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ANTERIORMENTE
Amos Dahari, queres casar comigo?
Como não estamos lá dentro? Não percebo!
És a pior agente de sempre!
A Blanca é a mulher para mim, de certeza. Encontrei-a!
Como assim? Ela não é judia.
Consegui uma entrevista com o Miki Lustig.
Eu respeito o facto de andares com ele,
embora não o suporte, mas é o que é.
Vão os dois, uma entrevista em conjunto. Será divertido.
-Tzvika? -Como?
-Mãezinha! -Não há mãezinha, mas há paizinho.
Não vens cá há uma década
e apareces com uma das tuas lambisgoias?
Esta é a Eden,
a minha assistente pessoal nos últimos 18 meses.
Amos, certo?
Nem penses que ele gosta de ti.
É tudo para te manipular. Ele é má pessoa.
Este é o meu pai.
E esta é a tua futura esposa.
Pensa bem.
Ela acabará por te trair,
como eu fiz à mãe dela.
-Aonde vais? -À casa de banho.
Estou mesmo... É só um segundo.
-Estou pronto. -Certo.
O casamento será sexta-feira ao meio-dia ou quinta-feira à noite?
Quinta-feira à noite. Dançar à tarde é uma chatice.
Ótimo. Será um bufete ou com comida servida às mesas?
Um bufete.
A sério?
-Isso é má ideia. Gera-se muita confusão. -Pois, nada disso.
-É melhor servir comida. -Porquê?
Os nossos amigos não gostam de andar a carregar pratos.
Digam-lhes que não esperem gorjetas dos iemenitas.
Isso é ridículo.
Que absurdo.
A primeira coisa que o meu pai faz é dar 100 shekels ao empregado,
para ele saber a que mesa deve prestar mais atenção, percebem?
-Caramba, é assim mesmo. -Ótimo.
-Quantos convidados serão? -Cem, no máximo.
E serão mesas redondas ou tipo sala de jantar?
Esperem lá.
Como assim, "cem, no máximo"? Tu levas cem pessoas?
Não. Cem, no total.
Mas que total? Só do lado da minha mãe são umas 300.
Nada disso. No meu casamento, só quero estar rodeada
de pessoas que conheço e de quem gosto.
Exato. Ela nem vai convidar o pai.
A sério?
Se não o convidas
por causa de uma discussão parva ao jantar, tudo bem.
Mas achas que os meus pais vão concordar com 50 pessoas de cada lado?
A minha mãe vai passar-se.
Sou o filho mais velho, não te esqueças.
Vou andando.
Hoje temos aquela entrevista com o falhado do namorado do Tzvika.
Não te atrases.
Eu não vou.
Então, também não vais ao casamento.
Pronto, caso com a Vanessa.
Ora bem, não o vais deixar convidar 700 pessoas.
Caso contrário, a noite mais importante da tua vida
vai parecer um festival iemenita.
A Haddas, a secretária do meu pai, casou-se com um tipo chamado Sharabi
e a família toda dele passou a noite a dançar, toda suada,
-em volta de um copo... -Credo.
E eles foram tão forretas que nem cobriram os custos.
Que nojo!
Ouçam, no aniversário do Amos,
os iemenitas suaram e dançaram em volta do copo,
e não me importei muito.
Por outro lado, quando a mãe-galinha dele
me pediu para tirar fotos com todos os tios da avó dela
e todos me abraçaram a suar,
-isso já foi um problema. -Nojento.
Estou a ficar com azia.
Está a subir.
Está a subir em vez de estar a descer
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Seja a entrar ou a sair, dás um beijo assim.
Assaf, querido, eu não sou judia.
Não importa se és judia. Isto é um beijo para Deus.
Eu não acredito em Deus.
Como assim, ela só quer pessoas que conhece e que adora no casamento?
Então, que se case com ela própria!
E as pessoas que eu conheço e adoro?
E o teu pai?
Cada um de nós conhece e adora, no mínimo, 300 ou 400 pessoas, não?
Só importa que esteja lá o pai da Noa? Nós não importamos?
Estás com ciúmes.
Ele não vai. Ela não o quer convidar.
Então, eu vou. Podes apontar: um mais um.
Avi, estás mesmo disposto a convidar só 50 pessoas?
-A família mata-nos! -Se é o que ela quer,
devemos respeitar isso. O que se passa contigo?
Ela quer um público com um tom de pele mais claro.
Que conversa é essa, Merav?
Ela não convidou nenhum dos amigos dela para o teu aniversário.
E, para o casamento dela, não quer convidar nenhum dos teus.
