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Original subtitles

["La Vie en Rose" tocando]

Camille!

Camille!

[ri] Camille!

Caramba! Que coincidência maravilhosa, não?

Eu tô hospedado nesse hotel.

Fora que fiquei o dia inteiro martelando a cabeça,

pensando na conversa que a gente teve, porque...

Não sei, talvez tenha ficado com a sensação de que sou mal-educado.

- Te deixei falando sozinha. - [buzina]

É que tudo tem uma explicação.

Se me permite, é que...

Eu acabei de me divorciar

- E fiz uma promessa. - Eu adoraria escutar.

Agora eu pareço tá sendo mal-educada...

- Escuta, vai entrar ou não? - Vou, vou.

Juro que tô com muita pressa, tô atrasada pra um concerto.

Se incomoda se eu te acompanhar? E te contar um pouquinho no caminho?

[buzina]

[música animada]

[música encerra]

[batidas na porta]

Entra.

Trouxe a moto?

As chaves.

Aonde você vai?

Tenho umas coisas pra fazer. Ordens do Berlim.

As chaves.

[música provocante]

Aonde?

Eu vou recuperar o cálice.

Então você fica aqui, vigiando os monitores.

Não tem ninguém em casa, seu idiota.

- Vai que eles voltam. - E como você vai recuperar o cálice?

Eu espero o padre sair.

Saio com a moto. Me aproximo dele. Dou um puxão e "tchau".

Capisci?

E com que mão vai dar o puxão?

Tem que pilotar, frear, encostar,

e tenho certeza que esse cálice pesa que nem chumbo.

Vai inventar o "puxão de mala"?

Eu vou com você e pronto.

Fora que eu fico um tesão numa moto.

[música de ação]

[música encerra]

Deixa eu ver, por onde começo.

Eu tinha prometido não conhecer mais nenhuma mulher durante um tempo.

Se importa que eu me vista? Eu trouxe roupa pra me trocar no caminho.

Não, não, não. Claro que não.

É. Digamos que o que eu vinha buscando era aproveitar a solidão, sei lá.

A calma da solteirice.

Porque o meu coração sentia falta, bom, de um pouco de paz.

Não acha que soa um pouco misógino?

Não. Imagina.

Pode acreditar que isso é muito mais uma questão de pura defesa pessoal.

Mas, depois do nosso último encontro, é, de repente me toquei.

"Você tá se infligindo um castigo por ter tido um fracasso?

E está se negando a possibilidade de conhecer uma mulher única.

Uma mulher especial."

Existem quatro bilhões de mulheres no mundo.

As possibilidades de conhecer uma que realmente te fascine são escassas.

E não estamos aqui pra desperdiçar oportunidades, por isso,

não pude evitar de sair como um louco do hotel quando te vi.

Te encontro justamente em frente ao... É, eu posso?

- Pode. - E...

E é por isso que eu estou aqui.

- [burburinho] - [Berlim] Obrigado, senhor.

[Camille] Obrigada.

[burburinho]

Bonsoir! [ri]

[música punk]

CLUBE ÓPERA

[música punk encerra]

[música tema]

BERLIM

[música tema diminui e encerra]

[música de tensão]

[Roi] Vamos.

Para, para, para!

[Roi] Os ex-presidiários.

[diálogo inaudível]

Táxi!

Agora!

[motor acelera]

[Toureaux grita]

Caralho, ele não solta!

[grita]

[música de ação]

[música para]

- O cálice! - [Roi] Pega a mala.

[Toureaux] O cálice!

- [geme] - [música tensa]

[Toureaux] O cálice!

[Toureaux] Victor!

Sobe logo!

[gritando] Vão morrer!

Corre, caralho.

[música tensa aumenta]

[motor acelera]

[música tensa encerra]

[música romântica instrumental]

[noiva] Obrigada.

[burburinho]

[música tensa e ritmada recomeça]

[Roi] Sai da frente!

Sai da frente, porra!

[Cameron] Sai, sai da frente! Sai!

[motor acelera]

[Cameron] Roi!

