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- A Nancy? A comida está fria. - Tem um encontro.
Um encontro? Com um rapaz?
Sim, querido, um encontro. Batatas?
- Não me distraias. - Tu adoras batatas.
- Não quero falar de batatas. - Está bem. Cenouras?
A nossa filha tem 15 anos.
- Danny... - Só quando casar.
Aí, o marido dela pode decidir.
Será que ele a deixa ir ao baile?
A Carole comprou-lhe um vestido e cortou a etiqueta.
Vai ter de a deixar ir.
Aquela Nancy é terrível.
Ainda bem que não temos filhas.
Ignora a avó. Ela está bêbeda.
Há imenso espaço para um convívio.
Se tirar a mesa de jantar daqui, posso criar uma zona para o ponche e...
- Aquele cheiro. São as cortinas? - Não. Não acho...
Gostava de poder dar-lhes aulas de dança.
Todas as raparigas deviam saber...
Espera, é a carpete?
- Já cheirei aí. - De onde vem?
- Segue-me. - Porquê?
- Vamos fazer uma corrida. - O quê?
Quero ver se ele me ganha.
Claro que ganha.
- Vai ter um ataque cardíaco. - Ainda bem que não temos filhas.
São do pior. Ignora a avó.
E o avô. Ignora-o também.
É o piano.
O piano cheira a cebola?
Só as teclas pretas.
- Shirley? - Sim?
As teclas do piano cheiram a cebola.
- E então? - Porquê?
É um piano usado.
Danny, isto é mesmo necessário?
Ele vai ao The Gordon Ford Show amanhã.
O Danny Stevens?
Meu Deus! Adoro-o.
Consegue fazer tudo.
Canta, dança, está sempre a visitar crianças doentes.
- Não se cansa. - Quanto mais, melhor.
Querem vir ao programa amanhã?
- A sério? - Adorávamos!
E os bilhetes?
Felizmente, conhecem lá alguém.
Fabuloso! Quem?
Eu. Trabalho lá.
- Não percebo. - Trabalho no programa.
Conheces quem arranje bilhetes?
Sim. Eu.
Eu arranjo bilhetes porque trabalho no programa.
Estou lá.
Não percebo.
Se arejar o piano, substituir os quadros,
deitar fora naperons e plásticos,
puser flores, almofadas e pintar, talvez...
- Vou pensar nisso. - Em quê?
Quer dar uma festa para as mulheres que lhe pagam por um marido.
Ainda bem que não temos filhas.
Safámo-nos de boa.
- Ignora a avó, querida. - O avô também.
Vamos adotar essa regra para todos.
Mais uma vez, obrigada.
Não tens de quê.
Miriam? Diz à pessoa dos bilhetes para nos ligar.
Eu arranjo-vos os bilhetes.
- Então, vão ligar? - Sim, vão ligar.
Então, qual é o veredito?
As casas de banho funcionam e há um teto.
Podes usar o nosso apartamento.
É muito pequeno. Contratei um professor de dança.
- Tens de alugar um salão. - Com que dinheiro?
Esquece o professor de dança.
Não percebes nada de amor.
Fechem os olhos. Imaginem o amor.
Veem um marido académico bem-parecido?
Filhos? Um apartamento moderno com vista panorâmica?
Ou veem um ortodontista bem-sucedido,
filhos e uma casa de estilo colonial com dois pisos nos subúrbios?
Talvez seja um empreiteiro sofisticado, robusto e forte, filhos,
numa casa de quinta renovada de cortar a respiração.
Seja qual for o vosso ideal de amor, posso ajudá-las a encontrá-lo.
Aqui, no império do romance Um Mais Um Igual a Amor da Rose Weissman,
satisfazemos todas as...
Todas as...
Todas... Não sei o que está a fazer.
Corta.
Desculpem, mas ele está a abanar os braços como se fosse voar.
O que foi?
- Rose, está incrível. - Obrigada.
O Kurt estava só a tentar dizer-lhe para continuar a andar. Lembra-se?
Tem de continuar a andar até chegar a esta marca. Está a ver?
Sim, mas parece estranho e são tantas escadas.
Está fantástica.
Posso fazê-lo ali em cima?
A luz não está ali.
Se não tivesse de...
Tem. Mas está mesmo fantástica.
Não. Miriam?
Estou a ir.
Olá. O que foi? Está a correr muito bem.
- Está? - Sim.
A equipa está a resmungar muito. Isso parece mau.
Não. 196 takes é completamente normal.
Isto é ridículo. Tenho de me deitar.
Mãe, tu querias isto, lembras-te?
Querias expandir o negócio. Querias filmar um anúncio.
Malta, está tudo bem. Estamos quase prontas.
Não sou pessoa para aparecer.
Claro que és. Certo, Eddie?
Ela está fantástica.
Ele é muito bom.
Porque não arranjamos alguém para fazer de mim?
- Quem? - A Doris Day.
A Doris Day não tem ar de Rose Weissman.
Faz tu.
A tua cara tem vestígios da minha, por isso, é quase a mesma cara.
Que forma estranha de dizeres que fizeste plásticas.
Estou a estragar tudo.
Isto tudo.
Estou a estragar tudo e a fazer figuras tristes.
Fazemos assim. Esquece a caminhada.
Ficas aqui, na tua luz,
eu fico ali e podes simplesmente falar comigo.
Fica ali, fala-me sobre o amor e como arranjar marido.
Vamos filmar.
Silêncio, por favor.
Mãe? Estás mesmo fantástica.
Um Mais Um Igual a Amor, take 197. Claquete.
Fechem os olhos e imaginem o amor.
A Maravilhosa Sra. Maisel
- Miriam? - O que foi?
O fogão não acende outra vez.
Ligaste-o?
Claro que o liguei.
Às vezes, não o ligas.
Aconteceu uma vez. Uma vez.
- Fica quieta. - O quê?
- Não és tu! - Miriam, porque estou quieta?
Não és tu, a Esther. Quieta.
Pai, prepara o Ethan para ir.
Estou ocupado com a lição de piano dele.
Ele tem de se preparar.
Não posso fazer chá.
Para, Esther.
É um bom momento para aprenderes a abstrair-te
de tudo na tua vida, menos a música.
- Fica quieta. - Preciso de chá.
Já viste o Vladimir Horowitz a segurar um brinquedo numa mão
enquanto toca Rachmaninoff com a outra? Eu respondo. Não.
- Pai! - Abe.
Não gosto disto.
Agora, ninguém está a gostar.
- Preciso de ajuda com o fogão! - E eu com o cabelo dela!
Estou ocupado com o rapaz!
Está bem, para.
Vou voltar a tocar a peça para ti.
Ouve com atenção.
É a isto que tu aspiras.
Vês como soa bem?
Ainda bem, Zelda. Esta manhã está a ser um pesadelo.
