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A maioria dos filmes foram dirigidos por homens.
A maioria dos ditos cl�ssicos foram dirigidos por homens.
Mas h� 13 d�cadas, em todos os seis continentes onde se fazem filmes,
milhares de mulheres tamb�m t�m dirigido filmes.
Alguns dos melhores.
Que filmes elas fizeram?
Que t�cnicas usaram?
O que podemos aprender sobre cinema com elas?
Vamos revisitar os filmes atrav�s dos olhos das diretoras.
Vamos fazer um novo road movie pelo cinema.
MULHERES FAZEM CINEMA
UM NOVO FILME DE ESTRADA ATRAV�S DO CINEMA.
O cap�tulo 6, o terceiro sobre colocar pessoas
no mundo da hist�ria de um filme,
� sobre conversas.
CONVERSAS
Conversas acontecem diariamente, na vida e na m�dia.
Nos filmes e na TV, elas costumam ser bem convencionais.
Como um cineasta faz uma boa conversa?
Vamos come�ar simples.
Voc� n�o entende isso, n�o �? Voc� me entende?
N�o importa.
Quer dizer que entende.
Claro que me entende.
Mas eu n�o entendo nada.
Em seu filme "Places in Cities",
Angela Schanelec coloca dois jovens apoiados em um carro.
Est� bem. Eu ligo para voc�.
J� vou estar velho.
N�o, eu ligo.
Ele gosta dela. Ela n�o corresponde.
A c�mera est� um pouco atr�s deles.
N�o vemos o rosto dela, o que precisamos ver s�o as emo��es dele.
� ele que est� assumindo um risco.
Um enquadramento est�tico, uma �nica tomada, sem cortes.
E mesmo assim, mostra tudo que importa na cena.
Vou ser melhor, eu prometo.
Este � "Middle of Nowhere", de Ava DuVernay.
O marido est� na cadeia, e sua esposa foi visit�-lo.
A c�mera � est�tica.
De certa forma, � cinema convencional.
Planos fechados, focados na atua��o e no carinho.
Eles se olham enquanto falam.
Estamos no lado esquerdo dela, at� este choque visual...
Este corte para seu lado direito.
Agora, ela est� olhando � direita.
E ele tamb�m.
Por um momento, seus olhares saem do alinhamento.
Ela come�a a dizer a ele que eles deviam se separar.
Ao cruzar aquela linha, a edi��o nos contou isso antes.
J� enviei para voc� a papelada do seu caso.
Est� tudo l�,
para quando estiver pronto para fazer o que tem que fazer.
N�o quando eu quiser, mas quando voc� estiver pronto.
Como assim?
Se for mexer a c�mera, a forma mais simples
� colocar todos os participantes da conversa em tela juntos.
O resultado, em "Garotas", de C�line Sciamma,
� um certo caos.
� o vozerio das meninas que j� vimos dormindo,
transformando-se e brigando.
Em grupos desse tipo,
a conversa est� mais para uma tape�aria do que um fio.
Ent�o, elas encontram rapazes, e a conversa para.
Mas dirigir � atrair aten��o,
o que Agn�s Varda faz neste filme.
Duas amigas conversando.
Come�amos com uma, e ent�o, recuamos e nos movemos � direita.
Enquanto aquele policial falava com voc�...
Nunca vou esquecer a cara dele.
O foco � ajustado � outra mulher,
como uma mudan�a no equil�brio da tomada.
Ent�o, um tracking � direita,
para remover a primeira e isolar a segunda, sem cortes.
Ela est� em seu pr�prio mundo agora, e n�o olha para a amiga.
At� que olha,
e � como se tivesse devolvido a bola em uma partida de t�nis.
Assim, a c�mera volta a olhar para a esquerda.
Sem edi��o alguma, mas com uma c�mera alerta,
Varda mostra que uma conversa � um equil�brio alternante.
N�s �ramos felizes � nossa maneira.
A desgra�a veio depois, quando eu estava sozinha, sem ele.
Mais um �timo exemplo de uma conversa
gravada com uma c�mera m�vel e sem edi��o.
Na Su�cia, um homem e uma mulher falam das diferen�as
entre mulheres mais jovens e mais velhas.
Eles circulam uma �rvore, e a c�mera faz o mesmo.
Uma pausa.
Uma mulher ao fundo comenta algo.
Angela, n�o se esque�a!
-N�o se esque�a de qu�? -De me comportar.
-Como eu disse, o tempo � curto... -E voltamos ao movimento.
� preciso dar valor a ele.
Quando vejo pessoas desperdi�ando tempo,
lembro da mo�a que desejava um amor mas n�o ousava tentar.
-Mulheres s�o assim. -Meninas. Mulheres s�o corajosas.
Ent�o, o fundo volta a atrair nossa aten��o.
Sou velha demais para me divertir e jovem demais para recusar.
