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O ÚLTIMO PEDIDO
O corpo de Cristo.
Produção
Irmão Natale...
Irmão Natale!
Argumento e Realização
Toca a acordar, amigo.
Entre.
Jeff, a tua mãe está ao telefone.
- Olá, mãe. - Não sei o que fazer contigo, filho.
Desejei-te todas as coisas boas e maravilhosas da vida
e tu viraste-lhes as coisas para seres padre.
Temos que falar nisso agora?
Afinal, tu és o meu segundo filho favorito.
A mãe só tem dois filhos.
Tenho algo muito importante para falar contigo e com o teu irmão.
Podes ligar ao Tom?
Detesto ser eu a ter que acordá-lo. Ele fica rabugento.
- Que foi isso? - É só a avó.
Diga-lhe que mando beijinhos.
O Jeff manda beijinhos.
Olá!
Podes ir atender?
Acho que o telefone está debaixo dos peitos da Jackie.
Mas quando entrei na cama, não tive que esconder as mamas no colchão.
Pelo menos, as minhas nunca assustaram ninguém.
Podem parar de discutir e atender?
Pronto!
Que deixe recado, estou ocupado.
- Estou? - Olá!
Desculpe, o Tom está estafado...
quero dizer, ocupado. Estou?
Desliga.
Mas é o Papa.
Olá, Madre Teresa. Que se passa?
- Tem a certeza que não quer nada? - Estou óptima.
Deve ser o Tom.
Acho que devia ser eu a falar com os rapazes.
Está bem. O senhor é o médico.
Olá, mãe.
Olá, Tom.
Olá, mãe.
Olá, Jeff.
Olá, avó.
Que camisola bonita.
- Olá, avó. - Olá...
A avó parece estar com frio.
Pronto, assim está melhor.
- Que bom. - Venham, meninos.
O Dr. Davis está à espera na sala.
O Dr. Davis? Do que se trata? Passa-se algo com o pai?
O Dr. irá dizer-te.
- Olá, Tom. - Olá. Como vai isso?
Entrem, rapazes. Sentem-se.
Tenho uma coisa para vos dizer.
Não existe uma forma perfeita para dizer isto, por isso...
O vosso pai...
- Duas palavras? - Sim.
É o título de um filme?
Uma frase!
- A primeira palavra pequena... - Uma palavra pequena.
''Está''!
''O pai está...''
- Em choque. - O pai está a levantar-se.
O vosso pai está a segurar numa mama.
Adormeceu.
O vosso pai parece um idiota a dormir.
O vosso pai está bêbado.
O vosso pai está feio e vai fazer uma plástica.
Parece lente de contacto.
Tem uma coisa no olho.
O olho do vosso pai precisa de dormir.
Por amor de Deus! O vosso pai está a morrer!
- Morrer! - Morrer!
É isso!
''O vosso pai está a morrer''. Podias ter percebido há mais tempo.
- Era fácil. - Era muito fácil.
Todas esta emoção pode acordar um morto.
Ou alguém... quase... morto.
Meu Deus!
- O nosso pai está a morrer? - Receio que sim.
Quanto tempo lhe resta?
Alguns meses, no máximo.
Tem uma doença rara no sangue.
O sangue dele está a fermentar, como o vinho.
No fim, já não irá sentir dor.
Meu Deus, mãe...
Recuso-me a ver o lado negativo.
Não penso nisto como ''ir perder um marido''.
Penso nisto como ''vou ter uma sala de costura''.
Ele sabe?
Como se consegue esconder alguma coisa àquele homem?
É o mesmo casmurro que me faz rir há 40 anos.
Para ele, morrer é uma fonte de material para fazer comédia.
Entrem.
Já não era sem tempo.
Estou a ir-me depressa. Rapazes, olhem!
- Em perfeito estilo! - Pai...
Vamos abrir a veia e festejar.
Vamos fazer um brinde ao futuro!
A morte... a morte não é o fim da vida,
- é o início de nada! - Pai, pare com isso.
Não tens que ficar triste, Jeff.
Ainda tenho muito tempo para dizer à vossa mãe que tenho 6 meses de vida.
Eu sei como ela detesta que as coisas se prolonguem.
Admito que, por vezes, a mãe consegue ser chata.
Estás a brincar? A tua mãe adora atormentar-me.
Na nossa noite de núpcias, num momento de paixão,
ela gritou: ''Esta não é a minha primeira vez!''
Pai, não me parece que precisamos de saber disso.
Tens razão, Jeff.
Deixem-me ir directo ao assunto.
Tenho algo sério para falar convosco.
Estamos aqui, pai.
Eis o que eu peço:
antes de eu receber a minha justa recompensa,
a qual espero que sejam duas das miúdas mais doces,
quero que um de vós se case.
E se Deus me levar, antes de engravidarem a vossa mulher,
pelo menos terei a vossa promessa que irão ter um filhote,
para que eu possa ir para debaixo da terra sabendo
que um pimpolho irá dar continuidade ao nosso nome.
Espere lá, pai.
- E se for uma menina? - Estás a brincar?
A última rapariga que nasceu na família Natale foi há 6 gerações
e era de fibra.
- Pai, eu não posso, porque... - Claro, o presbitério deixa-te de fora.
Pronto, pai. Se isso o faz feliz, se é assim tão importante para si, está feito.
Claro que é importante para mim. É o meu último pedido.
Não se brinca com o último pedido.
Podia ter-vos pedido qualquer coisa que eu quisesse.
Tal como ser enterrado com uma caixa de pastilhas elásticas.
- Uma caixa de pastilhas?! - Uma caixa de pastilhas?!
Claro. É muito tempo para ficar sem um cigarro.
O pai é o maior!
Mas como consegue, pai?
- Se não beberem muito. - Não é isso.
Ele refere-se ao seu sentido de humor, como o mantém?
Vocês fazem-me feliz. Dá-me essa revista.
Uma revista sobre doenças terminais?
A única revista onde podemos acabar primeiro que a assinatura.
Desculpem.
- Eu disse "Ámen"! - Amém!
Ajoelhem-se!
Bater com a mão no peito!
Levantem-se!
- Eu disse ''Amém''! - Amém!
Vais ficar bem, miúdo?
Tom, tens a certeza que queres fazer isto?
Talvez eu deva reconsiderar ir para padre.
Às vezes não sei se tenho vocação.
Isso é algo que tens que perceber sozinho.
Para mim, o pai tem razão. Eu devia assentar.
Tenho ido a um terapeuta. O Dr. Joey Vaughn.
Sabes porque durmo com uma mulher diferente todas as noites?
Porque ainda não encontraste a mulher certa.
Encontrei.
- O quê? - Acho que estou apaixonado.
- Por quem? - Pela Maria Luna.
- A cantora de ópera? - Sim. Pela primeira vez,
conheci alguém que não consigo tirar da cabeça.
Não sei se devo chorar por causa do pai o por estar feliz por ti.
Nada de lágrimas, maninho. Vai correr tudo bem.
Olá, Mrs. Natale.
Quer que a leve ao colo ou que traga a cama para aqui?
