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Estou te deixando.
- Qual � a diferen�a? - Velocidade.
Assim � mais r�pido?
Muito mais r�pido que em uma cadeira de rodas.
Andar de joelhos?
� mais r�pido.
Nos cruzamentos e esta��es ...
Sou lento, mas muito mais r�pido que em uma cadeira de rodas.
ADEUS PC
Eu estava com tanto medo.
Como assim?
Eu estava com medo de ficar vermelho.
Minha vida estava em risco.
Eu estava desesperado.
PC significa paralisia cerebral.
Em 18 de abril de 1948, meu primeiro filho nasceu.
Ele ficou em um hospital por uma semana.
Ele foi diagnosticado com Paralisia Cerebral...
aos 18 meses de idade.
N�s o levamos a muitos m�dicos diferentes...
e fizemos tudo o que pod�amos.
At� desisti de cigarros e �lcool...
rezando por sua recupera��o.
Quando ouvi pela primeira vez que meu filho tinha PC,
fiquei chocada e sem saber o que fazer.
Mas eu tinha que fazer alguma coisa.
Eu pensei que deveria haver algo que eu pudesse fazer por ele.
Eu estava determinada a fazer o que fosse preciso.
Meu marido e eu estudamos tudo sobre PC na biblioteca.
Alguns pacientes com PC s�o mortos no nascimento ou...
s�o v�timas de suic�dios familiares.
Mas acredito que � meu dever como m�e...
encontrar uma forma dele sobreviver neste mundo.
� nisso que acredito e continuamos a fazer isso
para que ele possa viver normalmente depois que partirmos.
Como todo mundo, eu fiz tudo o que pude, como qualquer m�e faria...
tentei com todas as for�as.
Depois que eu soube que nada podia ser feito,
fiz tudo para que ele pudesse ter uma vida feliz.
Foi lhe dado vida.
Ele merece tanto quanto qualquer outra pessoa.
Sempre penso nisso.
Estou preparada para fazer tudo o que por ele.
Realmente tudo.
Desde que tive meu filho,
adquiri muito conhecimento.
Se n�o fosse pelo meu filho, eu teria sido uma m�e reclusa.
Atrav�s do meu filho,
conheci muitas pessoas que de outra forma n�o teria conhecido.
Pessoas de diferentes grupos sociais de nossa sociedade.
N�s n�o o mantemos em casa. N�s o levamos a todos os lugares.
Quando vejo estudantes protestando e usando viol�ncia,
sinto muito orgulho de ter o filho que tenho.
Eu sempre me senti um pouco envergonhada...
de ter um filho com PC.
Meu marido reclamava muito quando ficava b�bado.
Muitas vezes eu pensei em me divorciar.
Mas vendo meu filho..
sempre tive vontade de seguir em frente.
Ent�o, eu tentei o meu melhor para manter minha fam�lia unida.
Meu filho...
Sou realmente grata pelo meu filho...
por nossa felicidade e por manter minha fam�lia unida.
N�o o trato de maneira diferente s� porque ele � deficiente.
Mas como pai...
como diz o velho ditado...
"uma crian�a com defici�ncia � muito mais ador�vel."
� natural para os pais. Eu realmente acho que �.
Estar em uma cadeira de rodas � como...
ser atendido e protegido por anjos.
N�s podemos...
ser mortos...
amanh�.
Queremos...
viver...
livremente...
como seres...
humanos.
Ent�o, por favor, ajudem...
O Movimento da Relva Verde.
O Relva Verde foi...
estabelecido pelas pr�prios pessoas com defici�ncia.
- Por que voc� doou? - S� queria ajudar.
- Voc� doou? - Eu dei 200 ienes.
Eu apenas me senti mal.
Estou interessada em problemas sociais.
Meu filho sentiu pena.
- Eu senti pena. - Sem motivo especial.
Eu apenas me senti mal.
Eu ouvi no notici�rio.
- Por que voc� doou? - Eu n�o sei.
Eu passei por aqui mais cedo e os vi.
