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A maioria dos filmes foram dirigidos por homens.
A maioria dos ditos cl�ssicos foram dirigidos por homens.
Mas h� 13 d�cadas, em todos os seis continentes onde se fazem filmes,
milhares de mulheres tamb�m t�m dirigido filmes.
Alguns dos melhores.
Que filmes elas fizeram?
Que t�cnicas usaram?
O que podemos aprender sobre cinema com elas?
Vamos revisitar os filmes atrav�s dos olhos das diretoras.
Vamos fazer um novo road movie pelo cinema.
MULHERES FAZEM CINEMA
UM NOVO FILME DE ESTRADA ATRAV�S DO CINEMA.
J� vimos como come�ar um bom filme e como definir seu tom.
A terceira coisa que devemos ver em nosso road movie do cinema,
uma das coisas mais importantes para um cineasta...
Credibilidade.
CREDIBILIDADE
� f�cil identificar credibilidade, mas nem tanto entend�-la.
Mas vamos tentar.
Vamos come�ar com franqueza.
Uma pessoa, falando honestamente sobre sua vida.
Aqui, vemos Maria Burger fazendo isso em 1968.
A diretora Erika Runge mant�m a cena simples,
em plano fechado, sem cortes.
Observamos o rosto de Burger, que conta uma hist�ria simples e humana.
Os dois colegas de trabalho pensaram:
"� terr�vel que o Herman tenha que lidar com isso.
N�o podemos observar e ficar sem fazer nada."
Ent�o, todos deram um pouco de dinheiro
e pediram que as pessoas comprassem coisas para a fam�lia de Hermann.
Eu s� queria dizer
que o que nos deixou mais feliz foi a compaix�o.
O fato de que n�o podemos esquecer de uma pessoa,
n�o podemos pensar s� em n�s mesmos
e achar que essa pessoa tem que se virar...
N�o, eles pensaram: "Ele � nosso colega, e queremos dar um presente a ele."
N�o foi um presente qualquer, e sim o maior presente que j� recebi.
� uma credibilidade franca,
mas quando Frau Berger fala sobre o per�odo nazista,
sua verdade pode estar turva.
Mem�rias se apagam, e as pessoas podem ter vergonha do que fizeram.
Talvez isso torne a cena ainda mais cr�vel.
Se o filme n�o � um document�rio, como funciona a credibilidade?
Saia da frente!
Em "Guerra ao Terror",
Kathryn Bigelow nos d� um relance de realidade.
Uma tensa cena de guerra.
A for�a de ocupa��o americana est� em patrulha, e ent�o,
sem motivo para a trama, um gato com uma pata machucada...
O cr�tico franc�s Roland Barthes escreveu
sobre detalhes em fotografias que nos espetam como alfinetes.
Ele os chamou de "punctums", pequenas agulhas da verdade.
O gato � um "punctum".
Quem n�o for covarde faz coc� quando ele passar.
E quem n�o conseguir?
Neste filme espanhol, a diretora Ana Mariscal vai mais longe.
Os meninos est�o passeando,
e ao precisarem usar o banheiro, entram em um t�nel ferrovi�rio.
J� vimos crian�as urinando em filmes,
mas Hollywood jamais mostraria isso.
-Est�o prontos? -Estou.
Abracem os joelhos.
� apenas um detalhe no filme, mas esse � o ponto.
Detalhes criam credibilidade.
Eles rompem a bolha do que � falso.
Aqui, o detalhe � especialmente incisivo.
Estamos na Alemanha, logo depois da 2� Guerra Mundial.
Uma menina e seu irm�o beb�, filhos de um nazista de alta patente.
Est�o inc�gnitos, mas morrendo de fome.
A filha oferece pagamento a uma mulher
para que ela d� de mamar ao seu irm�o mais novo.
V� se lavar!
Por favor, pe�a a ela que se lave.
Um momento inusitado por si s�.
Ela pede � mulher que se lave, uma rea��o arrasadora.
Ela aprendeu com os pais que � limpa,
e que os outros n�o s�o.
Afirma��es diretas e detalhes espinhosos
tornam-se uma regra de ouro dos cineastas:
N�o fingir.
Acha que sou bobo de pular deste telhado?
� melhor para pensar aqui no alto,
e o ar costuma ser fresco, o que ajuda o c�rebro a funcionar.
Marina, olha que bonito!
Neste filme raramente visto de 1981, do Quirguist�o,
a grande cineasta Dinara Asanova
quer mostrar a tens�o entre meninos e meninas.
Est� interessada na forma como eles humilham uns aos outros e flertam.
Assim, vemos dois meninos levarem uma menina para cima de um pr�dio.
Slavka, pare!
Asanova poderia ter fingido, para ficar mais seguro para as crian�as.
Mas n�o fingiu. � um lugar muito alto.
A menina est� morrendo de medo. Repare como funciona bem.