-Só eu é que vejo isso? -Um casamento pequeno é ótima ideia.
Diminui a nossa pressão.
De que pressão falas, António?
Amos, eu e a Blanca decidimos que, em vez de te darmos um presente,
tratamos do catering do teu casamento.
O António e a Antonella podem tratar do bar, não me importa.
Pelo menos, convida 600 pessoas. Senão, não vou.
Mesmo que tivesses uma ordem judicial, serias a primeira a aparecer.
-Portanto... -Anuncio aqui perante todos vós
que já não estou à frente do clube de fãs daquela rapariga.
E não só não vou ao casamento, como nenhum de nós vai ao estúdio
assistir à vossa entrevista. Acabou.
VEM CÁ FORA
Estão banidos.
Ninguém faz pouco de mim!
Já volto.
O que faz aqui?
E que tal: "Eden, como está?"
O que faz aqui?
Tens uns minutinhos? O Gideon quer falar contigo.
Ele devia falar primeiro com a filha.
Ele arrepende-se de algumas coisas que disse durante o jantar
e gostava que o ouvisses. Pode ser?
-Não posso sair a meio do... -Amos.
Não te metas na guerra deles.
Vem, é já ali.
Anda lá, não demoras nada.
Eden, de momento, não posso.
Claro que podes.
... em relação à mudança.
O que ele vê hoje, após sete anos,
é que é possível fazer a mudança.
E eu reparei que estava constantemente a explicar às pessoas o que fazia
e como fazia e...
INTERVALO
OLHA-ME COM ATENÇÃO
QUERO-TE SÓ PARA MIM
Queres brincos como os meus?
Um anel como o meu?
"Uma cara de parva como a minha?"
Clica aqui.
-Voltei a chegar atrasada. -Olá, Natali.
Se ele me despede, volto a dizer-lhe que estou grávida.
Dás-me uma ajudinha, querida?
Não te preocupes.
BOATOS
Hoje, a seguir ao Factos.
Poucos momentos antes da estreia mundial do sucesso de bilheteira dela
e um momento antes de o pé dele partir o copo no casamento do ano,
Noa Hollander está cá para a primeira entrevista em conjunto
com o seu noivo, Amos Dahari.
Eles são um casal tão perfeito. Tenho de ver isto.
Meu Deus! Desculpa. Perdoa-me, minha querida.
Como me fui esquecer? Perdoas-me?
Claro, Natali. Não importa. Porque pedes desculpa?
Por tudo o que passaste com ele e com ela,
eu venho aqui e...
Não há problema. Já ultrapassei isso. Não me afeta.
-Desejo-lhes toda a sorte do mundo. -Bem, estás a encorajá-los?
Sim. Queres café?
Duas colheres de açúcar.
Fui-te leal até ao fim.
Traíste-me num instante.
O dinheiro é dele.
-Bom dia. -Bom dia.
Onde está aquela besta?
Ela voltou a esquecer-se de colocar 20 torradeiras na reunião.
Deixa a pobrezinha em paz, Dudi.
Acredita em mim, se ela não namorasse com o meu sobrinho,
já a tinha enfiado numa torradeira há muito tempo.
Hoje vão entrevistar a Noa Hollander e o ex-namorado dela.
Ela está um caco.
Ele não só lhe deu com os pés,
como ela agora tem de o ver nas revistas
e na TV, a viver como um rei, enquanto ela é uma mera rececionista.
Isso é triste, realmente.
Todos os dias há pessoas que vêm cá ver a tipa
cujo namorado foi roubado pela Noa Hollander.
Eu não os deixo.
Primeiro, têm de comprar uma chaleira.
-Olá, Dudi. -Olá, Vanessa, como estás?
-Está tudo bem? -Tudo ótimo.
Vá, tenho de...
-Dudi. -Sim?
-A Natali chegou 45 minutos atrasada. -Vanessa!
E, agora, vai dizer-lhe que está grávida,
mas é mentira.
Qual é a probabilidade de ela engravidar
quando o marido dorme com Bat Yam inteira, exceto com ela?
O quê?
E se queria saber quem deixou 17 comentários negativos
na página do Facebook, fui eu.
Porque gritou comigo duas vezes.
Ninguém grita comigo duas vezes.
Vanessa, para. Olha que eu ligo ao meu sobrinho.
Recuso-me a trabalhar num lugar que coloca a cara de alguém
nas minhas mamas.
Isso é assédio sexual!
Vou apresentar queixa contra si na Polícia, está a perceber?
