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A maioria dos filmes foram dirigidos por homens.
A maioria dos ditos cl�ssicos foram dirigidos por homens.
Mas h� 13 d�cadas, em todos os seis continentes onde se fazem filmes,
milhares de mulheres tamb�m t�m dirigido filmes.
Alguns dos melhores.
Que filmes elas fizeram?
Que t�cnicas usaram?
O que podemos aprender sobre cinema com elas?
Vamos revisitar os filmes atrav�s dos olhos das diretoras.
Vamos fazer um novo road movie pelo cinema.
MULHERES FAZEM CINEMA
UM NOVO FILME DE ESTRADA ATRAV�S DO CINEMA.
Nossos �ltimos quatro cap�tulos analisaram sexo, lar,
religi�o e trabalho.
Agora, um quinto aspecto importante da vida cotidiana,
a pol�tica.
CAP�TULO 23 - POL�TICA
The Enchanted Desna novamente.
Deus nos ajude!
Podemos contar com a diretora Yulia Solnsteva
para levar as coisas ao extremo.
Aqui ela leva o idealismo da pol�tica ao extremo.
Camponeses felizes e rindo.
Composi��es pict�ricas.
Um homem santo caiu no rio Desna.
Ele ficou mal.
Uma raps�dia da vida rural.
Um fazendeiro nobre, filmado de baixo.
Que vilarejo!
A cada primavera, h� mais de mil anos,
eles ficam encharcados assim
e o diabo n�o consegue tir�-los deste lugar.
Ent�o, um dos cortes mais ousados da hist�ria do cinema.
D�cadas depois. Ainda rindo.
O mundo industrial agora.
Igualmente harmonioso e bonito. Construindo utopia.
Pol�tica socialista pura.
O presente est� sempre em transi��o do passado para o futuro.
Dial�tica!
Do idealismo para o simbolismo.
A cineasta francesa Marina De Van
dirige a si mesma no perturbador Em Minha Pele.
Ela est� num jantar de trabalho.
Conversa sobre neg�cios. Capitalistas europeus.
Temos uma estrat�gia global, mas o Jap�o � uma exce��o.
Temos uma equipe de marketing l�.
� t�o diferente da Europa e dos Estados Unidos.
A personagem de De Van bebe para entorpecer a conversa.
Eu n�o sabia que o Jap�o era t�o especial assim.
Sim, h� alguns anos, exibimos nossos an�ncios l�.
Os testes foram catastr�ficos.
Duas culturas diferentes. Fez mais mal que bem...
De repente, isto...
Sua m�o ganha uma mente pr�pria.
Foram quase totalmente in�teis.
Em vez disso, criamos estrat�gias locais.
O olhar ansioso de De Van.
Conversa trivial. Cortes entre close-ups.
Estagiei l� e acabei ficando, mas morar t�o longe era dif�cil,
sentia falta da Fran�a.
Trabalhei na Alemanha e depois voltei para Paris.
O que te atraiu no Jap�o?
Estudei hist�ria japonesa e depois fiz um MBA.
Eu falava japon�s e o pa�s me fascinava,
menos pelo presente e mais pelo seu passado.
Sua m�o se rebela novamente.
Protesta contra esse capitalismo presun�oso.
E de repente... Nossa! Est� completamente separada.
A forma como ela gostaria de estar apartada.
Ela inveja a forma como sua m�o fugiu, se rebelou.
Idealismo, simbolismo e agora, propaganda.
A diretora e editora Esfir Shub faz tomadas de fotos de arquivo
e adiciona este inter-t�tulo...
AQUELES A QUEM A GUERRA ERA NECESS�RIA: VTOROV,
DONO DAS MAIORES F�BRICAS DE ARMAMENTOS...
E ent�o ela corta para Vtorov.
Novamente, uma cena que ela n�o filmou.
O intert�tulo nos disse o que pensar dele.
Depois outra cartela.
AQUELES QUE SERIAM ENVIADOS PARA O MATADOURO...
Mais uma vez, ela usa palavras e edi��o
para fazer com que as imagens signifiquem algo
que talvez n�o tenham sido originalmente gravadas.
Shub passou dois meses assistindo a 60 quil�metros de imagens antigas
para encontrar cenas e construir sua hist�ria
da Primeira Guerra Mundial e da Revolu��o Russa.
AS M�OS DOS TRABALHADORES PREPARANDO A MORTE PARA OS IRM�OS.
Originalmente, ela trabalhou como censora
e editou filmes de Fritz Lang e outros para o p�blico sovi�tico.
Propaganda pol�tica muito mais extrema,
agora, de Leni Riefehstahl, � claro.
Trabalhadores no com�cio de Nuremberg.
Um close-up nas suas p�s.
M�os no cabo.
E ent�o, plano aberto. Eles parecem soldados.
Trabalhadores como um ex�rcito.
Trabalho armado.
Ent�o essa montagem not�vel e perturbadora de close-ups.
E voc�, camarada?
Da Baviera.
E voc�?
De Kaiserstuhl.
-E voc�? -Da Pomer�nia.
Como se as regi�es de trabalho da Alemanha estivessem se chamando.
Uma voca��o nacional.
Trabalho como lealdade pol�tica, disciplina.
-Do Rhein. -E do Saar.
Um povo!
Um l�der!
Um Reich!
Alemanha!
