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Há 70 anos, algo especial começava.
Fórmula 1.
Homem e máquina em perfeita sincronia.
Forçando um ao outro até o limite.
Apoiados por equipes, visando o degrau mais alto.
O jogo se chama vencer.
Buscando a perfeição.
O caminho nem sempre foi tranquilo.
Nos maravilhamos com grandes momentos.
Fizeram-nos sorrir.
Chorar com nossos heróis.
Testemunhar incrível bravura...
e grandes tristezas.
Momentos que nunca mais serão esquecidos.
Por 70 anos, este foi o Everest deles.
Isso é o que os torna especiais.
Esta é a história da Fórmula 1.
OS PIONEIROS
Gosto de correr, sempre estive envolvido com corridas.
Gosto da competitividade e do companheirismo.
Não havia nada de convencional em Colin Chapman.
Colin era um gênio.
Você se depara com uma decisão
entre dois males.
E você machucará alguém.
Vamos correr porque eu gosto.
TRICAMPEÃO MUNDIAL DE F1
Colin Chapman era um homem empolgante.
Uma pessoa encantadora, e...
que entrará na História.
Sente que vai ganhar o campeonato mundial?
Ainda há um longo caminho a percorrer,
mas estou feliz em tentar.
Ele teve a intuição de acertar o carro.
BICAMPEÃO MUNDIAL DE F1
Ele conseguia interpretar meus comentários e colocar no carro.
Experimente. Veja se consegue voltar a tempo.
Colin Chapman conseguia motivar as pessoas...
MECÂNICO CHEFE
...acima do padrão.
As pessoas iam até o fim da Terra por ele.
Vamos, Clive. Dê uma cambalhota.
No pós-guerra, se você tivesse um pouco de paixão,
poderia se destacar e fazer a diferença.
FILHO DE COLIN CHAPMAN
E...
suas características de determinação,
trabalho duro, coragem e todas essas coisas,
eram perfeitamente adequadas
para o automobilismo em particular.
FUNDADOR DA EQUIPE LOTUS
Você tem que ter as oportunidades certas.
Certamente.
Não sei se tem a ver com sorte.
Está mais para aproveitar as oportunidades
que aparecem.
EX-MECÂNICO DA EQUIPE LOTUS
Colin Chapman era um gênio.
Ele era um verdadeiro piloto.
Ele viveu para corrida.
Colin era uma pessoa fenomenal, e...
DIRETOR DE CORRIDA, 1958-1971
ele parecia fazer de tudo.
Pilotava tão rápido quanto os pilotos.
Que pena que ele teve o acidente
quando entrou na Vanwall, em Reims.
Podíamos ter visto algo diferente.
GP DA FRANÇA, 1956 REIMS
Acho que ele teve um problema de freio, ele saiu
e acertou uma pedra, não conseguiu consertar o carro,
então não conseguiu correr.
A Lotus podia ter seguido um caminho diferente.
Podia ter mudado a história.
Meu pai esteve tão ocupado com o crescimento do negócio,
suas ambições eram tão grandes,
que acho que ele percebeu que algo precisava acontecer
e, tendo encontrado Jimmy...
Por conta de sua contribuição técnica.
Ele não era apenas rápido,
mas ele entendia o carro, e eles tinham um ótimo relacionamento.
Jimmy era um homem extraordinário,
genuinamente amado pela equipe,
pelos fãs e pela mídia.
E ele era um daqueles pilotos que era rápido
e levava o carro para casa.
Jimmy foi o amigo mais próximo que papai já teve.
Meu pai era o engenheiro perfeito para o automobilismo.
Jimmy era o piloto perfeito.
Juntando essas duas coisas, é excepcional.
Jim Clark cruza a linha de chegada
vencendo as 500 milhas.
O resultado de três anos de esforços
do construtor de automóveis Colin Chapman.
Ele dança nos boxes como um artista de balé.
Carro inacreditável.
Naquela época, eu estava testando o BRM
e quando entrei na Lotus, era como a Lotus...
O nível de agressividade do carro...
era como...
Ficava oito centímetros abaixo do solo.
A aderência.
O BRM ficava cerca de cinco centímetros acima do solo.
O carro era tão bom
que não acreditava que um carro pudesse ter tanta aderência,
mas era muito frágil.
O talento de Chapman tem sido desenvolver seus carros
até o limite do permitido.
Com a carroceria monocoque,
ele foi o primeiro a posicionar o piloto
no meio do tanque de gasolina.
Estava em Brands Hatch quando, de repente, eu vi Jabby Crombac,
o jornalista da Sport Auto
e grande amigo da Lotus e de Jim Clark,
ele foi para o fundo dos boxes chorando.
E eu fui até ele.
"O que houve?"
Ele disse: "Acabei de ouvir que Jimmy morreu em Hockenheim."
Eu me aproximei muito de Jim Clark.
Ele era meu melhor amigo. Melhor amigo que já tive.
Jimmy era, na minha opinião,
o melhor piloto de corridas de todos os tempos.
Não acho que outros pilotos em GPs, nos últimos dez anos,
tenham igualado o conceito de piloto de corrida
que Jimmy foi.
E essa é a tragédia do automobilismo,
quando você se aproxima de um piloto e acontece um acidente,
é claro, dói muito mais.
Não consigo imaginar como ele superou isso.
E não apenas a perda de Jimmy,
mas a perda de outros pilotos da Lotus,
principalmente quando é seu carro que está na pista.
E houve um período inicial de dúvida
quando ninguém realmente sabia onde papai estava e o que faria.
Foi quando Graham Hill e Bob Dance
entraram em cena,
e, juntos, a equipe continuou.
Você quer voltar?
- Acho que sim. - Deveríamos.
Sim, se você conseguir fazer isso a tempo.
Podemos ajustar a aceleração? Quão difícil é?
Faremos isso no paddock.
Precisamos sair novamente agora. Está tudo em ordem?
Tudo funcionando.
Espere um minuto.
Não é rápido?
BICAMPEÃO MUNDIAL DE F1
O padrão que ele estabelece para si mesmo
e sua mecânica dá o tom.
Você tem que chegar a isso de qualquer maneira,
e, consequentemente, por meio do exemplo,
você obtém o padrão, que obviamente é muito alto.
