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Oi, Caro. Como est�, meu amor? Me espere na sala para comermos juntos.
Tudo bem, eu te espero. Est� lotado aqui. Beijos.
Que estranho! Vou fazer isso agora.
TRIPULANTE
Sim, estou aqui... Me pegou em um momento ruim.
Estou corrido, estou indo para Madri.
Sim, o carro deve estar me esperando na porta.
Est� tudo uma bagun�a, ent�o, vou deixar com voc�.
Resolva a�.
Certo, est� bem.
Estou saindo pro aeroporto.
Sim, o carro j� deve estar me esperando na porta.
Bom, eu estou atrasado.
Certo, falamos em outra hora.
V� em frente, devagar.
Isso. N�o tem problema.
Me ligue depois, beleza?
Sim, n�o tem problema. Me ligue para combinarmos, certo?
E a�, Novak?
A EXTORS�O
Boa noite, senhoras e senhores passageiros.
Quem fala aqui � o comandante Alejandro Petrossi�n.
Devemos iniciar a descida at� o destino em cerca de dez minutos.
O c�u est� totalmente limpo.
A temperatura na cidade de Buenos Aires � de 28 graus Celsius.
Pedimos, por favor, que permane�am sentados,
com o cinto de seguran�a apertado,
e que cumprimentem a pessoa que est� ao seu lado,
porque j� � zero hora do dia primeiro de janeiro.
Em nome da Aerol�neas Sudeste
e de toda a tripula��o, lhes desejamos um feliz Ano Novo.
Boa! Feliz Ano Novo!
Sa�de.
- Felicidades, meu querido. - Feliz Ano Novo.
Com quem vai passar o Ano Novo?
Vou ver minha filha assim que chegar.
Aten��o, comandante Petrossi�n!
Oi, meu amigo!
- Feliz Ano Novo. - Igualmente.
Que bom.
- Fernando Marconi, comandante... - Tudo bem? Desculpe chegar assim.
H� quanto tempo n�s voamos juntos?
Ser�o 26 anos em agosto,
mas faz 40 anos que somos vizinhos e amigos.
- Melhor ficar quieto. - N�o digo nada.
Andr�s Sadik, ele � piloto dom�stico h� dois meses.
Ent�o, voc� � novato.
- Seja bem-vindo ao mundo profissional. - Muito obrigado.
- Podem ir, eu vou ali comprar algo. - Tudo bem.
Apresentaram o novo uniforme feito por Gino Callegari,
mas, pelo menos, ainda n�o colocaram em pr�tica.
Ainda n�o deram uma negativa...
- Disseram que... - Boa noite.
Meu amor, voc� finalmente chegou!
Oi, meu amor.
- Ol�. - Oi.
- Pedro Greco. J� se conhecem? - Ainda n�o.
Mas escutei muito sobre voc�. � uma lenda.
Olha s�!
- Faz voos dom�sticos? - Internacionais.
Mas aqui na regi�o, principalmente Chile e Brasil.
Claro, s�o quase voos dom�sticos.
�, ele ficou comigo at� voc� chegar.
� um fofo.
Nossa, quanta gentileza! Muito obrigado, Pedro.
- N�o foi nada. - � muita gentileza.
Bom, j� cheguei.
Sim, vou deix�-los em paz. Foi um prazer.
- Igualmente. - Que bom...
- Um grande prazer. - Obrigada, Pedro.
- Com licen�a. - E obrigado pela gentileza.
Imagina, n�o foi nada! Obrigado.
Tchau, tenha um bom dia. E feliz Ano Novo.
- Obrigado. - Voc� � um ogro.
Ele fez companhia para voc� no dia primeiro de janeiro?
Ele n�o tem fam�lia e nem amigos. Conhe�o esses caras.
- � igualzinho a voc�. - S�rio?
Feliz Ano Novo, meu amor.
Feliz Ano Novo.
N�o, n�o, n�o!
Um comandante beijando uma aeromo�a da empresa?
- Fa�a-me o favor! - O que est� segurando?
Eu precisava brindar.
- S� que... - Mas voc� vai pilotar.
� apenas um pequeno brinde. S� n�o fale nada.
Eu quero brindar a voc�s dois.
Bom...
Por essa hist�ria de amor que superou dificuldades...
e talvez alguns pulinhos de cerca.
Do que est� falando?
- � que estou feliz por voc�s. - Ent�o, diga isso.
Um brinde a voc�s dois e a essa linda hist�ria de amor.
- Certo. - Vamos brindar � amizade.
- A n�s tr�s. - Perfeito.
Vamos beber de uma vez.
- Sa�de. - Nossa, esqueci essa parte.
Voc� est� esperando visita?
Por que eu teria visita �s 7h da manh�?
Quem ser� que �?
- Alejandro Petrossi�n? - Sim, sou eu.
Eugenio Cristaldo, diretor de Seguran�a Aeroportu�ria.
Preciso lhe fazer algumas perguntas.
Poderiam me mostrar seus crach�s?
Aconteceu alguma coisa?
Ainda n�o sabemos, por isso que estamos aqui.
Poderia nos acompanhar?
Para onde? � feriado, senhor.
� Ezeiza, meu escrit�rio. � s� para tirar algumas d�vidas.
Mas n�o pode tirar aqui?
Por que n�o volta pra cama?
Quem � voc� para mandar na minha esposa? Que loucura!
N�o tenho problema em acompanh�-lo, mas hoje � feriado.
Por que aparecer assim na minha casa?
N�o pode ser na segunda-feira?
Se fosse poss�vel, ter�amos vindo na segunda-feira.
Bom, ent�o, eu vou acompanh�-los com meu carro.
Troque-se e venha conosco.
Tudo bem, ent�o. Vou me trocar e j� venho.
N�o, para onde voc� vai?
Esses caras est�o me dizendo para ir com eles, vieram na minha casa.
Eu ligo quando sair, fique calma. N�o sei o que �.
Poderiam me explicar o que est� havendo? Aconteceu algum problema?
Depende.
S�o seus exames do �ltimo ano e meio?
Parece que sim.
� a assinatura da sua m�dica, certo? Certificando que est� apto para voar.
- O que � isso? - Calma a�.
Eu que pergunto. Achou que n�o �amos descobrir?
Como assim? N�o entendi nada.
N�o vale a pena mentir.
Se nos disser a verdade, vamos ajud�-lo.
Melhor n�s do que a Pol�cia Aeroportu�ria.
Voc�s n�o s�o da pol�cia?
Uma mentira inocente para n�o preocupar sua esposa.
Quem s�o voc�s?
- Vou pedir seu celular. - Por qu�?
Seguran�a. N�o pode entrar com celular. Eu devolvo na sa�da.
Siga em frente.
Mas voc�s n�o est�o exagerando? N�o � muito drama tudo isso?
Primeira vez fazendo o teste?
- Sim. - Em voz alta, por favor.
Sim.
Voc� est� nervoso?
N�o fique nervoso. Ficar� tudo bem.
- Sejamos informais? - Sim.
Obrigado.
- N�o entendeu por que est� aqui, certo? - N�o.
N�s somos membros do Servi�o de Intelig�ncia do pa�s.
Operamos dentro da �rea do aeroporto.
Pode me chamar de Saavedra.
Voc� j� conheceu o Beltramino e tamb�m o Cristaldo.
Faremos o seguinte:
vamos come�ar com perguntas para as quais j� sabemos a resposta.
A ideia � estabelecer um padr�o,
ent�o, quando voc� mentir, seu corpo vai nos avisar.
Tudo bem, mas eu n�o vou mentir.
Bom, � o que veremos.
Pe�o que responda apenas com "sim" ou "n�o".
- Sim. - Nada mais, certo?
- Podemos come�ar? - Claro.
Certo.
- Voc� se chama Alejandro Petrossi�n? - Sim.
- Voc� tem 58 anos? - Sim.
Voc� come�ou a trabalhar na Aerol�neas Sudeste em 1995?
Final de 1994, quando ia ser privatizado...
- Desculpe, o senhor... - Diga "voc�".
Bom, voc� me disse para responder "sim" ou "n�o".
Ent�o, sim.
Sua esposa se chama Carolina Guerrero?
E o que isso tem a ver?
Responda � pergunta, e em voz alta.
Sua esposa se chama Carolina Guerrero?
Sim.
Voc�s se conheceram na companhia a�rea h� dez anos?