Portanto, não só não vai fazer queixinhas ao seu sobrinho,
como vai enviar-lhe uma mensagem a dizer que sou tão boa
que me despediu por ser sobrequalificada.
Seus coscuvilheiros. Víboras.
Vou enfiá-la numa misturadora.
Espero que não penses que isto afeta a minha masculinidade.
Nada disso.
Diz a verdade, seu cobarde.
-Talvez um pouco. -Também és antiquado.
E estão ambos presos a estereótipos.
Também faço injeções.
A importância disto é das poucas coisas que aprendi com os marados dos americanos.
Certo, Eden?
Exato. Não se chega a magnata de hotéis quando se tem cara de...
... albergue.
Lá está.
Não digas à Noa que me viste a comer isto.
Certíssimo.
Então, Gideon, porque estou aqui?
Eu entrei em conflito com a minha filha e tu foste atingido no fogo cruzado.
Lamento imenso por isso. Acredita.
Odeias-me?
Quanto me odeias?
Não o odeio, mas...
-...disse algumas coisas horríveis. -É verdade.
Há certas coisas que não devem ser ditas.
Quero que saibas
que fico mesmo contente por seres tu a estar debaixo do chuppah com a Noa.
Torço por ti.
-O Gideon não me conhece. -Conheço, pois.
És dedicado, és bom rapaz, ajudas a tua família
e tens um talento incrível.
Eu odiei todos os ex-namorados dela.
Cambada de putos ricos mimados.
Especialmente este último, o "bonitinho".
Intragável! Que raio foi aquilo?
Se ela quisesse casar com ele, eu teria recusado.
Estás a ouvir?
Sim, é só que...
Para um pouco.
Amos.
Queres saber qual foi a primeira decisão que tomei
depois do enfarte que tive há três meses?
Teve um enfarte?
A Noa não me falou disso.
A Noa não sabe. Ninguém sabe. Só tu.
Se não fosse esta rapariga incrível a encontrar-me a desfalecer
no meu tapete afegão e a fazer-me respiração boca a boca,
não estaríamos nesta belíssima suite, eu a receber uma pedicure
e tu a cheirares a pita.
Mas isso não importa.
O que agora importa
é que o Gideon antes do enfarte é diferente do Gideon depois do enfarte.
Quando encaras a morte de frente,
ficas a saber o que queres fazer com o tempo que te resta.
E aquilo que eu quero
é o amor da minha filha.
Nada mais.
E tu vais ajudar-me.
Só um empurrãozinho.
Cheguei.
-Estás atrasado. -O que vou fazer?
A sério? Porque não tomaste banho?
Não disseste para ser eu mesmo durante a entrevista?
És doido.
Ela precisa de devolver as roupas à loja.
-Vão ficar a tresandar. -Eu não tresando.
Estive com o teu pai.
-Como assim, estiveste com o meu pai? -Estive.
Ele quer falar contigo e acho que o devias ouvir.
O quê?
-Onde foi isso? -No hotel dele. A Eden levou-me lá.
A Eden...
Noa, ouve, ele passou por uns problemas
e quer resolver as coisas contigo.
Para mim, basta.
-Já chega! -Hollander!
Estão todos vestidos? Todos com bom aspeto?
A sério? Não podias ter tomado um banho, antes de vires?
Podem parar com isso? Não cheiro mal.
Há por aí algum desodorizante?
-Boa noite a todos. -Olá.
Noa, querida, estás deslumbrante.
E este deve ser o Amos Hollander.
Que engraçado.
-O que foi, estás nervoso? -Um pouco.
Não estejas. Vais portar-te lindamente.
Dou-te uma dica: sê tu próprio.
Não tentes fingir ser algo que não és.
-E olha para mim, sim? -Mik, está tudo bem.
Ele já foi avisado, está tudo bem.
-Vamos lá, Miki. -Eu vou entrar.
Divirtam-se, sim? Zvik, certifica-te de que eles se divertem.
Adeus.
Ele é como um peido sem cheiro.
Eu estava a ver, Vanessa.
O que é isto?
Primeiro, uma atualização importante.
Sorri.
Isso mesmo.
Vais arrasar. Boa sorte.
-Estás bem? -Um pouco nervoso.
Não te preocupes. Estás comigo.
Merav, Assaf.
O vosso irmão está prestes a aparecer em frente ao país inteiro.
Não o íamos ignorar?
Declarámos tréguas humanitárias.
-Assaf! -Estou aqui.
Agora, sem mais demoras, é com todo o prazer que recebo
o casal que nos dará o casamento do ano.
Senhoras e senhores,
deem as boas-vindas a Noa Hollander e Amos Dahari!