O piloto avariou.
O quê? Miriam, o piloto avariou! Abe, o piloto avariou!
Não faz mal. Arranja-se.
Miriam, arranja-se!
Abe, a Zelda chegou, diz que se arranja!
- O quê? - A Zelda vai arranjar o fogão.
O que se passa com o fogão?
O piloto avariou, Sr. Weissman!
Zelda? O que fazes aqui?
Vai arranjar o fogão!
Está bem.
Como lhe mostrei da última vez, só tem de acender um fósforo.
Segure-o aqui, gire o botão e está aceso.
Meu Deus! Tão complicado.
Não é nada complicado. Mostrei-lhe muitas vezes.
- Viu no livro? - No livro?
O livro que lhe fiz, lembra-se?
Todo etiquetado e com imagens.
Vê, aqui mesmo, em "Fogão sem chama para o chá",
está "Como arranjar o fogão sem chama".
Muito fácil. Tem uma chávena e tudo.
Felizmente, já está a funcionar.
Pode experimentar para a próxima?
Se fizer isso, expludo o edifício.
Ela já o arranjou?
Sim. Ela é um génio.
Caramba! Queria ver, para a próxima.
Está tudo no livro.
- De onde veio isso? - Não sei.
De mim. Fui eu que o fiz.
Olha, tem imagens. Divertido.
Estou mal estacionado.
Queres chá? Temos chama.
- Não. - Queres entrar?
Estou bem aqui.
Entra e senta-te.
Não quero entrar e sentar-me.
É só um minuto.
Dizes isso e depois passamos o dia todo aqui.
É preciso um fósforo?
Explodia o edifício.
Não explodia nada.
Talvez explodisse o edifício.
Então, deixa-a.
- Janusz. - Queres chá?
Não. Não me posso atrasar.
O Danny Stevens vai ao programa, o Gordon disse para darmos o nosso melhor.
Antes, tenho de ir à escola do Ethan.
Olá, Zelda. Podes resolver isto?
Claro que sim.
- Zelda. - O que foi?
Tens de parar de os ajudar.
Já não trabalhas aqui.
É o cabelo de uma menina.
Eles não sabiam que havia uma prateleira superior no armário.
Esqueceram-se de como empilhar lenha numa lareira.
Um pássaro entrou e nem se lembraram de abrir a janela para ele sair.
Eles são adultos.
Têm de aprender a desenrascar-se sozinhos.
Não conseguem!
Zelda...
No nosso país,
quando um cavalo fica coxo, torna-se inútil e abatemo-lo.
Esta casa está cheia de cavalos muito coxos!
- Zelda, podes atender? - Não!
Não atendas o telefone!
Sra. Weissman, desculpe,
mas estou confiante de que sabe atender um telefone.
Está bem.
Desculpa, mas eu sei tocar.
Um cano de chaminé é isto. Sempre me questionei.
Mais uma vez. Com sentimento.
Estou?
Temos uma caixa de fusíveis?
O quê?
Não sei porque não vai para baixo.
É do ralo.
O ralo estava bom quando eu cheguei.
- Não estou a culpar o ralo. - Nunca é o ralo.
A água está a entrar no apartamento dos Ronbauer
e a alcatifa é um caso perdido. Toma, Zelda.
- Obrigada. - "Obrigada."
Agradeço a vossa ajuda.
Ainda bem que estavam aqui.
Sim. Que sorte. Somos como duendes.
Esperem. Aqui está.
Encontrei-o. Sem dúvida, isto não devia estar no ralo.
Como foi lá parar?
Parece ter sido martelado.
Ethan!
- O que é isto? - O meu barco.
O que estava ele a fazer no ralo da banheira?
Afundou-se.
O que te disse em relação a pôr coisas em ralos?
- Nada. - Disse, sim.
- Quando? - Não houve uma coisa com um berlinde?
Foi no nariz.
E as cartas que cortaste? Não foi num ralo?
Não.
Nos teus seis anos de vida,
falámos sobre isto, pelo menos, uma vez.
Nem que tenha sido em abstrato, em teoria,
no sentido de: "Se tiveres oportunidade, não o faças."
- Está bem. - Está bem.
Então...
Eram os Mendelson do sétimo andar.
Está a entrar-lhes pelo teto.
Devias pedir-lhes desculpa. O filho deles formou-se em Direito.
Eu trato disso.
O meu evento é segunda-feira, a alcatifa tem de ser substituída antes.
Não posso expor solteiras a chão sem alcatifa. Pareceria um bordel.
A casa de banho tem de estar boa.
Senão, teria de mudar outra vez de planos. Percebes?
- Que horas são? - Diz-me que percebes.
Merda! Estou tão atrasada. Devia estar na escola do Ethan.
- Podes ir tu? - Tenho muito que fazer.
Pai? Não estás ocupado, pois não?
Esperam-me no Voice daqui a uma hora.
Não estás ocupado. Podes levar o Ethan e ficar lá para aquilo?
- O que é "aquilo"? - Os pais vão e olham para os miúdos.
Os professores indicam os lugares, alguém faz chichi.
És péssima vendedora.
Por favor. Tenho de subornar os vizinhos para não chamarem o filho advogado.
Está bem. Eu vou.
Mas aviso-te, se alguém fizer chichi nas calças,
venho-me embora. A menos que os petiscos sejam bons.
Combinado.
Pode escrever-lhe para o The Gordon Ford Show.
Não sei quanto tempo demora a responder-lhe. Ele está muito ocupado.
Faz um programa todas as noites. Isso leva tempo.
Peço desculpa, o meu filho enfiou um brinquedo no ralo da banheira,
inundou três casas de banho
e não posso tornar-me inimiga dos vizinhos do 7.º e do 8.º C.
O chão está deformado, a passadeira estragada,
a minha mãe vai dar uma festa
e está com medo que a casa de banho não funcione
e, não sei porquê, o piano dos meus sogros cheira a bialy.
Que tal as mamas da Ursula Andress?
- Qual era o assunto? - As mamas da Raquel Welch.
- Anita Ekberg. - Ann-Margaret.
O Danny Stevens. Quero dizer, não as...
Estamos a falar do Danny. Ele vai promover o livro dele.
Uma estrela dourada para ti. O Danny...
- Arranjou-me um emprego. - Bom tipo.
Sogros adoram-no.
Bem, arranjou e é.
Quero que tenha sucesso.
Os argumentistas dele devem ter material, mas estejam preparados.
- Tenho uma pergunta. - Sim, Mel.
Quanto demorará o Adam a dar o argumento dele ao Danny?
- Dez? - Diria oito.
- Quatro. - Alguém conhece um taqueiro?
- Estamos a gozar com o Adam. - Desculpem.
Um dia, tens de decidir se alinhas ou não.
Todos ao corrimão.
Ao corrimão, malta.
Ótimo.
