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Original subtitles

A maioria dos filmes foram dirigidos por homens.

A maioria dos ditos cl�ssicos foram dirigidos por homens.

Mas h� 13 d�cadas, em todos os seis continentes onde se fazem filmes,

milhares de mulheres tamb�m t�m dirigido filmes.

Alguns dos melhores.

Que filmes elas fizeram?

Que t�cnicas usaram?

O que podemos aprender sobre cinema com elas?

Vamos revisitar os filmes atrav�s dos olhos das diretoras.

Vamos fazer um novo road movie pelo cinema.

MULHERES FAZEM CINEMA

UM NOVO FILME DE ESTRADA ATRAV�S DO CINEMA.

Como as diretoras fizeram filmes de drama?

O que seus filmes mostram?

DRAMA

Vamos come�ar devagar. Uma mulher na pausa do almo�o.

Ela trabalha em uma loja barata.

Tenta sustentar a fam�lia.

Os homens elegantes sentados ao lado n�o aprovam

que ela coma um sandu�che em um saco de papel.

Uma pequena c�mera se move para reenquadra-la.

Sua tristeza e isolamento.

Um aspecto fundamental dos personagens de melodrama.

Um plano aberto na dire��o que olha.

Ela queria viver como eles,

Mas como se houvesse um painel de vidro

separando a pobreza dela e a riqueza deles.

O olhar desejoso do melodrama.

O personagem central geralmente impotente.

N�o pode controlar sua vida, n�o pode mud�-la.

Ela aparece em plano aberto e olha para baixo.

E um close expressa sua vergonha e seu sonho.

Ela se recosta no banco, e o sol parece queimar seu rosto.

Lois Weber mostra a dor

e a vitimiza��o da personagem central do melodrama,

mas suas imagens s�o basicamente est�ticas.

O primeiro filme noruegu�s dirigido por uma mulher,

Edith Calma, teve mais movimento.

Uma mulher rica tem um caso com um jovem mec�nico.

Um close...

Ela fecha os olhos,

e vemos uma montagem rom�ntica com jazz ao fundo.

A sobreposi��o de imagens.

Champanhe, cigarros, trompete, imagens de romance...

Quase freudiano, ao estilo de Hollywood.

Mas depois de uma hora de filme,

temos emo��es opostas.

�dio ao inv�s de amor.

Uma torrente orquestral ao inv�s de jazz.

Seu desespero e resist�ncia.

Um corte r�pido quando ela o ataca.

Ent�o, vem a tranquilidade depois da tempestade.

A imagem fica fora de foco e a c�mera recua

al�m da porta do quarto onde algu�m foi esfaqueado.

Depois a c�mera segue...

Procuramos o corpo, o caos, as consequ�ncias.

A pol�cia chega.

As duas cenas de Calma, o amor e a morte, nos mostraram

a amplitude do melodrama,

seus "altos" no topo das montanhas

e os "baixos" no vale de l�grimas.

Como mostrar essas emo��es intensificadas?

Uma das maneiras mais simples atrav�s do di�logo.

Estou falando, n�o? Um su�ter pelo menos!

Uma m�e pede ao marido

que compre um su�ter para o filho.

Um close nela. Sua voz suplicante.

Ele n�o mais uma crian�a. Ele tem vergonha.

N�o mais como antes.

Eu lhe digo, pelo menos, compre um su�ter para ele.

Ele n�o � mais uma crian�a! Ele tem vergonha!

Compre um su�ter para ele. Da vergonha olhar...

Ele n�o � mais uma crian�a! Ele tem vergonha!

Ent�o dois de seus filhos come�am a cantarolar.

Mingau, mingau, televis�o, mingau, mingau.

Iscas, iscas... Mingau, mingau, televis�o

Iscas, iscas, iscas, iscas

Mingau, mingau, televis�o...

De repente, o som de tempestade ao fundo.

Ele n�o � mais uma crian�a. Tem vergonha de andar sem roupa.

Repetitivo, irritado. A tens�o vai aumentando.

Al�m dos filhos e dos trov�es,

a esposa come�a a falar novamente.

Ele n�o � mais uma crian�a. Tem vergonha de andar sem roupa.

