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- Ela queria que eu ficasse. - E agora est� morta.
Jogue a bagagem dessa oportunista na rua.
Armas devem ser usadas por aqueles que sabem.
N�o consigo ler, tem uma mancha de �gua.
- "Abri�" - "Abric�", talvez.
Palavras de sua esposa. Ela tirou a pr�pria vida. Por sua causa.
Cumpra o �ltimo desejo dela, que eu prospere aqui em Paris,
sen�o compartilharei o ato �mpio da sua esposa com toda a sociedade.
- Rose, saia da frente. - O que vai me dar?
N�o h� lugar aqui para um homem a quem falta moral.
O t�tulo do meu pai, a fortuna, deveriam ser meus,
mas voc� o p�s contra mim.
Sabe como � perigoso ter essas cartas?
Menos perigoso do que n�o as ter.
Como poderia conhecer uma mulher como Jacqueline de Montrachet?
Ela me prometeu tudo.
E me jogou fora como se eu fosse nada.
Vingue o nosso sexo.
Ven�a o deles.
Ven�a ou morra.
Aqui est�.
Monsieur, comida.
Comida para n�s.
Creio que bem ao meio � a forma mais justa.
Fiz uma amiga nova na �pera, ontem � noite.
A Condessa de Lanceny.
Logo ser� como antigamente.
Fique. Coma.
MADAME BERTHE COSTUREIRA DA RAINHA
HOJE, �S 22H.
O que �, senhor?
Uma camisa nova, Azolan.
Parece que a condessa me aguarda.
INSPIRADO NO LIVRO LIGA��ES PERIGOSAS
LIGA��ES PERIGOSAS
A Condessa de Lanceny j� chegou?
Eu nunca discuto minhas clientes, monsieur.
Assim, eu as mantenho.
Perd�o. Entrei na sala errada.
N�o se lembra de mim?
Em minha defesa,
voc� raramente estava vestida.
O cart�o era seu? Por qu�?
N�o se decide entre laranja ou vermelho?
Est� ficando maltrapilho, Valmont.
Eu notei na �pera.
Talvez agora, com todo este luxo ao meu redor,
eu enxergue a sua pobreza. � imperdo�vel.
Minha companhia nunca incomodou.
Esque�o que tem tantas admiradoras.
Mas essa lista diminui a cada dia, eu acho.
Ent�o pegue tudo o que precisar para ficar apresent�vel,
cortesia do meu guardi�o.
Um novo guarda-roupa de Jean de Merteuil?
Que tipo de luto despertaria tanta generosidade?
Eu tenho encorajado seu lado caridoso.
E quero saber como?
Dispa-se para mim.
Pe�a com jeito.
Agrade�a por eu estar pedindo. Dispa-se.
Vista isto.
- Gatinho. - N�o me chame assim.
O que faria para me ter de volta?
Tudo.
Tenho medo de arriscar tanto por voc�.
Meu lugar em Saint-Honor�.
A tutela do marqu�s.
Precisaria de garantias em atos, n�o palavras.
Me diga o que fazer.
Qualquer coisa?
Eu precisaria saber que entende o que o amor significa.
O que ele exige.
H� uma mulher em Paris.
Quero que a seduza,
n�o apenas o corpo,
mas a mente.
Talvez isso me mostre que � capaz de entender o amor.
E se eu fizer com que voc� me ame?
J� fez.
Agora precisa eliminar qualquer d�vida.
Ou nunca mais me entregarei a voc�.
E preciso de provas.
Uma carta dela para voc�.
Declarando o amor dela.
N�o � a sua especialidade?
Quem � ela?
Seu desafio?
Jacqueline de Montrachet.
Mande Jean preparar o quarto, eu a terei de volta at� o fim do dia.
Avise-me quando tiver feito progresso.
N�o me olhe desse jeito.
Ele n�o me traz nenhum prazer.
Antes meretriz do que mentirosa.
Esquece que adoro doces?
Veja o que fez.
Que distra�do!
