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SÃO FRANCISCO 1965
A Constituição apenas reconhece que todas as pessoas,
quando são ilegais, são imorais.
Depois, são presas e são indecentes.
É aí que está.
Passei os últimos quatro anos a entrar e sair de tribunais.
E descobri, passados quatro anos,
porque fui preso tantas vezes.
Ouçam o que aconteceu.
Faço o meu número às 23:00.
Mal sei eu que, às 11:00 da manhã seguinte,
perante um júri de acusação algures, outro tipo está a fazer o meu número
e é apresentado como Lenny Bruce... No essencial.
"Aqui está o Lenny Bruce. No essencial."
Um polícia, que foi treinado
para reconhecer o perigo imediato, não o imaginário, faz o número.
O júri de acusação vê-o a trabalhar e diz: "Que treta."
Mas eu sou preso.
A ironia é que tenho de ir a tribunal defender o número dele.
Quero mostrar-vos isto.
Aqui está: "Tribunal Penal, Nova Iorque, Parte 2B, Condado de Nova Iorque."
"Os ilustres juízes..." "Advogado...
"Segundo a informação apresentada em 3 de abril de 1964,
"os réus, Lenny Bruce e Harold L. Solomon,
"foram acusados separadamente
"de dar um espetáculo indecente em violação da Secção 1148
"do código penal de Nova Iorque."
Muito bem, é o júri de acusação. Esta foi a primeira vez.
"Durante a primeira atuação,
"Bruce afaga o microfone de forma masturbatória.
"Segunda atuação, ao falar de um ato de exibicionismo,
"Bruce virou costas ao público
"e moveu a mão abaixo da cintura,
"simulando de forma óbvia e grosseira um ato de exibicionismo e masturbação."
Está bem. Eu disse: Diz-lhe que são gestos de bênção,
não de masturbação,
porque nunca faria gestos de masturbação.
Porque gosto... Preocupo-me com a minha imagem.
E eu sei o que ofende as miúdas,
o que elas acham feio, o que as assusta.
Eu disse: "Diz-lhe que são gestos de bênção."
Está bem.
"Três, São Paulo a desistir de foder."
Certo. O que eu disse foi...
É assim que está no relatório. Eu disse que...
Esqueci-me, já passou tanto tempo.
Eu disse que o celibato...
Como raio fiz essa piada?
Veem? Esqueci-me.
Não, é estranho porque não sabia que tinham posto ali uma piada.
E esqueci-me de onde começou.
Acho que estava a falar sobre como os judeus perderam...
- Querem ver a minha dança? - Não!
Sim, vou dançar para vocês.
Esta é a primeira vez que danço em frente ao público.
É a minha dança de música popular americana.
Olá.
Olá. Chegou o Lenny Porco.
O Lenny Porco vai-se já embora, o pornógrafo.
Gostei muito de trabalhar convosco.
E, como disse o Will Rogers:
"Nunca conheci uma fufa de quem não gostasse." Boa noite.
Lenny Bruce?
Sim.
Lembras-te de mim? Susie Myerson.
A cusca insignificante da Allerton Avenue?
Não. Sou manager. Sou a manager da Midge Maisel.
Não eras um homem?
Não.
Quem tem cigarros?
Estás a fazer umas coisas interessantes.
Viste a minha dança?
Se vires o Slim, diz-lhe que estou aqui e que ele tem de arranjar um relógio.
- O espetáculo acabou há horas. - Está bem.
Lenny, queres sair daqui e ir conversar para algum sítio?
Merda! Já me lembro de ti. Do Gaslight?
Sim. Do Gaslight. Há muito tempo. Agora, sou manager.
Do Gaslight?
Não, sou manager de artistas.
Sou manager da Midge Maisel.
Sou manager do Dick Gregory e da Phyllis Diller.
Sou manager da Eartha Kitt. Sou manager de muita gente.
Vamos comer qualquer coisa. Beber café.
Não tenho fome.
Vamos recompor-te. Que tal?
Recompor-me?
O que vi esta noite foi uma desgraça.
Ninguém quer ver-te a balbuciar sobre tretas.
Querem que sejas engraçado.
Já não sabes dizer uma piada ou fazer uma observação
sem um número de processo associado?
Sou um gajo observador, percebes?
Observo e relato. Não sei fazer mais nada.
Sabes fazer mais.
- Como cantar? - Como atuações em clubes.
Vá lá.
"Vá lá", o quê?
De que raio estás a falar, atuações em clubes?
Já não há atuações em clubes.
Isto foi um acaso. Achavam que tinham contratado o Bruce Lee.
Estás a tentar levantar-te?
Não sei o que estou a tentar fazer.
Atuações em clubes.
Sim, estou a tentar levantar-me.
Não posso entrar em nenhum clube a este do Grand Canyon.
Fui empurrado tão para oeste que só me resta Catalina.
Para a semana, estou a atuar num golfinho.
Jonas e a Baleia para um cardume de espadins.
Posso mudar isso.
Sim? Como?
Tenho contactos e pessoas que me devem favores.
Vais usar os teus favores comigo? Porquê?
Porque és o Lenny Bruce.
Nunca vai haver outro. Vamos recuperá-lo.
Lenny, o Slim está aqui.
Guarda esses favores.
Usa-os para quem valha a pena.
Parabéns pelo Dick Capri. Ele é um bom comediante.
Susie.
A Midge está aqui?
Não, sou só eu.
Então?
Não.
- Falaste-lhe do Albert Grossman? - Ele está de rastos.
- Queres entrar e... - Não.
Vou estar em Los Angeles no próximo mês. Se ele estiver lá, volto a tentar.
Anda. Vamos embebedar-nos.
A Maravilhosa Sra. Maisel
NOVA IORQUE 1961
Amiga, acorde.
Vá lá, vá dormir para casa.
Pronto, mexa-se.
Pare!
Pare você.
Ouça.
Não me está a ouvir.
E vão libertá-la?
Ela joga póquer com o chefe.
Sinto-me muito segura.
Assine aqui.
Obrigada.
Obrigada.
Olá.
Obrigada por vires.
Tens tudo?
Só precisamos de saúde, certo?
Vamos.
H & H TARTES - BOLOS
- Toma. - Obrigada.
Queres mais alguma coisa?
Queres contar-me o que se passa?
Está bem.
Então! Raios!
Desculpe.
- Pedi-lhe para te meter no programa. - O quê?
À Hedy. Pedi-lhe, como um favor, para te meter no programa.
Obrigada.
Não sei se vai fazê-lo, mas eu pedi.
Ela deve-me uma, portanto, devia.
Talvez se sinta culpada com tudo.
Às vezes, as pessoas sentem-se culpadas.
Mesmo que não o demonstrem, certo?
Claro. Às vezes.
Sei que nunca queres falar sobre assuntos pessoais...
Pois não.
Mas estás tão perturbada.
Bem, fui presa, Miriam.
Isso muda uma pessoa.
Prosseguimos com a nossa vida.
Guardamos as coisas, não esperamos voltar a lidar com isso.
E, depois, lá estão elas.
De volta à nossa vida,
sem convite, só estão ali paradas.
Nem têm a decência de engordar
ou de ficar feias, estúpidas ou chatas.
Agora, estão louras. Louras.
Estiveram...
...envolvidas?
Eu tinha uma bolsa de estudos em Pembroke.
Tinha de servir à mesa no refeitório.
Todos os dias, uma miúda rica e os seus amigos entravam.
Sentavam-se sempre na minha secção.
E ela acenava-me a pedir cubos de açúcar.
Já tinha lá cubos de açúcar, mas não importava.
Ela chamava-me a pedir cubos de açúcar.
Todos os dias.
Finalmente, fartei-me. Disse-lhe para se ir lixar.
Não estava ali para a entreter ao jantar.