O que é que você tá fazendo? [grita]

- Amor, você tá bem? - [moto se aproxima]

[pneus derrapam]

- Merda! - Vai, vai, vai!

Sai, caralho! Sai da frente, porra!

- Sai da frente! - Você tá maluco, é?

Quase atropelou a minha noiva!

- Estão atrapalhando! - Sai!

Seu idiota, seu animal!

[Roi] Cuidado!

[Cameron] Caralho!

- Vou passar por cima! - Tá louco?

- Vai logo, caralho! - Animais!

- [Victor] Chega! - [música para]

- Porra! Sai! - [música punk]

Seus filhos da puta!

[versão punk de "What a Wonderful World"]

- [plateia cantando] - [música continua]

[plateia gritando]

[música termina]

[gritos e risos ecoam]

[música de tensão]

A mesa, a mesa! Vai bater.

Caralho, a mesa!

- Acelera! - Cala a boca, porra! Cala essa boca.

- Cuidado, cuidado! - [Homem] Cuidado, caralho!

- Cameron! - [freios]

[burburinho]

Um casamento e um funeral. Igual ao filme.

Um estacionamento.

[música de ação]

- Sai da frente, filho da puta! - Ei! Tá louco?

[música diminui e encerra]

[respiração ofegante]

[Cameron] Abaixa!

[Victor] Onde se enfiaram?

Saiam daí, filhos da puta!

Vocês vão morrer!

Se a gente se mexer, vão escutar os passos.

Não se alguma coisa fizer mais barulho.

Espera, espera, espera.

Tô escutando alguma coisa.

[sussurra] Me encontra na vaga 123.

Vai por lá. E faz a mesma coisa que eu.

[música de ação ritmada]

[alarme dos carros disparam]

[Victor] O que é isso?

[bufa]

[mais alarmes disparam]

Que porra é essa?

Que merda tá acontecendo? Caralho!

- Vai ver pra lá. - Vamos.

[alarmes]

Podem sair!

Merda!

- Ô! - Porra.

- E aí? - E agora?

A gente faz uma ligação direta.

Mas tem que ser num carro antigo, que não tenha sistema antifurto.

Que nem esse.

Vamos?

[música de tensão]

[portas batem]

- Merda! - Liga logo, caralho!

Não consigo, porra, tem sistema de bloqueio.

- O que a gente faz? - Estão vindo.

Pro banco de trás! Vai.

[música de tensão aumenta]

[música para abruptamente]

[música de tensão recomeça]

[música de tensão aumenta]

Não tinha certeza se você ia combinar com esse lugar.

Mas você se jogou, né?

Por causa da borboleta?

Gosto de estar elegante até pra ir no supermercado. [ri]

Olha, na boa. Você não tem cara de quem faz supermercado, não.

Você tem cara de viver em hotéis.

De viajar pelo mundo. De ir a museus.

Beber vinho em vinhedos.

[ri]

E aposto que é a primeira vez na vida que bebe cerveja no gargalo.

- [ambos riem] - E é.

Odeio beber em garrafas que viajam em caixas por armazéns,

caminhões, e passam de mão em mão até chegar nos seus lábios.

Mas essa tá sendo dos deuses.

Então, pelos deuses.

Por eles.

[alarmes soam]

Eles foram embora?

Eu não tô vendo, mas a gente não vai ficar aqui esperando.

Vamos testar com esse carro.

[música de tensão]

- [motor liga] - Isso, porra!

Acelera essa porra! Vai!

Aqui, achei a vagabunda!

- Merda! - Puta desgraçada!

- Vai, corre, Roi! - [motor acelera]

[pneus derrapam]

Cuidado, cuidado, cuidado!

[buzina soa]

[Roi geme]

[Cameron grunhe]

[música tensa]

Fodeu.

[música tensa aumenta]

Merda.

[ambos ofegam]

[Roi] Levanta. Vambora.

Podem correr, seus filhos da puta.

[Victor] Vai roubar outro.

Toma.

