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NETFLIX APRESENTA
CIDADE DE NOVA IORQUE
Vamos l�!
Imbecil!
Desculpem l� isso.
PARA ADULTOS - A��O - NU
Vou j�!
Vamos l�!
Vou j�!
Estou? Bolas! C�us!
Estou? Jesus!
O que recomendas para um ataque catat�nico no estacionamento?
Eu... Pergunta ao teu m�dico.
Da� eu ligar. Acabou de cancelar.
Posso ir a�?
Donald, adiantaste-te um dia e meio.
- O que fa�o? - Acabei de entrar.
N�o estou pronto para ti. O cretino cancelou porqu�?
N�o sei. Est� muito doente.
Diz-lhe que est�s mais do que ele.
J� sabe isso.
Est� bem, Donald, vem para c�, mas traz um saco de gelo.
N�o me d�s responsabilidades.
N�o consigo lidar com nada mais complicado
do que a tua morada.
Se quiseres um mart�ni gelado quando chegares, traz gelo.
- Levarei gelo. - E despacha-te.
Tenho de ir.
Eu estava a cumprimentar um velho amigo.
O que foi?
Para a esquina da 10th com a Broadway.
Vou j�! Jesus!
- Como entraste? - A porta da rua estava aberta.
- Queres uma bebida? - S� ap�s tomar um duche.
Quero que algo resulte, hoje.
Vou tentar relaxar e desfrutar de algo.
Est�s deprimido por causa do m�dico?
Credo, n�o! Eu j� estava deprimido antes de l� chegar.
Isto deve animar-te.
Hoje fui �s compras e comprei todo o tipo de coisas boas. V�.
- Sabonete de s�ndalo. - J� me sinto melhor.
O que temos aqui?
A tua escova de dentes,
pois estou farto que uses a minha.
- Como achas que me sinto? - J� tiveste coisas piores na boca.
Tamb�m para ti, algo chamado "Control".
Repara que n�o diz que � "laca".
Simplesmente "Control" e as palavras "para homens"
escritas 37 vezes em toda a maldita lata.
Sim, chama-se Garantia de Macho.
Ainda � laca, mesmo que lhe chamem "tomates".
Est� na tua prateleira,
que vai ser rotulada de Kit de Duche de S�bado � Noite do Donald.
Passas a noite aqui?
N�o, vou conduzir de volta.
Ainda sinto comich�o quando fico muito tempo nesta cidade.
O cretino n�o te ligou para cancelar?
E se tivesses guiado at� aqui em v�o?
Porque lhe chamas sempre cretino?
Que terapeuta est� duas horas com um paciente num s�bado � noite?
Simplesmente prefere folgar �s segundas-feiras.
Trabalha at� tarde ao s�bado e folga � segunda?
Ele � um psiquiatra ou um cabeleireiro?
Na verdade, � ambos.
Analisa-me a cabe�a e depois penteia-me.
Al�m disso, eu at� tinha de vir � cidade para um anivers�rio, certo?
Tinhas de me fazer lembrar.
Se h� algo para o qual n�o estou preparado
s�o cinco queens hist�ricas a cantarem os "Parab�ns".
- Quem vem? - Acho que conheces toda a gente.
As mesmas florezinhas velhas e batidas que v�s por a� desde o in�cio.
Por acaso, sabes?
Ser�o sete, a contar comigo, contigo e com o Harold.
Est�s a chamar-me queen hist�rica ou florzinha batida?
Pe�o desculpa.
Ser�o seis florezinhas queens, hist�ricas e batidas,
e um queer ansioso.
Vou j� sair do teu caminho. S� tenho de fazer mais uma coisa.
Cirurgia? T�o cedo � noite?
"�abr�o".
� franc�s com uma cedilha.
Tenho de pentear o meu cabelo pela 37.� vez.
Cabelo, � singular.
O meu cabelo, sem exagero, est� claramente a cair no ch�o.
Est�s totalmente paranoico. Tens muito cabelo.
N�o, o que v�s � tua frente � uma obra-prima do engano.
As minhas ra�zes come�am aqui.
Tudo isto � torturado para a frente.
V�.
N�o � bom, pois n�o?
N�o � o melhor.
Chama-se envelhecer.
Enfim... Pelo menos, na masturba��o
n�o temos de estar no nosso melhor.
Ent�o, porque est�s t�o deprimido? Para al�m do habitual?
N�o quero discutir isso.
Donald, se n�o me vais dizer,
como podemos ter uma conversa profunda?
Uma amizade calorosa, gratificante e significativa.
Vai bugiar!
� s� que, hoje, finalmente percebi que fui criado para ser um fracasso.
Fui preparado para isso.
Credo! Qu�o fartos devem os terapeutas ficar
de ouvir como a mam� e o pap� tornaram o queridinho deles numa florzinha.
Vai muito al�m disso, agora.
Hoje, finalmente comecei a ver
como outras pe�as do puzzle se relacionam com eles.
A minha compuls�o neur�tica para n�o ter �xito.
Sei que era sempre quando fracassava que a Evelyn me amava mais.
Porque desagradava ao Walt, que queria perfei��o.
Comecei a fracassar de prop�sito para ter amor.
� s� com o fracasso que me sinto � vontade.
� o que me ensinaram em casa.
N�o.
O que � mais chato do que um queen a imitar a Judy Garland?
Um queen a imitar a Bette Davis.
Onde a compraste?
Numa lojinha genial na Rive Droite chamada Herm�s.
Esfalfo-me
por uns m�seros 45 d�lares por semana a lavar soalhos
e tu andas a� a rodopiar e a atirar-lhes camisolas de caxemira.
A do ch�o da casa de banho � de vicunha.
Pe�o desculpa.
Podias arranjar um emprego diferente.
Ningu�m te obriga a ser uma mulher a dias.
Isso �, como dizes, a tua neurose.
E eu a pensar que tinha nascido para isso.
Al�m disso, l� porque visto roupa cara,
n�o significa que seja paga.
Isso �, como dizes, a tua neurose.
Contudo, gra�as ao cinema, a tua neurose tem estilo.
Requer um certo gosto para se esbanjar o subs�dio de desemprego no Joe Allen.
O que � t�o chique em estar enterrado em d�vidas?
A �nica coisa inteligente
� a forma h�bil de me esquivar dos cobradores.
Sim, pensando bem,
�s do tipo que d� mau nome aos panascas.
E tu, Donald, �s um m�rito para os homossexuais.
�s um panasca fi�vel, trabalhador, que lava soalhos e paga as contas,
que n�o deve nada a ningu�m.
Sou uma florzinha modelo.
Achas que � catita
como sempre saltei de Beverly Hills para Roma, Acapulco e Amesterd�o,
tendo muitos casos de uma noite
e muita roupa feita � medida ao longo do caminho?
Estou aqui para te dizer que, em todos aqueles quil�metros,
s� me senti feliz no maldito avi�o.
Correr, cobrar.
Correr, comprar, pedir emprestado, fazer, gastar.
Correr, esbanjar, suplicar.
Correr, correr. Desperdi�ar...
... desperdi�ar.
E porqu�?
Finis. Aplauso.
- Ent�o? - Para. N�o tens de o fazer.
V� l�.
N�o h� nada melhor do que sentir pena de ti mesmo, pois n�o?
Nada.
Est� bem.
Adoro sentimentos vulgares.
Bastidores de Funny Girl.
- Ol�, � o Alan. - Alan?
Meu Deus!
Alan, n�o acredito. Como est�s? Onde est�s?
Estou aqui... em trabalho.
Ouve, o que vais fazer esta noite?
Estou ocupado. Alan, esta noite n�o d� para mim.
Tamb�m estou ocupado, mas pensei em passar por a� para uma bebida.
O qu�, agora?
Alan, velho amigo, escuta-me.
� o anivers�rio de um amigo e vou receber algumas pessoas.
E desculpa n�o te poder convidar para te juntares a n�s. � s�...
N�o daria certo, mi�do, sabes?
E eu detestaria ver-te s� por dez minutos
e despedir-me. - Mickey, por favor?
Alan?
- Mickey? - Alan...
O que se passa?
Tenho de te ver j� por causa de uma coisa.
Est� bem, Alan, vem c�.
N�o, est� tudo bem.
Vem c� e bebe uma bebida r�pida,
mas apressa-te. - A mesma morada de sempre?
- Sim. - Est� bem.
Bem...
... estou espantoso?
Est�s absolutamente espantoso.
Est�s uma merda, mas eu estou espantado.
A tua atitude est�, como dizes, azeda. A minha bebida?
N�o a preparei. Ligou-me o meu antigo colega da Georgetown.
- Alan qu�? - McCarthy.
Veio de Washington em trabalho ou assim
e est� a caminho daqui.
Espero que saiba a letra de "Parab�ns".
Ouve, imbecil. O que vou fazer? Ele � h�tero.
O que achar� do circo que reservei para o jantar?
Credo, � mesmo bom!
Descontrolou-se totalmente ao telem�vel.
Come�ou a chorar e n�o � nada o estilo dele.
O Alan � t�o controlado
que n�o mostraria emo��o numa queda de avi�o.
O que vou fazer?
De repente, tens vergonha dos teus amigos?
Donald, �s a �nica pessoa que conhe�o de quem tenho realmente vergonha.
Algumas pessoas t�m crit�rios diferentes dos teus e dos meus, sabias?
E se n�o os reconhecermos,
somos t�o retr�grados e tacanhos de esp�rito como as julgamos.
Sabes o que �s, Michael? Uma pessoa verdadeira.
Obrigado. Vai-te foder!
Queres caranguejo partido?
N�o, obrigado.
Como pudeste ser amigo de um chato assim?
Acredites ou n�o, houve uma altura na minha vida
em que n�o andava por a� a anunciar que era panasca.