A diretora Mai Zetterling come�ou como atriz,
esteve em filmes de Ingmar Bergman,
e virou uma estrela atuando com Richard Widmark,
Tyrone Power e Peter Sellars.
Cansada de sua vida de glamour, ela fez este, seu primeiro filme.
Era t�o sexual que chegou a ser banido no festival de Cannes.
O cr�tico Kenneth Tynan disse que era
"uma das estreias mais ambiciosas desde 'Cidad�o Kane'".
Ela � solit�ria, quase uma crian�a.
-Sozinhos, s� nos resta morrer. -Sempre fala em enigmas?
Gosto que as pessoas sejam diretas.
O que mais podemos fazer para dar vida a uma conversa filmada?
A forma mais simples � adicionar, al�m das duas pessoas falando,
uma terceira coisa.
Vamos chamar de "1 + 1 = 3".
No revolucion�rio "O Arco", de Cecile Tang, feito em Hong Kong,
a terceira coisa � um grilo.
O plano fecha em um capit�o.
Ent�o, o grilo em plano fechado.
O som � o de uma corda estourando.
Mas chamou a aten��o da mulher. Eles falam sobre o grilo...
O que foi isso? Um grilo?
Sim, mas n�o sei onde foi parar.
Mas ser� que est�o mesmo pensando nisso?
Ent�o, o toque.
E um zoom out, como se recu�ssemos da intimidade.
Tang foi uma das maiores inovadoras da hist�ria do cinema.
Foi pioneira do cinema de arte em Hong Kong,
e foi dona de restaurantes na Calif�rnia.
Posso ajudar com alguma coisa?
N�o h� nada a ser feito.
Fique com os outros no jardim, por favor.
Vou buscar madeira.
Tang usou o grilo, e Ana Lily Amirpour usou ovos.
GAROTA SOMBRIA CAMINHA PELA NOITE
Um filho e seu pai. O pai � viciado em drogas.
Uma conversa dolorosa.
Estou cansado.
Sim, estou vendo.
Mas veja o que a diretora faz.
O filho amea�a a gema. Ser� que vai perfur�-la?
Ele faz o que n�o est� dizendo, o que quer fazer.
Duro e mole.
As tomadas com os ovos d�o textura � conversa.
S�o um �cone. 1 + 1 = 3.
N�o sei o nome dela.
N�o sabe o nome.
E a fam�lia dela?
N�o sei.
"N�o sei, n�o sei."
Voc� � idiota? Virou idiota?
Pois �.
Ele � idiota.
Mais dois exemplos de coisas em conversas,
come�ando em "As Virgens Suicidas", de Sofia Coppola.
Cinco meninas foram trancadas em casa por seus pais religiosos,
parecido com o filme iraniano "A Ma��",
sobre o pai que tranca as filhas.
Oi, sou eu.
Pensei em n�s por muito tempo.
Ligue para 727-0487.
Os meninos n�o podem falar com elas pessoalmente,
e desenvolveram uma forma indireta de conversar.
Desta vez, o objeto n�o � um grilo ou um ovo,
e sim algo que fala, um disco.
E pensar que logo ontem.
Eu estava animado, Feliz e alegre!
Eu estava animado para saber Quem faria o meu papel.
As meninas entendem esse 1 + 1 = 3,
e respondem � altura.
Corra para mim Quando estiver sozinho.
Ent�o, temos uma tela dividida horizontalmente.
Uma conversa dividida.
De vez em quando Voc� precisa de algu�m mais velho.
Ent�o meu amor.
T�o longe.
Ningu�m mais fica em um s� lugar.
Seria t�o bom abrir a porta E ver seu rosto
Angelina Jolie entende
que conversamos atrav�s de outras coisas ou, nesse caso, atrav�s de pessoas.
� o mesmo quarto de hotel de casimira.
No relacionamento de sua personagem com o homem,
n�o tem muita conversa.
Mas atrav�s de um buraco de espiar, um buraco negro,
eles enxergam o que poderiam ser.
O outro casal fecha um tri�ngulo com eles.
S�o como o grilo ou os ovos. Um catalisador, uma distra��o.
H� anos eles n�o se comunicam t�o bem, mesmo sem palavras.
O casal no filme de Jolie j� teve seus entraves,
mas como filmar uma cena em que h� um bloqueio mais �bvio na conversa?
Em "Together", Lorenza Mazzetti mostra as vidas
de dois homens surdos e mudos.
Ela n�o explica sua conversa em linguagem de sinais,
mas coloca a c�mera no meio deles,
�s vezes focando em suas m�os.
Somos inclu�dos e exclu�dos, estamos dentro e fora da conversa.
Talvez seja como a experi�ncia real de vermos pessoas conversando.
A fam�lia de Mazzetti foi assassinada pelos nazistas,
e ela chegou ao Reino Unido sem dinheiro.
