ESTES OBJETOS NA BAGAGEM DE MÃO

TAMBÉM É PROIBIDO LEVAR OUTROS OBJETOS CORTANTES OU AFIADOS

-Jacobo, como vai? -Herman.

-Tome. -Obrigado.

Obrigado.

Sua atenção, por favor. Passageiros...

Então a matzeiva está marcada para domingo.

Sim, às 10h30.

Ei, Herman, em pesos, quanto é nove reais?

Nove reais? São uns...

Por quê?

Não, por nada.

-Entre. -Sim.

-Marta, minha esposa. Herman, meu irmão. -Oi, Marta.

-Muito prazer... -Um cumprimento made in Brazil.

-Levo sua mala. -Sim, sim, obrigado.

Bom... Finalmente, em terra firme.

Jacobo me falou muito do senhor.

Nada de bom, suponho.

Pode me chamar de "você", viu?

Já somos da mesma família, Marta.

Fez boa viagem?

-Escolheu um lugar? -As Cataratas do Iguaçu.

Que lindo.

-E já esteve lá? -Não.

Eu também não.

-E essas são as meninas. -São lindas.

Ah, "meninas"! Para mim, sempre vão ser meninas.

Mas tem uma que está perto de se formar.

São lindas.

Sabe onde eu tenho essa foto? Na tela do computador.

E sabem falar espanhol?

-Não. -Bom, um pouco. Sim, sim.

O básico, digamos.

-Mas elas adoram o Uruguai. -E conhecem?

Por fotos, sim.

Quem já veio foi minha mulher.

Lembro de que vim com ela na última vez.

Você se lembra, Jacobo? Fomos com ela no estádio.

Sim.

E você, Marta, já foi ao Brasil?

Fui às Cataratas.

Fomos na lua de mel.

Que beleza!

Depois quero ver as fotos, viu?

Mas só é possível apreciar a beleza das Cataratas estando lá.

É mesmo, não é?

Marta...

Uma modesta lembrancinha.

Não precisava se incomodar, Herman.

-Muito obrigada. -Não foi incômodo nenhum!

Que lindas.

E quentinhas.

São de uma linha nova que lançamos este ano.

Sabe de onde nos pedem muitas destas?

Do Chile.

Estamos vendendo muito bem lá.

Os chilenos são gente boa.

Bom, vou começar a tirar a mesa.

Alguém quer mais café?

Não, obrigado, querida.

A futura doutora da família, hein?

Você reparou que a menor se parece um pouco com mamãe?

Sim, talvez.

Marta, você chegou a conhecer mamãe?

-Muito pouco. -Ela quase não reconhecia ninguém.

Ela me confundia com papai.

-Está ocupado! -Desculpe! Desculpe.

-Bom dia. -Bom dia.

Marta...

É com "h" ou sem "h"?

Sem "h".

Claro, senão seria "Martha".

E o sobrenome?

Acuña. Sem "h".

Está certo.

"Martha Acuña."

Licença.

ADMINISTRAÇÃO NACIONAL DE TELECOMUNICAÇÕES FATURA

Jacobo...

Pode me passar aquele ímã?

-Este aqui? -Não, não. O do lado.

O que tem o dedo fazendo "joia".

Deixe-me ver...

Legal.

Eu queria fazer um assim para a empresa, para os clientes.

Este não é muito bom. Se você colocar muitos papéis, ele cai.

Sabe como eu queria fazer?

Com o logotipo da empresa e calendário.

Mas eram caríssimos.

Ímã com calendário.

Que pena que Marta não quis vir, não é?

Ela não gosta de futebol.

Ei, Jacobo...

Se tivéssemos dobrado na rua anterior, passaríamos pela fábrica, não é?

Sim.

Vamos dar uma passadinha?

Não, já estamos em cima da hora.

Não, vamos! Vamos lá rapidinho.

-E então, vamos descer? -Não, não, deixe pra lá.

O jogo já vai começar.

Sim.

Vamos chegar atrasados.

Vai, Culaca! Vamos!