Sim, e da�?
Teve rela��es sexuais com outra mulher enquanto estava com Carolina?
N�o.
Vou perguntar de novo, e me responda com a verdade.
Teve rela��es sexuais com outra mulher enquanto estava com Carolina?
Sim.
- Aeromo�a tamb�m? - E isso importa?
Vou perguntar mais uma vez.
A outra mulher tamb�m � aeromo�a?
N�o.
Ela � m�dica?
� ela?
Ela se chama Andrea Vitale?
Bom, vamos a outra pergunta.
A Dra. Vitale est� autorizada a ser sua m�dica examinadora aeron�utica?
- Sim ou n�o? - Sim.
H� um ano e meio, a Dra. Vitale te diagnosticou
com uma perda auditiva no ouvido direito devido a otospongiose.
- Est� certo? - N�o.
Vou simplificar para voc�. Voc� est� ficando surdo?
N�o.
Pediu � Dra. Vitale que escondesse sua doen�a?
N�o.
- Voc� a subornou? - N�o!
Sabia que pode ser preso por voar sem estar apto?
S�o at� seis anos de pris�o.
Mas o que � isso? Eu preciso de um advogado?
De onde voc�s tiram essas perguntas?
N�o podem me obrigar a dizer o que n�o � verdade.
Se n�o disser a verdade, n�o posso te ajudar.
Espere um pouco a�.
Eu escuto igual ou melhor que voc�.
E eu n�o dou a m�nima
se um papel, um estudo, o que for, disser o contr�rio.
Um passageiro est� mais seguro comigo do que com qualquer outro piloto.
Eu garanto isso para voc�.
Que loucura � essa? Perder 30 anos de carreira?
Sim, � verdade, ou�o um pouco menos de um ouvido.
E da�? Nunca estive nem perto de sofrer um acidente,
ou�o perfeitamente os alarmes.
E eu vou estragar minha vida por isso? Parar de trabalhar, como um velho gag�?
- Alejandro... - Nada de Alejandro!
Toda a minha vida, eu trabalhei duro para chegar aonde cheguei.
N�o trabalho como piloto, eu sou piloto.
E sei perfeitamente o que posso ou o que n�o posso fazer!
Concordo com voc�.
Veja isso como um gesto de boa vontade.
Transportes Santa Clara. Bom dia.
N�o, no momento, n�o temos carro.
- E agora? - E agora o qu�?
Como vai ser? Voc�s v�o me denunciar?
Poder�amos denunci�-lo.
Voc� poderia se defender, ir a julgamento,
poderia perder sua licen�a, ir para a cadeia.
Sem falar na m�dica, que nunca mais trabalharia na vida.
Mas voc� poderia fazer algo mais f�cil.
Preferimos que continue pilotando.
- S�rio? Por qu�? - Porque todo mundo sai ganhando.
Voc� mant�m o emprego
e nos ajuda levando umas coisinhas do pa�s.
"Umas coisinhas"? Que coisinhas?
Uma mala, nada mais.
Uma mala com o qu�?
- A mulher ligou v�rias vezes. - E a atenderam?
Este � nosso n�mero de contato.
Agende, mas n�o nos ligue. N�s te localizamos.
Espere a�. O que vai acontecer se eu n�o quiser levar essa mala?
N�o precisa me responder agora. Pense bem.
N�o era nada. Est�o investigando um piloto
de outra companhia a�rea,
e, sei l�, ele fez uma manobra estranha na pista
e pediram a opini�o de algu�m com experi�ncia.
Mas que droga! E por que n�o avisaram?
Estou indo para casa daqui a pouco.
- Eu te amo. - Te amo tamb�m.
Levante a m�o toda vez que ouvir um som do lado examinado.
Vamos come�ar com o lado direito.
Com quem voc� falou? Com quem falou, Andrea?
- O que � isso, Alejandro? Para! - Me diga, por favor.
Me d� um segundo?
- Venha aqui. - O que aconteceu?
Espere a�. O que voc� tem, cara? Como entra no consult�rio assim?
N�o falei com ningu�m. Sua mulher descobriu?
Diga a verdade. Eles te ofereceram dinheiro?
- O que est� falando? - Eles t�m tudo. Tudo!
As audiometrias, as resson�ncias. Os exames verdadeiros!
- Quem? A companhia a�rea? - Os servi�os!
- Que servi�os? - Os Servi�os de Intelig�ncia, Andrea!
O que voc� tem a ver com eles?
Nada, mas est�o me pressionando para colaborar com eles.
Voc� tem que me ajudar.
Voc� � quem tem que me ajudar. Minha assinatura est� nos exames.
Como assim?
Se voc� cair, eu caio tamb�m.
Por isso mesmo. Por ser minha m�dica, diga que alteraram o relat�rio,
que armaram pra voc�!
Claro, armaram pra mim!
Quando refizerem o exame, ver�o que � mais surdo que o Beethoven!
Pode parar de pensar s� em voc�?
Eu te fiz um favor. Vai me deixar na m�o?
N�o.
Alejandro, n�o � apenas sua carreira, � a minha tamb�m.
Eu sei.
Eu vou perder tudo e acabar na cadeia.
N�s dois vamos.
- O que vai fazer? - N�o sei.
- Meu Deus... - O que voc� vai fazer?
- Parab�ns! - Meus parab�ns!
- � isso a�, cara! - Meus parab�ns!
Que lindo!
Obrigado! Obrigado por tudo isso.
Se dependesse de mim, eu voaria mais cem anos,
mas, enfim, n�o d� para mudar minha identidade.
O documento denuncia sua idade e diz que voc� tem que parar.
E � isso.
- Enfim, me ignorem. - Bravo!
Existe vida depois do avi�o!
Vamos cortar a gravata?
Pronto!
Um abra�o.
Voc� est� bem?
Estou.
Beba alguma coisa, que eu j� volto.
- Tem certeza? - Sim.
- Quer beber algo? - N�o.
- Certeza? - Sim.
Que linda essa coisa da �gua, n�o �?
Chama a aten��o.
Mas acho isso um pouco sem sentido.
O que significa tanta �gua?
Me desculpe por dizer isso.
N�o, � um ritual.
Voo rasante, passar pelo arco de �gua,
cortar a gravata...
� apenas uma forma de despedida.
Cada setor deve ter seu rito.
O meu n�o.
Voc� nunca se aposenta desta profiss�o.
Conseguiu pensar na minha proposta?
Sim, tenho pensado bastante nisso.
E espero que n�o me leve a mal, mas n�o entendo por que precisam de mim.
Por que um de voc�s n�o faz esse trabalho?
Sim, t�nhamos um cara que fazia,
mas ele foi demitido e ningu�m quis substitui-lo.
Imagine s�.
Viajar com tanta frequ�ncia � suspeito. Voc� acaba se expondo.
E por que eu tenho que me expor?
Mas voc� n�o vai se expor.
No seu caso, fazer viagens frequentes n�o � suspeito, � seu trabalho.
Com um extra, � claro.
Carregar uma mala, apenas.
Isso mesmo.
Mas h� alguns detalhes.
A partir de agora, esque�a Roma, Miami ou Nova York.
Sua rota exclusiva ser� Madri.
De resto, n�o tem muito mist�rio. N�s te damos uma mala aqui,
voc� entrega l� e pronto.
Vai levando sua vida at� a pr�xima viagem.
Como assim? N�o era s� uma viagem?
Temos que levar mais de uma mala.
N�o sei dizer quantas.
Espera.
Se eu fizer isso, se eu colaborar, voc�s v�o sumir?
Ou seja, n�o v�o tirar mais fotos,
n�o haver� mais carros na frente da minha casa?
V�o me deixar em paz para eu continuar voando?
Eu vou explicar como seria.
Ser� assim...
v�o passar te buscar, como sempre, e leve sua bagagem de m�o.
Ol�.
Tudo bem?
Na sala dos pilotos, no seu arm�rio, vamos colocar nossa mala.
Ver� que tem um adesivo de uma vaquinha.
Deixe sua mala l� e leve a nossa.
Mantenha a mala sempre do seu lado, n�o a perca de vista.
N�o se preocupe com a pol�cia aeroportu�ria,
n�o v�o mexer com voc� nem aqui e nem na Espanha.
Comandante...
Posso ver sua mala?
Guardo pra voc�?
Desculpa, Mara, n�o te ouvi.