Hoje trabalhamos juntos.
No p�ntano.
Trabalhamos no p�ntano.
No p�ntano.
E n�s na areia.
Na areia.
N�s represamos o Mar do Norte.
N�s represamos o Mar do Norte.
Plantamos �rvores.
Plantando florestas.
Constru�mos estradas.
De vila em vila, de cidade em cidade.
Fornecemos aos agricultores novos solos.
E ent�o os neg�cios se chamam uns aos outros
g�lidos, rob�ticos.
Quase fic��o cient�fica, como se estivessem hipnotizadas.
Pol�tica como controle da mente.
MARCHA DA SECRETARIA DO TRABALHO RO REICH
Ap�s idealismo, simbolismo e propaganda,
que al�vio vir para a com�dia pol�tica.
Um grupo de mulheres indianas totalmente diferentes,
indo de �nibus para Blackpool.
Mais uma coisa,
n�o � sempre que as mulheres se afastam das exig�ncias patriarcais
que nos s�o impostas em nossas vidas di�rias.
Lutando...
Os modelos c�micos comuns no cinema de Bollywood.
Uma ing�nua sacudida de cabe�a.
Este dia � de voc�s.
Divirtam-se!
Mulheres tradicionais,
garotas dispostas a tudo e uma diva de Bombaim.
O que poderia dar errado?
T�o bom sair assim, n�o �?
Essas pessoas sabem se divertir...
Na praia agora.
As constru��es cuidadosas de Gurinda Chadha
capturam as falas-chave do roteiro que ela escreveu com Meera Syal.
Vejam a pobre Ginda.
Ouvi dizer que o marido costumava bater nela.
Essas meninas modernas n�o conseguem se adaptar,
e as que t�m emprego s�o as primeiras.
Asha, acorde!
Voc� conhece os sogros dela, � verdade?
N�o. Ela deve ter feito alguma coisa.
Minha pr�pria filha,
outro dia eu estava dizendo a ela que � a mulher que faz a fam�lia.
Sabe o que ela fez? No dia seguinte, raspou a cabe�a.
Voc�s acham engra�ado?
Eu estava ensinando a ter moral em casa.
Casa? Que casa?
H� quanto tempo voc� n�o vai em casa?
Olhe para voc�!
As roupas, o jeito que voc� pensa...
A pol�tica da conversa.
Confrontos entre tradi��o e modernidade.
Outra viagem de �nibus agora.
Mais melanc�lica, mas igualmente pol�tica.
Um filme de fic��o cient�fica
da diretora iraniana Tahmineh Milani.
A personagem principal tem um aparelho que,
quando � apertado e apita,
nos permite ouvir os pensamentos das pessoas.
Podemos passar essa noite vendendo nossos cupons de a��car.
Mas e amanh�?
Os Estados Unidos s�o �timos... Os postos de gasolina...
Vou procurar o Mohammad Ali e depois...
Cenas no estilo documental,
mas pensamentos que nos falam de pobreza...
Sonhos de outros pa�ses.
Uma simples e encantadora montagem...
Se eu n�o for aceito na Universidade este ano,
irei ao Jap�o.
Certamente n�o sou menos homem que Gholam.
Eles continuam me culpando por colocar minha m�e num asilo.
N�o d� para mant�-la em casa...
A pol�tica estava meio escondida no filme de Milani...
E est� aqui tamb�m.
N�o estou mais brincando.
Uma m�e ajuda sua filha a se arrumar para ir � escola.
Ato encantadoramente natural.
Brinca. E ent�o a m�e faz uma pergunta,
uma pergunta mais s�ria que brincadeira.
O que vai dizer se te perguntarem?
Que meu pai vende cortinas e minha m�e � dom�stica.
� como um mantra ensaiado para a crian�a.
S� depois descobrimos que estamos na Argentina opressiva
na d�cada de 70.
O pai da garota � um manifestante pol�tico.
Ela deve manter isso em segredo.
Um adulto falando de pol�tica com uma crian�a mais velha agora...
Agora escute.
Esse canal se estende pelo campo alem�o.
Pedindo-lhe para brincar ao lado de um campo nazista
e coletar informa��es.
Quando brincar no campo � beira da estrada,
tente descobrir exatamente onde fica a sa�da.
Seja cuidadoso.
Deve ficar em algum lugar perto do dep�sito.
Depois conte os caminh�es, carros, tanques e canh�es.
E onde est�o localizados.
Belo close-up, som intimista.
E este zoom-out e movimento para baixo.
Estamos na Alb�nia.
A diretora Xhanfise Keko adorava tomadas com grua.
Uma bola por cima da cerca,
depois esta famosa cena.
O garoto atr�s do arame farpado.
Outra bela cena com grua, a grande Kira Muratova.
Seu filme Melody for a Street Organ.
Voc� gostou?
Eu gostei,
mas os passageiros est�o reclamando.
De qu�?
Do cheiro.
Uma sem-teto numa esta��o de trem.
Ent�o, um dos travelling narrativos de Muratova
Nossa Bel�m est� cheia de pedintes esfarrapados e descal�os.
Onde est�o os Magos?
Eles levaram ouro para os ricos.
Onde est� o incenso?
Eles usaram para fazer perfume para suas mulheres.
Sua coragem e ousadia.
