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Original subtitles

Ent�o, meu cart�grafo,

vai me levar para longe?

Para onde quer ir?

Algum lugar onde possamos ficar juntos.

Case-se comigo.

Eu sou cara demais, Pascal.

O t�tulo do meu pai, a fortuna, deveriam ser meus,

mas voc� o p�s contra mim.

Ele se apaixonou por mim.

- N�o vou passar a noite com voc�. - Vai ficar.

Paguei por voc�.

- Quem � ela? - Genevieve de Merteuil.

Diga que sou sua �nica amante.

Ela � casada?

Ela far� ou pagar� qualquer coisa para salvar a pr�pria reputa��o.

O marqu�s j� partiu.

Estar� de volta antes do fim do m�s.

H� mais cartas. Todas de outras mulheres.

Todas apaixonadas.

O que quer de mim?

Ensine-me, e eu devolverei cada uma das suas cartas.

Privil�gio n�o se aprende.

J� frequentei um pal�cio.

S� preciso enviar uma carta ao seu marido.

Se a tiver.

Bem-vinda � �pera, Camille.

A sua liberdade, Madame, uma vez que me deu a minha.

As suas cartas.

Que nunca mais fiquemos � merc� de homens.

Eu tirei a minha armadura.

N�o h� mais nada para proteger.

Exceto voc�, talvez.

� minha h�spede, Camille.

Esta casa � a sua casa,

a sua oportunidade.

Use-a,

e vai prosperar em Paris.

H� poder

nos segredos dos outros.

Eles far�o tudo para mant�-los escondidos.

A sua habilidade ser� descobri-los.

Eles ser�o o seu poder.

Guarde-os.

Use-os.

Vingue o seu sexo.

Crie estrat�gias inimagin�veis at� para mim.

Ven�a

ou morra.

JEAN, MEU MARIDO.

QUER SE JUNTAR A N�S? E-MAIL | loschulosteam@gmail.com

N�o dev�amos estar aqui.

N�o � nosso lugar.

Camille, temos que ir.

Ela queria que eu ficasse.

E agora est� morta.

"Vingue o nosso sexo."

"Ven�a o deles."

Eu farei isso.

N�o pode estar pensando no Valmont.

Ele n�o � a quest�o.

Voc� ainda o ama.

N�o � amor.

� guerra.

INSPIRADO NO LIVRO LIGA��ES PERIGOSAS

LIGA��ES PERIGOSAS

Ali! Peguem-na!

Ei, levante. Vamos. H� homens ruins vindo.

N�o me conhece, mas quero ajudar. Levante-se!

Por favor, ela � uma desconhecida, pegou a rua errada.

Jericho pagar� bem por ela.

Mesmo nesse estado.

Ela se foi, senhor.

Eu sei que ela se foi.

Camille quer me punir,

mas vou encontr�-la, ela me perdoar� e tudo ficar� bem.

Agora, tem informa��es?

Foi at� Merteuil? Ela deve estar com as cartas.

Sen�o, por que teria sido t�o insolente?

Foi ela, senhor.

A Madame de Merteuil.

Ela est� morta.

N�o.

Imposs�vel. Estive com ela ontem � noite.

Est� longe de estar morta. Est� enganado, Azolan.

Eu ouvi em Les Halles, logo de manh�.

� fofoca de mercado.

A not�cia veio do pal�cio.

Ela era minha�

Amiga.

Vamos dar um jeito.

Alguma vez deixei de p�r comida nesta mesa?

Eu tenho outras amigas. N�o estamos s�s.

Tenho um cavalheiro, Camille.

Camille!

Tenho um cavalheiro, Camille.

Pagou pela semana inteira.

Ele quer uma menina inteligente al�m de bonita.

Bem, voc� n�o � assim?

A menina que est� sempre pensando, que sempre tem algo a dizer?

Mas nunca disse uma palavra para me agradecer

por ter costurado voc�

e dado um emprego?

Agora�

salgue seus dentes,

passe �gua de rosas no cabelo e vinagre l� embaixo

e ganhe dinheiro para mim.

Achei que a sua senhora tivesse mentido.

Eu estava errado.

Voc� tem o que quer.

O que quer de mim?

Ou � a posse que excita voc�?

Quero conhecer o cora��o e a mente das mulheres,

saber o que desejam.

Acredita que pensamos e agimos igual?

Eu s� desejo liberdade. Deveria pedir seu dinheiro de volta.

N�o � seu trabalho prever e saciar o desejo dos outros?