[música dramática]

[música dramática diminui e encerra]

["Goosebumps and Butterflies" tocando no rádio do táxi]

[música encerra]

[ambos riem]

Foi uma noite maravilhosa.

E singular. [ri]

Espero que a gente possa repetir na próxima vez que eu vier a Paris.

E aí vou te levar num lugar onde possa beber em taças de cristal da Boêmia.

Pra isso, vai ter que pedir meu telefone.

Só que eu tô sem caneta aqui.

[música suave toca]

[música suave aumenta]

Bom descanso.

Pra você também.

[música suave continua]

[música encerra]

E aí? Bora dar um mergulho?

Pensei que fosse a Cameron.

- É quem tô procurando. Ela tá com a moto. - Acabou de sair.

- E a moto? - Ué, não sei, acho que tá com ela.

Bom, a gente se vê depois.

Peraí, peraí. Não vai me dizer pra que são esses óculos?

São óculos de realidade virtual.

Que animal! É um jogo?

Não. Não é um jogo, é uma simulação.

Ainda não acabei de programar.

Não mexe, por favor. Cuidado, é delicado.

Desenhou o que dá pra ver nesses óculos?

- Sim. - Que da hora, cara.

- Vai ter que me deixar ver. - Não.

Não vou sair desse quarto. Vou me algemar na cabeceira.

- [ri sem jeito] - Vai.

Por favor.

Cinco segundos.

[som distorcido]

[música divertida]

Esse bagulho é muito foda!

Caralho, que vista, hein?

E essa cor do mar?

- Zanzibar. - Foda.

Não sai do lugar?

É que você não colocou os sensores.

Peraí.

Não sei o que tá fazendo roubando.

Devia tá na Nasa, no mínimo. Você é muito crânio.

- Peraí. - Isso serve pra quê?

Pra detectar o movimento.

Quê?

É que eu tenho que colocar uns no seu abdômen e outro nas costas.

- Ah, sim, claro. - Tá.

[música divertida]

Tá.

Não. Não gruda.

É o olinho.

- [ri sem jeito] - A gente tira, né?

Agora tá de boa.

É.

Assim.

- Pronto. É, vira aí, de costas. - Tá.

Aqui.

Pronto.

- Já? - Uhum.

- Sim? - Sim.

Agora sim. Olha só, olha só, olha só. Tô todo arrepiado.

- Toca, toca! - É, sim. Tá todo arrepiado mesmo.

Que foda.

[música divertida continua]

É você essa mulher?

[Keila] Pronto, chega, chega. Já deu.

Já passou muito mais que cinco segundos.

É você, não é?

Meu avatar.

Só estava olhando pra um espelho.

Deve ter sido um erro e você ainda tá aperfeiçoando, mas,

parecia que tava marcando bem o seu biquinho nesse minivestido,

tipo uns centímetros.

Tá vendo? É sempre isso. Quando não fala de pelos, fala de mamilos.

- Vira aí. - Que que eu falei?

Pronto.

Quando a Cameron voltar, eu falo pra te procurar. Tchau.

Desculpa pela burrada, tá?

Só uma pergunta. Pra que serve a sua invenção?

[suspira]

É uma realidade paralela.

As pessoas nem sempre podem sair de férias

pra lugares incríveis com amigos com quem se dão bem.

Por exemplo, do que você gosta? Você gosta de discoteca?

- O fodão das baladas sou eu. - [ri]

É. Dá pra dançar nas discotecas mais cool.

Coloca os óculos e tem a experiência com todos os sentidos.

Mas não é real. Você continua aqui, num quarto de hotel.

Mas o teu cérebro processa como uma coisa real.

E você dança com pessoas,

fala com gente de outros países, toma uns drinques com eles.

E as emoções que você sente são reais.

[música suave]

É incrível o mundo que tá criando, craninha!

Você é uma gênia.

- Eu tô indo lá pra cripta. Beleza? - Tá bom.

[suspira]

Quando pretendiam me contar?

Cara, foi o Berlim que me deu essa missão, não tinha por que contar pra você.

A gente passou a noite toda ligando. Mas ele não atende.

