All language subtitles for _Darkness.2002.UNRATED.720p.BluRay.H264

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Original subtitles

Tenta contar-nos tudo o que se passou.

Conta tudo o que te lembrares.

Não me lembro...!

Precisamos da tua ajuda para encontrar as outras crianças.

"Crianças Desaparecem"

Uma casa...

O quê?

Levaram-nos para uma casa.

- Quem? - Não sei. Pessoas.

Achas que as outras crianças ainda lá estão?

Achas que...

...lhes fizeram mal?

Sim.

Estás a sair-te muito bem. Havemos de as encontrar.

Mas precisamos de mais pormenores.

Tens de tentar lembrar-te.

Não consigo...

Não me lembro de nada!

DARKNESS - AS TREVAS

Espanha 40 Anos Depois

Merda!

- Bebe! - Mas...

Não quero protestos. Bebe.

Fotografia

Trouxeste-mos?

- O quê? - Os lápis!

- Ele já tomou o pequeno-almoço? - Estamos a tratar disso.

- Como correu? - Estou estafada.

Vou levar algum tempo a habituar-me, sobretudo aos turnos da noite.

Não te preocupes, ainda agora começaste.

Vou convencer o meu pai a alterar-te os turnos.

Veremos.

Sabes da torradeira?

Não faço ideia.

Ainda temos montes de caixas por abrir.

E se não me dás uma ajudinha,

desisto.

Sim!

Produção

Olá, matulão!

É o teu primeiro dia, não é?

Estás nervoso?

Um bocadinho.

Vais ver que gostas. Farás montes de amigos.

- Vamos, Paul. - Vais chegar tarde. Vai lá!

Argumento

Até que enfim!

Ia agora mesmo acordar-te.

Temos muito que fazer.

É demasiado cedo.

E tenho natação.

- Só daqui a duas horas. - Mas tenho de chegar lá.

Estamos no fim do mundo! Tenho de ir de autocarro para todo o lado!

Não espero mais para pôr ordem na casa.

Estamos cá há quase 3 semanas

e à excepção da minha pessoa,

ninguém desfez uma única caixa!

E lembra-te que prometeste pintar o teu quarto.

Mãe...

Não sei se vou ficar.

Já discutimos isso, Reggie. Sabes o que eu e o Pai pensamos.

Quando ligam ao que eu digo?!

Só quero acabar o liceu nos EUA com os meus amigos!

É assim tão anormal?!

Um filme de

Que fazes aqui?

És doido!

Não estou a fazer nada de mal.

Vim só aqui...

...buscar a minha amiga americana.

Chegaste tarde, tenho de me ir embora.

Diz-me só se vais ficar.

- Tens de sair. - Porquê?

Vai, por favor!

Já te viram!

- Depois falamos. - Prometes?

Prometo.

A tua família vai ter dificuldade em viver noutro país, sobretudo as crianças.

Eu sei, foi uma mudança radical, mas hão-de habituar-se.

- A casa é fantástica. - Achas?

Precisa de muitas obras.

Um martelo, uns pregos, um pouco de tinta e verás!

Ainda tenho um mês antes do início do semestre.

Boa sorte.

Já se conhecem?

- Como está? - Estou bem.

Estava aqui a dizer que realizámos o nosso sonho.

Ele está a mentir.

Traidora!

Não queres brincar mais?

Parecem estar todos divertir-se.

O Paul lembra-me o Marc quando tinha aquela idade,

antes de...

...partir.

Agora vai ter os seus netos só para si

e há-de fartar-se deles!

Deve ser estranho para eles.

Coitado do Paul...

Ele há-de ser doido por si! Vai ver...!

Vou ficar com ciúmes!

É bom vê-lo, Pai.

Pronto, acabou-se.

Até que enfim! Estava a ver que nunca mais acabava!

Mas que maneira de acabar uma festa!

Outra vez, não!

TERCA-FEIRA

...os especialistas advertem cautela.

Não olhe directamente para o sol, nem sequer pelos telescópios.

Tenha cuidado, mas não perca o evento.

Lembre-se que é um acontecimento único,

um eclipse especial, que só ocorre de 40 em 40 anos.

E só faltam 5 dias.

Vivias aqui com o Avô?

- Quando tinha a tua idade. - E depois foste para os EUA?