Sim, vi que estava em outro mundo. Posso guardar?
Sim.
BANHEIROS
Assim que chegar em Madri, vai passar pelos controles sem problemas
e ir ao banheiro do primeiro andar.
Porchietto estar� l� dentro te esperando, um dos nossos caras,
- para fazer a troca. - N�o tinham um mais burro?
Desculpa, n�o sabia como era.
- Vamos que n�o tenho o dia todo. - Sim, claro.
- Saia voc� primeiro. - Sim.
R�pido.
E a�, acaba tudo, at� a pr�xima viagem.
Voc� volta para o hotel e segue sua vida.
Muito simples.
TRANSLADOS SANTA CLARA
Al�?
� do Traslados Santa Clara. Vou transferir.
Viu que n�o era t�o dif�cil?
Mas tamb�m n�o � t�o simples.
Bom, escute isto porque � importante.
Quando ligarmos daqui, vamos dizer "Traslados Santa Clara".
Se voc� responder que n�o pediu nenhum carro,
saberemos que est� com problemas e vamos te procurar.
Sua seguran�a � nossa prioridade. Est� bem?
- Sim, sim, mas... - "Mas" nada.
Estou tentando ser o mais claro poss�vel porque n�o quero surpresas.
Se voc� tiver algum problema, fale somente conosco.
Diga que entendeu, para que eu fique calmo, por favor.
Sim, eu j� entendi, s� que...
Al�?
Al�?
Ale, est� tudo bem?
Sim, eu estou bem.
- Aconteceu alguma coisa? - N�o.
Pode ir.
- Tudo bem, Alejandro? - Oi, Camilo. Como est�?
- Tudo bem? - Tudo.
- Tudo bem? - Sim, e voc�?
Estou bem, muito bem.
Saiu um pouquinho, ontem � noite?
Sim, eu sa� um pouquinho.
- Bom dia. - Bom dia.
Oi, Al�.
Como voc� est�?
N�o est� indo mais ao campo.
Os caras est�o perguntando de voc�.
Bom, fique calado e continue andando.
- Senhor, poderia nos acompanhar? - Aconteceu algo?
Venha conosco que vamos explicar.
- Mas n�o me agarre. - Vamos, por favor.
- N�o me agarre. - Vamos.
Eu vou, mas n�o me agarrem.
Estou falando para n�o me agarrar. N�o toquem em mim.
Oi.
- Sabe quem eu sou? - N�o.
Mario Aldana, diretor nacional da Pol�cia Aeroportu�ria.
Antes de mais nada, pe�o desculpas pela vergonha que passou.
N�o tem problema, eu tamb�m reagi mal.
Isso ficou claro, mas suponho...
Imagino que voc� tenha sua raz�o.
E essa raz�o est� aqui, n�o � mesmo?
Se importa se eu abrir?
Desculpa.
- Atenda. - N�o, est� tudo bem.
Eu j� resolvi.
Perguntei se eu posso abrir a mala.
Pode abrir, n�o tem nenhum problema.
- Sente-se. - Sim.
Vou precisar da senha.
� dois-dois-quatro.
Vamos ver.
Dois-dois...
N�o funcionou.
� dois-dois-quatro.
- Certeza? - Sim.
Dois-dois-quatro, mas n�o est� abrindo.
E com dois-dois-tr�s?
N�o sabe sua pr�pria senha?
Sim, mas eu altero por seguran�a.
Tamb�m n�o foi. Que chato, n�o?
Bom, como eu j� havia previsto esse inconveniente,
eu vim preparado.
- Bom, vamos usar esta. - Sim.
Tamb�m n�o foi.
- Nossa! - Vamos ver com esta.
Vamos ver.
- Poderia me dizer o que tem ali dentro? - Voc� viu, s�o roupas.
Sim, mas especificamente que roupa, cor, quantidade?
- Eu n�o sei. - N�o sabe o que tem aqui?
N�o, porque minha esposa sempre faz a mala para mim.
Se eu ligar para ela e perguntar, ela n�o vai estranhar?
N�o, pode ligar, mas n�o vai encontr�-la.
Est� voando, � aeromo�a.
E quando ela fez as malas?
De manh�, bem cedinho.
Seu tamanho � M.
Vamos ver.
� extragrande, ficaria enorme.
- Sim. - Fica enorme.
E isto aqui? Olha s�!
� um pouco pequeno, n�o?
- Mais um. Veja. - Sim.
Voc� gosta de roupa justinha.
Pois �.
E o que temos aqui? � um G. Tamb�m fica grande em voc�.
Ou voc� muda de tamanho,
ou sua esposa n�o sabe quanto voc� veste.
Ou tamb�m...
h� uma terceira op��o.
� que talvez esta mala n�o seja a sua.
Me diga uma coisa...
Est�o pressionando ou te pagando? Tire essa d�vida, por favor.
Olha, isso pode acabar hoje.
Pode sair dessa, n�o importa o que tenham dito para voc�.
Eu vou te proteger.
Tudo o que precisa fazer � me dizer a verdade.
TRANSLADOS SANTA CLARA
Atenda.
- Al�? - � para avisar que seu carro atrasou.
N�o, eu n�o pedi nenhum carro. Voc� se equivocou.
Desculpe.
Bom, olha, esse...
Me desculpe. Al�?
Mario, precisamos de voc� no port�o 5. � grave.
Sim, mas eu...
Mario, � urgente. Venha logo que est� um caos aqui.
- Est� bem. - Venha logo!
- Tudo bem, estou indo. - Te espero aqui.
Me daria um segundo?
Espere um minutinho.
Venha, vamos embora. Vamos!
N�o disse que n�o iam mexer comigo?
J� est� fora. Do que est� reclamando?
Fora nada, o cara sabe. Eu n�o posso continuar assim.
- Temos que parar. - Que op��o voc� tem?
O que acontece se voc� parar? Diga.
- Diga. - N�o sei.
N�o quero dizer para n�o me sentir um escroto.
Se tem algo que n�o suporto � me sentir um escroto.
Mas, se voc� quiser que eu me sinta assim,
posso ser o pior escroto que voc� j� viu na vida.
Mas voc� n�o vai gostar.
Espere a�. E se acontecer de novo?
Se n�o der tempo de trocar minha mala e o cara vir, o que eu fa�o?
Venha comigo, me acompanhe.
Vou mostrar uma coisa.
Esta � a orelha boa, certo?
Olha. Est� vendo a garota l� no balc�o?
Ela est� conosco.
O casal que est� sentado ali...
tamb�m � dos nossos.
Olha ali, aquele da banca de jornal...
Ele � nosso.
Perto da escada, voc� j� o conhece, o Beltramino.
E aquele agente ali... Est� vendo?
Tamb�m � nosso.
Entendeu o que eu quero dizer, n�o?
N�s somos mais que eles
e sempre, sempre, cuidaremos de voc�.
Caro, n�o precisa se preocupar, � s�rio.
A pol�cia do aeroporto sempre faz isso.
Eles tocam o terror em voc� para que fale alguma besteira.
- Mas nosso mundo sempre foi assim. - "Assim" como?
E tem a quest�o do tr�fico de drogas, Caro.
Eles sempre ficam de olho nos pilotos.
Nos controlam, e � bom que fa�am isso.
Recentemente, me perguntaram sobre um colega com uma conduta irregular...
N�o, pare com isso. N�o fa�a isso comigo, por favor.
Achei que fosse parar e me contar a verdade, mas n�o.
At� quando vai continuar?
- Mas eu n�o entendi. - Entendeu, sim.
Agrade�o o enorme esfor�o que est� fazendo para mentir para mim,
porque imagino que n�o queira me preocupar,
mas tamb�m � uma forma de me subestimar.
E eu n�o posso te agradecer por isso.
N�o sei se preciso esclarecer, mas n�o sou t�o idiota.
E voc� est� fazendo algo estranho h� muito tempo j�.
Quem � o cara com quem voc� estava que fez isso na sua cara?
� o mesmo cara que veio te procurar na despedida do Zamora,
e voc� saiu correndo. Quem �?
- O que est� fazendo, Ale? - N�o, Caro. N�o � isso.
Olha, se for me contar uma mentira, pe�o que fique quieto.
Eu n�o aguento mais. Estou at� aqui com suas mentiras.
Eu preciso de uma verdade, s� uma.