El Tanque! Vamos, vamos! Vamos, vamos!

Vá com garra aí!

Vamos! Ajeita esse cabelinho, sua bicha!

Por que você não vai para o salão de beleza, veadinho?

Vamos, ataquem com garra!

Obrigado.

-Puta merda, gol do Colón! -Par fora, Nico, fora!

-Fazer o quê, amigo? -Fazer o quê?

-Como está o Colón? -Três pontos na nossa frente.

Obrigado.

Ei, Jacobo, aquele catálogo que está no banheiro...

está meio... está meio velho.

Eu troquei essas máquinas faz tempo.

Fiquei só com uma porque são muito boas, são italianas.

-Mas já estão um pouco... -Desculpe. Quem é o bandeirinha?

-Barceló. -O que nos ferrou no jogo contra o Rampla?

-Sim, matou a gente com aquele pênalti. -Eu lembro. Que cara maldito.

Se você estiver pensando em renovar a fábrica,

eu poderia ajudar.

Além disso, poderíamos trazer as meias de lá,

que são mais baratas, para vendê-las aqui.

O produto é bom. Você mesmo viu.

Posso deixar mais algumas com você, se quiser.

Para mostrar para os clientes.

Vamos, vamos, vamos!

Puta que pariu!

Você está longe como a zorra, filho da puta!

Você sempre nos rouba, caralho! Puta que pariu!

Ladrão! Seu filho da puta!

Por que você não enfia a bandeira no seu cu, filho da puta?

Puta que o...

As Cataratas são lindas, não é?

Sim, muito bonitas.

Sim, eu imagino.

Eu nunca fui.

E olhe que faz 20 anos que moro lá.

É absurdo.

Bom, eu também não moro tão perto, mas... é rapidinho.

De carro, é rapidinho.

Sabe de uma? Um dia desses, pego a família

e pé na estrada...

até as Cataratas.

-São muito bonitas. -Sim, são muito bonitas.

-Boa noite. -Boa noite, senhora.

FELIZ ANIVERSÁRIO

E desta, coloque duas, por favor.

Você gosta, Marta, não é?

-Sim. -Esta.

Eu adoraria passear, mas, com a fábrica, não posso.

Não tenho tempo. Tenho muito trabalho.

E destas? Veja.

-Você gosta? -Sim.

Mais duas.

Eu reclamo por não poder viajar, mas o melhor é ter trabalho, não é?

Claro.

Aí... Essa! Mais uma.

E, evidentemente, a questão do trabalho é muito importante.

O velho Köller, meu pai, que você não chegou a conhecer...

Pode colocar três canhõezinhos desses?

Ele sempre dizia que era preciso trabalhar.

O velho era excepcional.

Eu o via de um lado para o outro o dia inteiro, trabalhando sem parar...

Claro que puxei um pouco a ele.

Pode colocar uma destas?

E lá, todas as manhãs, eu olho para a fábrica e me lembro dele.

É lógico.

Bom, Marta, você não vai querer mais nada?

-Não. -É só isso, senhora.

...faz-se um silêncio, então ele olha e diz:

"Deve ter caído, porque eu não jogo nada fora."

"Deve ter caído, porque eu não jogo nada fora." Essa foi boa, né?

Espere, espere, Marta. A última. Espere. Essa é boa. Rapidinha.

O velho Isaac está rodeado pela mulher e pelos filhos,

em seu leito de morte. O velho está prestes a esticar as canelas.

Então, já com os olhos semicerrados, diz:

"Rebecca, você está aí, querida?"

"Sim, papai, estou aqui."

"E você, Judith, minha querida esposa, você está aí?"

"Sim, Isaac, estou aqui."

"Samuel,

você também está aqui, meu filho querido?"

"Sim, papai, eu também estou."

"Estão todos aqui? Então, quem está tomando conta da loja?"

-"Quem está tomando conta da loja?" -Licença.

-Jacobo. -Obrigado por ter vindo.

Muito obrigado.

-Isaac, muito obrigado. -Herman.

-A gente se vê. Tchau. -Obrigado. Muito obrigado.