Seu filme rendeu um pr�mio no festival de Cannes,
e foi um precursor do movimento free cinema da Gr�-Bretanha.
Depois, ela se tornou romancista e pintora,
aclamada por Federico Fellini, entre outros.
O aclamado primeiro filme da diretora indiana Sai Paranjpye
observa a comunica��o de pessoas cegas.
O tornado e o furac�o brigaram intensamente.
Um menino lendo em braile...
A rainha dos Jhansi, gloriosamente enfrentando inimigos em batalha,
declarou: "N�o vou desistir dos meus Jhansi."
Ent�o, o grande ator Naseeruddin Shah,
interpretando um professor com defici�ncia visual.
A escurid�o enfatiza o som,
e � outra forma de tirar algo do enquadramento.
Escutar � essencial para uma conversa.
Este filme fala muito sobre o ato de escutar.
Quem sou eu?
Todo "eu" tem nome, meu filho. Qual � o seu?
Ram Pyaare Saxena, da 3� turma.
Escute, Ram Pyaare Saxena da 3� turma, j� � meia-noite.
Crian�as deviam estar onde a essa hora?
-Na cama, senhor. -Ah! Ent�o, por que est� aqui?
N�o consegui dormir, senhor. Eu estava lendo.
Entendi. Que tal ler amanh� de manh�?
Os surdos e cegos desses dois filmes conversam muito bem,
mas e quando a conversa for obstru�da?
O tio Tim disse que voc� tocou com Chet Atkins.
S� uma vez.
Neste filme da diretora Joey Lauren Adams,
a personagem de Ashley Judd visita o pai.
Ele bebe demais.
A cena � filmada de forma calma e cl�ssica,
mas Judd quer falar.
Pai, eu queria conversar.
Mais uma vez, um objeto, e mais uma vez, m�sica,
mas diferente de "As Virgens Suicidas" de Sofia Coppola,
aqui a m�sica bloqueia a comunica��o.
1 + 1 = 0.
A ideia da conversa imposs�vel inspirou excelentes filmes.
No cap�tulo 4, conhecemos a protagonista
de "Alemanha, M�e P�lida".
Agora, ela � m�e. Berlim est� em ru�nas.
Ela empurra o carrinho de beb� pela cidade.
Ent�o, esta tomada a�rea.
E ela conversa com um menino das imagens de arquivo.
Como fa�o para chegar a Halensee?
-Pegue o �nibus do zool�gico. -Onde est� a sua fam�lia?
E ele responde.
Eles sumiram. Estou � procura deles.
Faz quanto tempo?
Seis semanas.
A tomada � diferente, o menino � diferente.
Ela � um personagem fict�cio,
mas seria ele um menino real de um document�rio?
Uma conversa imposs�vel.
O trauma da guerra parece ter derrubado as paredes entre eles.
Que tal esta conversa imposs�vel?
Agora, estamos na Bulg�ria.
Os homens conversam escondidos atr�s de girass�is.
� uma cena surreal.
At� que surge este bal�o com uma voz estrondosa.
Dissemos que n�o deviam pegar nada, e que deviam ir em paz.
� como "Contatos Imediatos do Terceiro Grau".
Este filme absurdamente inventivo da diretora Binka Zhelyazkova
� engra�ado e delicado.
Inicialmente, o bal�o � amea�ador, mas depois,
sua leveza e flutua��o parecem desafiar o peso da vida sovi�tica.
Meu povo est� aqui,
eles podem confirmar o que eu disser.
"The Attached Balloon" foi banido, claro.
Suas ideias eram livres demais.
Ent�o, temos esta conversa impressionante e imposs�vel
entre mundos diferentes.
Uma mo�a sobe as escadas.
C�mera lenta.
Ela olha para dentro do quarto.
Ent�o, um ajuste de foco.
� a m�e dela l� dentro?
Em seguida, ela entra no pr�prio quarto.
Ent�o, olha para n�s e conversa conosco.
Eu estava em casa, e a minha m�e no bar,
ou em coma na cama,
ateando fogo no quarto para aquecer meu irm�o e minha irm�,
porque estava frio.
Mas tem algo incomum nesta fala.
As palavras v�m de entrevistas com pessoas reais,
contando a hist�ria de um conjunto habitacional
e da jovem e brilhante dramaturga Andrea Dunbar, que morreu aqui.
Mas o que vemos � uma atriz. Ela s� mexe os l�bios.
Um f�sforo � aceso, e outra atriz mexe os l�bios.
� uma hist�ria pavorosa.
Essas pessoas falam conosco, mas a um n�vel mais distante,
atrav�s do v�u da atua��o, da recria��o.
Na �poca, n�o havia vidros duplos e as coisas de hoje em dia.
A casa era terr�vel, sem tapetes, sem aquecimento central.
Estar trancada num quarto sem ma�aneta...
E...
Eu gritei por ajuda na janela,
o fogo tinha sa�do do controle.