Tentando envergonhar os viajantes para ouvirem, pensarem,
importarem-se.
O �ltimo a conseguir comida. O primeiro a receber uma surra.
Ajude-me, boa mulher, eu digo e ela foge.
Um pouco de p�o, um pouco de sal, ando descal�a, mas n�o uso ouro.
Nem posso ir ver a pe�a da Natividade...
Eles me expulsam.
Fecho os olhos e vejo uma estrela morta.
Abro os olhos e vejo grama preta.
Lavei o linho no c�rrego e pus num carvalho pra secar.
T�o corajosa � a mulher nesta cena...
Estamos num tribunal da Sharia iraniana.
Movimento simples da c�mera. A provoca��o dela.
...depois de se divorciar,
voc�s devem morar juntos na mesma casa por 3 meses e 10 dias.
-E se eu n�o quiser? -� obrigada. T�m de viver juntos.
E se ele fizer algo comigo durante esse tempo?
Ela se vira e sorri para as cineastas Kim Longinotto
e Ziba Mir-Hosseini.
Pol�tica de g�nero no momento, no tri�ngulo.
Controversa e lindamente observada.
Desperdicei minha juventude e minha vida na casa deste homem.
Veremos com fica sua compensa��o mais tarde.
A esposa conhece seus direitos e como express�-los
no div�rcio ao estilo iraniano.
Este jovem agricultor faz o mesmo, e at� mais.
Ele e outros moradores perder�o suas terras
devido a um novo projeto de barragem.
A diretora Franny Armstrong, que tamb�m filmou a obra,
se aproxima dele.
Antes da barragem, Madre Narmada corria at� o mar.
Ela nunca destruiu seu povo.
Depois ela est� no meio de um protesto.
Pol�tica no terreno, no momento.
C�mera port�til, sem ilumina��o, caos visual.
A persist�ncia...
Esta mulher faz greve de fome.
Se o ministro Sigh quiser falar conosco, ele deve sair agora
quando gente de v�rias aldeias vieram com tanto custo...
Mesmo sendo longe, t�nhamos que vir.
Se n�o vi�ssemos nada seria resolvido.
Em seguida, imagens mais antigas, v�deo, deteriorado.
Mas em filmes pol�ticos, o conte�do � geralmente o rei.
Laharia est� arriscando se ferir sempre que vai a uma manifesta��o.
Houve estupros, espancamentos, acusa��es de tortura
e in�meras pris�es e condena��es.
A verdade, a revela��o,
surge por qualquer meio imprescind�vel.
Drowned Out culpa a pol�cia, assim como Estranhos Prazeres.
Aqui, Angela Basset algema policiais corruptos.
Em seguida, outros policiais avan�am.
Para parabenizar Basset?
Para terminar o trabalho dela?
Infelizmente n�o.
Espere, espere.
Ela � for�ada a se abaixar, e o mau policial sorri.
O jogo vira.
O poder cuida do poder.
Deixe-me contar o que aconteceu, certo?
Abaixe-se! Abaixe-se!
Injusti�a sob foco raso.
Tire essa merda de mim!
A marca registrada da diretora Bigelow,
c�mera port�til, tela ampla, caos r�pido e imers�o.
Espera! Voc�s n�o sabem o que aconteceu!
E ent�o os espectadores n�o aguentam mais...
Largue ela!
Outro tipo de resultado pol�tico.
Jap�o, depois da Segunda Guerra Mundial. Dois irm�os.
O pa�s deles foi derrotado.
Eles acreditavam no Imperador, mas e agora?
Sei que voc� odeia homens como eu.
Os dois no quadro, depois um s�...
Por que n�o viver com esperan�a?
Sei que voc� era um marinheiro corajoso.
Voc� odeia ter sobrevivido,
mas a guerra terminou h� cinco anos.
Esque�a o passado.
Tente vencer a corrida de ratos desta vez.
Depois um contra-plano.
Sei que faz planos pro futuro,
mas aproveite sua vida agora. N�o tem outro jeito.
Hiroshi, vamos dar uma volta.
Eles continuam sua caminhada, sua conversa, fora do passado.
Come�ando novamente.
N�s os acompanhamos, no futuro,
o novo Jap�o.
Por que Yamaji come�ou esse neg�cio?
Outro tipo de resultado pol�tico.
Filme de 2007 da ex-jornalista franco-eg�pcia Jihan El-Tahri
no qual ela conta a hist�ria da liberta��o do Congo da B�lgica.
Usando velhas imagens de arquivo e entrevistas,
ela reconstr�i o not�vel incidente pol�tico
quando o rei belga Baldu�no estava entregando o poder.
Sua narra��o � no passado,
mas as imagens o tornam presente.
No dia da independ�ncia,
todos os dignit�rios estavam reunidos no Parlamento,
o rei Baldu�no anunciava a transfer�ncia de poder
para o novo governo.
Patrice Lumumba acabara de ser eleito Primeiro Ministro.
Mas a euforia da independ�ncia n�o durou muito.
Nesse mesmo dia,
Lumumba acendeu um fogo que se espalhou por todo o continente.
A independ�ncia do Congo,
� o �pice do trabalho concebido pelo rei Leopoldo II...
O discurso do rei Baldu�no
que nos lembrou como a B�lgica nos libertou da escravid�o,
como eles nos resgataram da doen�a do sono...