Frequentemente h� uma ascens�o, algo vulc�nico no melodrama.

Aguardamos a erup��o.

Kira Muratova � brilhante em cenas explosivas.

O di�logo e as vozes do drama v�m dos atores e da histeria, � claro,

mas as paix�es s�o t�o fortes

que muitas vezes parecem mudar para o estilo cinematogr�fico.

O estilo est� agindo por outros meios.

Aqui, por exemplo.

O m�dico de Larisa Shepitko, na Sib�ria.

A cena � filmada na neve, mas ele est� com tanto calor

que precisa de gelo para se refrescar.

A trilha sonora de Alfred Shnitke � cortante, escaldante, met�lica.

E o ator n�o consegue suportar a agonia.

E, agora, a m�sica � de sinos. Anunciando a morte iminente.

A agonia de outro homem a c�u aberto.

Um pastor, cujas ovelhas est�o sendo atacadas por um lobo.

Eles rolam a ribanceira abaixo.

Uma orquestra completa a todo vapor.

S�o tomadas curtas, quase sempre close ups

para mostrar sua agonia, sua luta.

O animal rosnando. Uma luta.

Mas o filme tamb�m foi um "rosnado".

Ele foi feito por Leni Riefenstahl.

Em algumas cenas,

ela filmou com presos dos campos de concentra��es nazistas.

Foi um dos filmes mais comprometedores j� feito.

Riefenstahl criou a cena de maneira man�aca,

mas um tanto convencional.

Aqui, Drahomira Vihanova encontrou uma maneira mais inovadora

de dar forma ao melodrama.

Uma discuss�o entre dois homens.

Um zoom na carteira,

e, em seguida, a c�mera atravessa acerca rapidamente.

Comandante, vamos l�, por favor...

N�o fique zangado, eu n�o quis...

E retorna.

N�o quis ofend�-lo, senhor!

-E eu disse que voc� o fez? -Meu Deus.

Volta pela terceira vez e continua assim.

A discuss�o como uma competi��o, como uma partida de t�nis.

A c�mera expressa o vaiv�m.

Binka Zhelyazkova combina mania com inova��o na cena hitchcockiana.

A jovem fot�grafa Tsveta e cadeirante.

Ela olha para a rua.

A c�mera acompanha

e depois esta na bicicleta dela.

A m�sica acelera.

Cada vez mais perto.

"Eisensteiniano".

E o melodrama se intensifica.

Um crescendo.

Nossa cena final � um grande melodrama

e resume o g�nero drama.

Como a mulher pobre do filme mudo que tem vergonha de seus sapatos,

essa mulher foi condenada ao ostracismo.

Ela teve um caso com um soldado americano

durante a Segunda Guerra Mundial.

Est� � beira da estrada � noite.

A diretora Kinuyo Tanaka estilizou os far�is dos carros

para piscassem em seu rosto.

As luzes e a m�sica s�o o exoesqueleto dela.

O estilo do filme expressa o que uma mulher de sua classe

n�o poderia dizer no Jap�o naquela �poca.

Elas s�o o vulc�o, a lava.

No final, o melodrama � uma explos�o de cinema.

Os homens dirigiram a maioria dos filmes famosos de fic��o cient�fica,

mas as cineastas tiveram ideias criativas no g�nero.

FIC?+O CIENT-?FICA

Em 1999, os irm�os Wachovski criaram imagens de fic��o cient�fica

que influenciariam o cinema nos pr�ximos anos.

Quando ele � atingido,

o t�rax de um personagem se multiplica

e se desvia da linha de tiro para evitar as balas.

Trinity!

Mas o outro dispara contra o Neto de Keanu Reeve.

E o show de tiros come�a.

A c�mera parece circular t�o r�pido

que vemos o trajeto da bala

e as ondula��es visuais.

Foram utilizados efeitos com arame do cinema chin�s e v�rias c�meras.

As tomadas foram costuradas digitalmente.

O Matrix era um universo paralelo einsteiniano da era digital,

uma ideia-chave na fic��o cient�fica.

N�o foi para isso que viemos aqui.

Os tiroteios eram uma nova maneira de ver.

Dezoito anos depois, a diretora Patty Jenkins usou isso

para recriar uma batalha da Primeira Guerra Mundial

no universo DC.