Limpe a sujeira.
E ent�o, Majordome, deve fazer sua escolha.
Deve decidir a quem � fiel nesta casa.
Traga-me a carta que minha esposa deixou para mim.
E tire essa faixa.
A casa n�o est� mais de luto.
QUER SE JUNTAR A N�S? E-MAIL | loschulosteam@gmail.com
Meu sagrado ser deve se manter intocado
N�o, n�o, n�o!
Quantas vezes?
Devo acreditar em voc�, como Daphne, quando diz que � uma virgem.
Francamente, escutando a isso, parece que eu mesmo fodi voc�.
- Mas fodeu. - Eu estava falando metaforicamente.
Mais uma vez, mas agora, molto, molto innocente!
Todo dia, voc� muda a partitura.
O meu libretto.
A minha personagem.
Isso n�o � uma �pera, � uma trag�dia!
Pena que n�o traz esse n�vel de drama para a atua��o, querido.
Dia dif�cil, Theo?
Ora, veja s�!
Valmont, durante o dia. � o apocalipse?
Preciso de um favor.
Tenho que preparar uma �pera para a rainha.
A noite de estreia se aproxima, e ainda n�o tenho uma hist�ria.
Eu que preciso do favor.
N�o falam para escrever sobre o que conhece?
Paris n�o est� pronta para essa �pera.
E qual seria esse favor?
Preciso encontrar algu�m. Uma mulher.
Eu n�o vi voc� com a Condessa de Lanceny ontem?
- Ela n�o � o bastante? - � at� demais.
E vem em um pacote com o marido.
Theo�
voc� � um homem requisitado em todo sal�o que se preze,
para n�o falar de Versalhes.
Onde eu encontraria Jacqueline de Montrachet?
Diga que n�o pretende fod�-la.
N�o pode encontrar algo de valor para fazer com a vida?
Quando n�o tiver aluguel para pagar.
Onde a encontro?
De joelhos. Mas n�o se empolgue.
� da igreja de Saint-Sauveur que ela n�o se cansa.
Orarei pela sua �pera enquanto estiver l�.
Theo.
N�o estamos mais de luto?
Parece que n�o.
Aqui est� ela.
Nossa visitante de Carcassone.
Camille.
� como se eu a conhecesse.
Que tristeza suportou!
Eu vejo em seus olhos e em sua pele sem brilho.
Desculpe, n�o fomos apresentadas.
Que neglig�ncia minha!
A Condessa de Sevigny.
Vamos nos conhecer durante o jantar
e relembraremos cada detalhe da minha prima.
Embora Genevieve n�o fosse dada � fofoca,
seria implaus�vel n�o ter mencionado essa Camille.
Um fato a ser iluminado por voc� hoje.
Uma sombra s� sobrevive nas trevas.
Por que n�o simplesmente a expulsa?
� bem melhor ela partir porque n�o suporta ficar.
Como pode n�o haver sinal dela?
Se eram primas, deve haver cartas,
um di�rio, algo que possa fornecer algum conhecimento sobre ela.
N�o tem nada aqui.
- A Madame queria me proteger. - Do qu�?
Voc� superestima o afeto dela.
N�o posso ser exposta esta noite.
Ent�o vamos embora.
N�o at� Valmont fazer o que prometeu.
O amor � paciente, o amor � bondoso.
- N�o inveja� - Madame de Montrachet?
O amor n�o�
Aponte-me a Madame de Montrachet, tenho uma mensagem para ela.
�n�o maltrata, n�o procura seus interesses,
n�o � provocado.
O amor n�o se ira facilmente.
Tudo sofre, tudo cr�
O amor parece um t�dio em uma festa.
�tudo suporta.
Perd�o, madame,
mas me senti impelido a me aproximar.
Por qu�?
�as profecias desaparecer�o.
A senhora me encantou.
Senti sua presen�a no momento em que entrei aqui.
Ent�o Deus escuta mesmo minhas ora��es.
Talvez escute com mais clareza l� fora.