Olá.
Estás linda. Maravilhosa.
Olá para ti também.
Antes de mais, parabéns pelo noivado.
-Obrigada. -Obrigado.
Obrigada.
Já há alguma data? Estou convidado?
Claro que sim. Serás o anfitrião.
Fantástico. Diz-me uma coisa, Noa.
São tão fofos.
Vamos falar sobre o teu primeiro filme de Hollywood,
Gangster, com o Bradley, que vai estrear brevemente no mundo todo.
Incrível.
Desempenhas o papel de uma rapariga italiana pobre
que se apaixona por um mafioso rico.
É um pouco como a vossa história, não achas, Amos?
Estás a dizer que sou uma mafiosa, Miki?
Não, eu é que sou uma rapariga italiana pobre.
Bem, vamos falar disto só um bocado.
Desde que estão juntos, a tua vida mudou.
Sim, é o que as pessoas me dizem.
Então, tu deixaste Bat Yam e foste viver para uma moradia enorme.
Pelo que li, vocês passam a vida a viajar.
Diz-me lá, quantas vezes foram...
Para quê tanta pressa para fazer o pedido, Noa?
Passados dois meses, eu já me estava a conter.
Percebi desde logo que o Amos era o tal
e tudo o que eu queria era meter-me debaixo dos lençóis com ele
e nunca mais sair.
É mesmo assim, pai. Eu adoro-a.
Também posso ir convosco para debaixo dos lençóis?
Vá, Amos, partilha comigo.
Conta-me algo sobre a Noa que nós desconheçamos.
O que há para dizer?
Não tens nada para dizer sobre mim?
Há imensas coisas.
-A regra do beijo? -Não, Amos, para.
O que é isso?
Não te metas, Noa. Amos, que regra é essa?
Todos queremos saber.
É uma regra que temos para quando um de nós sai...
Basicamente, não nos despedimos sem um beijo.
É como nós.
E se, por engano, um de vocês se esquece de dar o beijo, o que acontece?
São dois dias de discussão.
Bem, agora até quero que um de vocês tenha de sair do estúdio
só para vermos um beijo.
-Concordam? -Sim!
-Beijo! -Beijo!
-Beijo! -Beijo!
-Beijo! -Beijo!
Lindos.
Vocês são tão encantadores.
Ora bem, Noa, mudando rapidamente de assunto,
há uma coisa que creio que devias abordar.
Isto é um vídeo que foi publicado há umas horas,
com o título "Noa Racista".
O que é? Uma rábula?
Não, não é isso. É de um paparazzo.
É completamente real.
És tu.
Ora bem, não o vais deixar convidar 700 pessoas.
Caso contrário, a noite mais importante da tua vida
vai parecer um festival iemenita.
A Haddas, a secretária do meu pai,
casou-se com um tipo chamado Sharabi
e a família toda dele passou a noite a dançar, toda suada, à volta de um copo.
Credo.
E eles foram tão forretas
que nem cobriram os custos.
Ainda fazem uma cerimónia na qual te vestem
de empregada dançarina...
Pare esta entrevista imediatamente.
Senão, processo-a e a toda a gente envolvida com esta brincadeira nojenta.
-Entendido? -Só um minuto.
-Aproximem a Noa. -Não se atreva!
Ouçam, no aniversário do Amos,
os iemenitas suaram e dançaram em volta do copo,
e não me importei muito.
Quando isto terminar, não digas nada.
Agora, quando a mãe-galinha dele me pediu para tirar fotos
com todos os tios da avó dela e todos me abraçaram a suar,
-isso já foi um problema. -Nojento.
Estou a ficar com azia. Está a subir.
Está a subir em vez de estar a descer
Está a subir em vez de estar a descer
Noa, decerto não é fácil veres-te de fora,
a dizer palavras tão dolorosas e racistas.
Mas fico feliz que tenhas aqui uma oportunidade para pedires desculpa.
Muito bem, Miki.
-Muito bem. -Desculpa?
Tens imensa gente em casa a sentir-se magoada e com razão.
Merecem uma explicação que tu de certeza tens.
Ou seja, estás a fazer isto para me ajudar?
Sim, acho que pode ajudar, se explicares como acabaste
num café, com as tuas amigas, a falar mal de...
-Eu quero dizer algo. -Esta emboscada violenta
-que estão a... -Eras tu.
-Isto é um jogo. -Tu disseste aquilo.
-Posso falar? -É um jogo.
Espera um minuto. Sim, Amos, diz-me.
-Vamos ouvir o Amos. -Não.
-Esta entrevista terminou. -Nada disso.