Alô?

CEMITÉRIO ISRAELITA

Garçom!

E veja o que aconteceu: na hora de pagar, procuro a carteira e não acho.

Não tinha cartão de crédito, não tinha nada.

O que fazer? Tive que ir falar diretamente com o dono.

Claro.

E sabe onde foi isso? No restaurante de Tony Ramos.

-Tony Ramos? -Claro.

Ele tem um restaurante pertinho da minha casa.

De vez em quando, ele aparece lá. Imagine minhas filhas com Tony Ramos lá.

Ai, que escândalo. "Tony Ramos! Tony Ramos!"

Você conhece Tony Ramos?

Não, não é que sejamos amigos. Mas já conversamos algumas vezes.

Tony é um cara legal.

As novelas brasileiras são ótimas, não é?

Os cenários, as interpretações, não é?

Não sei, não... Lá em casa, a gente não assiste.

Mas, sem dúvida, tem muito dinheiro investido nisso.

Sem sombra de dúvida.

Ei, Herman, que horas você precisa estar no aeroporto amanhã?

Opa! Olha só este homem, já está me mandando embora.

Faça-me o favor!

-Vamos terminar isso, vamos. -Não.

Deixe, deixe, só tem um restinho.

E aproveitamos para fazer um brinde.

Na verdade...

foi um prazer enorme este reencontro

depois de tanto tempo. Então, eu gostaria de brindar...

por este reencontro.

Na verdade, esta estadia foi maravilhosa,

mas também muito curta, então queria fazer-lhes um convite.

Gostaria que vocês venham passar uns dias comigo em Piriápolis.

-O que você acha, Marta? -Eu... adoraria.

Amanhã o homem da persiana vai na fábrica.

-Nós tínhamos combinado com ele que... -Jacobo,

há quanto tempo você não vai a Piriápolis?

Agora não é um bom momento.

Por causa do homem da persiana.

LOJA

Você quer eu conte?

-Conte você, Marta, vai. -Não, eu, não. Fico com vergonha, não.

Não é tão grave, é uma brincadeira.

Bom, Marta me disse que você ainda gosta de chocolate.

Então, enquanto eu falava e falava com o rapaz do posto,

Marta, de repente e sem que ninguém percebesse...

pimba! Passou a mão num chocolate! É um presentinho de Marta para Jacobo.

-Essa foi boa, né? -Olhe para frente, por favor.

Essa foi boa.

Quero informar-lhes que o café da manhã está incluso e é servido das 7h às 10h.

A piscina aquecida fica no térreo,

e também contamos com um restaurante com música ao vivo

que funciona à noite, assim como nosso cassino.

Muito bem. Agora, Juan Carlos vai acompanhá-los a seus quartos.

Ante qualquer dúvida, disquem nove. Meu nome é Andrés.

-Aproveitem a estadia. -Obrigado.

Desculpe, será que o quarto de casal poderia ser com camas separadas?

É que minha senhora sofre da coluna.

-Deixe-me consultar, vou ver se... -Não, não, não. Está bem. Deixe assim.

Tudo bem então. Aproveite a estadia.

Vamos.

Bom, e este é o quarto. Entrem, por favor.

Senhora, entre.

Bom, ali é o banheiro.

Aqui está o frigobar. Vou deixar o controle remoto da TV aqui.

Bom, e qualquer coisa, se precisar falar com a Recepção,

disque nove.

Pergunte por... Juan Carlos.

Muito obrigada.

Bom, se vocês não precisam de mais nada...

-Aqui está. -Obrigado.

-Bom, deixo que vocês se acomodem. -Obrigada.

Aqui estão as chaves. Aproveitem a estadia.

-Quanto você deu a ele? -Vinte. É pouco?

Não, por favor, não precisa.

Se não for incômodo, prefiro que eu me encarregue das despesas.

Deixo aqui para você.

NÃO PARAR NA PISTA PARA LEVANTAR OS CAÍDOS PATINAR TODOS NO MESMO...

Já começou, já começou.

Gol!