Como sa� novamente, quis dar algo a eles.
Eu senti pena.
O filho do meu amigo � deficiente.
Algumas pessoas n�o t�m sorte.
Eu me sensibilizei.
- Como? - Eles s�o humanos, como n�s.
Mas eu me pergunto por que eles s�o deficientes.
Todos esses problemas com a pr�tica m�dica,....
religi�o, polui��o...
e todos esses problemas desumanos da ra�a humana...
me entristecem muito.
O que o Buda previu h� 2500 anos...
agora est� come�ando a acontecer.
A humanidade perdeu sua alma.
Nossa sociedade enfrenta problemas e afli��es.
Eu s� gostaria de ajudar as pessoas necessitadas.
Estamos voltando para casa depois de visitar o t�mulo da fam�lia.
Por que voc� doou?
Bem, o problema � que...
eles n�o podem trabalhar como a gente.
Portanto, devemos pelo menos tentar ajudar.
Nenhuma raz�o especial, mas as coisas devem ser muito dif�ceis para eles.
Por isso que eu doei.
Esse � um problema de todos. Poderia acontecer com qualquer um.
Eu n�o sei.
Eu me sensibilizei.
Com o qu�?
Eu apenas imaginei que isso poderia ter acontecido com um dos meus filhos.
Tenho tr�s filhos.
Por que voc� doou?
N�o sei.
Bem, meu filho morreu como resultado da PC.
Ent�o, eu queria ajudar.
Eu conhe�o algu�m que tem PC.
Ent�o eu me senti muito mal.
Eles est�o t�o desamparados.
Eu queria fazer o que dava pra eu fazer.
Eu me interessei por tais problemas.
- Eu senti pena. - Por qu�?
Eu n�o sei.
- Eu me senti mal. - Por qu�?
S� senti.
S� queria ajudar.
Deve ser dif�cil para eles.
Mas eles fazem o que podem.
Tadinhos.
Eu sou do campo.
Eu nunca vi nada assim.
Eu senti tanto por eles.
Eu sinto muito.
Bem... quero dizer seus corpos.
Eu senti pena. N�s somos aben�oados.
Eu senti pena.
Deve ser dif�cil fazer tantas coisas.
Por que voc� doou?
Minha m�e me mandou.
Por que doar? Bem...
Porque minha vida � est�vel.
Por isso.
Bem, eu tamb�m sinto pena deles.
Todos n�s somos seres humanos. Mas eles tiveram azar.
N�o � mesmo?
Por que voc� doou?
Fiquei muito emocionado...
com o forte desejo de viver deles.
Eu? Meu filho est� com uma boa sa�de, ent�o me sinto aben�oada.
Quero que eles tamb�m tenham uma boa sa�de.
Eu quero que eles se animem.
Sim, ele est� l� agora.
- Na instala��o? - Sim.
Por que voc�s n�o moraram juntos?
Bem, � para o futuro do meu filho.
- Estar na instala��o � melhor? - Acho que sim.
Para ele, � melhor.
Voc� acha que eles deveriam ser institucionalizados?
Meu filho est� l� h� 5 anos.
Foi pelo melhor.
� uma verdadeira luta para eles.
E o governo n�o faz o suficiente.
Por isso eu queria ajudar.
Tenho sorte de ter o que tenho.
Eles nunca seriam curados.
Eu pensei que eles precisavam de algum dinheiro.
Na minha opini�o...
somos objeto de pena para eles.
Eles fazem seus filhos fazerem doa��es.
Por mim tudo bem.
Al�m disso,...
� melhor sentir pena...
do que n�o ter...
nenhum interesse.
Doar dinheiro atrav�s de seus filhos...
mesmo por pena...
faz com que se sintam melhor,
ent�o tudo bem para mim.
Prefiro desistir...
se formos operar sob o princ�pio...
de que somos os fracos.
Eu desistiria.
Quando falo com a multid�o,
eu sempre penso...
no que separa as pessoas com defici�ncia dos saud�veis.
