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Original subtitles

"AS TR�S NOITES DE EVA"

Uma vez ao dia � suficiente.

Umas quantas moscas, um pouco de leite e... um ovo de pomba aos domingos.

Claro que sim, professor.

Que n�o pegue frio se for ao norte e que saia de vez em quando da caixa para passear.

� obvio, professor.

E diga ao professor Marditz que em sua honra a chamei de Columbina Marditzia.

E que isto � s� o princ�pio do que vou levar-lhe quando retornar.

- Irei faz�-lo.. - Queria lhes dizer...

Quero dizer a todos como me senti bem na expedi��o.

E por mim, gostaria de passar todo meu tempo aqui.

Em companhia de homens como voc�s.

Em busca de novos conhecimentos.

At� mais tarde, Lula, mandarei um postal.

Adeus, Charlie. Se voltar, vai nos encontrar aqui.

D� lembran�as a seu pai de minha parte e obrigado por ter viabilizado a expedi��o Pike.

- Darei, professor. - Adeus, rapaz.

Adeus, Muggsy, meu amigo.

At� mais tarde. N�o aceite moedas de madeira.

- Adeus, Sparky. - Adeus, Charlie.

- Adeus, Mac. - Adeus, Charlie.

- Adeus, meninos. - At� mais tarde, "Sarlie".

- Adeus a todos. - At� mais tarde, Muggsy.

Cuidado com o tr�fico.

N�o faz muito que teve que evitar.

E cuidado com as garotas...

N�o faz muito que teve que evit�-las.

J� me conhece, Mac. S� os r�pteis.

Isso, menino.

Adeus!

Ali est�!

Pensei que tinha um iate, sendo t�o rico.

- N�o � um iate, � uma gabarra. - O que � uma gabarra?

- Eu disse Pabst. - Era Pike.

- E o qu�? - Ponha a bermuda.

- Sabe que n�o �. - Mama, fez-me devolver.

- Devolver? - N�o, Pike.

Ponha o de cor rosa.

- Des�a e depressa. - Sim, senhor.

Espero que seja rico. E que seja bom jogador de cartas.

De seus l�bios aos ouvidos do Todo-poderoso.

Espero que tenha uma esposa gorda, assim n�o terei que dan�ar com ele � luz da lua.

N�o sei por que, mas sempre pisa-me nos p�s algum primo.

As coisas s�o como s�o e a� est�.

N�o sei por que tenho que fazer sempre o trabalho sujo.

Haver� velhas ricas esperando por voc�.

Encontre-as e eu as enfrentarei.

Como eu gostaria de v�-lo com tr�s harpias de uma vez!

N�o seja ordin�ria, Jean. Sejamos vigaristas, mas n�o vulgares.

� rico?

Est� nisso, mas para ser franco, tem dinheiro aos montes.

Tem que ser, para ter essa classe de navio.

- Do que � dono, do Pico Pike? - Oh, n�o! "Pike's Pale".

"A cerveja que ganhou o Yale."

- Cr� que o acertarei com isto? - N�o fa�a isso!

- Dois "Pike's Pale". - Espere um momento.

Seis "Pike's Pale" mais, e depressa.

O que quer, me envergonhar? Consumiram todas as "Pikes".

- Por que n�o pedem outra coisa? - N�o querem outra coisa.

Querem a que ganhou o Yale. Bla, bla, bla...

Diga para irem a Harvard.

- Vamos. - Quantas vezes tenho que dizer isso...

- Quatro "Pike's Pale". - Escuta...

AS SERPENTES S�O NECESS�RIAS? Por Hugo Marditz

- N�o servem. - Como diz?

Digo que n�o s�o suficientes para ele.

Todas as mulheres da sala o observam e ele acredita que s�o uma perda de tempo.

Volta para seu livro. Est� submerso nele.

N�o v� a ningu�m, exceto...

Olhe como volta a cabe�a quando passa essa garota.

N�o te servir� de nada, querida.

� um rato de biblioteca. Move-o de todos os modos...

Que te parece esta?

Voc� gostaria de pendur�-la em sua �rvore de Natal?

Voc� gostaria? Qual � sua debilidade, irm�o?

Santo Deus! O truque do len�o.

N�o se utiliza desde os tempos de Lily Langtry.

Ter� que recolh�-lo voc� mesma.

� uma pena que n�o goste de carne. Nunca o ver�.

Olhe essa garota, � sua esquerda.

� esquerda, rato de biblioteca. H� uma garota suspirando por voc�.

Um pouco mais � frente.

Justo um pouco mais � frente. A�!

N�o vale a pena? Olhe essa gente radiante � sua frente.

Reconheceu. Levante, sente... N�o sabe o que fazer.

Volta a se levantar, reconheceu... aproxima-se para falar com voc�.

A incerteza me mata. Pelo amor de Deus.

N�o � Fuzzy Oldhammer, com quem fui � escola em Louiseville?

N�o? Pois parece muito, incr�vel.

Se n�o me pedir que me sente...

Suponho que n�o vai me pedir para sentar.

Sinto muito, espero n�o haver incomodado.

Ser� que est�o vendo o passarinho verde? Deve ser por que atraio a todas.

Quem est� atr�s de mim?

A campe� de luta livre. Seria uma boa parceira.

Tampouco voc� gosta. O que vamos fazer?

N�o pode aguentar mais e parte.

Essas mulheres n�o lhe d�o nem um momento de paz.

Bem, adiante... se encerre no camarote!

V�-lo se recolher, ver� como n�o me importo.

Sinto muito, senhor.

N�o � nada.

- Por que n�o olha por onde anda? - Por que n�o olho?

- Olhe, arrancou-me o salto. - Sim? Sinto muito.

Ter� que me levar ao camarote para trocar de sapatos.

� o menos que posso fazer. A prop�sito, meu nome � Pike.

Todo mundo sabe. N�o se fala de outra coisa.

Este � meu pai, o coronel Harrington.

Eu me chamo Jean... bom, Eugenia. Vamos.

- � engra�ado nos conhecer assim. - Sim, � engra�ado.

- � um bonito camarote. - Muito acolhedor, n�o �?

- Meu Deus! - O qu�?

- O perfume. - O que tem?

Estive um ano no Amazonas e l� n�o se usa isso.

Oh! Os sapatos est�o aqui.

J� que � t�o am�vel, podia me cal�ar, sim?

Aperte esse bot�o. A�.

- Meu Deus! - V� algum que goste?

Os sapatos de noite est�o ali.

N�o gosta?

Parece imposs�vel que algu�m possa usar algo t�o pequeno.

Que bonito!

Ter� que ajoelhar-se.

- Espero n�o lhe ter feito mal. - Claro que n�o.

Est� bem?

Estou bem.

- Que fazia no Amazonas? - Procurava serpentes.

Sou um ofidi�logo.

Pensei que se dedicava ao neg�cio de cerveja.

- Ale! - Qual � a diferen�a?

- Entre a cerveja e o "Ale"? - Sim.

Meu pai teria um ataque se ouvisse isso.

H� diferen�as. O "Ale" fermenta em alta

e a cerveja fermenta em baixa. Ou pode ser o contr�rio.

N�o se parecem em nada.

O problema de ser filho de um cervejeiro,

al�m do tempo que demora para se formar,

� que tem que saber de algo que n�o serve para nada.

� curioso estar aqui de joelhos falando de cerveja.

Veja, eu n�o gosto de cerveja.

Nem a de barril, nem a "lager", nem a "skin".

- N�o gosta? - N�o.

Tampouco eu gosto de cerveja loira, nem da negra, nem da escura...

nem da suave, nem da forte.

D�-me solu�o s� de pensar nelas.

Perdoe.

Todo mundo me chama Hopsie desde que tinha seis anos.

- Hopsie Pike. - Ol�, Hopsie.

Chame-me Charlie, sim?

Est� bem, mas � uma gra�a o Hopsie.

Poderia cham�-lo papai. Papai Hopsie.

� s� o que faltava!

Este � um neg�cio no qual n�o me importaria em me colocar.

N�o me dei conta de como s�o bonitos os seus p�s.

Obrigada.

Ser� melhor voltarmos.

Sim, suponho que sim.

Onde eu estive, no Amazonas, acaba-se por esquecer como...

Bom, depois de muito tempo sem ver garotas.

Tem algo nesse perfume que...

- Voc� n�o gosta do meu perfume? - Gostar dele? Est�-me deixando louco.

Hopsie, terei que encerr�-lo em uma jaula.

