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Lindo.
Muito lindo.
Vamos parar.
Maya, voc� precisa criar o ritmo de uma queda. Est� demorando muito.
Controle demais. Voc� percebeu?
Sua m�o estava pronta.
Voc� precisa perder consci�ncia ainda de p�,
n�o quando j� est� em baixo, antes de cair.
Perca agora.
Voc� est� bem?
Precisa encontrar uma forma de se deixar ir.
Ao inv�s de ir para tr�s,
deixe acontecer, apenas.
Quase, quase, mas est� protegendo sua cabe�a ainda,
o que voc� precisa fazer, mas n�o dev�amos ver.
Quanto mais voc� soltar todo o seu corpo de uma vez,
a maciez da sua carne te proteger�.
-Voc� est� estressada? -N�o.
Ent�o fa�a novamente.
N�o tenho qualquer lembran�a de pensar que eu seria dan�arino ou core�grafo,
ou de outra pessoa me dizer isso.
Ao mesmo tempo, eu era um dan�arino.
Era o dan�arino na fam�lia, era o dan�arino na minha classe,
era o dan�arino na escola,
mas isso n�o era o futuro, era o presente.
A ideia de prazer f�sico
vindo da atividade f�sica
era totalmente parte de como eu concebia estar vivo.
A dan�a come�ou na minha vida desde quando me lembro por gente.
N�o como uma carreira,
mas como algo que amo, algo que me excita,
algo que gosto de assistir e gosto de fazer.
N�s batuc�vamos em mesas, degraus, com colheres em potes.
Faz�amos m�sica sem parar.
Depois de crescer, sempre senti saudades dos anos no kibbutz.
No kibbutz, voc� tem bichos,
agricultura...
Seus pais trabalham no campo.
Voc� vai para o campo muitas vezes.
Eu via meus pais tr�s horas por dia
e, no resto do dia, ficava com as crian�as com quem cresci.
Dorm�amos, tom�vamos banhos e com�amos juntos. Faz�amos tudo juntos.
Eu tinha cinco anos e meio.
Me lembro bem do dia em que sa�mos do kibbutz.
Foi como ser separado do meu g�meo siam�s.
O kibbutz era o para�so para Ohad,
e n�s o arrancamos disso, ao deixarmos o kibbutz.
Acho que foi muito dolorido para ele.
A vida � um amontoado de cacos.
Tentar reuni-los... n�o d� certo.
Na �poca em que eu estava no ex�rcito,
achei que iria para uma unidade de combate,
mas, por causa de um ferimento que tive no meu tornozelo,
me dei conta de que eu poderia entrar para um grupo de entretenimento.
Eles conseguiram ver que tinha alguma compreens�o do movimento.
Existiam can��es, e ent�o eu punha movimento na m�sica.
Eu era uma das pessoas que atuava, mas tamb�m fiz a coreografia.
Sabe como �, � bem pouca coreografia.
Era a �poca da Guerra do Yom Kippur.
Foram mais de tr�s anos servindo ao ex�rcito.
E n�s pass�vamos pelas Colinas de Gol�.
Eu podia ver ve�culos queimados, tanques queimados.
E podia ver corpos j� em decomposi��o,
por estarem mortos h� uma semana.
Tivemos uma apresenta��o em que me lembro
de realmente sentir vontade de desaparecer.
Eles eram for�ados a se sentar nesse lugar conosco
e n�s �ramos for�ados a nos apresentar para eles.
Mas, neste caminho Chora o vento
O vento que o acompanha Como um irm�o
Amanh� voltaremos �s flores silvestres
Caminharemos Como amantes pelo campo
Todos nossos dias s�o lendas
Cantar can��es ruins para soldados traumatizados.
Era um teatro do absurdo.
Eu tinha amigos da minha idade morrendo.
Todo dia chegava a not�cia de outro amigo morto.
Quando eu nasci,
tinha um irm�o g�meo.
Durante o primeiro ano,
eu me desenvolvi bem.
Mas meu irm�o...
Ele era mais introvertido. N�o interagia.
Minha av�, em uma certa situa��o, come�ou a dan�ar,
e, quando ela dan�ava,
meu irm�o de repente se abriu e come�ou a interagir.
E assim nos conect�vamos a ele, atrav�s da vov� dan�ando para ele.
Quando t�nhamos cinco anos, viajamos para Tel Aviv,
sofremos um acidente de carro e minha av� morreu.
E quer�amos nos comunicar com meu irm�o de novo.
Eu queria me conectar a ele.
Fiz uma coisa que nunca tinha feito antes.
Comecei a dan�ar para ele.
Tenho certeza de que isso teve import�ncia.
N�o sei se � por isso que dan�o.
Poderia ter dan�ado de qualquer forma.
Mas isso traz um significado diferente � raz�o pela qual eu dan�o.
Pessoal, voc�s t�m de fazer contato.
Agora fa�am isso crescer.
Foi um ou dois meses antes de eu ser dispensado do ex�rcito.
Minha m�e ligou para a Companhia de Dan�a Batsheva
e disse: "Meu filho � muito talentoso, voc�s t�m de v�-lo dan�ando."