Como muitos sabem,
sou oficialmente o novo produtor do The Gordon Ford Show.
Obrigado.
Quero aproveitar o momento
para dizer umas palavras ao iniciarmos esta transição.
Apesar de a partida do George Toledano
ter sido repentina e perturbadora para alguns de vocês,
quero garantir-vos que estou empolgado e pronto para assumir o comando.
Ser um bom líder requer, não apenas experiência,
mas também empatia, instinto, cabeça fria e...
Gordon. Olá.
Olá, Mike. Ficas ótimo aí em cima.
Fato novo?
Só o casaco.
Continua.
Não. Acabei.
Não. Chamaste-nos ao corrimão. Estamos aqui.
A última coisa que ouvi foi "cabeça fria".
Bem, só queria que soubessem que estou pronto
e que...
Estou aqui para quem precisar de algo.
O meu escritório era aí em baixo, mas agora é aqui em cima.
Ainda é um pouco aí em baixo,
não havia espaço aqui para pôr o quadro dos convidados.
Se precisarem de ver o quadro, está aí,
mas se precisarem de mim, estou aqui em cima.
Ou aí em baixo, às vezes. Quando precisar de ver o quadro. Então...
Obrigado.
Espera, novo produtor oficial. Tenho uma pergunta.
- Há planos para mais cinzeiros na entrada? - Que eu saiba, não.
É pena. Davam jeito mais dois.
Vou tratar disso.
Vi um miúdo a lamber o botão do elevador esta manhã.
Direi à manutenção.
Tenho um recibo do jantar. Dou-to a ti?
Pronto, vou-me embora.
Espera! Novo produtor oficial, também podemos ir?
Sim.
Primeiro dia no trabalho.
ESCOLA ALCOTT
É a melhor biblioteca escolar de Nova Iorque.
Temos muito orgulho nisso.
Este ano, um antigo aluno
doou-nos toda a sua coleção de primeiras edições.
Sim?
Este snack é delicioso.
Ainda bem que gosta.
Estaladiço, cremoso e com sabor a noz. É uma ótima combinação.
- As crianças comem o mesmo? - Sim.
Esta escola é muito boa.
Muito bem, quero mostrar-vos algo de que nos orgulhamos muito.
Isto é aquilo a que chamamos a hora da "Liberdade para Ser".
Todos os dias, reservamos tempo para os alunos se dedicarem
a algo em que sejam particularmente bons.
Este é o nosso grupo de engenharia.
Estão a construir a maquete de um hotel exclusivo para animais.
Todos os quartos têm pátios e bebedouros incorporados.
Este é o grupo de matemática.
Têm de resolver um problema num minuto.
Quem resolver mais equações ganha um prémio.
- E vai. - Vai.
O grupo de leitura lê um livro por semana,
adapta-o para o teatro
e apresenta-o ao almoço na sala dos professores.
O grupo de astronomia está ali.
Estão a vender chocolates para comprar um telescópio.
Engordei 4,5 kg em nome da ciência.
Aqui, temos o grupo de línguas.
Estão a ler o Madeline em francês.
Sra. Moyers?
Sim, Sr. Weissman.
Que grupo é aquele?
É o grupo feliz.
- Desculpe, o quê? - O grupo feliz.
Em que é que são bons?
São bons a ser felizes.
Não percebo.
Eles constroem um hotel, eles compram telescópios,
eles são basicamente uma companhia de teatro de verão
e aquela mesa, onde o meu neto está, é só...
Feliz.
- Estão a andar em círculos. - Sim.
- Porquê? - Deixa-os felizes.
Sra. Foster, este é o Sr. Weissman. O Ethan é neto dele.
O Ethan é um dos miúdos mais felizes.
O Ethan tem uma varinha. É o líder?
Não. A hierarquia não os deixa felizes.
Quem criou os grupos?
As crianças fazem um teste no início de cada ano
que estabelece os pontos fortes e os grupos.
Houve uma confusão, um erro administrativo.
Não precisa de ficar chateado.
Ele está a andar em círculos. É só isso?
O Ethan é um jovem querido e saudável
que também é feliz.
Muito feliz.
- O mais feliz da escola. - O mais feliz que já vimos.
Nunca conheci uma criança tão feliz como o Ethan.
Insisto que repitam o teste.
- No próximo ano. - No próximo ano, não. Agora.
Sr. Weissman...
Fui professor catedrático na Universidade de Columbia.
Trabalhei na Bell Labs. Tenho 12 patentes pendentes.
Aquele é o meu neto. Ele é um Weissman.
- Não é possível que seja feliz. - Vai.
- Ótimo. - Está lá o canal todo.
Os atores, a equipa, o Phillip e o Morris, a olhar para nós.
Eu digo a fala, grandes gargalhadas.
De repente, um puto no fundo da mesa diz:
"É l'chaim, não la-chaim, Sr. Stevens."
Primeiro emprego, está bem?
Olho para o menino de coro que está a usar o fato do pai...
Era mesmo.
Pensei: "Ele tem coragem. Faz-me lembrar de mim." Então, despedi-o.
- Olá. - Midge.
Fui retocar a maquilhagem.
Danny, apresento-te a nossa argumentista, Midge Maisel.
Olá. Sou uma grande fã.
Estou no teu lugar?
Bem, tecnicamente, são todos da NBC.
Não. Sei as regras.
Roubar um lugar nesta sala
é como corrigir o hebraico de alguém quando somos do Nebrasca.
Wisconsin.
Há espaço aqui.
Na verdade, vim pedir um favor.
Tudo o que quiser.
Gostava que te visses.
Vou aparecer no programa.
Ninguém está surpreendido? Boa.
Normalmente, estou a fazer um espetáculo, estou em Las Vegas
e há uma nova temporada da série, mas, desta vez, escrevi um livro.
É esse livro. Sou escritor.
Como Dickens, se ele fosse de Bensonhurst.
Um Conto de Duas Cidades vendeu 100 milhões.
Tenho de vender 101 milhões. Tenho de arrasar.
Tendo isso em conta, vou ler-vos as piadas
que os meus argumentistas me deram esta manhã. Queria a vossa opinião.
Estamos aqui para ti. Certo?
- Midge? - Não. O sacana tentou roubar-me o lugar.
És engraçada.
Kennedy criou o Peace Corps. Os miúdos chatos já podem ser populares.
Seguinte. A Barbie tem um namorado, o Ken.
Acho que não vai durar. Ele parece um bocado falso.
Ainda cá estão?
O Apartamento ganhou o Óscar de melhor filme.
Para o ano, O Subarrendamento.
Pronto. Na vossa opinião imparcial, os meus argumentistas odeiam-me?
Podemos arranjar piadas.
Sempre que aparece num programa, diz piadas.
Sou comediante.
Se arrancasse um dente ao Gordon, seria estranho.