Em 1965, quando eu era um novato,
Jim venceu e terminei em terceiro,
me tornei o Novato do Ano.
Falei: "Colin, um dia, gostaria de correr na Fórmula 1."
CAMPEÃO MUNDIAL DE F1, 1978
Ele disse: "Quando estiver pronto, e ligue.
Terei um carro para você."
As pessoas não percebem,
ele era extremamente humano e amigo dos pilotos.
Você está bem. Está melhor agora.
Estava pálido há dez minutos.
Acho melhor você se sentar. Sente-se na cadeira.
- Eu estou bem. - Sério?
Você não bateu em nada, não é?
Não bateu em nada na hora?
Não, ele não bateu em nada.
Eu só girei na curva naquela volta lenta.
Toda a suspensão traseira está pendurada nessa caixa de câmbio
e se ela quebrar, acabou.
Mas elas estão todas na mesma base.
Bruce, é melhor eu dizer a você,
a carcaça da caixa de câmbio quebrou
e a suspensão traseira está pendurada nela
igual à sua, está quebrada ao meio.
As carcaças estão muito carregadas.
Foi isso que aconteceu. Quebrada ao meio.
Estou trazendo Graham. Não vou comandá-lo assim.
Olhe e veja se há rachaduras na carcaça.
Quando Colin Chapman me chamou ao seu escritório,
eu me sentei na frente dele, e disse: "Sr. Chapman",
ele disse: "Não, me chame de Colin."
E minhas pernas tremiam.
Sentei-me na frente de Colin Chapman,
com toda a história, Jim Clark, Graham Hill,
Jochen Rindt, eu estava lá conversando com Colin Chapman.
Eu não acreditava.
GP DO BRASIL, 1973 SÃO PAULO
Fantástico! Ótimo!
Muito bem!
Tire isso!
Colin veio até mim e disse:
"Emerson, acho que estou me aproximando demais de você.
E eu não quero perder você."
Você deve estar preparado
para tomar decisões desagradáveis às vezes.
Frequentemente, você se depara com uma decisão
entre dois males e irá magoar alguém.
Todos os pilotos sabiam
como um Lotus podia ser leve e rápido.
Todos nós o teríamos pilotado porque queríamos vencer.
E ele queria vencer. Quando você pilota um Lotus,
esse é o risco que você corre.
A decisão é sua.
Eu teria pilotado um Lotus. Sem dúvida.
Se eu conseguisse ganhar um campeonato.
A Lotus era conhecida pela inovação.
Os carros de efeito solo,
carro de chassi duplo, todo tipo de coisa.
A Lotus sempre esteve na linha de frente
e acho que ele liderou isso. Era o seu mantra.
Isso é o que ele queria ver.
Muitas vezes, na construção de carros de corrida, no design,
não é se você sabe,
mas se você conhece as pessoas que sabem
e pode colocar o recurso certo,
por exemplo, nos carros de efeito solo.
Peter Wright havia feito esse trabalho na BRM,
e Colin soube como canalizá-lo em 1978 e 1979.
Colin esperava que você trabalhasse 24 horas por dia.
Nunca houve qualquer tipo de descanso com Colin.
Tony Rudd disse: "Peter, não vá para a Lotus",
o que me surpreendeu, porque eu pensei, Lotus,
a melhor equipe depois da BRM.
Ele disse: "Não, não. Você não está pronto para a Lotus."
Não tinha ideia do que ele quis dizer até anos depois,
quando soube o que ele quis dizer.
Colin Chapman era inconstante. Muito, muito difícil.
Ele é temperamental?
Sim, sim, ele tem um temperamento forte.
Ele não perde a cabeça com muita frequência.
Tem que ser algo muito estúpido ou severo
para fazê-lo se irritar.
Naqueles primeiros dois anos, ele me despediu duas vezes.
Uma vez, ele me levou para fora, tirou o boné,
o boné famoso de Colin Chapman,
jogou-o no chão, pulou nele enquanto ele me demitia,
aí eu expliquei que ele estava errado.
Ele pegou o chapéu, limpou-o,
colocou-o de volta na cabeça e seguimos em frente.
Não viu que o estava segurando?
Colin, é o trabalho dele ultrapassar.
Se estou liderando uma corrida, não abro caminho.
É verdade. Você pediria ao seu piloto para abrir?
É trabalho dele encontrar uma solução.
Ele é rápido. Só precisava achar um espaço.
A certa altura, eu disse:
"Tenho que me comprometer com a Fórmula 1,
se vai acontecer." Eu estava na casa dos 30 anos.
Disse a ele: "Colin, acredite ou não, não tenho um carro."
E ele disse: "Eu gostaria de ter um carro decente para você."
Eu disse: "Você tem uma vaga para mim?"
Ele disse: "Sim. Você quer pilotar para mim?
Mas eu não tenho um bom carro."
Eu disse: "Nós o faremos bom."
E ele disse para mim:
"O carro do próximo ano
vai fazer este parecer um ônibus de Londres."
Por anos, todos nós nos preocupamos
com o efeito que o ar tem quando flui sobre o carro.
Temos tentado impedir que flua para baixo do carro.
O que estamos tentando é promover
o fluxo de ar sob o carro.
Para poder contornar a parte inferior do carro,
ele produz uma elevação negativa.
O ar que passa por baixo do carro
ajuda a mantê-lo na pista.
Ele queria que você terminasse a corrida
com não mais do que um litro de combustível,
e isso nos custou um Campeonato Mundial.
Em 1977, duas vezes, liderando a corrida,
África do Sul, fiquei sem combustível.
A última volta, liderando.
Na África do Sul, na verdade,
ele tirou um pouco do combustível do carro
porque eu costumava dizer a Bob Dance:
"Coloque um pouco mais."
Colin ficou sabendo disso,
então eles tiraram um pouco de combustível do meu carro
ainda no grid, eu estava na pole.
E falei: "Colin, se eu estiver liderando esta corrida
e ficar sem combustível, vou te dar uma surra."
E na Suécia foi culpa dele em certo sentido,
porque ele não tinha comunicação por rádio.
E quando cheguei a duas voltas do fim,
eles não tinham combustível.