Posicione sua c�mera, afaste-se
e veja seus atores responderam ao mundo real ao seu redor.
A diretora americana Kelly Reichardt
tamb�m gosta que seus atores n�o finjam.
Em "O Atalho", Michelle Williams, uma colona branca no Oregon,
encontra um homem nativo americano.
Em p�nico, ela quer dar um tiro de aviso para seus parceiros de viagem.
Mas veja quanto tempo ela leva para carregar a arma.
Para n�o fingir, h� um aspecto essencial.
Fa�a em tempo real.
Fa�a a audi�ncia sentir o quanto aquilo demora.
Arrisca ficar entediante,
mas se funcionar, fica mais cr�vel.
H� tens�o enquanto a arma � recarregada,
e nos melhores filmes,
geralmente uma cena cr�vel � uma cena instigante,
talvez porque ao nos instigar, gera adrenalina.
Pergunte a um ator o que torna uma cena cr�vel,
e eles provavelmente falar�o sobre coisas f�sicas:
Objetos reais e cenogr�ficos.
Em "Hedi Schneider is Stuck",
os objetos s�o os alimentos deste homem e o porta-malas de seu carro.
Merda, abre logo!
Claro!
Estragou tudo, que merda!
Merda!
S�o seus obst�culos, as paredes que ele precisa derrubar para seguir seu dia.
A m�dia cinematogr�fica � leve e tremeluzente,
mas ganha peso com elementos s�lidos.
Voltamos ao filme da menina assustada no telhado,
e dois meninos est�o conversando pelo telefone.
Oi, Slivych.
Mais uma vez, coisas ancoram a cena:
Uma blusa, um porquinho-da-�ndia.
Fomos ao m�dico, um otorrino.
Estou com um tamp�o no ouvido.
A porta da geladeira.
N�o coloquei a�.
Ent�o, quando a m�e chega, o menino est� com as cal�as arreadas.
-Mam�e! -Como foi a escola?
Nada demais, penduraram o casaco do Sidorov no lugar errado...
E ele tira pe�as de roupa.
O menino executa a��es para evitar artificialidade.
-Voc� fez o ditado? -Fiz.
-E a�? -S� vou saber o resultado amanh�.
Aqui, uma verdadeira aula de credibilidade e troca de roupas.
Seus colegas de trabalho est�o vindo se reunir em seu apartamento.
Ela trabalha com finan�as, onde o que voc� veste importa.
Mas seu trabalho est� a matando por dentro.
Seu vestido � seu obst�culo.
Quanto tempo a atriz Sandra Huller e a diretora Maren Ade
ensaiaram esta cena?
� digna de Charlie Chaplin.
Oi.
-Cheguei cedo demais? -N�o, n�o.
Sofrendo, frustrada, uma pilha de nervos.
Ah, muito obrigada.
Que simp�tica.
-Uau, que bonito! -Pois �.
Nosso sexto aspecto de credibilidade
est� relacionado a esse tipo de energia.
Podemos cham�-lo de a��o complexa.
Vamos, vamos!
Kathryn Bigelow � especialista em a��o complexa.
Nesta cena de "Ca�adores de Emo��o",
um carro vermelho com assaltantes chega a um posto de gasolina.
Plano aberto, e ent�o fechado. Bastante c�mera na m�o.
Contracampo. O atendente.
Os outros tr�s fora do carro. Ent�o, o flanelinha.
Corte, corte. Carro amarelo.
Ent�o, a mangueira.
N�o faz isso, cara, n�o seja burro.
Corre!
Tr�s tomadas.
O carro vermelho � incendiado,
e os outros s�o vistos atrav�s das chamas.
Tracking aberto.
Mais chamas.
Ent�o, Reagan brinca.
E um plano bem fechado nele.
Mais duas tomadas.
Ent�o, lembramos que Keanu Reeves, o policial, est� em persegui��o.
Eles rolam pelas chamas, e chega o segundo policial.
Dois cen�rios de a��o agora.
Ent�o, uma persegui��o a p�.
Essa cena do posto de gasolina tem cerca de 40 tomadas em um minuto.
S�o quase 35 frames por tomada.
Vimos um roubo de carro, um carro incendiado,
tr�s brigas e um tiroteio.
Foi o suficiente para nos instigar, e demais para entender claramente.
A cena � mais r�pida que n�s. O caos � convincente.
Ent�o, a credibilidade vem de afirma��es diretas em entrevistas,
de detalhes contundentes, de n�o fingir,
de ser provocante, de objetos e de a��o complexa.
S�o elementos de cria��o cinematogr�fica.
Claro, em um n�vel mais profundo,
um filme � cr�vel ao mostrar verdades sociais mais amplas.
Lois Weber, que dirigiu 138 filmes,
foi uma das diretoras mais originais dos EUA?