C�mera circulando...

N�o, mas � o que vou fazer.

C�mera lenta de novo.

Um brilho de metal no meio das cinzas das trincheiras.

Depois aparece mais metal.

Vemos a armadura e o logo da Mulher-Maravilha.

Diana!

A fantasia da fic��o cient�fica:

Uma super-hero�na poderosa inserida na histeria mundial,

caminhando onde milhares de pessoas foram massacradas.

A c�mera segue uma bala.

E as balas come�am a voar.

E sua invencibilidade...

Que diabos ela est� fazendo?

Preparam-se! Fogo!

Fogo!

Ela come�a a correr.

Ela est� levando todos os tiros. Vamos l�!

Vamos! Vamos!

A fic��o cient�fica costuma ser ambientada no futuro,

mas, aqui, � um espet�culo do passado melhorado, revisitado.

Te peguei!

A fic��o cient�fica � geralmente um espet�culo.

Muitas vezes � algo invis�vel,

fantasiado, projetado ou coreografado.

"O Destino de J�piter", de Wachovski foi uma chuva

de design e movimento.

Talvez isso tenha sido uma das raz�es pelas cr�ticas negativas.

Uma persegui��o pela planta��o

como uma cena de Hitchcock em "Intriga Internacional".

Mila Kunis � atacada por alien�genas

porque � uma princesa de outra gal�xia.

Ent�o um homem aparece com uma arma sem igual.

Vemos sua explos�o, suas ondas, como aconteceu em Matrix.

Ent�o alien�genas computadorizados aparecem...

seguidos pelos rebeldes que vem resgat�-la.

Flutuando, encarvoados.

Channing Tatum surge de repente desafiando a gravidade

como em um filme do g�nero chin�s wuxia.

Novos tipos de filmagem, movimento e apresenta��o.

-Estamos livres. -Quem sabe?

Melhor irmos embora antes que eles voltem.

Voc� pega o tanque.

Tem certeza?

DIGITE O C�DIGO DE SEGURAN�A

"Tank Girl" tamb�m mostra a divers�o,

o espet�culo e o design da fic��o cient�fica.

Estamos na Austr�lia.

Um impacto na terra causou uma seca.

O governo controla o abastecimento de �gua.

Um Estado de pol�cia.

Lori Petty esta manejando um tanque.

S� imagens de um filme de guerra.

Mas atraiu risos.

Ela n�o sabe como manej�-lo. Absurdo, perigoso, divertido.

Em seguida, uma pancada na cabe�a como um filme de Charlie Chaplin.

Como se estiv�ssemos embaixo d'�gua

e no mundo das histerias em quadrinhos.

Voc� est� bem?

Desculpe pela pancada na cabe�a.

Acho que preciso praticar mais.

As jovens s�o ciberpunks neste mundo.

-Sim, tome isso! -N�o, ainda n�o!

O conceito de fic��o cient�fica permite

que a mente da diretora Rachel Talalay corra solta.

Voc� n�o devia ter me batido assim, Becky!

A fic��o cient�fica aqui age como "os fins justificam os meios".

Um bumerangue que leva nossa imagina��o para longe,

mas depois a traz de volta para o mundo real.

A s�rie "O Conto da Aia" � ainda mais sombria.

A hist�ria de Margaret Atwood se passa nos EUA no futuro pr�ximo.

Um futuro fora do alcance que ativa a imagina��o vivida.

As taxas de fertilidade ca�ram consideravelmente.

Por isso, as mulheres que ainda podem ter filhos s�o valiosas.

Elas s�o encarceradas e for�adas a procriar v�rias vezes.

Disseram a elas que o homem era um estuprador.

Talvez ele n�o seja,

mas elas o cercam, iradas, com mentes e corpos controlados.

Desesperadas pela falta de liberdade.

A diretora Reed Morano mostra uma cena de pavor,

de viol�ncia inevit�vel.

Rugidos cavernosos na trilha sonora.

Um coliseu. Sangue e fervor.

Abuso gera abuso.

A f�ria do Velho Testamento.

A luz do sol dourada insere ironia visual.

De novo, o bumerangue.

Offred.