Ensine-me isso.

Quero aprender sobre o sexo feminino�

para que eu me iguale a ele.

"Sua Delphine anseia por voc�."

"Voc� me pediu para escrever tudo que sinto,

mas s� consigo escrever uma palavra sem parar.

"Valmont, Valmont, Valmont."

Sem farsas.

Sem esconder a verdade do que quer.

N�o pagou o suficiente pela verdade.

O fato de eu busc�-la j� n�o paga?

"Meu corpo � seu."

Meu cora��o tamb�m. Volte para mim.

"Claudette."

"Voc� � meu amante e confidente."

"Eu lhe contei coisas que n�o contaria nem a um padre."

Mulheres desejam ser reconhecidas e compreendidas.

Os homens veem as mulheres como uma superf�cie

que apenas os reflete.

"Que explos�o aquela noite entre n�s em que estouramos como fa�sca."

"A forma como puxou o gatilho foi primorosa.

A sua M."

"Em que estouramos como fa�sca."

"Onde est� voc�, gatinho?"

Como fogo e umidade podem existir juntos

ao mesmo tempo dentro de mim

sem um apagar o outro?

"Sua Florence."

V� para o inferno, Valmont.

Mademoiselle, me poupou o trabalho de acord�-la.

O caf� da manh� a espera. P�o e queijo.

Eu estava pensando em ovos, presunto e aqueles doces.

Na cozinha, mademoiselle.

O p�o e o queijo.

Acho que n�o me ouviu�

E, quando terminar com o p�o e o queijo,

somos uma casa generosa, portanto h� caf� tamb�m.

Eu mesmo prepararei a carruagem da senhora

e a enviarei para o lugar de onde veio com�

o que quer que tenha chegado.

A Madame tinha um desejo para mim,

o desejo de eu prosperar aqui.

A Madame se foi.

Eu dou a �ltima palavra nesta casa.

Me pergunto o que o marido dela acharia disso.

Esta n�o � a casa dele?

Tal qual a bondade, Paris n�o tem visto o Monsieur de Merteuil.

Ent�o vou esperar por ele.

Eu n�o aconselharia isso.

N�o pedi o seu conselho.

Muito bom, mademoiselle.

Camille tamb�m me enganou, querido.

Sabe o quanto aquela meretriz me deve?

N�o sou a �nica que quer v�-la na sarjeta.

Mas lhe encontraremos outra menina.

Uma boa menina.

N�o quero outra menina.

Eu quero Camille.

Acho que n�o fui clara. Ela se foi.

Ou seja, n�o est� mais aqui, ent�o�

Voc� n�o me entendeu.

Eu quero compr�-la.

Em parcelas, � claro,

para que, quando eu a encontrar, ela seja completamente minha.

Que homem raro, pagando pelo que n�o recebeu.

Sou um homem honroso.

- Que homens costumavam� - Fod�-la?

Todos eles.

E n�o somos um lugar que guarda nomes.

N�o deveria desperdi�ar dinheiro com Camille.

Poderia pagar todo o dinheiro do mundo, e ela n�o seria sua.

Foi o amor que a fez ir.

Um amor doentio por Valmont.

Ol�, gatinho.

Senti a sua falta.

Quanto?

Tanto assim?

Soube que Merteuil morreu?

Que triste,

mas n�o vamos perder o nosso precioso tempo.

Vamos celebrar a vida.

Quanto tempo os vivos t�m?

N�o o suficiente para eu tirar e vestir isto de volta

antes do meu pr�ximo compromisso.

J� provei minha destreza.

Vou garantir que n�o tenha nenhum vinco.

Deixe-me sentir "seu fogo

e sua umidade ao mesmo tempo".

Suas palavras me poupam da melancolia que sofro sem voc�.

Pobre gatinho.

Calado agora.

Quero me sentir daquele jeito de novo.

Li as suas cartas sem parar.

Preciso de outra.

Chega de cartas.

J� consegui o apartamento que queria.

S� para n�s.

A partir de agora, direi tudo cara a cara.

Ou a sua outra parte.

Eu escolho.

Pensei sobre o que disse, mademoiselle,

e, como apontou,

n�o sou o patr�o desta casa,

enquanto a senhorita era pr�xima da Madame.

O que fez voc� mudar de opini�o?

Os enlutados, mademoiselle.

Os que precisam de consolo pela querida amiga,

um termo vago em Paris, que perderam.

Deveria ser a senhorita a oferecer isso a eles.

A Madame n�o queria que prosperasse?