A minha confiss�o ser� longa.
Perdoe-me.
Nunca senti tanto desejo por uma estranha.
Talvez seja porque estou partindo para a Am�rica esta noite.
- E n�o sei quando voltarei. - Caro rapaz, foi muito bom.
Mas preciso voltar.
O serm�o est� prestes a ficar muito intenso.
D�-me algo mais tang�vel que uma mem�ria.
Uma carta, talvez, para ler e reviver nossa alegria na minha jornada.
Desde que signifique um adeus.
Pode me chamar de "amado Valmont",
nas suas palavras, Jacqueline.
"Jacqueline"?
De Montrachet.
Montoshet?
N�o, Montrachet?
Candice Montoshet.
E voc� �?
Um tolo.
Madame.
Adieu.
Viscondessa de Valmont.
Obrigado por me conceder esta audi�ncia.
N�o est� aqui para me prender?
Eu roubei muitos cora��es, monsieur.
Por que a unidade de disciplina moral buscaria uma audi�ncia comigo?
Para discutir o filho do seu finado marido.
Pr�van?
Pascal Valmont.
Se veio pedir que eu pague as d�vidas de bebida dele
ou o pai de alguma idiota que ele seduziu,
sua viagem foi perdida.
Aquele homem n�o pertence � minha fam�lia.
E por que o consideram assim?
Creio que n�o fui clara.
Ele n�o � levado em considera��o.
Um homem sem moral n�o tem lugar na minha fam�lia.
Um homem sem moral � um perigo para a sociedade, Viscondessa.
Ele foi deserdado e est� falido.
� perigoso como uma galinha cega.
N�o subestime do que os indigentes s�o capazes.
Ent�o por que n�o age?
Preciso de mais do que minhas suspeitas, Viscondessa. Preciso de provas.
E se houver provas?
Eu o colocarei em uma cela.
Ent�o tor�amos para que encontre essa prova.
Por favor, Majordome.
J� ajudei muito. N�o lhe devo mais nada.
N�o estou pedindo que quebre um voto sagrado.
Apenas me diga quem � essa mulher,
o que faziam juntas, se havia afeto entre elas.
Uma mancha. Pe�a que removam.
Majordome.
A Madame prometeu me guiar neste mundo.
Estou perdida sem ela.
Posso lhe ensinar etiqueta, qual faca usar � mesa,
mas n�o posso inventar uma vida.
Nem me comprometer ainda mais.
E por que deveria?
Voc� n�o � quem diz ser.
Ningu�m � quem diz ser.
"Majordome."
� o seu nome? Ou lhe foi dado?
Porque, se lhe foi dado, voc� � quem eles dizem que �.
Preciso da sua ajuda.
Vamos prosperar juntos. � uma promessa.
Eu j� salvei voc� uma vez.
N�o preciso de uma salvadora como voc�, mademoiselle.
Obrigado pelas instru��es para o jantar.
Mademoiselle.
Deveria orar mais, como a Madame fazia.
Zomba de mim?
Isto a orientou quando ela mais precisou,
e voc� � uma mulher que precisa de orienta��o.
Para aprender como se dirigir a mim no futuro.
Jamais presuma saber quem eu sou.
J� abusei demais do seu professor de m�sica.
Deleite-nos com sua voz melodiosa.
Vejam, Camille est� aqui.
Camille.
O Conde de Sevigny e sua filha, Emily.
Camille!
Seremos como irm�s enquanto eu estiver em Paris,
especialmente porque n�o sou mais prisioneira do convento!
O Chevalier Danceny.
E j� conheceu a condessa.
Estamos ansiosos para saber tudo a seu respeito.
- O jantar est� servido, Marqu�s. - Finalmente.
Apegue-se ao livro, se sua senhora n�o o faz.
Perd�o, mademoiselle.
Como pode ver, seguimos os costumes � risca, Camille.
Para sua devo��o, senhora.
Christine chamava a Madame de "General",
uma brincadeira com "Genevieve".
