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Original subtitles

COM BASE NO ROMANCE DE WILLIAM LANDAY

EM DEFESA DE JACOB

MERCADO CROSBY

- Eu queria-a. Só isso. - Mas porque a querias?

Porque queria. Era uma faca fixe.

O procurador dirá que a compraste por seres intimidado pelo Ben.

Vão usar isso como motivo.

Mas não foi.

O teu amigo Derek parece pensar o contrário.

Diz-me porque achas que o Derek relacionou a tua faca com o que aconteceu ao Ben.

Não sei.

Talvez ele seja o assassino e queira culpar-me por isso.

- Espera lá. - O quê?

- Só estou a dizer. - Não é um jogo.

Se achas que o Derek teve alguma coisa a ver com isto,

temos de saber porquê.

Achas mesmo que o Derek teve algo a ver com isto?

Não.

Perguntaram-me porque é que ele me culpa. Eu não sei porquê.

Alguma vez lhe disseste alguma coisa sobre quereres magoar o Ben?

- Acho que não. - Isso não é um não.

Talvez, mas não de forma que significasse alguma coisa.

O Derek também não gostava dele. Muitos miúdos não gostavam.

Onde está a faca agora?

Andy, tem-la?

Era uma arma perigosa. Deitei-a fora.

Fiz o que qualquer pai teria feito.

Então a faca desapareceu?

Foi muito antes de o Jacob ser um suspeito.

Andy, não te estou a acusar de nada.

Só tento saber o que aconteceu.

Certo. Sim. Desculpa. Desapareceu.

Tinha-la levado para a escola no dia em que o Ben foi morto?

Não.

Tinha-la contigo no parque naquela manhã?

Quando foste para a escola, seguiste a tua rota habitual?

Sim.

Então, o local onde Ben foi morto

ficava no mesmo caminho que normalmente segues?

Acho que sim.

Nunca pensei nisso assim.

Antes de descobrires o corpo do Ben, viste ou ouviste algo incomum?

Tens a certeza?

Estava só a caminhar, e depois...

... ali estava ele,

simplesmente ali deitado no fundo da encosta,

sobre um monte de folhas.

Folhas secas ou molhadas?

Molhadas.

Então, encontraste o corpo deitado no chão. O que fizeste?

- Chamei por ele, tipo... - Ben?

"Ben? Estás bem?"

Reconheceste-o imediatamente?

Sim.

No relatório policial, disseste que ele estava de barriga para baixo,

com a cabeça no fundo da encosta.

E, a menos que me escape algo, desse ângulo,

só conseguias ver a sola das sapatilhas dele, não?

Não. Conseguia ver mais do que isso.

Então, e depois?

Ele não se estava a mexer, por isso desci a encosta

para ver se ele estava ferido ou assim.

Gritaste por ajuda?

Não.

Ocorreu-te ligar para o 112?

Sim, mas eu não...

Eu não sabia o que era no início.

Pensei que pudesse ter sido um acidente.

Como se ele tivesse caído ou assim.

Caído em quê exatamente?

Em... Não sei. Só estou a dizer...

E se fosse um acidente, não ligavas para o 112?

Não. É... Isso é...

Está a distorcer as coisas.

Porque não me ligaste?

Andy, se dás licença...

Pensei que iria arranjar problemas.

- Problemas? - Andy, por favor.

O que aconteceu depois?

Desci a encosta, e abaixei-me ao lado dele.

Ajoelhaste-te.

- Acho que sim. Sim. - Nas folhas molhadas?

- Ou talvez estivesse de pé. - Ficaste em pé?

Sinceramente, não me lembro.

O Derek viu-te na escola pouco tempo depois.

Ele disse que a tua roupa parecia perfeitamente limpa.

Então, acho que fiquei de pé.

E depois?

Depois, virei-o para ver como ele estava.

Como é que o viraste? Com o pé? Com as mãos?

- Mão. - Mesmo estando de pé?

Eu agachei-me. Lembro-me de me agachar para o virar.

Foi como a tua impressão digital acabou na etiqueta da camisola do Ben?

Talvez. Acho que sim.