Quando conseguiram, eu estava em sexto.
Eu poderia ter vencido essas duas corridas.
Teria vencido um campeonato mundial em 1977 também.
Trabalhei para ele como engenheiro e, basicamente,
ele me pôs na estrada para visitar
vários fornecedores e fábricas
para ver se eles tinham a vontade e o desejo
de fabricar alguns componentes de um carro de Fórmula 1.
Então, sim, progrediu,
obviamente, tendo alguns testes um ano ou mais depois,
realizando a primeira corrida em 1980.
GP DA BÉLGICA, 1981 ZOLDER
Acho que fui para um nível diferente
de adrenalina naquele dia.
Ter Gilles Villeneuve na sua cola
durante toda a corrida e brigar com ele por um lugar no pódio
foi sensacional. E sim, foi ótimo. Eu terminei em terceiro.
Colin ficou tão feliz e satisfeito,
acho que ele ficou mais satisfeito do que eu.
Foi ótimo para a equipe,
ótimo para nós, e receber o primeiro troféu
e levá-lo de volta à Ilha de Man foi um momento de orgulho.
Sempre gosto de ter sucesso em tudo que tento fazer.
Gosto de tentar fazer qualquer coisa
melhor do que vejo sendo feito antes.
Foi como uma nuvem de poeira de um carro entrando no paddock,
foi Peter Warr quem anunciou que, durante a noite,
Colin Chapman havia morrido.
Todos os que trabalharam para Colin Chapman
foram afetados por ele.
Então, sim, ficamos chocados com isso.
Eu não sei, todos os estágios do luto,
a primeira coisa é você não acreditar.
Então acho que passamos o dia sem realmente acreditar.
Sem dúvida, senti uma emoção. Eu ainda sinto.
Ótima pessoa para se trabalhar.
Foi simplesmente traumático. Não perdi só um chefe de equipe.
Perdi um padrinho, porque sem Colin e Hazel,
e a família Chapman, nunca teria tido a oportunidade.
Foi muito prematuro, inesperado, um grande choque para o sistema.
Poucas pessoas têm essa incrível coleção
das conquistas de seu pai...
e são capazes de trabalhar com muitas pessoas
que trabalharam com ele, realizando essas conquistas.
Veja o histórico dele em sua carreira.
Ele era um discordante em todos os sentidos
e não mantinha o status quo.
Ele só queria explorar limites de todas as maneiras.
E parte disso era caro.
No fundo, ele queria dar ao piloto
o máximo de vantagem possível.
A equipe jogava muito,
trabalhavam muito, mas era divertido.
7 CAMPEONATOS DOS CONSTRUTORES
6 CAMPEONATOS DE PILOTOS
79 VITÓRIAS NA F1
Em um colégio interno na Escócia,
quando eu tinha cerca de 11, 12, até 18 anos ou algo assim,
eu costumava correr fingindo que estava num carro de corrida
e todas essas outras coisas.
A história de papai é um daqueles contos de fadas
em que ele veio do nada.
E ele passou a conquistar grandes feitos
no esporte e a dominá-lo.
O Frank era...
Como posso dizer? Ele não tinha absolutamente nenhum dinheiro.
Na verdade, uma vez, pagamos a ele...
dez xelins para...
Era um apartamento térreo...
Pagamos a ele para correr nu pelo apartamento,
enquanto do lado oposto ficava a igreja,
e as pessoas estavam saindo da missa.
E então nós o trancamos para fora.
Era aquele tipo de piadas bobas
e absurdas de colegial em que vivíamos.
E ele trocava peças de carros de corrida,
o que todos nós fazíamos,
vendendo para pilotos continentais de Fórmula 3
que não conseguiam as rodas e peças
da Brabham ou da Cooper.
E isso ajudou a financiar sua própria corrida.
GP DA BÉLGICA, 1970 SPA FRANCORCHAMPS
Vencemos muito na Fórmula 2.
Era evidente para mim que nosso atual piloto daquela época,
Piers Courage, poderia vencer corridas.
Em 1970, Piers morreu em um acidente,
e a partir daquela época, até o final de 1975,
passei por um período difícil financeiramente.
Vendi o controle do que então se chamava
Frank Williams Racing Cars
para Walter Wolf,
e basicamente isso foi um recomeço.
Tivemos um novo começo, embora não tenha funcionado muito bem.
Sai da Walter, comecei uma nova empresa.
Patrick Head se juntou a mim desde o primeiro dia
e criamos o que agora é conhecido
como Williams Grand Prix Engineering Limited,
com sua boa história de sucesso até o momento.
ESPOSA DE FRANK WILLAIMS
O início de Frank na Fórmula 1
foi quando ele montou a Williams Grand Prix Engineering
com Patrick.
E ele disse a Patrick: "Você estaria a bordo?"
E Patrick disse: "Bem, Frank,
quem não arrisca não petisca."
E foi assim que eles começaram.
Sempre me dei bem com Frank.
Ele sempre foi, como você bem sabe,
apaixonado e entusiasta pelo automobilismo.
Percebi, muito cedo,
que ele não entendia muito sobre o lado técnico.
Aproveite a oportunidade e coloque pneus slicks
GP DO CANADÁ, 1973
...para maximizar o possível funcionamento a seco.
A maioria dirá: "Farei isso na próxima volta.
Não vou entrar, faltam apenas 30 voltas.
Talvez eu possa controlar."
E vamos colocar os pneus slicks.
- Isso mesmo. - Até que seja impossível...
E então nós trocamos.
Vou lhe dizer quantos.
Sempre me lembro de Frank, pensei:
"Um cara tão persuasivo
vai percorrer um longo caminho nas corridas."
E ele percorreu.
Mas, infelizmente, nessa fase,
ele não tinha dinheiro suficiente.
Sempre foi muito caro, sempre muito difícil
encontrar dinheiro suficiente.
Tudo o que o Frank fez foi motivado pelas corridas,
por isso tive que me motivar também,
era assim que vivíamos.
E vivíamos com dinheiro apenas para sobreviver.
Deixamos de pagar o aluguel e fomos despejados,
e geralmente incomodávamos todos.