Tem cada uma...

J� est� aqui.

Demoraste muito e ainda por cima, com o mesmo vestido.

Tenho sorte por voltar assim.

O Sr. Pike esteve um ano vivendo no Amazonas.

- Escute... - N�o fa�a caso de minha filha.

Todas as mulheres da fam�lia s�o iguais.

Todos os homens s�o mission�rios, eu sou a exce��o.

E que exce��o.

- Tomar� algo conosco? - Bom, um brandy, mas eu convido.

- Tr�s brandys. - Sim, senhor.

Viu isto?

- Faz truques com as cartas! - Mas muito poucos.

Parece mentira. Fa�a-o de novo.

Assombroso. Como faz?

Apalma-se assim. Quero dizer que se guarda na palma da m�o.

- Mas requer muita pr�tica. - � claro que sim.

Assombroso. Bom de ver.

N�o quero jogar cartas com voc�!

Como diz, senhor?

JOGADORES PROFISSIONAIS

Recordamos aos passageiros que os jogadores profissionais

viajam com frequ�ncia, e os advertimos que tomem cuidado.

- N�o ter� pensado que? - Claro que n�o.

- Parece t�o honrado como n�s. - Tr�s brandys.

- Por Washington e Valley Forge. - Por Dewey e Manila.

Por Napole�o e Josefina.

- Gosta de uma partida de bridge? - Asseguro que � muito bom.

N�o tenho que jogar tudo que sei. Assim...

...jogar com voc� ser� agrad�vel. - Que am�vel!

Quem vai ser o quarto?

N�o h� um jogo para tr�s? Lembro que...

Claro que sim, ser� muito mais agrad�vel.

Quer baralhar?

- Tentarei. - A cada um o seu.

Eu... Como?

Oh, bom!

...subo pelo Amazonas durante um ano e...

...ao voltar encontro voc�.

Isto sim, que � incr�vel!

- O que se passa agora? - V�, d� as cartas.

N�o tem nenhuma garota suspirando por voc�?

- Isto s� vai explic�-lo. - V�, vamos.

- Sinto-me culpado por tudo isto. - N�o se preocupe com isso.

Menos mal que n�o estamos jogando a dinheiro, se n�o j� lhes teria arruinado...

...com este �ltimo resto. - N�o quer jogar com dinheiro?

Claro que n�o, eu nunca jogo a dinheiro.

Sempre jogamos a dinheiro. Se n�o, � como nadar em uma piscina vazia.

- Com essas cartas terei que dobr�-lo. - Que tolice, filho!

- Quanto sai a 10 centavos o ponto? - 10 centavos o ponto?

Vamos ver. Cinco, dez...

- Vai nos arruinar. - 498. Quase 500$.

- Espere um momento. - Meu pai se dedica ao petr�leo...

...que vai saindo da terra borbulhante.

- Pensei que sendo coronel... - � honor�rio.

- Quanto lhe devo? - Vamos ver. Dois, quatro, seis...

Quem � esse cara t�o estranho que nos olha?

Est� tudo bem?

Tudo bem. Volte � cama, estou ganhando bastante.

- Est� bem. - Quem �?

� Muggsy.

Meu pai o recolheu ainda pequeno para que cuidasse de mim.

Sequestradores e coisas deste estilo.

� uma esp�cie de guarda-costas e...

um ajudante de quarto muito mau, desde ent�o.

Salvou-me a vida uma vez em uma briga.

- Aproximadamente 100$. - Bastante aproximado.

- Olhe, como n�o t�nhamos ficado em... - N�o se preocupe, j� o recuperarei.

- Bom, se o prometer. - Pode estar certo.

- Sentir-me-ia muito melhor. - Claro que sim.

Bom, se n�o lhes importar...

...deixar-lhes-ei para que os jovens falem do que falam os jovens.

Boa noite, senhor. E sinto pelas cartas.

N�o tem import�ncia, filho. N�o importa.

- Boa noite, Jeanie. - Boa noite, papai.

� muito am�vel seu pai.

E tamb�m � um bom jogador de cartas.

Acha isso?

N�o quero ser grosseiro, mas parece um pouco desigual.

�s vezes est� um pouco mais nervoso que outras.

Por isso joga assim, claro.

Voc�, em troca, com uns conselhos, pode ficar muito boa.

- De verdade? - Sim, tem bom olfato.

Alegro-me de que goste.

Voc� gosta do resto do meu corpo?

Referia �s cartas.

Sei a que se referia. Estava paquerando voc�.

N�o ir� desmai�-lo?

Quem, eu? � o perfume.

Creio que...

...h� dan�a em alguma parte do navio?

N�o acha que devemos ir dormir?

Certamente.

� estranho que uma garota como voc�, conhe�a algu�m...

...que acaba de passar um ano no Amazonas.

Menos mal que n�o tenha estado ali dois anos.

Vamos.

Boa noite.

Temo que erramos de conv�s.

Que casualidade!

Pelo amor de Deus! Este � meu camarote.

Fant�stico.

Quer vir e ver a Emma?

� um truque novo?

- N�o quero despert�-la. - Despertar a quem?

- A Emma. - Quem � Emma?

Acreditei que era um pretexto.

Tecnicamente � uma Columbrina Marditzia.

Uma esp�cie estranha de serpente brasileira que...

Uma serpente?

- Deve ter sa�do outra vez. - Foi-se?

N�o se preocupe, est� por aqui.

Deixe-me sair daqui.

N�o tenha medo. � brincalhona como um gatinho. N�o se preocupe.

N�o, fique calma. Assim vai assust�-la!

Sinto muit�ssimo. N�o te assustaria por nada deste mundo.

Por que n�o disse que tinha uma serpente?

- Acreditei que voc� gostaria de v�-la. - Nunca disse isso.

Pareceu-me t�o perfeitamente civilizado...

Olhe debaixo da cama.

N�o pode ter vindo at� aqui.

- Por favor, por favor. - De acordo.

S� � uma meia.

Se vir mais, deixe-as a�. Olhe na cama.

Na cama? Como ia meter-se na cama?

N�s viemos muito depressa.

N�o � nada, mas podia t�-la assustado.

Nada como uma bolsa de �gua quente estando fria.

Teriam que me enterrar no mar.

Venha, d� um tempo para me acalmar.

- Est� c�modo? - Sim, bastante.

Sinto muito. Abrace-me forte.

N�o sabe o que tem me feito passar.

Sinto muit�ssimo.

N�o � nada.

N�o queria assust�-la por nada deste mundo.

Se h� algu�m a quem n�o quero assustar,

� voc�!

� muito am�vel, n�o me solte.

Obrigada.

Como estavam as coisas pelo Amazonas?

Muito bem, obrigado.

No que pensa?

Em nada.

Sempre se interessa por serpentes?

De certo modo, as serpentes s�o minha vida.

Que vida.

Suponho que pare�o um pouco idiota.

Acho que deveria me casar...

...e sentar a cabe�a.

Meu pai sempre diz isso.

Diz-me isso com toda sinceridade.

Mas nunca gostei do neg�cio de cerveja.

Por isso n�o se casou?

N�o conheci a mulher adequada.

Suponho que est� em algum lugar do mundo.

Seria uma pena que n�o chegassem a se conhecer.

- Bem... - Suponho que sabe como tudo seria...

Acredito que sim.

Aposto que se parece com a Margarida de "Fausto".

N�o, n�o � isso...

Quero dizer que n�o �...

...n�o � t�o grande como uma cantora de �pera.

- Como s�o seus dentes? - Como?

Deve escolher algu�m com boa dentadura.

Assim ter� menos gastos.

Agora sim, est� brincando.

N�o, s�rio, mas tem direito a um ideal.

Creio que cada um sonha com seu parceiro ideal.

Como � o seu?

Um tipo pequeno, com muito dinheiro.

Por que pequeno?

Se for rico, o que importa?

Prefiro que olhe para cima para ver sua mulher ideal.

� uma raz�o muito estranha.

Bom, mas � minha.

E quando me convidar para jantar, n�o olhar� a conta.

N�o fumar� charutos asquerosos, nem usar� brilhantina no cabelo.

Nem far� truques com cartas.

N�o � que me importe que voc� fa�a truques com cartas, Hopsie.

� s� que...

...n�o ir� querer que sua mulher ideal fa�a truques com cartas.

N�o creio que seja dif�cil encontrar esse tipo de homem ideal.

N�o �, por isso � meu homem ideal.

De que serve, se n�o puder encontr�-lo nunca?