J� a Madame a chamava de "Mosquete",
explosiva e capaz de disparar a qualquer momento.
� minha falecida esposa,
luz da minha escurid�o.
Todos sentimos sua perda, Jean.
Ningu�m mais do que eu.
Genevieve seria fundamental
em nossa busca por um marido para Emily.
Com um dote t�o grande, outro par de olhos seria bem-vindo.
Escrutinar os motivos alheios � sempre saud�vel.
N�o tenho pressa para me casar.
Que absurdo, querida! A pr�pria rainha desejar� ajudar.
Sua Majestade adora a minha esposa.
Mais um pequeno costume, Camille.
Mas, como � t�o nova em Paris,
como veio a conhecer minha prima, Genevieve?
Antes uma breve ora��o.
Est� criando tanta expectativa�
"Nosso Senhor, Cristo, est�s aqui�"
Madame ia toda primavera sozinha a Genebra.
O ar e a �gua eram b�lsamos
para a natureza melanc�lica � qual era propensa.
- Am�m. - Am�m.
Minha m�e conheceu a Madame nas temporadas em Genebra.
Foi onde a conheci.
Genebra?
Sua melancolia parecia diminuir sempre que estava l�.
A melancolia que a afligia.
Ela se banhava no lago de manh� e � noite.
Como sabem, ela n�o suportava o calor, mas adorava o frescor das �guas.
Gostaria de ter mais em comum para dividir com a senhora,
mas ela raramente a mencionava.
Mas, quando o fazia, ela�
a chamava de "Mosquete".
N�o sei por qu�.
Sa�de.
E sua m�e n�o veio prestar homenagem a ela?
� a desvantagem de ela mesma estar morta.
Eu adoraria ter ouvido as conversas entre voc�s tr�s.
Mas, mam�e, veja� Voc� pode.
Podemos perguntar � pr�pria Genevieve.
Chega de vinho, querida.
H� um rec�m-chegado a Paris, um mesmerizador.
Ele foi mencionado no recital, outra noite.
Multid�es se re�nem na pra�a,
e ele realiza milagres.
Dizem que recebe mensagens dos mortos,
que pode falar com fantasmas.
- Ele � espetacular. - Espetacular.
- E arrepiante. - E arrepiante.
Se ele pode comungar com os mortos,
que tal convid�-lo aqui, Jean?
Voc� ficar� tranquilo, sabendo que Genevieve est� em paz.
Sua esposa tinha uma f� profunda, Marqu�s.
Um homem como esse n�o a agradaria.
Se minha esposa tem palavras para mim, quero ouvi-las,
n�o importa de que fonte venham.
Ent�o, que ele nos traga Genevieve.
Sa�de.
Viu a rea��o dela � ideia de invocarmos o esp�rito de Genevieve?
Ficou apavorada.
Um charlat�o temendo outro.
Mas diga que n�o acredita que tais coisas s�o poss�veis.
Onde h� cren�a, tudo � poss�vel.
Ent�o vamos�
Vamos explorar a cren�a dela
e deixar que Genevieve venha do al�m para expuls�-la.
Voc� n�o deve ficar sozinho na escurid�o, Jean.
Mais garotas como ela vir�o para se aproveitar da sua bondade.
Proteja-se.
Encontre uma nova esposa.
Uma que�
honre o t�tulo que seu nome confere.
"E ent�o, Valmont, teve sucesso?"
Devo preparar o quarto de h�spedes?
Pensei que esse desafio seria do seu agrado,
mas talvez seja especialista em quebrar promessas
"e n�o o cora��o das mulheres."
Quem faria algo assim?
Pobre meretriz, vai arder nas profundezas do inferno.
- Mas isso vai valer um bom dinheiro. - Pare!
Eu a conhe�o! Pare!
Chame Gabriel Carr�.
Saia.
Por aqui. Bem ali.
Eu sinto muito.
� ela.
� Camille.
Ela sempre usava isto.
N�o deixe que ningu�m a toque.
Se precisar de conforto, eu�
Mesmo? Obrigado.