Então, ela olha para mim e diz: "Mas eu só queria falar contigo."
Foi isso.
Oito palavras que amaldiçoaram a minha vida.
Para que fique bem claro, vocês andaram juntas?
Ou seja, o que é que ela viu em mim?
Não. Claro que não. Sei exatamente o que é que ela viu em ti.
Era uma combinação anormal. Eu sei. Era estúpido.
Ficávamos ridículas juntas.
Eu tinha um chapéu tapa-orelhas quente, com pelo.
Quando o usava, parecia o cão dela.
Parecia que me estava a passear.
Sei que isso não é verdade.
Estávamos sempre a discutir.
Odiava os amigos dela. Ela odiava ir a clubes.
Nunca conheci a família dela. Ela nunca conheceu a minha.
Mastigava de forma estranha.
Apanhava-a a desenhar-me quando não estava a olhar.
Passava horas a pentear-se. Aborrecia-me de morte a falar sobre arte.
Mas também era inteligente e engraçada.
Eu acreditava mesmo nela
quando disse que íamos para o Egito após a universidade,
alugar camelos a turistas ricos.
Íamos adotar quatro dos miúdos mais feios do mundo
e criá-los para serem pretensiosos e arrogantes.
Para confundir toda a gente.
Bem, no terceiro ano, a mãe dela levou-a para Paris
e ela voltou noiva.
Não se casou com ele, mas acabou.
Desisti da universidade e mudei-me para Nova Iorque.
E queimei a porcaria do chapéu.
Susie. Lamento muito. Não sabia.
Se soubesse, nunca te teria pedido para falares com ela. Nunca.
Não. Sou tua manager.
Tinhas razão. Tinha de ser feito.
Foi a única vez que te apaixonaste?
- Não disse que me apaixonei. - Está bem.
Mas, sim. E a última.
Acho que vais voltar a apaixonar-te.
De certeza que terá o mesmo resultado desastroso.
Porque dizes isso?
Já foste loura?
Sim. Na universidade. Durante algum tempo.
Pois. Bem me parecia.
Rose, acho que fomos enganados.
Nenhum dos miúdos está doente.
De que estás a falar?
Ouvi-os a rirem-se de nós por termos caído no esquema deles.
Chamaram-nos patetas e tolos.
Toquei na cabeça do Ethan. Estava a arder.
Aparentemente, meteu a cabeça
debaixo de água quente durante dez minutos.
- O quê? - A ideia foi da Esther.
Ela orquestrou tudo.
Isso é terrível. Deviam ser castigados.
Concordo. Vou para o Voice.
Não vais castigá-los?
Tenho uma reunião editorial.
Estás a sugerir que seja eu a castigá-los?
Não. Não exageres. São pequenos. Mas chamaram-nos patetas.
- Boa, a mãe deles pode fazê-lo. - O quê?
- Disciplinar os teus filhos. - Pelo quê?
Fingiram-se doentes e chamaram-nos nomes.
Na cara? Que ousadia.
Agora, esfregam-nos isso na cara.
Diz aos teus colegas de trabalho que isto é uma casa,
não um call center.
Não faço ideia, mãe.
Têm ligado a manhã toda. Seis vezes, para ser precisa.
Disse ao Alvin que voltava esta tarde. Ele sabia.
Diz-se que as crianças que mentem tornam-se criminosas violentas.
Tenho de mudar de roupa.
Não estás preocupada?
Nem por isso.
Achei que, como mãe deles, quererias fazer algo em relação a isso.
Como o quê?
Como queres que saiba?
Aí tens. Aprendi com a melhor.
Tiveste calma com a campainha, Alvin.
Tenho ideias como o View-Master só ter imagens de Klamath Falls.
- Alvin. - Sim?
Fica a saber que cheguei a tempo todos os dias.
- Bem... - Suficientemente a tempo. Todos os dias.
Não ligo a dizer que estou doente. Não venho de ressaca.
- Porque olha para mim? - Fico para os programas,
vou a todos os eventos, dou-te amendoins no Toots Shor.
Certifico-me de que vocês comem, que as natas foram vendidas neste século.
Encubro-vos quando estão com o corretor de apostas.
Portanto, se eu precisar de duas horas
para lidar com um assunto pessoal, aceitem isso
sem ligarem constantemente como a mulher do Adam.
Tenho dois filhos e pais idosos.
Tenho responsabilidades que, às vezes, exigem a minha atenção.
Os teus filhos estão mal?
Não. Para além de se tornarem sociopatas, estão bem.
A questão não é essa.
São os teus pais?
Eles estão bem.
Só digo que não têm em conta
que eu tenho filhos e pais extremamente velhos.
Foste às compras?
Porquê, Mel? Porque sou mulher? As mulheres só vão às compras?
Não, mudaste de roupa desde esta manhã
e tem uma etiqueta.
Está bem. Sim. Este vestido é novo, mas não fui às compras.
E eu não te liguei.
Então, quem foi?
Midge, tentei ligar-te. O Gordon quer falar contigo.
Claro.
Ela disse que os filhos eram sociopatas?
Gordon, está aqui a Midge.
Dás-nos um minuto, Mike?
Claro.
O que aconteceu com o Paar?
- O quê? - Contratou-te?
Não.
- Estava lá? - Sim.
- Então, viu-te. - Sim.
- Não o impressionaste? - Fui ótima.
Acho que este "Vais ver" vai ter de esperar um pouco.
Não faz mal. Sou paciente.
Paciente? Que engraçado.
Por isso é que pediste favores?
Que favores?
Pois. Claro.
Está bem, ganhaste. Vais entrar no programa.
No programa? Neste programa?
Esse mesmo.
A sério?
- Esta noite. - Esta noite?
Vais entrar no programa esta noite.
- Algum problema? - Não, nenhum.
- Não é conveniente? - Não.
A tua miúda já falou com a minha?
- Não. - Posso parar o programa
até decidires.
Esta noite é ótimo. Melhor noite de sempre. Adoro.
- De certeza? - Sim.
- Estou empolgado. - Vê-se.
Incomoda-te eu estar empolgado?
Estou empolgada por estares empolgado.
Pronto, acho que é tudo.
Gordon?
Sim?
Até logo.
Até logo.
Queres que feche a porta?
Sim. Senão, quando atirar o copo contra ela,
vai voar para o escritório e acertar em alguém. Processos.
- Claro. - É preciso pensar nestas coisas.
É por isso que és o chefe.
Sim. O chefe. Sou eu.
É demasiado obscuro.
Não. Se perguntar à minha mãe...
Alvin, tenho de ir para casa.
Acabaste de chegar.
Eu sei. Vou mudar de roupa.
- Acabaste de mudar. - Vimos a etiqueta.
- Preciso de outra roupa. - Porquê?
Vou entrar no programa esta noite.
- O quê? - Como?
- O que aconteceu à regra? - Mudou?
- Alvin? - Isso é uma treta.
- Mas que raio? - Mas que porra?
Não fiquem tão felizes por mim. A sério. Sou capaz de chorar.
Vou entrar no programa e estou com roupa de trabalho.
Preciso de roupa de espetáculo. São muito diferentes.
Como?
Podia explicar,
mas haverá termos como "pregueado" a circular.
Vai. Por favor.
Eu não teria de mudar de roupa se entrasse no programa.
- Puxa. - Estou a puxar. Não se mexe.
- Tenta abanar. - Se abanares, vai cair.
- Não se mexe. - Precisamos de um esquilo.
Para fazer o quê, Maggie?
Para ir ali buscar o pacote.
Um esquilo treinado.
Precisamos de um esquilo treinado. Percebi bem?
Mal não faria.
Isto não se mexe.
Merda! Lembras-te de quem era o envelope?
O mensageiro só disse: "Entrega para Susie Myerson e Sócios."