Não. Eu gosto da cama onde ela está.
Se tivesse mais espelhos, pensaria que estava na feira popular.
Na faculdade pus um espelho por cima da cama,
mas não ajudou. Continuei a precisar de uma mulher.
Agora, a única mulher da qual irás precisar...
sou eu.
Meu Deus!
- Thomas... - O que é?
Gosto muito,
mas vou pegar na tua mão e deixá-la aqui durante 3 segundos.
Gosto disso.
Agora com o indicador!
No sentido dos ponteiros!
Mais depressa!
Em semicírculo!
Agora, em quadrado!
Em ângulo de 45 graus! Um triângulo isósceles!
Olá, mãe.
Olá, Tom.
Mãe, é Jeff.
O Tom já não está connosco.
Acreditas que já passaram duas semanas desde que o Tom faleceu
- e este vestido não amarrota? - Isso é espantoso.
Estou sempre a pensar no belo elogio fúnebre que o Padre Brice fez.
Só gostava que o teu pai não estivesse sempre a gritar: ''Sou o próximo''.
Jeff, podes levantar a cabeça da avó?
Claro. Olá, avó.
Sente-se bem, pai?
Referes-te, além de estar a morrer? Estou em óptima forma.
Porque está a fazer essas caretas?
Estou a tentar ver a expressão com a qual quero ser enterrado.
Que tal esta?
- Esta? - Não.
- E esta? - Perfeita.
Jeff, tenho uma coisa importante para falar contigo.
Vou dizer-te com meiguice.
Quero que deixes o seminário e dês uma queca.
Pai... sabe o que está a pedir-me para eu fazer?
Nada que eu não fizesse pelo meu pobre pai moribundo.
Eu dedico a minha vida a servir Deus.
Jeff, Deus nem sequer sabe quem tu és.
Isso não é verdade! Ele conhece todos os Seus filhos.
Ai sim? Ele já te ligou? Ou enviou-te um postal?
E um email? E se somos todos filhos de Deus,
porque fui eu que paguei o teu aparelho dos dentes?
Porque acha que os homens se tornam padres?
Porque é a forma social mais aceitável de se beber vinho barato de graça.
- Não? - A ''bolachinhas'' de graça?
Ainda estás cá! Pensei que já tinhas saído.
- Cheguei há pouco tempo. - Não te demores muito, querido.
Não queres estragar as boas-vindas. O teu pai está muito doente.
- Admira-me que tenhas reparado. - É claro que reparo.
Porque razão estaria a deitar fora as tuas roupas, tolinho?
De facto, queria perguntar-te,
qual o fato que devo guardar para o teu enterro?
Espero que não seja o cinzento.
Está tão fora de moda, que eu ficaria envergonhada.
Avisa-me. Não queremos esperar até ao último minuto.
Qual é a piada?
Este podia ser o último minuto.
Apanhei-vos!
Gostaria que não fizesse isso.
Tens razão. Não quero dar tantas esperanças à tua mãe.
Isso lembrou-me que tenho que arranjar um vestido preto mais comprido.
Não se deve mostrar muito as pernas no funeral do marido.
Talvez ela não seja tão má como dizem.
- Talvez. - É, sim.
Pai, eu quero ajudá-lo.
- Mas eu quero ser padre. - Escuta, filho...
Pensa porque queres ser padre.
E seja qual for a tua decisão, eu apoio-te.
E se não fizeres como eu quero, irei assombrar-te o resto da vida.
Estou só a brincar, filho.
Eu sei. Vou pensar nisso, prometo.
Mas não penses durante muito tempo.
Muito em breve estarão e ensopar-me em formol.
Que tal esta?
- O que temos na turma? - Pecadores, padre.
- Não ouvi! - Pecadores, padre!
- Os pecadores vão para onde? - Para o Inferno, padre.
- Não vos oiço! - Para o Inferno, padre!
- Por quanto tempo? - Por toda a eternidade, padre.
- Não vos oiço! - Por toda a eternidade, padre!
- E o que vamos fazer? - Salvá-los, padre.
- Não vos oiço! - Salvá-los, padre!
- Não te oiço! - Salvá-los, padre!
És feliz aqui?
Não me parece!
- Pago para ver e subo três. - Eu estou fora.
Vou a jogo. Pago para ver esse bluff.
Viva, Jeff!
- Queres sentar-te? - Não, obrigado. Olá, padres.
Padre, podia falar um instante consigo?
Claro. Dêem-nos uns instantes.
Eu guardo o jogo.
Como estás?
Só quero agradecer-lhe por tudo o que fez.
E lamento tê-lo desapontado a si e à Igreja.
Tu não desapontaste ninguém.
Só acho que Deus tem um plano diferente para ti.
Vou sentir a sua falta, padre.
Também eu.
Podes emprestar-me umas...
Claro.
Acho que não irei precisar mais delas.
Obrigado.
- Posso ver o seu bilhete, por favor? - Bilhete?
Humor de cinema.
Entre.
- Sente-se na primeira fila. - Obrigado.
O mundo lá fora pode parecer um pouco piroso,
mas faz estes atores maravilhosos reformados parecerem no activo.
- Pipocas? - Não, obrigado.
É uma doação do Paul Newman.
Gostaria de lhe dar as boas-vindas ao nosso pequeno grupo.
Tentamos que o espectáculo continue, sempre que possível.
O seu pai fez-lhe uma crítica tão boa, que conseguiu o papel sem audição.
Eu gosto de velhos.
''Velhos''? Nada disso.
Gostamos de chamar aos nossos atores ''idosos''.
Era a minha antiga imagem.
Tentei ser actor, mas pode ver pelo ar da minha cara, que eu era infeliz.
Nunca cheguei perto, de chegar perto.
Como tinha gosto, podia ser agente
e como sabia ler podia ser um executivo de um estúdio.
Devia ter percebido, mais cedo, que estava a iludir-me,
quando representava a minha peça no terceiro ano
e fui vaiado para fora do palco pelos meus pais.
Devia ter ficado traumatizado, mas não fiquei.
Eu era teimoso, era forte.
Foram precisas mil rejeições, até eu voltar para a faculdade e acabar aqui.
E adoro o meu trabalho.
Vamos pô-lo a fazer um pouco de tudo e veremos se o escolhemos.
Parece-me bem.
Creio que o sorriso é uma das grandes ferramentas de um actor.
Assim, todas as noites encorajamos o nosso elenco
a deixarem as dentaduras à porta, para serem limpas pelo nosso pessoal.
Cada copo tem um número que corresponde ao quarto.
De manhã, devolvemo-las a brilharem como novas.
Isso deixou a Martha Raye muito feliz, mas teve um ataque durante 5 dias.
Lá vem o oxigénio ambulante, ao passo do seu ''pacemaker''.
Olá, Martin. Como se sente o nosso actor principal?
Esplêndido, caro rapaz... Esplêndido! Nunca estive melhor.
É só uma questão de tempo e voltarei a estar no auge.
Parece que o meu agente está a ligar-me.
Pensei que ele tinha morrido.
Não. O que morreu foi a minha carreira.