Deve ter sido antes da fala ter substitu�do os gestos.
N�o me chateies com isso. S� me assumi depois de sair da faculdade.
Parece-me que a primeira vez que nos prostitu�mos,
conhecemo-nos num bar gay na Third Avenue, durante o teu terceiro ano.
Cabr�o.
Estava a ver que n�o o dizias!
N�o espere acordado.
Ol�, cara linda.
- Est�s giro. - Sempre.
- Ol�, Emory. - Ol�.
Sabem que detesto meter-me entre voc�s os dois assim.
Ao menos um de n�s detesta.
Isto vai ser divertido.
Maravilha!
� tudo o que precisamos, que chova.
- Queres mais �gua com g�s? - O qu�?
S� h� �gua com g�s nesse copo.
Vigio-te h� v�rios s�bados.
Deixaste de beber, n�o foi?
E de fumar tamb�m.
- H� quanto tempo? - Cinco semanas.
- � espantoso. - Encontrei Deus.
- � espantoso. Para ti? - Ou Deus est� morto?
Sempre percebi quando ficavas pedrado. Sentido �nico.
Eu ficava agressivo.
O que te fez parar? O terapeuta?
Teve certamente muito que ver com isso.
Sobretudo, achei que n�o aguentaria outro fanico da manh� seguinte.
Outro qu�?
Fanico! De ansiedade, de culpa insond�vel.
Desde que abres os olhos e dizes:
"C�us! O que fiz ontem � noite?"
A quem o dizes.
E depois aquela luta para sobreviver at� ao almo�o,
quando bebes um Bloody Mary duplo, se esperaste at� ao almo�o.
E depois passas o resto da tarde novamente meio b�bedo e in�til.
Ent�o, esperas at� � hora dos cocktails
e, nessa altura, est�s pronto para o que a noite te reserva,
que esperas que seja outra festa.
E recome�a todo esse maldito ciclo.
J� andava nessa roda-viva h� tempo suficiente
e ou tinha de sair ou morrer da for�a centr�fuga.
O Z� Faculdade finalmente chegou.
Pronto, Donald, escuta-me.
N�o me insultes dando-me um serm�o sobre comportamento social aceit�vel.
Prometo sentar-me com as pernas afastadas e manter a voz profunda.
Donald, �s mesmo um cabr�o empenhado.
Muito bem. Isto � uma rusga.
Est�o todos presos.
Ol�, querido. Guisado da Connie. Mary, n�o perguntes.
Ol�, Emory. V�, podes p�-lo na cozinha.
- Ol�, Hank. Larry. - Quem � esta mulher ex�tica?
Querida, julguei-te morta!
Onde escondias os teus tra�os bem esculpidos?
J� n�o vivo na cidade.
Eu levo-os. Emory, o teu presente?
Chega mais tarde.
Larry.
Larry!
- O que foi? - D� o presente ao Michael.
Toma.
Berra, para a minha m�e te ouvir em Filad�lfia.
- Estavas a� em transe. - Estava?
- Ambos conhecem o Donald, n�o �? - Sim. Que bom ver-te.
- Ol�. - Muito prazer.
Desculpem. Pensei que se conheciam.
Ainda n�o nos conhecemos, mas...
- Ol�. - Ol�.
Mas o qu�?
J� nos vimos antes.
Isso parece d�bio.
Nunca se conheceram, mas viram-se.
- Qual � o problema do que eu disse? - V�o ter a primeira discuss�o.
A primeira desde que sa�mos do t�xi.
Onde achaste este lixo?
L� em baixo, encostado a um poste de ilumina��o.
Com uma flor atr�s da orelha
e l�bios h�midos pintados por cima da linha labial.
- Como a Maria Montez. - Por favor!
O que tens contra a Maria? Era uma boa mulher.
Espera. Escutem todos.
Um velho amigo meu da faculdade est� na cidade
e vem c� para uma bebida r�pida a caminho do jantar,
mas � h�tero, por isso...
H�tero? Se � o que eu conheci, � t�o h�tero como o Yellow Brick Road.
N�o, conheceste o Justin Stuart.
N�o me lembro de o conhecer.
- Claro que n�o, palerma. Conheci-o eu. - � outra pessoa.
Sim, o Alan McCarthy, um perfeito estranho muito �ntimo.
N�o � que me interesse o que pensaria de mim. A s�rio.
� s� que n�o est� preparado para isso e nunca estar�.
- Entendes isso, n�o �, Hank? - Claro.
Achas mesmo que ele n�o sabe de ti?
Se houve a menor suspeita, ele nunca revelou.
O que fez ele, uma lobotomia?
Eu era muito cuidadoso quando andava na faculdade
e ainda sou sempre que o vejo.
- N�o sei porqu�, mas sou. - Marado.
Eu era como o Alan quando andava na faculdade.
Sa�a com muitas mulheres.
S� vestia a roupa empertigada da Ivy League
e aqueles sapatos pesados de cordov�o.
- Sem ofensa. - Est� tudo bem.
Armei-me bastante em macho e achei que n�o mentia a mim mesmo.
Julgava mesmo ser h�tero.
Sei muito bem que s� me assumi ap�s me formar.
E aqueles fins de semana da escola?
N�o me tinha assumido.
Ainda julgava que era fruto do �lcool.
"Credo! Estava t�o b�bedo ontem � noite que n�o me lembro de nada!"
Isso mesmo.
Sentias-te culpado porque eras cat�lico.
- S� isso. - N�o � verdade.
A s�ndrome Ontem-Estava-Como-Um-Cacho n�o conhece religi�es,
embora haja uma percentagem alta disso entre os m�rmones.
Com quem tens de foder para arranjar uma bebida por aqui?
Podes acalmar-te algures?
Naqueles tempos, de certo modo, todos consegu�amos justificar os nossos atos.
Eu soube depois que at� o Justin Stuart, o meu amigo mais �ntimo...
Al�m do Alan McCarthy.
Cala-te. Ele fazia o mesmo.
S� que o Justin ia para Boston aos fins de semana.
� que com a s�ndrome Ontem-Estava-Como-Um-Cacho,
estamos mesmo b�bedos. Essa parte � verdade.
S� que tamb�m nos lembramos de tudo.
Muitos tipos t�m de se embebedar para fazer sexo.
Foi o que me disseram.
Donald,
se te lembras, a primeira vez que fizemos,
eu estava t�o b�bedo que mal conseguia ficar de p�.
Estavas t�o b�bedo que mal o conseguias levantar.
- Estava t�o b�bedo que nem me lembro. - Treta! Lembras-te.
C�us! Pronto, � o Alan.
Fa�am-me todos um favor. Acalmem-se enquanto ele estiver aqui.
Tudo por uma mana, Mary.
Emory, n�o!
Desculpa, mas � exatamente disso que falo.
- Nada aparatoso. - Desculpa.
Os Giants v�o ganhar o galhardete este ano?
Sem d�vida, Z�.
- Ol�, Bernard. - Ol�, querido.
Levo isto. Est�o todos l� fora. P�e o presente com os outros.
� s� outra dama!
- E nem � a vermelha. - � a dama de espadas!
J� te disseram que ficarias divinal numa rede,
rodeado de estores venezianos, ventoinhas de teto e fetos tropicais?
�s t�o panasca. Leva o bolo. Levanta-te.
- E o bolo? A quem cabia isso? - A mim. Pedi para virem entregar.
Quantas velas mandaste p�r? Oitenta?
Espera, Alan. H� barulho a mais. Vou buscar outro telefone.
- Michael, o bolo veio? - N�o.
- C�us! Posso usar a tua linha privada? - Sim.
Escutem todos, h� ali caranguejo partido. Sirvam-se.
Pode dar-me o n�mero da Marseilles Bakery, em Manhattan?
- Todos prontos para uma bebida? - Sim!
Prontos? Serei a empregada dos cocktails em topless.
Poupa-nos a vis�o das tuas mamas desca�das.
O que bebem, mi�dos?
- H� cerveja? - No frigor�fico.
- Vou buscar. - Cerveja?
- Quem bebe cerveja antes de jantar? - Os que a bebem.
Como pode um artista sens�vel como tu viver com um touro insens�vel assim?
N�o posso.
H� esperan�a.
Alan, n�o sejas pateta! N�o tens de pedir desculpa.
� s� que me sinto um grande tolo.
Posso matar-me por me deixar agir assim.
Olha, ainda bem. Tenho pessoas aqui.
N�o seria uma boa altura para conversar.
Que tal isto? E se almo�armos amanh�?
Sim. Encontramo-nos no Oak Room por volta das 13 horas?
Parece-me perfeito.
E escuta, Michael, podes esquecer esta noite?
Fingir que nunca aconteceu?
Alan, feito. Est� esquecido.
- Vemo-nos amanh�? - �timo.
Sim, querido! Vamos l� ouvir esse som!
Uma batida e os olhos deles brilham como Cartier.
Terr�vel.
Obrigado, Bernard.
Pareces abastecer-te para o ver�o todo.
Est�s a gozar? Vai durar-lhe dois dias.
Ele n�o vem.
Uns comem, outros bebem e outros drogam-se.
- Eu leio. - Sim, e l� muito.
Admira-me que os olhos n�o se virem
perante uma sobrecapa.
Ao menos � um escapista construtivo.
Isso � verdade. O que fa�o? Apanho avi�es.
N�o, j� n�o fa�o isso
porque j� n�o tenho o dinheiro para o fazer.
Vou aos banhos. E � isso.
Vou fazer ambos. Vou viajar para a Costa Oeste.
Em Tijuana, ainda fazem aquilo com o burro?
Vou para S�o Francisco numas f�rias bem merecidas.
Vou ao Club Baths
e s� saio quando anunciarem a partida da TWA uma semana depois.