Mas eu acho... N�o sei, mas acho que fui eu.
Quando fechamos a porta do banheiro,
a ma�aneta de dentro caiu, e n�o t�nhamos como sair.
S� tinha a ma�aneta do lado de fora.
"O Caramanch�o" � um excelente filme sobre perda,
a conversa mais imposs�vel de todas.
Finalmente, no cap�tulo 6,
vamos nos afastar de conversas t�o imposs�veis,
e analisar filmes em que as conversas revelam com riqueza
os elementos de nossas vidas.
Faltam minas nessas cidades.
S� que a dela tem 106cm de altura.
N�s j� vimos trabalhadores descendo em uma mina de carv�o,
e agora, eles est�o em greve, em Nova York.
Barbara Kopple apenas observa,
com poucos cortes, sem coment�rios.
N�s ouvimos a conversa, enquanto o policial aprende cada vez mais
sobre a vida do minerador.
Eu achava que voc�s tinham sal�rios bem maiores.
-N�o s�o ruins, s� esperava mais. -N�s somos bem pagos.
-N�o, n�o s�o. -Voc� sabe...
O que seria um bom sal�rio? Uns 5 ou 6 dol�res por hora?
-Sim... -N�o � bom. Eu ganho mais que isso.
-S�rio? -Com certeza.
-Aquele policial ganha menos. -N�s ganhamos uns 7 dol�res.
� bastante dinheiro. N�s temos benef�cios do sindicato.
� muito dif�cil viver ganhando pouco.
Mas o seu trabalho � perigoso?
-Olhe para mim. -Digo...
-Tem muita enrola��o. -Muita gente n�o entende
que tem eletricidade queimando ali, e todo dia algu�m morre.
Todo dia morre um homem.
-Voc�s devem ter plano de sa�de. -De gra�a.
Plano de sa�de de gra�a.
Eu guardaria o dinheiro, compraria uma casa.
Meus filhos ficam doentes, e eu gasto tudo.
-E plano odontol�gico? -N�o temos.
-Voc�s t�m? -Temos.
-Meu Deus... -Temos, sim.
Tudo de sa�de, at� medicamentos. Eu poderia me aposentar aos 36,
com metade do sal�rio, uns 10 mil dol�res por ano.
Eles n�o querem deixar a gente se aposentar.
-Isso � ruim. -� por isso que estamos aqui,
de greve h� 9 meses.
-9 meses? -9 meses!
-Eu achava que era o primeiro dia! -N�o, foram 9 meses!
Com a mesma profundidade, temos outra cena
de "3 Quartos de Melancolia", de Pirjo Honkasalo.
Estamos na Chech�nia.
Uma assistente social est� visitando uma fam�lia.
Guerra...
pobreza...
e condi��es de vida horr�veis.
A m�e est� doente.
Para evitar que fiquem doentes tamb�m, e desnutridas,
as crian�as precisam ser levadas.
Est�o angustiadas.
Palavras s�o ditas, mas a cena � uma s�rie de olhares angustiados.
Uma conversa familiar.
A crian�a de chap�u branco olha para a m�e...
O tipo de olhar que lembramos para o resto da vida.
Est�ticas, editadas, com tracking, 1 + 1 = 3,
bloqueadas ou profundamente humanas,
as conversas nos filmes realmente s�o ricas.
Agora, um adendo sobre elas.
Tr�s anos antes de lan�ar "Garotas",
C�line Sciamma fez este filme,
sobre uma menina loira que n�o quer ser menina,
e decide que seu nome � Mickael.
Sua amiga de cabelo escuro acabou de descobrir
que Mickael n�o � menino, e faz a pergunta inevit�vel.
Qual � o seu nome?
Meu nome � Laure.
Uma conversa bastante simples, mas acontece no fim.
Sua amizade recome�ou, e a conversa tamb�m deve recome�ar.
Nossos 3 primeiros cap�tulos foram sobre o mundo de um filme.
Os 3 seguintes foram sobre colocar pessoas nesse mundo.
Os pr�ximos 3 ser�o sobre os aspectos visuais das tomadas.
Vamos analisar tracking e staging,
mas antes disso, este cap�tulo de n�mero 7
� sobre um dos aspectos mais art�sticos do cinema...
o enquadramento.
ENQUADRAMENTO
Como sempre, vamos come�ar com um exemplo puro
de enquadramento cl�ssico no cinema.
Voltamos a "Uma Canta, a Outra N�o", de Agn�s Varda.
Um jantar, um enquadramento direto de tr�s pessoas.
Sim�trico, como um altar.
A c�mera se aproxima para enquadrar duas pessoas.
"Pegue o caf�", obriga��es, regras...
Elegante e claro.
S� pedimos que respeite quem a colocou no mundo.
-N�o pedi para nascer. -Pauline!
Voc�s nem sabiam evitar que eu nascesse.