E ela fez uma mala para mim com algumas roupas de dan�a
e acertou para eu ir a Tel Aviv
e ter aulas com a Companhia de Dan�a Batsheva.
Ele tem uns olhos verdes que ficam olhando para voc�.
Ele � muito distante.
E ele � bem parecido, para mim, com o Gato Que Ri
da hist�ria da Alice no Pa�s das Maravilhas.
Mas houve momentos em que Ohad dan�ava
dos quais eu, como professora de dan�a, nunca me esqueci.
Ele era �nico no n�vel baixo,
uma forma �nica
de se perceber no espa�o,
e isso significava que o que ele fazia era diferente.
Acho que tive sorte por come�ar a ter aulas de dan�a t�o tarde,
aos 22 anos.
Assim, fiquei muito mais conectado ao animal que sou.
Muitas vezes, quando dan�o, me conecto a for�as femininas.
For�as que criam disponibilidade,
tanto para a fluidez quanto para a explos�o,
tanto para a delicadeza quanto para a agressividade, ao mesmo tempo.
Martha Graham veio a Israel pela primeira vez
fazer um novo trabalho para a Companhia de Dan�a Batsheva,
e come�ou a se apaixonar por mim,
porque eu a fazia se lembrar de Bob Powell,
que era um lindo dan�arino.
Ele era o oposto do macho.
Era como um gato
e eu queria me mover assim.
E, seis meses depois, eu estava em Nova York,
dan�ando com Martha Graham.
Vim para Nova York cheio de esperan�as e fantasias.
Dan�ar com Martha Graham n�o realizou essas esperan�as e fantasias,
e depois de dez meses, tive deixar a companhia.
E me vi em Nova York sem trabalho,
sem ideia do que queria fazer.
Ai, Jesus...
Eu disse tchauzinho para Martha Graham e uma de minhas professoras me orientou
e me falou sobre a Juilliard.
Fiz um teste para a escola e tamb�m para A Escola de Bal� Americano,
e as duas me aceitaram.
Fui para ambas as escolas ao mesmo tempo, pois estavam no mesmo pr�dio.
Me puseram na classe de bal� avan�ado, e eu n�o sabia o que fazer,
porque esta classe � totalmente ocupada
por dan�arinos altamente trabalhados, profissionais, grandes nomes na dan�a.
Na minha classe, um dia, tinha Rudolf Nureyev,
Peter Schaufuss, Peter Martin,
e l� estou eu, que mal sabia o b�sico, bem b�sico sobre bal�.
Mas conseguia, de alguma forma, imitar.
Acho que eles ainda n�o tinham visto algu�m que em etapa t�o avan�ada na vida
ainda podia se tornar dan�arino.
Eu estava em Nova York e Maurice Bejart, o bal� do s�culo 20,
estava indo a Nova York.
E iam fazer um teste.
Depois de 15 minutos, os desclassificados s�o anunciados,
eles v�m at� mim, dizem muito obrigado, e eu saio do teste.
Des�o pela Broadway,
e Maurice Bejart com v�rios dan�arinos v�m em minha dire��o.
Olhei nos olhos dele, ele olhou nos meus olhos,
eu era um homem jovem e bonito, e ele gosta disso.
Sorri e disse: "Acabei de sair do seu teste, n�o fui aceito."
E ele disse: "Quer fazer o teste de novo?"
E eu disse: "Claro."
Ele me levou para um est�dio vazio,
se sentou e disse "Dance".
E eu improvisei por cerca de tr�s minutos.
Ele se levantou, veio at� mim, pegou minha m�o e disse:
"Bem-vindo � minha companhia."
E tive o pior ano da minha vida.
Foi sorte eu n�o ter sido internado em um sanat�rio mental naquele ano.
Aprendi muito sobre o que n�o quero fazer.
Que meu corpo n�o pode estudar materiais, movimentos e coreografias
que eu n�o valorize, com que eu n�o me conecte.
Quando cheguei a Nova York, fui ver uma apresenta��o de Alvin Ailey.
E olhei para aquela mulher e pensei comigo mesmo:
"Essa � a mulher mais bonita que j� vi."
Depois me encontrei com amigos e perguntei-lhes sobre ela,
e eles disseram: "Se voc� for � festa hoje � noite, ela estar� l�."
Ent�o fui � festa.
Mais alguns meses, e nos casamos.
Quando Ohad veio para Nova York,
ele basicamente era ningu�m, e ela era uma estrela.
Ela era a dan�arina principal da Companhia de Dan�a Alvin Ailey,
que era enorme na �poca.
Era uma grande companhia de dan�a americana que viajava o mundo todo,
e ela era assistente de Alvin Ailey.
Era uma grande estrela.
Alvin dizia que Mari tinha um senso de rubato maravilhoso.
Voc� nunca via as transi��es.
A forma em que ela se movia era t�o suave.
Ele a adorava.
Ela era uma vis�o.
Durante os tr�s primeiros anos, Mari recebia um sal�rio fixo.