Foi um choque, n�o esper�vamos esse lembrete inadequado.
Em nossa opini�o,
o rei Baldu�no n�o estava mais em condi��es de nos dar serm�es.
Nesse ponto, Lumumba se levantou.
Ele n�o estava no cerimonial, ele n�o deveria falar.
Mas ele se levantou e falou...
E foi um discurso muito militante.
Combatentes pela independ�ncia,
agora vitoriosos,
eu os sa�do em nome do governo congol�s.
Tivemos nossa parcela de ironias e insultos
e sofremos golpes de manh�, tarde e noite.
A diretora El-Tahri
usa seus entrevistados para interromper
e comentar as cenas antigas.
Para nos dizer seu significado.
E, quando seu coment�rio diz que o evento �acendeu um fogo�,
ela o torna metaf�rico.
Um �ltimo filme sobre retrospectiva pol�tica.
Lentes de longo alcance, imagens douradas,
pessoas bem arrumadas.
Mas o que est�o discutindo?
O que a Alemanha significa hoje.
Sua iconografia ou a falta dela.
� medida que o assunto se aprofunda,
ou se torna mais desesperador, a calma das filmagens,
a luz polida e sem sombras parece mais contrastante.
Se me permite dizer, o �nico alem�o famoso � Adolf Hitler.
Rosto sorridente e bigode de Hitler e todo mundo o reconhece.
-Isso � interessante. -Voc� est� certo.
E h� outro problema, a bandeira alem�.
Meu Deus, � muito feia.
Uma cat�strofe est�tica, preto e vermelho funcionam juntos,
mas depois vem o amarelo...
Exatamente. E acho que foi feito de prop�sito.
Sim.
Porque no Terceiro Reich tudo parecia muito bom.
Bem, em termos de design, n�o o que aconteceu.
Os uniformes, por exemplo, eram muito bem feitos
e a bandeira tamb�m parecia muito boa.
N�o sei...
N�o. Ele est� certo.
E para impedir que algo assim se repita na Alemanha,
agora tudo aqui � extremamente feio.
Nada deve ficar mais bonito. Incluindo a bandeira.
� por isso que ningu�m aqui pode se identificar com mais nada.
Al�m das tecnologias avan�adas, a Alemanha produz g�s venenoso,
carros velozes...
Carros t�o seguros que voc� sobrevive a uma colis�o a 250km/h.
Edif�cios antigos reconstru�dos, com elevadores de vidro
que as pessoas usam para ir a suas coberturas.
A reciclagem existe s� para que os res�duos
sejam enviados para a �frica.
� esse esp�rito, essa linguagem
que voc� ainda encontra nos departamentos de cria��o
da Mercedes e Siemens.
Foi isso que tornou poss�vel matar milh�es de judeus...
Georg...
Mas ningu�m mais fala sobre isso.
Como terminar um cap�tulo sobre pol�tica e cinema?
Talvez com uma cena t�o simples como esta,
ambientada durante a Revolu��o Iraniana.
Por favor, prometa-me uma coisa.
O qu�?
Fa�a o que sua organiza��o pede.
Escreva o que quiser.
Dedique tudo o que tem a sua organiza��o,
exceto seus olhos.
Sim, fa�a o que quiser, mas com os olhos abertos.
Mantenha seus olhos para si mesma.
� muito doloroso morrer de cegueira.
Este homem est� no presente.
A conversa foi um flashback.
Tahmineh Milani filma tudo em plano fechado.
A mensagem dele?
Mantenha seus olhos abertos.
A pol�tica do olhar.
Um manifesto pelo cinema.
...como voc� disse, n�o vou perder a esperan�a t�o facilmente.
Por favor, devolva meus textos.
Voc� quer ir? V�, a porta est� aberta.
Mas, garota, voc� n�o veio aqui para se tornar poeta.
E n�o a convidei aqui para descobrir um novo talento,
ent�o, vamos ser honestos.
Depois de cinco cap�tulos
sobre algumas das coisas mais importantes de nossas vidas,
sexo, lar, religi�o, trabalho e pol�tica,
� hora de mudar a marcha.
Em breve, veremos os tipos de filmes,
com�dias, melodramas, fic��o cient�fica e horror.
Mas antes de come�ar,
que tal falar sobre as pr�prias mudan�as de marcha?
Como elas aparecem nos filmes?
Vamos analisar seis mudan�as de marcha.
CAP�TULO 25 - MUDAN�A DE MARCHA
Juntos, acreditamos que o que a ilus�o da supremacia destruiu,
a verdade da igualdade
pode nutrir.
Eu prometo que n�o � nada pra ter medo...
1964, Birmingham, Alabama.
Uma cena a�ucarada.
Meninas em vestidos e luvas brancos.
Ador�vel conversa.
...minha m�e disse.
Perguntei a minha m�e porque ela fez meu cabelo como...
Enquadramento cl�ssico.
Mas ela disse que Ellis est� crescida.
Eu amo o cabelo dela.
Depois, uma incurs�o de viol�ncia, aparentemente sem cortes.
Ela reparte no meio, e depois...
Uma bomba da Ku Klux Klan.
E a doce menina � despeda�ada,
em c�mera lenta.
Em choque.
A graciosa representa��o de Ava du Vernay
de uma atrocidade da vida real
� a maneira cl�ssica de se mudar de marcha no cinema...