Voc� pediu! Estudar filosofia n�o lhe d� o direito de nos insultar.
Ent�o, apenas uma pessoa.
Vamos ver como voc� faz com os seus filhos.
E outra.
Falando nisso, o coral marcou uma viagem � abadia de S�nanque.
E mais uma.
3, 2, 1, 1, 1,
como um plano aberto, m�dio, fechado, fechado, fechado.
Se voc� for usar um enquadramento cl�ssico,
que seja assim, bem feito.
A cena do jantar de Varda demonstra que um enquadramento
� um espa�o vazio em que se coloca as coisas.
Como colocar alguma coisa em um espa�o?
Em "Lourdes", Jessica Hausner preenche seu enquadramento
com uma bela geometria oval.
Eu rezo para receber cuidado e aten��o aqui.
Senhor, escute nossas ora��es.
Em "A Menina Santa", de Lucrecia Martel,
rostos preenchem o enquadramento, sufocando-o.
E esse � o �nico significado que nossas exist�ncias devem ter.
O que tenho que fazer? Qual � o meu papel no plano divino?
� isso? � aquilo?
O importante � estar alerta para o chamado e n�o perder a esperan�a.
Barbara Loden nos d� este enquadramento sem pessoas,
mas ent�o, o diretor de fotografia faz um zoom in,
e vemos Wanda, inconsol�vel, caminhando sozinha.
O enquadramento a descreve.
Ela � min�scula no mundo, insignificante.
Bons cineastas usam o enquadramento de forma descritiva.
J� vimos cenas do filme de Vera Chytilova
sobre um checo levantando da cama.
Este � seu primeiro longa, "Algo Diferente".
Uma ginasta no solo.
Mas Chytilova deixa a c�mera no alto para excluir a plateia,
outros atletas e toda polui��o visual.
E a c�mera n�o � fixa, veja como acompanha a mo�a.
� uma forma inovadora de descrever o corpo de uma atleta.
Veja como M�rta M�zs�ros descreve a cena atrav�s do enquadramento.
As duas mulheres preenchem o enquadramento.
A mais velha, Magda, quer adotar a mais nova.
A segunda tomada, com a mais nova olhando � direita,
mostra como essa configura��o � incomum.
Elas est�o em �ngulo reto entre si,
� como um clipe do Abba, mas muito mais r�gido.
A mulher mais nova est� desconfort�vel com Magda,
algo descrito pelo enquadramento.
O filme ganhou o grande pr�mio em Cannes.
Ida Lupino foi, depois de Dorothy Arzner,
a segunda mulher a ser aceita no Sindicato de Diretores dos EUA.
Esta � a 1� vez que ela aparece aqui,
com um enquadramento descritivo maravilhoso.
Os dois pescadores da frente deram carona para um homem
neste belo enquadramento sim�trico.
Ent�o, um plano fechado Freudiano.
N�o.
O que est� fazendo?
Ent�o, este tracking sensacional para frente,
e ele emerge das sombras, do inconsciente dos homens.
Claro, eu sou Emmett Myers.
Fa�am o que eu mandar, e sem movimentos r�pidos,
ou v�o morrer como os outros que tentaram ser her�is.
A descri��o � a fun��o mais direta do enquadramento,
mas como mencionamos no in�cio do cap�tulo,
tamb�m � similar a uma pintura.
Por exemplo, esta cena de "O Arco", de Tang,
quando a c�mera para,
tem a tranquilidade dom�stica de uma pintura de Vermeer.
Em "The Cave of the Yellow Dog", a diretora Byambasuren Davaa,
que fez "Camelos Tamb�m Choram",
usa este plano aberto como uma pintura chinesa em um pergaminho,
ou, em suas cores, como os l�rios d'�gua de Monet.
O homem est� no canto direito do enquadramento.
Ent�o, os urubus em um plano mais fechado.
At� que vamos para dentro.
A cabe�a do menino est� no canto esquerdo.
JOGO PERVERSO
Pelo que vimos dos filmes de Kathryn Bigelow,
n�o � surpresa que seus enquadramentos
sejam cheios de olhares impressionistas.
Este � "Jogo Perverso",
que culmina neste tiroteio entre a policial de Jamie Curtis
e o atirador Ron Silver.
Lentes extremamente longas enquadram esse mundo.
Sua cabe�a surge no enquadramento como se viesse debaixo d'�gua.
Ent�o, a cabe�a dela.
Um enquadramento como um lugar em que voc� entra.
Um lugar onde fica exposto.
Um lugar onde voc� pode ser morto.
A �LTIMA ETAPA
H� um impressionismo muito mais s�rio
em "A �ltima Etapa", de Wanda Jakubowska.
Vimos o in�cio no cap�tulo 1,
e agora, as mulheres est�o em Auschwitz.
Um alem�o se aproxima.
As mulheres est�o tirando suas roupas.
Ent�o, este plano com as tr�s, esmagadas no enquadramento.