- Olá, lindinho. - Olá, Faye. Está linda!
Falo em verso, porque ela fez muito Molière no início da carreira.
Quem é esse rapazinho?
É o Jeffry, o novo membro do nosso grupinho.
- Já começaste, docinho. - Só na segunda-feira.
- Bom dia, Faye. - Então, vem ver-me na segunda.
Tornarei a tua estreia muito feliz.
Podes tirar-lhes o sangue, que eles não param.
- Mr. Oliver! - Manny!
Mr. Oliver, segui o seu conselho e escrevi um musical novo
- e é um sucesso! - Um sucesso... que bom.
Uma visão actual...
Cantando na chuva ácida...
Deixa-me dar uma olhadela a esta obra... genial.
Sente a falta dele, não sente?
O Inkie não era apenas o maior ventríloquo da MGM,
mas também o melhor amante que alguma vez tive.
E aquilo que ele tinha, o boneco dele faz-me a mim,
enquanto o Inkie bebe água.
Eu também sou muito boa ventríloquo.
Nunca mexo os lábios.
- Tens que mostrar-me. - Sem dúvida.
A grande Cathy é a primeira grande ventríloquo com mente de boneco.
Diz olá à Alice, Benny.
Não.
Não podes? Porquê?
Está fechado numa caixa.
Aquela pequena estrela além é a Cathy.
Além de ser o nosso alívio através da comédia,
é o nosso amuleto da sorte.
É assistente social, professora de teatro, artista...
Dêem-lhe um papel e ela é uma Carol Lombard,
uma Jean HarIow, uma Jane MansfieId...
Deixe-me apresentá-la.
Cathy, quero apresentar-te o Jeff.
Prazer em conhecer-te, Jeff.
Bem-vindo à nossa pequena companhia.
Obrigado.
E esta estrela de cinema maravilhosa é Alice Rudolf.
A Alice Rudolf de '' A Vingança da Múmia da Cunhada'',
que foi cancelada logo após a estreia, mas que mostrou o seu talento.
Muito prazer em conhecê-lo.
Igualmente.
Tenho artrite na mão!
Não te preocupes. A dor vai-se embora em poucos minutos.
Faz-me lembrar a ocasião em que pisei o pé à Judy GarIand.
Nunca mais me esqueço. Estávamos em 1961, no Carnegie HaII.
E se reparar nela em 1962, vê que começou a andar de lado.
Assim... E as pessoas pensavam que era devido a um personagem.
Mas era ela assim: ''Os meus dedos, os meus dedos''...
Lembra-se daquela grande canção?
A andar de lado, porque eu lhe pisara o pé. Foi por minha causa.
Aquele cunho pessoal no andar foi por minha causa.
Jeff!
Jeff Natale!
Sou eu, o Big Joe.
Conheci-te no casamento do teu irmão.
Anda, deixa-me pagar-te um copo.
Obrigado.
Vai actuar na próxima semana. Até o teu irmão lhe era fiel.
Anda lá!
A Madrinha do Sexo
Estou disposto a pagar a entrada.
Nem pensar. O Tom era um amigo e fazia tudo para agradar ao gerente.
As nossas miúdas irão sentir a falta dele.
Dormiu com várias, ao mesmo tempo.
- Ofereço-te uma ''Iap dance''. - Não... Eu... eu...
É uma forma das miúdas mostrarem a sua gratidão ao teu irmão.
Andrea, anda fazer o que sabes ao irmãozinho do Tom.
Não, não... Não é preciso.
Eu, eu... Estou óptimo. Estou mesmo óptimo!
Eu tenho um colo fraco. Obrigado, a sério...
Aproveita.
Encosta-te, homenzinho!
Ela é alérgica a esse perfume barato! Desaparece daqui!
Eu acredito no catolicismo.
Agora, o meu pai está a morrer
e, como um bom católico, prometo cumprir o seu último pedido.
Mas receio que nenhuma rapariga me queira.
E o tempo está a esgotar-se.
Porque não vieste ter comigo primeiro, em vez de ires àquele bar?
Por favor, faça o que eu quero que faça.
Já nos conhecemos há muitos anos,
mas esta é a primeira vez que recorres a mim pelo sexo.
Vamos ser francos:
tinhas medo de vir para a minha cama.
- Não queria apanhar uma doença. - E agora vens ter comigo
e dizes: ''Dona Corleone, abre as tuas pernas longas, dá-me tudo''.
Mas não mostras respeito.
Nem te ocorreu chamares-me... Madrinha.
- O meu pai está a morrer. - Ele ainda está vivo!
O que te fiz para me tratares com tanto desrespeito?
Se viesses ter comigo por amizade em vez de desespero,
o teu esperma estaria a fertilizar os meus ovos, hoje mesmo.
Seja minha amiga, Madrinha.
Com a língua, como um homem! Não como um choramingas.
Um dia irei chamar-te para me fazeres um serviço.
Talvez algo que venha no ''Kamasutra''.
Mas até esse dia, aceita este presente.
A Dona Corleone manda cumprimentos.
Dr. Joey Vaughn Psicólogo
Avise-me, se precisar de alguma coisa.
O Dr. Vaughn irá recebê-lo dentro de instantes.
Boa noite, Jeff. Sou o Dr. Vaughn.
Os meus amigos chama-me Dr. Joey.
Bem-vindo ao belo consultório, localizado no alto do 12º. andar
da escola de Medicina das Artes.
Tem problemas? Não se preocupe.
O Dr. Joey preocupa-se sinceramente.
Desculpe, pode dizer-me um fica o 515 da Rua 72?
É aqui.
Não pode ser. Devia ser um consultório de psiquiatra.
Vieste ao lugar certo, miúdo. Procuras o meu irmão.
- Ângelo? - O que foi?
Está aqui uma pessoa para ti.
- Deves ser o Jeff Natale? - Sou.
Desculpa o meu aspecto.
Ando a dar uma mão ao meu irmão aqui na loja.
Partilhamos o espaço, pois as rendas são muito altas.
Anda até lá atrás.
Põe-te à vontade.
Aí.
Fica cómodo.
- Sabes o que isso significa? - Não.
Senta esse rabo e relaxa.
Diz-me o que te preocupa.
- Por onde começo? - Por relaxares um pouco.
Olha para o teu estado!
- Dá cá o teu pé. - Não é preciso.
Vá lá! Vou engraxá-los muito bem, de graça.
Está bem.
É como dizem: "Sapatos sombrios, mente sombria''.
Ninguém diz isto, eu inventei para te sentires mais confortável.
- Estás bem? - Estou óptimo.
Muito bem... Fala comigo.
Ultimamente, tenho tido uns sonhos estranhos.
- Vieste ao lugar certo. - Assim que deixei o seminário
tive um sonho em que estava a nascer.
À medida que ia saindo, ouvia a minha mãe gritar:
''Sai e fica lá fora!''
O que raio achas que isso significa?
Que a minha mãe estava a dizer-me para me afastar das mulheres.
Sexualmente falando.
Dá-me o outro pé.
Antes de fazeres um sapato, tens que aprender a coser, certo?