E voc� pode me contar. Custa, mas pode.
N�o estou brava, Ale, mas preciso saber o que est� aprontando.
O que est� fazendo?
Venha.
Est� tudo bem, n�o � nada.
N�o � nada, � a verdade.
Mas estou colaborando com o Servi�o de Intelig�ncia de Ezeiza.
O cara que viu fazendo isso comigo � um deles.
No que est� colaborando?
Me pedem para levar uma mala daqui e entreg�-la em Madri.
Mas voc� est� louco? Para qu�? Em troca do qu�?
Em troca de nada, Caro.
Se o Servi�o pede, voc� tem que fazer.
Por isso que te pararam?
N�o, quem me parou foi a Pol�cia Aeroportu�ria,
que justamente quer frear o Servi�o de Intelig�ncia
e evitar essas opera��es. � um assunto deles.
Mas voc� est� no meio, tem que parar!
Como fa�o para parar, Caro? Como? Vamos l�, diga-me.
Estou ficando louco de verdade.
A pol�cia diz que vai me proteger se eu colaborar.
E os outros caras dizem que ningu�m cuidar� de mim como eles.
E est�o me protegendo mesmo, devo reconhecer.
N�o posso acreditar.
- Ale... - Oi, Fer.
A MELHOR CARNE DA ARGENTINA
Voc� viu o plano de voo?
Sim, sim, sim. Ficamos com o Oscar-Papa-Alpha.
O aeroporto de alternativa � o de Barcelona.
Voo cheio, sem carga.
Certo.
- Tudo bem? - Oi.
Comandante, um minuto, por favor.
- Como est�? - Bem.
O que acontecer� se eu abrir sua mala agora?
O que vou encontrar?
Digo, justo agora que seus amigos n�o tiveram tempo de troc�-la?
Abra, n�o tenho nada a esconder.
- Certeza? - N�o sei do que voc� est� falando.
Tranquilo, eu n�o vou abrir.
Se n�o quer cooperar, n�o tem utilidade para mim.
Posso pegar meu avi�o?
Sim, pode ir.
Mas pegue isto aqui.
Fa�a um favor a si mesmo
e descubra o que voc� est� levando,
e como terminaram os que fizeram isso antes de voc�.
Depois, me ligue.
Obrigado. Tchau.
E a�?
N�o vai me perguntar?
O qu�?
N�o se fa�a de tonto, Ale!
Quando voc� come�ou?
No in�cio do ano, e voc�?
Em agosto do ano passado.
Voc� pensou que fosse o �nico?
Na verdade, n�o sei.
Todos desta rota fazem isso?
Acho que todos que eles conseguem comprar.
- Eu preciso desse dinheiro. - Que dinheiro?
Como assim?
O dinheiro do pagamento, Ale.
Eu perguntei "que dinheiro"
para saber quanto te pagam, para saber se est�o me sacaneando.
- Dois mil d�lares por viagem. - Olha s�!
Entendi.
- � uma boa grana. - Sim, sim.
- E voc�? - Essa mesma quantia. Estamos bem.
O div�rcio me deixou quebrado, e com a atual situa��o...
Ter essa grana debaixo do colch�o � uma garantia para mim.
Al�m do mais, n�o tem problema.
Olha, com o tempo, voc� esquece.
N�o posso acreditar nesta conversa.
Voc� diz como se fosse t�o natural, mas � o cara mais cag�o que conhe�o.
Dois mil d�lares por viagem tiram qualquer medo, entendeu?
Mas eles disseram o que estamos levando e por que precisam de tanta gente?
Esses caras est�o acima de tudo, Ale.
Est�o em outro n�vel.
Eu s� deixei bem claro que, se fosse para levar coca�na,
n�o contassem comigo.
N�o quero ser pego na Espanha com drogas para revistarem minha bunda.
Eles morreram de rir e juraram que n�o.
- E voc� acreditou? - �, n�?
De onde tirou isso?
Bom descanso.
- Nos vemos em duas horas, obrigado. - At� logo.
- Voc� trancou a porta? - Sim, sim.
Voc� est� louco. Alejandro, por favor, pare com isso.
- J� disse que n�o � coca�na. - Cale a boca, por favor.
Posso entrar?
Est� travado.
Que estranho, porque est� aberto. Empurre.
N�o, n�o abre.
Por favor, eles v�o descobrir.
Esta droga n�o abre.
J� vou abrir, espere.
- Espere. - Podem abrir para mim?
Sim, sim.
Eu estou empurrando. Parece que a porta vai abrir.
N�o, n�o est� abrindo.
- E agora? - Estamos saindo.
Desculpa, minha cabe�a est� doendo. Quero descansar um pouco.
- Isso � um perigo. - Sim, tem que avisar o pessoal t�cnico.
Certo.
"Descubra como terminaram os que fizeram isso antes de voc�."
Foi o que ele me disse.
Ele disse isso porque � a �nica coisa que pode fazer.
Se ele tivesse poder, teria usado. Fez a mesma coisa comigo.
Ele se aproximou e disse que queria me ajudar.
Dei uma cortada, e ele parou de incomodar.
Mas n�o custa nada verificar.
N�o somos os primeiros a fazer esse trabalho.
Mas n�o sabemos quem mais faz, exceto o Novak.
Quem � esse Novak? Venha.
Novak, o tal de Polaco. Ele pilotava na Fly Europa.
N�o � da nossa turma.
- Eu n�o sei quem �. - Ele faleceu no ano passado.
Ele fazia esta rota.
Ele era um cara rabugento, mas uma boa pessoa.
Ele nunca disse nada para mim, mas eu percebi.
Era como n�s dois:
a mala, o adesivo da vaca,
o rabo preso com a pol�cia aeroportu�ria...
- Est� de sacanagem, Fernando? - Por qu�?
O �nico cara que fazia isso est� morto, e voc� acha que n�o tem nada estranho?
- Do que ele morreu? - Diga uma coisa.
Se tem tanto medo de continuar nisso, por que n�o para?
- N�o � t�o f�cil. - Esta rota est� cheia de pilotos!
Qualquer um aceitaria o dinheiro. Voc� l� os jornais?
Dinheiro resolve tudo.
E se o Novak quis parar?
E se o mataram por causa disso?
O que est� fazendo, cara?
N�o.
Ningu�m mora aqui.
Vamos, a casa est� abandonada.
� o que parece.
Venha comigo.
- Bom dia, senhora. - Bom dia.
- Tudo bem? Desculpe incomod�-la. - Imagina!
Eu estava tocando a campainha da casa da frente.
Conhece os vizinhos de l�?
N�o, n�o sei.
- Queremos compr�-la para nossa m�e. - Isso.
Por qu�? Voc�s s�o irm�os?
- Sim. - Somos.
- Mas n�o parece. - Somos de pais diferentes.
- Conhece os donos? - N�o, o senhor faleceu.
Coitado dele. O que aconteceu?
Pode n�o ter sido nada de ruim, mas sempre pensamos o pior neste pa�s.
S� um pouquinho.
Se o bairro for perigoso, n�o podemos trazer a m�e.
N�o, o bairro � tranquilo.
Mas o homem foi morto em um assalto.
- Meu Deus! - Pois �.
Que tenso! E como foi?
Todos os dias, um carro vinha busc�-lo para lev�-lo ao trabalho.
Eu prefiro de noite, sabe?
Um dia, eu escutei tr�s tiros.
Olhei para rua e vi um carro cantando pneu.
E o homem estava ca�do na cal�ada.
Por isso, imaginei que era um assalto,
porque quem sai atirando de brincadeira?
- Claro. - Ele deve ter reagido.
Mas este bairro � muito lindo.
Qual � a idade da m�e de voc�s?
Oi, diga.
Nada de mais. Eu decidi encontrar meu amigo.
Agora? Voc� est� em Ezeiza?
N�o, onde Judas perdeu as botas.
Ele disse que � um lugar seguro.
Mas pensou bem, Alejandro?
N�o v� criar confus�o para todo mundo.
N�o vou criar nenhuma confus�o.
Fique tranquilo a�, por favor.
Estou procurando op��es, talvez ele possa nos ajudar.
� que n�o preciso de ajuda, o que eu preciso � de dinheiro.
E v�o cortar a grana de todos por sua causa,
porque voc� se assustou um pouco.
Tentaram assaltar o Novak e acabaram disparando.