Um a um. É um empate.

Venha, Marta, venha jogar.

-Não, eu não sei, nunca joguei. -Venha, venha.

É fácil, basta segurar isto. Jacobo lhe ensina.

Antigamente, nós sempre jogávamos. Ele sempre ganhava, é claro.

-Era pau a pau. -Mas eu não sei.

Vamos, Marta, tente.

Isso, assim.

Com um pouquinho mais de força.

Isso.

Dois contra um!

Não vale!

Não, com Jacobo ninguém pode.

-Bom... perdi. -Vamos jogar outra.

-Vamos, a revanche. -Vou pegar outra ficha.

Se empolgou.

Vocês vinham para Piriápolis quando eram pequenos?

Sim.

E fazia muito tempo que o senhor não vinha?

Sim, bastante.

E seu irmão?

Também, eu acho.

Por que seu irmão não veio quando sua mãe faleceu?

Ele deve saber.

Como isso está caro!

-Marta, comprar água lá em baixo. -Que bom.

Sem um copo d'água ao lado, não consigo dormir.

Nem eu.

Não conseguíamos dormir, hein?

Saí para comprar água, aqui é caríssima.

Claro.

Desculpem. Podem esperar um pouco meu marido, que está meio mal?

-Sim, sim, claro. -Obrigada.

-Venha... -Consigo sozinho, querida. Vamos.

-Está bem. Obrigada, viu? -Não tem problema.

-Para qual andar vocês vão? -Quarto.

-A gente também. -Obrigado.

Tranquilo.

-Recém-casados? -Sim.

-Lua de mel, não é? -Sim.

Sim, somos argentinos. Adoramos o Uruguai.

Que bom! Irmãos argentinos.

Minha lua de mel foi há tanto tempo...

A dele foi há menos tempo, nas Cataratas.

É um passeio muito bonito.

Sim.

-Está bem. -Tranquilo, só um pouquinho.

Perdi.

-Quer dizer que você fuma, Marta. -Sim, às vezes.

Olha, faz anos que eu não fumo.

Fumei quando era jovem.

Quer um cigarro?

Não, mas aceito uma tragada.

Obrigado.

-"Namreh Rellök." -O que é isso?

Seu nome ao contrário: "Herman Köller".

-Fale de novo, como é? -"Namreh Rellök."

Que legal!

Diga outra coisa.

Sei lá, diga você.

Eu? Sei lá... "Oi, como vai?"

"Io, omoc iav?"

Que legal! Vamos ver...

"O mar está agitado."

"O ram átse odatiga."

"A menina brinca com o cachorro."

"A aninem acnirb moc o orrohcac."

"O vento brinca com o coqueiro."

"O otnev acnirb moc o orieuqoc."

Isso é muito legal! Como é que você faz?

Não sei... Quando era pequena, ficava entediada e lia as palavras ao contrário.

Ouvia as conversas e pensava as palavras ao contrário.

E, assim, aprendi.

"Jacobo está chateado."

"Obocaj átse odaetahc."

E, Jacobo? Você ganhou!

Aperto aqui, não é?

Vamos, um sorrisinho. Digam "uísque".

Uísque.

-Boa tarde. -Boa tarde.

Como vai?

MAIÔ ADULTO - INFANTIL - "VIQUÍNI"

Oi, posso ajudar?

Não, obrigada. Estava só olhando.

E passearam muito?

Não, muito não,

porque alguém que eu conheço resolveu fazer piruetas

na festa de casamento e machucou o joelho.

Não, não fiz piruetas. O pessoal me jogou para cima

-e não conseguiu me pegar. -Está bem, não precisa se zangar.

-Não estou zangado. Não estou zangado. -Não se zangue.

A água está uma delícia! Você não vai entrar?

-Estou tomando coragem. -É aquecida, viu?

Sim, está gostosa.

Está uma delícia.

Sim, eu ficaria aqui a tarde toda!

Quer dizer que todo mundo já está aqui?

-Achei que eu fosse o único valente! -Herman.

-E? Como vão os recém-casados? -Bem, curtindo.