Ela vem toda manh� e noite para a Eucaristia.
Sempre vestida de branco e de v�u.
Chamam-na de "fantasma", mas parece que � bem generosa.
- O Corpo de Cristo. - Am�m.
O Corpo de Cristo.
O Corpo de Cristo.
O Corpo de Cristo.
O Corpo de Cristo.
O Corpo de Cristo.
O Corpo de Cristo.
Madame.
Por favor, a sua luva.
� sua, garanto.
E agora vejo que n�o pode ser, pois j� possui um belo par.
Estamos na casa de Deus, monsieur.
N�o venho aqui para discutir luvas ou outras futilidades com estranhos.
- Madame de Montrachet s� usa seda. - Claro, pe�o perd�o.
A pele dela � t�o delicada que outra coisa seria com areia para uma ostra.
Madame, antes que v�, gostaria de me apresentar.
Se mademoiselle ama voc�,
por que lhe daria uma tarefa imposs�vel?
Ela n�o pode simplesmente me aceitar de volta.
O orgulho dela a impede.
Traga-me papel e pena.
"Camille, embora talvez eu a devesse chamar de torturadora,"
essa tarefa que me deu � uma miss�o imposs�vel.
Pensei que queria me punir,
pois h� nisso a chance de reden��o.
Agora vejo que � minha humilha��o que deseja.
Saiba que seu objetivo foi alcan�ado.
O �nico corpo que Jacqueline de Montrachet deseja
� o de Cristo.
Ela vai � Saint-Sauveur, manh� e noite,
orar para um Deus que, certamente, n�o aprovaria esse desafio.
"Seria dif�cil encontrar mulher mais devota e pura."
"Devota"?
"Devota e Pura"? Isso ela n�o �!
"Ent�o, o grande Valmont fracassou."
Talvez s� consiga seduzir outras sem o meu consentimento.
Eu lhe dei uma tarefa adequada aos seus talentos,
e voc� respondeu com derrota.
Isso me leva a crer que n�o entende o que significa,
para uma mulher, doar-se totalmente.
"Ou que mentiu quando disse que faria qualquer coisa para me ter de volta."
Devo aguardar sua resposta?
Valmont, sem palavras?
Vamos marcar este dia, Azolan!
Chega de jogos.
Essa � minha resposta.
Acabou.
� uma mensagem que voc�, mesmo com seu vocabul�rio limitado,
pode transmitir sem erros.
�timo.
Ent�o a decepcionou pela �ltima vez.
N�o faz ideia do que fez, n�o �?
Quando roubou minhas cartas,
fez mais que estragar tudo entre Camille e eu.
Deu in�cio a um inc�ndio
que vai consumir a tudo e a todos ligados a ele.
Saia.
Valmont n�o decide quando isto acaba.
Monsieur.
De p�. Venha comigo.
Quero essas pessoas fora daqui. Agora!
Sim, monsieur.
Vamos indo. Andando! Vamos embora.
Por favor, venham.
Andando, todos.
Ela esteve na �gua por um bom tempo.
Talvez logo depois de partir para encontr�-lo.
Voc� traiu Camille, e ent�o ela se afogou.
Como pode achar que essa � Camille?
N�o lhe agrada ver a prova da sua imoralidade, monsieur?
Quero que olhe.
A prova, se necess�ria.
N�o tem nenhuma palavra de conforto para ela, monsieur?
Para a mulher que arruinou?
Que Deus tenha piedade de sua alma.
Que Deus tenha piedade da sua!
Pois eu n�o terei.
N�o � poss�vel, �? Invocar os mortos?
Tenho mais medo � dos vivos.
Encontrei algo.
N�o � a letra do Majordome, � da Madame.
Ela diz "perdoe-me", mas por que precisaria de perd�o?
ARIADNE PERDOE-ME
N�o tenho tempo para enigmas, Victoire.
Fique de olho e tente entender o que � essa geringon�a.
Aonde vai?
Onde acha?
N�o quero brigar.