Venha c�.
Ent�o, um novo enquadramento, um tracking com um corte de cabelo,
e mais um enquadramento, com p�s e mais roupas sendo removidas.
Ent�o, elas correm. Vislumbres do pesadelo.
Impressionista, mas talvez cubista tamb�m?
Todas voc�s, levantem a manga esquerda!
Se o enquadramento impressionista usa momentos,
detalhes, vislumbres,
como seria um enquadramento expressionista?
Assim, talvez?
Flores preenchem o enquadramento, quase im�veis.
Ent�o, uma m�o. Estamos olhando para que dire��o?
O corte mostra que era um plano extremo de cima para baixo,
e n�o da perspectiva de uma pessoa.
Este plano aberto da mesa, simetricamente perfeito,
dura 9 minutos,
im�vel, enquanto as pessoas chegam e a hist�ria desabrocha,
como uma flor.
Talvez esteja certo. Esque�a!
Vamos esquecer de tudo!
Voltamos a Ida Lupino.
A protagonista acabou de brigar com um homem.
Ele sai andando.
O foco � levemente incomum, fora do cabelo dela.
Ent�o, sua m�e a consola.
Querida, n�o � o fim, mas apenas o come�o.
Um bra�o sobre o ombro.
Ent�o, isso acontece...
O enquadramento se torna sofisticado,
um toque de expressionismo.
Elaine May usou expressionismo aqui, em "O Ca�ador de Dotes".
A posi��o extrema da c�mera e a lente grande-angular,
fazem parecer que o homem est� mastigando Walter Matthau.
Imagino que sua resposta seja "n�o".
Voltamos ao filme de estreia de Vera Chytilova,
onde o expressionismo vai um pouco mais longe.
Uma mulher fict�cia lava um carro.
Corta para um homem, e uma panor�mica vertical at� um teclado.
Ent�o, de cabe�a para baixo, a ginasta que vimos antes.
Ela executa uma estrela impressionante,
como a caminhada de ponta-cabe�a em "2001: Uma Odisseia no Espa�o".
Esta � Ellen, a desbocada.
Ela acabou de transar,
e s� tem 14 anos, portanto sua vida virou de cabe�a para baixo.
Em seguida, de lado,
e depois, uma estrela, assim como a ginasta.
O enquadramento � extremo.
Os sentimentos da personagem est�o no mundo ao seu redor,
controlando a c�mera.
Falando em expressionismo...
Esta � a 3� vez que Ida Lupino aparece
neste cap�tulo de enquadramento.
Uma jovem � seguida depois do trabalho, � noite.
N�o h� ningu�m por perto.
Fragmentos de sombras, composi��es de um espa�o profundo.
Ent�o, seus p�s...
seguidos de suas l�grimas...
seguidas do volante e da buzina.
� quase uma abstra��o. Ela cai.
Uma barra tampa o rosto de seu agressor.
Todos esses enquadramentos podiam ter sido mais convencionais,
nela e nele, mas os detalhes, os formatos gr�ficos,
s�o como se o medo dela tivesse invadido o enquadramento.
Agora, uma das criadoras dos melhores enquadramentos do cinema.
Nas Olimp�adas de 1936 em Berlim, Leni Riefenstahl,
a icon�grafa-chefe do cinema para os nazistas,
enquadrou esgrima assim.
Suas sombras s�o como recortes,
como "A Polegarzinha", de Lotte Reiniger,
que vimos no cap�tulo 1.
Seu enquadramento faz a esgrima parecer um bal�.
A corrida de longa dist�ncia � filmada
de forma ainda mais expressionista.
Riefenstahl come�ou filmando de forma mais convencional.
Mas ent�o, uma c�mera lenta leve.
E uma tomada de ponto de vista.
Mais sombras.
E grama.
E fus�es de imagens.
A velocidade segue diminuindo.
Ser� que o atleta est� tonto? Ou ser� que � Riefenstahl?
Uma m�o, e ent�o, estamos vendo seus p�s.
N�s fomos levados � mente do corredor.
Seus sentimentos ditam o enquadramento.
N�o d� para ir muito mais longe do que isso no expressionismo,
mas e o oposto?
E quando a c�mera parece ter mente pr�pria?
Agn�s Varda ama tanto o formato do cinema
que �s vezes n�o deixa que seus enquadramentos
sejam escravos da a��o.
Esta � a famosa cena do caf� de "As Duas Faces de Felicidade",
o filme que abre com girass�is.
O protagonista est� com a amante.
A cerveja chega. S� vemos metade do rosto dela,
e o que h� atr�s.
Os cigarros dele.
Um ajuste de foco, e o que h� atr�s dele.
A c�mera n�o apenas segue os atores, a bebida ou a comida,
e sim criando formatos com eles.
Ela entalha um espa�o como um escultor abstrato.