Sim, mas quer que leiam um livro sobre a sua vida.
Porque não fala da sua vida? Fale dos seus pais.
Claro. Onde está a piada?
É interessante. É real.
Consegue encontrar a piada.
Boa. Trabalho de casa. Obrigado.
Danny? O Gordon está pronto.
Obrigado. Meninos, arranjem-me piadas.
Procurem debaixo das almofadas,
pensem no vosso tio bêbedo, consigam-me gargalhadas!
Leva-me ao teu líder.
Não.
É muito invulgar um estudante sair-se pior da segunda vez.
Em tudo. A Matemática, Inglês, Ciências, lógica...
Mas escreveu o nome corretamente,
o que é uma grande melhoria em relação ao último teste. Isso é bom.
Não percebo.
Obrigámo-lo a fazer este teste. Deve ter entrado em pânico.
Além disso, tirámos-lhe a varinha.
Mas ele é um Weissman.
É só um teste. Não significa nada.
Só que ele não é bom a Matemática, Ciências, Inglês, nem lógica.
Nem nos dias da semana.
Sinto que estou num universo alternativo.
É como A Quinta Dimensão sem o Rod Serling para me guiar.
Olhe, Sr. Weissman, infelizmente, ter feito este teste agora,
tão pouco tempo depois do primeiro,
significa que este resultado substitui o anterior na ficha dele.
Avô, os brilhantes colam-se à cara!
Fique descansado, ele não perdeu o lugar no grupo feliz.
Miriam!
Vieram!
Sim. Atrasámo-nos.
Queríamos garantir que havia bilhetes, por isso, deixei-a.
Era para eu acenar e ele estacionar.
Estava a chover.
Se eu não o visse, voltava a entrar.
Passei de carro, não a vi, então, dei uma volta.
- Desencontrámo-nos. - Ela não me via e entrava.
Eu não a via, dava mais uma volta.
Isto durou duas horas! Finalmente, desisti e estacionei.
Ainda bem que os bilhetes estavam onde tu disseste.
Eu disse.
Podes dizer-nos quem os arranjou?
Queremos agradecer.
O programa vai começar.
Espera! Fiz uma sandes para o Danny. Dá-lha.
Voltamos em cinco, quatro, três...
E voltámos.
O nosso primeiro convidado é a estrela do The Danny Stevens Show.
Ele atua em clubes e é produtor,
mas acha que o título que o descreve melhor é "o queridinho da América".
Danny Stevens.
Aí está ele.
Omiti "dançarino". Entra sempre a dançar.
Danny.
Gordy.
É um prazer ter-te.
É um prazer voltar. Adoro o que fizeste ao sítio.
Não fiz absolutamente nada.
"Absolutamente nada" funciona para ti.
Vi a tua atuação no Copa, no mês passado. Foi ótima.
Obrigado.
A tua série ainda está em grande e soube que escreveste um livro.
Sim.
Tenho de o comprar. Como foi escrevê-lo?
Bem, foi muito silencioso. Pacífico.
Não preciso de calças, isso é bom.
É como tu, não usas calças.
É diferente escrever sobre a nossa vida. Temos de nos lembrar de coisas.
Temos de mudar os nomes e datas para não nos processarem.
Estes são os teus pais?
Sim. São a Mitta e o Joseph.
Isso foi depois de ficarem ricos.
Os meus pais eram imigrantes. Eram pessoas muito duras.
Tinham de ser porque a vida não lhes deu nada.
Não tinham cama, tinham uma pedra.
Fugiram da aldeia quando chegaram homens a cavalo a dizer:
"O que é inflamável?"
Isso é terrível.
Levaram todas as suas posses
e fugiram através de florestas, rios e montanhas, sempre a pé,
tempestades de neve, ataques de ursos. Nem consigo imaginar.
Quando há fila no Barney Greengrass, tenho um esgotamento.
Quando o esturjão acaba.
Exato. Finalmente, eles chegaram à ilha Ellis,
onde ficaram logo de quarentena durante dois meses.
- Porquê? - Estavam doentes.
Tinham tudo. Febre tifoide, pneumonia, malária.
O agente de imigração até lhes mudou o nome para...
Não posso ter esse nome no mundo do espetáculo. É demasiado judeu.
Finalmente, mudaram-se para Delancey
e tiveram nove filhos.
Como dizia a minha mãe: "Mesmo que não haja dinheiro para filmes,
"continua a haver sábados à noite. Temos de fazer algo."
Filosofia interessante.
Ela era interessante. Não dava abraços, mas era uma sobrevivente.
Trabalhou todos os dias da vida dela.
Quando eu estava no sexto ano, ela conduzia a carrinha de uma lavandaria.
Um dia, ia para casa, o meu pai estava a atravessar a rua,
tropeçou, caiu e ela atropelou-o.
Céus! Ele ficou bem?
Claro. Quer dizer, morreu, mas tirando isso...
Não teve piada.
É a pior história que já ouvi.
Dois filhos morreram. Outros dois foram presos.
A família que lhe restava foi exterminada pelos nazis.
Mesmo assim, com todas essas dificuldades e sofrimentos,
a única vez que a vi chorar
foi quando lhe disse que ia ser comediante.
A máquina de tabaco voltou a avariar.
Comeu-me o dinheiro, eu chorei, abriram-na e eu fiquei com tudo.
Lembra-me de te levar ao banco.
Ali está ela, a Mulher-Maravilha!
Está a falar de mim?
Espero que sim.
Midge! Vem cá!
Está bem. Se for por causa dos cigarros do Jits,
não sei nada sobre isso. Pergunta ao Mel.
Eu ouvi isso!
Senta-te ao meu lado. Tens de sair.
- Desculpa. - Não se vai sentar no teu colo.
- Estou a sair. Já saí. - Desculpa.
- Arranja um lugar, Al. - Sim.
- Um qualquer. - Pronto.
- Uma parede, uma empregada. - Já saí do caminho.
- Olá. - Olá.
Boa. Vou oferecer-te uma bebida.
- Já tenho uma. - Não é uma bebida a sério.
Traga-lhe o que a Shirley Temple bebeu
quando a Judy Garland ficou com O Feiticeiro de Oz.
Esta noite foi triunfal.
Correu muito bem.
Tu fizeste isto.
- Não, o senhor é que fez isto. - O quê?
Gordon, ela é uma exploradora corajosa
que procura o que ninguém procurou antes.
Uma piada que funciona.
Está a exagerar.
És o Américo Vespúcio, o Walter Raleigh
a Amelia Earhart, se tivesse conseguido.
De onde se conhecem?
- Da sala dos argumentistas. - Da minha?
Entrei lá de rastos e saí como um rei.
- Quando? - Ela disse: "Fale da sua família."
Se for interessante, encontra a piada.
Mal me deixam entrar.
É o meu trabalho.