O meu � um ideal pr�tico.

Um tipo de que h� dois ou tr�s em cada barbearia.

Por que n�o se casa com um deles?

Para que vou casar-me com algu�m assim?

Quando eu me casar, ser� com o tipo de homem que n�o tenha visto antes.

Quero dizer que n�o me preocupar� seu aspecto, nem de onde �, nem o que �.

Quero que... agarre-me de surpresa.

Como um ladr�o.

Isso. E a noite estar� carregada de perfume.

E sentirei algu�m atr�s de mim,

respirando forte.

E ent�o...

Ser� melhor que v� se deitar, Hopsie.

Penso que agora poderei dormir tranquilamente.

Oxal� pudesse dizer o mesmo.

Oh, Hopsie!

Bom dia, Sr. Murgatroyd.

Est� cheio de energia.

- Bom dia. - Tome um ch� ingl�s.

J� tomei caf�. Em meu pa�s, levantamos cedo.

E onde fazem isso, se me permite a indiscri��o?

Onde? Vou dizer onde o fazem...

Bom dia, senhor. Fruta, cereal, ovos e bacon,

ovos e salsichas, salsichas e tortas,

tortas e presunto, presunto e ovos,

ovos e bacon, bacon e...

Traga-me uma colherada de leite, um ovo cru de pomba e 4 moscas.

Se n�o encontrar moscas, traga-me baratas.

Estarei no conv�s.

- Conseguiu? - Mais ou menos.

Toma, molha o bigode com isto.

Quanto me disse que ganhou ontem � noite?

600$, mas tentarei perd�-los.

N�o o entendo. Perco 40$ para o seu criado e me parece muito esperto.

S� porque te venceu? Quem pensa que �, Houdini?

N�o precisa ser detetive para saber que � um ladr�o.

S� precisa saber a diferen�a entre frio e quente.

E jogou com ele.

Que tolice! Sempre suspeita de todo mundo.

Recorda do cl�rigo de quem disse que era um ladr�o e resultou ser bispo?

Pois ainda n�o estou muito seguro.

E o tipo a quem acusou de te drogar com uma aspirina?

Tampouco estou seguro dele.

Pensa que este cavalheiro e sua filha perderam de prop�sito 600$...

...para poder me limpar depois?

- Sim. - Sim?

Em primeiro lugar, saiba que � o Coronel Harrington,

um homem muito importante do petr�leo.

E em segundo lugar, sou um perito jogador de cartas.

Joguei cartas toda a vida. E sei fazer truques.

Possivelmente sabem algum truque que n�o conhe�a ainda.

O que foi?

Sinto muito. Essa serpente asquerosa.

- Levo toda a noite sonhando. - Refere-se ao Pike?

N�o, ao seu r�ptil.

Viaja com uma serpente, � um ofi...

N�o sei, gosta de serpentes.

Ent�o este � o seu neg�cio?

Est� no neg�cio do "Ale".

Parece que h� uma diferen�a muito grande.

Estava preocupado.

Pensei que est�vamos enganados.

� um Pike aut�ntico.

Veja o truque que nos fez pobre.

- P�ssimo. - O que est� dando?

- Cinco. - N�o est� dando cinco.

- O que aposta? - Fa�a-o outra vez.

Deixe-me ver os ases.

Deixe-me v�-los agora.

N�o posso acreditar.

N�o necessita. � virtuosismo.

- Sim, querida? - Diga qual � minha sorte.

Bom dia. Obrigado pelas rosas.

Est� muito bonita.

Espero que tenha dormido bem.

Ainda estou um pouco nervosa.

Como est� a serp... Emma?

Est� tomando o caf� da manh�.

O que come? N�o me diga.

N�o, n�o lhe direi.

N�o se importa que tenha te convidado a tomar o caf� da manh�.

N�o seria muito educado te dizer que sim, n�o �?

- N�o, suponho que n�o. - E tampouco seria verdade.

Tem uma estranha forma de afundar uma pessoa e levant�-la de novo.

E logo voltar a afund�-la.

Posso imaginar a vida com voc� como uma s�rie de altos e baixos,

luzes e sombras,

com alguma irrita��o, mas com muita felicidade.

V�, Hopsie!

N�o est� se declarando muito depressa?

- N�o, claro que n�o, mas... - Deve tomar cuidado.

Prendem a gente por coisas menos importantes.

N�o ser� por causa de garotas como voc�.

� perigoso confiar-se em pessoas que n�o se conhece muito bem.

Eu a conhe�o muito bem.

Quero dizer, gente que se conhece h� pouco tempo.

De algum modo, faz tempo que a conhe�o.

O caf� da manh�, senhor?

- Como disse? - Como deseja o caf� da manh�, senhor?

Dois u�sques com �gua normal.

- Toma com �gua, verdade? - N�o toma com leite e a��car?

Sempre tomo sozinho.

- O que estou dizendo? - Estava-me perguntando o mesmo.

O que lhe parece bicarbonato com um ovo?

Faz maravilhas.

N�o entende nada.

Quer elas marcadas � direita ou � esquerda?

Apenas as quero, Gerald.

Posso ganhar at� com cart�es de visita.

S� para estar seguro.

As altas por fora e as "m�os frias" no meio.

As m�os frias me encantam...

Os azuis por fora e os vermelhos perto do cora��o.

Poderia desafiar ao navio inteiro com isto.

- Ol�, Harry. Ol�, Gerald. - Ol�, meu pequeno lince.

Espero que esteja bem e que seu amigo n�o tenha se cansado.

- Com nossos 600$. - Foi vestir-se para o jantar.

Acredito que deveria fazer o mesmo, porque

vamos jogar cartas esta noite e n�o � antiga.

Acredito que Charles se apaixonou por mim.

Claro que est�.

Como n�o vai estar de quem embeleza o Atl�ntico Norte?

- E que outro homem melhor do que ele? - Falo s�rio, Harry.

- N�o falamos s�rio? - Deixa de brincar.

N�o estou brincando. Nunca estive mais feliz.

- Fa�a igual a sempre... - N�o me est� entendendo.

- Eu tamb�m gosto. - Por que n�o ia gostar de voc�?

� o melhor esp�cime jamais visto de "primo sapiens".

Um homem que faz truques com as cartas!

Acredito que vai pedir que me case com ele.

N�o! N�o!

- Sim. - Isso � maravilhoso, Jean.

Por isso se ruboriza. � um jovem afortunado.

- Certamente. - N�o ouve como bate o pulso?

Seus ouvidos devem estar soando como o toque do telefone.

Suas m�os suadas pelo entusiasmo.

N�o saber� distinguir um �s de um Dois.

- N�o pensa em limp�-lo? - O que estava pensando?

Parece que n�o o entendem, nenhum dos dois.

Isto � s�rio.

Eu...

...penso que me apaixonei pelo pobre rapaz.

Com suas serpentes e tudo.

N�o sei. Est� tocando algum ponto d�bil de meu cora��o.

E daria tudo para ser...

Quero dizer que... vou ser exatamente como ele acredita que sou.

- Como gostaria que fosse. - Parece-me muito nobre, Jean...

...e desejo toda a felicidade do mundo.

Todos os meninos e meninas que queira.

Estar� bem, Harry?

- At� onde? - Sabe a que me refiro.

Poder� viver conosco, e voc� tamb�m, Gerald,

em algumas ocasi�es, pelo menos.

Provavelmente teremos uma casa muito bonita.

- Pense no quanto tranquilo ser�. - Jogando cartas com o Gerald.

Imagino arrancando as ervas daninhas

e cobrando cinquenta centavos a semana,

e um par de sapatos novos no Natal.

O problema das pessoas reformadas �

que querem convencer a todos para que se reformem.

Se ocupe de sua agulha de croch�, que eu me ocuparei das cartas.

- Com ele n�o. - Esquece que tem nossos 500$?

Seiscentos.

Julgo que poder� recuper�-los.

- Claro, e com um pequeno lucro. - Oh, n�o!

- Oh, sim! - Oh, n�o!

Eu tamb�m sei jogar um pouco.

- �? - Sei. N�o sou sua filha em v�o.

D�-me um ma�o desses. E ver�.

Os filhos j� n�o respeitam seus pais.

Esta noite n�o tive tanta sorte, n�o �?

N�o sabe a sorte que teve.

O coronel est� recebendo cartas muito boas. Toca-me dar.

Sinto muito, acredito que n�o estou concentrado no jogo.

J� me concentrei.