Nunca aprendes a n�o ir aos banhos?
- Para... Bernard! - A �ltima vez que a Emily fez sauna,
entrou um grandalh�o peludo.
O Emory diz: "Estou s� a repousar."
O grandalh�o peludo disse: "Estou s� a prender."
- Era dos Costumes. - Emory!
Tens de contar tudo, n�o �? Obrigado, querido.
Vives com os teus pais?
Sim, mas est� tudo bem, s�o gays.
Achaste piada, Hank?
O que aconteceu ao Alan?
De repente, sentiu-se muito mal por se ter ido abaixo ao telefone.
Fartou-se de pedir desculpa.
Deu uma grande reviravolta,
reverteu para o velho Alan � frente dos meus olhos.
- Ouvidos. - Ouvidos.
O caranguejo partido n�o resultou, obviamente.
N�o sei porque todos o odeiam tanto.
�s vezes, lembras-me a tortura da �gua chinesa.
N�o, retiro isso.
�s vezes, lembras-me a implac�vel tortura da �gua chinesa.
Cabra!
- Onde estar� o Harold? - Sim, onde est� a fruta congelada?
O Emory chama ao Harold fruta congelada
devido � antiga profiss�o dele de patinador no gelo.
Ele est� aqui a parecer duro.
Se a tua m�e te pudesse ver agora, teria um ataque.
Tens uma c�mara?
Meu Deus, � a b�fia! Todos a um metro de dist�ncia.
Talvez seja o Harold.
N�o, � o estafeta da padaria.
- Gra�as a Deus! - Pergunta-lhe se tem p�es quentes.
V� l�, Emory. Para com isso.
Leva-a a qualquer s�tio menos para fora.
Lembras-me uma professora solteirona.
Tu lembras-me uma asa de frango.
Disseste isso como um elogio.
Boa noite.
Bernard, lembras-te daquilo que faz�amos na Fire Island?
Foi moda h� tanto tempo, que acho que me esqueci.
Eu lembro-me.
- Querido, anda, segue. - O que �?
- Abana. Gancho. - Sim.
Ordenha a vaca...
Tens de a abanar, de lhe bater.
- S�o as Rockettes Geri�tricas! - C� vamos n�s.
- Anda, Donald. - N�o, c�us!
- Cara�as, Hank! - Porque irias...
Pensei... Estou... Disseste que n�o vinhas.
Desculpa.
Est�vamos a agir como parvos.
Quando telefonei, estava numa cabina na esquina.
O meu jantar � perto daqui.
O Emory estava a mostrar-nos uma dan�a parva.
Passei por c� e a porta estava aberta.
Este � o Emory.
Este � o Alan McCarthy.
Da direita para a esquerda, temos o Larry, o Bernard, o Donald, o Emory e o Hank.
- Muito prazer. - Ol�.
- Queres uma bebida? - N�o, obrigado. N�o me posso demorar.
J� est�s aqui, por isso, fica. O que bebes?
- U�sque. - U�sque.
- Vou buscar. - Obrigado.
Sou o �nico que bebe cerveja.
- � o anivers�rio de quem? - Do Harold.
- Harold? - N�o chegou.
Ela nunca foi pontual na...
Ele... nunca foi pontual na vida dele.
Hank, o Alan � de Washington. And�mos juntos na faculdade de Georgetown.
Sim.
N�o � fascinante?
Se for muito forte, ponho �gua.
Est� �timo, obrigado.
- Est�s no governo, Alan? - N�o, sou advogado.
- O que fazes? - Dou aulas.
Ter-te-ia tomado por algum tipo de atleta.
Pareces praticar desporto.
N�o sou profissional, mas era da equipa de basquetebol da faculdade.
- Joguei t�nis. - Tamb�m jogo t�nis.
- Belo jogo. �, sim. - Sim, belo.
- O que ensinas? - Matem�tica.
- Matem�tica? - Sim.
Matem�tica.
Faz-nos querer ir a correr comprar uma r�gua de c�lculo, n�o �?
Emory, preciso de ajuda na cozinha.
- Foste eleito. Anda. - Sou sempre eleito.
- �s um dom�stico de nascen�a. - Disse o queen africano!
Tu tamb�m. Abana enquanto fa�o o molho para salada.
Por aqui, Emory.
Vamos sentar-nos?
- Sim. - Sim.
Sinto-me mal em interromper-vos assim.
N�o faz mal.
- Como est�s? - Bem, obrigado. E tu?
�s casado?
- O qu�? - Vejo que �s casado.
Sim, o Hank � casado. Donald, traz gelo.
- Tens filhos? - Sim, dois.
Rapaz, nove. Rapariga, sete.
Devias ver o meu filho a jogar t�nis. Envergonha mesmo o pai.
- Tamb�m tenho duas filhas. - �timo.
- Como est�o as mi�das, Alan? - Sensacionais.
- Sim? - Elas s�o fant�sticas.
C�us! Sou louco por elas.
- H� quanto tempo �s casado? - Nove anos.
- Acreditas, Mickey? - N�o.
O Mickey andava com a minha mulher na escola.
Acreditas nisso?
Meu Deus! Desculpem.
Vivem na cidade?
Sim, vivemos.
Estou a divorciar-me.
- Eu e o Larry somos colegas de quarto. - Sim, s�o colegas de quarto.
Lamento muito. Quero dizer...
N�o, compreendo.
- Acho que quero outro. - Com certeza. Desculpa.
Posso ajudar-te, Alan?
N�o encontro o u�sque.
Tem-lo na m�o.
Claro. Que est�pido sou.
- Deixas-me fazer-te isso? - Obrigado.
- Onde raio pode estar o Harold? - Chega sempre atrasado.
Sabes como � neur�tico sobre sair em p�blico.
Leva horas a preparar-se.
- Porqu�? - Porqu� o qu�?
Porque � que o Harold leva horas a preparar-se antes de sair?
� uma senhora doente. � por isso.
Alan, vamos conversar l� em cima?
Vou s� terminar isto e sair.
Anda. Podes trazer a bebida.
- Terminei-a. - Toma.
- Com licen�a. Descemos j�. - Ele ainda estar� c�.
- Anda. Por aqui, Alan. - Sim.
O que quiseste dizer?
- O que quis dizer? - Tu sabes.
- Queres outra cerveja? - N�o.
Tens ci�mes, n�o �?
Sou o Larry.
Tu � que tens ci�mes.
Donald, onde tens andado ultimamente?
N�o te via h� imenso tempo.
Alan...
... quero tentar explicar algo sobre esta noite.
O que h� para explicar? �s vezes,
n�o podes convidar toda a gente para as festas.
Algumas pessoas ofendem-se, mas eu n�o.
Devo pedir desculpa por me fazer convidado.
N�o era bem isso que eu queria dizer.
Os teus amigos parecem ser muito simp�ticos.
Aquele Hank � muito atraente.
Sim, �.
- Como se chama o colega de quarto dele? - Larry.
O que faz?
� criativo.
Tamb�m gostei do Donald.
O �nico que n�o me agradou muito foi...
Como se chama ele? Emory?
Sim, Emory.
N�o suporto aquela conversa. Irrita-me.
Que tipo de conversa, Alan?
Sabes, o tipo de humor dele, acho eu.
�s vezes, ele pode ser muito c�mico.
Suponho que sim, se achas isso divertido. Ele apenas...
... parece ser um maldito maricas.
Lamento ter dito isso. N�o o queria dizer.
� algo horr�vel de se dizer sobre algu�m.
Mas sabes o que quero dizer, Michael.
Tens de admitir que � efeminado.
- � um pouco. - Um pouco?
� como uma borboleta com o cio.
N�o admira que ele vos ensinasse a dan�ar.
Talvez quisesse dan�ar contigo.
V� l�. Conheces-me.
Sabes o que penso. A tua vida privada � problema teu.
N�o, desconhe�o isso sobre ti, Alan.
Eu...
Podem fazer o que quiserem, mas n�o em p�blico
nem tentar impor os seus modos ao mundo.
Porque choravas ao telefone?
S� te posso pedir que, por favor, me perdoes por fazer...
... figura de parvo.
Devias estar transtornado ou n�o dirias que estavas
e que me querias e tinhas de me ver.
- Por favor. - Passa-se algo entre ti e a Fran?
Tenho mesmo de ir.
Porque est�s c�?
- Atrasad�ssimo para o jantar. - De quem? Aonde vais?
- � a casa de banho? - Sim.
Com licen�a.
O que se passa aqui? Mary, n�o perguntes.
Hank, porque n�o te vens juntar a n�s?
� uma sugest�o interessante. De quem � essa ideia?
Minha.
Ele refere-se � conversa.
O resto dos copos de vinho?
Trabalho o mais r�pido que posso.
- � tua sa�de. - Mete-a no cu!
A sa�de no cu?
- O cavalheiro? - Est� na casa de banho.
Se puderem esperar mais cinco minutos,
ele vai-se embora.
Finalmente.
Parab�ns a voc�
Nesta data querida
Muitas felicidades Muitos anos de vida
Quem diabo �s tu?
Ela � o meu presente para o Harold, chegou cedo,
e aquele nem sequer � o Harold, idiota!
Disseste quem abrisse a porta.
Mas n�o at� � meia-noite. Ele deveria ser um cowboy da meia-noite.
Parece sa�do do coro de um Oklahoma! de baixo or�amento.
N�o at� � meia-noite e deverias cantar para a pessoa certa.
Eu disse-te que o Harold tem cabelo negro muito encaracolado.
Este tipo � praticamente careca.
Obrigado e vai-te foder!
Ainda bem que n�o abri a porta.
N�o t�o encaracolado nem t�o negro.
Esqueci-me.
E eu queria chegar aos bares � meia-noite.