Não te ocorreu dizer-lhe para andar um metro para a esquerda
e deixá-lo mesmo na Susie Myerson e Sócios?
- Não. - Porquê?
Porque temos o balde!
O balde é divertido.
É assustador
porque somos as mais inteligentes no mundo do espetáculo.
Gostam do meu vestido?
Porque não estás a trabalhar?
Gostas?
Miriam, por favor. Uma coisa de cada vez.
Achas que este vestido diz:
"Vou entrar no The Gordon Ford Show?"
Claro.
O quê? Vai-te lixar!
Não, vai tu.
A sério?
Sou a Antígona sem o riso.
Não acredito. O que aconteceu?
O Gordon chamou-me e disse-me que vou entrar no programa. Hoje.
Credo! Em cima da hora.
- Estava chateado. - Porquê?
O que achas?
- Ela pediu-lhe. - Acho que ela lhe pediu.
Raios me partam!
Não gostou que passássemos por cima dele.
Azar. É o que fazemos quando há um veado morto
no meio da estrada.
Passamos por cima dele, cortamo-lo e fazemos um estufado.
Vou entrar no programa.
Vais entrar no programa.
- Vou entrar no programa. - Vais entrar no programa!
Tenho de encontrar a minha mãe. Desta vez, não vai evitar.
Ela vai ao estúdio e vai aguentar.
É entretenimento
- Que linha posso usar? - A dois.
- Estou no teu escritório. - Está bem.
Tu. Pega no teu Rolodex, liga a toda a gente que conhecemos
e diz-lhes para verem o programa.
Tu. Procura o tal esquilo.
É para já.
- Concentra-te. - Concentro-me. Sim.
Viemos buscar 12 uniformes para o restaurante. Só 12.
E só os uniformes que combinámos na semana passada.
Trouxe a foto.
Nunca digas logo que sim.
Vão tentar impingir-nos o inventário, como da última vez.
Peço desculpa. Não sei o que pensei
que íamos fazer com aquelas saias.
A minha mãe é vigarista.
Não nos deixes sozinhos.
Localizei os uniformes. Estavam escondidos lá atrás, claro.
Achei que teriam truques novos.
Passa-se mais alguma coisa.
Há homens a catalogar tudo.
O quê? Para quê?
Não sei, mas vou descobrir.
Mãe? Pai? Estou aqui.
Espera, Joely.
Sim, vamos já.
Sabes, não é demasiado tarde para ir à Macy's.
Meu Deus!
Não te deixes enganar.
Têm bengalas.
Qualquer um pode ter uma bengala.
Olá, Joel.
Dá-me um beijo daí, Joely. Estou frágil.
O que aconteceu?
É uma longa história.
Eu tenho tempo.
Está bem. O Manny está na Florida a visitar a irmã.
Então, o Moishe tem acordado cedo para abrir a fábrica.
Enfim, acordei. Estava no banho. Deixei cair o sabonete.
Dobrei-me para o apanhar e, de repente...
- Caí. - Credo, pai!
Caí com força. Então, chamei a Shirley.
Shirley!
- Eu estava na cama, a dormir. - Ferrada.
De repente, ouvi o Moishe a chamar-me.
Estava escuro. Estava frio. Eu não tinha nada vestido.
- Nada. - Mãe, por favor.
Peguei na primeira coisa que encontrei e fui a correr.
Moishe!
Quando ele caiu, salpicou água pelo chão.
Caí como uma pedra.
E essa pedra caiu em cima de mim.
Pensei que tinha partido tudo. Tinha o casaco encharcado.
Era como ter um iaque molhado em cima.
A empregada de limpeza só vinha mais tarde.
Ficámos ali.
E falámos.
Falámos sobre tudo.
O que se faz numa situação assim para além de morrer?
Há anos que não falávamos assim.
E, pela primeira vez, eu ouvi mesmo.
E eu também ouvi.
Foi um momento fantástico.
Amo-te tanto!
A tua mãe convenceu-me de que estava a ser parvo.
Há mais na vida do que a fábrica.
E, já que não estou a guardá-la para ti...
O Moishe vai reformar-se.
O quê? A sério?
Vou vender o negócio. Vai tudo.
Assim de repente?
Às vezes, é preciso cair no banho para tudo se tornar muito claro.
A vida é preciosa. E nem tudo gira à nossa volta.
Temos de pensar nas outras pessoas na nossa vida.
E os trabalhadores?
Que se lixem! Enfim, a notícia é que me vou reformar.
Assim que conseguirmos andar,
vamos vender a casa e comprar um apartamento em Boca.
Bem, estou estupefacto.
Mas feliz?
Se estão felizes, eu também.
Sr. Maisel! Desculpe, tem uma chamada.
Eu? Está bem. Volto já.
Arch! Vem cá.
Vamos falar sobre aqueles uniformes.
Eu sei...
- Estou? - Olá! Desculpa incomodar-te.
Não. Por favor, distrai-me.
Vou entrar no The Gordon Ford Show esta noite.
O quê? Midge, isto é incrível!
Eu sei. Não acredito.
Até tenho medo de o dizer em voz alta. Pode desaparecer.
Não! Não vai desaparecer. Isto é importante.
É a oportunidade que eu esperava.
Estás pronta?
É bom que esteja, certo?
Ouve, se precisares de falar de mim, de nós, de qualquer coisa, avança.
Não me importo.
- Joel, eu... - A sério.
Adorava continuar a viver em Nova Iorque, mas não faz mal.
Alguma vez te disse que és incrível?
Sim. Muitas vezes. Mais do que mereço.
Queres vir ao estúdio?
Ver-me a falar mal de ti na televisão?
A sério?
Sim. Gostava que estivesses lá.
Não o perderia por nada.
Às 20:30.
Deixo os bilhetes no nome "aquela que escapou".
Parte uma perna.
Adeus, Joel.
Pronto. Vou para o estúdio.
Espera, vou contigo.
Pode esperar? Midge, cotovelo.
- O quê? Merda! - O que foi?
Merda! É merda. Merda de pombo.
O quê? Porra! Encostaste-te ao parapeito?
Não podes encostar-te ao parapeito. O parapeito é dos pombos.
- Tenho de mudar de roupa. - Vestes um dos meus fatos?
Não posso ir assim.
Espera, podemos passar na Bergdorf's?
Não vais às compras. Ninguém tem tempo para isso.
Teriam de adiar uma semana.
Tenho vestidos debaixo de olho. Um pode resultar.
Vou buscá-los. Vai para o estúdio.
- A sério? - Vai!
Porque deixas os pombos cagarem no parapeito?
Porque são pombos.
O mundo deles é pequeno. Dá-lhes qualquer coisa.
"O meu melhor conselho para as raparigas que querem ter filhos
"é: 'Vivam com os vossos pais.'"
Talvez.
"Os meus filhos já não são bebés, o que é triste para uma mãe.
"Tenho de ouvir a opinião deles sobre..."
Muito laranja. "As roupas parvas que lhes visto."
Não.
"O meu filho acha-me graça.
"A minha filha acha que é adotada." Muito escuro.
- A piada? - O eyeliner.
Não queres ser tu a fazê-lo?
Tu és a profissional.
"Perguntam-me porque faço comédia à noite
"com dois filhos em casa." Não.
"Eu respondo que é porque eles não se sabem rir." Não.
Será que devia falar dos miúdos?
As crianças são relacionáveis. Estão por todo o lado.
Será que vão odiar uma mãe que faz piadas sobre os filhos?
Não. Porquê?
Uma mãe devia amar os filhos
e ser branda, carinhosa e essa treta...
- Deixa-me... - Sim.
Já os tenho. Reforçaram os colchetes e os botões
para não haver surpresas na televisão.
Não sabia como estavas de meias,
por isso, trouxe uns pares extra.