Tu, meu jovem amigo, tens que ir conhecer uma garinas... mulheres.
- Gostas de garinas, certo? - Claro.
Vais para a cama, relaxas um pouco... Que se passa? Tens medo?
- Não creio que consiga fazer isso. - Porquê? Qual é o problema?
Antes do seminário, eu estava numa das festas do meu irmão
e uma rapariga ninfomaníaca bissexual disse-me que eu não era o tipo dela.
Isso acontece-nos a todos, Jeff.
Sim... a alguns de nós.
Na verdade, a 1 ou 2 em 3 milhões.
Normalmente aos tipos feios e deformados,
o que te põe na dianteira do jogo. Vais vencer isto e sabes porquê?
Se puderes, tens o formato de cabeça perfeito para uma lobotomia frontal.
Estou a brincar. Os sapatos estão como novos.
Agora, põe-te a andar.
Jeff... garinas.
É só um segundo!
Quem é?
É a Nancy Dalton, a vizinha do 3C.
Conhecemo-nos no ano passado.
Eu ia a sair do quarto do Tom
e, por engano, pensei que eras o meu marido.
Lembraste-me para eu vestir a minha blusa.
Pois foi... Bem achei que me parecias familiar.
Posso entrar?
Claro.
- Olá. - Como estás, borrachinho?
Entra.
Já entrei.
Claro... Desculpa.
Não peças desculpa.
Vim dar-te as boas-vindas ao prédio.
É um lugar fantástico.
Quase impossível de se conseguir. Ninguém se muda.
Temos que esperar que alguém morra.
- Lamento imenso. - Não faz mal
- É macho, não é? - É. Como sabes?
Tive Muito Bom a Biologia.
Isso é óptimo.
Mas, aqui entre nós, copiei um bocadinho.
E o meu professor tinha um fraquinho por mim, por isso...
...na aula referia-me ao órgão genital masculino como ''relaxador da língua''.
Bom...
Adorava passar a noite,
mas eras capaz de ficar com a impressão errada.
Espero que possamos ser bons amigos.
Muito... bons...
amigos.
Adeus.
Adeus...
- És o bebé Jeff dos "Virgens"? - Isso mesmo, pai.
Posso fazer algo por si?
Podias engravidar uma pelo pai?
Vá lá, Jeff! Vamos levar o bebé para casa.
Estou?
Estou?
Sei que está aí alguém.
Vou desligar, se não falar.
Jeff, sou eu!
Só queria que soubesses como irá ser quando eu morrer.
Espera um segundo.
- Excelente. - Desculpa, Jeff.
Estava só a fazer uns postais para enviar aos parentes, quando esticar o pernil.
Achas que podes pô-los no correio?
- Claro. Como se sente? - Óptimo, óptimo...
Sinto-me como se pudesse viver mais três semanas,
- mais dia, menos dia. - Foi para isso que me ligou?
Não, não... Há umas coisas que me preocupam.
Primeiro: estava a sentir-me um pouco culpado.
Culpado do quê?
Estava a pensar se o teu problema sexual
seria porque, quando eras criança, me viste a fazer sexo com a mãe?
- Vi? - Viste. Mas a culpa não foi tua.
Não sabias que estávamos no carro.
Fico contente em dizer, não me lembro de nada disso.
Filho, não há nada de mal no sexo!
A tua mãe acha que o sexo é uma experiência muito especial,
que nunca deve ser partilhada com ninguém.
- Pai... - Jeff, tenho uma pergunta muito delicada.
Passaste a noite passada com uma garina a terem sensações animais?
- Estou a tentar, pai. - Eu sei que estás a tentar,
mas tens que ser mais agressivo.
Sabes, quando eu tinha a tua idade era bastante agressivo.
Uma vez fiz amor com duas. Sim!
Duas mulheres ao mesmo tempo.
Quase morri de exaustão. As camas estavam muito afastadas.
Escuta, miúdo...
Deixa-as apenas ver quem tu és.
E irão gostar de ti.
- Sim? - Sim, o quê?
Qual é a parte anedótica?
Para ti tudo tem que ser uma piada?
NÃO DÊEM DE COMER AO CADÁVER
Perfeito!
Parem a música!
- Estou bem. Foi só... - Magoou a perna?
Vai já ficar boa, jovem.
Chama-me ''jovem'' novamente e eu entrego o cheque da minha pensão.
Eu ajudo-a a levantar-se.
- Já está boa? - Queres dançar?
Desculpa.
- És um péssimo dançarino. - Eu sei.
Devido à recessão, tivemos que cortar nalgumas coisas.
Só temos um garfo e tivemos que pôr as vossas refeições no mesmo prato.
Bom apetite!
Comece você.
Mãe, tenho que dizer-lhe uma coisa.
É um tanto difícil para mim dizer.
Jeff, se vale mesmo a pena, não sei se devia ser dito por ti, querido.
Estás sempre a mastigar as palavras.
Metade das vezes, não entendo uma palavra do que dizes.
Tem mesmo importância?
O Ângelo tem razão. Não admira que tenha medo de falar com mulheres.
Está delicioso!
- Ângelo? - É o meu psiquiatra.
O teu psiquiatra? Tu vais a um médico dos malucos?
''Meu filho, o tolo'', fica-te bem.
Muito bem, porque vais ao médico dos malucos?
Porque tenho alguns problemas.
Todos temos problemas.
Estou esfomeada.
Mãe, pouse o garfo.
Tenho uma pergunta que lhe quero fazer.
Está bem. Uma pergunta. Se não vai terminar, vou tirar uma tira de bacon.
A mãe ama-me?
- Espero que se engasgue. - Mãe!
Oiça-me. Eu quero saber. A mãe ama-me?
Mãe?
Estou a pensar.
- Podes repetir a pergunta? - Está a tentar evitar isto.
Pronto, pronto... Se te amo?
Essa é uma boa pergunta, querido.
Se não amo, estou apenas a esta distância.
Isto responde à tua pergunta, querido?
Mesmo que não te ame, e não estou a dizer que não amo,
o amor é apenas um sentimento.
E se pegasses em todo o amor do mundo e o juntasses,
mesmo assim não seria um sentimento tão forte como enjoar no mar.
- Queres um pedaço? - Não.
Jeff, para as coisas resultarem melhor com a tua mãe,
devias fazer as coisas ao contrário.
Saíres com umas miúdas, talvez te aliviasse um pouco.
É como usar um par de sapatos novos. No início ficam apertados,
depois vão-se moldando ao pé.
Estás cansado da minha ''terapia de sapateiro''?
Parece que existe aqui um fetiche com pés, certo?
É claro que gosto de saltos-agulha e de meias de rede nas miúdas,
mas essa é outra história.
Sai com umas miúdas, fala com a tua mãe...
- Assim, irá ser muito fácil. - Eu estou a tentar.
E estás a melhorar. Estás livre no sábado à noite?
Estou livre todos os sábados à noite, porquê?
Porque te acho muito atraente e gostaria de enfiar a minha língua pela tua goela.
Estou a gozar contigo! Tens que relaxar.