Ent�o prospere.

Por favor, n�o, Majordome.

Em nosso luto, temos a sorte

de ter entre n�s a confidente mais pr�xima da Madame,

que n�o precisa de apresenta��o.

A mademoiselle�

Camille.

Eu nunca a vi na vida.

� bela, no entanto.

Talvez por isso Merteuil a escondesse.

Por que demorou?

Quem quer que ele seja, deveria ser mais discreto.

- N�s a conhecemos? - A confidente mais pr�xima da Madame.

Camille.

Apenas enlutados.

� melhor ir para o quarto fazer as malas.

Voc� atuava toda noite na Jericho.

Atue agora.

Sauda��es.

Mademoiselle.

Nossos p�sames, mademoiselle.

Bom dia, mademoiselle.

Completamente sozinha aqui, sem nem a companhia do marqu�s.

Que desperd�cio!

Camille n�o est� sozinha.

N�s estamos aqui.

Mas precisa nos dizer a verdade.

A verdade?

O que realmente aconteceu?

N�o pode ser t�o chato quanto cair da escada.

Prefiro n�o falar sobre isso, madame.

Eu nunca ouvi falar de voc�.

E como essa grande amizade nasceu?

Minha m�e e ela eram muito pr�ximas no interior.

No interior onde?

Carcassone.

O seu interesse me comove.

N�o � interesse.

Voc� � uma desconhecida, e nossa amiga est� morta,

ent�o nos conte cada detalhe

de como veio de Carcassone para Saint-Honor�.

Talvez outra hora.

Estou de luto.

Mas a marquesa era minha guardi�

e gostaria que suas amigas tivessem a mesma cortesia.

Vai precisar de uma nova guardi�, Camille.

Paris � um lugar perigoso para quem n�o tem conex�es.

Eu tenho conex�es.

Voc� � desconhecida.

D� no mesmo.

Florence, voc� vai longe demais.

N�o o suficiente.

S� h� espa�o para uma gatinha nova em Paris,

e essa gatinha sou eu.

"Adieu, meu gatinho. Sua Florence."

Fogo e umidade ainda existem dentro de voc� ao mesmo tempo?

O que disse?

Quer que eu repita?

Cuidado com o "milagre divino" de Valmont.

Merteuil dividiu tudo comigo.

Se me atacar, vou atacar com mais for�a, gatinha.

Uma amiga da falecida marquesa n�o � uma amiga para todas n�s?

Bem-vinda a Paris, Camille.

Que a sua estada seja feliz.

- Certamente. - Bem-vinda.

Obrigada.

Atenda nossos convidados.

Voc� me lembrou de quem eu sou.

Obrigada.

A Madame disse que eu tinha um dom para descobrir segredos.

Usei um contra aquela mulher,

contra Florence de Regnier.

Mas nunca a conheceu.

N�o, mas li as cartas de Valmont,

e est�o cheias de segredos e confiss�es.

E agora s�o minhas,

porque voc� as tirou dele e deu para mim.

S� para que soubesse a verdade sobre ele.

Agora sei a verdade sobre muita gente.

Boa noite, senhor.

Eu disse "boa noite", monsieur Valmont.

Conhe�o o senhor?

Por associa��o.

De quem? Vou dispens�-lo do meu c�rculo imediatamente.

N�o entendo o senhor.

Como um homem sem posses,

que � cart�grafo na Comiss�o Real,

consegue pagar noites de carruagens e boas roupas?

Sem falar de uma noite passada com uma condessa casada.

Se for um dos espi�es da minha madrasta,

diga a ela que o �nico interesse que quero dela

� na fortuna que me deve.

N�o sou.

Ent�o, se sua pergunta for como conquistei meu estilo de vida,

a resposta � com talentos naturais de charme e beleza.

Sinto muito que n�o os tenha.

Boa noite.

Senhor.

Uma carta chegou.

E h� uma carruagem esperando l� embaixo.

Com Florence dentro.

E as chaves do nosso novo apartamento.

Estamos de volta, Azolan.

Senti desejo de voc�.

Da sua ess�ncia.

Estou lisonjeado.

Tire a camisa, Valmont.

Que tal jantarmos antes?

O gatinho n�o me ama.

Ele n�o faz o que pe�o.

O amor depende da confian�a.

N�s expomos nossa alma um para o outro, n�o?

Estou seminu diante de voc�.

Tire as cal�as.

N�o � melhor vermos o apartamento?

S� se tirar tudinho.