Dinah, casas comigo?
Não caso com uma comediante.
- É justo. Quanto te devo? - Nada.
Não vais pagar por isto.
Não vou pagar por isto.
Eu não vou pagar.
Ninguém vai pagar.
Disse-lhes que ias usar um no The Gordon Ford Show.
Desde que fales da Bergdorf's, é grátis.
A sério que não casas comigo?
Vamos voltar à ordem do número. O tempo está a passar.
Devia tirar as coisas sobre os miúdos.
Certo, mas sabes que, quando abrires a boca,
a primeira coisa que vai sair é: "Odeio crianças, chupem-me a pila."
Acho que essa não vai ser a primeira coisa.
Midge! Sucesso!
Excelente!
Está na linha da Millie.
Este.
- Vocês são difíceis de encontrar. - De que estás a falar?
Estive à vossa procura.
- Estou no trabalho. - Agora, já sei.
Então, mistério resolvido. Adeus, Miriam.
Tentei falar com a mãe, mas ela tem estado ao telefone
e não estava em casa há bocado.
Porque foste a casa?
Fui mudar de roupa.
- Outra vez? - Sim.
Pela segunda vez hoje?
Sim. Terceira, quando a Dinah chegou com o vestido da Bergdorf's.
Preciso que alguém jovem ouça isto e me explique.
Ouve, tenho notícias fantásticas.
Vou entrar no The Gordon Ford Show esta noite.
A fazer o quê?
Stand-up.
És uma convidada?
Sou uma convidada.
Bem, raios me...
Queria falar com a mãe
porque tenho dois bilhetes para vocês.
Entramos em direto às 21:00,
logo, têm de estar sentados às 20:30.
Às 20:30. Está bem. Lá estaremos.
Ótimo. Tenho de ir.
Estou sentada no escritório em roupa interior...
Já chega.
- Mas eu... - Nem uma palavra. Até logo.
- Espera, Miriam? - Sim?
Isto é mesmo fantástico.
Obrigada, pai.
O monólogo não se escreve sozinho.
Rose!
Rose!
Não, para aí. Acabei de pôr tudo no lugar.
Vamos! Temos de ir.
Aonde?
Recebi uma chamada da Miriam.
Ela vai entrar no The Gordon Ford Show esta noite.
Vai fazer o número dela.
Bom para ela.
Temos de estar lá às 20:30.
Logo, faz o que tens a fazer para sair de casa porque temos de ir.
Não vou.
Como assim, não vais?
A Miriam vai aparecer na televisão.
Se ela quisesse que eu fosse, ter-me-ia ligado e convidado.
Ela ligou-te a convidar-te. Vai tu e conta-me como foi.
Ela disse que tentou ligar-te e a linha esteve ocupada quatro horas.
E tu acreditas?
Porque mentiria?
Porque é uma mentirosa compulsiva, como os filhos dela.
Isso não é verdade.
Durante quanto tempo nos mentiu que fazia comédia stand-up?
E sobre a Susie ser canalizadora?
Quando ligou na festa de aniversário falsa do Ethan,
disse que estava em Praga e estava em Nova Iorque.
E eu não estive ao telefone quatro horas.
Não sou uma miúda de 14 anos a planear fugir com o Elvis.
Talvez o telefone tenha um problema.
O telefone não tem problema nenhum. Estive em casa o dia todo com ele.
Eu saberia.
Talvez estivesse fora do descanso.
Nem pensar que o telefone estava...
Isso não prova que alguém tentou ligar.
Estou?
Rose! Estou a tentar ligar há quatro horas.
A Midge vai entrar no Gordon Ford. Ela tem bilhetes para vocês.
Obrigada por ligares, Joel.
Têm de estar lá às 20:30. O programa começa às 21:00.
Está bem, Joel.
- Às 20:30. - Obrigada, Joel.
Tenho de te ouvir dizer que vais.
Estou?
Rose! Finalmente! Estou a tentar ligar há horas.
A Miriam queria que ligasse para garantir
que sabias que ela vai atuar no The Gordon Ford Show esta noite.
Eu sei...
Dizem para estarmos lá às 20:30, mas eu diria 20:15, para prevenir.
Dão muitas coisas grátis às 20:15.
Discos voadores, pegas, copos de vinho com duendes...
Adeus, Shirley.
Estou?
Olá, Sra. Weissman?
Meu Deus! Gosta muito de falar ao telefone.
Não estava...
A menina Miriam está a tentar falar consigo.
Ela vai ser engraçada esta noite no Gordon Ford.
- Tem bilhetes. - Porque estás a sussurrar?
O Janusz não quer que fale mais convosco.
Diz que são vampiros que nos sugam a vida.
Zelda? Com quem estás a falar?
Isto não aconteceu. Adeus.
Está bem, então...
Fala a Rose Weissman.
- Apanhei-a. - Finalmente, passaram horas!
- A Midge queria dizer-lhe... - Vai entrar no programa.
Sim. É para estar lá...
Às 20:15 se quiser um disco voador. Eu sei. Já ouvi. Obrigada.
- Quanto tempo temos? - Uma hora.
Vamos!
Não percebo porque não pediste ao Antonio para nos chamar um táxi.
Não havia táxis para chamar.
Claro que não, não o deixaste apitar.
- O quê? - O apito dos táxis.
Quando ele apita, os táxis aparecem.
Têm de já estar ali para ouvirem o apito.
O apito não é mágico.
O Antonio não é um feiticeiro. Isto não é Nárnia!
Céus!
Já sabemos porque não havia táxis em frente ao edifício.
Estão todos aqui.
Procura uma luz.
Não vejo nenhuma luz. Tens um apito?
Olá! Homem do táxi?
Desculpe. 30 Rockefeller Center?
- Não levo passageiros. - Porquê?
- Mudança de turno. - O que disse ele?
Não leva passageiros.
Porque não usaste o apito.
Eu tentaria ir de metro, amigo!
- Desculpe, está disponível? - Não. Mudança de turno.
Desculpe, precisamos de um táxi. Então? Quase me atropelava o pé.
- Desculpe, está disponível? - Não.
Desculpe!
Táxi!
Desculpe, precisamos de um táxi.
Mudança de turno.
Não percebo porque mudam todos de turno ao mesmo tempo.
Como nos deslocamos?
Está disponível? Vamos para o 30 Rockefeller Center.
- Boa sorte. - Desculpe! Precisamos de um táxi.
- Não temos um apito. - Desculpe.
Desculpe, precisamos de um táxi.
Sei que há uma mudança de turno...
- Desculpe... - Não.
A minha filha vai aparecer na televisão.
- Pago dez dólares para não mudar de turno! - Não.
Ela ligou e o telefone estava fora do descanso. Eu não sabia.
Mas a minha neta já consegue alcançá-lo.
Tenho dez dólares se não mudar de turno.
Não, lamento.
...a relação desde que o marido a abandonou e se tornou comediante.
Eu esperava que fosse uma fase, mas, aparentemente...
Vinte dólares por uma boleia, mais o custo da viagem.
E, se alguém na sua família precisar de explicações
de álgebra avançada, de equações diferenciais
ou de uma crítica teatral positiva no Village Voice,
posso fazer com que aconteça.
O que se passa com a indústria dos táxis?
Ofereci dinheiro e serviços a este homem...
Ofereci a minha aliança àquele e nada.
Mesmo assim... Espera, o quê?
Olhou para mim como se fosse louca.
Como pudeste oferecer-lhe a aliança? Pertenceu à minha bisavó!
Não mudes de assunto.
Era uma relíquia de família. Era inestimável.
Ela nem o usava.
Coseu-o à peruca para ninguém o roubar.
Um autocarro! Vejo um autocarro! Quem me dera ter um apito!
- Espere! - Por favor, pare o autocarro!