Sim, o teu trabalho. Bem, saúde.
Saúde.
Gostava de sugerir uma coisa.
Estou a produzir uns projetos novos.
- Acho que serias perfeita. - Para quê?
- Conheces a Loretta Young? - Só do templo.
Estou a fazer uma comédia para ela.
Ela é engraçada?
Com o material certo, vai ser. A Gene Tierney quer fazer televisão.
- Conheces a Gene Tierney? - Claro.
São grandes estrelas. As pessoas vão ver.
Gostavas de trabalhar para mim?
- O quê? - O quê?
Podes escolher a série que quiseres.
- Não escrevo guiões. - Ela escreve piadas.
- É diferente. - Totalmente.
"Se for interessante..." Quem disse isso?
Estava a falar de si.
Não. Estavas a falar de história e de personagens. Isso é um guião.
És mulher. As protagonistas são mulheres. Quem melhor para escrever?
Danny, o que estás a fazer?
- Estou a oferecer-lhe emprego. - Ela já tem.
Agora, tem um melhor.
Ela ganha bom dinheiro aqui.
- Vai ganhar mais comigo. - Como sabes?
Pergunto-lhe quanto ganha e dou-lhe mais.
Estás a roubar-me os argumentistas?
Só ela. Fica com o resto. Desculpa, Al.
- Não faz mal. - Não. Eu descobri-a.
- E então, agora é tua? - Está bem.
Porque estás a fazer isto?
- Não é pessoal. - Não?
Estou a pagar-te as bebidas!
Está bem. Eu pago as bebidas.
- Existem regras! - Que regras?
Regras da sociedade.
Que se lixe! Se vejo talento, vou atrás.
Talento? Não é o talento dela que tu queres.
- Gordon. - Como assim?
Tu sabes.
Sou casado, idiota!
Seja quem for a escrever, a Loretta Young nunca vai ter graça!
Só um idiota acharia isso.
Comparamos contas bancárias?
Acabou. Levanta-te!
Estás a gozar? Fui pugilista no exército.
Foste pugilista num filme sobre o exército.
Pelo menos, sou de Brooklyn! Tu és canadiano!
Fomos para lá com cinco anos!
As pessoas estão a olhar.
O que se passa aqui? Gordon?
Outra vez a armar confusão? Expulso-te daqui!
Força! Da última vez, ficaste mal das costas um mês!
Isso era uma condição preexistente, filho da mãe!
Está bem!
UNIVERSIDADE DE COLUMBIA 1954
Está aqui algures. Espera.
Encontrei.
Todo o cuidado é pouco.
O Herman de Estudos Islandeses cheira um bom brandy a quilómetros.
Aqui vamos nós.
Vamos brindar ao vosso casamento e à tua mulher.
- À Miriam. - À Miriam.
Joel, pedi-te para vires ter comigo
porque tenho uma coisa muito importante a discutir contigo.
- Está bem. - A minha filha vai querer ter filhos.
- Sim. Três antes dos 30. - O quê?
É o que ela diz. Três antes dos 30.
Três filhos antes dos 30. Ela recupera.
- Gostava de pôr isso de lado. - Por mim, tudo bem.
Como estava a dizer, vão ter três filhos
e, provavelmente, um deles será um rapaz.
Vamos chamar-lhe Joel Jr.
Não vão nada.
Precisas de saber que existem certos dons
que, inevitavelmente, são herdados pelo filho primogénito
de cada ramo da família Weissman.
Dons? Como uma herança?
Os rapazes da família Weissman nascem com um intelecto enorme.
Tão grande, que vais ficar espantado.
Vai acontecer lentamente, não vais reparar.
Então, aos seis anos, vai começar.
- De repente. - Aos seis.
Devias ter-me visto aos cinco anos.
Uma vergonha de raciocínio lento para toda a família.
Então, fiz seis anos. O resto é história.
Este é um registo de todas as gerações
de primogénitos da família Weissman e dos seus feitos.
Prepara-te. É uma leitura emocionante.
Temos médicos, advogados, cientistas, reis, pelo menos um oboísta,
cinco escritores, um arqueólogo, um assassino muito criativo.
O meu filho não será um Weissman.
- O quê? - Será um Maisel. Eu sou Maisel.
Não importa. A Miriam é uma Weissman.
Os genes dela vão sobrepor-se aos teus.
O teu filho será um génio e vais ter de lidar com isso.
Prometo que vai ter a melhor educação.
As escolas não importam.
O que importa é não falares com ele
até ele fazer seis anos.
O quê?
Basicamente, ignora-o até ele falar contigo.
Não posso falar com ele?
Claro que podes. Quando ele fizer seis anos.
Antes disso, caluda.
- Como comunicamos? - A Miriam trata disso.
Se for muito importante, podes escrever um bilhete.
Abe, isto é uma loucura.
Confia em mim. Não temos um livro assim por falarmos com os nossos filhos.
Ignorei completamente o Noah durante cinco anos.
Na manhã do dia em que fez seis anos,
pegou num violino e, duas semanas depois, tocava Mozart.
O Noah toca violino?
Não precisa de tocar. Já o fez. Percebes?
- Não. - Ainda bem. Então, temos um plano.
Bem-vindo à família, Joel.
Agora, bebe, antes que o Herman nos cheire.
Depois, sonhei que um boneco de neve me tentava apunhalar com cenouras.
Foi um grande choque.
Pai! Vem sentar-te!
Vamos ter outro bebé!
- É emocionante. - É, não é?
Estamos a tentar ter outro bebé. A tentar.
Não acredito que há loiça sanitária de tantas cores.
As nossas vidas voltaram a ser apenas médicos, injeções
e revistas porno...
O que têm as revistas porno?
Nada, mãe. Só estou a dizer que é stressante. E caro.
- Espero que seja menina. - Vai valer a pena.
Pensei que, sendo o segundo filho, teríamos algum desconto.
Podiam reutilizar um tubo de ensaio ou assim.
Não queres um médico que faça isso.
Não me importo que seja reutilizado três a cinco vezes.
Estás a ouvir isto?
Há dois meses que não o ouço. Que cor vais escolher?
Uma sanita rosa era incrível.
- O que tem a tua? - Nada.
- Porquê uma sanita nova? - Preciso de uma banheira.
- E então? - Destoa.
Isso importa?
Passas-me o salmão?
Porque nunca mencionaste o teste de aptidão do Ethan?
O quê?
O teste de aptidão.
Todas as crianças fazem um teste de aptidão no início do ano.
- Como é que ele se saiu? - Chumbou.
Dizem que não tem potencial para nada, só para a felicidade.
Isso é mau?
Ele é um primogénito da família Weissman.
Os primogénitos devem distinguir-se.
Não devem ser felizes.
Só porque é feliz, não significa que não se distinga.
Claro que significa.