Quando eu seguro um microfone...
e falo com a multid�o,
n�o consigo evitar...
de sentir que sou infeliz.
Como posso dizer isso?
Eu tento resistir � ideia...
dentro da minha cabe�a.
Mas sempre me pego pedindo por simpatia.
Ah n�o.
- Voc� deve estar aliviada. - Sim, estou.
- Doeu? - Claro.
O beb� � prematuro.
200 gramas abaixo do peso normal. Um pouco claro demais.
Qual � o pr�ximo a ser atingido por ele?
Ele est� bocejando.
Um ador�vel menino.
Eu realmente tentei,
mas pegar a linha dos olhos de algu�m...
� muito dif�cil.
Quando eu aponto uma c�mera para as pessoas,
todas desviam o olhar.
Eu j� espero por isso.
Apontar a c�mera e...
tirar uma foto na frente deles era muito assustador.
Eu estava realmente com medo.
Se eles est�o longe, � f�cil.
Para me aproximar de um metro...
quando eu ando na dire��o deles ou...
quando eles descem as escadas,
sinto uma press�o enorme.
Quando tirei fotos no ponto de �nibus,
fiquei com muito medo.
Ando devagar e pare�o pat�tico.
O que h� de errado nisso?
Andar de joelhos ...
n�o me torna incapaz de andar.
N�s nos sentimos estrangeiros.
N�s realmente somos.
N�s nunca vamos poder...
fazer parte.
Aqueles que pensam...
que os outros s�o privilegiados...
pode acabar sendo...
um estrangeiro.
Por que eles n�o percebem isso?
Esse � o ponto que estamos tentando enfatizar.
N�o tem janta esta noite?
Devemos levar tangerinas para casa.
Isso � um problema.
Voc� deixou cair.
Voc� vai se sair melhor na pr�xima vez.
- � gostoso. - � �timo.
Voc� est� dividindo?
Comer � o mais divertido.
Isso � nojento.
Isso � assustador.
Meu est�mago est� estranho.
Eu comi demais.
Eles tamb�m t�m peixe.
Eles t�m tudo. Ch�, peixe, frutas.
O peixe n�o � bom hoje em dia.
- Por causa da polui��o. - Sim, da polui��o.
O lodo industrial � um grande problema.
Este � azedo.
Desculpa.
Voc� tem que comer este em 40 minutos.
Venha c�.
V� em frente.
Coma.
Comecei a fumar...
quando eu tinha 16 anos.
Eu dormi com uma mulher aos 18 anos.
Foi ent�o que eu percebi...
que eu era um homem.
Eu fui...
a um distrito da luz vermelha. Eu fui l�.
Continuei indo por quatro anos.
Na primeira vez que fui...
Como posso dizer?
Eu n�o exatamente...
dormi com uma mulher.
Devo dizer que...
n�o fui capaz de lhes dar prazer.
Eu s�...
me satisfiz.
Na segunda vez,
eu dormi...
com uma mulher diferente.
Essa mulher...
Ela era muito boa.
E ela...
me fez gozar com seus suspiros.
Pode ter sido...
porque...
eu era deficiente.
Disseram-me para falar honestamente sobre mim.
Deixei as instala��es quando tinha 16 anos.
Com um amigo meu...
do programa de treinamento profissional,
fui a um distrito da luz vermelha e perdi a virgindade.
Eu continuei indo l� por um tempo.
Quando eu tinha vinte anos,
me apaixonei por uma mulher que tinha poliomielite.
Ela ficou gr�vida.
Mas a fam�lia dela se op�s e tivemos que nos separar.
Eu tentei suic�dio.
Eles ainda n�o queriam que eu me casasse com ela.
Ent�o...
eu tive uma grande briga com meu amigo...
por uma mulher que mais tarde se tornou minha esposa.
Eu agi pelo meu pr�prio ego.
Foi uma grande luta.
Eu lutei tanto...
quanto qualquer outro homem.
Eu me senti...
muito forte...
ao faz�-la minha.
Eu acho que foi...
quando eu tinha catorze anos.