Todo ele tem classe.
Como assim, "chegar aos bares"?
Fofo, paguei-te para a noite toda, lembras-te?
Magoei as costas durante os exerc�cios e queria deitar-me cedo.
Que pena. O que aconteceu?
Perdi a ader�ncia ao fazer eleva��es,
ca� de calcanhares e torci as costas.
N�o uses saltos quando fizeres eleva��es!
Eu n�o as devia fazer. Tenho pouca ader�ncia.
Fraca ader�ncia. No meu tempo, chamava-se pulso fraco.
Quem ainda se lembra disso?
- O que diz o teu postal? - Toma. L�.
"Querido Harold, pum! Est�s vivo.
Agora, rebola e finge-te morto.
Parab�ns, Emory."
Pura poesia, Emmy.
E no teu bom gosto habitual.
T�o conservador em resistires a um sinal na Times Square.
Sil�ncio, l� vem a freira do jet set.
Merda! Cara�as, Emory!
Vou-me embora. Obrigado pela bebida, Michael.
N�o tens de qu�. Ent�o, vemo-nos amanh�?
N�o, acho que vou estar muito ocupado. Talvez at� volte para Washington.
Tens um encontro na Lafayette Square?
- O qu�? - Emory.
Esquece isso.
�s o Harold?
N�o, ele n�o � o Harold. � para o Harold.
- Adeus, Hank. Foi bom conhecer-te. - Igualmente, Alan.
Vem a Washington conhecer a minha mulher.
Seria divertido. N�o seria, Hank?
Sim, decerto v�o gostar de o conhecer...
A ela.
Tenho problemas com os pronomes.
Quantos S h� na palavra pronome?
Queres beijar-me o cu? � capaz de ser melhor.
Queres mamar-me?
O que se passa com a tua mulher? Tem trismo?
Panasca! Maricas!
- Emory! - Seu maldito anormal!
Cabr�o! Vou matar-te, seu filho da m�e!
Panasca de merda!
- Tragam gelo! - Anormal!
Que raio se passa contigo?
Calma.
Ele rebentou-te o l�bio, amor. Larry?
Toma.
- C�us! - Raios!
Podes esperar ali com os presentes?
Harold! Parab�ns.
Chegaste a tempo do espet�culo,
que podes ver que � no ch�o.
Tu a�, este � o Harold.
Parab�ns a voc�
Nesta data querida Muitas felicidades
Muitos anos de vida
Que porra tem tanta piada?
A vida.
A vida tem um piad�o. Lembras-te da vida?
- Est�s pedrado. - Parab�ns, Harold.
Est�s pedrado e atrasado.
Devias ter chegado a este local
cerca das 20h30, 21 horas.
O que sou, Michael,
� um maricas judeu, feio e bexigoso, de 32 anos.
Se demoro um pouco a recompor-me
e se fumo um pouco de erva antes de ganhar coragem
para mostrar este rosto ao mundo,
ent�o, ningu�m tem nada com isso a n�o ser eu.
E como est�s esta noite?
Parab�ns, Hallie.
- O que te aconteceu? - N�o perguntes.
Tens os l�bios roxos.
Pareces ter beijado um boneco da neve.
Aquele cabr�o presun�oso bateu-me.
Cuidado, Emory. Esse tipo de fala enerva-o muito.
Quem � ela?
Quem era ela?
Quem espera ela ser?
Quem sabe? Quem se importa?
Ele chama-se Alan McCarthy.
N�o � o famoso amigo da faculdade? � a tua surpresa para mim, Michael?
Acho que a surpresa foi para o Alan.
- Repara que est� at�nico. - Que ela esteja em choque! � uma besta!
Tamb�m � o anivers�rio dele?
- � a tua surpresa. - Por falar em bestas.
De mim para ti, querido. Gostas?
Creio que ele tem um rosto e um corpo interessantes,
mas faz-me perder o interesse porque n�o fala inteligentemente de arte.
Sim, n�o � pena?
- Eu nunca amaria algu�m assim. - Nunca. Quem amaria?
Eu amaria e tu tamb�m, que n�o haja d�vidas.
A Mary � linda.
Pode ser burra, mas � toda tua.
O meu presente � uma grande surpresa. Estou radiante por o receber.
Eu beijar-te-ia, mas n�o me quero sujar de sangue.
Vejam o meu top!
Espera at� veres a tua cara.
Anda, Emory. Vamos limpar-te. Parab�ns, Harold.
Obrigado, amor.
- O top est� estragado. - Tira um meu l� do quarto.
O que est� no ch�o � de vicunha.
Mais um anivers�rio com o pessoal.
Eis um Pouilly-Fuiss� gelado que comprei especialmente para ti, mi�do.
Gatinho, est� tudo perdoado. Podes ficar.
N�o, podes ficar, mas nem tudo est� perdoado. Sa�de!
Quem convidou o Sr. Certinho para celebrar o meu anivers�rio?
N�o h� acidentes.
E quem o convidou?
Culpado.
Tens de ter sempre a tua muleta, n�o �?
N�o me vou embora.
Estou maldisposto. Acho que vou vomitar.
Repete isso e n�o terei de tomar os meus inibidores de apetite.
Devagar. Um passo de cada vez.
N�o estou pronto para o meu grande plano, Sr. DeMille.
Nem estarei nas pr�ximas duas semanas.
Meu Deus! Ele persegue-me de novo!
- Est� maldisposto. - Sim, da cabe�a.
Mary, leva-me a casa. Estes queens s�o loucos.
A ficar ganzado.
- Algu�m se quer juntar a mim? - Muito obrigado. N�o.
N�o, obrigado.
E tu, Tex?
Sim.
Michael, deixei o guisado no forno. Tira-o quando quiseres.
N�o te vais embora.
- Tamb�m n�o conseguia comer agora. - Estou faminto.
Vou comer at� me espojar no ch�o.
Eu disse que n�o te vais embora.
Cuidado com o panasca hostil.
Quando est� s�brio, � perigoso. Quando bebe, � letal.
- N�o lhe liguem. - Estou faminto, Em.
Estou pronto para a tua lasanha cozinhada com �pio da Alice B. Toklas.
Est�s mesmo?
Isso deixa-me t�o feliz. Talvez a sirva antes de partir.
Ningu�m vai a s�tio nenhum.
Vais ter azares inacredit�veis amanh�.
Venham eles!
Eu estou para l� virado. Tu est�s s� a virar-te.
- Michael? H� algum ambientador? - Laca?
Devias estar a segurar-lhe a cabe�a, n�o a pente�-lo.
Ambientador, n�o laca.
H� uma lata de spray floral por cima da sanita.
Obrigado.
Guardo a erva no arm�rio dos medicamentos, numa caixa de pensos.
� o lugar mais seguro.
Se a Pol�cia chegar, fechamo-nos na casa de banho
e deitamo-la na sanita.
� muito cauteloso.
� melhor do que onde a guardava.
Num frasco de or�g�os no porta-especiarias.
Esquecia-me sempre e a odiosa da minha m�e ficava pedrada com uma salada,
mas acho que ela gosta.
Seja qual for a refei��o, ainda que seja o pequeno-almo�o, ela diz:
"Vamos comer salada!"
�s sem d�vida do tipo que ainda move os l�bios quando l�
e se senta numa sauna
e diz coisas como: "Est� quente que baste para ti?"
Nunca uso a sauna quando vou ao gin�sio.
� mau ap�s o exerc�cio. Desincha-te.
Ap�s teres partido as costas para inchares como um c�o envenenado?
- Sim. - Tens raz�o, Harold.
Ele n�o s� n�o sabe falar inteligentemente de arte,
como n�o sabe seguir de uma frase para outra.
Mas � lindo.
Ele tem uma beleza natural antinatural.
- N�o que isso signifique algo. - N�o significa tudo.
Diz isso a ti mesmo enquanto o teu cabelo cai aos punhados.
N�o que n�o seja natural ficar com entradas ao atingir a velhice.
Os panascas s�o piores do que as mulheres sobre a idade.
Julgam que a vida acaba aos 30 anos.
A beleza f�sica n�o � assim t�o importante.
Claro que n�o. Como podia ser?
Est� s� nos olhos de quem v�.
E � s� superficial. N�o te esque�as disso.
N�o, eu n�o me esqueci disso de todo.
� s� superficial e tamb�m � transit�ria.
� terrivelmente transit�ria.
Quanto tempo dura? Trinta, 40 ou 50 anos no m�ximo?
Sim, � pena o rosto deste pobrezinho.
� tr�gico.
Ele est� totalmente amaldi�oado.
E como pode a beleza dele ser comparada com a minha alma?
Embora eu nunca a tenha visto,
sei pelo rabi da minha m�e que � um espanto.
Contudo, n�o a consigo localizar para uma olhadela
e, se pudesse, vendia-a logo
por uma beleza sem significado, transit�ria e superficial.
Perdoa-o, Pai, pois ele n�o sabe o que faz.
Michael, tu matas-me.
N�o sabes de que lado da veda��o est�s.
Se disserem algo pr�-religi�o, �s contra eles.
Se negarem Deus, �s contra eles.
Pode dizer-se que tens um problema nessa �rea.
N�o consegues viver com nem sem isso.
- Comida quente a passar! - Ent�o?
Sabes que mais? Podiam matar-te com muito pouco esfor�o.
Agarra-te a essa bela ap�lice de seguro chamada igreja.
Exato, acredito em Deus.
E se se revelar que n�o existe nenhum, n�o h� nada perdido.
Mas se se revelar que existe, estou protegido.
A Harriet Hip�crita, � quem �s.
Certo. Sou um daqueles cat�licos verdadeiramente reles
que se embebeda, peca a noite toda e vai � missa na manh� seguinte.
Depende do que pensas que � pecar.