Enquadramentos t�o modernos
mostram que um filme n�o precisa ser hist�ria, a��o ou psicologia.
Ele pode ter seu pr�prio formato,
uma s�rie de espa�os, como um pr�dio,
adjacentes � hist�ria.
Esta cena em "Marseille", de Angela Schanelec,
demonstra isso em uma �nica tomada.
Um enquadramento est�tico, o tronco de um policial
e uma roupa amarela.
Ent�o, o enquadramento fica vazio, salvo uma cadeira
e a cabe�a de algu�m do outro lado da janela.
Ent�o, uma mulher vestindo aquele vestido amarelo.
O enquadramento n�o mudou, n�o seguiu a a��o.
Foi a a��o que se moveu,
e de certa forma, ela seguiu o enquadramento.
Tr�s imagens foram criadas dentro dele.
O enquadramento est� enraizado,
ele n�o mostra tanta a��o, e sim um espa�o,
e o tempo dentro desse espa�o.
Muitos cineastas experimentais
gostam da ideia do enquadramento independente.
Esta cena � uma entrevista,
mas a diretora vietnamita T. Minh-ha Trinh
n�o quis usar o enquadramento tradicional de entrevistas.
A c�mera come�a na boca da pessoa falando,
desce at� suas m�os, e volta a subir diretamente.
...das nossas diverg�ncias com a China.
Temos muitos de seus costumes, de suas ideias pol�ticas.
O caso da reeduca��o � um exemplo.
N�o se pode matar a convic��o do homem reduzindo-o a um animal.
S� ent�o n�s vemos seus grandes olhos.
Mas eles n�o s�o o destino.
A c�mera se move � esquerda, para um meio enquadramento,
como aquele na cena do caf� de Varda.
Sinto uma profunda repulsa,
o que transformou o medo em briga.
Eu n�o tinha nada a perder.
E ent�o, lentamente � direita, para a outra metade.
O movimento todo acaba formando um "T".
Semiabstrato, respeitando a mulher,
mas n�o t�o fascinado por ela de forma a ser submisso.
Finalizando o cap�tulo, voltamos ao nosso ponto de refer�ncia,
Agn�s Varda, em seu primeiro filme,
um precursor da Nouvelle Vague francesa.
H� tanto para se ver neste enquadramento.
A passagem que cruza a ferrovia � uma imagem forte.
Esta senhora n�o faz parte da hist�ria,
mas � permitida em primeiro plano.
Ent�o, um corte, e um tracking para frente.
Onde est� o casal que vimos? A� est�o.
Eles entram no enquadramento, tomando conta da c�mera.
Como sabia quando eu viria?
-Eu vim todo dia de manh�. -Nos �ltimos 5 dias?
Voc� � uma gra�a.
Eles saem pela direita,
mas o enquadramento fica nos moradores.
Tamb�m n�o fazem parte da hist�ria,
mas o enquadramento de Varda fica aberto � vida ao seu redor.
Eles reconheceram voc�?
Nesses 12 anos, esqueceram certas coisas, mas assim que me viram...
A mulher fala de seu rosto, e s� ent�o cortamos para ele.
Meu rosto mudou, n�o �?
N�o.
Enquadramento usado de forma gr�fica, generosa e confiante,
que responde ao mundo.
O enquadramento se move, claro.
Uma tomada assim, da frente de um ve�culo em movimento,
era emocionante para as pessoas nos primeiros anos do cinema.
Esse tipo de tomada costumava ser filmada em um trem.
A c�mera ficava em um trilho.
Assim, nasceu o tracking,
o foco do nosso pr�ximo cap�tulo.
TRACKING
O que o tracking faz, e para que pode ser usado?
Quem faz da melhor forma?
Para come�armos a responder essas perguntas,
esta � a abertura de "O Padre", de Antonia Bird.
Um carro se aproxima de um pr�dio de apartamentos.
A c�mera desce em uma grua, e depois, com tracking,
ela segue o movimento.
E ent�o, quando os dois capangas saem do carro,
a c�mera os segue.
Mesmo quando sobem as escadas...
e depois, v�o para a esquerda.
A c�mera faz o que nossos olhos fariam se estiv�ssemos l�.
Tracking � olhar fixamente, e observar atrav�s da pessoa.
Nesta cena, vemos como o tracking
relaciona o primeiro plano com o plano de fundo.
Agn�s Varda colocou uma cesta no primeiro plano, e ent�o...
A c�mera passou atrav�s do primeiro plano,
e agora, faz um tracking em outro primeiro plano, a praia.
Se estiv�ssemos menos pr�ximos do ch�o,
a sensa��o de movimento seria menor.
H� coisas melhores a se fazer.
Eu vim fazer barulho, mas o sil�ncio venceu.
O tracking por si s� pode parecer exibicionismo.
Mas aqui, Ida Lupino tem um motivo para us�-lo.
Estamos em uma festa, e a c�mera se move entre os convidados.