Voc� est� bem?

Tenha um bom dia.

A artista austr�aca Valie Export filma cenas ainda mais chocantes.

Como os irm�os Wachowski, ela se interessava por invasores.

Em sua histeria,

extraterrestres chamados Hyksos se infiltraram na vida cotidiana,

tornando-a esquizofr�nica.

Uma cena cotidiana.

A mesa da cozinha da personagem principal.

Representando quase uma natureza morta.

Mas ent�o o peixe, o rato e o periquito se movem.

E as coisas se tornam muito mais viscerais.

E violentas. E s�dicas. Quase imposs�veis de olhar.

Cortes r�pidos sugerem coisas horr�veis.

Um beb� na geladeira.

N�o h� efeitos especiais aqui.

Apenas o poder do cinema para perturbar.

O bumerangue retorna voando.

Futuro ou mundos paralelos.

Lugares para escapar ou vers�es veladas de nosso pr�prio mal-estar.

Nosso clipe final,

um dos mais not�veis do g�nero de fic��o cient�fica,

consegue ultrapassar todas essas coisas.

Voc�!

Cachorrinho!

Estrelas falam com um cachorro!

E depois sussurram uma para a outra.

Elas tentam alegrar o cachorro.

Ele est� sendo usado como cobaia em um laborat�rio.

O filme se torna o olho interior do cachorro.

As estrelas s�o projecionistas celestes.

Elas mostram a avia��o.

Uma mulher no balan�o.

O mundo da constru��o e da bot�nica.

O melhor da vida na terra, talvez.

De certa forma, � alegre mas tamb�m desequilibrada.

O cachorro � um cachorro.

O que ele realmente gostaria de ver?

O filme da diretora h�ngara Ildeko Enyedi mostra

que a fic��o cient�fica n�o tem limites.

Pode ser sobre animais e planetas.

"My 20th Century" ganhou o pr�mio de melhor filme em Cannes.

Da fic��o cient�fica a outro g�nero de filmes visuais,

um dos mais bem-sucedidos da hist�ria do cinema.

INFERNO E TERROR

Um hotel sombrio.

Um mensageiro leva um homem por um corredor em declive.

M�sica f�nebre.

N�o h� fotos nas paredes.

N�o h� janelas.

Como se estivessem entrando em um abrigo nuclear.

Depois, ele segue sozinho.

Outro acompanhante.

-grande? -Imenso.

E ele chega.

Decora��o napole�nica.

Um mundo burgu�s no qual ele ficar preso.

- Aqui. -Isso mesmo.

"Entre Quatro Paredes" da pioneira francesa Jacqueline Audry,

� uma adapta��o da pe�a de Jean Paul Sartre

com a famosa fala: "O inferno s�o os outros."

Todos os quartos s�o iguais?

Pense bem.

Temos hindus, chineses...

O que eles achariam de sof� do Segundo Imp�rio Franc�s?

E eu, o que espera que eu ache disso?

Sabe onde eu estava?

Isso n�o importa.

Na realidade, voc� tem raz�o.

Para Ellen nesta cena, o inferno est� ? espera.

Ela foi levada a uma casa com homens.

Foi colocada em um quarto.

Um quarto vermelho e rosa.

E algu�m abre a porta.

Sua fala expressa seu isolamento.

Se uma �rvore cai na floresta

e ningu�m est� por perto para ouvi-la,

vai fazer barulho?

Vai haver algum som?

Ela filmou atr�s dos homens, entre suas pernas.

Faz barulho?

Ent�o a c�mera se afasta.

A casa fica em um beco sem sa�da.

As casas s�o como as �rvores das quais ela fala.

P�ssaros agitados no filme "Earth", de Deepa Mehta.

E algu�m est� � espera.

Um sorveteiro est� na esta��o de Lahore,

esperando o trem de Gurdaspur,

a cidade de Punjab alocada para a �ndia na noite anterior.

O trem vai trazer uma multid�o.

Isso n�o parece o inferno, para ser sincera.

Muito suave, sereno demais.

H� muita semelhan�a com uma pintura vitoriana.

Est� com doze horas de atraso.

H� alguma not�cia do trem vindo de Gurdaspur?

Confie em Ala, irm�o.