Por que tiveste de ir?

Os teus avós decidiram separar-se

e eu não tive alternativa, tive de me ir embora.

Com a tua mãe?

Exacto.

Tu e a Mãe vão separar-se?

Isso só acontece aos casais que não se entendem!

E a gente dá-se bem, não é?

É o segundo dia e aposto que sou o único atrasado.

Não te preocupes, vais chegar a horas.

Somos como gnus solitários,

balindo a sua queixosa poesia à manada infinita...

- Sabes o que é um gnu? - Claro!

É uma espécie de... vaca.

- E que diz a tua vaca? - Toca...

a...

sair...

da...

minha...

...frente!

Olha, Pai, funcionou!

Ó ranhoso, que estás a fazer?! Mexe-te!

Porra!

Socorro!

Ajudem-me!

- Quando foi o último ataque? - Há mais de dez anos.

O Haughtington é imprevisível, mas não é forçosamente grave.

Pode desaparecer assim como chegou.

Não sei...

Vou receitar-lhe Haloperidol,

mas se ele tiver um ataque,

sabes que há risco de asfixia.

Tens de o vigiar de perto.

Isto não podia ter vindo em pior altura...

Não te preocupes. Vai correr tudo bem, acredita.

Pai!

Estou bem, amorzinho. Não foi nada.

Vamos para dentro.

Temos muito que fazer.

Esta vai ser a melhor casa do mundo.

Mãe?

Que aconteceu?

O teu pai teve um pequeno ataque, mas não tens razões para te afligir.

Falei com o Avô e ele tem de voltar aos remédios durante uns tempos.

Vai recomeçar.

Não vai nada!

Foi um incidente isolado. Não comeces já com ideias.

Lembras-te do que aconteceu.

Sabes precisamente o que isto é.

E logo agora...

Logo agora que quê?

Estamos completamente isolados! E se acontece alguma coisa?

Estamos a dez minutos do centro e já disse que não vai acontecer nada.

- Mãe! - O que é?

Se não gostas desta casa ou da tua família, pega nas tuas coisas e sai!

Não era isso que querias?

Então vai!

Havemos de sobreviver!

Mítico, mágico, científico.

As pessoas atribuíram vários significados

ao fenómeno desde o início dos tempos.

Mas como funcionam ao certo os eclipses?

Sentes-te melhor?

Eu farto-me de discutir com a minha mãe! É normalíssimo!

Não é nada.

Ela nunca foi tão cruel.

Aposto que ela nem reparou.

- Às vezes, as pessoas dizem o que... - Não me interessa.

Sinto-me esquisita.

Não me sinto feliz naquela casa.

Olá, valente.

- Que estás a fazer? - Estou a desenhar.

Já não brincas com isto...

Dantes gostavas.

Vais morrer?

Ouve, compincha, o que se passa, é que o Pai...

Fiquei muito tenso esta manhã.

Esquece o assunto.

Não vais ficar preocupado, pois não?

Vá lá...

São horas de dormir.

Pai?

Não feches...

Vá lá!

Apaga a luz.

Estás bem?

Que fazes acordado?

Não conseguia dormir

e o Pai não me deixou ficar com a luz acesa.

- Desde quando tens medo do escuro? - Não tenho.

- E então? - Este escuro é diferente.

- Por que dizes isso? - Come os meus lápis.

Tive uma ideia.

Vamos fazer o seguinte...

- E se ficar contigo até adormeceres? - Prometes?

Claro!

Já lá vou ter.

QUARTA-FEIRA

- Não lhe encontro nada de mal. - Mas alguma coisa tem de ser!

- É melhor voltar a ver. - Não sei o que pode ser!

Vou verificar as tomadas.

O meu bloco? Deixei-o aqui ontem.

Tens aqui desenhos muito estranhos!

Não são estranhos, são só desenhos.

Mas estás sempre a desenhar o mesmo!

Não é o mesmo, são diferentes.

Parecem todos iguais.

Porque são todos crianças.

Mas são miúdos diferentes.

Paul?

- O que é isto? Magoaste-te? - Não sei.

Já mostraste à Mãe?

Diz que deve ter sido a dormir.

Quando estava escuro.

Vou andando.

Se vais lá para fora, não brinques junto à estrada!