Eles interagem, como demonstrado por um tracking sutil.
Cortes poderiam ter isolado os convidados.
Ent�o, com um movimento � esquerda, vemos, de vestido preto,
a mo�a que tinha sido perseguida � noite no cap�tulo anterior.
O homem a estuprou. Ela est� traumatizada.
Ela vira para tr�s.
Para n�s, � a pessoa mais interessante aqui,
e o mesmo vale para a c�mera.
Ela a acompanha.
Ela parece girar o corpo.
Ficamos um pouco com os dan�arinos, que ficam no primeiro plano.
Pessoas rodando fora de foco, alheios � sua presen�a.
Ent�o, um tracking para frente, por entre as pessoas que rodam.
S�o como a cesta de Varda.
Agora, ficaram para tr�s. O contraste ficou para tr�s.
A distra��o ficou para tr�s.
No belo filme sueco "Home", de Ursula Meier,
uma fam�lia mora ao lado de uma rodovia em constru��o.
A filha fica obcecada com a qualidade do ar
e esfrega o irm�o mais novo para limp�-lo.
Ele odeia isso, e foge.
Os carros fora de foco s�o como aquelas pessoas dan�ando.
Contrastes.
� como ver o menino atrav�s de uma floresta.
Mas sua corrida e a velocidade do tracking
mostram como esses movimentos s�o bons
para mostrar e expressar uma escapada, uma fuga.
Uma tomada com tracking muitas vezes � uma tomada de fuga.
� extracorp�reo.
Aqui, Wayne v� a mulher de seus sonhos, e agora est� flutuando,
assim como a c�mera, assim como n�s.
Todos n�s no mesmo lugar, um ve�culo em movimento, um Dolly.
Esta t�cnica foi muito usada no cinema,
e depois de um s�culo de filmes,
a diretora Spheeris a utiliza de forma c�mica.
O menino ao lado da rodovia � extracorp�reo,
Wayne � extracorp�reo,
e de uma terceira forma, esta mulher tamb�m:
Anna. Ela voltou � casa de sua inf�ncia na Gr�cia.
Ela aponta para uma cena.
Ent�o, vemos o que ela v�. Uma tomada com tracking.
A c�mera se afasta e se move � direita para uma �ltima Ceia.
...e fundador da "Kastelano e Filhos",
uma empresa de exporta��o de �leo e frutas desidratadas.
Sua esposa Anna, minha av�...
Ela n�o enxerga isso literalmente, mas sua imagina��o sim.
Anna Levi namorou com o meu pai quando ele era jovem.
Eles se conheceram em 1930, em um sanat�rio em Davos.
� uma composi��o.
E esta � a minha m�e.
Extracorp�rea. O tracking invoca fantasmas.
Ela se casou com meu pai em 1944.
Meu tio Marco, o irm�o de meu pai.
E finalmente,
o meu amor, meu homem, meu companheiro, meu tudo...
Max.
A grande Marion H�nsel, que estudou m�mica e atua��o com Lee Strasberg,
mostra que o tracking pode fazer outras coisas.
Neste filme, a esposa e a ex-mulher de um homem
cuidam dele em seu leito de morte.
A c�mera passa por ele, que respira ofegante.
Ser� que ele pode morrer neste momento?
Cortamos para outro tracking, na mesma dire��o e velocidade.
Flores. Ele j� morreu?
Mais flores.
Este tracking nos faz perguntar aonde vamos e o que aconteceu.
O tracking costuma ser um questionamento, um suspense.
Eventualmente, vemos que estamos em um hospital.
Ele ainda n�o morreu.
Algumas das melhores tomadas com tracking foram dirigidas
por Orson Welles, Alexander Sokurov e Max Ophuls...
mas esta � impressionante.
Estamos em Moscou, em 1993.
O comunismo sovi�tico acabou.
Sua mar� baixou, e essas pessoas ficaram na praia, expostas.
A diretora Chantal Akerman faz um tracking para a esquerda.
Suave. Luz azul.
As pessoas est�o caminhando com a c�mera?
Ent�o, um menino mascando chiclete.
As pessoas caminham. Ficam paradas.
Estamos em um trem? A c�mera est� perto demais.
Pessoas como pe�as de xadrez.
Est�o esperando a mar� voltar,
ou expostos, sem saber o que fazer.
Eles ultrapassam a c�mera, e o menino do chiclete reaparece.
Estamos em um ponto de transporte p�blico.
E as mulheres parecem estar iluminadas.
E mais uma vez, o menino do chiclete.
E a mulher de azul em primeiro plano.
Quase ningu�m fala.
Est�o todos esperando Godot.
Por que a c�mera se move t�o devagar?
Ela est� na altura do peito, abaixo da linha dos olhos.
Ser� que a cidade toda veio a uma cerim�nia?
Ser� um cortejo?
Seria esse cortejo uma representa��o hist�rica?
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