Um clima insuspeito � violentamente substitu�do
pelo seu oposto.
E assim a vida e o filme mudam para sempre.
A transforma��o em Garotas
� feita de uma maneira muito diferente.
A jovem Marieme era t�mida e introvertida no filme at� agora.
E ent�o a vemos colocar uma faca no bolso,
e um movimento de c�mera para tr�s,
como se estiv�ssemos nos retirando de sua nova for�a.
E a m�sica mudou...
E ela levanta a cabe�a.
Ela est� mais alta.
Ela est� assumindo o porto de Marte.
Tornando-se outra pessoa.
Tela preta,
depois azul e simetria.
E estamos atr�s dela agora
e o cabelo dela � diferente.
Nenhuma palavra dita,
mas ela se transformou.
Uma marcha foi trocada.
Nesta cena de Orlando, de Sally Potter, uma mulher muda.
Ou ela permanece a mesma
e o resto do mundo muda de marcha?
Tilda Swinton caminha por um labirinto
com um enorme vestido rococ�, rosto empoado e peruca.
Ent�o, num corte quase invis�vel, estamos no s�culo 19.
Ela � a mesma pessoa,
mas as mulheres parecem diferentes agora.
Mais livre,
quase de luto.
Arte, g�nero e moda mudaram de marcha.
Somente Orlando n�o.
Natureza, natureza,
sou sua noiva.
Leve-me.
Nossa quinta mudan�a de marcha � um salto ainda maior,
mas ao contr�rio.
Milarepa, de Liliana Cavani.
Estamos na It�lia dos anos 70.
Tr�s pessoas estavam dirigindo por uma estrada.
Uma cena cotidiana.
E ent�o eles quase atingiram outro carro,
desviaram e desceram um barranco.
Uma mudan�a de marcha convencional num filme.
Momentos depois,
eles est�o atordoados, quietos.
Lente de longo alcance, close-up,
enquadramento apertado.
Depois, corte para esse movimento e zoom r�pidos.
Mesmo ator, mas com roupas antigas.
De volta ao acidente com o carro.
Plano ainda mais fechado.
Movimento para cima, para a lama no telhado.
Finalmente, conforme solicitado por minha m�e,
destru� meus inimigos atrav�s do uso da magia.
Ent�o, de volta ao passado.
Tibete no s�culo 11?
O ator se tornou o poeta e professor budista Milarepa.
Mudan�a de marcha com um grande salto de tempo.
� como se o acidente rasgasse o tecido do espa�o-tempo.
Naquela �poca, na regi�o de Lhodrak,
vivia o grande Lama Marpaza...
H� uma mancha tamb�m.
Tenha paci�ncia.
Assim como � cinematogr�fica essa mudan�a de registro
em S�ndrome Ast�nica,
um dos melhores filmes j� feitos.
Embora n�o pare�a nesta c�pia ruim.
Estamos com 38 minutos de filme.
At� agora, seguimos esta mulher � esquerda.
Ela est� de luto, agressiva
e vagando atrav�s de uma distopia.
Estamos imersos em sua dolorosa realidade.
De repente, isto.
Um corte no mesmo momento, mas a imagem ruim
e com o som de um projetor.
Agora � s� uma mancha pequena.
S� um pouco mais...
Estamos no cinema.
N�o houve sinal dessa mudan�a.
De nada.
E depois, a atriz. Agora sorrindo.
Luzes, e estamos numa exibi��o.
T�pico de Kira Muratova,
ela torna o momento estranho, engra�ado, absurdo.
A S�ndrome Ast�nica tornou-se um filme de bonecas russas.
Por favor, n�o saiam.
Temos a chance de falar sobre nossas impress�es.
Finalmente, a famosa mudan�a de marcha de Shirley Clarke
em The Connection.
J� sabemos que estamos num centro de drogas
e h� uma equipe de documentaristas aqui
filmando os viciados.
A c�mera est� num trip� e em geral num plano aberto.
Ent�o ouvimos o operador dessa c�mera falando atr�s,
atr�s de n�s.
Voc� percebe que...
Muito bem, Jim, vou parar de filmar...
Um corte e agita��o
como se uma bola fosse jogada pro operador de c�mera port�til.
� como ir ao vivo do est�dio para um rep�rter de rua
no notici�rio da televis�o moderna.
Do objetivo ao subjetivo,
de fora para dentro.
Uma das mudan�as de marcha mais fundamentais nos filmes
ou talvez na arte em geral.
...viciados de verdade apenas para fazer um filme, nossa!
Acredite, n�o estamos aqui pelo dinheiro.
E ent�o nossa marcha foi alterada.
Vamos agora ver alguns g�neros de filmes...
Com�dias, melodramas,
filmes de fic��o cient�fica e imagens de terror.
Primeiro as com�dias.
CAP�TULO 25 - COM�DIA
Est� bem, vou p�r a moeda,
desculpe, n�o sabia que havia uma gestapo de telefone...
Whoopi Goldberg est� numa cabine telef�nica.
E claro, � sequestrada.
Meu guarda-chuva!
Merda!
Socorro! Socorro!
Pare! Pare! Chame a pol�cia!
N�o desligue, sou uma mulher negra, numa grande caixa de prata,
no alto tem escrito �telefone�...
Socorro!
A a��o fica mais louca.