- Espere! - Por favor, pare!
Pare! Não se mexa!
Por favor, espere!
Desculpe, Sr. Condutor! A minha filha vai aparecer na televisão!
Muito bem! Preparem-se para a oferta de discos voadores do Gordon Ford!
OS SEUS NÚMEROS DA SORTE SÃO O 46, O 24, O 11, O SEIS E O CINCO
Aqui tens. A ordem do teu número. Tudo certinho. Consegues ler?
- Sim. - Eu passo-lhe.
Posso adiar o jantar com o Shel. Faço-o?
- Porque vou jantar com o Shel? - Porque disseste.
Odeio o Shel. Cancela o jantar com o Shel.
Acho que essa é a melhor ordem.
Estás a mexer na melhor ordem enquanto estou a dizê-lo!
Essa ordem é melhor. Espera!
Tenho de jantar com o Shel.
- Cancela o cancelamento. - O jantar está de pé!
Alan Shepard! Um herói americano. É um prazer recebê-lo.
É um prazer estar aqui.
- Vejo que recebeu o nosso cesto. - Sim. É grande.
Queríamos que conseguisse vê-lo a partir do espaço.
Peço já desculpa se houver piadas
sobre homenzinhos verdes ou se gritarem "ligar propulsores"
durante o programa.
Autografe uma foto para a minha mulher e será perdoado.
Combinado. Até já.
- Maisel. - Gordon. Olá.
Estou muito entusiasmada com esta noite.
O que tens vestido?
O quê? Um vestido? É uma pergunta com rasteira?
Parece chique.
Não sei. Vou fazer o meu número no The Gordon Ford Show.
Isso pedia algo chique.
- O teu número? - Sim.
Não vais fazer o teu número.
Então, vou fazer o número de quem?
Espero que não seja o do Buddy Hackett. A equipa dele chateia-se.
Deixa-me esclarecer isto. Não vais atuar.
Vens como argumentista.
Argumentista?
Vê se arranjas uma camisola para pôr por cima.
Susie.
Sr. Ford.
Sr. Ford, Susie Myerson, manager da Midge.
Sei quem és.
A minha cliente achava que ia atuar no programa, esta noite.
Quem lhe deu essa impressão?
O senhor deu-lhe essa impressão.
Eu disse que ela ia entrar no programa, e vai.
- Mas não como comediante. - Não.
Mas ela é comediante.
Aqui, não. Aqui, é argumentista.
Ela vai como argumentista.
O que significa isso? Vai apanhar hemorroidas?
Vou apresentá-la como minha argumentista,
fazer perguntas, ela vai responder e é tudo.
- Porquê? - Porquê o quê?
Porque vai apresentá-la como argumentista? Quem quer saber disso?
É uma peça de interesse humano.
Como um panda que dá à luz num jardim zoológico, mas não tão giro.
Ela não é um panda.
Ela não tem de entrar. Posso levar o Mel.
Ele parece um panda, funciona melhor.
- Gordon... - Tenho de ir.
Vemo-nos ali. Ou não.
Mas que raio?
Mike!
Mike!
Mike!
Mike!
Mike!
Mike!
Mike!
Mike!
Mike!
Mike!
Mike!
- Mike! - Meu Deus! O que foi, Susie?
O que raio queres?
Ele disse que ela ia atuar e agora não vai.
Não vai? Ela está no quadro.
Não produzes esta merda? Porque não sabes nada?
Porque está aqui se não vai entrar?
Ela vai entrar, mas vai entrar como um panda.
Desculpa, o quê? Num fato?
- Um panda metafórico. - Não sei o que é isso.
Isto é uma treta!
As decisões importantes são do Gordon.
Ele diz que quer entrevistá-la como argumentista.
O que significa isso? Vai apanhar hemorroidas?
Foi o que eu disse!
Parece uma autêntica merda.
Resolve isto, Mike.
Verei o que posso fazer.
Resolve isto agora!
Já disse que verei o que posso fazer!
Um minuto, senhoras e senhores.
- O que é isso? - Ideia de última hora para a abertura.
Está melhor. Dá-a ao Teddy.
Parece haver confusão em relação ao lugar da Midge.
Não te metas nisto.
Já estou metido! Sou teu produtor.
Mudei para uma peça de interesse humano. Entrevista rápida.
Está bem, mas...
O programa vai começar.
O pódio não pode ficar vazio.
...menos de um minuto para entrarmos no ar.
O programa desta noite vai ser ótimo.
Estamos prestes a começar, mantenham a energia.
O programa é uma transmissão em direto...
Rose! Abe! Aqui!
Shirley! Onde está o Moishe?
Está a tomar analgésicos. Pensou que era a Eva Peron
e deixei-o em casa. Toma, tenho discos voadores para vocês.
Rose! Abe!
- Olá! - Olá!
Desimpeçam os corredores.
Se tiverem de sair, não façam barulho.
As saídas de emergência são atrás, dos dois lados.
Tirando isso, façam muito barulho
para mostrar ao Gordon que estão felizes por estar aqui!
Pronto. Cá vamos nós!
Muitos aplausos! Cinco, quatro, três.
Senhoras e senhores, é o The Gordon Ford Show!
Os convidados desta noite são o astronauta Alan Shepard,
a sensação da Broadway, Carol Burnett,
e uma visita especial de uma argumentista do Gordon Ford!
Aqui está ele, Gordon Ford!
- Sr. Shepard? - Certo. Pronto.
Boa sorte.
Obrigada. É bom tê-lo de volta à Terra.
O Gordon Ford é um génio!
Alguém está a ser tímido
Isso não se faz, não a mim
Não vês
Que estou tão envergonhada como tu?
E compreendo o teu ponto de vista
Sempre fui tímida
Confesso, sou tímida
Não vês que este ar confiante
É uma máscara que uso porque sou tímida?
E podes ter a certeza
No fundo, sou recatada
Apesar de algumas pessoas o negarem
No fundo, sou calma e pura
Por muito má que seja esta noite, gostei muito das nozes do Alan Shepard.
Midge? Olá, Midge? É a Midge?
Aquela é a Midge.
Ótimo, obrigada.
Midge? Olá. Sou a Plum.
Eu sei. É um nome de família frutado.
Podemos ajudar, Plum?
Não. Eu é que vim ajudar.
Sou a tua contrarregra para a noite.
Como assim, a minha contrarregra?
O verdadeiro contrarregra está a gerir o programa,
então, encarregaram-me a mim.
Não trabalhas nos perdidos e achados da pista de gelo?
Hoje, não!
Vamos?
Não eu, senhor
Então quem, senhor?
Onde, senhor, e quando, senhor? Não podia estar mais tensa
Então, vamos a isto, homem
Vamos divertir-nos, homem
Falta-me um...
Falta-lhe um homem
Homem
Carol Burnett, senhoras e senhores.
Fantástico, Carol. Estou ansioso para ver o que fazes a seguir.
Voltamos já, depois de uma palavra do nosso patrocinador.
Saímos!
Espere aqui.
Está bem, por aqui.
Tens de te sentar num banco? O sofá está ali.
O sofá é para os convidados a sério.
Eu não posso apoiar as costas.
O banco está à frente da câmara. Ainda podes fazê-los rir.
Não tem de ser totalmente mau. Logo, peito...
- Não. - Certo.
Argumentista no banco.
Ficas à esquerda para o Gordon voltar para a secretária rapidamente.
Percebido.
- Está bem. - Obrigado.
- Olha para ela ali! - Rose, olha! É a Miriam!
Midge, aqui!
Miriam! Encontrei a tua mãe!
O telefone estava fora do descanso!
Fui a casa buscá-la!
Apanhámos um autocarro! Foi doloroso!
É a ex-mulher dele.
Voltamos em cinco, quatro, três.