Tenho uma sobrinha que quero apresentar-te.
Já lhe disse que pus um anúncio?
Isso é bom, mas é outro assunto.
Deixa-me apresentar-te à filha da minha irmã, a Karen.
Muito gira, nova na cidade, sem nenhuma pressão. Muito simples.
E sabes que mais? Capas e atacadores novos por minha conta.
Está bem.
Pode ser.
Desculpe, ainda está a dar consulta?
Olá, Mr. Pitiful (patético), pode entrar.
O nome dele é John, mas gosta que lhe chamem Mr. Pitiful.
Achas que tens problemas? Este tipo é um marado do caraças.
Mr. Pitiful, este é o Jeff. Vou buscar o número. Já volto.
O Ângelo é um tipo porreiro, não é?
É. Deu-me Prosac.
- Que bom. - Está a resultar.
Já me sinto muito bem, quanto a cometer suicídio.
Aqui está a minha nova actriz principal e o meu novo actor principal Jeff.
Olhem para vocês os dois! Tal Crawford e Gable.
Hepburn e Tracy.
Travolta e Turman.
Quero elogiar-te pelo trabalho que estás a fazer
no ''As Lésbicas Vintage''.
Estás a transformar um filme B, num êxito de bilheteira.
Se ficássemos carecas, davas-nos implantes de cabelo.
Obrigado, Mr. Oliver.
Continua a fazer um bom trabalho
e talvez tenha que dar-te todo o cabeçalho na nossa nova brochura.
''Jeffry Natale em ''Música para dançar e senilidade''!
O homem é chanfrado, mas reconhece o talento.
Aposto que irá arranjar-te uma estreia, em breve.
- Isso seria óptimo. - Duvido.
Não é uma foto lisonjeira.
Não está assim tão mal
Talvez devesse ter tirado de perfil.
Qual achas que é o meu melhor lado?
São ambos bons, mas acho que o teu melhor lado é o interior.
Que amoroso.
Olá, mãe. Como está o pai?
O teu pai não se sente muito bem,
por isso mandou fazer o seu último retrato.
Fico lisonjeada, mas não gosto de retratistas da polícia.
- Que tipo de queixo disse que ele tinha? - Não é um queixo muito largo...
Esse está muito fino.
Mais arredondado.
Sim, isso mesmo.
- Acho que termino isto mais tarde. - Vamos acabar aquela charro.
- Olá, pai. - Jeff, a minha última esperança.
Não és impotente, pois não?
Gostaste do meu retrato?
Está óptimo.
Sabes, Jeff, quando vamos morrer, tendemos a ficar sentimentais.
E eu estava a pensar no quanto vou sentir a tua falta,
quando for ter com o Criador.
Por isso, ontem decidi levar-te comigo.
Acho que passo essa.
Como vai a tua vida amorosa?
- Não és bissexual, pois não? - Não, claro que não.
Assim, terias que perder a virgindade duas vezes.
Pai, prometo que vou ter êxito, antes de...
Antes do quê? Antes de morrer. Podes dizê-lo.
É fácil. Diz: morrer, morrer, morrer...
- Não consigo. - Claro que consegues.
Vou facilitar-te isso.
Quando o disseres, pensa na tua mãe.
Morrer!
Diz.
Está bem...
- Morrer. - Não. Então?
Não te oiço.
Morrer.
Não. Não te oiço, Jeff.
- Morrer! - Não te oiço.
Morrer!
Tens um bom grito.
Bom...
Obrigada pela noite adorável.
E, escuta... Não te preocupes por me terem roubado a carteira.
Aposto que terias apanhado o ladrão, se ele fosse um pouco mais lento.
Há pessoas em cadeiras de rodas que andam muito depressa.
Posso...?
Acho que não faz mal,
já que conheces o meu tio Ângelo.
Gostarias de entrar para tomares um café ou um copo de vinho?
Eu?
Não vejo mais ninguém, tonto.
Está bem.
Claro... e obrigado.
Não te preocupes. vai correr bem.
Tens a certeza?
Claro que tenho.
É perfeitamente natural.
Está bem. Se tu o dizes...
- Agora, estou pronta. - Por favor, sê meiga.
''Bonsai''!
- Tudo bem? - Olá.
- Magoaste-te? - Não.
As minhas costas estão um pouco tensas.
Vem cá. Deixa-me cuidar disso.
- Não, não... - Vem cá. Não faz mal
- Não é preciso... - Pronto?
Melhor?
- Melhor. - Anda. Está na hora do almoço.
Vamos dar cabo disto!
É verdade? Querias ser cantor de ''blues''?
Adoro ''blues''.
- É difícil não gostar. - Era um sonho de criança.
Quando era pequena queria ser bailarina.
Depois mudámo-nos do Canadá para o EUA, perto do mar
e apaixonei-me pela água.
Só conseguia pensar em ser Urologista.
Na verdade, comecei a pintar cenários marítimos.
Entrei na Escola de Artes, comecei a ter aulas de drama e de música.
Achei que ia ser uma grande artista. Até me voluntariar para trabalhar.
Os residentes idosos apaixonaram-se por isso.
E aqui estou.
Como não te tornaste num grande homem dos ''blues''?
Não tenho voz para isso.
Muitos cantores de ''blues'' não têm lá grandes vozes.
Alguns parecem que estão engasgados.
Mas comparados comigo são óptimos. Tenho uma voz péssima.
- Não acredito em ti. - Digo-te que é péssima.
Não pode ser assim tão má.
É. Quando canto, as pessoas nem conseguem olhar para os meus lábios.
Voltaste a brincar comigo.
Sou a Sara.
Olá, eu sou o... Jeff.
Para mim?
Obrigada.
Muito prazer, Jeff. Esta é a minha irmã Joan.
Prazer em conhecer-te, Jeff.
Não sabias que éramos gémeas siamesas?
Não. Só achei que ambas vestiam o mesmo vestido.
Vê o lado positivo.
Se dançares com uma de nós, podes sentir o corpo da outra.
Obrigada.
São lindas.
Sou alérgica.
Mas são lindas.
Pois são.
- Entra, Jeff. - Entra, Jeff.
Está bem.
Tens uns olhos tão bonitos.
Obrigado.
E... só uma cabeça.
E lábios lindos.
Pára, Joan!
Consigo fazer mais posições.
Então usa o meu diafragma!
Tu gostas de ver!
Eu sou a mais sensual!
Eu tenho um corpo melhor!
Hoje não me sinto muito bem. Fui fazer o exame à próstata.
- Nunca é um bom momento. - Foi horrível.
Especialmente, quando o médico gritou: ''Olhe, sem mãos!''
Dê-me licença.
- Estou? - Ângelo é o Jeff.
- Jeff, estás bem? - Não.
Sempre que vou sair com uma rapariga, acaba num desastre.
Mas pelo menos foste sair. Faz um esforço.
Só está a fazer-me sentir pior.
Vai ficar pior, antes de melhorar.
Nunca melhora para mim.
A minha última namorada fez-me sentir pior quando rompeu comigo.