Eu tive muitos irm�os.
Eles me pregaram uma pe�a.
A partir da�,
passei a perceber esse sentimento...
de que eu queria dormir com uma mulher.
Havia uma linda garota...
que morava nas redondezas.
Eu realmente queria t�-la.
Mas ela...
me evitou totalmente.
Quando eu tinha dezesseis anos,
Entrei para uma gangue e...
estuprei uma garota.
Essa foi a primeira vez...
que realizei meu desejo sexual.
Mais tarde, percebi que eu n�o deveria ter feito isso.
Como eu sofro de PC...
nunca me ocorreu...
que posso realizar meu desejo com uma mulher normal...
Isso � tudo o que posso dizer.
N�o tenho mais nada a dizer.
Pare de filmar.
N�o posso mais falar.
Eu realmente n�o posso.
Eu tinha 28 anos quando dormi com uma mulher.
Foi muito mais tarde que os outros.
Ela era um ano mais velha.
Quando tentamos faz�-lo,
por alguma raz�o,
n�o consegui ter uma ere��o.
Provavelmente porqu�...
eu a suprimi por um longo tempo.
Tentamos algumas vezes.
Mas n�o deu certo.
Eu pensei que n�o era um homem.
Eu pensei que era impotente.
Eu n�o tinha ideia...
de como ou onde...
coloc�-lo.
Tentamos mais algumas vezes.
Comecei a pegar o jeito.
Finalmente funcionou.
Eu pensei que estava bem.
Perguntei � mulher se eu estava melhorando.
Ela disse...
que eu poderia fazer melhor.
Fiquei realmente decepcionado.
Realmente.
Para mim...
pensar em sexo era um tabu.
Algo que eu n�o deveria pensar.
Ent�o n�o ousei.
Foi-me dito que eu n�o era capaz...
e que eu n�o poderia me casar.
Eu posso estar apaixonado por algu�m, mas nada de casamento.
As pessoas pensam que meu corpo n�o � capaz...
de fazer sexo.
� o que eles pensam.
Com o tio � a mesma coisa.
Quando eu me apaixono,
ele me diz que n�o posso.
Quando digo que quero me casar,
ele me diz que eu posso estar apaixonado, mas que eu n�o posso me casar.
Quando eu digo que quero filhos,
ele me diz que eu posso at� me casar, mas que eu n�o posso ter filhos.
No que ele est� pensando?
Suponho que ele vai me dizer...
Eu posso ter um filho, mas n�o dois.
Isso � o que pensam os saud�veis.
Temos que mostrar a eles que...
podemos nos casar e ter filhos.
Mesmo quando,
eles v�o nos negar...
o pr�ximo passo.
Meu tio n�o � uma m� pessoa.
Ele cuidou muito bem de mim.
Sou grato.
Mas seu comportamento tipifica a maneira como os saud�veis nos veem.
O �lcool � como um amigo da PC.
Relaxa os m�sculos e facilita a fala.
Quem est� olhando para o �rido c�u
O que mais te impressionou agora � uma cidade fantasma
Depois que o amor foi perdido
Tudo o que resta � uma can��o de despedida
Enquanto voc� voa pela gal�xia
N�o estou dizendo que devemos abrir m�o desse filme.
Eu estou dizendo...
que minha fam�lia...
tem um problema.
Eu n�o deveria...
andar de joelhos.
Eu realmente n�o deveria.
Independente do que for.
Se continuarmos filmando dessa forma,
minha esposa se divorciar� de mim.
Essa � a situa��o.
Ela disse que vai se divorciar de voc�?
N�o foi apenas uma amea�a.
Ela entende...
como � andar de joelhos.
Ela sabe...
o qu�o miser�vel �...
andar de joelhos.
Ela se sente infeliz...
quando me v�...
andando de joelhos.
Voc� est� se comprometendo.
Como voc� pode se resignar...
assim t�o facilmente?
Voc� � o homem da fam�lia.
� voc� que cria as regras.
N�o h� necessidade de ouvi-la.