Então, viraste-o pelo colarinho.

Sim, certo. Então...

... foi quando vi o sangue, e comecei-me a passar.

Porque de cara para cima, era agora visível que o Ben tinha sido atacado.

- Sim. - Havia muito sangue?

Sim.

E ainda assim, o teu telefone permaneceu no bolso.

Assustei-me, e imaginei que alguém o encontrasse em breve de qualquer maneira.

Disseste que te estavas a passar.

Sim, estava.

Quando o Derek te viu já na escola,

descreveu-te como estando de bom humor naquela manhã.

Não queria que ele soubesse.

Porque não? Ele é teu amigo, não é? Porque não sentiste que podias contar...

Não sei. Não contei, está bem?

- Ei. - Que foi?

É óbvio que ela não acredita.

Jacob, deixa-me dizer-te uma coisa. Não importa se eu acredito em ti.

Sou tua advogada, não tua mãe ou teu pai.

Bem, foi isso o que aconteceu.

Ninguém está a dizer que não.

Pois. Acha que não entendo a forma como faz as perguntas?

Que forma é?

- Sinto que tenta enganar-me. - Em que pergunta fiz isso?

- Você entendeu. - Na verdade, não entendi.

De que forma é que eu estou a tentar enganar-te?

Joanna, por favor. Já se fez entender.

Jacob, desculpa por te ter incomodado, mas prometo-te,

o que estamos a fazer aqui não é nada comparado ao que o Sr. Logiudice vai fazer

se fores depor.

A tua história tem lacunas.

Eu não sei porquê, e talvez tu também não.

As nossas memórias são muitas vezes menos fiáveis do que pensamos,

particularmente em momentos de stress.

Mas se eu fosse um jurado, teria muitas perguntas.

É a verdade.

Nem todos os detalhes. Baralhou-me com isso.

Está bem.

Não está nada bem. Ela acabou de dizer que o júri não vai acreditar, por isso...

É por isso que não vais testemunhar.

Acho que isso é sensato.

Como conto a minha versão?

Esse é o meu trabalho, não o teu.

- Então qual é a defesa dele? - Ele não precisa de uma.

O quê?

O ónus da prova está na acusação.

Exatamente. Vamos atacar o caso deles

até não haver mais nada para atacar.

Essa é a nossa defesa.

Muito bem, vamos reunir-nos novamente na próxima semana, meu jovem.

Esperem no carro.

Vou só falar com a Joanna um segundo, está bem?

É um erro.

Não achas mesmo que ele deve testemunhar.

Claro que não, mas não podemos apenas defender.

Os jurados querem uma história, e temos de lhes dar uma. Uma melhor.

Não discordo, mas neste momento, todas as provas apontam num sentido.

E, sinto muito, falo de advogado para advogado.

A faca que acharam no parque...

Viste o relatório forense. Não corresponde.

Não foi ele, Joanna.

Sei que a história dele é uma porcaria, mas ele é um miúdo.

Ficam confusos. Dizem coisas estúpidas.

Eu sei.

Ele é inocente.

Vamos ajudá-lo a ultrapassar isto,

mas quando começas a falar de dar ao júri uma história melhor...

A história é o Leonard Patz.

Não há nada a ligá-lo a este caso.

Sim, porque ninguém procurou. Ninguém se deu ao trabalho.

Sei que há ali qualquer coisa, e não vou parar até a encontrar.

Vai com cuidado, está bem?

Está bem.

E esqueci-me de dizer, recebi uma mensagem de voz de um repórter do Globe.

Acho que estão na cidade a fazer um artigo sobre isto.

Se tu e a Laurie forem abordados, não...

Sim. Obviamente.

Qualquer imprensa é má imprensa neste momento.

Obrigado, Joanna.

A Sra. Hazen disse para vir ao gabinete.

Disseram-me...

Entra, Derek. Senta-te ao lado da tua mãe.

DEVIAS TER-TE MATADO A TI EM VEZ DO BEN!

TAMBÉM MERECES APODRECER NA PRISÃO!