-Não respondas. -Deixa-o.
-Não respondas. -Deixa-o falar. Amos.
Decerto não é fácil...
Não, Miki!
... ouvir a tua esposa dizer isto sobre a tua família,
-a tua mãe. -Eu quero...
-Eu acho... -Miki.
-Eu acho que a Noa... -Amos, para!
-O que pretendes dele? -Deixa-o falar.
Miki, peço-te que pares...
Ele saiu sem dar um beijo.
São dois dias de discussão.
Bem, vamos fazer um curto intervalo...
O que aconteceu?
A Noa odeia iemenitas.
Explica-lhe.
-Querida, juro-te... -Afasta-te de mim.
-Tzvika, ela insultou-me. -Tu vais pagar.
-"Seu falhado", disse ela. -Acredita que vais pagar!
-Ela que aprenda a controlar o que diz. -As tuas audiências de amanhã
serão minúsculas, como um certo membro teu.
Otário!
Vanessa! Eu sabia!
-Credo! -Tem vergonha na cara.
Tu é que devias ter vergonha por me espiares, seu tarado.
Dissemos que íamos afastar o Amos e a Noa das nossas vidas.
Falaste em "apagar e pronto".
A meu ver, aquilo que aconteceu na casa de banho
-é uma crise séria. -Aquilo que aconteceu na casa de banho
vai mudar a minha vida, a tua e a da minha mãe.
Cala-te e ouve!
Aconteceu uma coisa.
A rainha caiu.
A verdade veio ao de cima
e, muito em breve, virão à procura da nova rainha.
E eu, Vanessa Maimon,
garanto-te pessoalmente
que a coroa será tua.
Daphna.
Coroas, para mim, só se forem para os dentes.
Desculpa, Daphna,
mas a Vanessa é minha sobrinha e falámos de lhe dares outra oportunidade.
Não serei representada por alguém cujo escritório é a lavandaria dos pais.
Quero estar na Agência Eliyanah Tidhar.
Daphna, querida, se te queres ir embora, estás à vontade.
Tenho clientes e trabalho que chegue.
Tens? E onde estão eles? Escondidos na máquina de secar?
Sê sincera, Vanessa.
Não tens ninguém. Nem sequer és uma agente verdadeira.
Trabalhas numa loja de eletrodomésticos e recebes o salário mínimo.
Vendeste uma batedeira a uma amiga minha.
Já não trabalho lá.
Levanta-te, mãe. Vamos embora.
Tenho trabalho de casa de Química,
que é algo que claramente falta aqui.
Eu tentei, Vanessa.
-Estou? -Vanessa Maimon?
-Sim? -Somos do programa do Miki Lustig.
Quer vir ao nosso programa falar mal da Noa Hollander?
-A sério? -Muito a sério.
Esperem!
Isto é muito injusto, querida. Tu não és racista.
És o oposto de racista.
Nem terias dito nada,
se eu não comparasse o teu casamento a um festival iemenita.
Exato. Se alguém aqui é racista, é a Maya.
Pronto.
É melhor irmos.
Só para que conste,
já namorei um tipo meio iemenita e meio bukhari.
Então?
Já fizeste a sequela?
O vídeo já tem...
... 90 mil visualizações.
Sou, oficialmente, a mulher mais odiada de Israel.
Amos, sabes que eu disse aquilo na brincadeira, certo?
Era exatamente isso que eu ia dizer na entrevista, mas não me deixaste.
Voltaste a calar-me e, desta vez, foi em frente ao país inteiro.
-Eu sei, mas tens de perceber... -Não, tu é que tens de parar, Noa.
Estive nove anos com alguém que se apoderou da minha vida.
Ela dizia-me o que vestir, o que comer,
quando falar, quando me calar. Não vou voltar a isso.
Percebes?
Eu não queria fazer esta entrevista.
Não queria vir para esta casa enorme.
-E podes crer que não queria... -Casar?
Também te estou a forçar?
Eu sei que foi sem intenção.
Vem cá.
Os comentários matam-me.
É homicídio.
A minha mãe deve ter escrito 90 % deles.
Ela ficou mesmo ofendida, não?
Tenho de ir ter com eles e falar com ela.
Está bem.
Vamos amanhã.
Anda cá.
Amos.
-Noa racista! -Noa racista!
-Noa racista! -Noa racista!
-Noa racista! -Noa racista!
-Noa racista! -Noa racista!
-Noa racista! -Noa racista!
O que foi aquilo?
-Noa racista! -Noa racista!
-Noa racista! -Noa racista!
-Noa racista! -Noa racista!