Era hermafrodita e deixou-me por ela mesma.
Fantástico.
Jeff, tens tanto medo de ser rejeitado.
Olha em redor e vais ver à tua frente aquilo que realmente queres.
Então, que divertimento é que uma menina bonita como tu planeou?
Nada de excitante, receio.
Ele é giro.
Sabes, a Cathy é um borracho.
Sim, é muito bonita.
Se eu tivesse menos 6 meses...
Como se não tivesses reparado.
- O Jeff? - O Jeff!
Ele não está interessado em mim.
- Porque não a convidas para sair? - Eu? Não...
- Não creio que seja o tipo dela. - Vocês jovens,
não reparam em nada, a não ser que vos caia em cima da cabeça.
Alice, acho que está a sonhar.
Se pensasse como tu, achas que teria papado a Rita e a ShirIey,
quando era apenas um actor figurante?
Aquela ShirIey TempIe...
Era muito mais velha do que parecia.
As raparigas sabem enganar.
Por vezes, um homem só precisa de um empurrãozinho.
Só mais um botãozinho aberto na minha blusa
e estava sentada no ''topo do mundo'' do Jimmy Cagney.
Sabes qual é a melhor coisa sobre o sexo na minha idade, Jeffry?
Podes fazer o que quiseres com uma senhora.
Depois de saíres do quarto,
ela não se lembra com quem zangar-se.
Olá.
- A trabalhar até tarde? - Pois... Já terminaste?
Já.
Este é o meu segundo fim-de-semana de folga, desde que entrei cá há 2 anos.
Não dá para ter vida social.
Tal como passar três anos no seminário.
Não foi assim tão mau.
Sentimo-nos melhor quando não temos um encontro num sábado à noite.
Se não for demasiado pessoal,
posso perguntar porque deixaste o seminário?
Percebi que estava lá pelas razões erradas.
Então, ainda bem que saíste.
Eu nunca conseguiria ser freira.
Nunca poderia casar-me com Deus.
- Sim? - Sim.
Não me sinto atraída por homens mais velhos.
Especialmente quando se acha perfeito.
- Tramaste-me. - Podes apostar.
Bom... vejo-te segunda-feira. Adeus.
Adeus.
- Cathy? - Sim, Jeff?
No sábado...
O que tem sábado?
Sim, no sábado é o aniversário do meu pai.
Será que podias fazer o meu turno?
Claro.
- Não há problema. - Óptimo. Obrigado.
- Adeus. - Adeus.
Alguém que diz que a vida é muito curta, não percebe nada de montagem.
- Hoje fartei-me de cortar. - Porquê hoje?
É o meu aniversário.
Vamos beber ao meu aniversário.
Feliz aniversário.
Amanhã festejamos o aniversário do meu pai,
- mas ele está a morrer. - Cadáver de sorte!
Desculpa, miúdo.
É que... é melhor do que passar o aniversário sozinho.
Nenhum dos meus amigos ou familiares telefonaram.
Feliz aniversário.
- Agora não estás sozinha. - É verdade.
Olha para ti...
Quero enfiar-te todo na minha boca.
Tens a certeza? Porque não é problema nenhum.
- Que fazes aí? - Aguenta os cavalos. É rápido.
Jeff, já fizeste com duas mulheres ao mesmo tempo?
Não. Assim não tenho que pedir desculpas a dobrar.
Jeff, apresento-te a Trixie.
Olá, rapagão! Que tal dares à Trixie uma massagem com os lábios?
Vá lá! Dá cá essa língua, engatatão!
Espera, agora é a minha vez!
O que estás a fazer?
O que temos aqui?
- Não, não! - O que se passa?
- Isto é doentio! - Gostas à bruta, é? Eu também!
Sai de cima de mim!
Não se trata uma senhora assim!
Tu não és uma senhora, és uma mão!
E tu não és homem para nenhuma de nós!
Menino da mamã!
FELIZ ÚLTIMO ANIVERSÁRIO
O FIM
Acho que está na hora de pedires um desejo.
Tenho receio de perguntar para quem pediste o desejo.
Ele irá descobrir.
Daqui a nove meses.
Jeff, não estás a esquecer-te de nada?
- Não acho. - É a dança das cadeiras.
Tens que parar a música de vez em quando.
Meu Deus!
Jeffry, tens que ter cuidado.
Os nossos atores de Hollywood, embora já estejam cansados,
são delicados como a chuva. Têm que ser cuidados e alimentados,
para quando fizerem a última cortina descer,
sejam almas livres e espirituais em direcção ao grande elenco no céu.
Por favor, não me obrigues a repetir estas frases.
Dá-lhe as gotas de morfina.
Jeffry, estás bem?
Estou óptimo, só um pouco cansado. Preciso de dormir.
Tens a certeza que não se passa nada?
O Dr. Davis diz que não resta muito tempo ao pai.
- Pode morrer em qualquer dia. - Pareces muito triste.
Sinto-me muito triste.
Já acordei!
Como estás? Frank Marino. Sou primo do Ângelo.
- Jeff, Jeff Natale. - Prazer em conhecer-te, Jeffry.
Se não for incómodo, importas-te de parar de falar e...
Estou a interromper?
Trabalha, por favor. Voltem ao que estavam a fazer.
- Nem estou aqui. - Desculpa.
O meu primo Frank precisava de um sítio para abancar.
Por isso, vamos falar baixo. Finge que ele não está aqui.
Sentes-te mal?
Estavas a falar do teu pai.
Na festa, o pai disse a toda a família que eu iria cumprir o seu último pedido.
Café? Quem quer café? Vou fazer.
Frank, por favor...
Tenho sentimentos. O pai do miúdo a morrer tocou-me.
Está a morrer de quê?
Conheço um óptimo quirópata, o Dr. Bernardo.
Consegue curar-te as costas e aliviar-te a dores.
- O Johnny Bernardo. - Sim, ele saiu.
Não me digas! Ele é muito bom.
Mas agora, se não te importas, estamos a conversar, por isso, vai...
Óptimo. Quando o cota dele bater a bota, fica na tua consciência.
- Estou fora. - Frank, se não saíres agora,
- vou contar-lhe aquilo que tu sabes. - Força. Quero lá saber.
Não tenho vergonha.
Eu mesmo lhe conto. Tenho atracão por mulheres velhas.
Pronto, disse! Quanto mais velhas melhor.
Rugas, magricelas, com batom nos dentes, o cheiro a naftalina...
É maravilhoso.
Há uns 3 meses, estava na cama com a minha namorada...
Esta era uma beleza, naquela camisa gigante de hospital.
No meio daquilo tudo, eu, por acidente,
dei um pontapé na tomada do seu sistema vital de apoio.
- Acontece... - Frankie!
- Já. - Tudo bem.
Se precisares de alguma coisa... De mobília, o que seja, avisa-me.
Lamento imenso, Jeff. Ele é bom tempo.
Só que, às vezes, é impossível.
Estavas a dizer que te sentias mal
É sobre o último pedido do pai.
Não estou nem perto e o tempo está a acabar.
- Tenho medo... - Deita cá para fora, Jeffry.