SRA. AGNES MARTIN

Mãe, o Médio Oriente é considerado África ou Ásia?

Acho que é dos dois.

Porque temos de fazer isto todas as noites?

Comer?

Não, ter este grande jantar sentado.

Nunca costumávamos fazê-lo. Não assim.

Bem, agora fazemos.

É como se tentássemos fingir que somos normais.

Isso é assim tão mau?

É, quando se finge.

Jacob, o que queres que façamos?

Nunca estivemos nesta situação.

O que é que os pais fazem? Diz-me, e eu faço-o.

Queres ir comer hambúrgueres ao Lee's e ter a cidade inteira a olhar para nós?

Tudo bem. Podemos fazer isso.

- Querida. - Não! Estou a falar a sério.

Talvez estejamos a fazer isto mal,

a agir como prisioneiros na nossa própria casa,

a sair sempre às escondidas só para fazer um simples recado.

Diz-me o que fazer, porque já não tenho a menor ideia. Está bem?

Está bem. Desculpa.

Não devia ter dito nada.

Tudo bem.

Podemos encomendar piza amanhã.

Já ouviram falar do hipster que queimou a boca com a piza?

Comeu-a antes de ser considerada fresca.

Recebi um telegrama do quartel hoje.

Quartel? O que é?

Um edifício onde os generais se encontram, mas isso não é importante agora.

Ilibaram-te de qualquer culpa pelo que aconteceu naquele ataque.

- Não são boas notícias? - Não acredito que nunca viste isto.

Devíamos fazer disto costume, tipo noite de cinema ou assim.

Por mim, tudo bem.

Por minha causa, seis homens não voltaram daquele ataque.

Sete. O Tenente Zipp morreu esta manhã.

Bem, o Dr. Sandler diz que vais sair numa semana. Não é maravilhoso?

Quem me dera poder dizer o mesmo do George Zipp.

Sê paciente, Ted. Ninguém espera que ultrapasses isto imediatamente.

Ei, Striker, que tal um intervalo? Estou a ficar cansado.

Sim, muito bem. Tira cinco minutos.

Obrigado.

Encontrei um apartamento maravilhoso para nós.

Tem uma lareira em tijolo e um quarto pequeno e bonito

com espelhos no teto, e...

Líder Vermelho, vou cair!

Capitão Geline.

Ele acha que é um piloto ainda a lutar na guerra.

Encontrei o túnel, Johnson!

ARTIGOS REFERENTES A WILLIAM JAMES BARBER

WILLIAM BARBER CULPADO DE ASSASSINATO

HOMEM LOCAL ASSASSINA JOVEM UNIVERSITÁRIA

Chamo a vossa atenção para os documentos marcados coletivamente como Prova 12.

No dia 30 de maio do ano passado,

o Meriden Messenger recebeu um e-mail através do seu site

solicitando todo e qualquer artigo sobre o ex-residente William James Barber

entre as datas de dezembro de 1986 e janeiro de 1988.

As cópias foram enviadas para uma Sra. Agnes Martin.

- Reconhece este endereço? - É da nossa casa.

E quem é a Agnes Martin?

É uma pintora abstrata. A Laurie era formada em História da Arte.

Um pseudónimo, então.

Estava ciente de que ela tinha feito isto?

Na altura, não.

E porque acha que ela o fez?

Provavelmente, não havia muito online. Não era grande notícia quando aconteceu.

O que é que não era uma grande notícia?

O homicídio.

Pode ser mais específico?

O que o meu pai cometeu.

E violação. Ele também violou a vítima de 19 anos. Não foi?

Sim.

É verdade que a sua mulher não sabia da história do seu pai

antes da prisão do Jacob? - Sim.

Na verdade, ela nem sequer sabia que o homem existia.

Deve ter sido um choque e tanto.

Ela aguentou bem. Tínhamos coisas mais importantes com que nos preocupar.

Ainda assim. Descobrir que o pai do marido era nada mais nada menos que...

Qual era a alcunha que lhe chamavam? Aparece em alguns destes artigos.

Billy Sangrento.

Certo. Billy Sangrento Barber.

Olá, Billy.