Eles são loucos!
-Noa racista! -Noa racista!
Ali está ela!
Noa Hollander...
Credo, é aquela maluca do Parlamento.
E como membro da comissão da cultura,
estou aqui com os meus irmãos e irmãs iemenitas
a gritar!
-A sério? -Tenho vergonha de ti.
És um tumor maligno no corpo desta nação.
E não voltarás a ser convidada para eventos financiados pelo estado.
Eles são mesmo doidos.
Amos, deixa-a e vem para aqui!
-Amos, vem-te embora -Amos, vem-te embora
-Amos, vem-te embora -Amos, vem-te embora
Vem, temos imensas raparigas iemenitas.
Vou lá fora.
Estás maluco? Eles esfolam-te vivo.
Etty, daqui a três semanas,
quando este disparate desaparecer,
lembre-se só que me vai pagar quatro vezes mais.
E sabe que mais?
Etty, não. Não desligue.
Etty, querida, espere. Por favor. Etty...
Eu disse que não te queria voltar a ver.
Eu sei. E a SHE não quer voltar a ver nenhum de nós.
Estão a ser boicotados no Facebook e querem cancelar o contrato.
Sem comentários.
Fora isso, está a decorrer um protesto enorme
contra ti em Bete-Seã.
Estrelas da música estão, neste momento,
a preparar o novo sucesso dos casamentos: "Encontra Outra, Amos."
Sem comentários. E...
-Já chega. -... ainda não sabemos nada
da Associação Antirracismo, da Liga Anti-Calúnia
e algum deputado insignificante
que tentará passar uma lei contra ti pelos seus 15 minutos de fama.
Sim, Sivan dos boatos. O que foi, querida?
Cheirou-lhe a sangue?
Sem comentários!
Esta manhã, também ligaram de Los Angeles.
Isto já chegou a Los Angeles?
Tens reunião marcada com o realizador do novo filme do James Franco.
-Não acredito. -Acredita.
-Estás a brincar comigo? -Não.
Enviei-lhe uma cena do Gangster e...
... ele adorou-te!
Quer ver-te imediatamente!
Querida.
Ouve, ontem foi um desastre e foi da minha inteira responsabilidade.
Quase arruinei aquilo que andamos a construir há 12 anos.
Fiz asneira, isso é certo, mas...
... só eu nos posso safar.
E só eu te posso levar à Lua. Estamos quase lá.
Nenhum deslize legítimo sobre iemenitas nos vai parar, está bem?
E como nos vais safar disto?
-Noa racista! -Noa racista!
-Noa racista! -Noa racista!
-Noa racista! -Noa racista!
-Noa racista! -Noa racista!
Senhoras e senhores, estou aqui em nome da Noa Hollander.
-Afastem-se, por favor. -Porque não veio ela?
-É por cheirarmos mal? -Não, esperem...
Ela que venha cá fora.
Pessoal, vamos ter um pouco de calma.
Vamos provar a todos que os povos mizrahim e asquenaze
conseguem ter discussões civilizadas, sem gritar.
-Acho que não é por aí. -Ninguém te perguntou nada.
Volta para os arbustos.
Parem de atirar comida.
Ali está ela.
Amos...
Amos, Noa...
Fechem o portão! Fechem-no!
Fechem o portão!
No dia após a transmissão do vídeo,
dezenas de membros da comunidade iemenita
manifestaram-se em frente à residência Hollander.
Naturalmente que o sistema político
ficou do lado da comunidade iemenita.
Pessoas que dizem coisas tão racistas,
como a Noa Hollander,
deviam ser presas.
Tem vergonha na cara! É isso que lhe vou dizer, quando a vir.
A questão é:
onde foi que ela aprendeu este racismo?
Onde? Recuso-me a acusá-la de...
Só para que saibas, partiste-me o coração.
Até ontem, eu era a futura sogra
da encantadora Noa Hollander.
Recebia descontos no supermercado,
falava a todos de como eras amável e de como éramos próximas.
E, num segundo, mandaste-me de volta à minha infância,
quando os meus colegas de turma me chamavam "nódoa com caracóis".
Já chega, mãe. Porque tens sempre de exagerar? Ouve.
-A Noa só quis dizer... -Amos, deixa-me falar, sim?
Eu disse que queria pedir desculpa.
Se é assim que pensas, não vale a pena.
Mas eu não penso assim.
-Então, porque o disseste? -Basta, Amalia!
Deixa-a falar.
Amalia.
Nestes últimos seis meses em que namoro com o Amos,
não me apaixonei só por ele.
Apaixonei-me por todos vocês.