CEO DO GRUPO F1, 1976-2017
Frank jamais pensou em dinheiro.
Não entrava em sua cabeça.
Ele estava basicamente...
usando o dinheiro do patrocínio
que ganhava a cada ano, que obtinha a cada ano,
para pagar as contas do ano anterior.
E...
ele estava realmente tendo que, por exemplo,
reconstruir o motor Cosworth, ele tinha que pagar em dinheiro.
Costumávamos pagar ao Frank,
como dizem no comércio: "a conta-gotas",
que era mais ou menos...
CONSULTOR DE MARKETING DA F1
uma reconstrução do Cosworth custava cerca de 2.000 libras.
Então, todas as semanas antes do Grande Prêmio,
fazíamos um cheque
para a reconstrução do motor Cosworth.
Em 1979, não tínhamos motorhome ou caminhão.
Costumávamos alugar um caminhão
e carregar todos os contêineres
para irmos às corridas fora do país de origem da equipe.
E Roy Reader da McLaren, que era um caminhoneiro da McLaren,
tirava os carros quando chegávamos ao circuito,
pois era preciso todo mundo para pôr os carros no caminhão.
Então, no final da temporada,
estávamos vencendo corridas, então tínhamos uma renda,
mas Frank não gastava um centavo
em algo que você não precisava naquela época.
Nem um centavo.
Alugávamos uma caravana de três metros...
Mas as pessoas conheciam a equipe Williams
como canecas de chá e um pãozinho.
Não havia muita hospitalidade.
Frank poderia colocar a cabeça no travesseiro
e dormir por dez horas, seja qual fosse o problema.
Nem se os oficiais de justiça aparecessem à porta.
Ele tinha uma confiança inabalável no futuro.
O Frank era maravilhoso. Ele costumava vir me ver:
"Bernie, poderia me fazer um grande favor?"
"Sim, Frank."
"Poderia me emprestar £ 2.000?" O que era muito dinheiro.
"Claro."
Dava a ele o cheque e ele dizia: "Pago na semana que vem."
"Está bem, Frank, obrigado."
Na semana seguinte,
Frank aparecia com um cheque de £ 2.000,
falava sobre a vida em geral e, um pouco antes, dizia:
"Poderia me fazer um grande favor?
Poderia me emprestar £ 2.500?"
Mamãe desempenhou um papel fundamental na Williams.
Sempre disse que se mamãe não estivesse por perto,
a Williams não existiria. Mesmo voltando para os anos 70,
foi o dinheiro da mamãe que fazia Frank continuar
quando ele não tinha,
e os oficiais de justiça continuavam atrás dele.
Foi mamãe que vendeu seu carro, apartamento.
Mas, mesmo longe dos aspectos financeiros,
ela estava lá. Eles não dizem:
"Atrás de um homem de sucesso há sempre uma mulher forte"?
Ela sempre disse que era a maior fã da Williams,
ela se importava demais.
Eram conhecidos como circo. Não sei se ainda chamam assim,
mas éramos um pouco assim,
porque todo mundo conhecia todo mundo.
Essa foi a diferença.
Agora, por causa dos números envolvidos,
você não conhece todo mundo.
Mas conhecíamos todos os pilotos.
Acho que teria gostado muito de correr para Frank Williams.
Gostei de Frank Williams desde o início.
Se não fosse Ken Tyrrell, eu teria corrido.
E acho que teria ficado com ele.
Acho que relacionamentos de longo prazo
são absolutamente essenciais.
Entrei como maquinista
quando ele estava nessa fábrica em Reading,
depois perdeu a empresa e recomeçou em Didcot.
E eu era o 11º funcionário voltando para Didcot,
então você varria o chão, dirigia o caminhão
e fazia o que era necessário.
E isso foi fabuloso para alguém
começando no automobilismo como eu.
Você até sabia quando as contas não estavam sendo pagas
porque os oficiais de justiça apareciam.
Essa era a vida, e eu não a trocaria por nada.
Ele era absolutamente dedicado.
E enquanto o resto de nós
acabava deixando o automobilismo
e fazendo outras coisas com nossas vidas,
não havia dúvida de que Frank nunca desistiria.
Frank era muito competitivo.
Frank era...
um cara que ia vencer.
O jogo se chama vencer.
É o que motiva todos aqui.
Vencer proporciona muito moral, orgulho, autossatisfação.
Estar envolvido em corridas é a espinha dorsal de tudo,
o bônus é a vitória.
Não temos indicação do problema.
Se tivermos um grande problema com os tanques cheios amanhã,
como uma direção sólida ou algo assim.
Depois do aquecimento matinal,
só temos que nos esforçar para consertar.
Patrick quer vencer com paixão
e quer que as pessoas usem seu carro da maneira certa,
CAMPEÃO MUNDIAL DE F1, 1995
Eles colocam tempo e esforço na engenharia do melhor carro,
então eles têm que entregá-lo a esses personagens estranhos
e difíceis, às vezes, chamados de pilotos,
que têm pontos fracos,
e o tipo de piloto que ele amava eram os Jones,
os Rosbergs e os Mansells,
que pegavam um carro e torciam até a última gota dele.
Se um piloto fosse bruto em um carro
e acabasse com o carro na pista
na qualificação e extraísse o máximo disso, Frank adorava.
CAMPEÃO MUNDIAL DE F1, 1980
É difícil, é como um jóquei tentando competir
no Grand National montado em um burro.
Eu preciso de um bom cavalo.
Um bom jóquei e um bom cavalo,
assim como um bom piloto e um bom carro.
Um mau piloto em um bom carro ou vice-versa,
você não vai vencer.
Tem que ter uma combinação.
Jonesy entrou naquele ano,
mas foi tudo muito rápido.
Parecia como se não tivéssemos passado aqueles dez anos
de corridas não qualificatórias e pegando motores emprestados
de Ken Tyrrell.
Aqueles dez anos pareciam não ter existido.
De repente, estávamos lá. Não foi devagar.
Foi de cá para lá.
Fui à fábrica da Williams e conheci Patrick
que era inacreditavelmente impressionante.
E mais tarde acabou por se tornar
um dos melhores designers de Fórmula 1 de todos os tempos.
E então eles falaram sobre o carro chamado Saudia.