Voltámos.
Este é o The Gordon Ford Show e eu continuo a ser o Gordon Ford.
Por muito que gostasse de ficar com os louros
de tudo o que acontece aqui, não posso.
Há um exército de homens e mulheres a trabalhar nos escritórios lá atrás
para eu poder chegar aqui e parecer espirituoso.
Achei que talvez quisessem conhecer um deles esta noite.
Gostavam?
Ajudem-me a receber no The Gordon Ford Show
a nossa argumentista residente.
Senhoras e senhores, apresento-vos a Midge.
- Olá, Midge. - Olá.
Estás no programa há cinco meses.
Tenho de perguntar o que todos estão a pensar.
Nas tuas palavras, o que pensas do chefe?
É ótimo, Gordon.
- Bonito? - Muito.
- Charmoso? - Como um príncipe.
Um malabarista talentoso? Bom com crianças?
Tudo isso.
A Midge é uma de seis argumentistas na minha equipa.
Talvez estejam a perguntar-se
o que fazem os argumentistas de televisão?
Reúnem-se todas as manhãs na sala dos argumentistas,
comem bagels, bebem café, leem os jornais,
fingem que sabem como atirar uma bola
e, por esta altura,
começam a pensar no monólogo.
Sempre preparados.
Os teus olhos estão a queimar-me a cabeça.
É melhor isso do que os tomates.
Midge, como argumentista residente, deixa-me perguntar-te,
qual é a diferença entre um argumentista e uma argumentista?
Enquanto pensas, vamos conhecer os outros.
Jerry, vira a câmara.
Senhoras e senhores, o Ralph Emerson, o Cecil Green,
o Adam Portnoy, o Mel Rubens e o argumentista-chefe, o Alvin Blank.
Os argumentistas do The Gordon Ford Show.
O meu bando de homens alegres.
Olá.
Vira outra vez.
Pronto, onde estávamos?
Sim, a diferença entre homens e mulheres argumentistas.
As mulheres escrevem mais piadas sobre cavalos, Gordon.
E sobre envenenar os maridos.
E queremos ser abraçadas após darmos uma ideia.
Muito bem. Agora, uma palavra do patrocinador.
- O quê? - O quê?
- Vai para a publicidade. - Que publicidade?
Encontra uma publicidade.
É tudo?
Deixa-os a querer mais.
Vamos para publicidade, senhoras e senhores.
Fica no banco.
Ainda te faltam quatro minutos.
Anunciei a publicidade.
Eu sei. Mas não devias.
Só daqui a quatro minutos.
- Antecipei-me. - Quatro minutos.
Acabo o programa depois da publicidade.
Tens quatro minutos depois da publicidade.
- Estás a ouvir? Disse-o várias vezes. - Improviso.
Durante quatro minutos? Quem és tu, a Mae West?
- O que queres de mim? - Quatro minutos.
Conteúdo. Traz outro argumentista. Entrevista o contrarregra.
Entrevista a Plum. O que raio faz ela aqui?
Nunca vão para publicidade tão cedo.
Faltam três minutos e 56 segundos deste segmento.
Eu cronometro.
O que raio faz ela num banco?
Correu tudo mal.
O que fizeste?
Porque é que sou automaticamente... Sim, está bem, fui eu.
Pedi a uma amiga para convencer o Gordon.
Como ele é um bebé motivado pelo ego e pelos tomates pequenos,
mudou-a de um número de stand-up para o banco.
Depois, ela fez o público rir
e acho que ele cagou a fralda.
Está bem. Faço mais quatro minutos de banco. Contente?
Ela tem graça, Gordon. Tu é que a contrataste.
Porque achaste que tinha graça.
Mais quatro minutos após a publicidade.
- Mas... - Midge, por favor.
Mais quatro minutos e, depois, podemos embebedar-nos, dormir
ou ir de carro contra uma parede.
Eu talvez faça os três.
Está bem.
Obrigado.
- Archie. Estou aqui. - Finalmente.
Perdi tudo? O que fez ela?
Sentou-se num banco.
Boa. Ela consegue fazer isso. Olá. Somos casados.
- Miriam. - Miriam, aqui.
Miriam, tenho de dizer
que, apesar de não teres dito nada digno de nota,
é muito emocionante ver-te sentada naquele banco.
Obrigada, pai.
Miriam.
Sabes, podes engravidar se te agachares assim.
Disse-te isso uma vez e nunca me deixaste esquecer.
Porque foi uma maravilha.
Quero que saibas que estou muito comovida
por pedires a tanta gente para me dizer para vir esta noite.
Bem, devia ter sido uma noite importante para mim.
Não queria que a perdesses.
Devia ter sido?
É. É uma noite importante para mim.
Querem que volte para o lugar?
Isso é uma pergunta, Plum?
Não.
Até logo, mãe.
Midge. Boina.
Voltamos dentro de dois minutos. Mantenham-se nos vossos lugares.
Podemos discutir sobre isto amanhã. São mais quatro...
Banco.
Mike, posso falar com a Susie?
Um segundo. Literalmente.
O que foi? Estás a pensar?
Parece que tens uma pedra nos rins.
Susie, restam-me quatro minutos.
Está bem.
Quatro minutos. Estás a ouvir?
Sim. Quatro minutos.
Quatro minutos.
- Tens quatro minutos. - Quatro.
Vou dar-te um murro no nariz. Não quero saber como parece na televisão.
Estou a pensar fazer algo, Susie.
Algo impulsivo que pode correr muito mal para nós as duas.
- A sério? - Pode arruinar-nos.
A mim, sem dúvida, e a ti por arrasto.
Está bem.
Eu só...
Sessenta segundos.
O que achas?
Começaste a tua carreira a subir a um palco
sem autorização de ninguém
e a dizer merdas que ninguém queria que dissesses. Logo...
Peito para fora.
Peito para fora.
Prepara-te, Mikey.
Trinta segundos. Todos sentados, por favor.
Quero que saibas que a minha intenção não foi obrigar-te.
Esperava que, um dia, quisesses que eu entrasse.
Isto não é pessoal, é só...
Não foi feito como deve ser.
- E sabes a regra. - Sei.
Voltamos dentro de cinco, quatro, três.
Só nunca fui boa a seguir regras.
Estamos de volta com a nossa argumentista.
Midge, há uma coisa que me incomoda desde que entraste.
O café na sala dos argumentistas é muito melhor
do que no refeitório. Porquê?
Não sei, Gordon,
porque, uma curiosidade, não sou mesmo argumentista.
O quê?
Sou comediante.
Só finjo ser argumentista para ter uma casa de banho em Midtown.
Logo, porque não me levanto e faço o que vim fazer?
Aonde vais?
Vamos descobrir.
Boa noite, senhoras e senhores.
O que se está a passar aqui é um sequestro judeu.
Não há aviões envolvidos.
Ninguém quer ir para Cuba,
só exijo quatro minutos de tempo de antena e boleia para o médico quando envelhecer.
É a parte simpática dos judeus. Só sequestramos conversas.
Eu não devia estar aqui em cima neste momento, a falar convosco.
Quebrei uma regra importante quando me levantei do banco.
Mas, ultimamente, tenho feito muitas coisas que não devia.
Como tornar-me comediante. Foi uma surpresa para todos.
Especialmente, para mim.
Eu era apenas uma esposa e mãe no Upper West Side.
Upper West Side? A sério?
Os meus pais estão na audiência.
Troquem impressões sobre o estacionamento.
O meu pai tem toda uma teoria da conspiração.
Não é teoria. Há muitos judeus no Upper West Side
e poucos estacionamentos. Basta juntar as peças.
Eu era só uma esposa e mãe e, um dia, o meu marido deixou-me.
No Yom Kippur.
O dia em que os judeus jejuam para expiarem os pecados.