Seu filme "The Blot"
� sobre a desgra�a que s�o os sal�rios de professores.
Aqui, uma mulher volta do mercado, onde n�o conseguiu comprar frango.
Faltou dinheiro.
Ent�o, v� um frango pela janela de seu vizinho mais rico.
Entramos em sua casa simples. � a depress�o de 1921.
Uma defla��o gigantesca e aumento do desemprego.
Ela olha mais uma vez.
Quase escutamos seus pensamentos.
"Eu queria para mim."
Uma terceira olhada.
Dessa vez, n�o precisamos ver o frango.
"Ser� que eu roubo? N�o. N�o sou assim."
Uma quarta olhada.
"Minha filha Amelia passa fome." Uma quinta olhada.
"� errado,
mas o m�dico disse que a minha Amelia precisa de prote�na."
Sexta olhada.
Indigna��o.
"Por que s� eles t�m tanto para comer?"
N�O ESTAVA CERTO! ELES TINHAM DEMAIS!
"Ser� que eu devo? Ser� que eu ouso?"
N�o.
Ent�o, uma compuls�o.
Com um andar pesado, ela enfrenta um dilema.
Agora, s�o dois frangos.
Podemos ver o que os EUA sofreram nesses anos nesta cena.
Ela senta.
Ent�o, uma t�bua.
Mais um objeto.
O mundo externo e interno,
em conflito.
87 anos depois, um conflito parecido.
Outro colapso econ�mico.
� inverno na fronteira entre os EUA e o Qu�bec.
M�es solteiras moram em trailers aqui,
e fazem contrabando na fronteira para suplementar a renda.
Esta � uma delas. Tatuagem no ded�o do p�,
e ent�o, seu roup�o.
� Melissa Leo.
Sem maquiagem.
Com sujeira debaixo das unhas.
E o cen�rio parecido com o de "The Blot".
Aqui, a realidade se descasca como as camadas de uma cebola.
Fronteiras nacionais, o esfor�o de m�es solteiras.
Desalento.
Nacional, local, psicol�gico.
A credibilidade dessas camadas.
N�o est� pronto, est�?
Ei, esqueceu o casaco!
Finalmente, neste cap�tulo, temos tr�s cenas de filmes
cuja for�a vem do fato de que s�o baseadas em hist�rias reais.
Uma bela tomada de grua desce sobre uma marcha por direitos civis
liderada por Martin Luther King.
O fundo deve ser feito por computador,
mas a cena representa a marcha real de 1965,
que aconteceu nesta mesma ponte em Selma,
onde 99% dos eleitores registrados eram brancos.
A mesma marcha em imagens de arquivo,
com bordas cortadas, no formato do filme.
A� est� a ponte de novo.
Como sabemos que o evento realmente aconteceu,
encaramos com mais seriedade moral.
O drama n�o nos remove do mundo, como faz o escapismo,
e sim nos conecta a ele.
Como a diretora Ava DuVernay filmou na ponte real,
h� mais frisson e presen�a.
Pessoas reais sofreram aqui,
coragem real foi demonstrada na ponte.
Um pequeno passo para a liberta��o dos afro-americanos.
Selma e a ponte Edmund Pettus agora s�o lugares de peregrina��o.
Est� machucando meu osso do quadril!
-Por que est� fazendo isso? -Porque gosto de voc�.
E voc� gosta de mim, ou n�o estaria aqui, n�o �?
Talvez todos os filmes baseados em hist�rias
reais busquem suas pr�prias peregrina��es.
Este � "Not a Pretty Picture", de Martha Coolidge.
Um homem est� abusando de uma mulher.
Mas ent�o, a c�mera gira para outra mulher que assiste.
� a diretora, Coolidge.
� um ensaio, ela est� filmando uma cena que realmente aconteceu.
Ela foi estuprada aos 16 anos.
Ent�o, isso...
Sabe, eu sinto uma conex�o com isso.
Sente?
Mas... � uma coisa t�o agressiva...
E a frustra��o pode ser uma coisa muito poderosa.
Com a agressividade e a frustra��o, voc�...
Eu queria bater no seu rosto. Eu realmente queria.
E eu amo a Michelle, mas...
A diretora fez o ator se sentir seguro o suficiente
para admitir que entende em parte o desejo de machucar.
As camadas de um evento de anos atr�s s�o descascadas.
E por dentro, encontra-se outra verdade,
sobre o ator e sua raiva.
Eu pensei: "Vou bater nela."
Pode tirar os brincos?
E as camadas neste filme? A MA��.
Estamos no Ir�, na d�cada de 90.
No filme, um homem idoso prende as filhas em casa por 11 anos
por acreditar que a vida moderna � perigosa demais para meninas,
e porque sua esposa � cega.
A c�mera est� do lado de dentro, e depois, no port�o.
A hist�ria realmente aconteceu, estourou na m�dia.