Nenhuma pessoa que já tenha alcançado
algo importante na vida foi feliz.
Não pode ser verdade.
Diz-me um cientista bem-disposto.
Um artista de valor que seja alegre.
Um pai da nação animado.
O Franklin! Não fazia muito sexo?
- Em frente ao bebé? - Sim, fazia.
Tendo em conta os seus grandes feitos, garanto-te que não gostava!
Porque estás tão chateado?
O teu filho chumbou no teste de aptidão.
Eu vi a pontuação.
Basicamente, não tem aptidões.
Tentou escrever com a borracha do lápis.
É só uma criança.
Uma criança que anda em círculos o dia inteiro,
alheado do que o futuro lhe reserva.
E a mãe dele só se preocupa com uma ridícula sanita cor-de-rosa.
- Qual é o mal do rosa? - Uma sanita não deve ser rosa.
- Porquê? - Deve ser branca.
Não deixa de ser uma sanita, mas é divertida.
Nem tudo deve ser divertido.
Nem tudo tem de nos fazer sorrir.
Às vezes, só precisamos de usar a sanita.
Eles ligam e vens a correr.
Como uma spaniel bem treinada.
Para, Janusz.
Devíamos arranjar uma coleira e um brinquedo para roeres.
Cala-te!
Aquilo é um armário!
É onde se guardam as toalhas de mesa,
os lençóis e as fronhas.
Está tudo no livro que está intacto na cozinha.
Por acaso...
Sim! Trouxe as ervas para engravidar.
Agora, vou para a cozinha
fazer-lhe um chá para darem uma irmã ao Chaim.
Quando acabar,
ligamos à companhia telefónica para vir buscar o nosso telefone.
Já não o queremos!
Por isso é que querem sempre matar as pessoas chiques.
Gosto do novo uniforme dela.
Olá! Cheguei!
Olá, Joel.
Desculpem o atraso. Tive uma entrega.
O que fizeste ao teu filho?
O quê?
Falaste com ele?
Pai, pareces louco.
Garanto que é a sério! Diz-me!
Claro que falei com ele. É meu filho.
Disse-te especificamente que, quanto menos falasses com ele
- antes dos seis anos, melhor. - Era a sério?
Claro. Porque não haveria de ser?
Porque é uma loucura!
Falei-te das linhagens e do dom dos Weissman.
Abe, isso é treta. Não há nenhum dom mágico.
Não, Joel, há mesmo um dom dos Weissman.
Viste o livro dos Weissman?
Era desse livro que a Zelda falava?
Porque falaria ela do livro dos Weissman?
Não sei, não para de falar de um livro.
Não há nada de mal com o Ethan.
- Viste o grupo dele? - Que grupo?
Ele está num grupo feliz na escola.
Qual é o problema?
Não acredito. Ele arruinou a linhagem.
- Não. A sério? - Não sabemos.
Qual é a explicação, Rose? O que explica a felicidade do Ethan?
Talvez fique miserável mais tarde.
É aos seis anos.
Pensei que havia alguns primogénitos que só começaram aos sete anos.
Aquele primo distante que ajudou a descobrir a máquina de raios X?
Sim, mas havia circunstâncias atenuantes.
Houve a Guerra Franco-Prussiana.
Mas acabou por começar?
Contava que o Chaim fosse inteligente.
Vai ser.
E se não for? E se for burro
e tivermos de passar a vida a fingir que é inteligente?
A corrente não foi quebrada.
E se a nossa filha for estúpida e tivermos dois idiotas?
Pelo menos, podem ser amigos do Ethan.
- Então! - Pois!
Parem de falar da estupidez do meu filho!
Isso é uma superstição.
Ethan! Chama a tua irmã e vamos.
Não quero voltar a ouvir ninguém a dizer mal
da felicidade do meu filho. Fui claro?
- Diz adeus. - Adeus.
Adeus.
Adoro gémeos.
Não digas o que tens.
Não sei.
- Não disse o que tenho. - "Adoro gémeos" significa que tens um par.
Não. Significa que adoro duas coisas que são iguais.
Como os otários e tu.
Estou fora. Posso mandar um filho para a faculdade.
Vou a jogo. É só dinheiro, Pete.
Diz o mais jovem executivo de sempre.
Não o mais jovem. Um dos mais jovens.
- Igualo. - Igualo.
Quando te conheci, eras o criado do George Toledano...
Até estava escrito na minha porta.
Tenho-te dado sorte, Mike.
Tu, nem por isso.
Para de olhar.
Desculpa. Vampiros com contas de gastos excitam-me. Dez.
- Igualo. - Eu também.
Estou fora.
Muito bem, última carta, malta.
- Estas sandes são ótimas. - São sandes de quê?
Esta tem pão, carne, queijo, tomate...
É, basicamente, uma sandes!
Como é?
- Dez. - Desisto.
Subo dez.
Também subo.
Estás a subir por subir?
- Sim. - Não se joga assim. Mike!
- O que achas que ele vai fazer? - Está bem. Igualo.
Par de reis.
Par de três.
E outro três.
Vai-te lixar! Vou comer uma sandes!
São deliciosas. Esta tem mostarda.
- Vamos fazer uma pausa. - Parece-me bem.
Vem comigo.
Claro.
- Não sabia que não te davas com o Ken. - Não. Só espero dançar na campa dele.
Porquê?
Ele é agente do Shy Baldwin.
E o Pete?
Não é agente do Shy Baldwin.
É o caça-talentos do Jack Paar.
Vocês convivem?
- Não tens amigos? - Não. Ouve,
o Paar quer vozes novas. Está em segundo lugar, tem fome.
O Pete está a organizar uma exibição com 12 comediantes emergentes.
- A Midge está incluída. - O quê?
Ele quer muito vê-la.
Falaste-lhe da Midge?
Ela é a única mulher.
Convenci-o a dar-lhe um lugar no fim. Ela vai brilhar.
O que se passa?
O quê? Achei que ias ficar contente.
- E o programa do Gordon? - Conheces a regra.
Era do George. Ele foi-se embora.
Também é do Gordon.
- Faz com que ele a mude. - Estou lá há cinco minutos.
Antes, tem de confiar em mim. Quanto tempo vais esperar?
Estávamos a contar com o Gordon.
Contem com o Paar. Vá lá, isto é um presente.
- Está bem. Obrigada. - Sim.
Malta, o Ken está a chorar na casa de banho.
A sério, obrigada por isto.
Claro. Espero que a Midge arrase.
O quê? Sim. Obrigada também por isso.
De certeza que é boa ideia?
O que está no teto?
- Achamos que é um gato. - Acham?
Bem, é rápido.
E tem uma cauda.
Tu. Vem cá. Quero falar contigo.
Podemos falar aqui.
Não. Muitas vaginas. Vamos.
Ótimo. Senta-te.
Não sabia que vinhas.