Primeira vez que sai em Paris e já aproveitou bastante, hein?

Não tô falando da invasão de propriedade na casa do Polignac.

Tô falando do puxão no padre, que você arrastou por 10 metros.

Roubo de carro com violência, em um casamento.

Agressão a um presidiário.

Vários veículos danificados em um estacionamento. Vinte...

Seus croissants.

Vinte e seis alarmes disparados.

[riso sarcástico]

E você vem tomar café com croissant e um café au lait, como se não fosse nada.

Fomos nós dois.

Não era um trabalho fácil roubar o cálice com os dois gorilas de guarda-costas.

Então tá.

Vamos pedir uns ovos beneditinos pra todo mundo relaxar um pouquinho, né?

Monsieur?

Se não acontecesse um milagre,

todos nós estaríamos agora numa prisão de segurança máxima francesa.

Vocês conhecem isso?

Como é que conseguiu?

O padre me procurou ontem, à meia-noite,

com uma bengala, todo corcunda.

Dizendo que não vai ao porto nem a Santiago,

e que a gente tava certo sobre a segurança.

Que uns desalmados tinham tentado roubá-lo.

Que ele tá com lombalgia.

Que a gente continue com as escavações, e que vai pedir uma licença de uma semana

porque não tem condições nem de rezar a missa.

Então, agora,

a parte boa é que a gente tem sete dias pra fazer esse túnel.

E você trata de acordar o Berlim.

Agora.

Como é que você tá?

Bem.

Precisava de um shot de adrenalina.

Não tem por que tá aqui, Cameron.

Falei pro Berlim que ia ficar até o final.

E eu vou fazer.

[celular tocando]

- Pode falar. - [Camille] Oi.

É a Camille.

Você sabe que a primeira coisa que eu fiz hoje quando acordei foi rir?

É muito marcante ver um cara de gravata borboleta

botar o vocalista de uma banda punk no ombro.

Obrigada por me proporcionar essa imagem.

De nada.

Eu iria de novo, de fraque,

a um antro de estivadores, se quisesse. É só pedir.

Eu estava na varanda olhando o seu hotel

e me perguntei se você ainda estaria aí.

[música suave]

Ó, eu aqui.

[Berlim] Gostaria de tomar café da manhã?

Antes de responder, eu tenho que te falar uma coisa. Eu sou casada.

- Já tem oito anos. - Uhum.

Mas é que ontem senti uma conexão com você

dessas que acontecem muito de vez em quando na vida.

Você falou de quatro bilhões de mulheres, mas também tem quatro bilhões de homens.

E não é fácil conhecer um de quem você

queira saber um pouco mais.

Não sei, uma vida que você queira explorar.

A primeira coisa que me diz é que é casada.

E a segunda, é que quer me explorar.

Não gostaria de me confundir a respeito dessa "exploração".

Posso tentar te explicar melhor.

Até que dia você fica em Paris?

Até amanhã.

Que pena que seja tão pouco tempo.

[música suave continua]

Toma, toma, toma esse xeque-mate!

[música de jazz tocando ao fundo]

[suspira]

Bom dia.

Roi,

você acaba de perder um momento épico.

Vem aqui, vem aqui. Vem, que agente vai brindar, Roi.

Um pouquinho pra você e um pouquinho mais pra mim.

Porque a gente recuperou o cálice?

Não, cara, não, não. É por ela.

Roi.

Ela ligou pra mim.

A mulher do Polignac?

Não se apega nesses detalhes agora, Roi, pelo amor de Deus!

O importante é que a contagem regressiva acaba de começar.

- Eu acabo de dar um xeque. - [ambos riem]

E agora só falta esperar e ver que peça ela vai mover.

Aposto o que quiser que em menos de três horas ela vai me ligar.

Que três horas, o quê. No máximo uma hora, uma hora e meia.

[batidas na porta]

- É a Camille. - [música de tensão]

[música de tensão aumenta]

- [música tensa encerra] - [música suave]

Eu posso entrar?