Estão gostando de Piriápolis?

Sim, o único problema é que ele está meio mal do joelho,

-então estamos... -É mesmo?

Foi um deslocamento da rótula.

-Ai! -Mas não...

-Isso deve dor muito, que chato! -Sim.

-O que foi, Marta? Perdeu alguma coisa? -Sim, o anel.

-Poxa! A aliança? -O que foi?

-O que foi? -Parece que ela perdeu um anel.

-O quê? -O quê? A aliança?

-O quê? -Você perdeu a aliança?

-Sim. -Mas tem certeza de que estava com ela?

Porque um anel assim não sai do dedo toda hora.

Não, mas com a água afrouxa. Às vezes acontece.

-Sim... -Estou achando isso estranho.

Cara, vamos nos dividir por zonas. Procure por ali,

-e eu me concentro nesta zona. -Está bem.

Você tira a aliança com muita frequência?

-O quê? -Você tira a aliança com muita frequência?

-Mais ou menos. -Você vai ter que falar com a Recepção.

Porque não vai conseguir encontrá-la agora em uma piscina tão grande.

-Ou mandar uma carta. Sei lá, algo assim. -Apareceu?

-Não sei. -Não apareceu?

-Era de ouro? -Sim.

-Além disso, tem o valor sentimental... -Opa! Aqui está.

-Aqui está. Achei! -Obrigada!

-Que ótimo, cara! -Sim.

Deixe que eu cuido disso. É melhor deixar aqui fora.

-Muito bem, meu amor, meu herói! -Estava... Está.

-Muito bem! -Tire, tire a sua, querida.

-Não, não, a minha não sai do dedo. -Vamos deixá-la ali.

-Não, é sob medida. Não vai sair. -A dela também era sob medida.

-Bom, mas a minha não sai. -Que sufoco, hein?

Que sorte que apareceu!

Tiro... ou não tiro?

-E Jacobo? -Está dormindo.

Você não vai dar um mergulho?

Não, já estou velha para essas coisas.

Que velha que nada!

Tchau, a gente se vê.

Tchau.

-Até! -Tchau.

-Tchau e obrigada. -Não há de quê.

Bom, eu também vou sair, estou com um pouco de frio.

Não quer ficar mais um pouco?

Vou ficar sozinho.

Fique.

Jacobo, você acordou.

Vou no mercado da esquina comprar água.

-Quer que eu vá com você? -Não, não precisa, obrigado.

Bom...

Até logo. A gente se vê, "Martha".

"Éta ogol."

"Até logo" ao contrário.

Virei um crocodilo

HOJE - DARDO E SEU ÓRGÃO MAIS DE 1.000 CANÇÕES!

Era a encarregada do zoológico

Mas parecia uma modelo

E para poder vê-la seguido

Fazendo-me de bandido

Entrava sempre escondido

Com as crianças da escola

Entrei mais de uma vez

E de vendedor de amendoim

Eu também me disfarcei

Eu gostava de ver essa mulher

Licença.

Como às feras dava de comer

Eu queria me transformar em bicho

E poder fincar-lhe os caninos

Não aguento mais

Em bicho, em bicho eu me transformei

Virei um crocodilo

Em bicho, em bicho eu me transformei

Virei um crocodilo

Em bicho, em bicho eu me transformei

Virei um crocodilo

Em bicho, em bicho eu me transformei

Virei um crocodilo

Jacobo...

sabe que, para mim, não foi nada fácil...

ficar todo este tempo longe de mamãe.

Ainda mais sabendo que você estava segurando sozinho a barra da doença,

além de lidar com os problemas da fábrica...

Mas, de verdade,

o trabalho e a família exigiam minha presença e... não...

Não pude vir para lhe dar uma mão nestes momentos tão terríveis

que você teve que enfrentar.

Em bicho, em bicho eu me transformei

Virei um crocodilo

Era a encarregada do zoológico

Olhe...

eu queria lhe dar isto.

Como uma forma de retribuição, digamos.