Ela pagava o aluguel, quando eu n�o tinha dinheiro.
A forma com que Ohad se movia era bastante incomum para um homem
durante os anos 1970 e 1980 aqui em Nova York.
Ele tem a espinha mediterr�nea.
� serpentina, vigorosa e flu�da e, no entanto, articulada.
N�o � apenas um movimento como o de um macarr�o molhado.
Ent�o, Ohad, neste pa�s, nesta cidade,
mesmo na "Meca da Dan�a", era uma raridade como dan�arino homem.
Muito feminino.
Empurre. E empurre.
� como se voc� fosse empurrada por tr�s o tempo todo. Isso.
Como se estivesse meio possu�da, quase n�o � sua voz.
Sim, sim, isso.
�timo. Est� bom assim.
Muito bom.
E deixe-o descer. Procure seus bra�os.
E a sensa��o de se encontrar, rapazes, um pouco...
A �ltima coisa que espero de voc�s � macheza. Vamos l�.
A dan�a, na sua ess�ncia, � o oposto da macheza.
O movimento, em sua fonte mais pura,
est� acima do g�nero.
Pas De Pepsi foi o primeiro solo que coreografei.
Mari era viciada em Pepsi Cola.
Ela bebia no caf� da manh�, no almo�o e no jantar.
Acho que foi meu jeito de comentar isso com ela.
E tamb�m foi um olhar ing�nuo
para a forma em que ponho drama na dan�a.
Um, dois, tr�s, quatro, cinco, seis, sete, oito.
Um, dois, tr�s, quatro, cinco, seis, sete, oito.
Em Nova York, eu tinha um tipo de companhia freelancer.
Era baseada em projetos.
Quando t�nhamos apresenta��es, reunia um grupo de dan�arinos e trabalh�vamos.
�s vezes, eu chamava de "Ohad Naharin e Dan�arinos",
outras de "Companhia de Dan�a Ohad Naharin".
Mari largou a Companhia Ailey e juntou-se aos meus projetos.
Alvin n�o ficou feliz com a sa�da de Mari,
mas teve de aceitar a decis�o dela.
Voc� deixa algo que ama para tr�s, mas est� indo para algo que ama...
mais.
Lembro de Carl me dizendo:
"Quando conheci Mari e Ohad, ela pulava em cima dele,
cruzava as pernas e se grudava em torno da cintura dele.
Eles se beijavam, apaixonados, na nossa frente, como animais selvagens."
A companhia dele tinha gente do mundo todo.
Havia ele, israelense,
sua esposa Mari, que era asi�tico-americana,
Natalie, que era jamaicana,
Megan, de cabelo ondulado, crespo, meio irlandesa,
Ani, da Europa Oriental,
e David Tichnell, que era branco, p�lido, magro, alto e ossudo.
Dan�arinos de todos os lugares.
Quando voc� volta disso pela primeira vez...
Um core�grafo israelense, o nome dele era Ohad.
Nahad, Naharin, Nazareth, Ohad... Voc� sabe, meu Deus, Nazareth.
N�s n�o o conhec�amos,
n�o sab�amos no que t�nhamos entrado...
Porque depois que voc� conhece Ohad,
ele � t�o poderoso e t�o forte, que intimidava todos n�s imediatamente.
Ficamos todos assim: "Ai, merda, qual � a desse cara?"
Eu estava dan�ando "Passomezzo" na oficina de dan�a e teatro, com Mari.
Tinha a ver com a rela��o de Ohad e Mari, o casamento deles,
e eu ia ser ele naquela dan�a.
O p�blico estava adorando, eu achando que fiz um belo trabalho,
e vi Ohad e fiquei meio: "Ei, olhe para mim."
De repente, percebi que ele estava bem bravo comigo.
Perguntei: "O que est� acontecendo?"
E ele disse: "Nunca interprete o meu trabalho."
"Nunca interprete o meu trabalho. O que estava fazendo? Aquele sorriso?
O que era toda a energia aqui em cima? Tem que colocar isso no seu corpo."
Voc� sobe no palco, se apresentando para a plateia,
a plateia n�o pode ver Ohad, mas ele est� gritando com voc�.
Durante a apresenta��o.
Ele gritava: "Voc� est� me entediando."
N�o se diz isso a um dan�arino enquanto ele est� no palco,
fazendo seu trabalho.
�s vezes digo aos meus dan�arinos logo antes da apresenta��o:
"N�o v�o foder comigo, minha vida depende de voc�s."
Ohad mostrou para voc� e voc� fez.
Fez de novo e mais uma vez at� que ele disse "Sim".
Na maior parte do tempo, ele dizia: "N�o. N�o. N�o. N�o. N�o."
Voc� tentava de novo, "N�o". E mais uma vez, "N�o". De novo, "N�o".
Algo acontecia, "Sim".
E voc� n�o tinha ideia do que estava fazendo.
Eu disse para Ohad que n�o pod�amos ler o pensamento dele.
Ele tinha de nos dizer o que queria.
Encontrar formas e talvez ser um pouco mais paciente,
porque se ele gritava, n�s congel�vamos.