- Isso acontece todos os dias. - Tr�s tiros, Fernando! Tr�s tiros!
Ele acabou de chegar.
Se eu n�o ligar � noite, nos vemos amanh� em Ezeiza.
- N�o sabia que podia trazer algu�m. - Voc� n�o podia.
Dra. Rita Tirabosco, promotora de Lomas de Zamora.
- Muito prazer. - Igualmente.
A coisa � mais ou menos assim...
Nesta ponta, est�o os Servi�os de Intelig�ncia.
Nesta outra ponta, os minist�rios.
E nesta outra, o aeroporto de Ezeiza.
Os Servi�os de Intelig�ncia t�m um fundo reservado.
Eles recebem um or�amento e n�o precisam explicar a ningu�m
como gastam esse dinheiro.
O resto dos minist�rios
precisam explicar como eles gastam.
Mas, nos �ltimos anos, eles criaram um esquema.
Eles desviam fundos para o Servi�o de Intelig�ncia
como fundos reservados
e os devolvem em dinheiro, guardando uma parte, � claro.
- Est� entendendo? - Acho que sim.
Enquanto o dinheiro circular entre as duas pontas, n�o posso fazer nada.
Agora, quando Ezeiza interv�m e tira dinheiro do pa�s,
a�, eu posso, porque configura evas�o de divisas.
Veja...
Este � Atilio Segovia, vulgo Saavedra.
� o chefe do grupo de Ezeiza,
a base do Servi�o de Intelig�ncia no aeroporto.
Esse cara administra tudo, ele compra agentes com pouco dinheiro.
E pilotos.
Teoricamente.
Teoricamente, claro.
Voc� abriu a mala.
No suposto caso de eu ter levado uma mala,
sim, teoricamente, posso ter aberto.
Ent�o, voc� sabe que estamos certos.
Aldana, vejamos, se, teoricamente, eu decidisse depor.
O que eu ganho?
Em primeiro lugar, n�o ir� para a cadeia,
porque, se eu quiser, posso acus�-lo como part�cipe ou c�mplice.
E voc� v� com seu advogado.
N�s n�o queremos que voc� deponha como r�u,
porque voc� n�o seria obrigado a dizer a verdade nem a depor.
Para que a causa avance, o mais conveniente
� depor como testemunha.
Voc� nunca abriu a mala, n�o sabe o que tinha dentro dela.
Mas eu abri.
Teoricamente.
� simples, Alejandro.
Se abriu, voc� � c�mplice. Se voc� n�o abriu, � testemunha.
O que voc� prefere?
- Des�a do carro, vamos! - Sim, sim!
- Calma. - Vamos logo!
Cala a boca e anda!
Anda, caramba! E coloque isto!
Entre na van, vamos!
Filha da puta! Cai na caixa postal.
Relaxa, certeza que est� tudo bem.
Deve ter ficado sem bateria.
Sabe como o Alejandro �.
Ele perde a no��o do tempo. Deve estar bebendo com um amigo.
Fernando, n�o precisa mentir. Sei o que voc�s est�o fazendo.
- N�o estou entendendo. - N�o banque o bobo.
Sei que est�o obrigando-os a transportar malas.
Sei que Alejandro foi ver o policial porque quer parar com tudo.
Quem est� obrigando-o? Ningu�m me obriga a nada.
Ent�o, por que faz isso?
Pela grana, Carolina.
O Alejandro tamb�m recebe.
Ou n�o? N�o sei. Ele disse que est� sendo obrigado?
Pode se comunicar com eles?
"Eles" quem?
Tudo bem, me d� um minuto.
Traslados Santa Clara. Boa noite.
Sim, oi.
Olha, preciso falar com algu�m sobre o Alejandro, meu amigo.
Eu n�o sei onde est�. Al�?
- Al�? - E a�?
- Eles desligaram. - Fique aqui, caso o Ale volte.
- N�o, aonde voc� vai? - Fazer uma den�ncia.
N�o pode envolver a pol�cia. O que vai dizer?
A verdade!
Venha aqui, Carolina.
Venha comigo.
Espere, por favor. O que v�o fazer comigo?
S�rio? N�o sei. Diga, o que devemos fazer com voc�?
Eu juro que n�o disse nada, nada mesmo.
Alejandro, sabe o que mais me irrita?
N�s n�o te denunciamos por voar sem estar em condi��es.
N�s te ajudamos a continuar trabalhando,
te protegemos, tiramos a pol�cia da sua cola. Sim ou n�o?
- Sim. - Sim.
E ainda pergunta o que vamos fazer com voc�?
O que somos? Delinquentes?
- Por que est� me desrespeitando assim? - N�o, n�o, n�o.
Sim, sim, voc� est� me desrespeitando.
O que aconteceu?
Por que est� t�o nervoso? O que ele disse?
- Quem? - Voc� sabe. O que o gordo disse?
Nada, quer que eu colabore com ele,
que eu testemunhe contra voc�.
J� sei disso.
Mas por que voc� quis encontr�-lo ontem?
N�o, n�o � que eu queria...
Olha...
eu n�o teria que dizer isto, porque voc� n�o merece,
mas algo est� prestes a mudar.
Falta muito pouco para que tudo isso acabe para sempre,
e, como eu prometi,
poder� seguir sua vida como se n�o nos conhec�ssemos.
Agora, se voc� continuar falando com aquele imbecil,
se contar para algu�m o que estava fazendo,
nosso combinado, o que conversamos, vamos ter que reagir.
- Ficou claro? - Sim.
Ficou sem bateria, v� carregar.
Caro.
Caro?
Caro?
Eu j� estou aqui.
Estou aqui, meu amor. J� estou aqui.
Eu fui sequestrado.
Ficaram sabendo que eu fui falar com Aldana.
- Eles me amea�aram. - Olha s�!
O que foi, Caro?
"O que foi?"
E voc� ainda me pergunta?
Como tem coragem de continuar mentindo? Voc� n�o tem vergonha?
- O que est� dizendo? O que voc� tem? - O que eu tenho?
Eu tenho isto.
Pelo menos, agora entendo por que voc� fez isso.
Onde voc� se meteu, cara?
Quanto te pagaram, filho da m�e?
- O qu�? - Quanto pagaram para me entregar?
Voc� est� louco.
Voc� me conhece h� 40 anos, Fernando. Quarenta!
Ficou na minha casa quando se separou. O que voc� fez contra mim?
Mas o que est� dizendo?
� o filho da puta do Aldana que te manipulou.
Por que fez isso comigo? S� voc� sabia que eu ia encontr�-lo!
- Mas o que voc� est� dizendo? - Seu filho da puta!
Alejandro. Ale!
- Mas a comida estava incr�vel. - E depois sa�mos, mas uma...
- Bom dia. - Ele chegou.
- Pergunte a ele. - Espera, Ale.
Agora que est� pilotando de novo, temos um plano para amanh� � noite.
Ano Novo na Fabrik.
Vamos comer e nos divertir sem fam�lia e sem problemas.
Ser� uma noite madrilenha. E a�?
Obrigado, mas n�o estou a fim.
Ale...
O que deu nele? Agora, n�o quer sair mais?
O n�mero chamado est� desligado ou fora de �rea...
Ei!
Quem � esse?
O que aconteceu? Voc� se esqueceu?
Voc� o conhece?
Entre na van, eu j� volto.
- Eu estava l�. - Sim?
- O que aconteceu? - N�o te avisaram?
- Do qu�? - N�o trouxe nada. Pensei que soubesse.
Soubesse o qu�?
N�o sei, � com o Saavedra. Ele disse que as coisas iam mudar.
- Eu n�o sei. - N�o venha com essa, idiota.
N�o, n�o, veja que n�o tem nada.
S�o minhas roupas, n�o tenho nada.
Por isso que perguntei. Estranho que n�o te avisaram.
- Fique calmo... - Venha comigo.
- Para onde? - Est� tudo bem. Venha.
- Me deixe! - Venha comigo.
- Ale? Alejandro, venha. - Falamos depois.
Vamos conversar agora. N�o v� embora.
- Venha. - Tchau.
- O que aconteceu? - Depois, te conto.
Saavedra, descobri pelo imbecil que as coisas mudaram.
- Que imbecil? - Petrossi�n, meu piloto.
O qu�?
N�o custava nada pegar o telefone e me avisar.
De que mudan�a voc� est� falando?