Como estás, Andy?

Qual é o problema, miúdo? Estás com medo de mim?

- Billy, para. - Olha para mim.

- Estás a assustá-lo. - Cala-te.

Eu disse para olhares para mim.

Estás com medo de mim?

Ele é tímido, está bem?

- Olha para mim. - Para.

- Tens medo de mim, Andy? - Para.

- Olha para o teu velhote. - Já chega. Vamos embora.

- Para! Billy, para! - Olha para mim, agora!

Andy?

Sim?

Há uma parte em ti, mesmo que uma pequena parte,

que ache que ele pode tê-lo feito?

Claro que não.

- Sra. McGrath? - Quem pergunta?

Represento o Jacob Barber. Esperava poder falar com o seu filho, Matthew.

Jacob quem?

O homicídio em Cold Spring Park.

Certo. O miúdo. É o advogado dele?

O pai dele, na verdade.

Não me diga.

O Matthew está?

Sim, está aqui. O que tem ele a ver com isto?

Não, não é ele. É o Leonard Patz.

Muito bem.

Aquela é a Amelia. Mas não tente acariciá-la. É uma cabra.

Matt!

Ele está lá dentro com a namorada, a fazer sabe Deus o quê.

Estes malditos miúdos.

Não tenho de lhe dizer. Digo, veja com quem estou a falar.

Matt!

Como conseguiu os nossos nomes, afinal?

Pensei que as vítimas sexuais fossem confidenciais.

Eu trabalhava com o Ministério Público.

Só tento obter informações sobre o Leonard Patz. Só isso.

Sabe o que ele fez ao Matt, certo?

- Ele apalpou-o na biblioteca. - Ele apalpou-lhe os tomates.

- Matt! - Que foi?

Estou a chamar o teu maldito nome!

Está aqui um homem que quer falar contigo!

- És o Matthew McGrath? - Matt. Quem és tu?

Oh, merda. Espera. Já te vi na televisão.

O filho é o tal que acham que matou o miúdo da Archer.

Eu só queria algumas informações sobre o Leonard Patz.

Talvez possamos falar em privado.

Quem diz que quero falar contigo?

- Ei, Matthew. - Cala-te, mãe.

Olha, eu não sei nada sobre isso, está bem?

Não sei o que ouviste. Mas estava errado.

Está bem.

E quê? Achas que o Patz é que matou aquele miúdo no parque?

Não sei. Tu sabes?

Meu, acabei de dizer que não quero falar.

Bem, vou ser sincero contigo, Matt.

Estou-me a cagar para o que queres.

Eu li o depoimento que deste à polícia. Não acreditei.

Pela forma como abandonaram o caso, acho que também não acreditaram.

Disseste que o Patz se aproximou numa biblioteca, conversaram cerca de uma hora,

seguiu-te até à casa de banho, agarrou-te a virilha

e depois saiu. Está correto?

Sim, e então?

Então, um agressor sexual, em liberdade condicional,

arrisca dez anos na prisão para apalpar um miúdo

que não hesitaria em lhe dar uma tareia?

Vá lá. Isso não faz sentido.

O que teria mais dificuldade em acreditar é que estavas numa biblioteca.

Qual é a tua ligação com o Patz? És traficante dele? Amante?

Vai-te foder.

O Patz disse alguma coisa sobre estar no parque na manhã do assassinato?

Deixa-a lá. Olha para mim.

Se sabes algo sobre o caso contra o meu filho,

tens de me dizer. Agora.

Mãe, obriga-o a ir-se embora.

- A vida do meu filho está em risco. - Tem de ir.

- Não sei de nada. - É a vida dele. Estás a ouvir?

- Vai. - A liberdade dele...

- Não sei de nada. - Qualquer informação.

- Sai daqui, caralho! - Cala-te!

Saia da minha casa! Não o quero aqui!

Preciso que faças o correto.

Vá-se embora. Não sei quem diabos você pensa que é.

Faz o correto, Matt. A tua mãe tem o meu número.

PULSO OXÍMETRO

GALA DA PRIMAVERA DO CHILDREN'S COTTAGE!! ESTA NOITE ÀS 19 HORAS

Desculpe. Demorámos um pouco.