Eu acho que, que vai ser melhor não.

Você acabou de me me dizer que é casada.

E se você cruzar essa porta, não vou te deixar sair até depois do Natal.

Camille... [engole seco]

não quero uma história menor.

Estou atrás de algo único.

E isso não...

Não é compatível com ser o vértice em um triângulo de infidelidade.

E o que é uma "história menor"?

Você sabe? Porque eu não.

Eu tento viver tudo que seja possível.

Tem noites que não consigo dormir.

E me levanto e vou pra um bar.

Converso com um monte de gente,

tomo tequila, danço feito uma louca.

E quando eu volto pra casa,

eu durmo feliz.

Porque eu vivi uma coisa que não estava prevista.

Muita gente ficaria na sua cama, se revirando.

E eu saio pra engolir o mundo aos pouquinhos.

Tipo, como você consegue ficar olhando pro teto?

Sabendo que tem pessoas iguais a você,

que aparecem quando você menos espera?

E tudo bem.

Eu entendo que você me rejeite.

E eu gosto, porque isso fala muito bem de você e da sua honestidade.

[música emotiva]

[suspira]

Au revoir.

Tomara que a gente se encontre de novo algum dia.

[suspira]

[música emotiva diminui]

Você fez o certo.

Ela que fique no lugar dela, né?

Roi.

Isso aqui tá lotado de câmeras e telescópios vigiando a casa dela.

Foi só por isso que eu a rejeitei.

Tá.

Eu a rejeitei.

[música emotiva retoma]

Camille, me espera!

[passos ecoam]

[música se intensifica]

[música pop romântica francesa]

[ruídos do maquinário]

[música continua]

[burburinho em francês]

[Camille] Ui!

[fala inaudível]

[música continua]

DE: SIMÓN

[ri e suspira]

[música continua]

[ruídos maquinário]

[música continua]

- [diálogo inaudível] - [celular tocando]

[música continua]

[música pop romântica encerra]

[Cameron] Sua vez.

- Aconteceu alguma coisa? - Na verdade, sim.

E tenho que falar com alguém do mesmo gênero.

Fala aí.

Sempre tive uma ideia muito nítida do que gosto e não gosto na vida.

- Belê. - Nos livros:

Gosto dos clássicos e odeio os best sellers.

Na comida, amo moussaka e não suporto fritanga.

E nos homens, os que são inquietos,

têm boas maneiras e são inteligentes, gosto muito.

E não suporto esses vulgares que ficam de xaveco e putaria.

Toda essa horda de gente superficial que vive fazendo selfies

com o dorso nu, com as suas motos. Entende?

- Faço uma ideia. - Pois é. Isso foi pro ralo.

Esse sujeito grosseiro, desprezível e mal-educado,

de alguma maneira, se conectou com parte do meu cérebro

e sistema nervoso, chamado "instinto".

- De quem a gente tá falando? - Do Bruce.

- Você gosta do Bruce? - Não.

Você gosta do Bruce.

Não, eu não gosto, imagina, não. Não, não. É que...

Eu vejo ele lá sujo e suado, e me dá uns, sei lá. Uns calores.

Percebo como ele me acelera o ritmo cardíaco

e me dá uma dispneia respiratória.

Sabe o que é? A sensação de quando o oxigênio não chega direito nos pulmões...

Já aconteceu outras vezes, né?

Bom, não. Não assim.

É que, quando eu fecho os olhos...

Eu vejo ele lá nas catacumbas, se jogando água.

E eu vejo como a água escorre pela pele dele.

E aquele pingente que ele usa, de âncora.

Que, cada vez que ele se mexe, bate contra o peito e... [suspira]

- E faz tum-tum, tum-tum... - [batida ecoa]

E parece que tá em looping. Igual a um gif. Tum-tum.

Como se me chamasse: "Tum-tum, tem alguém aí?".

E você tem mais imagens que nem essas?

Caramba, a cueca.

Como assim, "a cueca"?

Vi uma vez. Aparecendo em cima da calça.

A tirinha de elástico branca.