- Quanto falta para entrares? - Uns minutos.
Tenho notícias emocionantes.
Adoro notícias dessas.
Não vai acontecer com o Gordon.
Isso é emocionante?
- Miriam... - É o meu dia da sorte!
Para. A notícia não é essa.
A notícia é que te arranjei uma exibição para o Jack Paar.
Uma exibição?
Não. Não suspires. Isto é diferente.
É só por convite. Não é uma audição. É muito seletivo.
E o Paar vai lá estar.
Isto é real, é importante.
O Jack Paar.
Falei com o caça-talentos depois do póquer.
Ganhaste?
Embolsei tudo menos as pilas deles.
Ele disse-me que só há 12 comediantes no cartaz e tu és a única mulher.
É tudo para ti.
- Quem disse que o Gordon morreu? - Não importa. Isto é melhor.
Aceitei aquele trabalho para entrar no programa.
Olha para mim. Que se lixe o Ford! Ele é uma criança.
O Paar é uma lenda. Deixa-o apresentar-te.
O Gordon vai parecer um idiota
porque foi parvo em não te deixar entrar.
Imagino que sim.
Se apareceres primeiro no Paar, o Gordon vai ficar tão lixado.
Sim.
Imagina como será divertido.
Sim.
Que tal apontarmos os canhões ao Paar?
Não é um gato!
Não é mesmo um gato!
- Porque vais ser aumentada? - Olá. O quê?
Vais ser aumentada. Porquê?
- Vou? - Sim.
- Quem disse? - A Fada dos Aumentos.
- Porquê? - É essa a minha pergunta.
- Não sabias? - Não.
Vais ganhar tanto como os homens.
Caramba!
- Mais do que um deles. - O Ralph? É o Ralph?
Não te vou dizer isso. Sim, é o Ralph.
Bem, isto é muito sério.
Se se sabe, todas as mulheres vão querer ganhar
o mesmo que um homem pelo mesmo trabalho. A civilização vai colapsar.
Exatamente.
Não te posso ajudar.
Olá. Tens um segundo?
- Não. - Está bem.
Acho que tenho.
Porque é que fui aumentada?
Sabes porquê.
Não sei nada.
Tive de licitar para te afastar do Danny Stevens.
É assim que funciona o negócio. Parabéns.
- Sentes-te bem com isto. - Estou bem.
Fui expulso do Toots Shor.
Atacaste-o com a própria bandeja.
Posso ajudar-te com mais alguma coisa?
Não.
Acho que ele não se estava a atirar a mim. Eu sei quando se atiram a mim.
Estava.
- Não és mulher. - Tu não és homem.
Não, mas ganho o mesmo que um.
Ele é um falinhas-mansas. Não deves ter reparado.
Sim. Provavelmente, porque não aconteceu.
Aconteceu. Está bem?
Não aconteceu, mas claro. Como quiseres.
Sim, Midge?
Vou fazer uma exibição para o Jack Paar.
Tenho um vestido chique.
Depilei as pernas. À frente e atrás.
O Jack Paar vai estar lá.
São 12 comediantes. Sou a única mulher,
dá-me alguma vantagem. Daí a depilação.
Tenho um bom lugar. Quase no fim.
Então...
Queres convidar-me antes?
Queres antecipar-te?
Não? Sim? Talvez?
Está bem...
E vai uma,
e vão duas...
Não devias recuar enquanto contas.
Dizes "uma, duas" e, depois, sais.
Certo. Obrigada pela dica. Vou lembrar-me disso.
Vou conseguir isto.
Vais ver.
Perdido nas Bermudas.
Adoro ser comediante.
Mesmo que as pessoas me julguem, pelo menos, estiveram a beber.
Céus! Alguém me dê uma almofada.
Sinto que estou a ver o mesmo tipo a queixar-se de dores de tomates há horas.
É porque estás.
O Paar ainda está aí?
Sim, mas está a carregar uma arma para dar um tiro na cabeça.
Diz-lhe para me guardar uma bala.
Midge Maisel?
Só há uma miúda. Um par de mamas. Qual é a dúvida?
Podias ser tu. Tens mamas.
É bom alguém ter reparado.
- Sou a Midge. - És a seguir.
Aqui vou eu. Como estou?
Como a oitava noite do Chanucá.
Peito para fora.
Peito para fora.
...a Sra. Maisel!
Olá, senhoras e senhores.
A sério, receberam todos más notícias?
É terminal?
Quantos cães foram espancados para eu ter este mar de caras?
Parece que há alemães lá em baixo.
Estão vivos!
Ótimo.
ENCERRADO EVENTO PRIVADO
- É muito engraçada. - Obrigada.
Tens arsénico?
Está na outra mala.
Que sorte a minha. Último cigarro?
Não estás contente com o teu número.
Porque não havia de estar? Eles tossiram e pediram bebidas.
- É como o bingo, mas sem o prémio. - Não foi assim tão mau.
Não?
Também não foi bom.
Mas o teu foi.
Não foi mau.
"Não foi mau."
Claro.
Esgota todos os clubes.
Vemo-nos por aí, Eugene.
...a melhor forma de o dizer. As vantagens não compensam.
- De que estás a falar? - Não percebo.
O que queres dizer?
Não percebo. É uma rapariga, mas bonita.
Tem um vestido e faz o quê?
- É engraçada. - Não sei o que estou a vender.
Estás a vender uma comediante.
Não percebi.
- O Jack riu-se. - Falei com ele. Acho que não a percebeu.
Bem, o público percebeu. Ouviste-os?
Partiram-se a rir com tudo o que ela disse.
- Era um bom público. - Que se lixe isso! Ela arrasou.
Meteu os gajos todos a um canto.
Destruiu-os. Tu sabes isso.
Vamos falar do teu outro cliente.
Que cliente?
O James Howard. Ele é popular.
Sim, está a sair-se bem.
Diz-se que é uma estrela.
Podemos voltar à Midge?
- A Midge é um não. Quero o James. - O quê?
Quero tê-lo já no programa. Tenho um ótimo lugar.
Seis minutos e senta-se com o Jack.
Vamos agitar as coisas. Quando o filme sair...
Nunca viste o trabalho do James. Ele tem graça?
Sei que se fala dele. É isso que sei.
Que se lixe isso! Estamos a falar da Midge.
- Mas... - Não vou falar do James.
Vou falar da mulher que subiu hoje ao palco
e deu cabo de 11 outros tipos.
Quero o James.
- Não vou... - Contrata-o.
O James é ótimo. Já o vi a trabalhar. Vai ser bom para o programa.
- Olha, Midge... - Tudo bem.
Não tens de me perceber.
Às vezes, nem eu me percebo.
Há manhãs em que acordo e penso: "Quem és tu?"
"Porque estás assim vestida?" Eu compreendo.
- Eu trato disto... - Não, Susie.