E ele disse: "Leiam meu pensamento.
Eu quero mesmo � que todos voc�s
leiam meu pensamento e saibam o que quero.
Ent�o n�o teremos esta situa��o tensa."
Nunca brig�vamos de verdade com ele, a n�o ser a Mari.
Mari �s vezes dizia: "O que voc� est� querendo mesmo dizer?"
E parava.
E n�s fic�vamos esperando at� que...
a tempestade passasse.
Quase diariamente,
algu�m acabava deixando o est�dio por estarem berrando ou chorando.
Ele era dif�cil. Muito, muito dif�cil.
Mas todos voltavam...
para aquela situa��o, porque, perversa ou n�o,
sentiam que o trabalho valia a pena.
O movimento � t�o completo e exuberante,
e, especialmente naquela �poca, era profundo, pesado e ponderado.
Havia emo��o naquilo. Havia sentimento.
Ohad estava no ponto em que descobria realmente sua voz,
e estava lapidando-a.
Que �poca excitante e especial para ser dan�arina,
ajudar um core�grafo a encontrar sua vis�o.
� uma b�n��o para uma dan�arina ser parte de um processo
que est� trazendo algo que mudar� o mundo da dan�a.
A primeira vez em que vi o trabalho de Ohad foi em 1986.
Eu tinha 19 anos.
Me lembro do balan�o.
O balan�o em "Tabula Rasa", que � um dos primeiros trabalhos de Ohad.
Me lembro de que fiquei impressionado. Fiquei assim...
Se algu�m pode te hipnotizar com apenas um balan�o, ele � um g�nio.
Porque existe a ess�ncia de tudo no nada.
E isso � arte.
A ess�ncia de tudo no nada.
Um, dois, tr�s, quatro, cinco, seis, sete.
Um, dois, tr�s, quatro, cinco, seis, sete, oito.
Um, dois, tr�s, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove.
Um, dois, tr�s, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez.
Um, dois, tr�s, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, onze.
Voc� prende o ar dentro dos seus dedos, com a m�o solta.
E isso faz um som.
E, pessoal, gostaria que voc�s
se machucassem um pouco com isso.
N�o funciona se n�o machucar.
E n�o acho que seja uma dor t�o excruciante que n�o consigam...
S� precisam causar essa dor em si mesmos para fazer o som.
Um, dois, tr�s, quatro, cinco, seis, sete, oito.
Dois, dois, tr�s, quatro,
seis, sete, oito.
Tr�s, dois, tr�s, quatro, cinco, seis,
quatro.
Tr�s, quatro, cinco, seis.
Cinco, dois, tr�s, quatro, seis, sete, oito.
Seis, dois, tr�s, quatro, cinco, seis.
Sete, dois, tr�s, quatro, cinco, seis, sete, oito.
Dois, tr�s, quatro, cinco, seis, sete, oito.
Atrav�s dos anos, recebi muita informa��o errada
sobre como levar meu corpo, como usar meu corpo.
Lentamente, terminei por danificar mais e mais minhas costas.
At� que, em uma apresenta��o, minha perna cedeu.
A apresenta��o terminou e minha perna estava entorpecida.
O m�dico disse que havia uma s�rie de danos nervosos irrevers�veis.
Me disseram que eu n�o poderia mais dan�ar.
Quando operaram minhas costas, fiquei praticamente paralisado.
N�o sabia se seria capaz de caminhar normalmente outra vez,
e comecei a recupera��o.
Lidar com minhas limita��es
foi a experi�ncia de aprendizagem mais significativa
no estudo do meu corpo.
E foi tamb�m onde comecei a desenvolver
o que posso dizer ser a minha linguagem de movimento, Gaga.
Eu precisava conseguir me explicar
e criar uma linguagem tanto com palavras quanto com movimento.
Isso me permitiria melhorar
a interpreta��o do meu trabalho pelos dan�arinos.
Quero sentir muito mais como se...
Digamos daqui.
Isto. N�o suba.
Me deixe ver isso.
Mas a�...
Muito bom, bonito.
Aqui tamb�m
d� para sentir esta parte soltando.
Sinta-se soltar. Mais... Muito bom.
N�o senti o cora��o palpitando.
Est� palpitando.
Sinta a m�o solta, assim. N�o fechando, abrindo.
O que � �nico no Gaga � a demanda de ouvir seu pr�prio corpo,
antes de dizermos a ele o que fazer.
E a compreens�o
de que devemos ir al�m de nossos limites familiares,
em uma base di�ria.
Uma vez, tive uma experi�ncia impressionante com meu pai.
Meu pai teve dois derrames, basicamente.
Ele tornou-se fisicamente deficiente e limitado.
Em uma de minhas visitas a ele, falei como ele se levantava de uma cadeira.
Ele se levantava como o clich� de um velho.
E eu lhe disse: "Vamos tentar algo. Quero que voc� diga que � muito f�cil.
Muito f�cil. Simplesmente levante-se comigo."
Fizemos isso e ele se levantou
como um menino de 15 anos.
Ele apenas se levantou.