Deita cá para fora. Não faz mal ter medo.
Coragem, soldadinho! Vais ficar óptimo.
- Como está a tua mãe a aceitar? - Frankie!
Tem alguma compaixão. O homem está a chorar.
O pai está quase a bater a bota e ele não sabe o que fazer..
Come umas nozes.
Tenho que ir ao dentista. Estes dentes não me cabem.
Parecem os meus dentes.
- Dá-mos. - Não. Vai para o inferno.
- Estes dentes são meus. - O Jeffry deu-me estes.
- Dá-me os meus dentes. - Queres os dentes?
- Vai buscá-los! - Toma os meus!
Não! Por favor! Parem!
Acho que fiz asneira.
O que é isto no meu cenário?
Ou param com isto ou vou cortar! Corta! Corta!
Silêncio! Silêncio!
Isto não é ''O Planeta dos Macacos''!
Limpem este chiqueiro.
Estou a transformar-me na Joan Crawford.
- O que vai ser? - Uma imperial qualquer.
Uma imperial a sair!
Uma imperial... a caminho.
Acha que sou capaz de ter um filho?
Não.
Mas a aparência pode ser enganadora.
Mas hoje em dia, com a ciência, conseguem fazer tudo.
Sim, Mr. Natale, a sua mulher está grávida e entendo o seu problema.
- Tem a certeza? - Absoluta.
Mesmo no seu caso.
Mrs. Natale, quer pôr-se em posição?
Este novo método de parto foi concebido,
depois de anos de intensiva investigação científica.
Agora podemos reduzir o tempo de gravidez de 9 meses para 30 segundos.
- Isso é espantoso. - Não!
É ciência moderna.
Esta tecnologia baseia-se no método de parto instantâneo.
Temos que mantê-la em movimento.
Está feito!
Ela já pode dar à luz.
É um menino.
Eu sabia que conseguia.
Quer manteiga?
E o menu completo? Leva pipocas e bebida por mais 1 dólar.
Não. Só sal.
Vou chamar-lhe Pipoca.
Senhor...
Sim?
Posso trazer-lhe outra?
Não, obrigado.
Queres sair?
Vamos divertir-nos.
Está bem. Dava-me jeito praticar.
Antes do seminário eu...
- andei no liceu Hutton. - Estás a brincar...
Eu achei que me eras familiar. És o Jeff Natale!
Tinha o cacifo ao lado do teu na aula de ginástica.
Sou o Bill Nelson.
Moose (aIce) Nelson.
Lembras-te de mim?
Eu lembro-me de ti.
Continuas a ter dificuldade com os encontros, não é?
Estás óptimo.
Vivias perto da Mónica Meu Deus!
Como o mundo é pequeno.
Esquece os 50 dólares, pelos velhos tempos do liceu.
Vai ser de graça.
Tenho que ir!
Tenho um compromisso com o meu proctologista.
- Às duas da manhã? - Ele trabalha no escuro,
porque tem vergonha e finge que é dentista.
Desculpa.
Meu Deus!
O que foi que eu quase fiz?
Talvez seja semi-gay.
É o que eu sou.
Sou semi-gay.
Agora sei porque nunca devia ter ouvido aquele disco.
Olá, Jeff.
Olá, Nancy.
Porque estás tão choramingas? Estás bem?
Só pervertido.
Antes desta noite, estava tão desesperado
que tinha uma imagem no meu quarto daquela que era a Virgem Maria.
E há uns minutos, quase o fiz com alguém chamado Moose.
Já me aconteceu centenas de vezes.
Vá lá...
Aposto que consigo fazer-te sentir melhor.
A única coisa que me faria sentir melhor agora,
exigiria um trabalho de parto.
Parece que gostas do que vês.
És tão bonita que não consigo tirar as mãos de mim.
Sei exactamente o que queres dizer.
Perdi a minha saia.
Deixa estar.
Venho buscá-la depois de fazermos sexo.
Sexo?
- Mas tu és casada. - O casamento é fantástico.
Ajuda-me a apreciar muito mais os outros homens.
Importas-te que eu veja uma coisa que me deixa mesmo em brasa?
À vontade.
Olá, querida.
És a coisa mais doce, minha mulher maravilhosa.
- É o teu marido? - É.
Só quero abraçar-te.
Mas agora que fui amputado... Sinto tanto a tua falta.
O que estou a fazer? Estou a cometer adultério.
Não tenho braços, nem pernas.
Mas voltaria a fazê-lo, se fosse para ter filhos.
Ele tem que pôr isto em DVD.
Fico animado, só de pensar em tocar a tua linda...
...a tua linda pele.
Cometer adultério com a mulher de um herói, que nem pode pôr a medalha!
Nem consigo olhar-lhe nos olhos!
Continua a ver e fica comigo.
Está melhor...
- Estou? - Olá, Jeffry!
Detesto ligar-te tão tarde, mas...
esperei até as nossas estrelas baixarem as cortinas.
Jeffry, ultimamente, estragaste muitas representações
e tiveram demasiadas crítica más.
Por isso, digo isto em lágrimas,
e se estivesses aqui, não verias apenas as lágrimas,
mas também a subtileza que ponho nesta conversa.
Jeffry, receio...
ter que escolher outro para fazer o teu papel.
Lamento, Jeffry.
Isto foi muito difícil para mim.
Adeus.
Nem um emprego consigo manter.
Não consigo dar uma queca,
não consigo ser padre,
não consigo fazer porra nenhuma.
Adeus, Mick.
É o meu teIefoooone...?
Meu Deus!
Não posso saltar! Irão pensar que somos amantes gay.
O que estou a dizer? O que interessa? Estarei morto.
- Estou? - Jeff?
Fala o Dr. Davis.
É sobre o teu pai.
Ele está muito mal.
Vou já para aí.
Olá, avó.
Olá!
O teu pai está lá em cima. Ele está a morrer.
Por vezes tem tido... Tive uma manhã horrível.
A máquina da loiça avariou-se, depois foi a torradeira
e agora o teu pai a bater a bota, quando começar a chover...
É melhor ires antes que o teu pai se vá.
- Mãe, vai tudo correr bem. - Apressa-te, Jeff.
Deves ver o teu pai antes dele morrer.
Afinal, foi ele que quis outro filho.
Eu avisei-o que, depois do primeiro filho perfeito como o Tom,
o próximo estaria destinado a ser um trapalhão.
Estou a ir...
Depois de ter engordado tanto na tua gravidez, voltei a ser magra.
Tenho que ir terminar o suflé. O pai adora os meus suflés.
O Tom também adorava.
LEITO DA MORTE
Mr. Natale?
O seu filho chegou.
- Tom? - Não. Sou eu, pai, o Jeff.
Pensei que estava morto.
- Está óptimo. - Não me sinto bem.
A minha vida está a passar diante de mim.
Tenho a morte à minha direita e à minha esquerda.
Parece que estou em Miami.
O pai é louco.
Por falar em louco, viste a tua mãe?
Discuti com ela ontem à noite.
Quero ser enterrado e...
a tua mãe sentimental quer que eu seja cremado.