[suspira]

E agora me aparece o tempo todo, a marca.

- E que marca era? - Lobo.

Aparece várias vezes, repetida no elástico.

"Lobo, lobo, lobo, lobo."

E agora aconteceu uma coisa inesperada. Bom, é que...

- Ele deu um tapão nessa sua raba? - Não, idiota.

[ri]

Não, é que...

É que eu tô viciada no cheiro dele.

E como é isso?

É que eu cheiro ele.

Quando ele tá perto ou quando ele passa perto.

- Eu cheiro ele. - E qual é o cheiro? O perfume?

Não, porque ele não usa. Eu acho.

Ele tem um cheiro de...

um cheiro de homem.

Tipo, um homem rude, tipo feromônios. Ai, sei lá.

Linda, isso é suor.

É, deve ser. É que suor sempre me deu um nojinho.

Mas agora o Bruce passa e... [respira fundo]

[respiração ecoa]

[música celestial]

Eu cheiro.

Você cheira.

[música divertida]

- Ele se limpou com a minha toalha. - Keila.

Ia colocar pra lavar, mas deixei aqui. Não sei o que tô fazendo.

É um impulso muito raro, não sei o que tá acontecendo.

Na boa, não tem que ser tão dramática. Qual o problema de gostar do Bruce?

É que, eu não sei. Porque, pra começar, ele é um bebê.

Ele tem o quê, 24 anos? Eu tenho 36.

O que eu faço?

Bom...

Se tiver vontade de trepar com ele, trepa.

Mas esquece logo. E se vir que vai dar problema, nem se mete.

Porque o sexo é muito divertido, mas o amor, nem tanto.

Por que é que você fala isso do amor?

Bom, é uma doença que tem várias fases.

A ansiedade pra conseguir,

o medo de perder.

E a depressão, quando te abandona.

[música emotiva]

[suspira]

Mas sabe o que eu faço quando fico louca assim por alguma coisa?

- O quê? - Eu danço.

Dança pra quê?

- [música pop tocando] - Levanta, a gente vai fazer uma balada.

Vem, Keila, vamos.

Sai fora.

- Cai dentro! Vem, Kei-Kei, vamos? - Não, não vou, não.

["I love it" de Icona Pop tocando ]

[Cameron ri]

- Não gosto de álcool, nada. - Vamos ver, vai. Abre essa boca.

[batidas na porta]

[música "I love it" ao fundo]

- Olha elas. E essa baladinha? - A gente já tava indo dormir.

Bruce!

[música continua]

Houston, nós temos um problema.

Deixa comigo.

CLASSE, ELEGÂNCIA E MOTOR

[celular toca]

- [Keila e Cameron riem] - Oh!

- Não, não, não. Toma. - Vem. Entra aí.

Roi!

- Tá, mas só uma. - Entra aí.

["I love it" de Icona Pop continua]

- [música encerra] - [riem]

[som distorcido]

[suspira]

Você tá bem?

Eu tô com um pouquinho de vontade de vomitar.

Ai, Kei-Kei.

Vai.

[Cameron, gritando] Ô! Como vocês tão?

Chegamos agora!

O túnel termina quando a gente chegar no muro de ladrilho

que vai nos levar ao nosso objetivo.

A casa de leilões.

E o que é esse muro?

Esse é o muro de contenção do edifício.

A gente vai quebrá-lo pra chegar na casa de leilões.

Porque a gente não vai entrar nessa caixa-forte pela porta blindada.

A gente entra por trás.

Por onde eles não nos esperam. [ri]

[Bruce ri]

E para que a gente possa ter acesso à parte de trás do cofre,

primeiro a gente passa por uma câmara de ar e uma área de serviço.

Com oleodutos, caixas de suprimentos, conexões elétricas e saneamento.

[música intrigante]

Ali, a gente vai encontrar um muro de bloco de concreto,

que dá para a antessala do cofre.

A gente corta as juntas de ferro que unem esses blocos.

[Berlim] Mas a gente ainda não vai tirar os blocos de concreto. Por quê?