Florence, meu Deus! Preciso ficar assim, t�o vulner�vel?

Vire a carruagem!

Era minha camisa favorita.

Eu me abri tanto para voc�.

Confiei tanto�

no maldito Valmont.

O qu�?

Dividiu minhas cartas com Merteuil.

Meu Deus, n�o!

Mas acredito que ela as tirou de minha posse.

"Cuidado com o divino Valmont."

- Foi o que ela me disse. - O que Merteuil disse?

Merteuil n�o me disse nada.

Parece que ela contou tudo � pupila.

Merteuil n�o tinha pupila.

Bem, uma menina bonitinha discordaria.

Do que est� falando?

Quem � essa mulher?

Camille.

Chegue perto de mim novamente ou ouse arriscar meu casamento,

e eu mato voc�.

A menina tamb�m.

Eia!

Saia.

Estou nu, Florence.

Est� vulner�vel.

Aproveite esse tempo para pensar no que est� disposto a arriscar.

Florence!

Florence, volte aqui!

Boa noite, senhoritas. Vento frio, n�o?

Obrigada.

ESPERO VOC� NA CASA DO JARDIM.

E l� estava eu, esse tempo todo,

acreditando que Merteuil fosse capaz de tal genialidade,

quando era voc�.

Talvez sempre tenha me subestimado.

Voc� tem algo que me pertence.

A sua dignidade?

Minhas cartas.

Como as pegou?

O que importa � que s�o minhas agora.

Voc� n�o faz ideia do que tem nem como us�-las.

Mas aqui estou eu, com todas as cartas na m�o e vivendo em Saint-Honor�.

Sabe como � perigoso ter essas cartas?

Menos perigoso do que n�o as ter.

Camille, pare.

J� deixou claro.

J� me puniu, se provou uma advers�ria digna.

- Aprendi minha li��o. - Ainda nem comecei a te ensinar.

Sabe o que precisei fazer para chegar � ponte?

- Para descobrir que era tudo um jogo? - Fui � ponte.

- Mentiroso. - Voc� n�o estava l�.

Foi tarde demais.

Ent�o voc� veio aqui?

At� Merteuil?

Eu queria estar com algu�m que sabia o que � ser tra�da.

E acreditou que ela lhe traria consolo?

Eu trouxe consolo a ela.

E, em troca, ela me deu tudo isto.

Ela me deixou segura.

Essas pessoas s�o lobos

e v�o adorar destruir voc�.

N�o podem me machucar mais do que voc�.

Camille.

Camille, me desculpe.

Estou aqui agora.

Venha comigo.

Eu disse, se me tra�sse de novo, eu n�o perdoaria voc�.

Falei a verdade.

Ent�o vou merecer o seu perd�o nem que leve o resto da vida.

N�o me fa�a chamar os criados.

Quero que v� embora.

Estamos de luto.

Tamb�m sinto falta dela.

Por causa do que ela faria por voc�.

Porque ela cuidou de mim.

Ela nunca teria me jogado �quelas pessoas.

Foi um bom treino.

Haver� mais.

Ela teria ficado triste por voc� ser um deles.

Por aqui. Continuem.

Bom dia, mademoiselle.

O marqu�s retornou e pediu a sua presen�a.

Voc� usa o perfume da minha esposa.

� bom ter o senhor em casa.

Sinto muito que seja em circunst�ncias t�o tristes.

Sinto muito pela sua tristeza.

N�s �ramos muito pr�ximas.

Desde a sua inf�ncia.

Dos ver�es em Carcassone?

Sim, isso mesmo.

E sua m�e era uma querida amiga da minha esposa?

Perd�o, mas ou�o muitas hist�rias na minha profiss�o.

N�o � uma�

Meu trabalho me leva muito a Saint-Domingue.

O calor � brutal.

Minha esposa raramente estava presente. Entende?

Estavam separados.

- Disso eu sabia. - Disso voc� sabia?

Voc�?

Minha esposa odiava o calor.

Um dia quente a fazia ter urtic�ria.

Ela nunca botou os p�s ao sul de Paris.

Nunca foi a Carcassone.

E nenhuma mulher de boa cria��o me deixaria fazer isto.

Jogue a bagagem desta oportunista na rua.

A Madame era minha amiga.

Ela prometeu ser minha guardi�,

me guiar e proteger.

Ent�o que trag�dia ela cair da escada.

V� logo.

Uma mulher sem guardi� corre risco aqui.

Em Paris, digo.

Tire-a daqui.

Entregou a ele?