Voc� � o chefe da fam�lia ou n�o?
Eu estava sendo paciente.
Se ela quer se divorciar de voc� assim t�o facilmente,
voc� nunca deveria ter se casado com ela.
Est� certo.
Tenho certeza de que eles levam o casamento a s�rio e...
n�o ser� f�cil separar.
Dizemos essas coisas a Yokota.
Mas tamb�m estamos nos convencendo.
Temos que considerar o lugar dele e o nosso.
Voc� quer abandonar este projeto de filme.
Mas n�s, da Relva Verde,
falando sobre dinheiro novamente,
todos n�s colocamos dinheiro no filme.
Mas voc� quer desistir por motivos pessoais.
Isso � o que eu chamo...
de trapa�a.
Seu desgra�ado.
� a verdade.
V� em frente e me bata.
Eu tentei.
Eu dei o meu melhor at� agora.
N�s sabemos disso.
Voc� pode ir embora?
Yoshiko, cale a boca.
Ningu�m...
pode me acusar de trapa�a.
Realmente, ningu�m.
Como voc� ousa fazer isso na minha casa!
Isso � demais.
Estou ligando para algu�m.
Como se atreve!
Como voc� p�de!
Por favor acalme-se.
Isso est� errado.
Vou arrumar outra pessoa.
Como voc� pode agir assim?
N�o bata nela.
N�o quero que Hara nos veja assim.
Vamos conversar sobre isso.
Voc� foi longe demais.
M�e, voc� est� sangrando.
O que voc� quer?
Voc� n�o � uma mulher.
Deixe-me te perguntar.
Eu tenho sido muito paciente.
Mas e a sua pr�pria fam�lia?
Eu n�o queria trazer isso � tona.
E voc�, Koyama?
Voc� quer separar uma fam�lia para continuar este filme?
O que estamos perguntando...
� por que as filmagens devem interferir...
na sua vida familiar.
Por favor v� embora.
Por favor.
V� embora.
Pai, n�o entre.
N�o bata no seu pai.
Por favor, ligue para minha irm�.
Voc� a� no meio, fique de p�.
Agora na outra fileira.
Por favor, apressem-se.
Por aqui. Se apresse.
Estamos ficando sem tempo.
Venha aqui.
N�o se preocupe com a c�mera.
Sim, fique ali.
Suba aqui.
R�pido.
Mais uma vez.
� isso a�.
Uma hora de tempo livre.
Antes do meu filho nascer,
conversamos sobre o que quer�amos, um menino ou uma menina.
Eu queria uma menina.
Eu disse que realmente n�o me importava.
Mas eu queria uma menina.
Ent�o, eu imaginei...
minha filha...
crescendo.
Mas eu nunca...
a imaginei...
com PC.
Eu apenas a imaginei...
com cabelos longos...
e uma minissaia.
Uma linda garota comum.
Foi assim que eu a imaginei.
Eu simplesmente n�o pude evitar.
O que eu imaginei...
era diferente do que defendemos.
Desde crian�a,
eu era muito t�mido.
Eu sempre tive medo de repararem em mim...
nas ruas.
Quando eu sentia que estava sendo observado,
meu corpo ficava muito tenso.
Isso dificulta a caminhada.
Eu desenvolvi uma fobia
com rela��o a pessoas normais.
Tudo o que fazemos,
temos que ter assist�ncia.
S� podemos ser passivos.
As pessoas nos fazem perguntas
e tiram fotos de n�s.
N�s dificilmente fazemos alguma coisa por n�s mesmos.
Eu n�o queria isso.
Eu pensei no que...
eu poderia fazer.
Eu queria reverter os pap�is.
Quando eu estava com Hara, ele sempre tirava fotos minhas.
Maldito seja.
Por que eu n�o posso fazer isso?
Por que eu n�o posso ser o fot�grafo?
Ent�o eu comecei a tirar fotos, por mim mesmo.
As raz�es pelas quais eu tiro fotos...
decorrem do fato...
de eu ter PC.