Que fazes aqui?

Queria acabar este rolo

e decidi fotografar-te.

Gosto de ti como fotógrafo, mas aprecio-te mais como pintor.

Pai, este é o Carlos. Vai ajudar-me a pintar.

Muito prazer.

Percebes alguma coisa de electricidade?

Não parece ser humidade, parece mais...

...ferrugem.

Não percebo. Eles pintaram a casa toda antes de a gente se mudar.

Acredita em mim, querida.

Isto vai ficar demais!

Vou buscar diluente,

pelo sim, pelo não.

Se quiser, ligue para a companhia.

Quero lá saber! Há aqui qualquer coisa que não funciona!

Já aqui estamos há 3 semanas e todos os dias é a mesma coisa!

A luz treme, parece ser da voltagem! Percebe?

No seu lugar, falava com os vizinhos.

Se houver problemas de corrente, também hão-de ter reparado.

Não temos vizinhos nenhuns! Mas que pesadelo de merda!

Acalme-se, já fiz o que podia!

Por outras palavras, vá à merda, não é?

Na minha própria casa! Descaradamente! Merda!

Pois não julgue que lhe pago um cêntimo que seja!

A seguradora paga-me. Queixe-se a eles.

Agora não.

O que se passa?

Vou ficar.

Não me posso ir embora agora.

Nem te pergunto porquê...

É capaz de ser melhor...

Que fazes acordada? Já é tarde.

Estava à tua espera.

Estou estafada.

Espero que tenhas pintado o quarto.

Preciso de falar contigo.

Amanhã. Hoje estou de rastos.

Nem imaginas o dia que eu tive!

Por que não podemos conversar?

Preciso de te dizer uma coisa!

Dizes para não me preocupar,

mas o pai anda uma pilha de nervos!

Devias ter visto como se passou com o electricista esta manhã!

Está simplesmente...

E o Paul também não está bem.

- O Paul está óptimo. - Olha para os desenhos dele!

Parecem-te desenhos de um miúdo normal?!

É miúdo! Devias ver os desenhos que fazias nessa idade! Anda lá...

QUINTA-FEIRA

Não mexas nisso!

Desculpa.

Essas velharias ás vezes são muito frágeis.

O que é isso?

É um quarto.

- Escondido atrás da parede. - Como sabias que aí estava?

Disse-me o Paul.

Topa lá isto!

E se o pendurássemos aqui?

Porra!

Funciona!

As coisas antigas são maravilhosas!

Nem precisa de electricidade!

Vou desligá-lo.

E tu, ó vidente,

como sabias do quartinho? - De que falas?

- O Pai diz que foste tu que lhe disseste. - Não lhe disse nada! É mentira!

Se queres armar-te em mártir, tudo bem. Se continuas assim,

não sei o que vai ser de nós...

Que se passa?

Nada. O teu irmão voltou a magoar-se.

É um desastrado.

Quem te fez isso?

Não comeces, Reggie! Estás a ficar paranóica!

Paranóica?!

Isto já aconteceu duas vezes! Achas que não é nada?!

Não foi isso que eu disse.

Mas são coisas que acontecem, ele tem de ter mais cuidado.

Por que te recusas a aceitar a evidência?! Isto não é normal!

Vamos procurar o Avô. Talvez ele consiga falar com o Paul.

- Que mais queres que eu faça? - Tenho de tirar a ferrugem do chão.

- Onde diabo meteram vocês o X-ato? - Ontem estive a abrir caixas.

Deve estar por aqui.

Não te entendo.

- A sério que não... - Que se passa?

Está tudo óptimo! Não podia estar melhor, pois não, Mãe?!

É melhor ires desfazer umas caixinhas...

Que se passa?

Disseste que não me perguntavas porquê.

O quê?

Por que é que fico.

E...?

Eu queria que me perguntasses.

O meu pai está meio doente.

Tem uma doença...

Chama-se Síndroma de Haughtington.

Antes do Paul nascer, ele esteve muito mal.

Tinha uns ataques...

Mas não imaginas...

...o que é ter medo do nosso próprio pai.

Mas ele agora está bem?

O tratamento resultou.

Esteve bem durante anos até agora.

Até agora?

Não tem andado muito bem.

E também há qualquer coisa com o Paul.