Eu tampouco.
Por que nunca me trouxe aqui?
N�o � bem a casa que sonhei para n�s.
Talvez, se seus sonhos para n�s fossem mais modestos,
a decep��o n�o seria t�o grande.
N�o quero sonhos modestos para n�s.
Quero lhe dar outra chance.
Para concluir sua tarefa.
Disse que faria qualquer coisa para me ter de volta.
Jacqueline de Montrachet n�o est� ao alcance do homem mortal.
Nem � uma dama aflita aguardando resgate.
O que houve com voc�?
Se me amasse, me protegeria como te protejo.
N�o preciso da sua prote��o.
Do seu policial, Gabriel Carr�.
Como pode conhec�-lo?
Ele me persegue por sua causa.
Quem � ele?
O tipo de homem que acha que pode me comprar.
Pior, porque acredita estar apaixonado.
� tudo de que estou fugindo.
Na sua aus�ncia, ele voltou as aten��es contra mim.
E j� me custou meu emprego.
Agora ele acredita ter encontrado seu corpo flutuando no Sena.
Afogada porque foi tra�da por mim.
O que disse a ele?
Que era voc�.
Porque todos os meus instintos dizem
que � mais seguro estar morta para um homem como ele.
Obrigada.
Estamos quites agora, meu amor?
Quando a fizer amar voc�.
Quando me trouxer provas.
Sei que encontrar� um jeito.
Ah, sim.
Palavras s�bias!
Fuja dos desejos malignos da juventude e siga a justi�a.
Sim!
Am�m.
- Boa noite, irm�o. - Boa noite.
- Que Deus esteja convosco. - Que Deus esteja convosco.
O que vende aqui?
Serm�es, senhor.
Tudo para qualquer homem que n�o tenha a energia para escrever os pr�prios.
Natividade, presun��es,
ju�zo final,
perdoe nossas ofensas,
paix�es, caridade, pecado
e inferno.
Algo sobre hipocrisia?
Para prender um p�ssaro�
PRIMEIRO LIVRO DE SAMUEL
�� preciso antes aprender sua can��o.
Um tanto radical, Azolan.
Um homem devoto n�o possui vaidade. A mudan�a lhe far� bem.
Eu discordo.
Esse corte desequilibra meus tra�os.
Falei da falta de vaidade, senhor.
Est� de volta, como o esp�rito da minha esposa.
Vamos ouvir o que diz.
Esquece que sua reputa��o est� nas minhas m�os?
Genebra, onde voc� e Madame passavam aquelas primaveras�
Acha mesmo que minha esposa visitaria uma cidade de infi�is e revolu��o?
Genebra � uma casa de repouso a caminho de Versalhes,
comandada por freiras que tentavam livrar-lhe da melancolia
banhando-a em sais e fazendo sangrias.
Toda primavera, como a melancolia, ela retornava.
Por favor!
O Majordome, se � o seu espi�o, n�o poderia saber.
Precisa haver alguns segredos no casamento.
N�o importa.
Que comece o entretenimento.
Majordome, preciso ver a carta que a Madame escreveu.
Por favor.
Acha que vai sobreviver aqui sem a Camille?
Guarde-a quando terminar.
Ou � voc� quem n�o sobreviver�.
"O fruto amargo do nosso casamento.
O Abr�"
"Ariadne".
"Ariadne, perdoe-me."
� para se banhar ou beber?
Estou aqui, Lily.
Entendo que estou aqui para entret�-los.
Que devo falar com os mortos em seu nome.
� verdade que, entre este mundo e o al�m, h� uma corrente invis�vel.
Eu n�o invocarei os mortos.
Mas essa�
corrente de fluido
pode atrai-los at� n�s.
Fechem os olhos.
H� conforto na escurid�o.
S�o voc�s, n�o eu, que t�m o poder.
S� precisam estar abertos ao que h� no interior.
O mar magn�tico
que atrai conhecimento e desperta o que est� oculto,
que restaura nosso equil�brio, nossa sa�de.