Podes calar a tua boca mentolada e voltar para a cozinha?
Diz o que quiseres. Mas n�o me batas.
� maior do que um palito de p�o?
Ele deitou-se um bocadinho.
- Como cheira a casa de banho? - Melhor.
Antes, cheirava como se tivessem vomitado.
Agora, cheira a v�mito num canteiro de gard�nias.
O jantar est� servido!
O que gostarias, matul�o?
O Alan McCarthy, e n�o cortes na maionese.
Em, est� absolutamente fabulosa.
Eu seria uma boa esposa de algu�m.
- O que �? - Lasanha.
Parece esparguete e alm�ndegas achatadas.
Esteve na sauna.
- Esteve? - Meu Deus!
"Parece esparguete e alm�ndegas achatadas."
Sim, Harold, verdadeiramente invej�vel.
Ao contr�rio de ti, que sabes tanto sobre a alta-cozinha.
Contador de hist�rias, gastr�nomo, troll.
- � boa. - Gostas? Come.
Enche a boca para n�o dizeres nada.
A come�ar.
- Vinho? - N�o, obrigado.
V�, mi�do. For�a-te.
Bebe um pouco de vin ordinaire para empurrar a massa calcada.
Sommelier, connoisseur, porco.
N�o te vais servir?
N�o, os meus l�bios doem muito ao comer. Algu�m levou um prato ao Alan?
O saco de boxe dissolveu-se agora em Flo Nightingale.
Gostas, Hallie?
Vou repetir uma, duas e talvez at� mais vezes.
Estou mesmo desesperado para manter o peso.
�s mesmo paranoico com absolutamente tudo.
Sim? Porque n�o paras de me dizer isso?
Passas o dia cheio de fome
para te poderes empanturrar numa refei��o
e depois queixas-te de qu�o gordo e feio est�s,
quando na verdade n�o est�s mais gordo ou mais magro do que eras.
- Superparanoia. - Isto est� �timo, Emory.
Guisado da Connie. Sem problemas. Mary, n�o perguntes.
E este atraso patol�gico � francamente louco.
A come�ar!
Ficar horas � frente do espelho de uma casa de banho
antes de poderes sair � rua
e n�o pareceres diferente ap�s sabe-se l� quantas aplica��es
de sabe-se l� quantas pomadas, b�lsamos, cremes e m�scaras.
Tenho uma pele m�. O que te posso dizer?
Quem n�o teria ap�s deliberadamente pegar numa pin�a
e mutilar os poros?
N�o admira que tenhas buracos na cara
depois do mau trabalho que fizeste em ti ano ap�s ano.
Rei da gente porca.
Sim, tens cicatrizes na cara, mas n�o s�o assim t�o m�s.
E se te deixasses em paz,
n�o terias mais do que as que j� ganhaste.
Queres que te elogie agora, n�o �,
por seres t�o sincero?
Por seres o meu melhor amigo a dizer
o que nem os meus melhores amigos me dizem, sua porca odiosa.
E os comprimidos!
O Harold andou a juntar, a poupar
e a guardar barbit�ricos no �ltimo ano
como um maldito esquilo.
Centenas de Nembutal e de Seconal.
Tudo em prepara��o
e antecipa��o do longo inverno da morte dele.
Digo-te j�, Hallie,
quando chegar a hora, nunca ter�s a coragem.
Nem sempre � como acontece no teatro.
Nem todos os panascas se matam no fim da hist�ria.
O que dizes pode ser verdade.
O tempo indubitavelmente o dir�,
mas, entretanto, deixaste um pormenor de fora.
Os cosm�ticos e os adstringentes est�o pagos,
a casa de banho est� paga,
a pin�a est� paga
e os comprimidos est�o pagos.
Parab�ns a voc�
C�us!
Nesta data querida
Muitas felicidades
Muitos anos de vida
�s t�o querido.
Sopra as velas, Mary, e pede um desejo!
Sopra as velas, Laura.
- Ela tem 32 anos de juventude! - Meu Deus!
- Agora, tens de abrir os presentes. - Come�a por este.
Presentes! Onde est� o postal?
Toma.
- Do Larry. - Larry.
Porque o puseste atr�s?
� o para�so. Adoro, Larry.
- O que �? - A escritura do Passadi�o.
Arte pop gay.
Larry, � espetacular. Penduro-a mal chegue a casa.
- �timo. - N�o percebo.
Andas no engate em Atlantic City?
Quanto pagaste por ele?
- Foi um roubo. - N�o sou um roubo. Custo 20 d�lares.
E o que fazes por 20 d�lares?
Fa�o o meu melhor.
Que camisola catita.
Obrigado, Hank.
Podes sempre troc�-la por outra coisa.
N�o, acho que esta �... catita.
- Quem quer bolo? - Todos?
Eu n�o quero.
- V�. - Obrigado.
Bernard! Que divinal!
Vejam pessoal, joelheiras cobertas de joias.
Com monograma.
Bernard, �s aparatoso!
Obrigado, Michael.
Pelo qu�?
- De nada. - O que �, Harold?
� uma fotografia dele numa moldura de prata
com uma inscri��o e a data.
O que diz?
Apenas algo pessoal.
Bernard, o que dizes de termos m�sica para animar as coisas?
- Est� bem. - Sim, apetece-me dan�ar.
Anda, Michael.
N�o, obrigado. S� sei conduzir.
- Sei seguir. - Vou ficar a beber.
Anda, Tex.
Toca a trabalhar.
- Merda! - C�us...
- Michael! - Aten��o, ajudem a limpar.
Vai! Vamos l�!
Vem c�, mi�do.
- Malta, despachem-se! - Fechem a porta!
- V�, pessoal. - Vamos.
- Despacha-te! - Entra, porra!
Estou encharcado.
Tomem uma toalha. N�o molhem a mob�lia.
- Toma. Toalha. Seca-te. - C�us, Michael!
Obrigado, Michael.
Queres dan�ar?
A Ivone, a Terr�vel, voltou.
Ol�, Alan. Sentes-te melhor?
Alan, n�o.
Como dizem no Sul profundo, n�o saias � pressa neste tempo inclemente.
Nunca apanhar�s um t�xi.
Revolu��o completa.
Perdeste o bolo e a abertura dos presentes,
mas ainda est�s com sorte.
Chegaste a tempo para um jogo de festa.
Ou�am, pessoal, � hora de jogar.
Michael, porque n�o o deixas ir?
Ele pode ir se quiser,
mas n�o antes de jogarmos um joguinho.
O que vai ser, gim de estrelas de cinema?
N�o, � demasiado panasca para o Alan. Ele n�o seria bom nisso.
O que gostarias de jogar? O Jogo da Verdade?
Engra�ado, Hallie.
Ou gostarias de jogar Homic�dio?
- Todos se lembram desse, n�o? - Muito engra�ado.
Se bem me lembro, s�o semelhantes.
As regras s�o as mesmas em ambos: mata-se algu�m.
- Mickey, vou sair. - Fica onde est�s.
Michael, deixa-o ir.
Ele realmente n�o quer.
Se quisesse, j� teria sa�do h� muito tempo,
ou n�o teria vindo, para come�ar.
- Mickey. N�o me sinto... - O meu nome � Michael.
Chamo-me Michael.
Nunca chames "Mickey" a ningu�m chamado Michael.
Quem se chama Michael, fica muito nervoso com isso.
Se n�o acreditas, experimenta.
Desculpa. Eu...
N�o consigo pensar.
Consegues, sim.
O que n�o podes fazer � sair.
� como ver um acidente numa autoestrada.
N�o consegues olhar nem virar a cara.
Quem vai jogar comigo e com o Alan? Pessoal?
- N�o tenciono jogar. - Pois, eu tamb�m n�o.
Nem todos s�o participantes na vida.
H� sempre aqueles que ficam nas linhas laterais a ver.
- Qual � o jogo? - Simplesmente este:
Todos temos de telefonar
a quem cremos verdadeiramente ter amado.
- Eu n�o jogo. - Jogas, sim.
Querias que eu jogasse, n�o era?
A quem ligarias
ap�s os discursos pomposos que ouvi ultimamente?
A quem ligarias, Hank? A mim?
Parece que h�, como se diz, sarilhos no para�so.
Se n�o houver, podias decerto provocar alguns.
E a quem ligarias?
N�o julgues que penso que seria a mim.
Ou que bastaria uma chamada. Terias de fazer v�rias.
Tr�s interurbanas e s� Deus sabe quantas locais.
- Ainda bem que n�o pago a conta. - Caluda.
N�o te preocupes. O Michael tamb�m n�o a pagar�.
Agora, eis como funciona. Se fizerem a chamada, obt�m um ponto.
Se a pessoa a quem ligarem atender, obt�m mais dois pontos.
Atende outra pessoa, obt�m s� um ponto.
E se ningu�m atender de todo,
est�o lixados.
Est�o lixados se fizerem a chamada.
Quando a pessoa a quem ligarem atende,
se lhe disserem quem s�o, obt�m dois pontos. E depois...
Se lhe disserem que a amam,
obt�m um b�nus de cinco pontos.
Odioso.
Portanto, podem obter dez pontos no m�ximo e um no m�nimo.
Podemos obter zero pontos se soubermos como o fazer.
Hank, vens comigo?
Ora bem, ouviram aquilo?
N�o compreendes, Alan. N�o posso.
Tu podes, mas eu n�o posso.
Se ele n�o compreende, explica-lhe.
- Eu explico. - Achei que talvez o fizesses.
Alan, o Hank e o Larry s�o amantes.
N�o s�o colegas de quarto,
mas de cama, amantes. - Michael.
Nenhum homem com mais de 40 anos tem um colega de quarto.
Se n�o forem amantes, s�o manas gay.