Mas essas pessoas n�o s�o atores.
A diretora Samira Makhmalbaf fez algo extraordin�rio.
Ela pediu ao pai real, a assistente social real
e as meninas reais para interpretarem a si mesmos.
Uma verdade dupla.
Uma abordagem quase reverente da realidade.
"Al�m de n�o deixar as filhas sa�rem, ele as acorrenta."
Isso � cal�nia? O que eu fiz foi t�o ruim assim?
Todos sabem que voc� manteve suas filhas presas por 11 anos,
n�o sou s� eu.
Seria essa recria��o uma forma de cura?
Um pedido de compreens�o? Uma reexposi��o?
O resultado � um filme que � um diamante bruto,
uma f�bula recontada com dor e resigna��o.
Absurdamente franco e sincero,
� um dos filmes mais cr�veis e complexos j� feitos.
Mas voc� as prendeu por 11 anos, n�o foi?
Eu as mantive em casa, isso eu n�o nego.
Impedi que fossem � escola, mas n�o as acorrentei, isso � cal�nia.
Nossos cap�tulos t�m sido sobre os mundos dos grandes filmes.
Como somos apresentados a eles? Quais s�o seus tons?
O que os tornam cr�veis?
Est� na hora de observar as pessoas desses mundos, os personagens.
Faremos isso em dois cap�tulos.
Primeiro, no cap�tulo 4,
veremos como os personagens s�o apresentados,
como come�amos a conhec�-los,
e ent�o, como eles conhecem outras pessoas.
INTRODU��O DE PERSONAGEM
Para se encontrar com uma pessoa, � normal ir � sua casa.
� o que acontece em "The Moon has Risen".
� como se f�ssemos um visitante fantasma,
em um tracking flutuante at� o nome da fam�lia.
Do lado de dentro, ainda n�o h� ningu�m,
apenas a cortina ondulante.
Ent�o, uma mulher distante, virada para o lado.
Mais uma mulher de lado.
Ent�o, a porta de correr � aberta para revelar...
um microcosmo, um outro ambiente.
E outra porta de correr.
Respeit�vel e com camadas.
Uma revela��o de pessoas.
A diretora Kinuyo Tanaka
foi uma das grandes atrizes do cinema japon�s,
e trabalhou muito com Ozu, Mizoguchi e Kurosawa.
Era a Bette Davis do Jap�o.
Aos 42 anos, ela come�ou a dirigir,
e fez obras-primas.
Agora, eu lembrei.
Com esses meninos brutos por a�...
a mam�e fugiu, voltou para Kojimachi.
Oi, boneca.
Ei, menina.
Meu amor... Vire para c�.
Antes de conhecermos uma pessoa, �s vezes ouvimos falar dela.
Os remadores olham para fora do enquadramento.
Acabamos de ver o reflexo de uma su�stica.
Eles falam de uma mulher.
Oi!
Eles obviamente a admiram. Falam como se quisessem conhec�-la.
Seria mais um plano aberto, m�dia e fechado?
Come�amos distante da personagem, com sua reputa��o.
Pega!
Ela se defende do c�o. � corajosa.
Despreza os nazistas.
Ela n�o gritou.
Mulheres alem�s...
Vemos seu reflexo.
M�e...
Eu aprendi a ficar quieta, como voc� ensinou.
Voc� me ensinou a falar.
M�e, o idioma...
"Um Lugar Qualquer", de Sofia Coppola, come�a assim.
Um homem dirige em c�rculos no deserto por dois minutos.
N�o h� intimidade aqui.
Um c�rculo sem prop�sito.
Ent�o, ele sai do carro.
Primeiro, vemos suas costas.
Vamos descobrir que ele � um ator de Hollywood
preso em um c�rculo vicioso.
Ele veio de um lugar distante como um caub�i a cavalo.
Bons cineastas costumam observar os personagens sem palavras.
Em "Nana", de Valerie Massadian,
uma m�e e sua filha de 4 anos vivem na floresta.
A m�e desaparece,
e n�s ficamos para observar a menina, Nana, lidar com isso.
Ela via sua m�e rastrear coelhos,
e agora que est� com fome, ela mesma foi � armadilha
para tentar fazer o que a m�e fazia.
Suas a��es nos mostram o que sua mente jovem entende.
De volta � casa, a comida se torna um brinquedo para ela.
Fofo, mas sem rea��o.
N�o fica parado na cadeira.
Ela � a pr�pria provedora e amiga de brincadeiras.
Podemos observar as necessidades e a imagina��o de Nana.
� indireto, n�s ficamos de longe, observando as pessoas.
Mas o inverso � igualmente ousado.
Vamos ver 3 filmes em que os pr�prios
personagens nos dizem diretamente quem s�o.
Esses nojentos n�o comem, n�o sabem que � nutritivo?
Vamos l�, Ernie, chegue para l�!