Socorro!
Um esquete sobre o poder negro.
Voc� � irm�o? Diz a�, poder negro!
Me tira daqui, porra!
Em frente!
Ajude-me!
Merda! Socorro!
E depois os flanelinhas.
N�o lave as janelas, n�o... Me tire daqui!
O absurdo de Nova York.
Onde vale tudo.
� como os policiais de Keystone Cops,
como as cenas de persegui��o em filmes mudos.
A a��o como base da com�dia cinematogr�fica.
Outro ponto fundamental da com�dia � a inoc�ncia.
Tom Hanks interpreta um garoto no corpo de um homem.
De alguma forma, ele conseguiu um emprego numa loja de brinquedos.
Seus colegas observam atrav�s de olhos adultos.
Ele rola no ch�o.
Ele tem a energia da inf�ncia,
a desinibi��o, a falta de contexto.
Foi o que pensei. Est� aqui com seus filhos?
Laurel e Hardy eram meninos no corpo de homens.
S� estava dando uma olhada...
O brilho da com�dia cinematogr�fica.
Um mundo sem sombras.
Voc� n�o v� isso num relat�rio de marketing.
O que � um relat�rio de marketing?
Exatamente!
Venha.
Hanks realmente n�o sabe o que � um relat�rio de marketing.
E isso � bom.
O campeonato de h�quei? Eu adoro.
Polly, na com�dia canadense de Patricia Rozema,
Eu Ouvi as Sereias Cantando.
Como o personagem de Hanks em Quero Ser Grande,
a idade adulta � um mist�rio para ela.
Seu casaco � como o de um detetive.
Como uma crian�a,
ela pensa que se sua cabe�a n�o pode ser vista,
ela n�o pode ser vista.
Ela est� fascinada, confusa, envergonhada.
Tenta se misturar, mas falha.
Suas meias nos joelhos a tornam mais infantil.
Desiree Akhavan brinca com a com�dia infanto-adulta.
Ela se autodirige nessa cena,
ensinando as crian�as a fazer filmes.
Preciso ir ao banheiro.
Tem idade suficiente para ir sozinho?
N�o sei.
Espere aqui.
Ela vai at� a turma ao lado...
Onde as coisas est�o mais avan�adas.
Certo, na foto do dia temos bandos de p�ssaros emoldurados,
corvos e gaivotas com apar�ncia maligna.
-Como vai o departamento de arte? -Excelente.
E o som, tudo pronto?
Ela tenta n�o odiar alunos e professora.
Sem problema, estamos preparando as filmagens de hoje.
Gracie, poderia informar nossa convidada sobre o projeto de hoje?
Estamos fazendo o remake de uma cena de Os P�ssaros.
A com�dia de incompet�ncia e ressentimento.
Dou aula do outro lado do corredor.
Ol�, eu sou a Tibet, esta � a aula avan�ada.
-S� tenho uma perguntinha r�pida. -Sim?
Bem, meus alunos s�o novinhos, cinco anos,
e um deles precisa usar o banheiro.
Sim?
Tenho que ir com ele ou isso � pervertido?
-Est� falando s�rio? -Sim.
Basta ficar atr�s da porta e perguntar se precisa de ajuda.
Muito obrigada.
Sem problema, minha amiga.
J� nos conhec�amos?
Tamb�m h� ressentimento juvenil aqui.
Duas meninas do convento adicionaram banho de espuma
ao a�ucareiro da freira.
Ida Lupino dirige esta bela tomada em movimento.
...se aproxima do mundo do adulto.
Cristalinas imagens c�micas novamente.
...sofistica��o.
As palavras do poeta estavam lembrando sua juventude,
percebendo a crian�a como profeta, uma testemunha...
A madre superior r�gida de Rosalind Russell.
Ent�o isso.
Uma ador�vel piada visual.
...na manh� de sua cria��o, ele participa da criatividade
espl�ndida de seu mentor...
A cena mais aberta.
...engenhoso, simples, mas profundamente s�bio,
uma fonte oculta da qual borbulha desafio...
A imagem cresce, assim como a com�dia.
O que dota a crian�a de uma aura de mist�rio � o afastamento dele...
Espumoso e divertido.
Ele � inescrut�vel em seu design e como os fil�sofos da antiguidade,
cr� que n�o h� muito o que fazer al�m de enterrar um homem.
Quando o �ltimo de seus...
Estouros na trilha sonora.
A pegadinha funcionou.
Aquelas duas!
Tragam elas!
Al�m da com�dia infantil h�, � claro, a com�dia sexual.
Walter Matthau � um cara in�til e esbanjador
que gastou todo seu dinheiro.
Ele est� tentando pedir a rica Henrietta em casamento,
interpretada aqui por Elaine May, a diretora do filme.
Temos muito em comum, voc� e eu.
Seu velho e sofredor mordomo escuta.
A mesma classe de mam�feros, a mesma ordem primata,
a mesma fam�lia homin�dea, o mesmo g�nero homo,
a mesma esp�cie...
Matthau � t�o ruim quanto Akhavan ensinando cinema para crian�as.
Fique quieta! Oh, me desculpe...
Cortes r�pidos para capturar os olhares e rea��es.
De fato, a �nica diferen�a entre n�s � que sou homem e voc�, mulher,
mas n�o precisamos deixar isso interferir se formos cuidadosos.