Ele anda em dire��o a c�mera.

Ent�o vemos uma luz sobre o ombro dele.

O trem.

Foi lindamente filmado ou parece estar fervendo?

Ou est� respirando como um drag�o?

Estamos dentro do trem e ele descobre...

Primeiro o som de lamento...

depois uma m�o,

depois os corpos.

Um trem repleto de cad�veres,

filmado como uma pintura de Caravaggio.

O inferno com compostura.

Este cap�tulo deveria ser sobre o g�nero de terror,

mas est� se aproximando do horror da vida real.

Que assim seja.

Onde encontramos a face mais convincente do cinema.

O que vemos aqui, por exemplo,

no final de "S�ndrome Ast�nica", de Kira Muratova.

Mulheres chorando.

Tons de s�pia e de marrom.

Da cabe�a aos p�s.

Quanto mais elas choram,

mais tememos ver o horror que est�o testemunhando.

E depois, o corte.

Aparece a causa de suas l�grimas.

Um cachorro trancado.

Depois mais amplo.

Nove c�es abandonados, prostrados.

Um solo de piano age como defensor de sua causa.

Pessoas rastejando como c�es.

Curdist?o...

Houve um boato de que uma arma qu�mica seria lan�ada.

Uma m�e, com o filho agarrado ? barriga.

Usando o corpo dela para proteg�-lo.

Seu companheiro usa o quadro negro

para proteg�-los dos poss�veis gases.

N�o s�o armas qu�micas.

N�o tenha medo, minha querida.

Uma vila de joelhos.

Um corte, e a m�sica continua.

As mulheres, as crian�as...

E ouvimos a respira��o ofegante...

N�s n�o vamos morrer.

N�o s�o armas qu�micas.

S�o os soldados do outro lado da fronteira.

Se eles nos ouvirem, v�o atirar.

Juro que n�o s�o armas qu�micas.

Se eles nos ouvirem, v�o atirar.

E um idoso que tenta urinar h� horas, mas n�o consegue.

A agonia dele.

A c�mera acompanha sua agonia,

rastejando com ela.

Esconda-se embaixo do quadro negro.

Vou proteg�-los.

Do inferno da guerra

ao inferno do sadismo, da humilha��o e da dor.

N�s somos uma fam�lia normal...

E voc� agiu como se fosse parte dela.

Voc� nos traiu.

O jovem crist�o que j� vimos antes.

Uma mulher que teve seus pr�prios problemas na vida.

Filmada com a c�mera na m�o.

Ela parece estar confortando-o.

Mas depois, meu Deus...

Temos ainda a amiga que fica pulando.

Prov�vel que tamb�m seja uma pessoa problem�tica.

Dor gera dor.

Um lugar inescap�vel passa a ser o inferno.

Pris�o perp�tua.

E elas ainda n�o terminaram.

A diretora Katrin Gebbe filmou a cena da mesma maneira

que o diretor Makhmalbaf filma.

Embaixo onde a a��o acontecia.

Cusparadas.

Como a tortura de Cristo, a quem ele tanto adora.

Depois, mais dor, mais tortura,

fora de foco as vezes.

Essas mulheres est�o no controle agora.

E tudo � baseado em uma hist�ria real.

Nesta cena-chave do filme ?Safe?,

Antonia Bird mostrou a agonia de um jovem morador de rua,

focando a c�mera em seu rosto.

N�o tenho roupas.

Ele n�o � torturado por indiv�duos,

mas pela sociedade,

por sua falta de perspectiva, seguran�a ou pertencimento.

Voc� decide, senhor.

Gyppo, esse lugar � uma merda! Vamos!

Talvez assim o inferno seja visto melhor,

no close de um rosto.

A artista bulgara-austriaca Mara Mattushka descasca um rosto.

Como se fosse um ladr�o com uma meia-cal�a na cabe�a

que se rasga toda.

Tem uma trilha sonora gritante, latejante e palpitante.

Asfixia no inferno.

O inferno de abuso, assassinato, tortura, guerra e falta de moradia.

Infelizmente, h� mais ainda.

E o inferno que um casal pode causar?

Temos quatro �timas cenas para mostrar isso.