Quanto est� perdendo?

3000$.

Bom, por fim, me deu boas cartas.

Alegro-me que goste.

Ter�o que ser muito boas para ganhar de mim.

Abro com cem.

Entretanto, subo cem.

Muito para mim.

Temo que ter� que subir outros cem.

Deve ter algo bom.

De qualquer modo,

perdoem,

de qualquer modo,

subirei outros cem.

Sinto v�-lo perder seu dinheiro, mas n�o deixarei passar esta oportunidade.

Subo outros cem.

Est�-me pondo nervoso,

mas vou subir duzentos mais.

Pike n�o conhece o significado da palavra "medo".

Subo outros cem.

Um Harrington n�o sabe o significado de "perder".

Subo duzentos. O que faz?

Sinto muito, pensei que lhe havia dado seis cartas.

Nada disso, pequena.

Nada disso.

Subo cem mais.

Santo Deus, n�o sei se ponho mais dinheiro em cima.

Sim, tenho bastante, tenho bastante.

Subo mil.

N�o quero ganhar tanto.

Mas veja, � para lhe demonstrar qu�o in�til �.

Cartas?

N�o, salvo que tenha outra Rainha, coisa que duvido.

Verei o que posso fazer.

Oh! O que lhe parece?

Acreditei que um dos dois tinha quatro Ases.

Fico com as quatro Rainhas, e o senhor?

Lamento dizer que estava blefando.

Poupe-me a vergonha de lhe mostrar com o que.

Preocupa-me. O melhor era n�o ter mostrado minhas cartas.

N�o pense que isso importa? Papai adora perder.

Como vai agora?

Estou perdendo uns mil.

Bom, deixaremos assim.

Ver-te-ei no conv�s A, dentro de cinco minutos.

Quero que me d� sua palavra de que n�o jogar� nenhuma m�o mais.

Tem.

Sabe algum jogo mais, Harry?

- � uma garota estupenda. - Sim, verdade?

N�o sei se notou, mas...

se n�o se opuser, era...

...era minha inten��o...

lhe pedir � senhorita Harrington,

quero dizer, a sua filha,

em casamento.

Menino!

Estou at�nito!

� a �ltima coisa que me teria ocorrido pensar.

Bendita seja minha alma! Vamos brindar a isso.

Gar�om. Duas ta�as.

- Que emo��o! - Obrigado, senhor.

Se disser que estou arreliado, n�o seria exato.

Provavelmente dir� que n�o, mas...

Penso faz�-la o mais feliz poss�vel.

Ela pede muito pouco.

Suponho que sabe que sou muito rico.

N�o somos todos?

Por um lado, sinto, porque

eu gostaria de comprar um presente muito caro

a quem jamais teve um.

� claro que sim. � a trag�dia dos ricos, n�o necessitam de nada.

De fato, Charles,

incomoda-me haver ganho os mil d�lares.

N�o � nada, senhor. S� � uma gota em um oceano.

Cada vez que o rel�gio faz "tic-tac", quatorze pessoas

tomam cerveja Pike. N�o sei por que, mas � assim.

� a ideia que me incomoda.

Um sogro que ganha a seu genro.

� muito feio?

Vamos tentar apagar esses mil. Dobro ou nada.

Prometi a Jean que n�o jogaria mais.

Isto n�o � jogar, � desfazer um absurdo.

Vamos, mil d�lares a carta mais alta.

V�! Agora temos que tentar de novo.

- Agora lhe devo dois mil. - No momento...

Espero que n�o o fa�a.

Estou seguro de que se tentasse uma vez mais...

N�o, obrigado. Prefiro pagar 32.000, que perder mais.

Isto � muito amolador.

Fa�a-o ao portador.

E pode ser ainda mais aborrecido.

Trinta e dois mil...

...d�lares e zero centavos.

N�o diga meu segundo nome. N�o quero que Jean saiba.

De fato eu...

...prefiro que n�o diga a Jean nada sobre esta transa��o.

Pode ficar tranquilo.

Claro que sim. Prometeu que n�o jogaria mais.

N�o jogamos mais, Jean...

...s� est�vamos eliminando perdas.

Necessita de um guarda.

Agora que ensinou a Charles a jogar a dobro ou nada... diga o que fazer com este cheque!

Isto, minha querida.

Quer dizer que... era uma brincadeira?

Pois claro.

Pensava que ia ganhar do amigo de minha filha?

- Nem pense! Vamos.

Boa noite. A conta, senhor.

O coronel me deu uma terr�vel li��o.

Sim, � muito brincalh�o.

De verdade, tinha me enganado.

- Est� muito bonita. - Obrigada.

Eu...

...falei com seu pai uma coisa.

- Ah! Sim? - Sim.

Voc� gostaria de ir � proa e ver como sopra o vento?

Eu adoraria.

O ar � muito bom, n�o �?

Sente-se limpeza por dentro, e muito boa.

- N�o se mova. - O qu�?

Acabo de me dar conta de algo.

Cada vez que a olhei aqui � bordo, n�o era s� aqui que a via.

Parece fazer parte de um passado...

Sei que isso n�o est� nada claro, mas te vi aqui e mais distante.

E ainda mais longe... Tudo passando em perspectiva por minha mente.

N�o, n�o � isso.

� como pessoas caminhando num bosque.

� uma menina pequena com um vestido curto, o cabelo pelos ombros

e um menino te agarrando a m�o.

E na dist�ncia, ainda estou com voc�.

N�o te agarro a m�o, porque n�o � coisa de homem.

Mas estou desejando.

E ainda mais longe, estamos horr�veis.

Voc� com pernas de potro e eu com as de um bezerro.

Tento dizer que...

...n�o sou poeta, sou ofidi�logo.

Sempre a quis.

Bom, n�o quis a ningu�m mais que a voc�.

Sei que isto parece aborrecido como uma novela barata.

Nunca poderei dizer com palavras o que sinto por dentro.

Isso � o que sinto.

Desejaria que estiv�ssemos casados e em nossa lua-de-mel.

Eu tamb�m.

Mas n�o � t�o simples como parece, Hopsie.

Estou muito apaixonada... e voc� parece estar tamb�m.

Um dos dois tem que pensar e ver as coisas claras.

Possivelmente eu possa fazer melhor que voc�.

Dizem que um conv�s � luz da lua � o melhor lugar para uma mulher de neg�cios.

- � voc� o comiss�rio de bordo? - Um momento.

Senhor Clink, por favor.

- � voc� o comiss�rio de bordo? - No que posso lhe servir?

Tenho que lhe fazer uma pergunta "hipot�rmica".

Ser� melhor fazer ao m�dico.

N�o importa, o que quero que me diga

� se h� uma bando de jogadores neste navio.

N�o t�o alto, por favor.

Em primeiro lugar, n�o h�. E em segundo...

O que quero saber � se pode demonstrar que h�.

Um passageiro � um passageiro, amigo.

Se paga a viagem e n�o rouba as toalhas do navio,

n�o podemos denunciar.

N�o ser� advogado, verdade?

Fala como um r�bula.

Sim, formei-me em Direito, se quer saber.

Pior para voc�, amigo. Eu cuido do menino.

Do menino Pike. Eu cuido dele e voc� tamb�m o far�, porque se n�o,

acabar� vendendo pipocas na praia.

Seu pai conhece o seu presidente

e minha chamada ser� suficiente.

Quando o velho Pike atuar, ser� chutado na praia.

N�o tente me intimidar, senhor...

- Murgatroyd para voc�. ...Troygamoyd.

Se eu descobrisse que o senhor Pike

corria o perigo de ser fraudado,

pode ser que tenha umas fotografias,

confidenciais, � obvio,

de alguns dos melhores jogadores de cartas,

embora n�o afirme que haja algum � bordo.

- Explico-me? - N�o, v� nadando ao lado...

Na �gua!

Adiante.

- Bom dia. - Bom dia, Harry.

Acha-se muito esperta?

Tive que ser.

� um velho vagabundo. Fraudar-me-ia se pudesse.

N�o te d� vergonha?

De verdade, est� apaixonada por esse cara?

N�o � um pouco perigoso?

N�o me refiro a n�s, mas a seu cora��o.

D�i serem muito r�gidas as pessoas honradas.

Um homem incapaz de perdoar n�o � muito homem.

- E sua fam�lia? - Bom...

Dir� quem somos antes de se casar com ele, claro.

Ser� revelado...

- Claro que sim. - E contar�.

Naturalmente.

N�o contar� at� que desembarquemos.