- Eles n�o mandaram nada. - Est� de sacanagem comigo?
N�o, idiota, falei que n�o me mandaram nada.
Olha como fala comigo!
- Onde est� a grana? - N�o sei, foi por isso que liguei.
- Mandamos o de sempre. - O cara n�o foi ao banheiro.
Eu fui atr�s dele, o encontrei, abri a mala e estava cheia de roupas.
Essa grana � sua responsabilidade.
V� atr�s dele no hotel e fa�a o que for preciso.
Ele sempre fica no mesmo lugar.
Resolva isso, ficou claro?
Tudo bem, tudo bem.
Bom, me conte o que aconteceu.
Relaxa que n�o foi nada.
Como assim? Se liga, Alejandro. Quem era aquele cara?
� um primo da Carolina que mora aqui, um noiado que sempre me pede dinheiro.
Hoje, eu cortei a mamata, e ele ficou louco.
Mas voc� deu sua mala.
Eu s� tinha roupas nela.
O que est� fazendo? Vai aonde?
Tenho uma coisa para fazer. J� volto.
O n�mero chamado est� desligado ou fora de �rea...
Recep��o. Boa tarde.
Por favor, poderia mudar meu quarto?
- Algum problema com o de agora? - Sim, � a porta.
� muito fraca, d� para abrir com um chute.
Tem quer ser uma fechadura dupla, ou ent�o mais forte.
Senhor, todos os nossos quartos s�o praticamente id�nticos.
Puta que pariu!
Vai se danar!
Tr�s, dois, um!
- Tchau. - Muito obrigado.
- At� logo. - Muito obrigado.
Saavedra?
Saavedra?
Saavedra?
Saavedra, � o Alejandro.
Ol�?
Escute bem, porque n�o gosto de repetir.
Em sil�ncio, com a boca bem fechada, voc� vir� comigo.
E s� vai falar quando eu mandar.
Voc� vai me dizer que merda voc� fez com a grana!
Est� achando que tenho cara de idiota?
Ficou claro?
Sim, mas acalme-se, por favor.
Que parte de "fechar a boca" n�o entendeu?
Voc� tem que me escutar, por favor.
Eles querem me ferrar,
mas querem ferrar com voc� tamb�m.
Se algu�m tem esse dinheiro, � o Saavedra.
N�o tenho nada a ver. Voc� entendeu?
Sim.
Ent�o, por que voc� fugiu?
Vamos, saia da�, devagar.
- N�o. - Saia!
Tudo bem, estou indo.
Mas � importante que tenha escutado o que eu disse, certo?
Fique tranquilo, estou indo.
Calma, por favor.
Estou aqui.
Saavedra, gra�as a Deus!
Filho da puta!
Por favor!
Cad� o Aldana? O Aldana!
Ele est� me perseguindo!
Ele vai escapar, Aldana!
- Ele vai escapar! - Pode deixar que resolvo isso.
Ele quase me matou. Feche tudo!
Carlino, feche todas as entradas e sa�das.
- Por favor. - Feche... Eu estou mandando, Carlino!
- Algum problema, agente? - Abra a janela, por favor.
Qual � o problema?
- Boa noite, cavalheiro. - Boa noite, senhor.
Precisa da documenta��o?
Pe�o que saia do carro, por favor.
Por qu�? Algum problema?
Saia do carro, por favor, lentamente.
- Acho que est� cometendo um erro. - N�o complique minha noite, por favor.
Fique tranquilo a�. Voc� se equivocou.
- Voc� tem algo? - Vai cagar, idiota.
Agora, vou mostrar algumas fotos para ver se reconhece estes homens.
Voc� o conhece?
E este aqui?
E este outro?
E este?
Droga!
M�os ao alto! Pol�cia!
- Levante as m�os. - Relaxem a�.
- Encoste no carro, vamos! - Fiquem tranquilos.
O que est�o fazendo?
- Beltramino! - Oi?
Parado a�!
N�o! Est�o cometendo um erro, n�o sabem o que est�o fazendo.
SETE MESES DEPOIS
Ol�.
- Bom dia, tudo tranquilo? - Bom dia, doutora. Tudo tranquilo.
Temos algumas formalidades antes do julgamento.
O mais importante � repetir a rodada de reconhecimento do Porchietto.
- Por qu�? - Ordens do juiz.
O advogado de defesa alegou falhas no procedimento e anulou o anterior.
Que falhas? N�o estou entendendo.
Quando voc� escapou, atingiu o cara com sua maleta
- e feriu a p�lpebra dele. - E da�?
Os caras escolhidos para acompanhar o suspeito na identifica��o
n�o tinham ferimento na p�lpebra,
ent�o, isso n�o � justo com o acusado.
N�o consigo acreditar.
- S� um segundo. - Claro.
Al�? Sim.
N�o se preocupe, eles fazem isso para atrasar.
� desespero porque n�o h� escapat�ria.
Eu � que estou no desespero, Mario. Estou incomunic�vel h� sete meses.
Eu n�o posso falar com ningu�m. Ningu�m vem me visitar.
At� os presidi�rios se divertem mais.
Preciso ver a Carolina, Mario.
Fique tranquilo que vamos organizar uma sa�da, t�?
Bom, obrigado. E por que n�o est� de terno?
N�o disse que est�o desesperados?
- Por qu�? - Pediram minha demiss�o.
Eles inventaram um caso de contrabando.
Foi o pessoal da Intelig�ncia.
Pegaram cola, tesoura e papel e armaram para mim.
E, at� explicar que focinho de porco n�o � tomada...
Nossa, que filhos da puta!
Sempre quis perguntar isto:
por que Novak n�o foi testemunha protegida como eu?
Para ser testemunha protegida, tem que denunciar,
e o Novak n�o queria.
Eu estava justamente tentando convenc�-lo,
e foi quando o mataram.
Eles devem ter pensado que isso ia me impedir.
- Mas voc� est� seguro aqui. - S�rio?
Sim?
Para eles, n�o vale a pena te matar, de forma alguma.
Voc� est� prestes a depor,
e n�o se livra de um processo matando a pessoa que denunciou.
� pelo contr�rio, entendeu?
Eles v�o tentar te convencer a mudar seu depoimento.
Eles n�o v�o conseguir.
Venha aqui, porra!
Vai fechar a boca ou est� a fim de depor?
- N�o. - Vai calar a boca ou n�o?
N�o atire, n�o atire!
N�o atire em mim!
Da pr�xima vez, n�o esquecerei a bala.
Vamos.
Oi.
Oi.
- Com licen�a. - Entre.
- Vou deixar aqui para voc�s. - Obrigada.
Muito obrigado.
Qualquer coisa, me avise.
A vigil�ncia � boa aqui?
N�o sei por que colocaram uma viatura na porta.
Ela j� adora me policiar.
� para o seu bem, Caro. N�o sabemos o que os caras podem fazer.
Mas eu nem fui amea�ada.
Acho que sabem que n�s n�o temos mais nada.
Tamb�m n�o � assim.
Caro, eu pedi permiss�o para te ver
porque tem uma coisa que eu quero falar com voc�,
que eu quero lhe contar.
Enfim...
H� alguns anos, fui diagnosticado com perda auditiva em um ouvido.
� uma besteira, mas voc� sabe como funciona.
Se eles descobrissem,
n�o me considerariam apto fisicamente e tirariam meu cargo na hora.
Ent�o, falei com a m�dica...
Sua amante.
Minha m�dica, Caro.
E eu a convenci a me deixar continuar voando.
Os passageiros n�o correm nenhum risco comigo.
Estou perto de me aposentar
e queria terminar minha carreira pilotando, n�o de repente.
Ela aceitou e me autorizou, mas os caras descobriram.
Eles usaram isso para me pressionar.
Foi assim que fizeram tudo isso comigo.
Voc� � um idiota.
� isso mesmo, voc� � um idiota.
Faz mais de seis meses que n�o estamos juntos,
estou trancada na casa da minha irm� com a pol�cia na porta
por causa de suas m�s decis�es.
Eu n�o posso ir trabalhar, Ale.
Minha irm� fica enchendo meu saco, me sinto uma idiota.
E, agora, voc� aparece com um sorriso no rosto para bancar o honesto
e dizer que tudo podia ter sido evitado se parasse de voar?
O que voc� quer? Que eu agrade�a por sua sinceridade?
� tarde. Extremamente tarde, na verdade.