E naquela época, na Inglaterra,
era moda
eles jogarem Rolexes às pessoas.
Pensei: "Certo, se der errado, pegarei um Rolex ou algo assim."
E esse foi o FW06, que acabou se revelando um ótimo carro.
Era um pouco leve. Não era um carro de efeito solo.
Mas, como um carro sem efeito solo,
era um ótimo carro de se pilotar,
e podíamos ter ganhado um,
possivelmente dois Grandes Prêmios naquele carro.
Eu gostei disso,
então, é claro, no ano seguinte, Patrick desenvolveu o FW07.
E depois de Long Beach na segunda-feira,
fui até o Ontario Motor Speedway
para dirigir o 07, eu entrei e não pude acreditar.
Depois de quatro voltas, cheguei e disse:
"Agora sei por que Andretti está vencendo todas essas corridas."
A quantidade de aderência que tinha
ao entrar e sair da curva era fantástica.
E no fim das contas, acabou sendo o carro ideal.
GP DO CANADÁ, 1980 MONTREAL
Minha motivação para continuar...
Gosto de correr. Sou um piloto, muitas pessoas gostam de mim.
Só participei de automobilismo de uma forma ou de outra,
como piloto ou mecânico, e agora como concorrente.
Nunca é difícil manter a motivação pessoal lá.
Eu gostei tanto que não precisei parar e não quero parar.
Tragicamente, o acidente afetou enormemente sua vida
e deve ter prejudicado parte de seu sucesso.
GESTOR DE PATROCÍNIO DA WILLIAMS
Quando o acidente ocorreu com Frank,
estávamos testando em Ricard,
e Frank estava correndo uma meia-maratona
no domingo daquele fim de semana,
eu tinha que voltar também, então ele disse:
"Vamos juntos para o aeroporto."
E a certa altura estávamos virando
uma curva fechada, à direita,
e a traseira meio que saltou quando ele pisou no freio.
Lembro-me de ter pensado: "Ele está indo bem rápido."
A última coisa que vi foi que estávamos em direção
ao que parecia ser uma parede de pedra e iríamos bater nela.
Minha reação natural foi entrar na posição de impacto
e me enterrar o mais baixo possível na área dos pés,
esperando o impacto.
O carro chegou ao fim e subiu no ar,
apenas um silêncio completo.
Lembro-me de ter pensado:
"O que está acontecendo? Não há barulho."
E então um impacto enorme quando pousamos
com o nariz para baixo e o teto para baixo.
Havia um cheiro de combustível.
Mas estávamos de cabeça para baixo e o teto desabou,
havia coisas por toda parte,
como você pode imaginar,
todas as nossas malas, pastas e sangue, e...
Eu só pensava em tirar Frank pela parte de trás do carro,
tentando manter seu pescoço o mais estável possível.
Mas consegui tirá-lo de lá, segurando-o,
e o tempo todo ele dizia:
"Não consigo sentir minhas pernas.
Parece que elas estão flutuando."
Frank quebrou o pescoço...
e a medula espinhal na região mais alta.
E ele estava, para todos os efeitos e propósitos,
em seu leito de morte.
E foi só por cortesia de sua esposa, Ginny,
que ele não morreu.
Seus pulmões se encheram de fluido,
e Ginny estava sendo aconselhada: "Deixe-o ir."
E ela estava bombeando seus pulmões
e gritando com os médicos
para mantê-lo vivo e tudo mais.
Ele deve o resto de sua vida a Ginny,
infelizmente ela não está mais conosco.
E, eventualmente, ele começou a fazer progressos.
E ele não estava muito interessado
em fazer toda a fisioterapia
que as pessoas que têm suas lesões
deveriam estar interessadas em fazer.
Ele estava mais interessado em voltar
para uma corrida e comandar a equipe.
Foi isso que fez Frank voltar.
BEM-VINDO DE VOLTA, FRANK
GP DA GRÃ-BRETANHA, 1986
Me sinto normal.
Talvez não tão móvel quanto eu gostaria,
mas estou gostando muito de estar aqui.
Fico feliz que a equipe esteja indo muito bem sem mim,
porque eu também, ao mesmo tempo,
me sinto um pouco enferrujado.
Tudo está acontecendo um pouco rápido para mim.
Realmente acho que os pilotos se encaixam nas equipes.
Nigel fazia parte da família Williams.
Ele foi um dos últimos pilotos mais próximos da gente em idade,
aquele que teve um relacionamento com ele.
A coisa sobre Nigel, você sempre tinha essa sensação
de que ele daria 100% ou mais.
GP DA HUNGRIA, 1992
Ele provavelmente foi... Não, sem dúvida,
o mais eletrizante de todos os pilotos.
Na minha opinião, nenhum dos três anteriores
conseguiu tirar de um carro o que ele faz
quando está em uma volta de qualificação.
Ele era difícil de controlar em alguns aspectos.
Ele era muito rápido.
Ele era muito, muito rápido.
Eles queriam ir lá e fazer a sua parte.
Era um caráter bem britânico,
então foi muito divertido carregar esse tipo de sensação
de que você também carregava a bandeira.
Você não teria pensado que Damon poderia ser um campeão mundial.
Eu estava totalmente errado, mas nunca expressaria isso.
Essa é a pior coisa que você pode fazer.
Ele ficava muito quieto,
raramente, ou nunca, reclamava do carro,
simplesmente entrava e pilotava.
Em 1996, Michael foi para outra equipe
e não estava na luta pelo título,
então recebi 100% de apoio de Frank e Patrick.
Tínhamos um cara novo. Tínhamos o Jacques na equipe.
Então eles esperavam que ele demorasse
um ano para se estabelecer, que foi o que aconteceu,
e eu consegui 100% de apoio e me tornei campeão mundial,
graças ao Frank, Patrick e toda a equipe.
Lembro-me de quando Frank venceu 100 Grandes Prêmios,
e Alexander Hesketh fez um discurso,
não sei onde foi, e disse:
"Vencer um GP é difícil. Vencer 100 é extraordinário."
Não acho que essa novidade nunca passe.
Quando se vence uma corrida, a sensação é incrível.