Porque dentro dessa antessala

tem uma câmera de segurança emitindo um sinal

para os monitores dos guardas.

Os dois guardas vão estar ali como quando não tem leilões.

Entediados.

Um na recepção da entrada.

E o outro no porão. De frente para o cofre.

E aqui constataremos a grandeza desse golpe.

Abrir uma caixa-forte quando ela está vazia. Não é uma ideia deliciosa?

Por isso a gente tem mais possibilidades.

A gente precisa tirar esses dois guardas da frente dos monitores por três minutos.

Esse é o tempo mínimo que preciso pra ter acesso às câmeras.

E como a gente faz isso?

Usando uma manobra de distração.

Mas, pra isso, a gente tem que conhecer profundamente nossos amigos,

os guardas de segurança.

[Berlim] A gente vai estudar cada movimento desses senhores.

Mas, sobretudo, a pedra fundamental na vida de qualquer guarda de segurança:

Que comida ele vai pedir.

Oi, eu queria pedir duas pizzas, da grande. De pepperoni.

Às oito e pouco eles pedem comida pelo telefone da recepção.

- Oi? - E aí, qual vai ser hoje?

Pepperoni. [ri]

Principalmente pizza.

[Damián] Na área de serviço, o cabeamento do telefone fixo,

que terá sido hackeado pela Keila.

[telefone toca]

[discando]

- Boa noite, qual é o pedido? - Boa noite.

Eu quero pedir duas pizzas grandes de pepperoni e duas cervejas.

Perfeito. Endereço?

Aqui é da casa de leilões Chez Vienot, Rue de Turenne, 14.

Muito obrigada. Até logo.

Obrigado.

Aqui começa o nosso show.

Na área de serviço, a gente vai ter uma "zona limpinha".

Onde se deixa a roupa cheia de sujeira, lixo e pó das catacumbas,

e se veste um traje asséptico.

Ninguém entra na antessala, muito menos no cofre, sem macacão e luvas.

Uma marca, um pouquinho de barro,

ou um cílio que caia com o DNA de vocês.

E o plano todo vai por água abaixo.

Todo esse momento vai servir pra gente se preparar.

Mas, sobretudo...

Peraí. Uma hora e meia?

Pra irritar esses guardas de segurança.

A comida fria.

Isso é berinjela. E tá completamente gelada.

O pedido errado.

Sem contar que eu pedi a grande.

Soda limonada?

Esse tipo de coisa que irrita demais quando estamos com fome.

Não vou pagar por isso.

[zomba]

Você não vai pagar, é?

Você vai pagar. Antes de voltar pro zoológico.

Entendeu? Seu rato!

E se o entregador dá uma de folgado,

e age como um chucro, petulante, com cara de delinquente.

- Quê? - "Qua, qua"? O quê, é um pato agora?

O cara liga pro companheiro. E é exatamente disso que a gente precisa.

Sobe. A gente tá com um problema.

Um "problema"? Que problema, cara?

Quando o guarda sair do seu posto,

começa o segundo ato do nosso espetáculo.

[música de suspense]

Estamos prontos.

A gente vai ter três minutos pra executar a ação.

[Keila] É pouco tempo.

É arriscado.

Onde você vê risco, vejo emoção e adrenalina, querida Keila.

[música de suspense continua]

OK, Alain, tô indo.

[Roi] Agora.

A máquina vai tirar o bloco de concreto.

Como a peça de um quebra-cabeça.

[Damián] E a gente vai entrar na antessala.

As câmeras do circuito captarão a nossa visita.

[música de ação]

[Berlim] E o Bruce...

Chamou outro chimpanzé pra te defender?

O entregador encrenqueiro, vai se ocupar de que não nos vejam.

Aí, aí. Não encosta em mim.

Tá entendendo? Ou não sabe que bicho é o chimpanzé?

[Bruce] Hum? Hã?

Ali tem uma porta.

É. Esse é o nosso calcanhar de Aquiles.

Se alguém abre essa porta, a gente tá fodido.

Nunca dá pra controlar 100% tudo que envolve um roubo.