- O Hank � quem tem mais de 40. - Est�s l� perto.
Hank.
Sim, Alan. Eu e o Larry somos amantes.
Mas...
�s casado.
Jesus!
Acho que disseste a coisa errada.
N�o adoras essa ideia engra�ada?
Se um homem for casado, � automaticamente heterossexual.
Alan, o Hank d� para os dois lados, com uma prefer�ncia clara.
Agora... quem faz a primeira chamada?
- Emory? - Vai tu, Bernard.
- N�o quero. - V�, liga ao Peter Dahlbeck.
- � para quem gostarias de ligar, n�o �? - Quem � ele?
O rapaz de Detroit
de cuja fam�lia a m�e do Bernard � lavadeira
desde que ele era um garotinho.
Tamb�m trabalhei para eles
ap�s as aulas e todos os ver�es.
Acho que o amei a vida toda.
Mas ele nunca percebeu que eu existia.
Al�m disso, ele � h�tero.
Nunca aconteceu nada entre voc�s?
Por fim, envolveram-se na casa da piscina uma noite,
depois de nadarem b�bedos.
Com o vinho e a m�sica certos, poucos h� que n�o s�o curiosos.
E a seguir, fomos nadar,
nus, no escuro, s� a Lua a refletir-se na �gua.
Que rom�ntico.
Na manh� seguinte, levaste-lhe o caf� e Alka-Seltzer numa bandeja.
Lembro-me de passar a manh� muito preocupado com ter de o enfrentar,
mas ele fingiu que nada tinha acontecido.
C�us! Devia estar t�o b�bedo que n�o se lembrava de nada.
� estranho como isso funciona.
E agora, para ganhares dez pontos, p�e esse mentiroso ao telefone.
Sabes o n�mero?
Sim, ele est� de novo em Grosse Pointe, a viver em casa.
Separou-se da terceira esposa.
- NA ou OC? - O qu�?
� g�ria de telefonista. Significa "n�o atende" ou "ocupado".
Ele nem lhe deu tempo para saber.
V� l�, Bernard. Pega no telefone.
Sabes que lhe queres ligar. Sabes disso, n�o �?
Vai em frente.
A curiosidade venceu-te. Por isso, v�, liga-lhe.
Faz isso.
- Est� l�? - Um ponto.
Quem fala?
- Sra. Dahlbeck. - Um ponto.
� o Bernard.
O rapaz da Francine.
Filho, n�o rapaz.
�timo, obrigado.
Sra. Dahlbeck, o Peter est� em casa?
Compreendo.
Merda!
N�o.
N�o. N�o � nada importante. Eu...
S� lhe queria dizer que...
Apenas dizer-lhe que eu...
Amo-o... e sempre o amei.
Que lamentei muito saber dele e da esposa.
Nenhum ponto.
A minha m�e escreveu-me.
Sim, �. Realmente �. Bem...
Importa-se de lhe dizer que liguei e que disse...
Que eu...
... lamentei muito saber
e espero que consigam resolver tudo.
Boa noite.
Adeus.
Dois pontos ao todo.
- P�ssimo. Pr�ximo. - Est�s bem, Bernard?
Porque liguei?
Porque fiz isso?
- Onde estava ele? - Num encontro.
V�, Emory.
� a tua vez.
Pode dar-me o n�mero, por favor?
No Bronx.
De um Delbert Botts.
Um Delbert Botts? Quantos poderia haver?
J� desejo n�o ter ligado.
N�o, o da resid�ncia, por favor.
Obrigado.
Desejo que as Informa��es parem de me chamar "senhora".
Ora essa! Rabisca por todo o meu telefone.
Sai com um pouco de cuspo.
Como muitas coisas.
Quem raio � o Delbert Botts?
A pessoa que sempre amei. Foi para quem mandaste ligar, n�o foi?
Exato, lima.
Como pudeste amar algu�m com um nome assim?
Sim, Emory, n�o poderias amar ningu�m com um nome assim.
N�o ficaria bem num cart�o do lugar. Certo, Alan?
Admito que o nome dele n�o � bom,
mas ele...
Absolutamente lindo.
Amo-o desde o primeiro dia em que o vi,
que foi quando eu andava no quinto ano
e ele era finalista.
Depois, ele foi para a faculdade
e, quando saiu, eu estava no liceu.
Ele tinha-se tornado dentista.
E foste arrancar todos os dentes que tinhas, certo?
N�o.
S� fui limpar os dentes, s� isso.
- Eu n�o devia ter ligado. - Podes calar-te, Bernard?
E leva para outro s�tio esses fanicos chatos que d�o sono. Vai.
Lembro-me de o ter olhado nos olhos durante todo o tempo.
Estava sempre a querer morder-lhe os dedos.
� absolutamente espantoso.
- Phyllis F�lica. - Espanta mesmo.
Eu disse-lhe que ia limpar os dentes
para o baile de finalistas para o qual estava encarregado das decora��es.
Disse-lhe que era um tema celestial,
eu ia recortar estrelas de papel de alum�nio
e fazer nuvens com rede de galinheiro e fibra de vidro.
Mary, � preciso ser-se uma florzinha para fazer algo bonito.
Uma vez, no Natal, entrou-me fibra de vidro na camisa.
C�us, que comich�o!
Seria terr�vel se aquele material te entrasse no...
Vou ficar calado.
Ele estava noivo de uma est�pida chamada Loraine,
cuja m�e era mesmo uma verdadeira cabra.
N�o divagues.
Enfim... eu estava um caco. Uma desgra�a total.
N�o conseguia comer, dormir, levantar-me, sentar-me, nada.
Finalmente, liguei-lhe e perguntei se o podia ver a s�s.
Manifestamente, n�o � o passo mais fixe.
Ele aceitou.
Disse-me para ir � casa dele.
Eu estava muito nervoso, as m�os tremiam. Nem conseguia olhar para ele.
Apenas... olhei diretamente para o espa�o e deixei escapar porque tinha vindo.
Disse-lhe que queria que fosse meu amigo.
Disse que nunca tinha tido um amigo com quem pudesse conversar,
contar tudo e confiar.
Perguntei-lhe se seria meu amigo.
Ele disse que teria gosto em s�-lo
e sempre que o quisesse ver ou ligar,
bastava ligar-lhe e ele ver-me-ia.
Apertou-me a m�o tr�mula e fui-me embora...
... numa nuvem.
Numa das que tu mesmo fizeste.
E, no dia seguinte,
sa� e fui comprar-lhe um isqueiro revestido a ouro
e mandei gravar as iniciais dele.
Escrevi um postal que dizia: "Do teu amigo, Emory."
Dezassete anos e j� generoso com as prendas.
Depois, na noite do baile,
ouvi a Loraine e outra rapariga que eu conhecia aos risinhos.
Obviamente, o Del tinha contado � Loraine sobre a minha chamada e prenda.
Depressa, todos no baile sabiam disso.
Riam-se e faziam piadas.
Todos sabiam que eu tinha uma paixoneta pelo Dr. Delbert Botts
e que lhe tinha pedido para ser meu amigo.
O que n�o sabiam era que eu o amava
e continuaria a am�-lo
anos depois de todos terem esquecido o meu segredinho estranho.
Eu, pelo menos, preciso de uma inje��o de insulina.
- Liga-lhe. - N�o, Emory.
Desde quando lhe dizes o que fazer?
N�o. Vais arrepender-te. Acredita em mim.
O que tenho a perder?
A tua dignidade. � o que tens a perder.
Essa � de chorar a rir. Adoro...
Est�s a falar-lhe de dignidade,
mas permites que ele te degrade constantemente,
tornando-te servil.
Ele pode faz�-lo. Eu posso faz�-lo. Mas tu n�o o podes fazer.
Isso n�o � discrimina��o?
N�o gosto disso dele nem de mim.
Mas fa�o-o a mim mesmo
e deixo-o faz�-lo.
Deixo-o faz�-lo porque � a �nica coisa que,
para ele, faz dele meu igual.
Ambos fomos desditosos na vida,
mas consegui muito mais do que ele e ele sabe disso.
Deixei-o tornar-me servil
s� para poder dizer a si mesmo que n�o � um falhado total.
Muito atencioso da tua parte.
� a defesa dele, Michael.
Tens a tua defesa, mas � indescrit�vel.
Querem ouvir uma piadinha de sal�o educada do Sul profundo liberal?
Sabem porque � que os pretos t�m l�bios t�o grandes?
- Porque andam sempre a... - C�us, Michael!
D�-me isso. Larga, Michael.
Passo bem sem o teu cuspo no meu telefone, seu cobarde efeminado!
Posso ser efeminado, mas n�o sou cobarde!
Bernard...
... perdoa-me. Desculpa.
Nunca mais te direi aquelas coisas.
- OC. - Est� ocupado?
A Loraine deve estar a falar com a m�e.
Sim, o Delbert casou com a Loraine.
Desculpa, ter�s de ceder a tua vez. N�o podemos esperar.
N�o perdes tempo.
- A quem ligas? - Ao Charlie.
Recuso-me a ceder a minha vez. � a minha vez e vou tom�-la.
� assim que se fala, Emory.
Bate nesse icebergue! N�o o falhes. Bate nele! Cara�as!
Quero um grande final.
- C�us, estou b�bedo! - �s um queen a cair, efeminado e b�bedo.
Diz o roto ao nu.
N�o estou b�bedo. N�o podes dizer que o estou.
- Estou b�bedo. - Eu tamb�m.
- Sou um beberr�o. - Cala-te e disca.
Sou um beberr�o desta ou de qualquer outra esta��o.
Est� a tocar. J� n�o est� OC.
- Est� l�? - Um ponto.
Quem fala?
Quem?
Dr. Delbert Botts?
Dois pontos.
Del, �s mesmo tu?