Tem que ser correta com Gerald e comigo.

Fique tranquilo.

Espero que nunca seja infeliz.

Espero que nunca seja mais do que sou agora.

Est� esperando?

E tem pressa em v�-lo?

Ent�o a deixo.

Bom dia.

- O que quer? - Quanto perdeu ontem � noite?

- Nada, por qu�? - V�?

Algo cheira mal, � uma turma de vigaristas.

Sherlock Holmes. O que acontece, perdeu?

O tipo me deixou ganhar um pouco, para variar.

- Suspeita do dobro, �? - Isso.

Devia olhar bem em suas m�os e plantar na cabe�a...

Sim? Pois olhe isso, e veja o que se pode plantar na sua.

� o agradecimento que d� por lhe salvar a vida.

Que cabe�udo �!

Se n�o perdeu nada ontem � noite, senhor Pike,

- preferiria que n�o visse. - Pois n�o perdi nada.

Ent�o s� fica uma possibilidade.

Pode ser que estejam apostando mais alto.

A que se refere?

N�o est� apaixonado?

E o que voc� tem que ver com isso?

Olhe a foto. Eu assumirei a responsabilidade.

Bom dia, senhor.

HARRINGTON, "HARRY, O BELO" SUA FILHA JEAN E UM TERCEIRO HOMEM.

...CHAMADO GERALD...

...VIGARISTAS DE CARTAS, ROUBOS, PO�OS DE PETR�LEO, MINAS DE OURO...

...E FALSIFICADORES DE DINHEIRO.

HARRINGTON, CONHECIDO COMO Dr. HERSCHER, MAJOR D.D. BROWN,

REVERENDO DR. UPSWITH, ETC.

- Um u�sque puro. - Sim, senhor.

Ol�, Hopsie!

O que faz no bar a esta hora?

- Bom dia. - Bom dia, querido.

Est� com um aspecto ruim.

Preocupado com algo?

- Deveria me preocupar? - Claro que sim.

Se apaixonando por uma garota no meio do oceano...

Ver�, Hopsie, que n�o sabe muito sobre garotas.

As melhores n�o s�o t�o boas como voc� cr�...

...e as m�s n�o s�o t�o m�s.

N�o t�o m�s como parecem.

Tem raz�o em preocupar-se de se apaixonar por uma aventureira.

- � uma aventureira? - Claro que sou.

Todas as mulheres s�o.

Se uma mulher tivesse que esperar que um homem se declarasse...

Por isso deixei que pusesse meus sapatos.

E logo pus minha face na sua.

Depois fiz que me abra�asse...

e logo me apaixonei por voc�.

Isso n�o estava nas cartas.

- Jean... - Sim, querido?

O que � isso?

D� uma espiada.

Uma pose muito ruim, n�o �?

Nunca gostei dessa foto.

Bom dia. Para o caf� da manh�, mel�o ou suco de laranja?

- Um caf�, por favor. - Sim, claro.

N�o fique t�o aborrecido, querido.

La dizer isso ao chegar a Nova lorque.

Era para ter dito isso ontem � noite, mas...

n�o teria sido correto com Harry e Gerald.

Nunca se sabe como se ir� reagir a uma coisa assim.

E, bom...

queria que tamb�m me quisesse um pouco mais.

Acredita, n�o �?

N�o acredita que ia casar com voc� sem te dizer isso...

N�o pensa t�o mal de mim assim...

Ou pensa?

Por que n�o deixou que seu pai me roubasse ontem � noite?

Se n�o acredita no que acabo de dizer, n�o acreditar� agora.

N�o o entenderia.

Sendo assim...

Alegro-me que recebeu a foto esta manh�.

Se isso significa algo

para voc�.

Pensava em se divertir � minha custa, n�o �?

Claro que estava me divertindo com voc�, Hopsie.

Mais do que jamais tinha-me divertido com outro.

Estava muito gracioso quando ensinou truques ao Harry.

Voc� tamb�m esteve graciosa...

tomando-me por tonto, quando me disseram quem era

na manh� depois de te conhecer.

- Quem te disse isso? - Isso j� n�o importa.

Ent�o... tentava me iludir?

N�o acredito.

Mas se for verdade,

se tentava me p�r em destaque,

e me fazer mal,

ent�o conseguiu completamente.

Deve estar muito orgulhoso de si mesmo, senhor Pike.

Muito orgulhoso.

Seu caf�, senhorita.

Minha m�e!

N�o fique assim.

Odeio esse tipo... odeio!

Quando penso que deixamos esse sujeito ir livremente, ferve-me o sangue.

Disse para n�o mesclar os neg�cios com o prazer.

N�o voltarei a fazer, acredite.

Entretanto "ir livre" � um exagero.

Como assim?

N�o recorda que me ensinou a fazer truques?

Duas passadas de ferro e ficar� como novo.

J� me sinto muito melhor.

Vamos, vamos, querido! Corre!

- Muito aberto. - Mas ganhar� de qualquer forma.

- Esperamos que sim. - Vamos, querido, corra!

Sente-se, Gerald.

N�o, querido! N�o fa�a isso!

N�o entendo como ficou em quinto lugar.

S� corriam cinco cavalos.

Que espera se apostar num cavalo chamado "ap�s voc�"?

Perdoe, o assento est� ocupado?

Meu querido Harry! Bendita seja minha alma!

- William neste momento. - William, claro.

Encantado de v�-lo de novo, meu querido William... e voc�, Gerald.

E a senhorita, t�o bonita como um conjunto de ases.

- Ol�, Pearlie. - Sir Alfred agora, minha filha.

Sir Alfred McGlennan Keith, a seu servi�o.

Bom, vejo que est�o todos muito bem.

Sabe? N�o vi ningu�m, nenhum s�,

dos nossos, claro, desde que o navio deixou de funcionar.

- Como vai, Pearlie? - Sir Alfred.

Tenho um ninho numa cidade chamada Bridgefield.

Uma cidade cheia de milion�rios.

Que est� no cora��o do c�rculo do jogo de "bridge".

- Um jogo maravilhoso. - Bridgefield, Connecticut?

Exatamente, tenho meus c�es,

tenho meus cavalos, tenho minha casa e minhas antiguidades.

Jogamos uma partidinha aqui e outra partidinha ali...

E logo em outro local.

�s vezes minha sorte � boa e outras � melhor.

Entre uns e outros, querido amigo... que sonho!

- Como os conheceu? - A esses senhores?

Querido amigo, quando se chama Sir Alfred McGlennan Keith...

...a gente n�o tem que sair para conhec�-los, a n�o ser tir�-los de cima.

E, pensando melhor, n�o h� pressa.

Os contrata por anos, como em arrendamento.

- Diga... conhece os Pike? - O que importa isso?

Se os conhe�o? Virtualmente banho-me em sua cerveja.

O bom e velho Horace! Ah. Jogador de cartas!

Conhece o Charles?

O menino alto e atrasado... que sempre est� mexendo com sapos e coisas assim?

Sim, acho que o vi algumas vezes.

N�o � atrasado, � cient�fico.

Ah! � isso? Sabia que era muito estranho.

Bom, encantado de v�-los de novo.

Bem, o que temos no local?

- Ou�a, Pearlie... - Sim?

Posso visit�-lo alguma vez?

Se pode me visitar alguma vez?

- Como sua sobrinha... - Como minha sobrinha?

Minha filha, s� h� uma coisa, tem que ser inglesa.

Fui inglesa antes.

Serei por tudo a inglesa que faz falta.

Por que n�o deixa de dizer tolices?

Porque quero v�-lo.

Tenho neg�cios pendentes com ele.

Preciso disso como a tocha precisa do fogo.

� melhor que fa�am suas apostas.

MAJOR E SENHORA GEORGE SPELVIN

VIR�O JANTAR NA QUINTA-FEIRA PARA CONHECER A SOBRINHA DE...

SIR ALFRED McGLENNAN KEITH, LADY EVE SIDWICH

JANET PIKE

Venham encher a poncheira at� em cima.

At� que transborde.

Porque esta noite vamos estar muito, muito alegres.

Muito, muito alegres esta noite.

Muito, muito alegres esta noite.

E amanh� estaremos s�brios.

Diga?

Diga? Sim, isso.

Gravata negra ou branca?

Pode p�r uma verde, no que me diz respeito.

Que festa �? Quem a d�?

Oh! N�s?

Que gra�a! N�o me disseram nada.

Sim, o senhor Pike fala.

O senhor o qu�?