Vocês são a minha família.
E eu sou assim.
Às vezes, digo disparates e acho que tenho piada.
A Amalia viu como o meu pai é.
Não tenho mais família nenhuma.
Não vos quero perder.
Se queres assim tanto fazer parte,
porque só permites 50 iemenitas suados no teu casamento?
-Merav, não te metas. -Porquê?
Vocês estão prontinhos para a perdoar.
Aquilo foi só uma conversa com as amigas.
Não sabes que mais ela diz
sobre nós ou sobre ti, nas nossas costas.
Porque estás a armar tanta confusão?
Se eu tivesse gravado tudo aquilo
que disseste sobre a Noa,
quantas explicações terias de dar?
Basta disto, está bem?
Todos dizemos coisas racistas sobre os asquenazes na brincadeira.
Deixem de ser tão presunçosos.
Valha-me Deus.
Então, andas a falar mal de mim, Merav?
Vá, já chega.
Temos um casamento para breve
e eu recuso-me a destruir esta família.
Noa...
... perdoo este deslize, desde que não se volte a repetir.
Obrigada, Amalia.
Como pedido de desculpa,
suponho que posso convidar quem quiser para o casamento?
Convide Bat Yam inteira.
Isto é, se quiserem aparecer.
Não és muito bem-vinda em Bat Yam, querida.
Iemenitas e Noa racista,
estão prontos para provar o primeiro prato do casamento?
Não tem carne e é tudo kosher.
Os tomates são de Israel.
Então, é isto que vai ser o primeiro prato? Pasta de tomate?
Não é pasta de tomate, é gaspacho.
-Sopa de tomate. -Está fria!
Ao menos, aquece este "gestapo".
Lá está ela outra vez.
É assim que se serve. Agradeçam e comam.
E não a insultem. Ela já anda triste por vossa causa.
Especialmente tu, Amalia.
Está muito bom, Blanca.
-Está mesmo muito bom. -Muito obrigada, pai Avi.
Assaf, desculpa, mas isto é pasta de tomate...
Só lhe falta a massa de malawach.
-Desculpa. -Espera, Blanca.
Caramba, eu disse-vos para pararem. Ela fica ofendida!
-O que vos deu? -Já chega. Desculpa.
O que é aquilo?
-Porque está a Vanessa na TV? -Boa noite.
Vanessa Maimon, agente de talentos e ex-namorada do Amos Dahari,
vai mostrar-nos como a Noa Hollander não só é racista,
como também destrói famílias.
Voltamos após um curto intervalo.
Estás a ver isto?
Estou a ver e a resolver.
Já chega.
Olá, Zvik.
Miki, o que estás a fazer?
Cometeste um grande erro ao falar como me falaste, ontem.
Por isso, vou espetar o último prego
no caixão da tua diva racista.
Informo-te de que os meus advogados...
-Desfruta, querido. -Miki, não desligues.
Miki.
Miki...
Olá, Amos.
O que estás a fazer?
Tudo o que for preciso para promover a minha agência
e a minha nova cliente. Que, já agora,
adora todas as cores e etnias.
Vanessa, a Noa não merece isto e eu muito menos.
Mas eu mereço.
Tzvika, o que fazemos?
Ouvimo-la e respondemos a seguir.
Ela é louca.
-Não podemos fazer nada. -Como assim?
Tzvika, a última coisa de que precisamos é que ela diga mal de mim na TV, caramba.
É ela?
É a Vanessa?
Estou?
Envia-me o número da Vanessa por mensagem.
Onde está a maquilhagem que eu pedi?
-Eu sei o que faço. -Pronto. Só quero que ela fique bonita.
NÚMERO PRIVADO
Vanessa, vamos para o ar dentro de um minuto.
Põe o teu telefone em silêncio.
Se achas que ligar de outro número te vai ajudar, enganas-te.
Vanessa, muito prazer. Daqui fala a Eden, assistente pessoal do Gideon Hollander.
Sabe quem é o Gideon Hollander, certo?
Sei. Em que posso ajudá-la?
Por acaso, eu é que posso ajudá-la.
O que tenho de fazer para que não fale sobre a Noa?
Nem pensar.
Diga lá.
Deve haver alguma coisa de que precise que eu lhe possa oferecer.
Quero o escritório do Tzvika Granot.
Ela quer o escritório do Tzvika.
É seu.
O carro e a secretária também.
Daphna, levanta-te.
A entrevista está cancelada.
Nada disso.
Vai fazer a entrevista na mesma, querida.
Eles não me amam porque não te amam a ti.