Ai, meu fur�nculo!
Este � um cl�ssico.
"The Connection", de Shirley Clarke.
� 1961, e estamos em um apartamento barato em Nova York.
Um grupo de m�sicos de jazz esperam seu fornecedor trazer hero�na.
A cineasta podia apenas observar, mas ao inv�s disso,
um de seus personagens faz isso...
Ele se apresenta para n�s.
Escuta...
Eu tenho uma vida confort�vel.
N�o sou um vagabundo drogado.
Veja o meu apartamento, est� limpo.
Devemos acreditar nele?
Logo descobriremos que na hist�ria,
uma equipe est� filmando um document�rio sobre os m�sicos.
Talvez ele esteja falando com ele, n�o conosco?
De qualquer forma, ficamos interessados no personagem.
-E a�, meu querido? -O caub�i est� a�?
-N�o, cara. -J� come�ou?
O que acha, meu querido?
Aqui, um tom bem mais leve.
A diretora Cheryl Dunye se apresenta para a c�mera.
Chega a ser quase amadora.
Neste filme que chegou � loja, "Plantation Memories",
eu vi uma bab� negra muito linda, chamada Elsie.
Mas a atriz negra a que ela se refere n�o existe.
� uma esp�cie de mocument�rio.
Ent�o, quem n�s conhecemos?
Uma cineasta, algu�m pregando pe�as ou uma artista perform�tica?
N�o sabemos ao certo.
Vou resumir: Meu nome � Wayne Campbell, e moro em Aurora...
Em um dos filmes mais famosos dos anos 90,
a diretora Penelope Spheeris
tamb�m faz seu protagonista nos olhar nos olhos.
N�o chega a ser uma carreira.
Basicamente, eu tenho uma cole��o de etiquetas e redes de cabelo.
N�s mergulhamos no mundo de Wayne,
com seus pr�prios hinos e idioma.
� uma proje��o de seu humor, sua alegria, lux�ria e fobias.
Que forma de conhecer algu�m...
Mas eu adoraria que o Wayne's World fosse o meu trabalho.
� poss�vel! Assim como � poss�vel que macacos saiam da minha bunda!
E at� quando os personagens n�o se apresentam,
os cineastas gostam de usar uma abordagem frontal completa.
Andrea Arnold apresenta sua protagonista, Mia,
de uma forma bastante diferente.
No meio do enquadramento, de novo. Olhos n�o vis�veis, de novo.
Uma pintura de Francis Bacon?
Ent�o, sua silhueta.
E ela � desbocada.
Keeley, sou eu, o que houve?
J� deixei 3 mensagens. Eu pedi desculpa, n�o pedi?
Voc� me conhece, eu estava irritada.
Ligue de volta, sua vaca!
Primeiro n�s a conhecemos atrav�s da imagem, e depois, suas palavras.
Nossas 3 �ltimas cenas deste cap�tulo sobre
a apresenta��o de personagens em filmes
nos levam a aspectos mais complexos da identidade.
Este � "Garotas", de C�line Sciamma.
S�o garotas da classe trabalhadora, similares �s 3 anteriores.
Depois de uma festa, est�o dormindo no quarto do hotel.
Ent�o, tela preta.
Bastante tela preta.
Enquanto isso, nossa protagonista, que conhecemos como Marieme,
transformou-se nesta pessoa.
Vic. Salto-alto e ambientes chiques.
Ela se tornou traficante de drogas. Uma metamorfose.
Uma nova personagem.
Sciamma nos mostra a mudan�a com os sapatos, a meia-cal�a e a saia.
Um novo uniforme.
Algo parecido acontece no come�o de "As Faces de Toni Erdmann",
o filme em que a mulher sofre para colocar o vestido.
Antes de a conhecermos, h� uma entrega do correio.
Este homem atende. Seu nome � Winfried.
Ele balbucia, diz que a entrega � para seu irm�o, e vai cham�-lo.
N�s esperamos, assim como fizemos no escuro, em "Garotas".
Levanta essa bunda da rede logo!
Ainda estou tomando caf�.
Se continuar assim, coloco voc� na rua.
Fez alguma compra na internet de novo?
N�o. N�o precisa falar assim comigo.
Ent�o, o irm�o,
que parece com o Winfried, mas tem dentes diferentes.
Mas logo percebemos que o irm�o n�o existe.
� o pr�prio Winfried.
Uma pequena transforma��o.
Engra�ada? Irrelevante?
Mas imediatamente nos revela algo sobre este homem.
Ele � um enganador, um piadista.
Tanto Marieme como Winfried n�o s�o um s� personagem, mas dois.
� uma complexidade agrad�vel. Percebemos sua mudan�a.
Mas no �ltimo trecho deste cap�tulo,
algo mais extremo est� acontecendo.
� o final da 2� Guerra Mundial. Os sovi�ticos chegaram a Berlim.