Acho que Ohad estava criando uma obra bem importante
aqui em Nova York.
Ele teria continuado a fazer um grande trabalho,
mas a dimens�o do que ele passou em termos do trabalho Gaga,
e a sua universalidade,
acho que n�o teria tido uma raiz pura aqui.
Para brotar de um lugar genu�no de integridade,
cultural, est�tica e, mais ainda, espiritualmente com o trabalho,
ele tinha de ir para casa.
Eu estava em um telefone p�blico na rua,
e estavam me dizendo que queriam que eu fosse para Israel
para conversar, discutir a possibilidade de assumir a dire��o da Batsheva.
Eu sabia, antes de falar com a Mari ou qualquer outra pessoa, que o faria.
Eu s� n�o tinha certeza, talvez, do quanto isso ia ser grande para ela.
Talvez ela tamb�m n�o.
O desejo de voltar para Israel
n�o era porque queria voltar para dirigir uma companhia.
� porque queria voltar para casa.
N�o me sentia em casa em Nova York.
Foi na manh� de dia 1 de fevereiro de 1990.
Ohad e eu est�vamos indo, no mesmo dia, come�ar a trabalhar na Batsheva,
e �amos juntos ver uma apresenta��o matinal
e havia literalmente oito pessoas na plateia.
E acho que a idade m�dia era bem mais alta do que 60 anos.
Naquela �poca, a companhia tinha apenas israelenses.
Um bando de caras gostosos.
Os ensaios eram curtos.
Porque t�nhamos de ir para outros trabalhos para ganhar dinheiro.
Ohad chegou e disse: "Tudo que voc�s fazem, fazem bem,
mas n�o � isso que eu quero, quero que seja diferente."
Muito bom, rapazes.
N�o t�nhamos certeza do que estava acontecendo.
Veio um cara, Ohad Naharin.
Parecia algu�m de um kibbutz, s� que nos falava sobre dan�a.
Parecia legal. Ent�o decidimos fazer juntos m�sica para dan�ar.
Ele nos disse: "H� uma parte em que todos os dan�arinos est�o sobre cadeiras.
Quero que algo a� se relacione com ser israelense.
Algo tradicional,
envolvendo a hist�ria da P�scoa."
Quem sabe sete?
Eu sei sete
Pegamos grava��es da antiga esta��o central de Tel Aviv,
para nos inspirarmos em ritmos diferentes.
O p�blico n�o se impressionou.
Cem pessoas, mais velhas, vieram � primeira apresenta��o.
Algumas sa�ram no meio.
Os dias se passaram e continu�vamos sem p�blico.
Mas Ohad nos passava confian�a absoluta.
"Isto � uma bomba. � dinamite em nossos bolsos,
e logo vai explodir."
No 13� dia de apresenta��o, de repente, todos apareceram.
Pessoas com camisetas do The Cure, Bauhaus, jovem, velhos, todos vieram.
Quem sabe 11? Eu sei 11
Eu estava andando em uma corda bamba.
Por sorte consegui atravessar essa �poca bem dif�cil
e consegui criar uma obra que era significativa para mim.
Aquele foi o fim de uma era,
e foi quando a companhia de Ohad come�ou.
Quando voc� encontra um dan�arino que amplia seu cora��o e sua imagina��o,
existe algo muito, muito forte, e muito inspirador.
� como uma for�a de vida.
Venha aqui um segundo.
Agora...
Apenas me entregue seu peso.
Me entregue, me entregue. Isso.
Suba novamente. Agora, venha e caia.
Caia. Mais uma vez. Caia.
Voc� est� bem?
-Mas sentiu a diferen�a? -Sim.
Mas voc� entendeu? Muito bem.
-Est� brava comigo? -N�o.
Mas v� como era simples?
Um, dois, tr�s, quatro, cinco.
Acho que a coreografia requer muita confian�a.
Core�grafos e dan�arinos t�m de confiar um no outro.
Os dan�arinos t�m de se entregar ao core�grafo, dizendo:
"Aqui est� meu corpo, use-o, fa�a sua obra com ele."
E o core�grafo n�o tem controle sobre o palco.
Depois que concebeu sua dan�a, ele a entrega para os dan�arinos.
Ele contrata indiv�duos especiais
que t�m talentos espec�ficos que o atraem.
Se ele gostasse de assistir aquelas pessoas e o que elas fazem,
ele presume que a plateia tamb�m vai gostar.
Para Ohad, cada nome e cada rosto t�m um significado.
Um � assim, outro � assado.
E � isso que torna o grupo interessante, fascinante, especial.
Quando te deixam exprimir sua individualidade,
voc� se sente especial o tempo todo.
Eu abri meu casaco e o ingresso n�o estava l�.
Entrei em p�nico e n�o conseguia lembrar onde o ingresso podia ter ca�do.
Comecei a correr para casa.
N�o sabia onde eu estava e, por causa do desespero,
eu n�o olhei bem e me pegaram.
Achei que ele queria me estuprar.
Fiquei com medo e fiz o que ele disse.
Voc�s querem dan�ar?
Isso n�o � s� um momento bacana, � tipo um...