Sim... sim.
Henrietta, o que estou tentando dizer �...
Ele deixa escapar, sem querer,
o motivo financeiro de sua proposta.
-Quer se casar comigo? -Desculpe?
Um arroto c�mico.
O ato falho freudiano.
Se voc� se importa comigo, mesmo que n�o se importe,
mas acha que pode aprender a se importar comigo,
uma quantidade razo�vel...
Matthau n�o consegue impedir seu olhar desesperado, perdido.
Eu me importo com voc�, Henry, realmente me importo.
Henrietta!
-Droga, que inferno! -Voc� se machucou?
N�o, ajoelhar em caco de vidro � meu passatempo favorito,
n�o me deixa me distrair.
-Deveria se levantar, Henry. -Nunca, n�o antes de terminar.
Eu me ajoelharia em qualquer coisa por voc�, Henrietta.
Tentando esconder seu desespero.
Tentando vestir sua gan�ncia.
-Seria t�o... -N�o vou, n�o posso,
n�o vou te decepcionar, Henry.
-N�o vai? -N�o.
Eu te amo, Henry.
Outra com�dia sexual. Outro filme de Elaine May.
O Ca�ador de Dotes foi seu primeiro...
Este, o segundo...
Charles Grodin se casou recentemente,
mas se apaixonou por outra mulher,
Cybill Shepherd.
Ela est� sentada com a fam�lia
e ele se intromete no meio deles.
O pai dela fala atrav�s de Grodin.
-Perfeito, papai. -�timo, senhor.
O pai move os olhos como Matthau.
Ent�o May faz um movimento de c�mera preciso
para mostrar o qu�o desconfort�vel � a proximidade de Grodin.
Ele n�o tem vergonha.
Como um cachorro implorando � mesa.
Que espet�culo maravilhoso!
May preenche os quadros com rostos,
para que possamos ver melhor o constrangimento.
-�timo, papai -Muito divertido, senhor.
Agora, a paranoia da com�dia sexual.
Jenny acha que o r�dio � seus pensamentos.
� sarc�stico. Seu complexo de culpa.
Sua imaturidade revelada.
Se voc� acabou de sintonizar,
est� ouvindo o programa O C�rebro da Donna,
e eu sou a voz do c�rebro.
Hoje estou aqui sentada com a idiota que,
depois de ter sido dispensada e perdido o emprego,
recentemente fez...
Desculpem-me, pode ter feito sexo com um estranho sem camisinha.
-N�o consigo tirar sua camiseta. -Esqueci alguma coisa?
N�s usamos camisinha.
Bem, n�o foi isso que ouvi.
Vamos logo com isso!
-Deixa comigo! -Observem os dentes afiados...
Dever�amos usar suas m�os.
Nem pensar.
Pronto!
-N�o conhe�o nenhuma luta. -Voc� encontrou?
Eu fui r�pido. Regra dos cinco segundos.
Sua vers�o idealizada � mais dourada.
A m�sica � triunfante.
Aqui est�, senhor, um preservativo.
Seria mais correto dizer que voc� n�o se lembra?
Estou ficando um pouco tonta.
Voc� est� tonta porque jogou roleta russa com a vagina.
Sabia que o nome do Hulk Hugan � Terry?
Nossa �ltima com�dia sexual � uma explos�o de homofobia,
feita como um musical de Hollywood.
Voc� enfia, tira
e sobe e desce.
Estamos num campo de cura gay.
Meninas aprendendo a aspirar, em rosa e azul.
E dentro e fora, em cada pequena fenda.
E dentro e fora.
Garotos de azul.
Adicione um pouco de �leo,
enfie-o dentro e depois tire,
coloque um pouco de m�sculo, enfie-o de novo...
E a insinua��o inundou todos os aspectos do quadro,
a linguagem, o design.
Muito bem, quem quer praticar comigo?
Cenas t�o kitsch quanto os anseios da sociedade
de que heterossexuais sejam kitsch.
E os quadros n�o sabem o quanto est�o errados.
Al�m das com�dias infantil e da sexualidade,
as cineastas ficaram fascinadas com a troca de identidade.
Este � um dos filmes mais famosos da Noruega,
� exibido na TV todo Natal.
Estamos num chal� de inverno.
Poppe, � esquerda,
� o recepcionista trapalh�o do alojamento.
Ele est� conversando com um dos h�spedes.
No andar de cima,
h� outro h�spede muito parecido com este aqui.
Poppe acha que eles s�o a mesma pessoa.
O telefone toca.
� o s�sia do andar de cima...
Pois n�o? � o recepcionista. Um copo de xerez? Para quem?
Para quem?
Agora... � melhor tomar cuidado.
N�o, voc� est� parado aqui embaixo.
Sim, bem na minha frente.
Voc� est� aqui agora, n�o est�?
Gostaria do seu xerez no �nibus?
Sim, estou aqui, mas n�o quero nenhum xerez!
N�o. Voc� est� aqui, mas n�o quer xerez.
S� um minuto, voc� pode falar com voc� mesmo.
N�o, pra mim j� chega.
Sim.
Boa viagem.
Bem-vindo de volta.
Sinto muito por voc�, Poppe. Posso te dar um conselho?
Acalme-se. Relaxe.
Eu estou relaxado.
E eu sei que voc� s� existe na minha imagina��o.