Prazer em conhecer-te, Jacob. Espero podermos conversar novamente na terça.

Está bem.

Ele cooperou bem. Estava muito concentrado e estava...

Está tudo bem?

- Sim. Eu... Sim. Desculpe. - Tudo bem.

Não se preocupe.

- Vamos atrasar-nos para a explicadora. - Sim, está bem. Claro.

- Cuide-se, está bem? - Sim.

Querida?

Sim. Dispara. Mata-o.

Sim, mata-o.

Que diabos te disse sobre...

Desculpem.

Esta é a Sarah, da escola.

Certo. Muito bem, olá.

Já nos conhecemos. Quando você foi à Archer naquele dia.

- É claro. Como estás? - Estou bem, obrigada.

Prazer em ver-te.

Vim só... ver como estavas.

Onde está a mãe?

Não tenho a certeza. Ela disse algo sobre encontrar-se com alguém do trabalho.

Está bem. Então...

... divirtam-se.

Certo. Desculpem.

Muito bem. Aquele tipo ali. Para a esquerda.

Não. Sim.

- Bem-vindos. - Olá, obrigada.

E uma para mim.

Boa noite. Entrem.

12.ª GALA ANUAL DA PRIMAVERA

ANDY TELEMÓVEL

Olá.

Sim, eu sei.

A Cara convidou-me para jantar.

Pois, também pensei que sim.

Não sei.

Talvez às 8 horas, 8h30.

Está bem. Tu também.

Salada e batatas a sair.

Não disse se queria o molho misturado ou à parte,

portanto, coloquei-o à parte.

- Obrigada. - Bom apetite.

Com licença.

Desculpe. Com licença.

Está a usar o açúcar?

Sirva-se à vontade.

A salada é boa?

Na verdade, sim. Melhor do que eu pensava.

Talvez experimente.

É engraçado. Já passei por aqui umas 100 vezes, mas nunca entrei num destes.

São praticamente todos iguais.

Eu gosto.

Obrigada.

A PRAIA DE MANHATTAN

- Está a ler A Praia de Manhattan? - Estou a começar.

Li-o no ano passado para o clube de leitura. É maravilhoso.

Não gostei muito do último, por isso, estava bastante cética.

Mas é muito diferente.

Sou a Laurie, já agora.

- Jeanine. Prazer em conhecê-la. - Igualmente.

Vou querer a mesma salada que ela. Com molho à parte.

A sair. Também quer batatas fritas?

É melhor não. São a minha fraqueza.

Pode ficar com o resto das minhas, se quiser. Eu só queria algumas.

- Tem a certeza? - Absoluta.

Desculpe.

Gostaria de...

Claro.

Ela não quis ficar para jantar?

A mãe dela queria-a em casa.

Ela pareceu-me simpática.

Mas é um pouco estranha.

Estranha?

Sim. Tipo artista, sabes?

Muitos miúdos, às vezes, gozam-na por isso.

Foi simpático ter vindo ver-te.

Sim. Andávamos a trocar mensagens, e ela perguntou o que faço na maioria dos dias,

e eu disse: "Nada de mais",

então, ela disse que podia vir até aqui, conviver.

Mas acho que ela só tem pena de mim.

Talvez ela só goste de ti.

Acho que é mais, tipo, ela sentir-se culpada ou...

Como assim, culpada?

Disse que o Derek lhe andou a dizer coisas de mim

e sente-se culpada com isso.

Por ter acreditado nele, ou assim.

Mas não acredita nele agora?

Acho que não, se veio até aqui.

Mas há muito que ele gosta dela.

Quem, o Derek?

Sim. Ele é, tipo, obcecado por ela.

Acho que ela acha que talvez ele o tenha feito.

Espera lá. O que acabaste de dizer?

Ela acha que pode ter sido ele. Mas não o disse.

Só disse que ouviu que a polícia esteve na escola e falou com ele.

- Também chamaram a mãe dele. - Não significa que é suspeito.

Eu sei, mas é isso que ela pensa que foi.