N�o podemos ficar te aplaudindo enquanto pagamos pelos seus erros.
Fernando me liga todas as noite, est� desesperado.
Ele est� tremendo de medo.
E � l�gico, depois do que fizeram com ele.
O que eles fizeram?
Voc� quer saber o que eles fizeram?
Verdade, esqueci que voc� � um cara que est� cagando para os outros.
Que pergunta � essa?
Meu Deus!
Aqueles filhos da puta!
Vai entrar ou veio me bater de novo?
� que a �gua no fog�o est� quase fervendo.
- Foi aqui dentro? - Foi na frente de casa.
Tr�s funcion�rios do Estado, muito eficientes,
me atenderam em domic�lio, n�o posso nem reclamar.
Venha, sente-se.
- O que foi? - Venha aqui.
Me d� seu celular.
N�o me deixam ter um celular.
Tente lembrar.
Quando esses caras te convidaram para colaborar,
ficaram com seu celular?
- A mulher ligou v�rias vezes. - E a atenderam?
� por isso que sabiam tudo o que voc� fazia.
Eles estavam nos escutando o tempo todo, idiota.
Eles grampeiam rapidinho esses celulares modernos.
Veja o que estou usando agora.
Quero ver grampearem este dinossauro!
Meu Deus, que vergonha!
Me perdoe, Fernando. Eu sou um idiota.
� um idiota, mas eu te perdoo.
Escute, venha comigo, porque eu tenho seguran�a.
N�o precisa.
O qu�? Quase te mataram, Fernando.
N�o v�o me espancar de novo. J� resolvi isso.
Eu n�o vou depor.
N�o, voc� n�o pode dar pra tr�s.
Estou cansado de viver com medo.
Al�m do mais, n�o sou testemunha, sou acusado.
- N�o podem me obrigar. - Preste aten��o.
A procuradora me deixou vir aqui porque ela quer que eu diga
que, se voc� colaborar, ela vai te proteger.
Ela n�o quer te pegar, e sim os de cima.
Diga � procuradora que "os de cima"
me explicaram muito bem como as coisas funcionam.
E voc�?
Tem certeza de que vai depor?
Se voc� n�o falar nada, o julgamento j� era.
Como vai ser? J� pensou bem, Alejandro?
Voc� vai l�, dep�e e fala toda a verdade,
e os caras v�o pra cadeia.
E depois? Eles v�o te deixar em paz?
O filho da m�e do Saavedra nunca foi pego pela pol�cia.
Nem sabemos se ele � procurado.
N�o, Fernando. Voc� est� louco? N�o posso negar tudo agora.
A procuradora foi muito clara. "Voc� � testemunha ou c�mplice?"
Se eu n�o colaborar, v�o me jogar na cadeia.
Agora, estou ferrado. Ent�o, eu vou depor.
Escute aqui, fique tranquilo. N�o v� ficar nervoso.
� de rotina. S� precisa identificar o cara de novo.
J� me disse 20 vezes para n�o ficar nervoso,
mas isso me deixa ainda mais nervoso.
Oi, doutora. Oi, Alejandro.
Por favor, sentem-se. Vou ver como estamos de tempo.
- Obrigado. - Vamos l�.
Oi, Caro. Voc� pode falar?
Sim, Fer. O que aconteceu?
O Alejandro est� prestes a fazer uma cagada.
- Temos que par�-lo. - O que ele fez agora?
Por sorte, n�o fez nada ainda.
O cara est� determinado a depor contra pessoas perigosas.
Ele n�o entendeu que vai dar ruim.
Ele veio para c� e tentei dissuadi-lo, mas ele est� determinado.
Se ele continuar com essa,
eles v�o acabar com ele e comigo antes mesmo do julgamento.
V�o matar todo mundo.
Voc� tem que me ajudar a convenc�-lo.
Mas ele � uma testemunha protegida.
Tem 200 policiais cuidando dele.
S�o dois seguran�as apenas. N�o v�o parar at� mat�-lo.
Precisa me ajudar a convenc�-lo a n�o depor.
Mas n�o posso ligar. Ele n�o pode ter celular.
Olha, daqui a pouco, vou encontr�-lo no escrit�rio da advogada.
Ele est� com ela no tribunal e depois vem aqui.
Por que voc� n�o vem para conversarmos com ele?
- Tenho medo de que ele fa�a algo. - A que horas?
Mais ou menos em uma hora. Voc� chegaria a tempo?
Bom, estou indo para a�.
Obrigado.
Duas sess�es est�o atrasadas. Ent�o, vai demorar.
Fer? Fer, estou aqui!
Nossa, olha como voc� est�! Que trag�dia!
N�o, estou bem, fique tranquila.
Por que me trouxe a este caos?
- N�o sabia que estava assim. - Eu atrasei?
Venha comigo!
Estamos dando a volta porque h� um tiroteio!
Venha pra c�. Fique tranquila!
Venha.
O que est� acontecendo?
Fer! O que est� fazendo?
O que foi?
Fer?
Me perdoe.
Perdoar pelo qu�?
- Carolina? - Isso.
Por favor, j� podem ir entrando.
Al�? Diga.
Como?
Est� bem, v� l�.
N�o, n�o, v� com eles.
N�o importa. V� com eles e me avise quando chegar.
Certo.
Aconteceu algo?
E a�? Falaram alguma coisa?
Ela continua em coma.
Perdeu muito sangue.
V� embora, ou v�o te matar aqui.
Eu vou ficar.
Conseguiu v�-la, pelo menos?
N�o.
Mas v�o me manter informado.
A coitada est� em coma ainda.
Mas, pelo menos, est� est�vel.
Vou deixar seu ch� aqui.
Quer saber? Eu estive pensando.
O seguran�a da Carolina
disse que ela pediu para ir ao escrit�rio da minha advogada.
Eu n�o a chamei,
e minha advogada tamb�m n�o.
O que ela estava fazendo l�, Fer?
N�o sei.
� estranho, n�o sei.
� por isso que estou aqui.
Para qu�? O que foi?
Eu preciso do seu celular.
Meu celular? Para qu�?
Estou incomunic�vel. Eu preciso fazer uma liga��o.
E para quem vai ligar?
Vou acabar com tudo isso, Fer.
� isso.
Tome cuidado, Alejandro.
TRASLADOS SANTA CLARA
� voc�?
Estava esperando que me ligasse.
Seu filho da puta!
Sei que foi voc�.
Voc� � um bosta!
Alejandro, n�o vou me ofender porque entendo pelo que voc� est� passando,
mas juro que n�o fui eu.
Foi algu�m da casa.
"Algu�m da casa"? Olha s�!
Voc� � a "casa", filho da puta!
N�o fui eu.
Essas pessoas est�o ficando nervosas,
e eu tamb�m estou com medo.
Acha que tudo isso foi bom para minha carreira?
- Se eu n�o resolver, vou me complicar. - Veja s�!
Bom...
eu tamb�m quero resolver isso.
Estou escutando.
- Um milh�o. - Um milh�o de pesos?
De d�lares.
Nossa!
Vai dizer justamente para mim que n�o consegue?
Obviamente, h� certa disponibilidade, mas tamb�m n�o sou um banco.
Mas, se precisa disso para ficar tranquilo,
relaxa, eu consigo para voc�.
Um milh�o de d�lares para negar tudo no tribunal.
Voc� continua com sua vida, e nada aconteceu aqui.
Bom, aconteceu de tudo, mas n�o vai continuar acontecendo.
Onde nos vemos?
N�o sou burro, Saavedra.
Sei que voc� quer se livrar de mim. Preciso de garantias.
Voc� continua desconfiado, e eu entendo,
mas, se quer essa grana, preciso entreg�-la pessoalmente.
Eu acho �timo, mas vai ser em um lugar p�blico.
Estou de acordo.
Mas eu escolho.
Quando nos vemos?
Eu vou ligar pra voc�.
Me d� uma previs�o... Al�?
Bom, fique tranquilo, tome seu tempo.
Se voc� precisar, posso coloc�-los mais perto.
N�o tem pressa.
N�o, ele n�o est� ali.
Voc� n�o precisa responder rapidamente.
Preste aten��o nos detalhes,
tente se reconectar com sua mem�ria.
Sim, sim, eu fiz isso, mas ele n�o est� ali.
Alejandro, por favor!
Doutora, ele disse que n�o viu. N�o insista.