A carta que ela deixou para o marido.

N�o havia carta nenhuma.

Bravo, Majordome.

N�o a entregou.

N�o havia carta nenhuma.

Aquela carta � uma arma.

Tome cuidado com ela.

Hora de fazer as malas.

Se voc� se importasse com ela como diz, cumpriria seus desejos.

E, na perda de uma amiga, poderia ter ganhado uma aliada.

Acabou para n�s aqui.

Agora vamos embora?

Voc� � louco? Meu Deus!

- Onde esteve? - Estou de luto.

Perdi uma querida amiga.

Para ficar de luto, precisa de um cora��o.

Fique longe de mim. Cansei de voc�.

N�o tente flertar, �mile.

Se quer mais dinheiro, diga.

Se me envolver nisso, vou negar tudo.

Voc� pegou a chave, n�o eu.

Est� com febre?

Do que est� falando?

O comiss�rio chamou voc�.

Valmont.

Senhor, raramente tenho o prazer do seu tempo.

Como vai sua esposa?

Por favor, sente-se.

O oficial tem algumas perguntas.

Senhor?

Fale-me sobre o outro dia, sobre o menino ladr�o.

Eu n�o estava aqui.

O senhor deve ter os detalhes.

Parece hostil a uma pergunta simples, monsieur. Por qu�?

� uma quest�o s�ria, n�o?

Nada foi levado, nada de valor.

O garoto n�o arrombou o cofre.

Ele usou uma chave.

Voc� tem a �nica chave.

E aqui est�, onde sempre esteve.

- Deve ter feito uma c�pia. - N�o estou metido nisso.

O garoto fugiu para a Ilha,

uma �rea com a qual voc� tem muita familiaridade.

Por que gosta da Ilha, monsieur?

� cheia de meretrizes e traidores.

O que poderia possuir para o senhor?

- Oficial, n�o queremos esc�ndalos. - S� sirvo para proteger o rei.

Esse homem n�o � um perigo para o rei.

Mas n�o h� lugar aqui para um homem a quem�

falta moralidade.

Monsieur.

Talvez me deva mais respeito do que mostrou.

Se ofendi a sua irm� ou a sua m�e�

Camille, monsieur.

Estou falando de Camille.

O que poderia saber sobre ela?

- Ela � minha. - Sua?

Ela pertence apenas a si mesma e�

nunca a um homem como voc�.

Ela fugiu de mim para ficar com voc�.

Mas em todas as minhas observa��es, n�o a vi com voc�.

S� vejo os seus atos imorais com outras,

e agora ela se foi.

Ent�o vou arruin�-lo, monsieur, por tra�-la,

e um homem como eu a ter�.

Me chamou, senhor?

- H� quanto tempo est� nesta casa? - H� 20 anos, senhor.

E, nesses anos, com que frequ�ncia entrava neste quarto, aproximadamente?

Raramente, senhor.

E nos quartos da minha esposa?

Sempre que era chamado, senhor.

Isso fala muito

sobre a nossa liga��o, n�o?

Se me esquivei do dever ou negligenciei algum pedido seu, senhor,

eu n�o sabia.

Ela est� morta.

N�o vamos fingir que tem um lugar aqui.

Armas devem ser usadas por aqueles que sabem.

Por que n�o a deu para ele?

Porque n�o mudaria nada.

Sem essa carta, a morte dela � um simples acidente.

Ela ter� o funeral, o respeito que merece.

Leia.

"Jean,

meu marido,

meu tirano em seu trono, voc� est� lendo�

"...as �ltimas palavras que escreverei."

Est� lendo minha confiss�o.

N�o aguento mais os segredos desta casa imensa

"e deste casamento vazio."

N�o consigo ler, tem uma mancha de �gua.

"Abr�

A fruta amarga que nosso casamento gerou."

"Abric�", talvez.

Eles s�o doces, n�o amargos.

Eu comi um uma vez.

"O sabor azedo que me assombra nesta e na pr�xima vida

� mais do que posso aguentar."

"Voc� n�o me lamentar�,"

disso tenho certeza.

Mas o que foi feito aqui entre n�s

"chegou ao fim."

O que ela quer dizer?

O casamento dela. Era disso que ela queria fugir.

Eu prometi um milagre a ela.

N�o pude dar isso a ela.

Mas posso proteg�-la agora.

Talvez eu serei o seu milagre.

Voc� � a inimiga do meu inimigo.

Isso basta.

Quer dinheiro para a carruagem?

Acho que come�amos com o p� esquerdo, monsieur.