Já é a segunda vez que acorda com nódoas negras.

Espera lá...

- Não me digas que achas que... - Eu não acho nada.

Ele tem andado estranho e mal abre a boca.

Às vezes, sinto que é aquela casa.

Isto é muito mais complicado do que parece.

O Paul?

O Avô veio falar com ele.

Estão lá em cima.

- As mães preocupam-se. - Não te preocupes.

Regina!

- Estava a ver que já não te via! - Olá, Avô.

- Vais constipar-te. - Seca-te, querida.

Tenta convencê-lo a jantar cá.

Mais uma vez, obrigada.

Como estás?

- Estou bem. E o Paul? - Está óptimo.

Não deve ser nada de grave.

A mudança de casa, de hábitos, de ambiente...

Mas ele nunca teve medo do escuro!

O medo do escuro não parece ser o pior.

Por que é que ele se fere?

Para chamar a atenção.

Mas o Pai também anda esquisito...

Está pior.

- Anda agressivo, como dantes. - Que disparate, Regina!

Eu sei que vocês sofreram muito e sei que não foi fácil superá-lo.

Mas o teu pai está controlado.

Tens de parar de te afligir. Não vai acontecer nada.

- Está bem, querida? - Obrigada, Avô.

E agora, vou-me embora.

Ele diz para não nos preocuparmos.

Diz que os miúdos ás vezes fazem coisas esquisitas.

Temos de decidir onde vamos pendurar o quadro.

Não sei...

Marc, por favor... Estamos a falar dos miúdos.

Estão a passar um mau bocado. A Reggie...

...está numa idade difícil.

Talvez não estejamos a ser suficientemente compreensivos.

E eu?! Quem é compreensivo comigo?

- Que queres dizer com isso? - Ora, por favor!

Julgas que não vos ouço bichanar nas minhas costas?

- Estás a enlouquecer! - Precisamente!

É exactamente disso que eu falo! Obrigado!

Agora sei onde foram buscar essa ideia.

Marc, por favor, acalma-te!

Tens tomado o remédio?

Marc!

Mãe!

- Reggie, chega aqui! - Sinto-me zonzo...

Respira devagarinho. Segura assim...

Agora não!

Mãe!

Mãe!

Onde ficam os fusíveis?

Na casa das lavagens.

Reggie!

Paul, que se passa? Deixa-me entrar!

Eles não me deixam! Estão aqui comigo!

Paul, deixa-me entrar!

Não posso!

- Pai! - Cala-te!

Estão a assustá-lo!

- Pára com isso, Pai! - Abre imediatamente a porta!

Cala-te!

Larguem-me!

Paul, amorzinho, chega aqui. Já passou, pronto...

Não sei.

Assustei-me. Não conseguíamos abrir a porta.

Paul...

Querido... Estás bem?

Que se passa contigo?!

Eu estou aqui, pronto...

Já passou.

Não passou.

Eles nunca se vão embora. Escondem-se simplesmente.

Quem? De quem falas?

Dos miúdos.

Que miúdos?

Os miúdos do meu quarto. Não me deixavam sair.

Odeiam-me. Dizem que sou um impostor.

Não há aqui ninguém.

Só aqui estamos nós, eu, tu, a Mãe e o Pai.

Os miúdos não existem.

É imaginação tua.

Existem sim. Aparecem quando está escuro, vivem nas trevas.

Não os ouviste?

Não mesmo?

Carlos?

- Reggie, que horas são? - Eu sei, desculpa.

Preciso da tua ajuda.

Que se passa?

É a casa.

SEXTA-FEIRA

A vossa casa nunca foi habitada.

O tipo que a vendeu ao teu pai nem sequer existe!

O mesmo se passa com a imobiliária e com o advogado.

E o telefone que está no contrato nunca foi atribuído.

Então não podemos investigar nada?

Talvez...

- Descobri quem é o arquitecto. - Óptimo!

Excelente!

Queres ajudar-me?

Onde está a Regina?

Saiu de manhãzinha. Não sei aonde foi.

Não está ninguém.

Eu conheço aquele tipo!

Estava perto de minha casa,

há umas noites, quando estava a chover.

Tenho a certeza que era ele!

Anda.

Não deviam ter vindo.