Este homem fala conosco.
Ele tem nome: Ivan Orlyukov,
e ele ser� o protagonista do filme,
mas � filmado como uma est�tua, ou um pr�dio.
Parece estar falando por sua na��o.
Sua psicologia n�o � individual, ele est� mais para um s�mbolo,
uma li��o, um contador de hist�rias.
A diretora Yulia Solnsteva levou o pr�mio de dire��o em Cannes
por este filme.
� uma tape�aria, um afresco.
Hoje, pode parecer exagerado politicamente,
mas a no��o de um personagem que n�o apenas observa a hist�ria,
ele de fato � a hist�ria,
nos lembra como as pessoas em tela podem ser complexas.
Tenho calos nas minhas m�os.
Em uma palavra, com toda minha fam�lia e sorte...
Ent�o, agora temos os mundos dos filmes,
cada um com seu tom, credibilidade e seus personagens.
Para nos aprofundarmos nos filmes,
vamos ver como os cineastas fazem seus protagonistas conhecerem outras pessoas.
Quando faziam isso de forma divertida
na era de ouro de Hollywood, o nome era "meet cute".
Ent�o, vamos chamar o nosso pr�ximo cap�tulo de "Meet Cute".
MEET CUTE
Filmes adoram momentos em que pessoas se conhecem,
desde o momento que podemos chamar de pr�-contato.
Este momento � da premiada diretora dinamarquesa Astrid Henning-Jensen,
de seu lindo filme "Krane's Confectionery".
Uma m�e divorciada � exclu�da pela sociedade.
As pessoas da cidade fazem fofocas sobre ela.
E voc� vai ter que lidar com isso! Ela est� imposs�vel!
-Vamos tomar um caf�. -E eu, que paguei a ela antecipado?
Est� maluca? Pode esquecer desse dinheiro.
Este grande plano fechado.
Ent�o, uma carta que a magoa.
Ela a rasga, e esta tomada de grua acompanha os peda�os...
at� este homem.
Sem camisa, carregando baldes, de uma classe mais pobre.
Est�o caminhando em dois eixos diferentes,
mas nem sequer se olham.
Os peda�os de papel criam um contato visual entre eles.
A hist�ria entra em contato com eles.
O filme � de 4 anos antes de um melodrama parecido de Hollywood,
"Tudo que o C�u Permite", de Douglas Sirk.
Agora, "Breves Encontros", de Kira Muratova.
A campainha toca.
Muratova, a protagonista, corre para atender.
Mas n�o vemos porta alguma, e sim este grande plano fechado.
Sil�ncio.
A c�mera se afasta.
Estaria a mo�a intimidada com este primeiro encontro?
Ela claramente est� ali para limpar o apartamento da senhora.
Mas h� algo que n�o sabemos sobre este encontro.
Vamos descobrir o que � muitas horas adiante,
no cap�tulo 31, cujo tema � aquilo que fica de fora da hist�ria.
-Qual � o seu nome? -Nadezhda.
Na pr�xima etapa de uma hist�ria que liga dois personagens,
um vislumbra o outro.
Pioneira como feminista, surrealista, te�rica
e impressionista, a cineasta Germaine Dulac
imaginou o primeiro vislumbre desta forma...
O padre espiona a mulher.
Planos fechados impressionantes, como se s� houvesse eles no mundo.
Ele salta em c�mera lenta, como um monstro.
E avan�a, n�o nela, mas no homem que a acompanha.
O meet cute � um sonho febril, um coup de foudre, um ataque.
O meet cute tradicional de Hollywood � bem menos insano.
Voltamos ao filme de Elaine May,
onde Walter Matthau planejava matar a esposa.
Agora, Elaine coloca Charles Grodin na praia.
Levando o meet cute tradicional ao seu limite,
Cybill Shepherd est� contornada pela luz do sol.
Angelical.
Perd�o?
Eu disse que voc� est� deitado no meu lugar.
Sua antipatia inicial inicia a hist�ria.
Ele se apaixona por ela, claro.
A dire��o sarc�stica de May d� acidez ao filme.
Eu acabei de chegar.
Tudo bem, s� n�o fa�a de novo.
A diretora francesa Rebecca Zlotowski
eleva o grau de atrevimento no meet cute tradicional.
Tahar Rahim est� num happy hour.
Ele acabou de come�ar a trabalhar com descontamina��o nuclear,
e est� bebendo com seus novos colegas de trabalho.
Ent�o, L�a Seydoux, cujo namorado est� presente, faz isso.
Levanta!
Viu?
Voc� sentiu tudo.
Medo, preocupa��o,
vis�o desfocada, tontura,
pernas bambas.
Essa � a dose. � isso que ela faz.
Podemos dizer que � o meet cute tradicional moderno.