GP DA ESPANHA, 2012
Um novo vencedor na Fórmula 1, Pastor Maldonado,
e entrou na Williams
com sua primeira vitória em Grande Prêmio
desde Juan Pablo Montoya, em 2004.
Eles percebem por que vêm competir
e por que amam a Fórmula 1.
Tínhamos ido para lá como uma família.
Foi a última corrida que nossa mãe participou,
o que é muito triste, mas fiquei feliz que ela tenha ido.
A equipe era a vida dele.
Talvez fosse a única coisa que ele tinha,
uma parte da família,
mas acho que, às vezes, era ainda mais importante.
Às vezes, eu conversava com ele, dizia:
PILOTO DA WILLIAMS, 2014-2017
"Frank, precisamos comprar...
tudo da Mercedes.
Precisamos comprar a caixa de câmbio,
precisamos comprar a suspensão."
E Frank disse: "Não posso". Eu disse: "Por quê?"
"Eu tenho todo o meu pessoal da caixa de câmbio.
Não posso despedir essas pessoas."
A equipe é sua vida.
Acho que os dois incidentes sérios de papai,
que o afetaram profundamente,
provavelmente mais do que ele jamais diria,
seria a morte de Piers.
E quando ele morreu, Piers era um grande amigo de meu pai.
Ele conheceu sua alma gêmea em Piers,
e o mesmo com Ayrton.
Eu sei o quanto meu pai adorava Ayrton
e queria por muitos anos que ele pilotasse para Williams.
Quando finalmente aconteceu,
o impensável aconteceu poucos meses depois.
Isso, para o papai, foi de partir o coração.
Eu considero a Williams uma grande equipe de Fórmula 1.
Eles têm a história, eles têm o recorde.
Atualmente, eles não têm o desempenho que deveriam.
Frank é único, mas tantos... Todo chefe de equipe é, não é?
Ron era único. Nunca haverá outro.
Nunca haverá outro Colin Chapman.
Quando você olha os resultados da Williams
em comparação com o ponto de partida,
eles não eram uma equipe de fábrica.
Eles não tinham um grande orçamento para começar.
Foi puramente por causa da determinação
e do trabalho árduo de Frank e Patrick
que os levou onde estavam.
O legado da Williams na Fórmula 1,
eu diria, deveria ser...
FILHO DE FRANK WILLIAMS
que as pessoas ainda podem se envolver no esporte
e ainda podem alcançar grandes coisas no esporte,
embora, talvez, não tenham começado com os meios para isso.
A história de papai é um daqueles contos de fadas
em que ele chegou sem nada,
e passou a realizar grandes feitos
no esporte e a dominá-lo.
Enquanto pessoas como papai estiverem lá
para provar que tudo é possível no esporte,
as pessoas continuarão assistindo.
9 CAMPEONATOS DOS CONSTRUTORES
7 CAMPEONATOS DOS PILOTOS 114 VITÓRIAS NA F1
Surpreendo as pessoas dizendo:
"Na verdade, nunca gostei de carros."
E, claro, elas não acreditam em mim.
Ron Dennis é um dos verdadeiros pioneiros da Fórmula 1.
O que adoro é fazer coisas e sou extremamente competitivo.
EX-CEO E PRESIDENTE DO GRUPO McLAREN
Então a Fórmula 1 forneceu a oportunidade perfeita
para estar em um mundo extremamente competitivo
e fazer coisas bonitas,
porque, embora nem todos os carros de Grande Prêmio
sejam esteticamente bonitos,
eles normalmente são feitos muito bem.
EX-OFICIAL DE COMUNICAÇÕES DA McLAREN
Ron é famoso pela atenção aos detalhes.
Muitos veteranos no automobilismo são.
Jackie Stewart foi e é famoso,
Bernie Ecclestone foi e é famoso,
David Richards, Flavio Briatore.
Todas essas pessoas gostam de perfeição na apresentação,
também conhecida como TOC, e Ron vai admitir isso.
Acho que, na linguagem de hoje,
sou obsessivo-compulsivo, sempre fui assim.
Mas o meu fica na minha mente
onde não vai parar de analisar, buscar a perfeição,
achar uma maneira melhor de fazer as coisas,
mas, ao mesmo tempo, em um ambiente de ordem fenomenal.
Se você abrir qualquer armário da minha casa,
todas as latas estão completamente alinhadas,
com as etiquetas apontando para a frente.
Era atenção aos detalhes.
CONSULTOR DE MARKETING DA F1
Tudo tinha que ser feito da maneira certa.
Ele conheceu Roger Penske, na verdade,
e viu a maneira como Roger fazia as coisas, comandava sua equipe.
E você pode ver que Ron estava percebendo isso
e dizendo: "Não há desculpa para o fracasso."
Eu não estaria aqui sem Roy Salvadori.
Sem dúvida.
Sem dúvida, por vários motivos,
esse foi o cara que me deu uma chance.
Esse foi o cara que me criou,
foi o cara que me explicou as coisas
e me deu uma bússola que eu seguia sozinho.
4 VITÓRIAS NA McLAREN, 1979-1985
Eu conhecia Ron há muito tempo
porque ele havia entrado na Fórmula 2 em 71
com um visual excepcional...
se quiser chamar de operação, Rondel Racing.
Ele tinha dois Brabham BT36,
e eles eram os mais bem preparados.
Pela escala do que Ron havia criado,
conseguiu patrocinadores
que lhes deram os fundos para fazer isso.
A Rondel Racing era não-oficialmente
a equipe de Fórmula 2 da Brabham.
Ron sentou-se comigo um dia e disse:
"Ouça, gostaria que você viesse
e cuidasse de patrocínios e coisas desse tipo,
e pagarei a você dez libras por semana."
Tenho que ser justo, sem Ron Tauranac
concordando em me emprestar dois carros
e algumas outras coisas se encaixando,
eu nunca teria tido sucesso.
Naquele ponto, a McLaren estava passando
por uma fase muito sombria.
Em 1979, o carro deles de efeito solo,
que deveria ser o carro dominante,
acabou sendo um McLaren, que era um M28.
Foi provavelmente um dos piores carros que a McLaren já fez.