� como se voc� tivesse um martelo
e quisesse colocar um prego no ch�o de cimento
com apenas uma batida, n�o com v�rias.
De uma vez. At� o fim.
Stephan?
Voc� consegue fincar o prego de uma vez.
Me deixe ver voc� fincando o prego com seu corpo.
Vai nessa.
Acho que voc� pensa demais no seu movimento
e acaba n�o tendo bastante...
Voc� n�o demonstra o bastante.
Digamos que, ao fincar isso,
quando fincar, voc� vai salvar a vida de algu�m.
Sen�o, ele morre.
Ele morreu.
Ele morreu, ele morreu.
Melhor, melhor. Isso, isso.
Pessoal, este � um momento em que voc�s querem perceber e sentir muito,
e fazer bem menos.
N�o � isso.
� fazer bem pouco e sentir muito mais.
Ent�o tentem encontrar isso.
Geralmente, em testes,
a gente n�o v� o que est� travado nas pessoas.
Meu desafio � descobrir essas pessoas travadas,
porque no fim d� para abri-las,
e desfrutar desse tesouro.
Aqui temos algu�m que imediatamente entende a ess�ncia.
Eu j� vejo suas limita��es f�sicas,
mas a fantasia dela � t�o correta
que ela j� est� me emocionando.
Ela � uma poeta.
Quando voc� assiste uma dan�a,
existe uma narrativa que vem do que podemos chamar de "a coreografia".
Mas existe a narrativa
que vem da interpreta��o do dan�arino.
Fren�tico demais, Eyar.
Isso est� lindo, pessoal. Entende o que quero dizer, Eyar?
Se voc� apenas acreditasse
que voc� � mais quando � menos...
Voc� � t�o forte, t�o bonita, t�o capaz.
�s vezes, quando est� em torno de entregar 30%,
voc� desfruta disso.
N�o precisa achar o... Desfrutar disso.
Fique nessa pose e a exagere.
Exagere dentro de voc�, sem mudar. Sem se mover.
Sinta como se a pudesse exagerar em sua pele, sem a mudar.
Encontre o exagero por dentro. Voc� est� mudando.
Sem mudar. Exatamente, assim.
Tente encontrar sem mudar.
Agora eu n�o separo mais a interpreta��o dos dan�arinos
do ato de coreografar.
O ato de coreografar � tamb�m o ato de ajudar meus dan�arinos
a interpretar meu trabalho.
N�o � mais separado.
Para poder continuar a apresenta��o,
gostaria de pedir � plateia que ficasse de p�.
Aqueles que acreditam em reencarna��o, por favor, sentem-se.
Aqueles que ganham mais de $50 000 ao ano, por favor, sentem-se.
Aqueles que aceitariam morrer por outra pessoa, por favor, sentem-se.
Devagar, a plateia toda se sentou. Eu fui o �nico a ficar de p�.
Venha para o palco, por favor.
A plateia pensava que uma pessoa qualquer
estava indo para o palco.
No fim, eu dou uma cambalhota nele, e fa�o um solo livre.
E a� termina.
Eu queria fazer um trabalho popular, comercial.
Eu n�o estava me tornando uma v�tima das avalia��es,
ou querendo ser amado por muitos.
Eu estava curioso.
Tem muito a ver com a crian�a em mim
que quer chegar a lugares onde nunca esteve antes,
e que nem sequer imaginava que existiam.
N�o minta
Mam�e diz
N�o minta
Papai diz
Devemos mentir
Eu digo
Devemos mentir
A situa��o � essa:
eu estava em uma coletiva de imprensa na Austr�lia
e algu�m me perguntou por que eu comecei a dan�ar.
E ent�o apenas comecei a contar uma hist�ria.
Uma hist�ria totalmente inventada, que fiz na hora,
falando do meu irm�o g�meo, autista.
Inventei um g�meo autista,
inventei uma av� que dan�ava para ele,
inventei que ela morreu e que ent�o eu dan�ava para ele.
E a quest�o n�o era manipul�-los para que acreditassem na hist�ria,
a quest�o � que n�o existe apenas uma resposta clara,
e que, �s vezes, inventar uma hist�ria pode ser a melhor resposta
para algo que, de outra forma, � um pouco ardiloso para mim tamb�m.
A raz�o de eu ter come�ado a dan�ar.
Sabe, quando penso em dan�ar, tem muito a ver com eco.
Voc� move sua m�o e isso faz o resto do seu corpo se mover.
Tamb�m tem muito a ver com textura, com os m�sculos usados, onde soltar.
Tem a ver com o uso da gravidade.
� n�o permitir que a gravidade te molde,
mas, ao mesmo tempo, usar essa grande for�a
que faz a dan�a acontecer.
Estou reconduzindo ao animal que somos,
e aos ca�adores que somos.
Maio de 1998, o 50� anivers�rio do Estado de Israel.
Fomos convidados para ser parte do grande Jubileu.
Batsheva ia apresentar uma grande vers�o de "Who Knows One?"
para o 50� anivers�rio de Israel, neste grande evento em Jerusal�m.