Não sei. Talvez ela só queira fazer-me sentir melhor.

Eu? Não. Mal conseguia desenhar um boneco de pauzinhos.

Adorei.

Juro que passei metade do terceiro ano no estrangeiro, só no Museu d'Orsay.

Os Nenúfares.

Sei que é um clichê total adorar o impressionismo,

mas ele tem... uma emocionalidade sem prurido

que é tão...

Não sei. Corajosa é provavelmente a palavra errada, mas...

- Entende o que quero dizer? - Acho que sim.

Desculpe, estou a divagar.

Não faz mal, a sério.

É como um cartaz que vi no outro dia de um Bonnard...

Laurie?

Desculpe. Eu...

A minha família está a passar por um mau bocado.

Aconteceu uma coisa horrível e...

... os amigos com quem costumava falar, eles não...

Desistiram de nós.

O meu marido diz que não me deveria importar. Mas ele nunca teve amigos.

Não dos verdadeiros.

É estranho? Nunca pensei nisso até há pouco tempo.

Quero dizer, ele teve amigos casuais, pessoas na sua vida,

mas ninguém de quem ele fosse próximo, para além de mim.

Talvez eu gostasse de ser a única.

Embora, mesmo comigo, ele...

Desculpe. Você só...

Você só queria um jantar sossegado e ler o seu livro.

Ora essa.

Eu compreendo. Está tudo bem.

Provavelmente já ouviu falar do rapaz que foi morto em Newton.

O meu filho, ele...

Eu sei.

Desculpe.

Tenho tentado encontrar uma forma de lhe dizer sem tornar isto desconfortável.

Eu devia ter dito alguma coisa mais cedo.

Você sabia.

Para ser sincera, esperava falar consigo sobre o caso.

Se estiver disposta a isso.

Sou escritora.

Estou a escrever um artigo independente para a revista de domingo do Globe.

- Não. - Laurie, eu não queria...

Tenho de ir.

Há algo que tenha dito que gostasse de manter confidencial?

O quê? Eu não...

Seguiu-me até aqui?

Seguiu-me até aqui?

Por favor. Dê-me uns minutos para explicar.

Olá. Como foi o jantar?

Bom.

Talvez tenha feito progressos hoje na investigação do Patz.

Sim. Falei com o tal miúdo envolvido com ele.

Acho que ele anda a esconder algo.

Estás bem?

Estou só cansada.

Está bem. Vou levar a reciclagem lá fora. Subo já.

Está bem.

CRIAR CONTA - JAY KOBBS

NOME DE UTILIZADOR - JAY_KOBBS

CARREGAR FOTO DE PERFIL

A mãe e eu vamos dormir. Devias fazer o mesmo.

Está bem. Boa noite.

O que estás a ver?

Falhanços de skate.

Comédia de alto nível. Muito bem. Não fiques acordado até muito tarde.

Está bem.

Uma espécie de sensação de normalidade, de certa forma.

Não é que ele costumasse receber raparigas antes,

mas entendes o que quero dizer.

Então, o jantar foi bom?

Ainda bem, fico contente. Tu mereces.

SEGUIR

PEDIDO ENVIADO

PEDIU PERMISSÃO PARA TE SEGUIR - ACEITAR/RECUSAR

DÁ CÁ MAIS CINCO!

ÉS TU? LOL PENSEI QUE NÃO TINHAS AUTORIZAÇÃO?

QUERO VER AS TUAS CANÇÕES

A SEGUIR

Olá, malta. Aqui está uma nova, acabei de a escrever. Espero que gostem.

Dá-me a mão

Amanhã vou falar outra vez com a Duffy.

A Sarah disse ao Jacob que viu a polícia na escola a interrogar o Derek.

Sobre o quê?

Não sei. A Sarah parece pensar que ele pode ser um suspeito.

O Derek?

Sim. Tudo é possível.

O que foi?

Isso é o que todos dizem sobre o Jacob.

É por isso que não podemos deixar o seu destino nas mãos da polícia e do tribunal.

Temos de obter respostas por nós próprios.