A casa foi desenhada por si, não foi?

Só fiz o projecto de acordo com as medidas que me deram.

Que lhe deram?

- Quem eram eles? - Nunca vi ninguém.

Foi tudo tratado através de um intermediário.

Eu só tinha de fazer o projecto e de ficar caladinho.

Insistiram bastante nisso.

Mas isso não era o mais estranho.

Temos de conversar.

Pois temos...

Sobre aquela coisa que penduraste. É pavorosa!

- Que dizes? A sugestão foi tua! - O quê?!

Ontem à noite! Aqui!

Querida...

O problema não é esse.

Então qual é?

- São as larvas. - As quê?

As larvas.

Estão por toda a parte, dentro das paredes.

Ouço-as sussurrar.

Falam de nós.

Temos de tomar medidas.

Era o projecto.

A forma da casa.

Em certas partes do mundo,

é usado um desenho semelhante na construção de templos

ou outros tipos de arquitectura do oculto.

Está relacionado com a emergência de energias

ou entidades espirituais.

Já lá vão tantos anos...

Mas eu não gostei.

- É melhor irmos andando. - Esperem.

E depois...

...aconteceu aquilo com os miúdos.

Que estás a pensar fazer?

Vou encontrá-las.

Devem ter o ninho algures por debaixo da casa.

Vou encontrá-lo.

Sete crianças.

Nunca as encontraram.

À excepção de uma.

Quando a polícia o interrogou,

nada do que ele lhes disse fazia sentido.

Era uma história maluca sobre uma casa redonda.

Escuridão.

Tão escuro...

A história perseguiu-me durante anos.

Fartei-me de rondar a casa...

Tem estado sempre vazia.

E de repente, um dia,

descubro que vive lá uma família!

Com um miúdo. Pela primeira vez em 40 anos.

- Porquê agora? - Por que não chamou a polícia?

E dizia-lhes o quê?

Acha que dão ouvidos aos devaneios de um velho já com os pés para a cova?

- Podia ter contado a alguém! - Pois podia.

Mas não o fiz.

Querem saber porquê?

Porque tive medo.

Que história é essa?

Vão, por favor.

Não sei mais nada.

Obrigado por partilhar as suas teorias connosco. Deixo-lhe o meu telefone,

Talvez se lembre de mais alguma coisa.

Afaste o seu irmão daquela casa.

- Porquê? - Tire-o de lá.

Mãe!

Não te preocupes.

Já passou, ele teve outra crise, mas já passou.

Vamos.

Não vais guiar assim, estás muito nervosa.

Carlos, podes levá-los ao hospital?

- E tu? - Fico. Tenho de fazer uma coisa.

Carlos, por favor...

Faz o que te peço.

Está?

Estamos de olho em ti, minha cabra!

Mas que merda queres de mim?!

Era só para dizer que o Pai vai ficar bem,

se é que te interessa.

Mãe...

Desculpa, julguei que era outra pessoa.

Andamos todos enervados.

Parece que foi por causa do calmante que lhe dei quando ele se cortou.

Fez reacção com o Haloperidol.

- Sou enfermeira, devia saber... - Acho que o problema não é esse.

Temos de conversar.

Vão mantê-lo sob observação uns dias, à cautela.

Mãe?

Regina!

SÀBADO

Ouroboros.

É um símbolo oculto antigo.

Significa trevas, o regresso ao princípio,

caos...

Que se passa em minha casa?

Que diabo é isto?

É um ritual.

"Colhe o sopro e o amor de sete crianças,"

"e encerra o círculo com o seu sangue,"

"quando a manhã se transforma em noite."

O velhote tinha razão.

Sete crianças degoladas

por alguém que as ama.

Quando a manhã se transforma em noite...

O eclipse!

É amanhã!

Acontece de 40 em 40 anos!

Da última vez que tentaram, qualquer coisa correu mal.

Um dos miúdos fugiu.

Tinham de ser sete, mas eles só tinham seis!

Vai voltar a acontecer!

Com o Paul...

Ninguém vai fazer mal ao Paul!

O meu pai está doente.

Às vezes, não sabe o que faz!

Se te ouvisses...

- Mãe, é a casa! - Estás enganada!

O teu pai seria incapaz de nos fazer mal!

Essas tuas acusações são terríveis, obscenas!