Primeira cena,

A Girl Walks Home Alone at Night?, de Ana Lily Amirpour.

A jovem iraniana que j� vimos antes

est� no apartamento de um cara drogado.

O som solit�rio quando ela mexe na bateria.

Ele se aproxima.

Ponto focado.

Ele tem sexo na cabe�a e no pesco�o.

Seu toque � t�o terno...

a atmosfera t�o suave. Mas depois...

Uma incurs�o de horror, um contra-ataque.

O sobrenatural tamb�m aparece para este casal.

Safi Faye dirige est� tomada �nica complexa de ?tracking?.

O casal aparece.

Voc�s cresceram juntos, muito pr�ximos.

Mas � dif�cil acreditar na amizade de voc�s.

A beleza dela � t�o impressionante que at� seu irm�o se apaixonou.

Os moradores do vilarejo est�o preocupados.

Eles veem essa beleza como uma amea�a ou uma maldi��o.

Por isso, esse ritual de casamento est� sendo realizado.

N�o h� cortes quando Mossane e o jovem com quem ela cresceu se levantam

e se aproximam do homem que vai remover a amea�a, o incomodo.

O p� direito primeiro, porque o esquerdo do azar.

O que ele faz depois?

Ele os amarra.

Um s�mbolo do casamento como uma pris�o.

E eles est�o semienterrados. A c�mera os acompanha.

Depois eles s�o banhados em sangue.

Antepassados, aceitem esta oferenda...

Eles est�o enterrados, amarrados... Que inferno!

Ato amanh�, crian�as.

A c�mera est� completando seu ?arabesque?.

Depois outro elemento aparece. O elemento do inferno, o fogo.

A terceira cena do inferno a dois.

A sombra dela cai sobre a sombra dele.

Como no come�o de nossa hist�ria,

vimos a luz da tocha dele cair sobre a luz da tocha dela.

Eles fazem parte da resist�ncia e foram pegos pelos nazistas.

Ent�o acontece isso.

Eles p�em fogo em suas m�os atadas.

O choque dela e a m�sica entra.

Ela tem que testemunhar o sofrimento de seu amante.

Est� ouvindo, Demo?

Demo n�o � um traidor. Todo mundo sabe!

Est� ouvindo, Demo? Todo mundo sabe!

Um dos infernos mais angustiantes que h�.

Zlatko � o traidor!

Todo mundo sabe! Todo mundo!

Me larguem!

Essie Davis faz o papel de uma mulher

que viu seu marido sofrer e morrer em The Babadook?.

A diretora Jennifer Kent a fez esconder tanto,

com tanto medo de enfrentar a verdade,

mesmo em seu subconsciente,

que o medo se torna algo aterrorizante...

um besouro em fuga.

Preto, quebradi�o, invasor.

Como muitos outros infernos est�o invadindo.

-O que vamos fazer? -Vamos descer.

-Por qu�? -Porque sim.

Bem, temos fais?o. Tudo bem.

Sim, um fais?o local. Mas n�o foi pego pelo papai.

Ele � bom de tiro?

O Archipelago de Joanna Hogg � o oposto de Babadook, sem d�vida.

Aqui n�o h� insetos pretos.

Tons bege e verde brandos.

Decora��o agrad�vel e arte de bom gosto.

Um casal e seus filhos adultos.

Cena est�tica, pausas significativas.

Conversa irrelevante.

J� comeu a sua?

-Afundou. -Sim, afundou.

A minha tamb�m afundou.

Isso � bom, somos praticamente irm�os.

As pessoas est�o um pouco entediadas.

Com pouco a dizer.

Bloody Marys e azeitonas antes do almo�o.

Como se eles estivessem se afogando em bom gosto.

O almo�o est� pronto, caso queiram vir.

Que bom!

-Est� bem. -Sim.

O curta-metragem The Swimmer?, de Lynne Ramsay.

Um homem est� debaixo d'�gua.

Garotos que est�o fora da �gua tentam atingi-lo com flechas.

C�ntico demon�aco na trilha sonora.

Sua nudez o torna vulner�vel.

Esta � uma raz�o para confiar. Confie em mim!

Ele se debate como um atum na linha de pesca.