Mas eu n�o sei como...
esse relacionamento tem algo a ver com os problemas da PC.
Eu realmente n�o me importo.
Isso � sobre meus sentimentos.
Eu costumava tentar me esconder...
no trem ou no �nibus.
Eu n�o queria ser visto pelo p�blico.
Quanto mais eu tentava,
mais eu me sentia exposto.
Mas ter uma c�mera...
Eu posso estar exagerando...
mudou meu mundo.
Mas estar atr�s da c�mera n�o � t�o f�cil.
N�o importa o quanto eu tente,
n�o fica f�cil.
� muito mais dif�cil...
do que eu esperava que fosse.
Na primeira vez, eu estava com tanto medo.
Minhas pernas estavam tremendo. Minhas m�os tamb�m.
N�o bebi uma gota de �gua desde a noite passada.
Eu n�o queria ter que ir ao banheiro.
� o que sempre fa�o quando sei que tenho que sair.
Quanto voc� pesa?
Menos de 40 kg.
Assim como aquela atriz anor�xica.
Seus �culos est�o todos arranhados.
Eu os derrubo frequentemente.
As lentes s�o realmente grossas.
Voc� n�o enxerga sem eles?
Consegue me reconhecer?
Nem um pouco.
Voc� diz que as pessoas n�o entendem o que voc� diz.
Voc� realmente pensa assim?
Como eles poderiam?
Ent�o voc� far� isso apenas para se satisfazer?
N�o, n�o � isso.
Eu acho que eles v�o entender alguma coisa...
mesmo que n�o entendam cada palavra.
Como assim?
Eles v�o se perguntar o que estou fazendo.
Voc� n�o quer que eles saibam que voc� est� recitando seus poemas.
Bem, se eles est�o realmente ouvindo,
eles v�o entender.
Voc� acha?
Ent�o, n�o precisamos sinalizar?
N�o precisamos emitir um sinal que diz Leitura de um Poema?
N�o h� necessidade?
Leitura do poema de Yokota Hiroshi...
Encontro?
Reuni�o de leitura de poemas?
Acho que n�o � uma reuni�o.
Yokota Hiroshi l� poemas.
Esta��o Shinjuku
Ele vai ler poemas.
Ele est� lendo poemas.
Pessoal, ele � um poeta e vai ler seus poemas.
Por favor, todos ou�am.
"Poema"
"Hiroshi"
"Yokota"
Por favor, ou�a meu poema.
Chama-se Pernas.
Voc� que est� a� ao meu redor
Voc� possui pernas sobre as quais se apoia
Voc�...
Voc� me pro�be de andar
� assim que...
voc� mant�m suas pernas.
Todas as pessoas ao meu redor...
Todas as pernas ao meu redor...
Por que raz�es...
voc�s...
me pro�bem de andar?
Quem est� no comando aqui?
Quem � esse?
Certo. OK. Tudo bem.
O que voc� est� fazendo?
Estou gravando.
Gravando o que?
Voc� est� incomodando as pessoas.
Este � um show de horrores. Por favor pare.
Nos propusemos a fazer este filme...
para mostrar que n�o podemos fazer nada.
Mas eu esperava...
poder fazer algo...
para fazer um tipo diferente...
de filme.
Isso foi...
o que eu...
o que eu pensei.
Mas enquanto passamos...
pelo processo de fazer o filme,
minhas esperan�as...
foram completamente destru�das.
Como eu posso dizer?
No fim das contas...
em muitos n�veis...
eu preciso...
de alguma forma de prote��o.
Essa � a �nica maneira...
de eu sobreviver.
Eu nunca poderia estar sozinho.
Nesse sentido,
essa realiza��o fez com que eu me sinta...
completamente vazio.
Para ser honesto,
eu n�o tenho certeza...
de como eu posso seguir em frente.
� assim que eu me sinto.
Produzido por Shisso Production
Com a coopera��o de A Relva Verde e
da Associa��o Japonesa de PC
Dire��o e fotografia por Kazuo Hara
Produzido por Sachiko Kobayashi
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