Queres à força que sejamos infelizes? Custa-te assim tanto ver-nos...

Mãe, por favor!

O Pai está doente!

Tudo o que se tem passado se enquadra!

O eclipse é amanhã. Não vás para casa, por favor!

Seguiremos as indicações do teu avô.

Ele é que é médico do Pai. Não és tu.

Avô?

- É a Regina. - Sobe.

Fala o Villalobos. Ouça...

Encontrei um dos papéis que o tipo me mandou.

O intermediário.

Tinha um cabeçalho, uma morada.

Vou para lá agora e você devia fazer o mesmo.

Isto vai fazer-te bem.

Tem de me acreditar!

Eu não sei o que fazer.

Eu acredito-te, Regina.

Só que...

...isso é tudo muito estranho!

Não percebo parte do que me contaste.

Tem de me ajudar!

O Avô é médico. Eles fazem o que o Avô disser!

Não quero que te preocupes.

Vou ligar para o hospital.

Por favor!

Não os deixe voltar para casa...

Eles não voltam, acredita.

Reggie, ouve.

O Villalobos, encontrou a morada do tipo que lhe deu as instruções.

Disse que ia para lá. Eu também estou a caminho.

Espera! Quero ir contigo!

É um daqueles prédios que ficam atrás do parque.

O número 17.

É o nº 17.

O nº 17?

Espero-te à porta.

- Mas eu já cá estou! - Espera!

O Avô...

"Criança Desaparecida Encontrada em Estado de Choque"

Devias ter ficado em casa,

com a tua família.

Que fazes ás escuras?

Onde está a Reggie?

Não sei.

Não telefonou.

Contava que telefonasse.

Deixa-a.

Sabes como ela tem andado...

No princípio, o interesse era científico.

Comecei a estudar a psicologia das crianças,

como funcionam os seus medos...

Um medo partilhado por todas as crianças,

em todos os tempos,

em todas as culturas...

Um medo irracional.

O medo do escuro.

Acho que me vou deitar.

Estou estafada!

Parece-me uma boa ideia.

E agora estamos quase prontos.

- Passados tantos anos... - De que fala?

Falo das trevas, minha querida.

Das verdadeiras trevas.

Uma espécie de mal na sua forma mais formidável.

Puro...

...e vivo.

E agora,

chegou o momento.

Finalmente...

...vai nascer!

Sujo...

...e perverso!

Não te esforces tanto.

O jogo já começou.

Já entrámos em contagem decrescente.

Aproximamo-nos do momento em que o sol e a lua alinhados,

se submetem temporariamente ás trevas.

Porquê?

Porquê?

É uma questão de fé!

Nós somos as nossas origens.

E as nossas origens são isso:

O mal, a desordem...

Descobrimos o feitiço para as recuperar.

O templo do ovo

e sete crianças

degoladas por quem as ama.

E o eclipse, claro.

É apenas uma experiência, eu sou médico.

Sabes como os antigos nos chamavam?

O grande mentiroso.

- A Regina? - Está aqui. Entra.

Ainda bem que aparece!

Não sabia o que fazer!

O que se passa aqui?

Sabe o que se passa?

O que se passa é que tu...

...fizeste merda!

Não percebo por que é que todos tentam estragar-me este momento!

Uma vez começado,

não há como o travar.

Não há retorno possível.

Era tudo perfeito.

Éramos sete.

Tínhamos construído o templo

e aguardávamos o eclipse.

Cada um com o seu filho.

Mas no último momento, nada se concretizou.

Já só resto eu.

Sou o único que sobreviveu a todos estes anos.

É irónico, não é?

É que a culpa foi minha.

Tive de deixar fugir o meu filho.

Não fui capaz de o fazer.

Mãe?

Diz, Paul.

Dás-me um copo de água?

Mãe?

Por que diabo é que hão-de andar sempre aos berros pela casa?!

Por favor, vai-te embora.

O Avô amava-o!

Deixe-me ir.

Ainda podemos impedi-lo.

As regras do jogo são muito claras.

Sete crianças degoladas

pela mão de quem as ama.

Vou-me embora?

Queres que me vá embora?!

Mas que merda é essa?!

Esta casa é minha!

Abre a merda da porta!

Já!