Na manh� seguinte ao grande ensaio, meu telefone tocou.
Havia uma senhora na noite anterior no ensaio geral
que achou a dan�a ofensiva �s pessoas religiosas.
E ela estava ligando para um dos pol�ticos
e dizendo que achavam que n�s dever�amos mudar o figurino.
Boa noite e Feliz Dia da Independ�ncia.
Primeiro, a apresenta��o dos Sinos do Jubileu,
e as lutas que ainda a cercam.
Levante no comit� de educa��o parlamentar pelo esc�ndalo dos Sinos do Jubileu.
De repente, poucas horas antes do in�cio da apresenta��o,
Ohad estava sendo levado para a casa do presidente.
O telefone tocou e ele disse:
"Naomi, estou na casa do presidente agora.
Me deram cinco minutos para tomar uma decis�o.
Certo, n�o posso falar agora."
O Presidente Weizman dizia ao Ohad:
"Qual � o problema? Ao inv�s de usarem cuecas, eles usam ceroulas.
� a mesma coisa, s� que compridas."
Voc�s n�o poder�o ver isto esta noite.
As cuecas ser�o cobertas provavelmente por algo mais discreto,
algo com que a plateia religiosa possa conviver sem derrubar o governo.
E ent�o ele disse aos dan�arinos o que aconteceu,
inclusive o fato de que estava com o presidente, sendo amea�ado por ele,
e tomou a decis�o de que mudar�amos o figurino naquela noite,
e pediu demiss�o.
E imediatamente os dan�arinos se levantam e dizem: "Nem pensar.
N�o vamos subir no palco. Vamos te apoiar.
Voc� n�o pode nos fazer subir no palco e n�s n�o vamos subir."
Meia hora antes, todas as celebridades,
convidados internacionais, a Uni�o Europeia,
Al Gore, vice-presidente dos EUA,
todos os membros do Knesset...
Sinto informar que os membros da Companhia de Dan�a Batsheva
decidiram n�o se apresentar aqui esta noite.
Acordamos de manh�, manchetes imensas.
Aconteceu uma manifesta��o em Jerusal�m, uma manifesta��o em Tel Aviv,
demonstra��es em outros lugares.
Protestos em Jerusal�m ap�s a decis�o de vestir a Batsheva com collants.
O levante pol�tico em torno dos Sinos do Jubileu continuou hoje.
Esta � a primeira vez na hist�ria de Israel
que testemunhamos censura religiosa extrema
contra a cultura em Israel.
Identificamo-nos com Batsheva,
com Ohad Naharin e com a cultura em Israel.
Foi uma virada incr�vel para n�s.
Logo depois ele se tornou um her�i cultural.
Isso realmente o fortaleceu.
Quando me perguntam
por que eu chamei minha �ltima cria��o de "�ltima Obra",
uma das respostas que dou �:
talvez seja minha �ltima obra.
J� que vivemos em um pa�s
que � infestado por racistas, agressores,
muita ignor�ncia,
muito abuso de poder, fan�ticos.
E isso reflete
na forma com que as pessoas escolhem o nosso governo.
E esse governo coloca em risco
n�o s� meu trabalho enquanto criador.
Ele coloca em risco a exist�ncia de todos n�s aqui,
neste pa�s que tanto amo.
N�s estaremos aqui?
Ohad, para!
A mudan�a para Israel
foi muito desafiadora para a Mari.
Ela sentia falta de Nova York.
Mari nunca mudou seu rel�gio para o hor�rio de Israel.
O rel�gio dela estava sempre no hor�rio de Nova York.
Aprenda hebraico, querida.
Ela ri.
Voc� disse que ela ia estudar...
E?
-A culpa � sua, Ohadi. -A culpa � minha.
Voc�s t�m que falar em hebraico.
Temos. Ela fica t�mida com voc�.
Ela fala muito melhor do que voc� imagina.
Ela tamb�m n�o aprendeu a dan�ar em um dia.
Estudou muito at� ser dan�arina.
-Certo? -Certo.
N�o consigo imaginar a Batsheva sem a Mari.
�s vezes, ele n�o conseguia expressar bem o que queria
e ela interrompia, no lugar dele, e ela corrigia,
e nos mostrava as combina��es.
Eu tinha a sensa��o de que �s vezes ela o conhecia
e sabia o que ele queria melhor do que ele mesmo.
Ohad dizia que dirigir ensaios
era poder ser uma rainha e uma escrava ao mesmo tempo.
E ela era.
Mais cedo naquele ano,
Ohad estava planejando uma festa surpresa de anivers�rio para Mari.
O anivers�rio dela � em junho.
A data estava se aproximando
e eu n�o tinha not�cias deles.
E decidi ligar
e falar com Ohad.
Eu disse: "Ohad,
pensei que talvez voc�s tenham decidido
viajar em uma lua de mel especial
no anivers�rio da Mari e, se for isso, entendo totalmente.
Fiquei s� pensando por que n�o me deram not�cias."
Ele disse: "Sylvia, estou com a Mari agora.