Foi o dia em que escolheu deixar-me. Pela secretária.
Não posso culpá-lo. Ela tinha rebuçados na mala.
Admito que foi terrível durante algum tempo.
Depois, o sol pôs-se e pude voltar a comer.
De repente, estava solteira. Não sabia o que fazer.
Então, bebi o meu peso em Manischewitz,
tropecei num palco, agarrei um microfone
e, nesse momento, tudo mudou.
Descobri a sensação de ter pessoas a ouvirem-me.
Bem, não homens, outras pessoas.
Bem, não a minha mãe, mas os outros.
Pronto, não os meus filhos, namorados,
empregados, colegas ou o novo talhante, mas estranhos. Os estranhos adoravam-me.
Sim.
Como chegaste aí?
Sou mágico.
Devia sentir-me grata por o meu marido me ter traído
com quem traiu porque ela era,
como se diz no The American Journal of Medicine, uma idiota.
Não digo isso por ter dormido com o meu marido.
Digo-o porque a vi a perguntar a uma planta de plástico
do escritório se queria água.
E esperou pela resposta.
Durante dez minutos.
Depois, perguntou à cafeteira porque estava a planta zangada.
Quando o nosso marido nos deixa por isso, alivia o impacto.
É bom que, depois da primeira festa deles,
as pessoas digam: "Em que estava a pensar?
"Ela pedia desculpa ao cinzeiro sempre que apagava um cigarro."
- Fizeram aquilo? - Sim.
Da festa.
Já estou solteira há algum tempo.
Bastante tempo.
Se voltar a casar,
a minha mãe tem de voltar a ter "a conversa" para me relembrar.
Nem sei se uma relação permanente
ainda é uma possibilidade para mim.
Quero dizer, trabalho à noite.
Chego a casa a cheirar a cigarros e álcool
com batom no colarinho. É meu.
E os homens na minha vida já não são namorados nem amantes.
São piadas.
Material para o meu número.
Se beijam de forma barulhenta ou têm alcunhas para partes do corpo,
como os pés. Vá lá. Vendemos sabão aqui.
Se discutirmos numa sexta-feira,
no sábado à noite recrio-a para os Shriners
que ficam sempre do meu lado e acham que arranjo melhor.
Além disso, tenho filhos. Dois. Um rapaz e uma rapariga.
Tenho os nomes na ponta da língua.
Somos uma casa judaica.
O meu filho foi circuncidado uma semana depois de nascer.
O trauma da minha filha tem de esperar até ter idade
para ir às compras com a minha mãe.
Bem, é justo.
Sei que, por causa da minha situação,
a minha filha vai crescer diferente de mim.
Vai ser mais forte, mais independente.
É uma palavra assustadora, "independente". Especialmente, para as mulheres.
É uma palavra que não nos devia ser familiar.
Para mim, não era. Nem para a minha mãe.
Mas, agora, estou sozinha.
Portanto, se quiser mudar o pneu... Claramente, outra pessoa vai fazê-lo.
Sou independente, não idiota.
Há meses que não falo com uma planta de plástico.
Os meus filhos. Céus! Prometo que me vou lembrar dos nomes.
Acho que é inevitável odiarem-me quando crescerem.
Como todos os pais, passo noites sem dormir a imaginar
o que eles vão dizer sobre mim aos psiquiatras.
Certo? Já fizeram isto.
"Ela não estava em casa, perdeu o meu jogo de beisebol,
"obrigou-me a ouvir o número dela durante uma semana
"e fez-nos atormentá-la durante horas para poder dar a volta por cima.
"E as nossas bebidas eram aguadas."
É por isso que tenho de ser muito famosa.
Se formos muito famosos, todos nos adoram,
até à leitura do testamento.
Ouvi uma história sobre a Mary Martin, estrela da Broadway.
O motorista adoeceu e teve de apanhar um táxi
para o teatro onde ia atuar.
Entrou e o taxista perguntou-lhe para onde ia.
Ela não fazia ideia.
Não sabia onde era o teatro nem como se chamava.
É demasiado famosa para saber.
É tão famosa que alguém vai reparar
que não está lá e vai procurá-la. Só tem de ficar quieta.
É esse tipo de fama que quero.
Em que não tenho de saber quem sou nem aonde vou.
Em que o Bob Hope vem ter comigo num restaurante e diz:
"Sou o Bob Hope. Não se deve lembrar de mim."
E eu digo: "Claro que lembro. Quero o frango."
Quero uma grande vida.
Quero experimentar tudo.
Quero quebrar todas as regras.
Dizem que a ambição é pouco atraente numa mulher. Talvez.
Mas sabem o que não é nada atraente?
Esperar que algo aconteça.
Olhar pela janela a pensar que a vida que devíamos viver está lá fora,
sem estarmos dispostos a abrir a porta e a ir buscá-la,
mesmo que nos digam que não podemos.
Ser cobarde só é giro em O Feiticeiro de Oz.
Ethan e Esther. Sabia que ia acabar por me lembrar.
Foram um público fantástico.
Quero agradecer-vos, quero agradecer ao Gordon Ford
e, sobretudo, quero agradecer à Bergdorf Goodman
do fundo do coração. Obrigada e boa noite.
Gostava que ela tivesse usado outro vestido.
Conseguiste, Miriam!
- Caramba! - Caramba!
Não fiques aí parada. Vem cá, Maisel. Vamos.
Senta-te. Agora.
De onde veio aquilo?
Sempre esteve aqui, Gordon. Só tinhas de pedir.
Bem, foi fantástico. Muito bom.
Tenho de dizer que concordo. Sem dúvida, não és argumentista.
É a coisa mais simpática que já me disseram.
O feitiço virou-se contra o feiticeiro.
Sabia que esta senhora era engraçada, mas não sabia quanto.
Obrigada por não desligares as câmaras.
Desligámos. Podes recriá-lo, certo?
Sem dúvida.
Acho que não vos apresentei como deve ser
esta senhora muito engraçada.
Vou remediar isso.
Senhoras e senhores, pela primeira vez, mas, sem dúvida, não a última,
no The Gordon Ford Show, apresento-vos
a magnífica, a mágica, a maravilhosa Sra. Maisel.
É a mãe dos meus netos.
É a minha ex-mulher.
É a minha ex-mulher.
Estás despedida.
SEIS MESES ANTES
Lembra-te, indecifrável.
Isto não faz sentido.
- Queres que te ensine a ser famosa? - Quando aprenderes.
Este não é o comportamento de alguém
que esteve a comer camarão grátis a noite toda.
Se alguém te pedir um autógrafo, devia conseguir ler o teu nome.
Não. Errado.
Se conseguirem lê-lo, vão sentir-se enganados.
Vão saber que foste à escola.
Que sabes passar cheques.
Está bem, toma. O que achas?
O que é isto?
O meu autógrafo.
Vejo claramente, pelo menos, três letras. Repete.
Quem te ensinou a ser famoso?
- Nasci famoso. - Estou a ver.
Desci o Nilo a flutuar num cesto
cheio de maquilhagem e com um exemplar da indústria.
Que história fantástica.
Fui eu que inventei.
Queres ouvir a dos gafanhotos que fazem sapateado?
Mais alguma coisa?
- Há mais alguma coisa? - Só a conta.
Obrigada pelo banquete.
Não tens de quê.
Foi uma ótima noite.
Concordo.
Ainda está a nevar?
Se estiver, não vai haver táxis.
Os comboios vão ser irregulares.
Talvez tenhas de procurar abrigo algures por perto até passar.
Já me abriguei há bocado.
Agora, tenho de me ir confessar de manhã.
A última cabine à esquerda sabe hebraico.
Que tal assim?
Boa. É quase sânscrito.
Agora, devias treinar a ignorar pessoas
que conheces quando estão
a meio metro de ti. Todos os famosos o fazem.