A Marlboro, que era a principal patrocinadora da McLaren,
estava preocupada que a McLaren
tivesse perdido totalmente o enredo.
Tentei convencê-los a abandonar o patrocínio da McLaren
e patrocinar minha equipe.
A Marlboro voltou e disse: "Não, não vai acontecer."
Encontrei John Hogan e disse: "Olhe, tenho uma ideia.
Por que não compro a McLaren?"
E ele disse: "Como assim? Como vai comprar a McLaren?"
Eu disse: "Bem..."
"Se você dissesse a eles que não iria patrociná-los
a menos que eles vendessem para mim,
e, digamos, que vendessem metade para mim,
então talvez eles não encontrem outra alternativa."
Então, assim que Ron se tornasse parte da equipe
e John Barnard viesse com um tipo de conhecimento técnico,
haveria um compromisso com um método de construção
que nunca havia sido usado na Fórmula 1 anteriormente.
Por causa do efeito solo,
uma maneira de melhorá-lo era tornar as asas
do efeito solo mais largas, maiores,
ter mais área de superfície, mais downforce.
DIRETOR TÉCNICO McLAREN, 1980-1985
Para conseguir isso, tive que estreitar o chassi.
E estreitando o chassi tanto quanto eu estreitei,
teria perdido rigidez de torção
e rigidez de flexão geral do chassi.
"Como posso pôr isso de volta? Eu preciso de outro material."
Pensei: "Talvez eu deva fazer
em vez de um monocoque de alumínio,
fazer um monocoque de aço."
Mas o peso era um problema.
E então recebi um telefonema de Steve Nichols,
que eu conhecia desde o meu tempo na IndyCar.
DESIGNER DO MP4/4-McLAREN
Ele estava desenvolvendo um novo carro para o Project Four,
queria um monocoque estreito e rígido
para o tipo de carro de efeito solo
que existia na época,
e disse que queria usar um material inovador
para adicionar rigidez,
e que não conseguiram ninguém na Inglaterra
para construí-lo para ele.
Então eu disse: "Acho que está falando de fibra de carbono,
e talvez eu possa ajudá-lo, porque eu trabalhei na Hercules
e usávamos fibra de carbono nos motores do foguete
para o sistema de mísseis Trident."
Chegamos à Hercules Aeroespacial
com uma espécie de performance fumegante,
os convencemos de que com base
em que ninguém nunca ouviu falar da empresa
porque tudo o que faziam era ultrassecreto,
que este será um projeto
a que poderão orgulhosamente ser associados,
e eles obteriam algum benefício refletido.
E assim, forjamos um relacionamento incrível, e...
Os primeiros exemplos do chassi
não eram particularmente agradáveis
do ponto de vista estético,
mas eram incrivelmente
resistentes à torção, muito rígidos.
E isso se tornou o catalisador
de todo o sucesso da McLaren.
Esse projeto foi o carro
que então se tornou o McLaren MP4/1.
Tornou-se, com efeito,
o modelo para o que a Fórmula 1 faria adiante.
Eu precisava escolher alguém, considerei Niki,
e liguei para ele do nada e disse:
"Sabe, Niki, por que você não volta?"
Niki não disse sim ou não. Ele apenas disse: "Tudo bem".
Claro, ele estava no ritmo muito rápido,
e bem, o resto é História, como se costuma dizer.
GP DE PORTUGAL, 1984 ESTORIL
Ele foi o cara mais difícil de vencer.
Pelo que eu sei, o cara mais difícil.
Portanto, este campeonato é o mais importante para mim.
O Grande Prêmio de Portugal de 1984 foi...
memorável, para dizer o mínimo.
Prost foi incrivelmente positivo na derrota.
Fizemos uma festa incrível naquela noite
e, claro, ironicamente,
o Campeonato Mundial foi decidido
por meio ponto por causa da corrida de Monte Carlo.
Ron é a pessoa mais visionária com quem já trabalhei.
EX-DIRETOR TÉCNICO DA McLAREN
Ele é um cara com quem você pode conversar
e sair da sala se sentindo
verdadeiramente motivado para continuar.
A maioria de nós, se tivéssemos sorte,
ficávamos assim nas coisas.
Muitas vezes, olhamos para baixo.
Sabe, Ron parece... Ele está lá em cima.
COORDENADOR DA McLAREN, 1983-2001
Quando comecei com Ron na McLaren,
cheguei a ser gerente de pequenas equipes
como ATS, Theodore Racing e Shadow.
Eu estava sempre equilibrando o dinheiro.
Então, quando cheguei à McLaren, e Ron disse:
"Se você quer algo que deixe o carro mais rápido, compre.
Eu não me importo quanto custa. Nunca se preocupe com dinheiro.
Eu me preocupo com dinheiro,
você consegue o melhor para o time."
Nossa, foi revigorante.
GP DA AUSTRÁLIA, 1985 ADELAIDE
Eu me lembro daquela corrida em Adelaide.
Não foi má sorte. Foi uma má decisão.
Eles não pararam para trocar pneus.
E a falha do pneu não foi resultado de um furo.
Estava desgastado.
E eles tomaram a decisão errada
sobre como eles gerenciam seus pneus e quando eles trocam.
Então eu acho que...
eles perderam o Campeonato Mundial,
mas, ao mesmo tempo, nós vencemos,
não por causa da má sorte deles,
mas porque tomamos as melhores decisões.
Olhando para trás, é claro, era...
um momento de vingança para John e para mim,
por dar aquele passo tão aventureiro
no mundo da fibra de carbono.
E, é claro, agora, não apenas em todos os carros de Fórmula 1,
mas na maioria dos carros de competição,
você está muito melhor...
amarrado a uma célula de sobrevivência
do que qualquer outro tipo de acidente.
A melhor coisa em Ayrton era inteligência e racionalidade.
Então, por mais que ele tivesse o antigo talento brasileiro,
você poderia ter conversas incrivelmente profundas com ele.
Acho que eu o entendia...
melhor do que qualquer outra pessoa no planeta...
porque eu estava em um período de sua vida
que foi o mais intenso, todo o sucesso de sua vida,
e o vi lutar com coisas que nunca emergiram,
porque eram coisas que nunca se tornavam públicas
na vitória de corridas de Grande Prêmio.