Ent�o ele vai descendo, descendo...

e a tela escurece.

E al�m da fic��o...

Esta � uma hist�ria real chocante sobre um inferno no rio.

Uma jovem de 19 anos conta sua hist�ria.

Uma tentativa assassinato por quest�es de honra.

Logo depois, meu tio parou o carro e me puxou para fora.

Ele come�ou a me bater, me esbofetear.

Eu fiquei consciente durante toda a surra.

Lembro de tremer de medo e implorar, mas eles n�o me deram ouvidos.

Uma pistola estava apontada para o meu c�rebro,

junto a minha t�mpora

e meu tio estava segurando meu pesco�o.

Mas consegui virar meu rosto e o tiro n�o acertou o alvo.

Depois, eles me colocaram em um saco e me jogaram no rio.

Ganhadora de dois Oscar,

Sharmeen Obaid Chinoy usa t�cnicas simples.

Entrevistas, chutavas, c�meras POV, recontar a hist�ria.

Nada mais � necess�rio.

Narrativa na primeira pessoa, direta e assustadora.

Vi a luz da moto a dist�ncia.

Segui a luz e lentamente comecei a andar em sua dire��o.

Cheguei a um posto de gasolina e foi a que busquei ajuda.

Claro que a jovem escapou.

E assim devemos terminar este cap�tulo sobre o inferno,

olhando suas fugas,

suas consequ�ncias.

Aqui est� uma tentativa de fuga. The Silences of the Palaces?.

O pr�ncipe quer estuprar uma mulher.

A filha dela ouve.

Ela olha na dire��o onde isso acontece.

De volta ao estupro.

E para a filha novamente, que agora olha para cima.

A respira��o dela acelera.

Talvez cubra os ouvidos. Mas n�o, ela esfrega as t�mporas.

Tenta se ausentar do momento.

Quase como se pudesse fazer auto hipnose.

Ela aparece correndo,

tentando escapar deste pal�cio silencioso,

deste inferno.

Mas as portas se fecham.

Quando uma �rvore cai na floresta

e ningu�m est� por perto para ouvir, faz barulho?

Atiraram nele.

Voc� devia ter ficado embaixo como eu lhe disse.

A culpa � sua

por eles terem atirado.

Voc� roubou comida e agora ele est� morto.

Ele caiu.

Ele correu na dire��o errada.

Uma floresta onde ouvimos gritos.

As consequ�ncias de um dos infernos mais terr�veis,

a Segunda Guerra Mundial.

Um garoto foi baleado.

Um judeu ajudou seus irm�os.

Cores cruas e ilumina��o n�tida.

Esse garoto n�o quer usar os sapatos do irm�o morto.

Ele n�o sabe que em certos infernos, h� necessidades.

E tamb�m n�o quer comer.

-Coma! -N�o quero.

Coma seu p�o!

-N�o quero. -Coma!

Sua performance vida e plaus�vel.

Errado comer quando algo t�o terr�vel aconteceu.

Mas o homem sabe que sair do inferno � um trabalho �rduo.

Ann sabe como � dif�cil.

Ela foi estuprada e est� voltando ao trabalho.

A escritora, atriz, diretora

e compositora brit�nico-americana Ida Lupino vai seguindo-a.

Sem di�logo, mas com um som irritante

e um tapinha no ombro.

Ela est� muito alerta.

O som do carimbo abala seu sistema nervoso.

Este close-up fant�stico sem fundo, apenas com ela.

A carimbagem acelera, e a ansiedade tamb�m.

Depois outro close, outro ritmo.

Continue! D� uma boa olhada.

Todos voc�s!

Ei, Annie, pare com isso.

N�s entendemos... Ningu�m est� olhando para voc�.

Vamos l�, vamos tomar um pouco de �gua.

De volta aquele quarto burgu�s de Entre Quatro Paredes,

onde come�amos este cap�tulo.

As pessoas resolveram passar a vida juntas.

O inferno s�o as outras pessoas

e, como vimos, h� tortura, abuso, guerra, invas�o, afogamento

e consequ�ncias neste inferno simb�lico.

A diretora Jacqueline Audray quer escapar do inferno assim?

Um pull-out vasto atrav�s da fuma�a sulfurosa.

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