Então, chegámos a um acordo.
Ela vai enterrar-me num vulcão.
Pai, já lhe disse que encontrei o Moose Nelson?
Como ele mudou!
Acabou-se. És o último homem desta família.
Jeff, Jeff...
Foste sempre o meu favorito.
Pai...
Jeffry, eu vivi uma vida boa... e decente.
Filho, não cometas o mesmo erro.
Deus, estou pronto!
Pode levar-me agora.
Adeus vida!
Olá, profundezas!
Não, pai...
Não, não...
Pense em sete homens carecas.
Olhe para mim...
Enfermeira.
Enfermeira!
- Estou a vir! - Dê-me...
Vá lá, pai.
Respire.
Respire...
Rosebund...
Mãe...
- Acho que devia sentar-se... - Não, não...
Agora não, Jeff. Tenho uma coisa no forno.
O pai morreu.
Mãe?
Esmerei-me!
Mãe?
- Eu disse que o pai morreu. - Não está estupendo?
Agora o seu suflé também morreu!
Tal como o pai...
Já não há mais pai!
Quem vai impedir-me de ser demasiado bonita?
Esta era a camisola favorita que ele detestava.
- Tenho tanto medo. - Eu também.
Também odeio essa camisola.
Obrigada, Jeff.
Pai...
Sei que não cumpri o seu último pedido. Desculpe.
Estou?
Estou?
Há interferência...
- Parece que está num túnel. - Eu estava num túnel!
Rapaz, como isto é apertado.
Pai, é mesmo o senhor?
Não. É um tipo morto parecido comigo. Claro que sou eu!
- Pois é... - Assim o espero.
Odiava pensar que tinha reencarnado tão depressa.
Gostava de ter voltado lésbica.
Parece que pouparam dinheiro no velório. Pareço eu?
Jeff, conheci Deus.
Não foi muito abençoado na beleza.
E também soube que ele tem dificuldades de aprendizagem.
É por isso que continua a criar políticos.
- Chega de piadas. - Eu sei, é sobre o seu último pedido.
Acho que nunca irei conseguir cumpri-lo.
Mas já o cumpriste, Jeff.
O meu verdadeiro último pedido foi para que saísses da tua concha.
Tu tinhas medo da vida.
É isso que é importante.
Esquece-me. Eu sou um morto-vivo.
O que quer que faças, faz por ti. Está bem?
Corre alguns riscos. É a tua vida.
Tens o direito de asneirar.
Pai, como é tão inteligente?
Não sou. Casei com a tua mãe.
Estou?
É para si.
Casa mortuária...
Aí está, paizinho. Ainda quer que partilhemos o seu paraíso?
É por isso que lhe chamam céu.
Tom, apresenta-me às miúdas.
Ele manda cumprimentos.
- É o Tom? - Ele está óptimo.
Tem uma alma gémea diferente todas as noites.
Jeff, dá-me uma ajuda a entrar para dentro da minha caixa.
Sabes...
Achamos que, quando somos um espírito,
perdemos estes pneus.
Adoro-o, pai.
Filho, cuida de ti e da tua mãe.
Faz-me um favor: mantém-na viva durante muito tempo.
Não ias acreditas nas mulheres que há lá em cima.
Vou sentir a sua falta, pai.
Não te preocupes. Vou estar por perto.
Principalmente, durante as tuas experiências sexuais.
Filho...
tem uma vida estupenda.
Pai!
Pai?
Pai...
Caro rapaz...
Jeffry!
Lamento imenso pelo teu pai.
As luzes apagaram-se e a cortina fecha-se para todos nós.
Recordo-me quando o meu querido pai estava a morrer.
- Meu Deus, que dramático! - Martin!
Quer parar de pôr em cena a perda do pai deste pobre rapaz?
Seu ingrato!
Se ainda tivesse fluidos no meu corpo, deitava-os em cima de ti.
Mas não tem.
Jeffry, porque não me contaste o que se passava em casa?
Peço desculpa por não ter aprofundado mais o teu personagem.
A companhia sente a tua pena.
- Tanto! - Sim, sim...
Nos último dias, não fizemos mais nada senão cenas de morte.
E a Cathy manda as suas condolências. Ela ficou tão transtornada.
Até choro lágrimas verdadeiras.
Achei um pouco de mais, não achaste?
- A Cathy ficou transtornada? - Muito transtornada.
Ela queria vir, mas o espectáculo tem que continuar no lar e ela ficou.
Assim, eu pude vir e oferecer-te o teu emprego de volta.
- A sério? - Sim!
És um membro chave do nosso pequeno grupo.
Não como estrela. Uma actor secundário...
Não queres voltar?
Se voltares, conto-te o que fiz à Liz...
com o meu nariz, no cimo do atrelado dela.
Adoraria.
Obrigado.
Lindo, menino.
Como o tempo é dinheiro, vejo-te depois.
E lembra-te: nunca és grande de mais.
Para levares um soco!
Isto é uma igreja, não é teatro. Pare com isso!
Igreja... Há anos que as igrejas têm sido teatros.
Socorro!
Socorro!
Socorro!
Deixem-na em paz!
É o nosso dia de sorte. Outro trouxa.
Cathy?
Mais devagar, minha!
- Cathy... - Cala-te!
- Deixem-no em paz! - O que fazes sexta à noite?
Já te disse para te calares!
Estou ocupada. Tenho uma aula de olaria filisteia.
- E depois disso? - Vou fazer uma tatuagem...
- Onde está o dinheiro? - Onde está a massa?
No meu sapato!
E depois disso?
Tenho aulas de palhaço de rodeio.
O que fazes neste sábado à noite?
Sábado é dia 15?
Acho que sim.
Estou livre.
Gostas de comida tailandesa?
Comi ontem à noite.
- Mexicana? - Trabalha-me no estômago.
- Etíope? - Muito picante.
- Pizza? - Engorda.
Tiras-me daqui?
- Estás bem? - Estou.
Um assalto dá um certo brilho a uma rapariga.
Vamos ver essas nódoas negras.
Deixa-me ajudar-te com a camisa.
Acho que tenho que começar a levantar pesos.
Levantá-los do chão, para a frente e para trás...
Mais uns minutos e não contava a história.
Está melhor?
Algumas coisas parecem mistério, rapidamente explicáveis.
Eu acredito na aproximação holística.
- Viver a minha vida... - Queres calar-te?
Jeff, foste óptimo.
Gostava que tivesse demorado um pouco mais.
Não, foi o suficiente.
Quase tive tempo para dizer as tuas iniciais.
Pelo menos, algumas.
Todo este tempo carreguei a culpa de católica sobre o sexo.
Como se fosse desapontar Deus.
Era um grande fardo para carregares.
Eu sei.
Agora, que aconteceu finalmente,
não acho que Deus esteja zangado por ter feito sexo.
Acho que está incrivelmente surpreendido, mas não zangado.
Tramaste-me!
Não é lindo?
É um belo rapagão.
E tem imenso apetite.
Perfeito!
Tradução e Legendagem Elisa Pires de Carvalho
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