Vou gui�-la, senhora.
� "Ariadne", a palavra manchada na carta da Madame.
O mesmo nome no livro de ora��es.
Eles a prejudicaram. Ela os assombra.
Que essas �guas magnetizadas encontrem e sejam guiadas pelo esp�rito em voc�s.
Se estiverem dispostos a procurar,
ver�o seus pr�prios cora��es hoje.
Sinto que a haste me atrai.
Eu n�o a movo, mas ela gira nas minhas m�os!
Somos portais para o passado
e para o que h� por vir,
n�s escolhendo ouvir ou n�o.
H� uma grande escurid�o nesta sala.
Genevieve est� aqui!
O vaso foi meu presente de casamento. � um sinal dela!
Fui eu. Eu o derrubei.
Sil�ncio!
Eu vejo algo.
Eu a vejo diante de mim!
Na �gua!
Ela est� chorando.
H� uma h�spede indesejada aqui!
Uma impostora.
Uma mulher que a faz chorar.
Ela repete a mesma palavra�
- Mentira! - �sem parar.
- Ela diz� - "Ariadne!"
Ela diz "Ariadne".
Ela diz:
"Me perdoe."
Ela quer falar.
- Ela quer falar de Ariadne! - Sil�ncio!
Me solte.
Victoire.
Victoire!
Diga algo. Majordome!
Victoire.
Charlat�o.
Fraude.
Eu lhe prometi um espelho.
N�o prometi que gostaria do reflexo.
Saia da minha casa!
Quando a menina estiver bem.
Fora!
� uma esp�cie de intui��o. A doen�a das quedas.
Deve notar quando ela cai. Os eventos significam algo.
Como a sua intui��o.
N�o mostrou um espelho a ningu�m, eu inventei.
Por favor, saia.
Voc� sofre muito de uma ferida antiga,
um mal feito a voc�.
Uma grande trai��o.
Sim, eu sofro.
O que voc� viu?
O dano infligido.
Mas agora deve perdoar.
S� atrav�s do perd�o encontrar� a luz.
Eu devo perdoar?
Para encontrar a luz.
Sen�o, a escurid�o daqui vai domin�-la.
Ent�o n�o viu nada da minha dor.
N�o posso perdoar.
E n�o quero a luz, monsieur.
E � atrav�s dos fracos,
atrav�s dos pobres,
que realmente conheceremos a Deus.
O Senhor n�o se interessa por riquezas.
O Senhor se interessa apenas pelo seu cora��o.
Deus esteja convosco.
E convosco.
Padre.
Perdoe-me, mas sou novo nesta igreja, e suas palavras me tocaram.
Outro dia, vi um jovem comer meio ovo no desjejum.
Ele tinha t�o pouco que, para ele, foi um banquete.
Partiu meu cora��o.
A igreja faz tudo que pode, monsieur.
Mas e quanto aos ricos?
Onde est� o amor deles pelas crian�as? Famintas, em orfanatos e nas ruas.
Sem d�vida, Deus n�o aprova tanta hipocrisia.
Perdemos nossa moral e, sem ela, estamos � deriva.
N�o sei como posso ajud�-lo, meu filho.
Sou eu quem se oferece ao senhor.
� igreja.
Sou eu quem far� tudo que puder para ajud�-lo a ajudar as crian�as
Qual � seu nome, senhor?
Monsieur Lucienne, madame.
- E o seu? - Madame de Montrachet.
Suas palavras me tocaram.
� raro um homem falar de cora��o.
N�o foi mais do que precisava ser dito.
No entanto, nunca havia sido dito.
Voc� nos trouxe vergonha.
Madame, por favor, n�o!
Sinto muito!
Sente pelas suas mentiras?
Por todo o dano que causou?
Eu sinto por tudo!
Perdoe-me.
Nem Deus perdoa.
Nem Deus perdoa.
QUER SE JUNTAR A N�S? E-MAIL | loschulosteam@gmail.com
Legendas: Gustavo Sobral
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