Muitas coisas aconteceram em sua vida particular
que eu consegui ajudá-lo,
tanto como amigo,
mas também como alguém que senti que o orientou bem
durante algumas das crises em sua vida.
O mais importante para todos nós é guardar os bons momentos.
E eu me diverti muito.
Os recordes falam por si,
os resultados, os campeonatos.
E deixo amigos no caminho.
É a melhor maneira de se fazer, deixando amigos no caminho,
vencendo a última corrida,
enfrentando uma temporada extremamente difícil
pelos motivos técnicos que todos nós conhecemos
e vencendo cinco corridas.
É extraordinário.
A visão de Ron significava que ele podia ver
alguém como Lewis quando adolescente,
158 CORRIDAS NA F1
iindo tão bem no kart.
E quem sabe para onde a carreira de Lewis teria ido
se Ron não o tivesse escolhido e ajudado por esses estágios
no que era então um carro vencedor de Fórmula 1.
Eu conheci Ron em 1995,
HEPTACAMPEÃO MUNDIAL DA F1
e meu pai falava: "Esse é o cara que construiu os carros
que Ayrton costumava correr, as McLarens."
E eu era um grande fã de ver Ayrton competir com eles,
e esse era o meu sonho.
Provavelmente, o MP4/4 era o carro dos meus sonhos,
então pensei: "Esse é o cara com quem preciso falar".
Ele pediu meu autógrafo.
Dois anos depois, ele voltou e pediu meu autógrafo novamente.
E havia uma espécie de brilho e determinação em seu rosto.
Agora, naquela época,
eu estava um pouco entediado. Essa é a verdade.
Eu meio que disse: "Pensei sobre isso.
O negócio é o seguinte,
vou patrocinar suas futuras temporadas.
Mas você tem que entender, tem que fazer tudo o que digo."
Então, para sua decepção, eu disse:
"A primeira coisa é voltar para a escola."
No início, quando fui contratado,
não senti nenhuma pressão.
Mas quando percebi a oportunidade que tive
nos anos seguintes...
senti muita pressão.
Não era tanto sobre forçá-lo a estudar.
Era mais para mantê-lo em uma vida normal.
Agora, ele criou uma oportunidade para mim
que ninguém mais,
na bondade de seu coração, tinha feito.
Falamos com tantas pessoas.
É interessante hoje, vejo pessoas que agora me apoiam,
que, naquela época, quando tentávamos
lhes vender o sonho de fazer parte
de ser o primeiro piloto negro de F1, família negra no esporte,
eles não nos apoiaram,
ou pensavam que era impossível, ou eles riram, ou...
Agora eles nos apoiam.
Mas Ron foi o único que viu algo em mim que ninguém mais viu.
Eu me sinto eternamente em dívida com ele
e sempre terei um grande amor por Ron.
GP DE MÔNACO, 2006
Você venceu o GP2. Acha que pode estar aqui no próximo ano?
Espero. É uma sensação fantástica estar aqui.
Espero poder sentar lá no próximo ano.
Acha que estará totalmente pronto para isso?
Acredito que sim.
Fui até o Fernando e disse a ele:
"A propósito, decidi colocar o Lewis no carro."
Ele pensou por um momento e disse:
"Você não quer ganhar os construtores?"
O que significa que ele não sentiu
que Lewis seria uma grande ameaça
ou um artilheiro de pontos,
eu olho para trás e sorrio agora,
porque ele estava tão enganado.
GP DO BRASIL, 2008 SÃO PAULO
Minha memória da corrida é vívida.
Foi um risco calculado.
Sabíamos que tínhamos que estar em boa posição com os pneus
no fim da corrida.
E... quase deu errado,
mas não deu.
Faltavam duas curvas para o fim quando Lewis foi ultrapassado.
Sim, as pessoas demoraram a ver o que estava acontecendo.
E, certamente, a Ferrari demorou a perceber também.
Mas nós não demoramos.
Nós sabíamos onde tínhamos que acabar, e foi o que fizemos.
O que não era característico da McLaren,
começamos com base em:
"Vamos vencer o Campeonato, não se preocupe com a corrida."
O Campeonato do Mundo
é conquistado ao longo de toda a temporada.
Há pouquíssimas pessoas
que realmente entendem o que é preciso
para vencer de forma consistente na Fórmula 1.
Há muitas pessoas que acreditam que entendem.
Mas isso só torna a vitória um pouco mais fácil.
Aquele fim de semana em particular,
aquela última volta em particular,
teve sua cota de emoção,
mas não me senti nem um pouco sortudo
por sair daquela corrida vitorioso.
Ron, como chefe da equipe, venceu mais corridas
e mais Campeonatos Mundiais do que qualquer um,
incluindo Enzo Ferrari, incluindo Colin Chapman.
Esse é o lugar de Ron na História da Fórmula 1.
Não dá para dizer melhor do que isso.
CAMPEÃO MUNDIAL, 2009
As conquistas de Ron na McLaren foram surreais,
de onde ele tirou aquela equipe e no que a transformou.
E o calor dentro da McLaren sob Ron...
impossível de discernir de fora, era muito real.
Ele conquistou muito em sua longa carreira na Fórmula 1.
Você tem que lembrar que a Fórmula 1,
dos anos 80 aos 90 até agora,
mudou muito, mas ele sempre esteve lá, lutando.
Nossa equipe tem um ótimo desempenho.
São todos os caras da fábrica, a equipe que se esforçou muito.
Fazer um pit stop de sete segundos após trabalhar tanto...
é um crédito para todos eles.
E é bom fazer parte disso.
Ao longo de minha história na McLaren,
eu costumava dizer às pessoas
que a McLaren, se fosse um livro,
eu seria apenas um capítulo.
O melhor momento para mim...
foi o dia em que parti, em primeiro de junho de 2017,
porque foi o ponto final do meu capítulo.
Não foi negativo.
E foi exatamente o final...
em que senti que estava completo.
No dia seguinte, me levantei totalmente focado
em todas as outras coisas que queria fazer na minha vida.
7 CAMPEONATOS DE CONSTRUTORES
10 CAMPEONATOS DE PILOTOS 158 VITÓRIAS NA F1
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