Porque tens tanta certeza de que vou ser famosa?
É só um palpite.
Vi o teu número. Vi-te a escapar de uma rusga policial.
Então, fugir e falar.
Tens muitos talentos.
Acho que o meu corpete te deu a volta à cabeça.
Tinha a cabeça às voltas há muito tempo.
Por isso é que não paro de puxar para a direita.
Não sei.
Espero que tenhas razão porque não tenho um plano B.
Tenho os ovos todos no mesmo cesto.
Permite-me.
Adoro um homem que me rouba a comida.
"Um holofote espera-te no centro do palco.
"Só tens de subir e reclamá-lo.
"Quando o fizeres, todos vão saber quem és.
"Vão conhecer o teu talento,
"a tua inteligência, o teu sorriso.
"Os teus grandes olhos expressivos.
"Vão ficar indefesos perante o teu charme."
Deve ser uma letra muito pequenina.
"Vão cair-te aos pés
"e venerar o teu altar e o teu corpete do espetáculo."
Posso ver isso?
Se alguém vir que sabes ler, não te deixam ser famosa.
"Os seus números da sorte são o 46, o 24, o 11, o seis e o cinco."
Está tudo na forma como se lê.
Ouve o que te digo.
Muito em breve, num futuro pouco distante,
vais ser tu a pagar a comida chinesa.
Na semana do dia 24, vai a Orlando e a Palm Beach. Essas datas estão fixas.
Depois, tem Chicago, Minneapolis e talvez Las Vegas durante duas semanas.
Tão longe, tantas viagens.
A Charo ofereceu o avião dela.
Então, tudo bem. E o Palace?
Estamos a trabalhar nisso. Continuam a falar de dezembro.
Não quero estar em Londres no Natal.
- Eu sei. - Quero estar em Nova Iorque.
Já transmitimos a mensagem.
Nunca estou em Nova Iorque no Natal e, este ano, quero estar.
Já percebi. Nova Iorque no Natal. Ponto final.
Mas, se não der noutra altura, tudo bem.
Não podem fazer nada em relação ao barulho.
Há horas que estão aos saltos lá em baixo.
Parece que a Ruby Keeler se mudou para cá.
Vou bater à porta.
Diz-lhes que a Yoko se queixou. Isso vai calá-los.
Antes de fazermos uma pausa, o que tenho na terça?
Nada.
Não vamos agendar nada?
Não, mas trabalha domingo, segunda e quarta. Quinta está em viagem.
E terça-feira?
Terça-feira pode descansar.
Vou fazer umas chamadas.
Pressiona aqui, abre o menu,
vai até ao ícone do envelope, clica e escreve a mensagem.
Porque não lhes ligo?
Às vezes, é melhor uma mensagem.
- Quando? - Quando se atrasa.
Posso ligar.
É algo engraçado que o telefone faz, como tirar fotos.
- A câmara tira fotos. - E se não a tiver?
Guardo-o na memória.
Também grava vídeos.
Tem os códigos nucleares? Posso bombardear alguém?
- Não, não pode. - E comunicar com extraterrestres?
Posso mostrar como escrever mensagens?
Podes tentar.
Vá até um número, depois, até à letra que quer.
Aproveita o telemóvel, Franklin.
Espera, tenho merda por todo o lado.
Merda literal ou metafórica?
A empregada de limpeza mudou tudo de sítio.
Não encontro os óculos da televisão.
Procura na caixa na mesa das flores.
Não finjas que sabes tudo.
Caixa na mesa das flores.
Tu não sabes tudo.
Ela não os mudou de sítio. Nunca muda.
Procura na caixa na mesa.
Um continente de distância de ti não é suficiente.
Encontraste-os?
Não.
A tua máquina gravou bem?
Sim, arranjei-a.
Confirmaste?
Confirmei. Funciona.
Agora, lembra-me, o que aconteceu ontem?
Expulsaram o tipo que não sabia
que personagem o Danny Bonaduce interpretou no The Partridge Family.
Bem, eu não saberia essa.
É o Danny, por amor de Deus.
Já a tens?
Tenho. E tu?
Tenho. Vou pô-la.
Vou pô-la.
- Ainda estou a pô-la. - Já está.
Já está.
Não carregues antes de mim.
Sempre a mesma coisa.
Temos de ouvir as respostas ao mesmo tempo.
Eu sei.
Se estiveres adiantada, ouves a resposta antes de mim.
Eu sei!
Carregamos ao mesmo tempo. Credo!
Já podíamos ter visto o programa todo.
Susie. Recebeste a minha ave?
A vermelha? É linda. Nunca vi nada assim.
Chamei-lhe Puta.
Não te agradeci?
Não tens de quê. Pronta?
Estou pronta.
Pronto, um, dois, três...
- Vai. - Vai.
Que música agradável.
Muito agradável.
O derradeiro torneio dos campeões.
Será o comerciante a retalho de Louisville, Kentucky, Chris Miller,
que ontem ganhou 10 000 dólares?
Hoje, estávamos a ver as datas,
olhei para baixo e a terça-feira está vazia.
Tenho pena da Delia.
Está completamente livre, Susie.
Quando a questionei, olhou para mim como se fosse louca.
Queres que lhe ligue?
Quero que voltes ao trabalho.
Já fiz a minha parte. Ligo-lhe amanhã.
Acho que escolho o campeão.
Está bem. Eu fico com o barbudo.
Cá vamos nós, a ronda do Jeopardy.
Vai ser um bom jogo.
Tornamo-lo mais interessante?
É interessante há 45 anos. Não sei como vamos melhorar isso.
Vamos fazer os bilionários da Forbes, para 200 dólares.
"Março foi um ótimo mês para ela.
"Estreou-se na lista da Forbes..."
- Martha Stewart. - Foi presa
porque é uma gaja, apesar de todos os gajos
que fazem o mesmo andarem por aí livres.
- Quem é a Martha Stewart? - Sim.
Acho que ele me dava aquela.
"...mas este membro septuagenário
"da família Disney continua lá." John?
- Quem é o Roy Disney? - O Roy Disney.
Ele é simpático.
Predadores para 600 dólares.
Achas que eu ficava bem de pera?
Como é que isso te ocorreu?
Bem, se houver reencarnação,
posso voltar como homem e quero ter um visual.
- És careca? - Porquê?
Porque, se fores careca, é estranho
só teres cabelo debaixo do queixo.
As peras ficam melhor com cabelo.
Isso é ridículo.
É ridículo? E esta conversa não?
Nunca imaginas como voltarias, se voltasses?
Não. Ainda tenho os parafusos todos.
Estou sempre a pensar nisso.
Quem seria eu? Onde viveria?
E se fosse um animal?
Céus!
Acho que dava um esquilo giro. Ou um cisne. Ou um cavalo selvagem.
Daria um ótimo cavalo selvagem. E tu?
Não vou voltar como coisa nenhuma.
Vá lá.
Não me importo de estar morta. Prefiro.
Qualquer animal, o que serias?
- Uma doninha. - Porquê?
Ótimo pelo, cara gira e o meu rabo seria uma arma.
- Combina contigo. - Certo?
Vou a andar pela rua, alguém choca comigo, viro-me, cauda para cima e pronto!
Consigo imaginar.
E olho por cima do ombro ao mesmo tempo.
E estás a usar o teu chapéu.
Isso mesmo, amigo, esse cheiro? És tu! Desfruta do banho de sumo de tomate!
Banho de sumo de tomate.
Sim, acrescenta um talo de aipo, vai demorar um pouco.
Um talo de aipo.
Para a próxima, vais ver por onde andas.
Sou o Pepe Le Judeu.
Está a doer. Para.
Legendas: Pedro Freitas
Supervisão Criativa: Pedro Renato Marques
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