Ela � mais ousada que a maioria das mulheres,
mas Katharine Hepburn ou Barbara Stanwyck poderiam fazer o mesmo.
Ele est� certo em querer casar com ela, porque ela � uma gata!
Aqui, uma verdadeira aula em como preparar um meet cute
em um filme do s�culo 21.
Estamos em um banco. A c�mera n�o se mexe.
Nesta longa cena, o rapaz � direita vai conhecer uma mo�a
que no momento est� � esquerda, fora do enquadramento.
A mulher que vemos � esquerda conversa com ela sobre cobras.
� uma conversa boba, em que s� ela fala.
Nossos olhos n�o saem da esquerda.
Ela disse: "N�o tenha medo". E fechou o ba�.
Chegam uma mulher e sua filha, e a composi��o se torna
uma esp�cie de altar da Renascen�a, com Maria e Jesus no meio,
e os santos em ambos os lados.
� que costumava ser chamado de sacra conversazione.
O rapaz � direita recebe uma liga��o,
e prestamos mais aten��o nele.
Tomo rem�dio para dormir toda noite,
mas n�o consigo dormir.
Minha m�e tamb�m n�o consegue dormir.
Ent�o, a mulher � esquerda continua com suas hist�rias bobas.
-Mas acabou muito mal. -Por qu�? O que houve?
Meu av� matou a cobra.
-S�rio? -Pois �.
Ent�o, a mulher da esquerda vai embora, e deixa a cadeira vazia.
E surge a bolsa rosa da mulher que ouvia aquelas hist�rias.
Um anel chique, e m�os bem cuidadas.
Ficamos intrigados.
Tivemos muitos problemas no passado, voc� viu tudo.
N�o, o problema n�o � meu.
N�o, quando eu disse que n�o a amava?
Escuta...
Ela estava prometida para um primo,
que gostava dela desde que eram crian�as.
Isso n�o pode acontecer...
Depois de v�rios minutos desta cena coreografada,
a mo�a finalmente entra no enquadramento.
Ela e o rapaz trocam olhares.
� um dos encontros mais cheios de camadas da hist�ria do cinema.
Achou que algu�m fosse morrer?
Isto, no entanto, � o oposto do meet cute rom�ntico.
� a mulher que vimos naquele acidente de carro no cap�tulo 1.
Ela est� cuidando de um apartamento vazio,
e est� deitada na cama.
Ela tem uma vida boa, um marido e uma filha, mas nada a excita.
O dono do apartamento chega. Ele est� de luto.
Eles nunca se conheceram.
Mas n�o tem nada de fofo nesse meet cute.
Ela nem sequer o v�.
Seus genitais se encontram antes de seus olhos.
� radicalmente fora do tradicional.
Ser� que isso a excitaria?
Poderia um encontro devolver vida a uma pessoa?
Seria o homem um desfibrilador?
Seriam todos os encontros tentativas de rejuvenescimento?
Em filmes de horror, meet cutes s�o o oposto.
Eles resultam em sangue.
Neste filme, a diretora Ana Lily Amirpour
colocou um senhor andando na rua � noite.
Do outro lado da rua, uma vampira feminista.
Um ajuste de foco.
Ela espelha seus movimentos.
� um encontro de persegui��o, uma assombra��o,
um elemento g�tico.
� uma distor��o mortal da ideia de que se encontrar � se apaixonar.
Oi.
Oi.
Este deve ser o �nico filme indiano de horror dirigido por uma mulher,
a estrela do cinema malaialo Sheela.
Uma mulher entra em uma sala. Ent�o, vislumbra um fantasma.
Tambores, e esse zoom que significa um turbilh�o de sensa��es no cinema indiano.
A m�sica � como uma usina el�trica, como o som do cora��o dela.
Ent�o, um lindo plano fechado,
e aquele elemento b�sico do horror, a ma�aneta.
E surgem sons eletr�nicos.
Com a porta aberta, o vento sopra dentro de sua casa,
que parece estar tremendo.
Nos encontros do cinema, � muito comum que haja coisas,
objetos intermedi�rios.
A carta rasgada em "Krane's Confectionery",
e bolsa rosa em "One Two One".
O objeto � um enviado de um mundo para outro,
e aponta para a coisa mais importante dos encontros:
Mundos colidem entre si.
A� est� a Wanda, que j� conhecemos.
Ela acabou de ser assaltada, e entrou em um bar para beber.
Est� t�o imersa em seu mundo, em sua tristeza, sua supera��o,
que n�o percebe que o homem n�o � o barman, e est� roubando o bar.
Ele matou o barman.
Ele tamb�m est� imerso em seu mundo,
ansioso, e com medo de ser descoberto.
Duas pessoas carentes sem tempo, sem disposi��o para outra.
Sabe o que aconteceu comigo?
Eles deviam se afastar,
mas se tornam uma dupla abomin�vel,
um Bonnie e Clyde d�class�.