Esse não é o trabalho da Joanna?

A Joanna é uma ótima advogada, mas os advogados têm limites.

Eu não. Já não tenho.

O meu único trabalho agora é tentar proteger o nosso filho.

Custe o que custar.

"Os pais da Sra. Rouse permaneceram inconsoláveis,

mesmo com um veredicto de prisão perpétua sem direito a condicional.

Também no tribunal estava a mulher de William Barber, Marianne,

e o filho de cinco anos do casal, Andrew.

Ao longo do processo, o arguido recusou mostrar qualquer tipo de remorso.

'Se o olhar matasse', comentou um dos jurados mais tarde."

Deve ter sido aterrador, crescer com um pai assim.

Não tinha nenhum contacto com ele. Só uma vez, depois do julgamento. Foi só.

Ainda assim. O meu pai perdeu o cabelo na casa dos 20 anos.

Eu sei que passei a minha adolescência a pensar quando é que ia perder o meu.

Está a dizer-me que não cresceu com medo...

... de que, lá no fundo, pudesse haver alguma parte dele em si?

Certamente que isso lhe deve ter ocorrido em certos momentos cruciais.

A chegada de uma criança.

Ver o seu rapazinho crescer.

Secretamente obcecado até pelos comportamentos mais inocentes.

Sempre atento a qualquer indicação

de que o sangue do seu pai pudesse correr-lhe nas veias.

Depois, vejam só, ele está implicado num crime violento.

Ainda por cima um esfaqueamento.

Os seus piores medos realizaram-se, finalmente.

Não, é exatamente o contrário.

Quando se vive com aquilo que vivi durante tanto tempo...

... olhamos para o nosso filho através dessa lente 1000 vezes.

A nossa determinação está feita.

Sabia que o Jacob não era assassino, como sabia que eu não era.

Se você o diz.

Mas você teve 14 anos para chegar a essa conclusão.

A Laurie, por outro lado...

Com a Laurie foi diferente, não foi?

Muito bem. Isto não vai demorar muito, mas tenta ficar quieto, está bem?

Posso ficar nervoso? Vou, tipo... Será que vão ver isso no meu cérebro?

Não faz mal nenhum. Não conseguimos ler-te os pensamentos.

Relaxa, está bem?

Isto vai demorar cerca de meia hora, porque não esperamos no meu escritório?

Então, provavelmente devíamos discutir o teste de ADN.

Já tenho o que preciso do Jacob.

Andy, também vou precisar de uma amostra sua.

Está a testar o gene do homicídio?

Não é assim tão simples.

E isso é só uma expressão usada para criar manchetes.

Dito isso,

acho que a Joanna foi sensata em fazer-vos explorar isto, só por precaução.

Não compreendo.

Bem, se o Jacob for considerado culpado, e estou a dizer "se",

podem querer apresentar provas genéticas como atenuante.

Atenuante?

- Para ser reduzido a segundo grau. Certo? - Correto.

Homicídio em 1.º grau dá perpétua sem condicional.

Em segundo grau, ele torna-se elegível em 20 anos.

Só teria 35 anos. Teria a vida toda pela frente.

- Sim, o que restasse dela. - Mais uma vez, "se". Só "se".

Então, talvez devêssemos falar sobre o seu pai.

O que é que tem?

Obviamente, vou precisar de uma amostra dele também.

Vá em frente. Ele está na Prisão do Norte em Somers, Connecticut.

Eu sei. Tentei visitá-lo lá.

- Tentou? - Tentei. E há um problema.

- Que tipo de problema? - Ele não concordou com o teste.

Como assim?

Ele diz que você tem de lhe pedir.

Eu?

- Ele não me conhece. - Aparentemente, ele quer mudar isso.

Só pode estar a brincar.

Andy, lamento, mas precisamos da cooperação dele para...

Diga-lhe que pode ir para o caralho.

Desculpe.

Acho que não posso fazer isso. Não consigo.

Tu consegues.

Ele vai.

Vais fazê-lo pelo Jacob.

É como tu disseste. Custe o que custar.

LEGENDAS: TERESA MOREIRA

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