Vou deixar voc� falar com ela."
Eu falei: "O que aconteceu?" E ele: "Ela vai falar com voc�."
E ela falou e me disse que estava no hospital.
Tinha sido diagnosticada com c�ncer cervical.
E eu disse: "Escuta, eu vou para a�."
E ela: "Agora n�o � um bom momento, porque vou entrar em tratamento.
Agora n�o � um bom momento."
E respondi: "Bom, ent�o me diga quando e eu irei."
E quando eu estava para fazer minha reserva,
Ohad me ligou.
Era Natal em Nova York.
E foi...
muito, muito dif�cil.
Muito dif�cil.
Quando morre algu�m muito pr�ximo de voc�,
eu acho que voc� n�o diz adeus.
Eles te deixam, mas voc� n�o os deixa.
Ent�o n�o tenho a impress�o de que disse adeus para ela.
Ou que ao menos quis e n�o tive a chance de dizer adeus,
porque eu n�o a deixei.
Mari morreu em 2001.
Ela tinha 50 anos.
Quando decidimos ter filhos, era tarde demais.
Eu sentia que precisava,
que quase devia a ela, uma grande mudan�a em mim.
Preciso me tornar uma pessoa melhor, preciso ser um homem diferente.
Existe um ditado em hebraico: "Com sua morte, eles nos deixaram a vida."
Normalmente dizemos isso sobre soldados que morrem na guerra,
que sua morte � uma forma de eles nos darem a vida.
Sofrer uma grande perda e dan�ar
n�o � uma contradi��o.
� como se vivessem no mesmo espa�o.
Eu realmente creio no poder da dan�a para a cura.
Leve, dois, tr�s.
Com inten��o. E denso, dois, tr�s.
Movam-se na densidade. E leve, dois, tr�s.
E, agora que se cansaram, continuem.
Vamos falar juntos: � f�cil.
� f�cil. Continuem.
Eu consigo. � f�cil. Continuem.
� f�cil.
Quando vim para Israel, conheci Ohad, soube do Gaga e fiz algumas aulas abertas.
E ent�o comecei a aprender com ele sobre o Gaga,
que � um tipo incr�vel de teoria do movimento,
uma pr�tica que ele concebeu.
Ele tamb�m fala tanto em encontrar prazer nisso,
e eu tamb�m acho isso enorme,
porque a dan�a � t�o baseada em dor e les�o,
mas tamb�m � uma forma de cura.
As pessoas curam suas les�es com essa linguagem,
as pessoas se expressam de modo muito pessoal com essa linguagem.
N�o h� ningu�m, independente do n�vel de destreza,
que n�o se una a sensa��es f�sicas.
N�o h� ningu�m que n�o possa entender o que � r�pido-devagar, leve-denso.
N�o h� ningu�m que n�o seja capaz de conectar esfor�o e prazer.
N�o h� ningu�m que n�o consiga separar os membros do seu corpo e mov�-los.
N�o h� ningu�m que n�o consiga se curvar, se dobrar, se endireitar.
N�o h� quase ningu�m que n�o possa ouvir m�sica e sentir um ritmo.
Eu dan�o todos os dias,
e quero que todos fa�am isso.
Voc� estava com uma express�o t�o bonita.
Parecia am�-lo muito, ficou t�o bonito.
Voc� � t�o bonita.
Convidei a Eri para vir para a Batsheva
antes de haver qualquer romance entre n�s, e ela se recusou.
E ent�o a encontrei alguns meses depois, em Paris.
Durante essa viagem, reconhecemos nosso interesse m�tuo,
n�o como diretor e core�grafa, mas como homem e mulher.
Eri n�o � a primeira pessoa com quem trabalho e me apaixono
e n�o ser� a �ltima vez que me apaixono por algu�m com quem trabalho.
Mas quero que seja a mulher
com quem assumo um compromisso
que antes n�o tive com ningu�m.
Tudo o que vejo s�o bra�os balan�ando.
S� vejo bra�os.
Quero ver voc� se afastando do balde. N�o.
Assim n�o. Apenas se afaste.
E aqui tamb�m...
Papai.
Ei, Noga.
Oi, meu bem.
-Quer dan�ar? -N�o.
Por que n�o?
Tente.
Fiz uma coisa bem clara.
Caminhei para tr�s. Voc� n�o est� olhando de novo.
Quer que eu te ligue para podermos conversar?
Caminhe para tr�s. N�o. N�o fa�a nada.
N�o vai aprender se ficar fazendo ao inv�s de olhar.
Voc� n�o est� ouvindo.
Voc� j� est� dentro. Espere, absorva, calma.
Venha c�.
Mam�e.
Mam�e.
Ela est� aqui.
Desculpem. Eri, precisamos...
Doidinha...
Querida...
Voc� tem que ir.
Meu bem, voc� tem que ir com a Laila.
Olha a Laila.
Tudo bem, meu bem.
Ela estava t�o feliz aqui, n�o?
Certo.
Vamos l�.
Est� tudo bem, meu bem...
Certo.
Ressync: Pelllegrini
Legendas: Hugo Casarini
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