Não o prejudiques.
Não faças isso. Eu estou bem.
A sério.
Tens classe, Midge Maisel. Admito isso.
Já é qualquer coisa, certo?
Obrigada pela oportunidade, Pete. A sério.
Um dia, espero poder dizer: "Bem te avisei."
Também eu.
Ligo-te amanhã.
Está bem, vamos falar de datas.
Claro.
O maldito Jack Paar.
- Sim. - A minha mãe vai passar-se.
Vai passar-se, desmaiar,
acordar e passar-se.
Vai ser uma noite difícil para ela.
Não acredito neste ano.
Há sete meses, estava a trabalhar na churrasqueira
e agora estou num filme e vou ao programa do Jack Paar.
Não quero acordar.
Estás numa maré de sorte, sem dúvida.
- Quando é que me querem? - Quero falar sobre isso.
Não me interessa. Cancelo tudo.
O Jack quer-me, pode ficar comigo.
Quero que recuses.
O quê? Porquê?
Não é a tua vez.
O que significa isso?
Estás num ótimo caminho sem o Paar. Não precisas dele.
Deixa o filme estrear e, depois, vais ao Paar.
Porquê?
Já te disse. Não é a tua vez.
Que tal fazeres com que seja?
- James... - Agenda isso, Susie.
Acho que não devíamos.
Ou me dás um motivo melhor,
porque isto significa muito para mim,
- ou me agendas. - James...
Agenda-me ou procuro quem o faça.
Este sítio é de loucos.
A minha mãe ficou tão contente com as filmagens,
que quer voltar para acrescentar mais ângulos.
É mais "fílmico".
Aprendeu esse termo hoje. "Fílmico" e "entendido".
Midge, este anúncio já custou o triplo do que orçamentámos.
O que posso dizer?
Quero ter uma conversa séria sobre isto.
Uma conversa séria com um judeu?
O hobby dela...
Não a deixes ouvir-te a chamar-lhe isso.
Vai fazer brincos com as tuas bolas.
O negócio dela tornou-se um enorme peso financeiro para ti.
Enorme, como?
Como o King Kong.
Ao menos, sou outra vez a ingénua.
A localização na Madison Avenue já era má, mas teres de comprar o edifício?
- Porque não me ligaste? - Os telefones estavam pegajosos.
O negócio não está a fazer dinheiro. Devíamos pensar em fechar.
Podemos negociar uma indemnização e tentar vender o edifício.
Perdemos dinheiro, mas evitávamos mais despesas.
Podes pagar-lhe um salário. Diretamente de ti para ela.
Seria mais do que ganha agora.
Susie, ajuda-me.
Não é mentira. Os números são maus.
Agradeço,
mas este sítio é mais importante para a minha mãe do que toda a família.
Portanto, vai ficar aberto enquanto ela quiser.
Não quero que ela se preocupe, nem que fique triste ou frustrada.
Continuamos a dizer que corre bem
e a fazer os anúncios que ela quiser,
porque é tudo o que posso fazer no tempo que lhe resta.
- Agenda a digressão na Austrália. - Amanhã de manhã.
Miriam, tive uma ideia genial. Testemunhos!
Filmamos as minhas histórias de sucesso e fazemos uma série de anúncios.
Talvez afete tudo o que fizemos,
mas, se for caso disso, repetimos.
O que achas?
Acho que é uma ótima ideia.
A casa de banho não vai estar pronta a tempo
e a casa cheira a bolor.
Não posso fazer o evento aqui.
Tenho de alugar um salão.
Tenho de gastar o meu dinheiro e vai ser uma fortuna.
Sei que não te importas!
Achas que aquilo que faço é parvo e fútil!
Não faz mal. Só é importante para mim.
Esther.
A Terra está a explodir, ouviste?
Não está nada. Foi algo que caiu. Está tudo bem. Volta para a cama.
Miriam? Estás bem?
Miriam.
Agora não, pai.
- A Nancy? A comida está fria. - Tem um encontro.
Um encontro? Com um rapaz?
Sim, querido, um encontro. Batatas?
- Não me distraias. - Tu adoras batatas.
- Não quero falar de batatas. - Está bem. Cenouras?
A nossa filha tem 15 anos.
- Danny... - Só quando casar.
Aí, o marido dela pode decidir.
Vais abrir, querido?
Está bem. Mas, quando voltar, temos de conversar
sobre quem manda nesta casa. Eu.
Pensando bem, esta foi a conversa. Já está.
Estás a gozar.
- A Nancy está? - Não, alistou-se.
Por quanto tempo?
Como te chamas?
Skippy.
Deram-te esse nome?
- Sim. - De propósito?
Sim.
Sabem que não és um cão?
Danny, deixa-o entrar. Vai apanhar frio.
É a entrada, não é a tundra.
Está bem, entra.
Tem uma bela casa, Sr. Stevens.
Estás a tramar alguma?
Trouxeste flores para a Nancy.
Vejamos, quando foi a última vez que recebi flores?
Foi quando o porteiro trouxe um ramo por engano.
Era o apartamento errado.
Skippy, vem.
Senta-te.
Bom rapaz.
Skippy. Não consigo parar de pensar nesse nome.
Vou fazer umas perguntas.
- Tens muitos encontros? - Não.
- As miúdas não gostam de ti? - O quê?
Tens algo de errado?
Acho que não.
Olá, Skippy.
Olá, Nancy. Estás linda.
Obrigada. Devíamos ir.
Ainda não acabei.
- Segue-me. - Porquê?
- Vamos fazer uma corrida. - O quê?
Quero ver se ele me ganha.
Está na hora de irem. Divirtam-se. Volta antes das 22:30.
22:30? Estamos onde, em Espanha?
Volta antes das 20:45.
Mas, pai...
Danny, posso falar contigo um momento?
- Porquê? - Só quero falar contigo.
Foi ele que começou.
Danny, a tua filha está prestes a ir ao seu primeiro baile.
Vais mesmo estragar tudo?
Quero muito dizer que sim.
Não.
Cá está o homem com quem casei.
- Divirtam-se. - Nancy...
Eu sei, pai, volto antes das 22:30.
Ia só dizer que estás linda.
Obrigada, pai. Adoro-te.
Adeus.
Muito querido. Não conta.
Se não a vir todos os dias, tenho saudades
É uma emoção, sempre que a beijo
Acreditem, estou apaixonado
Nancy, de rosto sorridente
Alguma vez ouvem os sinos a tocar?
Ela vai transmitir o mesmo brilho
Quando fala
Até parece que canta
Ouçam-na dizer olá
Juro que não lhe vão resistir
Tenho pena, ela não tem nenhuma irmã
Ninguém pode substituir a minha Nancy
De rosto sorridente
Legendas: Pedro Freitas
Supervisão Criativa Pedro Renato Marques
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