Dois minutos e 30 segundos.

Precisa ganhar o máximo de tempo possível.

[imita macaco]

E tirar os caras do sério até que percam as estribeiras.

Alain! Ô, calma lá.

Larga meu cassetete.

[Damián] Enquanto o Bruce ganha tempo,

a Keila e eu estaremos neutralizando as câmeras de segurança.

Keila. Ilumina a gente com os detalhes tecnológicos.

A antessala é o lugar mais seguro.

Ali fica o disco rígido com o sistema de segurança da casa.

Vou interferir nas quatro câmeras que a gente precisa.

[Keila] Recepção.

E aí? Vai pagar, não?

[Keila] Antessala.

SEM SINAL

- Tá querendo encrenca? - Deixa pra lá.

Quê?

- Calma. - Tá.

Falta um minuto e meio.

[Keila] Hall do cofre.

SEM SINAL

- Para, caralho! - Por quê, vai me pagar?

[Keila] E por último, a do cofre.

[som distorcido]

Tinha um cabo grudado, não vi.

Acabou de ferrar todas as câmeras de segurança.

- [tique-taque do relógio] - [suspira]

[Bruce gemendo]

Ô? Você tá bem?

E quando eles finalmente te derem a porrada que você merece,

vai morder a pastilha efervescente e começar a espumar pela boca.

[Berlim] Como a besta dos infernos.

Tá. E se chamarem a ambulância?

- Ou a polícia? - E iam falar o quê?

"A gente deu uma surra no entregador porque trouxe comida fria,

e ele teve uma convulsão por traumatismo craniano?"

Antes eles vão tentar reanimá-lo.

Alain, vai pegar uma almofada! Vai!

Um minuto e 15 segundos.

Eu provoquei um curto.

Fica calma. Procura o fusível e o substitui.

Não tô achando! Não tô achando!

Na caixa preta. Abre ela!

Procura o fusível queimado.

Um minuto.

[Keila] Pronto, abri.

Tem fusível demais. A gente precisa sair.

Não pode ter sinal em nenhum monitor.

Uma colher!

[música inquietante]

[sussurra] Vamos.

[guarda] Acorda, vai.

Cinquenta segundos.

[guarda] Vamos, rapaz. Para com isso, vai.

Trinta segundos.

Vamos lá.

É esse aqui.

SEM SINAL

- [respira com dificuldade] - Água.

Me dá.

- [Bruce gemendo] - Vai.

Vai, toma, garoto.

Quinze segundos. Vai logo, caralho.

[Keila ofegante]

[guarda] Isso, vai. Levanta, vai.

Levanta, garoto, isso! Devagar, vai.

- Isso. - Quê?

Cinco segundos. Vocês têm que sair agora.

Cala a boca, Roi!

Pronto!

[bipes]

Bom, toma aqui o dinheiro.

- Pela pizza. - Pode ir.

- Vai, vai, garoto. - Pode ir.

Vocês estão atrasados.

Vocês têm que sair.

- Sai. Deixa, eu termino. - Tô terminando.

Assim que conseguir hackear o sinal dos monitores remotamente,

precisam sair da antessala o mais rápido que puderem.

Sai logo!

Valeu.

Tchau.

O que foi isso? Que doideira, hein?

[música inquietante]

Corre!

E o robozinho vai devolver o bloco de concreto pro lugar original.

[música inquietante aumenta]

[música inquietante encerra]

E, se tudo tiver dado certo, a Keila vai ter em seu poder

o controle do circuito de televisão.

[música de ação]

[bipe do painel de controle]

[suspira aliviada]

É nesse momento que a gente vai tá preparado pra começar

o segundo ato desse maravilhoso número de ilusionismo.

Como abrir uma caixa-forte com paredes de aço de 25 centímetros.

E, o mais importante, sem que se perceba.

E a gente consiga entrar e sair como se fossem portas giratórias

de um hotel cinco estrelas.

Um trabalho digno do ilustríssimo David Copperfield.

[gargalha]

[música punk]

[música encerra]

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