Só querem saber do teu irmão e da tipa rica e mimada.
Isso não é verdade, Blanca.
Não é verdade! Amam-nos por igual...
... mas de formas diferentes.
Nós não acertámos com a sopa.
-Devíamos ter feito algo com menos... -Menos quê?
... tomate?
Ela diz coisas horríveis sobre ti e tu perdoa-la.
Eu fiz o melhor prato espanhol
que a minha avó me ensinou e riem-se de mim.
Quero a minha mãe!
A NOITE DO MIKI
Boa noite a todos, estamos aqui com Vanessa Maimon.
-Olá, Vanessa. -Boa noite, Miki.
Boa noite a todos.
Vanessa, tu e o Amos estiveram juntos durante nove anos.
Quase se casaram.
Depois, apareceu a Noa Hollander. Conta-nos como foi.
Eu e o Amos namorámos durante nove anos e duas semanas.
Durante esses nove anos, senti-me...
... presa,
insatisfeita.
Uma mulher madura
presa num frigorífico escuro.
Por isso, deixei-o
e abri a minha primeira agência, a Maimon Representation Israel.
Certo.
Trouxe a nossa melhor cliente.
Espera, já voltamos à tua cliente.
Antes de mais, diz-me: o que achas da Noa Hollander?
É encantadora.
Desculpa?
Como?
Se há coisa que não se pode dizer sobre a Noa Hollander
é que é racista.
Sei que todos ficaram horrorizados com o vídeo que viram, mas...
-Foi muito mau. -Sinceramente,
têm de compreender que é o nosso sentido de humor.
-Reparem, tenho orgulho em ser marroquina. -Sim.
Se ouvissem todas as piadas que digo sobre marroquinos,
também diriam que sou racista.
Deixemos o público decidir por si em relação ao que vimos.
Quero que me contes sobre como ela te roubou o noivo!
Tens de prestar atenção às notas, Miki.
Eu deixei o Amos.
A Noa ficou com os restos.
-Isso não foi o que me disseste. -Já segui com a minha vida há muito tempo.
Não, não foi isso que me disseste antes de o programa começar...
Trouxe a estrela principal da nossa agência...
Espera aí...
Alguém me explica o que se passou aqui?
Passou-se que o teu pai te salvou o couro.
O que eu digo à Daphna
é que ser modelo...
É ser um exemplo.
-Exatamente. -Encantador.
Assim, antes de a Daphna se tornar uma estrela, quero que ela seja humana.
E só depois alcança a fama.
Tal como a Noa Hollander,
que é fantástica, diga-se de passagem.
-Vamos fazer um curto intervalo... -Caramba.
O que foi isto?
A NOITE DO MIKI
Fica sabendo que és uma mentirosa!
Sou uma mulher forte que quer ir além dos seus limites.
Um pouco de empatia não te ficava nada mal.
Ouve bem, eu acabo contigo e com a fedelha.
Uma fedelha com mais 37 seguidores do que tu no Instagram, Miki.
-Posso tirar uma foto? -Sim.
-Eu também? -Anda.
-E eu. -Claro.
-Olá. -Olá.
SUITE PRESIDENCIAL
Amos, vem cá. Vamos dar-lhes um momento a sós.
Obrigada.
Lamento por tudo o que fiz, tudo o que disse
e tudo o que vou fazer.
Será que podemos virar a página?
Podemos tentar.
Comecemos por despedir a tua assistente.
Não gosto dela.
Sem problema.
Dás-me um abraço?
É uma vista incrível.
Eden, obrigado por tudo o que fez por ela.
A sério, eu...
Eu tenho a certeza de que ela está agradecida.
Obrigada pelo que fizeste por ele.
Ele está-te agradecido.
Também eu, se é que serve de alguma coisa.
Não serve de nada.
Vais passar a semana toda a comer isto em todas as refeições.
Porque fizeste tanto? Dá para tomar banho nisto.
O que foi?
Espera lá!
Levanta-te, Blanca.
A partir de amanhã, serás a favorita da minha família.
-Carmen. -Olá, parvalhão.
Temos de ir.
-Adeus, mãe. -Devolve-me a minha filha.
Blanca!
Olá!
-Miki Lustig? -Sim?
-Sou uma grande fã de Espanha. -Que bom. Obrigado.
Tenho de ir. Estou com pressa.
Pode dizer olá à minha tia?
Ela gosta muito de si e vive em Barcelona.
Em Barcelona? A sério? Está bem, como se chama ela?
Carmen.
O Amos e a Noa Dahari mandam cumprimentos.
Corre, Blanca! Corre!
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