N�o estou entendendo.

Bom, certamente o verei na festa esta noite.

A prop�sito, que horas s�o?

Obrigado.

Que casa de loucos!

Onde est� todo mundo? Onde est� meu caf� da manh�?

Um bras�o com um le�o estendido,

tendo entre as garras outro escudo coroado de plumas.

Lema: "Hyphen sic erat in fatis".

- Tome, fa�a. - Que tolice! � muito singelo.

O segundo e o terceiro, dan�ante entre tr�s cruzes cruzadas.

- Cruzes cruzadas. - Isso.

- Cavalos cavalgando. - Emile!

- Sons soando. - Recorda quem �!

- Sim, senhor. - Quando comerei?

Com a festa, esqueceram do Senhor. Trarei algo j�.

J� era hora.

Vai arrepender disto.

- N�o acredito. - Est� bem...

Her�ldica, her�ldica...

- Onde est� a comida da serpente? - Voc� mesmo pegue, Ambrose.

N�o me chame Ambrose, sim?

Por que n�o se barbeia em seu quarto?

Agradecerei que se ocupe de seus assuntos, senhor Murgatroyd.

- O que h�? - A her�ldica.

- Onde est� a comida da serpente? - Na geladeira.

Onde acha que est�? Nos escudos?

O que acontece com todo mundo?

Sr. Pike quer caf�, Sr. Burrows.

- Pois chame outro. - O que eu fiz?

Ei, voc�... Venha c�.

- J� que entra... - "N�o falar"

Se for o afinador, pela outra porta.

Sim, senhora.

N�o se mova e voltarei antes que diga...

- O piano? - Que deseja?

Onde est� o piano, por favor?

Onde quer que esteja, aqui fora?

- Eu o levarei. - E n�o se esque�a de voltar.

Burrows...

Sim, senhor, bom dia, senhor.

N�o ter� visto uma pequena "cobrinha" marrom?

- Com manchas rosa. - Alegra-me dizer que n�o, senhor.

S� me faltava isso, esta manh�.

Obrigado, senhor.

Bem, procure n�o passar na grama.

O seguinte.

De onde tirou isso?

- Boa noite, mo�o. - Que tal est�?

Vamos, senhora, estamos parando o tr�fego.

- Vamos, querida. - Sim, Glenny, j� vou.

N�o se meta na grama. O seguinte!

- Por aqui, Milady. - Boa noite, Burrows.

Sir Alfred.

- Milady. - Milady.

Lady Eve Sidwich e Sir Alfred McGlennan Keith.

- Bem-vindo, querida. - Boa noite.

- Sir Alfred! - Ol�, ol�, ol�!

Ol� Glenny, velho vagabundo. Alegro-me de v�-lo.

Horace, amigo! Apresento a minha sobrinha, Lady Sidwich.

- Como vai? - Pelo amor de Deus, que surpresa!

- Como devo cham�-la? - Horace, n�o sabe que...

Por favor, me chame simplesmente Eve.

S� Eve e nada mais, que maravilhoso!

O tipo de garota que levei a vida procurando.

Acabaremos com isto em seguida e tomaremos uma ta�a.

- Estupendo. - Voc� o disse. Vamos.

Espero que Horace n�o a assuste muito.

- Quanto tempo est� na Am�rica? - Tr�s dias.

Tr�s dias e j� conhece o Horace.

- Oh, � claro que sim! - Como chegou?

N�o sabia que os navios funcionassem.

- Em um navio de guerra. - De guerra?

Bem, na realidade, um cruzador.

Ent�o deve estar muito, muito...

Sim, muito.

Tenho muita vontade de ver o Alfred.

E como n�o sabia onde ficava Connecticut...

...entrei no Metr�.

O Metr�!

E disse ao agente:

"Avise-me quando estivermos em Connecticut".

Pedi que mandassem a bagagem em um furg�o esta tarde.

- Como? - Os ba�s em um caminh�o.

Disse-me: "Lady, n�o sei onde fica Connecticut...

...este trem vai ao Harlem".

Mas n�o sei como sabia que era uma "Lady"!

Perguntei-lhe: "Chegaria melhor de bonde?"

E me disse: "N�o poderia ser pior".

Assim lhe disse obrigado e voltei para a rua.

Foi uma experi�ncia inesquec�vel.

- E como chegou at� aqui? - Vim de t�xi.

- De Nova lorque? - Oh, sim!

Charlie, quero apresentar Lady Eve Sidwich.

- Encantada. - Continue, continue...

O condutor perguntou se queria seguir e lhe disse que sim.

Mas a cidade me pareceu enorme.

A vinte centavos por milha.

Seu filho n�o passa bem?

O que sente?

Oh... quero dizer... Conhecemo-nos?

Claro que sim, seu pai apresentou-nos.

N�o se encontra bem?

Claro.

Sinto muito. Queria dizer se nos conhecemos antes.

- Sim. - � muito prov�vel.

Vamos ver. Onde pode ser?

- Deauville? Biarritz? - N�o. N�o.

J� sei! Touquet!

Tinha bigode ent�o e tentou me conhecer em um baile no cassino.

- N�o. - Pois me rendo.

Vamos tomar uma ta�a.

N�o seria no "S. S. Southern Queen" vindo da Am�rica do Sul?

Temo que n�o. Veja, nunca estive na Am�rica do Sul.

Alguma vez esteve na Am�rica do Sul?

Nunca esteve na Am�rica do Sul.

De fato, nunca estive na Am�rica do Norte...

...at� h� tr�s dias.

Mesmo?

N�o esteve no "S. S. Southern Queen"?

- O que h�? - Oh, sinto muito.

Apaixonou-se por ela?

Apaixonou-se por ela, mas n�o recorda como era.

N�o deixe que tirem sarro.

Pode-me contar isso tudo.

Em alguns dias, meu filho parece mais esperto que em outros.

Bom, n�o sei como era, mas se parecia um pouco com voc�...

brindo por ela!

Obrigada.

Um branco com uns dentes enormes!

- O jantar est� servido, senhora. - Obrigado, Burrows.

- O jantar, Horace! - Vamos jantar.

Segure-me o bra�o e abriremos caminho para a mesa.

- Simplesmente encantadora. - � claro que sim.

- Sente-se mal? - N�o, estou bem, � que...

N�o estaria levantando o cotovelo?

Claro que n�o. Qualquer um pode trope�ar.

N�o com um sof�.

Est� a quinze anos a� e ningu�m trope�ou nele.

J� quebrou o gelo.

Suba e tome um banho. Estar� igual a antes.

Muito bom menino.

- Boa sorte. - At� mais...

� a mesma mulher.

Tem a mesma apar�ncia, caminha igual...

e te persegue igual a antes.

Mas n�o fala igual.

Qualquer um pode fingir.

Adivinha quem sou.

N�o tinha os olhos mais juntos?

Est�o onde estavam, em ambos dos lados do nariz.

- Por que faz isso? - N�o sei.

Quer que se apaixone por ela outra vez.

- Pare�o t�o tolo? - N�o seria o primeiro.

Conhe�o um que se casou tr�s vezes com a mesma...

...e acabou casando-se com sua tia.

N�o, parecem-se muito.

- Sim. N�o poderiam ser a mesma pessoa. - N�o me entende.

Parecem-se muito para ser a mesma.

Isso � o que te digo, elas...

Se tivesse vindo com o cabelo tingido e...

...com as sobrancelhas de outra forma...

O que importa o cabelo? Eu sa� com uma esquim�...

Pois n�o tingiu o cabelo.

Nem fingiu n�o me conhecer, que � o que faria outra qualquer.

At� diz que sou familiar.

Por que n�o? Esteve no navio com voc�.

Embora o dissesse n�o o admitiria.

Se n�o se parecesse tanto poderia suspeitar, mas...

N�o entende a psicologia.

Se queria parecer outra pessoa...

poria uma barba e n�o conheceria nem o seu c�o?

Quer dizer que n�o � a mesma esteve no navio?

At� tem o mesmo perfume.

N�o sei.

� a mesma.

Oh! A� est�!

Troquei a jaqueta.

N�o derrube a mesa.

- Est� bem agora? - Sim, obrigado.

Acontece com os melhores.

- Lembro uma noite em Bombay... - Esteve alguma vez em Bombay?

- Sente-se ali, querido. - Esteve em Bombay?

- Estive no Egito. - Lembro uma noite no Egito...

Ia em uma excurs�o com uns amigos, ca�ando crocodilos.