Bem�

Acredito que seja um erro,

o senhor se arrependeria se eu sa�sse.

N�o seja boba. Meninas bobas acabam chorando.

Sua esposa disse que tenho um talento.

Sabe qual �?

Posso adivinhar.

Descubro as coisas que as pessoas tentam esconder.

"Os segredos nesta casa imensa e deste casamento vazio."

A fruta amarga que nosso casamento gerou.

"O sabor azedo que me assombra nesta e na pr�xima vida."

Um hosp�cio talvez se interesse por esses devaneios.

Palavras de sua esposa.

O qu�?

Da carta que ela deixou.

Ela n�o caiu.

Ela tirou a pr�pria vida.

N�o.

Nunca. Ela nunca faria isso.

- Vai contra a f� dela. - Por sua causa.

N�o sei quem voc� � nem por que est� aqui,

mas, se perpetuar essa mentira, vai sofrer as consequ�ncias.

Eu tenho a carta.

Mostre-me.

Ent�o eu seria uma menina boba.

Cumpra o �ltimo desejo dela,

que eu prospere aqui em Paris,

sen�o compartilharei o ato �mpio da sua esposa

com toda a sociedade.

Sabe quem eu sou?

Um homem n�o muito bom.

Nos vemos no funeral, monsieur.

E Majordome fica.

Precisa se preparar para o funeral.

- Nem fez a barba. - Estou ocupado.

- Deve prestar condol�ncias. - N�o, preciso conservar energia.

Colette Tresemme, rec�m-vi�va,

far� um sal�o liter�rio sobre um livro de Rousseau,

que ningu�m leu.

E uma vi�va fica consumida pelo luto para enxergar o que ofere�o.

Mostrar sentimento ou comer.

Um ou outro.

Estamos aqui para lamentar o falecimento da marquesa de Merteuil,

uma vida dedicada ao amado marido, o marqu�s.

Durante a hist�ria, a fam�lia serviu � casa real,

sem a exce��o do marqu�s.

Ele mostrou resist�ncia e coragem

ao expandir o alcance do nosso glorioso pa�s e do rei.

Seu trabalho nas col�nias,

fiscalizando os cofres que as planta��es representam,

deixaram-no distante,

o que a marquesa suportou com gra�a

e a compreens�o de seus pap�is.

Dever e honra.

Ela far� muita falta.

O funeral da velha Merteuil parece uma celebra��o do marido.

Fascinante ela ter sido mencionada no fim.

Fique em paz, marqu�s.

Estou aqui com o senhor.

Ela � boa, isso eu admito.

Mas em qu�?

Ponha essa agonia nas m�os de Deus, marqu�s.

Ponha essa agonia nas m�os de Deus, marqu�s.

Ponha essa agonia nas m�os de Deus, Camille.

N�o tenho o conforto da sua f�, Madame de Montrachet.

- Camille, o que foi? - Eu vi um fantasma, Victoire.

Fiquei desolada.

Deve ser o luto.

Acho improv�vel.

A mulher com quem estava falando,

sob o v�u.

Acho que j� a conheci.

Na �pera?

Tamb�m tem um camarote?

Como poderia conhecer uma mulher como Jacqueline de Montrachet?

A mulher no funeral�

me prometeu tudo.

Ela n�o manteve a promessa�

e me jogou fora como se eu fosse nada.

Est� me assustando, Camille.

N�o tenha medo.

Voc� me salvou.

Voc� me fez viver, para isto.

Eu n�o sou nada.

E vou faz�-la ver isso.

E ela vai sofrer.

- Encontre-me no camarote. - O qu�?

Aonde vai, Camille?

N�o vou ficar l� sozinha. Nem gosto de �pera.

Penso nela todos os dias h� quatro anos, Victoire.

Cansei de esperar.

O camarote dos Montrachet.

Perd�o, mademoiselle.

Onde est� Jacqueline de Montrachet?

Ela n�o vem h� anos.

O camarote � desperdi�ado com ela.

Saiam.

Por favor.

Claro. Claro.

Ponha essa agonia nas m�os de Deus, Camille...

ou ela vai destruir voc�.

O amor � letal, Camille.

Acredite quando eu digo,

o seu amante ser� seu futuro inimigo.

Vingue nosso sexo.

Crie estrat�gias inimagin�veis at� para mim.

Ven�a...

ou morra.

QUER SE JUNTAR A N�S? E-MAIL | loschulosteam@gmail.com

Legendas: Gustavo Sobral

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