Ningu�m.
Sim, n�o me conheces. N�o te lembrarias de mim.
Sou...
Sou s� um amigo.
Um amigo a cair de b�bedo.
Est� l�?
Est� l�?
Est� l�?
- Ele desligou. - Tr�s pontos ao todo. Est�s a ganhar.
Disse que era a festa errada.
Tem raz�o. Temos a festa errada.
A festa � tua, Hallie. Est�s a divertir-te?
Simplesmente fabulosa.
E tu? Est�s a divertir-te, Emory?
Est�s a divertir-te como pensavas?
- Agora, sou eu. - N�o, sou eu a ligar ao Charlie.
N�o... Permite-me.
Vais ligar ao Charlie?
N�o, Hank.
Quero faz�-lo.
Larry.
Faz-me esse grande favor!
Vai ligar ao Charlie por ti?
O Charlie � toda a gente com "que" traio o Hank.
Com quem traio o Hank.
O talhante, o padeiro e o ferreiro.
Exato! Adoro-os a todos,
mas o que o Hank n�o quer entender � que tenho de os ter a todos.
N�o sou do tipo que se casa. Nunca serei.
A quem ligas?
J� te ocorreu
que ele pode estar a fazer nas tuas costas
o que fazes nas dele?
Quem me dera que ele o fizesse. A minha vida seria muito mais f�cil.
A quem ligas?
Seja quem for, n�o est� a controlar o telefone.
- Est� l�? - Devia estar no banho.
- Um ponto. - Quero deixar uma mensagem.
N�o est�. Um ponto.
Pode dizer que o Hank ligou?
Sim, �.
- Boa noite. Como est�s? - Quem raio � ele?
Sim, exato. A mensagem � para o Larry, o meu colega de quarto.
Apenas diga que liguei...
� o nosso servi�o de atendimento.
... e disse "amo-te".
Hank, est�s louco?
Ouviu-me bem. Foi o que eu disse.
� para o Larry.
De mim, o Hank, e � tal como eu disse.
Amo-te.
Sim, obrigado.
Sete pontos ao todo.
Hank, lideras, querido! Est�s bem mais � frente de todos.
Porqu�, Hank? Porque fizeste isso?
Porque o amo mesmo e n�o me importa quem sabe.
- N�o digas isso. - Porque n�o? � a verdade.
Deixei a mulher e a fam�lia pelo Larry.
- N�o estou interessado em ouvir isso. - Est�s.
V�, Hankola. Fala-lhe disso.
N�o o quero ouvir! � nojento.
Fazem-no por outra mulher.
Consigo entender isso. � normal.
Nem sempre funciona assim, Alan.
Por mais que o possas querer e Deus sabe
que nunca ningu�m quis mais do que eu.
Senti mesmo que estava apaixonado pela minha mulher
quando nos cas�mos,
mas havia sempre aquele algo mais.
Sempre?
N�o sei. Creio que sim.
Soube o que eu era desde que tinha quatro anos.
Todos sempre souberam isso de ti, Emory.
Eu tamb�m sempre soube isso de mim.
N�o sei quando admiti a mim mesmo...
... mas dava-lhe sempre outro nome ou negava-o totalmente.
"C�us, estava t�o b�bedo ontem � noite."
�s tantas, j� n�o podia mentir a mim mesmo.
Pensei nisso, mas nunca fiz nada.
A primeira vez foi durante a �ltima gravidez dela.
Viv�amos perto de New Haven, no campo.
Os professores iam reunir em Nova Iorque.
A minha mulher n�o se sentiu apta a viajar. Vim � cidade sozinho.
Naquele dia, no comboio, comecei a pensar nisso.
E a matutar nisso.
E a matutar nisso.
N�o pensei em mais nada a viagem toda.
E 15 minutos ap�s termos chegado,
eu tinha engatado um tipo no WC dos homens da Esta��o Grand Central.
C�us!
Eu nunca tinha feito nada assim.
Estava muito assustado.
Ele acabou por ser um bom tipo.
Nunca mais o vi.
� engra�ado.
J� nem sequer me lembro do nome dele.
Depois disso, tornou-se mais f�cil.
A perfei��o nasce da pr�tica.
Algum tempo depois,
conheci o Larry numa festa a que eu e a minha mulher fomos.
E come�aram os teus verdadeiros problemas.
Isso foi h� dois anos.
Porque sou sempre o maldito vil�o nesta pe�a?
Se n�o sou o feliz destruidor de lares,
sou um filho da m�e com quem � imposs�vel viver.
A culpa transforma-se em hostilidade.
N�o � assim, Michael?
Vai espetar a pin�a na bochecha.
Estou farto at� � ponta dos cabelos
que todos sintam imensa pena do pobre e explorado Hank.
Larry, todos sabem que �s prom�scuo.
Nunca fiz promessas.
Nem pretendo fazer.
Tenho o direito de viver a minha vida sexual sem dar satisfa��es a ningu�m,
incluindo o Hank.
E se esses termos n�o s�o aceit�veis, n�o podemos continuar a viver juntos.
Ter muitas rela��es faz parte de como sou.
Ser libertino n�o implica ser gay.
Com isso, n�o quero dizer gay. Emory...
�s a pessoa mais prom�scua que conhe�o.
N�o sou nada prom�scuo!
N�o por escolha, por design.
Porque quereriam ir para a cama com um maricas ardente como tu?
- Michael! - Quem te tentaria engatar?
Digo-te quem. Ningu�m.
Exceto talvez um fugitivo do Instituto Braille.
Porque o deixas falar assim?
A beleza f�sica n�o � tudo.
Obrigado, Quasimodo.
Como achas que � viver com a maldita Gestapo?
Nem posso respirar sem ser severamente interrogado.
Larry, �s tu a ligar.
E estou t�o farto desta rotina
de vamos ser fi�is e nunca olhar para outra pessoa.
N�o d�. Se quiseres prometer isso, tudo bem.
Promete-o e mant�m-te fiel a isso.
Mas se tiveres de o prometer,
quanto a mim, nada termina uma rela��o mais r�pido.
Deem-me Librium ou metanfetamina.
Sim, liberdade, querido!
Tens de a ter. N�o funciona de nenhum outro modo.
Os que juram fidelidade eterna uns pelos outros mentem.
A maioria deles, seja como for. 90 % deles.
Traem-se constantemente e depois mentem.
Lamento n�o poder ser assim. Isso deixa o Hank louco.
H� aqueles 10 %.
A �nica forma de ter uma hip�tese � com algum tipo de compreens�o.
Tentei alinhar nisso.
- Poupa-me! - Aceitei um acordo.
- O teu acordo! - Que acordo?
Um m�nage.
Muita gente acha que � a solu��o, mas n�o � o meu estilo.
Eu decerto n�o o quis.
- Quem o sugeriu? - Era um compromisso!
- Exato! - Aceitaste!
N�o aceitei nada.
Aceitaste a tua proposta e depois informaste-me que aceitei!
N�o entendo. O que � um...
Dou-te um pontap�!
O m�nage, querido. Dois � companhia, tr�s � um m�nage.
- Funciona para alguns. - N�o gosto de terapia de grupo.
N�o me identifico com ningu�m nem nada assim.
Sou antiquado.
Gosto de todos, mas um de cada vez.
Gostaste do Donald como uma �nica atra��o secund�ria?
Sim.
- Disseste-lhe? - N�o.
Foi perfeitamente �bvio desde que entraste.
Como era a can��o e dan�a
sobre se terem visto, mas nunca conhecido?
N�o me olhes assim, Hank.
Namoriscaste com aquele pinguim a noite toda.
Queres que os tr�s fa�amos uma tentativa.
- Pelo menos, seria juntos. - Esse ponto escapa-me.
Que tipo de compreens�o queres?
Respeito!
Respeito pela liberdade um do outro sem ser preciso mentir ou fingir.
Hank, � minha maneira, amo-te,
mas tens de entender que, embora queira viver contigo,
�s vezes, pode haver outros.
Se isso acontecer, sei que nunca o mencionarei.
Mas se me perguntares, dir-te-ei.
Ele obt�m pontos.
O qu�?
Ele disse-o. Disse "amo-te" ao Hank. Obt�m o b�nus.
- N�o lhe ligou. - Ligou-lhe.
S� n�o usou o telefone.
- Ent�o, n�o obt�m nenhum ponto. - Obt�m cinco pontos.
N�o usou o telefone. N�o obt�m nadinha!
� para ti, Hank!
Est� l�?
Um ponto.
Ol�, Hank.
Dois pontos.
� o Larry.
Mais dois pontos.
Se te vale de algo, amo-te.
B�nus de cinco pontos.
Eu...
... tentarei.
Eu tamb�m.
- S�o dez pontos ao todo. - O Larry � o vencedor.
N�o foi t�o divertido como pensei que seria.
O jogo n�o acabou.
� a tua vez, Alan. Pega no telefone, amigalha�o.
- N�o. - N�o te metas!
N�o tens de o fazer, Alan.
Emory, pe�o desculpa pelo que fiz antes.
Esquece isso.
Perdoai-nos as nossas ofensas.
C�us!
Agora s�o insepar�veis?
A quem vais ligar, Alan?
N�o te lembras de ningu�m?
Creio que esta ser� a volta final.
Michael, n�o vais ligar a ningu�m?
Como poderia ele? Nunca amou ningu�m.
N�o importa que estejas perto
� duro ser preto
Para, Michael!
Mas � mais duro ser judeu
Meu Deus, Michael, �s um anfitri�o encantador!
O Michael n�o tem encanto, Donald.
O Michael tem desencanto.
- Espera, vais a algum s�tio? - Sim, com licen�a.
Vais perder o fim do jogo.
Com sorte, s� des�o quando tiver acabado.