- Perdeu-se uma boa sopa. - Que pena!

- O pescado era um poema. - Que bom!

- Ouviu como chegou Lady Eve ao pa�s? - Como?

Prometa-me que n�o dir� a ningu�m.

- Prometo. - Em um submarino.

S�rio?

Sabe que acho muito belo o seu filho?

- N�o. - Sim, bastante.

- O que � isto? - Por que n�o olha por onde anda?

Por que n�o tira o nariz dos outros?

Escute, olhos de peixe, dar-te-ia um murro.

V�, v�...

Por que n�o olha onde? D�-me isso.

- O que faz? - Vamos...

O surdo perguntou: "O que disse?"

E o outro passageiro disse:

"Dizem que enterrou a sua mulher".

E o surdo respondeu: "N�o te ouvi".

Por aqui.

O que est� fazendo na mesa?

O que acha que fa�o?

- Sinto muito, senhor. - J� era hora.

E o outro passageiro disse...

Primeiro as damas.

Sinto. Pensei que me oferecia.

Sirva-se.

Quer tirar ele daqui, ou tenho que faz�-lo?

Ser� um prazer, senhor.

� a mesma, sei pela maneira...

- Eu prossigo, senhor Murgatroyd. - Voc� e quem mais?

Digo que eu seguirei com isto, Ambrose.

Eu fico com isto, voc� n�o tem direito.

Digo que eu prossigo.

N�o pode ser!

Sinto muito, senhor.

Desculpem.

Oh, querido! Outra vez?

Por que n�o p�e um traje de banho?

E logo o do campo disse:

"Acabo com isso, senhor. Perder um � perder o outro,

e jamais perdi nenhum".

- � muito engra�ado. - � mesmo terr�vel!

Oh, ol�, garoto do Ale. Grande noite!

- Comprou-a por aqui? - � a �ltima.

Se lhe acontecer algo, terei que p�r uma toalha.

N�o se deprima, rapaz.

As piores coisas se passam nas melhores fam�lias.

Lembra um incidente em Calcut�...

Espero que sua sobrinha n�o pense que sou tolo.

Est� acostumada a ver os homens ca�rem por ela.

Isto � muito normal em algu�m da nobreza.

� que havia uma garota no navio...

Havia uma garota no navio?

Parecia-se muito com a sua sobrinha.

Tinha olhos, McGlennan, de cor azul?

Acredito que sim.

N�o deve dizer nada disto a ningu�m.

Est� tirando o esqueleto do arm�rio da fam�lia.

Temo que trope�ou com uma grande dor dos Sidwich.

O segredo do s�culo.

Temo que n�o o compreenda.

Ver-nos-emos junto � janela.

Fa�a como se n�o soubesse de nada.

O conde era maior que sua m�e...

e nunca mais se voltou a falar dele.

Foi como um romance de maio a novembro...

...ou de mar�o a dezembro, entende?

Morreria, se soubesse que contei isso.

Mas nem ela sabe. Nem suspeita o m�nimo.

De fato, no oceano que separava este casal,

havia um chofer da casa. Um tipo alegre,

muito h�bil com os cavalos e as mulheres.

- Falta dizer mais? - Um chofer?

Sim, um homem que conduz os cavalos.

Sei o que � um chofer.

- Chamavam-no "Harry, o gostoso". - "Harry, o gostoso"?

� o pai da garota do navio.

Claro que sim. O pai da outra garota depois do div�rcio, claro.

Mas s�o iguais.

Fechemos nossas mentes ante este fato.

Horr�vel suspeita, sem base, que levaremos �s nossas tumbas.

� completamente imposs�vel

que o chofer, nos dois casos...

Preciso dizer mais?

Claro! Quer dizer que era ela.

Quer que as paredes caiam a nosso redor?

Sil�ncio at� o t�mulo. E ainda mais � frente.

A� est� com sua bonita jaqueta branca.

Quer falar comigo?

Claro que sim.

Quero lhe pedir desculpas por ser t�o tonto.

N�o foi nada. De fato, diverti-me bastante.

- Nem sempre sou assim. - Claro que n�o.

Aonde podemos ir?

- H� uma estufa. - Estupendo.

- O que foi? - Meu vestido.

Alegro-me de que n�o seja culpa minha, desta vez.

J� est� solto.

Que desgra�a!

Nunca vi uma com�dia semelhante em uma casa t�o respeit�vel.

Se n�o o odiasse tanto, sentiria compaix�o.

Sofreu umas boas quedas.

E vai sofrer muitas mais.

Sabe por que n�o me reconheceu?

- Sim. - N�o sabe.

Apenas eu o reconheci.

Parece mais baixo e mais ossudo.

� porque j� n�o mais nos queremos.

No navio, havia uma atra��o muito forte entre n�s.

Assim eu o via mais alto e mais bonito.

Ele provavelmente me via com olhos que se derretiam

e uma boca como uma rosa, como Miss Longbeach.

O �dolo da frota.

Claro que sim, mas tomei uma precau��o extra.

Contei-lhe a hist�ria de "Cec�lia", ou "A filha do chofer".

Um melodrama horr�vel.

- N�o! - Sim.

Tenho que me proteger tamb�m.

Tenho muitos interesses por aqui.

Contei uma hist�ria de choferes bonitos...

condes velhos, esposas jovens...

e duas meninas que eram exatamente iguais.

Quer dizer que engoliu isto?

Como um lobo.

Agora que o tem, o que vai fazer com ele?

Acabar com o que comecei.

Vou jantar com ele, dan�ar com ele,

nadar com ele, rir de suas piadas...

Paquerar com ele!

E um dia, seis semanas mais tarde...

Rosas vermelhas para Milady.

De quem s�o?

Do senhor Charles Pike, Milady.

O filho do cervejeiro. Muito grandes, n�o?

- Ponha no cabide. - Muito bem, Milady.

Obrigada.

Vou falar como uma est�pida duquesa o resto de minha vida.

N�o demorarei nem seis semanas.

Um dia, como num conto de fadas,

estaremos cavalgando pelas colinas,

passeando ante as cascatas da verde montanha.

Subindo e baixando ravinas por caminhos pitorescos,

at� um lugar onde a paisagem seja t�o bonita

que surgir� e me golpear� como um martelo.

O p�r-do-sol ser� t�o bonito

que descerei do cavalo para admir�-lo.

Enquanto estou ali, vendo a gl�ria da Natureza,

o cavalo se aproximar� e acariciar-me-� o cabelo.

E tamb�m o far� Charles, o mal educado.

- Deixa disso! - Posso?

Sinto, pensei que era o cavalo.

N�o, era eu.

- Eve? - Sim, Charles.

Penso que sabe o que estou pensando.

Tenho uma ideia.

A uni�o de duas pessoas para toda a vida,

o matrim�nio, n�o se deve precipitar.

Que preparado � voc�!

Os homens,

muitos homens, escolhem melhor a um alfaiate que uma mulher.

Por isso se vestem t�o mal.

N�o, querida. Cuidam mais da escolha do alfaiate que a de uma mulher.

- Mas voc� n�o, Charles. - Certo.

Se houver um momento na vida...

...em que h� de se tomar cuidado...

...pesando os pr�s e os contra...

...este � o momento.

Nunca se � muito cuidadoso.

Certo.

Pensa que como a conhe�o h� pouco tempo...

Para mim � como se o conhecesse sempre.

Eu tamb�m sinto o mesmo.

N�o s� a vejo diante do p�r-do-sol.

Parece que a vejo no passado.

Vejo-a aqui e mais e mais longe.

Muito longe, em um lugar solit�rio como...

Como a clareira de um bosque.

- Isso. - Como adivinhou?

Porque a� � onde sempre a vejo.

�amos de m�os dadas h� muito tempo.

Isso � incr�vel, � como telepatia.

Sei ler muitos de seus pensamentos.

Ent�o logo terei que lhe contar as d�vidas

que tinha antes de come�ar a lhe falar assim.

Ver�, Eve...

� t�o bonita, t�o fina, que n�o a mere�o.

Claro que sim, Charles.

Se algu�m merece a mim, � voc�.

- Eve... - Charles...

Mas n�o pode fazer isso! Meter-nos-� em uma confus�o!

Por� em perigo o que me levou tantos anos!

Vou telefonar para seu pai!

E estava bonita?

Sim, verdade?

Bem, obrigado, Pearlie.

� deprimente casar uma filha e n�o poder estar presente.

Sobretudo com nome falso. Isso � legal?