No último momento,

apercebi-me que não funcionaria,

porque sinceramente...

...eu não o amava.

Marc?

Por favor, vai-te embora.

O Paul não tem nada que ver com isto.

Não percebeste nada, pois não?

Não é o Paul, idiota.

É o teu pai!

O quê?

Tem de ser a mesma criança.

Deixa-nos em paz!

Abre a merda da porta!

Tu estás doente!

Não tens tomado o remédio, é por isso que estás doente!

Mentirosa!

Isso é mentira!

Vai, por favor. Não vês que estás doente?

Mãe...

Não foi o Pai.

Ele não me bateu.

É impossível.

Isso nunca acontecerá.

As trevas são muito sensatas.

Sabem bem que uma mãe

é capaz de fazer tudo para proteger os seus filhos.

Marc, já chega!

Este é o meu brinquedo.

Uma serpente

e algo que vai nascer.

É-te familiar, não?

Nunca acontecerá!

Eu vi no livro!

A garganta tem de ser cortada...

A minha mãe nunca o faria!

- É impossível! - Tem fé, Regina.

As trevas sabem muito.

Está aqui o meu remédio.

Que estás a fazer?!

Eu dou-te a porcaria dos remédios!

Papá...

Lamento imenso.

Amo-te.

Amo-te tanto!

Corre!

Não tens muito tempo.

Corre!

É a tua vez!

Responde-me!

Comprimidos...

Merda de comprimidos!

Queres que os tome?

Que se passa?

Vai buscar uma caneta! Se não o corto, ele morre!

Vai!

Despacha-te!

Vai para o quarto e não olhes.

Vai!

Mãe, não! Que estás a fazer?!

- Ele está a sufocar! - Sai da frente!

- Não vês que é isso que ele quer?! - O teu pai está a morrer!

Tenho de lhe abrir a traqueia, para ele poder respirar!

Não consigo!

Não sou capaz...

Dá cá isso, eu faço. Diz-me o que fazer.

Tens de fazer uma incisão curta, mesmo abaixo da maçã-de-adão.

Rápido!

Mãe!

Pega no tubo! Mete-lho na garganta!

- Que tubo? - Está aqui...

Onde está o tubo, Mãe? Não o encontro! Onde está?!

- Está aqui! - Mãe!

Onde está?

Onde?!

Mãe!

É tarde demais.

Mãe!

DOMINGO

Acabou-se.

A sétima criança...

...está morta.

Onde está...

...a Regina?

Está em casa dela.

No inferno.

Onde está a lanterna? Onde está?!

Mãe, temos de sair daqui! Onde está o Paul?

- Onde está ele? - Está lá em cima.

- Regina! - Paul!

Tenho medo!

Vou ter contigo!

Vem comigo.

Está a enganar-nos. Quer enganar-nos. É um mentiroso.

Vamos sair daqui agora. Vamos sair daqui!

Mãe?

Não tenhas medo.

Podemos acabar com isto.

É só uma questão de não ter medo.

- Ele está morto. - Não, não está.

Quero o Papá, Mamã!

Podemos salvá-lo.

Tens de desligar o fogão.

É a única forma de combater as trevas.

Não nos resta muito tempo.

- Tens de confiar em mim, Regina. - Que estás tu a dizer?!

Por uma vez na vida,

confia no que te digo.

Apaga a luz.

Desliga os bicos.

- Podes salvá-lo! - Por favor, Mãe!

Não compreendo.

És mentirosa!

- Apaga a lanterna. - Não és a minha mãe!

Desliga o fogão.

Fá-lo pelo Pai!

Mãe?

Onde está a Mãe?

Não está aqui.

Não olhes! Temos de sair daqui!

Temos de sair daqui! Vamos tentar a janela!

Vamos tentar sair pela janela!

Afasta-te!

Vá, temos de sair agora! Salta!

Vá lá!

- Entra! - Vamos.

Entra no carro, amor.

Vai correr tudo bem.

Regina!

Vamos voltar aos EUA?

Sobe, quero mostrar-te uma coisa.

Vais adorar.

Está a enganar-nos. É um mentiroso!

Acabou-se, Paul.

Não!

DARKNESS - AS TREVAS

Legendas SARA DAVID LOPES saradavidlopes@clix. Pt

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