É uma quantidade significativa de dinheiro...

por todo este tempo que você passou com mamãe.

Ou seja...

É a minha parte das despesas e um pouco mais,

por todos esses anos que você cuidou dela sozinho.

Estou bem, Herman. Não preciso do dinheiro. Obrigado.

Mas eu acho que...

poderia ajudar. Ainda mais agora, que você se casou e tudo o mais.

Estamos bem, Herman. Obrigado.

Tem sabonete, com uma colaboração.

Não, obrigada.

Com isso você poderia comprar uma máquina nova para a fábrica, não é?

Umas máquinas italianas.

Epa, epa. Bom trabalho, hein? Bem!

Aplausos para Francisca, de Montevidéu.

Um orgulho para a família!

Então, continuamos aqui relembrando sucessos para todo mundo e, bom...

Vamos ver se vocês gostam deste.

Herman me prometeu que ia cantar hoje.

-Você sabia que ele canta? -Não.

Bom, cantar mesmo, cantar de verdade, não...

Mas lá vamos num caraoquê com Luana, a caçula,

e, de vez em quando, me arrisco.

-E agora, vai arriscar? -Bom...

Fico com um pouco de vergonha, sério.

Hoje colhi uma flor E chovia, chovia

Esperando o meu amor E chovia, chovia

Pessoas apressadas Passavam e corriam

E a cidade ficou deserta Porque chovia

Eu fiquei pensando Em tantas coisas bonitas

Como aquele dia na praia Em que conheci você

O vento brincava Com seu cabelo de menina

Ai, que sorte, que sorte Seu olhar no meu

Quando meu amor chegar Vou dizer-lhe muitas coisas

Ou talvez, simplesmente Vou dar-lhe de presente uma rosa

Porque eu colhi uma flor

Esperando o meu amor

Que me alegre seu canto Que me alegre sua risada

Que se alegre o silêncio Seu olhar no meu

Quando meu amor chegar Vou dizer-lhe muitas coisas

Ou talvez, simplesmente Vou dar-lhe de presente uma rosa

Sem dúvida O melhor é a rosa

Vamos conversando Vamos nos beijando pelas ruas desertas

Sim, o melhor é a rosa Sim!

Mas o 24 nunca sai! Você não vê que é jogar dinheiro fora?

Isso é o que me irrita.

Ai, meu amor, mas foi por seu aniversário. Deixe pra lá. Não vamos mais jogar.

Sim, mas eu falei para não jogar no 24,

aí você pega e joga no 24. Entende? Fico chateada.

CASSINO

VENDA DE FICHAS

Boa noite, senhor.

-Quer que troque tudo? -Tudo.

Um momento, por favor.

Apostas encerradas.

Preto 24.

-Alô? -O senhor pediu o serviço de despertador?

-Sim. Está bem, obrigado. -Por nada.

Obrigado.

Obrigado a você, Jacobo. Não precisava se incomodar.

-São muito bonitas. -Sim.

É para o avião.

Obrigado.

Se eu pudesse viajar, iria ao Brasil.

Muito bem. Muito bem.

O Brasil é um país lindo.

Eu viajo muito. Quase nunca estou em casa.

VOO

Bom...

-Boa viagem. -Obrigado.

-Boa viagem. -Adeus.

-Estou pronta. -Vou pedir um táxi.

Não, não se preocupe. Eu vou de ônibus.

Um táxi para a rua Yatay, número 1421.

Apartamento.

Sim. Obrigado.

Três minutos, bandeirada comum.

Ah, sim.

-Não precisava se incomodar. -É uma retribuição.

Não precisava.

-Até amanhã. -Até amanhã, se Deus quiser.

E aí, seu Köller? Como vai seu timeco?

Sobe para a primeira ou não?

El Tanque! El Tanque é uma piada, seu Köller.

-Bom dia. -Bom dia.

Bom dia.

Desculpe, podemos ligar um pouquinho o rádio?

-Prefiro que não. -Está bem. Obrigada mesmo assim.

Karina!

Quando Marta chegar, peça a ela.

Está bem.

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