A testemunha est� passando por uma situa��o muito traum�tica.
Vamos sair um minuto, para tomar um pouco de ar fresco
e reorganizar nossas ideias, s� isso.
Alejandro.
Alejandro, o que voc� est� fazendo?
� que o tempo passou, Rita. Eu me esqueci do rosto dele.
O cara est� l� e voc� sabe disso.
Voc� n�o esqueceu o rosto dele. N�o sou idiota.
O que est� fazendo?
Voc� est� com medo? Est� tudo bem, eu te entendo.
No seu lugar, eu estaria igual, depois de tudo que fizeram com voc�.
Isso � o que eles fazem,
mas esta � a �nica forma que temos de det�-los.
N�o estou vendo nada parando.
Seu medo vai ter consequ�ncias.
Se voc� n�o identific�-lo,
v�o soltar esse cara.
N�o posso mais te ajudar, Rita.
O que quer dizer? Voc� n�o vai depor?
N�o.
Sua colabora��o com a Promotoria
� a �nica coisa que te protege neste momento.
N�o estou te amea�ando,
mas, se voc� n�o testemunhar, terei que te acusar.
Eu vou tirar sua prote��o,
e voc� vai ficar mais vulner�vel do que nunca.
Fa�a o que tiver que fazer.
- Alejandro. - Diga.
- Estou devolvendo suas coisas. - Obrigado.
Boa sorte, cara.
Sim, tchau.
Ale, meu querido, � sempre um prazer te escutar.
Oi. Voc� conseguiu a grana?
Felizmente para voc�, sim.
Amanh�, � meia-noite, no bairro Retiro.
Abaixo da Torre dos Ingleses.
Vai receber dinheiro no Retiro? Que coragem!
N�o prefere um lugar mais seguro?
N�o, est� bom l�.
� meia-noite l�, ent�o.
- Al�? - Oi, Mario. Aqui � o Alejandro.
- Alejandro, tudo bem? Diga. - Tudo. Me escute, eu n�o tenho tempo.
Estou no Sheraton do Retiro, quarto 1404.
Eu preciso te pedir um favor.
N�o sei o que est� pensando, mas precisa parar.
J� foi, Mario. Voc� trouxe?
Sim, trouxe, mas para que voc� quer?
Eu confiei em voc�, e voc� vai confiar em mim. Me d�.
Espere.
Vou perguntar de novo. Tem certeza do que vai fazer?
N�o, mas n�o tenho outra op��o.
E preciso da sua ajuda.
Onde voc� est�?
Ale, meu querido, est� escutando bem?
Foi mal, parece que estou de sacanagem.
- Como voc� est�? - Est� na hora.
Eu sei, j� estou chegando.
Est� me vendo?
O que � isso?
Isso � intelig�ncia, meu querido.
E trabalhar com intelig�ncia � antecipar os acontecimentos,
como em um jogo de xadrez.
Voc� age pensando no que o outro vai fazer.
Considerando o que ele fez antes, � claro.
E quero te parabenizar porque, esta noite,
voc� usou a intelig�ncia,
ou tentou usar.
�s vezes, d� certo; outras vezes, n�o.
Onde voc� est�, filho da puta?
E agora que voc� n�o vai mais pilotar,
pode vir para minha �rea, sempre precisamos de gente.
N�o se esconda, apare�a aqui. Onde voc� est�?
Me fa�a um favorzinho, sinalize para que seu amigo se aproxime.
Ele sabe o que tem que fazer.
A� est� o que combinamos.
Um milh�o de d�lares. Caramba!
Como eu te invejo!
O que est� fazendo aqui, Fernando?
Me perdoe, Alejandro, tenho que fazer isso!
O que voc� tem que fazer?
O que est� fazendo?
Me perdoe!
O que � isso, Fernando?
Pergunte por que ele pediu perd�o.
Se � por esta noite ou pelo que ele fez no outro dia.
Ele n�o gostava da sua esposa.
Teve que entregar a pobre coitada.
Eles me amea�aram, querem me matar.
Cala a boca!
Acredite em mim, por favor.
Voc� acredita nele ou n�o?
Onde voc� est�, seu filho de uma puta?
Sim, eu sou um filho da puta, mas n�o sou rancoroso.
Outra pessoa no meu lugar teria atirado em voc�, mas deixa quieto.
Apesar de trabalhar com isso, ainda acredito na palavra.
� isso, Alejandrinho.
Pegue o dinheiro,
volte para o lugar onde voc� est� se escondendo,
conte bem, para n�o faltar nada, e comece a planejar o resto da sua vida.
Por favor, tem que acreditar em mim!
- V� embora! - Acredite em mim!
V� embora! Saia daqui!
V� embora! V� embora!
Fez muito bem, n�o d� para ser amigo de um cara assim.
Se tem uma coisa que n�o suporto � a falta de lealdade.
Onde voc� est�?
J� estou no hotel.
- Certo, vou esperar aqui. - N�o.
N�o? "N�o" o qu�?
- Traga a grana. - Eu vou levar,
mas n�o quero mais me expor, n�o confio em voc�s.
Fizemos um pacto, seu filho da puta.
Fique tranquilo. Abra a gaveta da mesa de cabeceira.
Tem um cart�o l�.
Quarto 453.
� onde vou deixar o dinheiro.
Pol�cia, m�os ao alto! Para o ch�o.
Calma, calma, calma!
- Voc� est� preso! - Deite-se no ch�o!
- M�os nas costas! - Espera, espera!
- Eu n�o fiz nada! Me soltem! - Cale a boca!
J� est� feito. Est� me machucando!
Fique calado!
- J� o pegamos. Ele est� preso. - Filho da m�e!
Vou te matar, seu filho da puta!
Quero voc�s dois no meu escrit�rio amanh�.
O procurador est� em cima de mim!
H� algo que eu deva saber?
Sobre o qu�?
Me disseram que acharam o Saavedra.
E acontece que eu, que nem uma idiota,
ordenei uma opera��o, e o cara foi morto na nossa frente.
Voc�s sabiam que o Porchietto estava aqui, no hotel?
Venha aqui.
E como n�s �amos saber?
Qual �, doutora?
Relaxe um pouco.
At� parece que � uma coisa ruim. Qual �?
Est� sendo tirado.
Saavedra, seu filho da m�e!
Fernando, n�o! Para, Fernando!
Me soltem! Me soltem!
Estou pedindo para me soltarem!
Filho da puta! Me solta!
- Me soltem, seus desgra�ados! - N�o se mexa!
- M�os na caminhonete! - Filho da puta!
Saavedra, seu filho da m�e!
- Vire-se. - Me solta!
Voc� ganhou, filho da puta!
Voc� � um grande filho da puta!
UM ANO DEPOIS
Oi, Caro.
Como vai?
Eu queria ver como voc� estava.
Faz tempo que n�o nos falamos, n�o sei nada de voc�.
Se, um dia, voc� quiser beber algo ou me encontrar...
Estou muito arrependido do que fiz e pelo que aconteceu.
Eu fiz muita besteira, Caro, e nunca te pedi perd�o.
Sei l�, se tivesse alguma forma de reparar a dor que causei em voc�,
eu gostaria de tentar.
Era isso.
Um beij�o. E te amo muito. Tchau.
Voc� me deixou meio preocupado.
Fique tranquilo, n�o � nada demais. � normal que ele queira te conhecer.
Esse cara � dos bons, � um sucessor digno.
Eu mesmo o preparei.
Por que n�o est� de gravata?
Qual � o problema?
� o diretor da Pol�cia Aeroportu�ria. Vem ao caso, n�o?
- Bom... - Pegue aqui.
N�o. Mas...
- Use a gravata. - � necess�rio?
Coloque.
- Aonde vamos, Mario? - Confie em mim.
Ele est� aqui?
� isso a�, Ale!
Parab�ns, Ale!
Parab�ns!
Bravo!
Eu sei que, pra voc� e esse pessoal,
a despedida � um momento importante.
Voc� n�o teve uma.
Tamb�m n�o poder� fazer um voo rasante,
mas vai poder cruzar a ponte de �gua,
porque tem um avi�o te esperando.
Parab�ns!
Est� preparado?
ERVA MATE
- Al�? - Traslados Santa Clara.
Vou transferir.
EM MEM�RIA DE JULIETA VALLINA E EDUARDO BARREIRO
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