O que achas que se passa l� em cima, Alan?
O que imaginas que o Larry e o Hank fazem l� em cima?
Seja o que for que estejam a fazer, n�o magoam ningu�m.
E est�o a tratar da vida deles.
Sim, trata da tua, Harold. Estou a avisar-te.
Ai sim?
Est�s a avisar-me?
A mim?
Sou o Harold.
Sou a �nica pessoa a quem n�o avisas, Michael,
porque eu e tu somos iguais.
E somos muito cautelosos um com o outro
porque ambos jogamos muito bem o jogo um do outro.
Conhe�o este jogo que est�s a jogar.
Conhe�o-o e jogo-o muito bem.
Tamb�m jogas muito bem, mas sabes uma coisa?
Sou o �nico que � melhor nisso do que tu.
Consigo vencer-te, portanto, n�o me provoques.
Eu � que te estou a avisar.
Tens piada, Hallie.
Tens um piad�o. Ele n�o � c�mico, Alan?
Ou como talvez digas: "Ele n�o � divertido?"
� um panasca divertido, n�o �?
Ou, como talvez digas, anormal.
Foi o que chamaste ao Emory, n�o foi? Um anormal, um maricas.
C�us, que vocabul�rio antiquado tens!
Surpreende-me que n�o tenhas dito "sodomita" ou "pederasta".
� melhor deixares-me atualizar-te.
J� ouviste o termo "closet-queen"?
Sabes o significado?
Sabes o que significa estar "no arm�rio"?
Se insinuas que sou homossexual,
s� digo que est�s enganado.
Estou?
E o Justin Stuart?
O que tem ele?
Estavas apaixonado por ele, � o que tem.
E � para quem vais ligar.
Eu e o Justin somos muito bons amigos. S� isso.
Segundo o Justin, essa amizade foi bastante apaixonada.
Como assim?
Dormiste v�rias vezes com ele, na faculdade.
- N�o � verdade. - V�rias vezes.
Uma vez, � juventude. Duas, talvez seja uma fase.
V�rias vezes, gostas.
- N�o � verdade. - Sim, �!
Porque o Justin Stuart � homossexual!
Costuma vir a Nova Iorque e liga-me.
Tenho-o levado a festas.
O Larry teve-o uma vez e ele contou-me tudo sobre ti.
Ent�o, contou-te uma mentira.
Estavas obcecado com o Justin.
S� falavas disso de manh�, � tarde e � noite.
Come�aste a fazer isso com o Hank l� em cima, esta noite.
"Que tipo atraente ele �." Toda essa merda transparente.
S� disse que era atraente.
Quantas vezes tens de o dizer?
Quantas vezes tens de o dizer sobre o Justin?
Que bom tenista ele era, que bom dan�arino era,
que bom corpo tinha, qu�o inteligente era,
qu�o divertido era, como as mi�das estavam todas loucas por ele,
que amigos �ntimos eram.
�ramos amigos muito �ntimos e bons. S� isso.
Era �bvio.
E quando o fizeste perto da Fran, foi francamente embara�oso.
- At� ela deve ter d�vidas sobre ti. - O Justin mentiu.
Se te disse isso, mentiu.
Ele diria qualquer coisa sobre mim agora, para se vingar.
Nunca conseguiu superar o facto de o ter largado.
Terminaste a rela��o, Alan,
porque n�o conseguias encarar a verdade sobre ti mesmo.
Podias continuar a dormir com o Justin desde que ele mentisse a si mesmo
e tu mentisses a ti mesmo.
E ambos namorassem raparigas, se rotulassem homens
e se chamassem "s� amigos chegados",
mas o Justin teve finalmente de ser sincero e n�o aguentaste.
- N�o aguentaste e, ent�o... - N�o.
... com isso, destru�ste a amizade e o teu amigo.
- N�o. - Sim.
O Justin nunca percebeu o que tinha feito de mal para o largares.
- Ele culpou-se. - N�o.
Sim, at� acabar por descobrir quem era.
- E o que era. - N�o!
Mas at� hoje, ainda se lembra do tratamento.
- As cicatrizes que causaste. - N�o.
Pega neste telefone e liga ao Justin.
N�o.
Quero que lhe ligues e pe�as desculpa.
Diz-lhe o que lhe devias ter dito h� muitos anos.
- Ele mentiu. Nada disso � verdade! - Liga-lhe!
Ent�o, est� bem, eu disco.
�s t�o prest�vel.
D�-mo.
Est� l�?
Um ponto.
� o Alan.
Dois pontos.
- Sim, sou eu. - � o Justin?
Pareces surpreendido.
Devo esperar que sim, ap�s este tempo todo.
Mais dois pontos.
Estou em Nova Iorque.
Sim, eu...
N�o vou explicar agora, apenas...
... liguei para dizer...
Que te amo. Cara�as, amo-te!
Amo-te.
Obt�ns o maldito b�nus. Dez pontos ao todo. Jackpot!
Amo-te e rogo-te que me perdoes.
D�-me isso!
Justin, ouviste o que aquele filho da m�e disse?
Fran.
N�o, claro que eu sabia que eras tu.
Como est�s?
Sim.
Sim, ele contou-me tudo.
N�o me agrade�as.
Por favor, n�o me agrade�as.
Vou passar-lhe o telefone.
Beijinhos aos mi�dos.
Querida, apanharei o primeiro avi�o que conseguir.
Sim, tamb�m lamento.
Amo-te muito.
Obrigado, Michael.
Quem ganhou?
Foi um empate.
Agora, � a minha vez.
E preparado ou n�o, Michael, aqui vai.
�s um homem triste... e pat�tico.
�s homossexual e n�o queres ser,
mas n�o h� nada que possas fazer para o mudar.
Nem todas as tuas ora��es ao teu Deus,
nem todas as terapias que possas pagar nos anos que ainda tens para viver.
Um dia, podes muito bem poder saber o que � viver uma vida heterossexual,
se o quiseres desesperadamente,
se o perseguires com o fervor com que aniquilas.
Mas tamb�m ser�s sempre homossexual.
Sempre, Michael.
Sempre.
At� ao dia em que morreres.
Amigos...
... obrigado por uma festa espetacular e uma superprenda.
� mesmo o que eu precisava.
Bernard, obrigado.
E tu leva-lo para casa?
N�o te preocupes com ela. Cuidarei de tudo.
Foi bom ver-te, Donald.
Boa noite, Harold.
- Voltaremos a ver-nos, um dia destes. - Sim.
Que tal um ano depois do Shavuot?
Anda, Tex. Vamos para a minha casa.
�s bom na cama?
Bem... tento mostrar um pouco de afeto.
Impede de me sentir uma puta.
Michael, obrigado pelas gargalhadas.
Ligo-te amanh�.
V�, Bernard. Toca a ir para casa.
Mary, �s uma m�e pesada.
Porque liguei?
- Porqu�? - Obrigado, Michael.
- Boa noite, Donald. - Boa noite, Emory.
Vou levar-te a tomar um caf� e tudo ficar� bem.
Cuidado.
Donald?
- Donald? - Michael?
- Meu Deus, o que fiz? - C�us, Michael!
- Meu Deus! - Michael, eu n�o...
N�o.
- Ouve l�. - C�us, Donald! Meu Deus, n�o!
- Vou buscar-te �gua. Toma. - C�us! O que fiz eu?
- Ouve l�, para. - Credo, c�us!
Vou dar-te um Valium.
- Comprimidos e �lcool, n�o. Vou morrer! - Eu n�o...
V�, toma isto. Est�s a assustar-me.
Para de chorar. Toma isto.
Vem c�, Michael.
- Vem c�, Michael! - Larga-me!
Jesus!
Ouve l�.
Est� tudo bem.
Est� tudo bem.
Est� tudo bem.
Ouve, est� tudo bem.
Est� tudo bem.
Quem dizia sempre:
"Mostra-me um homossexual feliz e eu mostro-te um cad�ver gay"?
N�o sei.
Quem dizia sempre isso?
Se pud�ssemos n�o nos odiar tanto.
� isso, sabes?
Se pud�ssemos...
Se pud�ssemos aprender a n�o nos odiarmos...
... assim tanto.
Sim, eu sei.
Eu sei.
Est� bem.
A prop�sito, o teu terapeuta � um charlat�o.
- Antes, disseste que era um cretino. - Exato. � um charlat�o cretino.
- Ou cretino charlat�o. - Est� bem.
O Harold estava certo.
Nunca mudar�s.
Achas que h� alguma possibilidade de lavar esta casa?
Que horas s�o?
� cedo.
Aonde vais?
O quarto est� ocupado
e, seja como for, ainda n�o quero ir dormir.
Vou caminhar para a bebida passar.
Se fosse dormir agora,
quando acordasse, teriam de me p�r num manic�mio.
N�o que n�o seja onde perten�o.
H� uma missa � meia-noite na St. Malachy
a que todos os artistas v�o.
Acho que vou at� l� assistir.
Reza por mim.
Talvez j� tenham sa�do quando eu voltar.
Voltarei a ver-te no pr�ximo s�bado?
A menos que tenhas planos.
N�o.
- Michael. - O que foi?
Ele disse-te por que raz�o chorava ao telefone?
N�o.
Devia ter sido por ter deixado a Fran.
Ou talvez fosse outra coisa e mudou de ideias.
Talvez.
Pergunto-me porque a deixou.
Como o meu pai me disse quando morreu nos meus bra�os:
"N�o entendo nada disto.
Nunca entendi."
Apaga as luzes quando sa�res, sim?
O que foi?
BASEADO NA PE�A E NO FILME
"OS RAPAZES DO GRUPO" DE MART CROWLEY
ESTE FILME � DEDICADO � MEM�RIA DE MART CROWLEY
Legendas: Ana Paula Moreira
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