Eu estava no cinema, e ele roubou meu dinheiro.
Concluindo, 4 trechos de filmes que nos levam ainda mais fundo
na forma como as pessoas se conhecem no cinema.
Voltamos a "Os Renegados", de Agn�s Varda,
onde este encontro � uma esp�cie de contrato.
Nossa protagonista desabrigada agora se encontra
na casa chique de uma senhora parcialmente cega.
Como um camale�o, a mo�a vestiu um avental
e est� fingindo ser uma empregada da senhora.
A senhora n�o enxerga com quem est� falando.
Ela tem espa�o de sobra, m�veis e bebidas,
tudo que a mo�a quer.
Mas a mo�a tamb�m tem algo a oferecer:
Irrever�ncia e divers�o.
Se meu sobrinho me visse agora, n�o acreditaria.
Ele est� esperando a senhora falecer.
-Sobrinhos s�o urubus. -Eu sei, mas eu n�o falo nada!
Em poucos momentos, um encontro, uma troca,
conforto, e at� mesmo alegria.
Um mergulho tempor�rio em um envolvimento humano real.
Eu sei que ele quer a minha casa, mas...
Neste filme romeno, "Fleeting Loves",
um dos filmes com mais cara de outono,
um arquiteto em uma praia observa os cavalos que passam.
Uma bela tomada com tracking para frente.
Depois de um zoom in, a dire��o muda,
e zoom out novamente.
Ent�o, um plano fechado, e mais um tracking.
At� que surge esta senhora, interpretada por Beate Fredanov,
uma atriz lend�ria e professora de cinema e teatro.
Eles conversam.
O homem estava fora do pa�s,
e logo veremos que ele voltou para casa para morrer.
Ele est� com c�ncer.
Nunca chegar� � idade desta mulher.
O outono est� acabando...
S�o 17h e est� escurecendo.
Voc� deve ser engenheiro de constru��o.
Ela pede um cigarro.
Ent�o, eles se sentam. Dois barcos se cruzando.
Ela est� pensativa.
Poderia ser uma cena de Ingmar Bergman,
ou de "A Estrada da Vida", de Fellini.
A grande diretora Malvina Ursianu cria um mundo em s�pia
em que um momento e um cigarro s�o compartilhados.
N�o lembro se eles acordaram ou n�o.
Voc� � bret�?
Sou da Bretanha.
Eu costumava ensinar franc�s neste pa�s.
Meus alunos que haviam ido � Fran�a
disseram que ningu�m mais falava o idioma que eu ensinava.
O contrato do encontro fica expl�cito neste filme perturbador.
O irm�o desta menina de 15 anos morreu.
Ela se sente alienada e desesperada,
e quer achar algu�m que a mate.
Entra em um anexo da fazenda dos pais,
at� que...
Se gritar, eu te mato!
Ele a agarra. Um ataque.
O homem � um assassino condenado.
A c�mera transmite p�nico.
� como uma cena de "Grandes Esperan�as", de Dickens.
A m�e dela a chama.
Ent�o, a menina escapa.
Certamente vai contar para a m�e.
Mas ela n�o conta. A c�mera se acalma.
A jovem vai escrever um contrato:
Se ela abrigar o homem condenado, ele dever� mat�-la.
Pr�-contato, vislumbres, meet cutes rom�nticos tradicionais
e suas varia��es modernas, g�ticas e antirrom�nticas.
Objetos, mundos em colis�o, e contratos complexos.
Primeiros encontros em filmes s�o hist�rias por si s�s.
Para concluir, temos "Infiel", de Liv Ullmann.
Um diretor e roteirista � filmado sob luz natural.
Ele escuta alguma coisa.
Tem algu�m a�?
S� eu.
Ah, � voc�. O que quer?
Voc� disse que ir�amos brincar e fantasiar.
Movimentos min�sculos de c�mera. Como se a mulher estivesse atr�s.
Seria esse o encontro?
Se vamos desfrutar disso, voc� precisa me descrever.
Entre o personagem e a cineasta?
Percebemos que ele est� falando com uma personagem fict�cia
sobre a qual escreve.
Ela o provoca.
Talvez isso aconte�a em todos os encontros.
Como vou come�ar?
Voc� � muito bonita.
Como eu sou? Descreva.
Ent�o, este tracking � direita.
Voc� tem uma cara boa.
Adequada para drama e com�dia.
E veja, nas sombras,
algu�m anda para a esquerda na mesma velocidade.
Essa mulher n�o existe de verdade,
� a voz na cabe�a dele, uma conselheira criativa.
-E mais nada. -Est� descrevendo a Marianne?
O filme de Liv Ullmann, escrito por Ingmar Bergman,
sugere que na vida h� um encontro inescap�vel
consigo mesmo.
Marianne Vogler.
Marianne Vogler, a atriz.
Agora, eu existo?
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