Voc� � uma miragem, uma alucina��o, um fantasma.
Se eu n�o tivesse ju�zo, pegaria este p�ssaro,
que sei que n�o est� ali
e te acertaria na cabe�a que voc� n�o tem.
Mas s� tenho que contar at� tr�s
e voc� desaparece com o vento.
Um... dois...
Dois e meio...
Tr�s.
Com�dia de confus�o.
As imagens s�o simples,
com um ou dois personagens,
mas as confus�es s�o estonteantes.
A diretora Edith Carlmar
� um mundo incompar�vel de confus�o,
mas adicione pol�tica a essa receita
e voc� ter� algo assim...
El Camino, de Ana Mariscal,
uma vila conservadora na Espanha franquista.
Estamos no cinema, meninos e homens da plateia fazem tumulto.
Aqui est� o por qu�.
Um velho aristocr�tico est� na sala de proje��o,
bloqueando a imagem,
porque uma mulher est� dan�ando e h� um close no seu movimento.
A diretora Ana Mariscal nos mostra as mulheres agora.
Elas tamb�m s�o antiquadas.
Pare a m�quina, Decoroso, pare!
Existe uma maneira de responder �s proibi��es deles.
Atirar coisas.
A indigna��o burguesa.
A polidez e a sexualidade desenfreada
est�o fadadas a colidir.
Mariscal se diverte com a pompa e o puritanismo.
N�s somos daqui! N�s somos... Somos m�rtires! M�rtires!
Ele est� usando as fichas... Sim!
Eu te disse que ele entraria na linha.
CUZ�O Qual o seu videogame mais popular?
Quanto Mais Idiota Melhor se divertia com essa zombaria.
At� agora, o programa de TV de Wayne e Garth
era alvo de piadas do filme.
E ent�o aparece uma figura ainda mais pateta.
Um empres�rio,
ELE MAMA CABRAS. TENHO PROVAS. -patrocinador do programa.
Na sala de controle, eles tentam segurar o riso.
Certo, agora me diga, Noah, eu sempre quis saber,
qual � a diferen�a entre Pacman e Ms. Pacman?
Bem, ela tem um arco na cabe�a.
ESTE HOMEM N�O TEM P�NIS -� isso?
Suma da cidade!
Marca registrada da com�dia, em duas tomadas
e ilumina��o sem sombras.
Al�m de um mundo c�mico destoante.
V� para o leste europeu e essa zombaria fica mais sombria.
Um corpo pendurado foi solto.
Um suic�dio.
Imagem est�tica, aberta e distante.
N�o � o visual cl�ssico da com�dia.
A pol�cia e o m�dico legista.
E de repente isto...
Trouxe o banquinho tamb�m.
-Precisamos despi-lo. -N�o fa�a isso, ele fede.
A f�rmula c�mica seria cortar para os rostos assustados das autoridades.
Mas n�o,
a grande diretora polonesa Malgorzata Szumowska
fica no plano aberto.
O absurdo n�o est� nos personagens,
est� no mundo.
Mais para o leste agora, para a Indon�sia
e ainda mais sombrio.
Uma mulher est� falando sobre sexo durante a gravidez.
A m�e dele nos assustou.
Ela disse para n�o dormirmos juntos no primeiro m�s.
Mas imagine a lux�ria de uma mulher gr�vida.
A mulher que est� ouvindo n�o parece achar gra�a.
Enquadramento aberto, belo e est�tico.
Ent�o marquei no calend�rio.
Quando chegou o segundo m�s, me joguei em cima ele.
E ent�o tomada ultra-aberta.
Se ele tem ci�mes por que n�o passa o dia comigo?
Ele sabe que os homens me desejam.
Ent�o,
o que a mulher que escuta v�?
Nossa...
Um corpo sem cabe�a.
O homem que ela decapitou por estupr�-la.
Ele toca um instrumento.
Calmo, como um menestrel.
Provavelmente n�o gargalhamos disso,
mas certamente est� no modo c�mico,
no modo de zombaria, no modo anti-tr�gico.
Ser� que podemos levar o humor zombador e anti-tr�gico t�o longe
que ele n�o nos fa�a mais rir?
Eu fui estuprada.
Eu os matei.
Eles?
Eles estupraram voc�?
Que animais!
Aprecie esta cena de Binka Zhelyazkova
em The Attached Balloon.
Os c�es latem para o bal�o misterioso
que pairava sobre a vila e que parece simbolizar a luz
e a liberdade.
Mas Zhelyazkova d� palavras aos c�es.
SEU UMA PESSOA N�O TEM ROSTO ELA DEVE SER PERIGOSA
PEGUE!
Imposs�vel e absurdo. Inventivo e sat�rico.
O oposto do realismo social s�rio,
mas h� algo man�aco e enfurecido aqui.
VOC� SE LEMBRA DE COMO EST�VAMOS PERSEGUINDO UM MONSTRO PARECIDO
QUE ACABOU SENDO UM �NIBUS? ATROPELOU UM MONTE DE C�ES
QUE DESCANSEM EM PAZ!
ATCHIM! SINTO O CHEIRO DE UM COELHO.
SEMPRE QUE SINTO CHEIRO DE COELHO, COME�O A ESPIRRAR. ATCHIM!
SA�DE! ATCHIM! SA�DE!
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