Parece que sim.

Trocam tanto de sobrenome, que n�o parece ter import�ncia.

Mas por que o fez?

Possivelmente para lhe dar uma li��o.

S� disse: Voc� ver�...

quando chegar o momento.

E n�o ir� demorar.

E agora est� em lua-de-mel num trem com o homem que odeia.

Talvez lhe d� um tiro.

Tem medo de pistolas.

Ao menos empurra-o pela janela.

N�o. N�o se podem abrir as janelas dos trens.

Entre.

- Ol�. - Ol�.

� muito acolhedor, n�o �?

Pobrezinho! Te fez mal?

Ficar� aqui.

Vem, sente-se. Querido... Est� bem?

Do que ri?

De nada, querido. � t�o emocionante, que me recorda outro momento.

Que momento?

Devo estar algo hist�rica.

N�o t�nhamos dinheiro, assim viaj�vamos em terceira classe.

Havia um granjeiro com um queijo sobre as pernas.

N�o observou que algumas vezes como queijo?

- N�o era nada rom�ntico. - Onde foi?

- Fugimos para nos casar. - Quem?

Eu. N�o era nada, querido.

S� tinha 16 anos ent�o. Sabe como somos nessa idade.

N�o tem import�ncia, asseguro-lhe. Sinto hav�-lo mencionado.

Finjamos que n�o foi dito nada. Beije-me e se acabou.

J�, acabou-se.

Com quem fugiu?

Agora semeei uma d�vida em sua mente.

Quer mesmo saber?

Por que n�o esquecemos tudo?

- Quem era? - Angus.

- Angus? - N�o era ningu�m importante.

Que forma de passar a noite de bodas!

Era um dos cavalari�os da casa de meu pai.

Um cavalari�o?

Em realidade n�o era cavalari�o, claro.

Estava acostumado a usar o uniforme de cavalari�o em seu dia livre...

...e se fazia passar por ele.

O resto do tempo era um mo�o do est�bulo.

Um mo�o do est�bulo?

Sim, um rapaz da estiva, dos est�bulos.

N�o agrada minha escolha?

N�o tinha muito m� pinta.

Com seu uniforme de cal�as justas...

...e as botas com a fita amarela...

...e o pequeno chap�u de feltro. N�o parece atrativo?

Claro que n�o.

Agora est� zangado.

Meu deus! Nunca sei quando devo me calar.

Criaram-me para ser sincera e honrada.

N�o era nada, querido, nada absolutamente.

Fugimos, nos encontraram e nos levaram de volta,

mas o despediram.

Bem.

Devolveram-nos antes do amanhecer, suponho.

- N�o! - Esteve por a� toda a noite?

Meu Deus, demoraram semanas para nos encontrar.

Trocamos de nomes em todas as pousadas onde estivemos.

Morreria de rir se visse os nomes que inventamos.

Com certeza que sim.

Agora est� zangado.

- Eve... - Sim, querido?

Se h� algo que diferencia o homem do animal, � que ele compreende.

E ao compreender, perdoa.

As qualidades de perd�o, compreens�o e doce compaix�o.

- Doce o qu�? - Doce compaix�o.

N�o oculto que desejo que n�o tivesse acontecido isto.

Mas j� n�o tem rem�dio.

Uma garota de 16 anos � quase uma parva.

N�o te culpo por algo que virtualmente foi de outra.

Quero te dar os parab�ns por ser t�o sincera.

Nunca voltarei a pronunciar o nome do Angus.

Espero que fa�a o mesmo.

Agora sorriremos e seremos como antes.

Sabia que compreenderia.

Soube a primeira vez que vi voc� a meu lado.

E que seria marido e pai para mim. Uma nova era, de convites �s paix�es.

Creio que foi por isso que apaixonei-me por voc�.

Obrigado.

N�o sei se ser� este o momento para te contar sobre Herman.

Herman? Quem era Herman?

SEM VISIBILIDADE ENTRAMOS EM UM TUNEL

Vernon? Achei que havia dito Herman!

Vernon era o amigo do Herman.

Que amigo!

- Cicil? - Pronuncia-se "Cecil".

O que disse, querido?

Disse: "Refere-te ao Hubert e ao Herbert?"

- Eram os primos g�meos do John. - John? Quem era John?

Ao trem!

Isso n�o pode ser! Para isso existem os advogados.

- Ele diz que... - Quem o diz?

N�o sei, naturalmente pensei que era seu advogado.

Mas ela n�o quer nada com advogados.

Isso � totalmente irregular!

Mas � uma possibilidade.

N�o quero ver nenhum advogado.

Mas eles sempre se ocupam destes assuntos.

Pois esta � uma ocasi�o em que n�o v�o intervir.

Isto � s� entre meu marido e eu.

- Que tolice! - O que ocorre?

Eles querem chegar a um acordo.

Dar-lhe-�o a metade quando for para Rena...

...e o resto depois de seis semanas.

Pe�a o que quiser.

Agora que temos a oportunidade de ganhar dinheiro honrado.

Diga-lhe que v� � merda.

N�o compreende que na boa situa��o em que est�

tem uma escada colorida.

Pegou o cara pelas orelhas.

Sabe que eu n�o tive nada que ver com isto,

mas agora que est� metida nisto, deveria aproveitar.

Ponha-me com o Sr. Pike, por favor?

Est� ao telefone. Quer falar com o senhor Pike.

N�o podemos permitir. � totalmente irregular.

- Cale-se! - Quer falar com ela?

Prefiro apodrecer antes de falar com ela.

- Senhor Pike, aconselho... - Deixe-me.

Ol�, Eve. Horace falando.

Ol�, encanto.

Sinto muito pelos problemas que causei.

Acreditava que tinha um motivo, mas...

s� queria lhe dizer que n�o quero nenhum advogado,

porque n�o existe nenhum motivo para isso.

N�o quero dinheiro, n�o quero nada.

Pode levar as joias e todo o resto.

Eu pagarei os gastos para ir at� Rena. Acredito que � o certo.

S� quero uma coisa.

Quero v�-lo primeiro.

E que pe�a sua liberdade.

Isso � tudo. Nem dinheiro, nem nada, s�...

que ele venha aqui pedir isso, porque...

H� algo que quero lhe dizer antes de nos separarmos.

Um momento, Eve.

Quer que v� a Nova lorque falar-lhe.

- � um truque! - N�o se meta nisto.

S� quer isso. Quando poder� ir?

S� quer isso, �?

Diga-lhe que se espera que eu pe�a,

ir� esperar at� que caia neve em Havana. E pode lhe dizer outra coisa...

- Tem raz�o. - Chamarei logo, Eve.

Acaba de sair do escrit�rio. Voltarei a chamar.

Escute bem, imbecil.

Fale, eu escuto.

Diga? Sim, Horace.

Sinto muito, Eve, n�o o far�.

Parecia-me uma oferta muito justa.

De fato, penso que foi uma tola ao faz�-la,

mas se nega a faz�-lo.

Parece muito amargurado.

Sinto muito.

Deixe-me falar com ele, por favor, Horace.

� in�til, n�o quer conversa, Eve.

De todo modo, foi despedir-se de sua m�e.

Onde?

N�o!

Obrigada, Horace.

- V�, Hopsie! - Hopsie?

Hopsie.

Jean.

Sinto muito, mas se soubesse o que significa te encontrar de novo...

Podemos ir ao seu camarote ou a alguma parte?

Um momento.

Coronel, alegra-me v�-lo de novo!

Temos que jogar uma grande partida!

N�o tem direito de me levar desta maneira, Hopsie.

Est� certo de que n�o estamos equivocados de navio, Sylvester?

Por que n�o me abra�ou naquele dia? Por que me deixou partir?

Por que tivemos que fazer tantas tolices?

Sabe que � o �nico homem que amei?

N�o sabe que n�o poderia olhar para outro?

Sabe que levei toda a vida te esperando, grandalh�o?

- Perdoa-me? - Por qu�?

Refere-se ao navio? A quest�o � se poder� me perdoar.

- Por qu�? - Ainda n�o compreende.

N�o quero compreender, guarde para voc� o que for.

Amo voc�, n�o voltarei a deix�-la, resolveremos isso.

S� h� uma coisa que tenho que contar.

N�o teria acontecido se a outra n�o se parecesse tanto com voc�.

N�o posso estar em seu camarote.

- Por qu�? - Porque estou casado.

E eu tamb�m, querido. Eu tamb�m.

Continuo dizendo que � a mesma.

FIM

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